Sob o Céu da Bretanha
22 Capítulo 22
Lancelot acordou quando o sol já ia alto no firmamento e sua luz passava por entre as frestas da janela trancada do quarto; Artur ainda dormia calmamente, seus cabelos louros caindo como cascatas douradas sobre seu rosto. O duque não desejava acordar seu Rei, mas sabia que muitas coisas precisavam ser feitas se eles quisessem que a Bretanha voltasse a ser o que era.
Levantou-se da cama se voltou a vestir o manto que trajava antes de se deitar. Depois, desceu à cozinha e preparou ele mesmo uma bandeja com queijo de cabra, vinho aquecido com ervas, e pão de aveia fresco, voltando aos aposentos reais em seguida.
Lancelot colocou a bandeja sobre a mesa de dejejum do quarto e foi direto até a cama, sentou-se na beirada e começou a acariciar os cabelos do seu Rei, falando baixo e com sua voz num tom mais aveludado possível:
– Meu senhor, precisa se levantar...
– Lance? – disse Artur, ainda num estado entre o sonho e a vigília.
– Desculpe, Artur, se pudesse, deixaria você dormindo até findar o seu sono... Mas você sabe que eu preciso viajar o quanto antes à Bretanha do Sul e meu senhor precisa chamar Morgana para informar-lhe sobre a Cornualha.
– Está tudo bem, Lance... Obrigado por cuidar de mim ontem!
– Não há o que agradecer; vem, preparei o seu dejejum.
Artur levantou-se ajudado pelo duque e foi à mesa iniciar sua refeição. Depois, fez sua toalete matinal, e seguiu para a sala do trono.
– Você tem razão, Lancelot, temos muito o que fazer. Sua viagem demorará muito, primo?
– Infelizmente, a Bretanha do Sul é um pouco afastada, meu Rei. Mesmo cavalgando noite e dia, acho que não retornarei antes da lua mudar.
– Entendo. Isso me dará tempo para convocar Marcus, que demorará cerca de quatro dias para vir de Tintagel até Camelot depois de avisado, além de Morgana, que não tardará nem mesmo dois dias, desde que já tenha acabado seus deveres na Ilha Sagrada. Quando você voltar, creio que todos os interessados estarão em Camelot para que eu possa anunciar como ficará a Bretanha daqui para a frente. Acho que o castelo estará mais apresentável até lá! – disse Artur, rindo pela primeira vez desde a morte de Guínevere.
– Claro que estará meu senhor. – Lancelot retribuiu-o com um sorriso. – Agora preciso mesmo ir, o assunto é urgente!
– Vou sentir sua falta, primo!
– Contarei os dias até voltar a ver o senhor, meu Rei!
– Creio que cansarei de te dizer que possuis um título alto o suficiente para me chamar pelo nome, além de ser meu primo, Lancelot!
– Não me leve a mal, primo, mas, por mais alto que seja meu título, não mereço pronunciar seu nome em voz alta.
Logo após proferir suas últimas palavras, Lancelot se retirou deixando o Rei com seus pensamentos.
“Tu és o melhor de nós dois, Lance... Não me espanta nada que Gwen tenha te escolhido como seu campeão. Quis o destino que agora tu fosses meu campeão... Só rezo a Deus para que as guerras em nossa geração tenham acabado. Amo-te demais para deixá-lo morrer por mim, Gwen já o fez... Não suportaria viver em um mundo sem vós. Toma cuidado, meu campeão!”
Fale com o autor