Notas iniciais
Aí vai mais um... Esse tá meio tenso... Espero que curtam :)

Artur lutava em meio ao caos. Seus cavaleiros estavam gravemente feridos, mas ainda assim seu exército resistia bravamente. O exército inimigo finalmente mostrava sinais de comprometimento.

O Grande Rei da Bretanha perdera seu cavalo há tempos, lutando a pé como qualquer soldado raso, mas portava a sagrada relíquia, que desfazia qualquer resistência inimiga com apenas um golpe.

Não havia mais como voltar atrás e nem era isso que o rei queria. A batalha estava dura, mas eles claramente poderiam vencer, embora não soubesse o que seria da Bretanha depois dessa peleja: totalmente indefesa a ataques do além-mar.

Artur lutava firmemente apesar de já demonstrar sinais de cansaço. Pedia mentalmente pelo seu duque, sem ele, parecia que suas forças eram minadas muito mais rapidamente. Seus pensamentos foram interrompidos quando avistou, enfim, o líder dos nórdicos. Não era difícil reconhecê-lo, usava uma armadura muito mais protegida que a dos outros, embora ainda grosseiramente forjada.

Artur partiu ao encontro do seu inimigo, destroçando qualquer um que se intrometesse em seu caminho.

*****

Lancelot já ouvia os sons da batalha, e logo chegaria em auxílio do seu rei. Suas espadas, apesar de não possuírem a fama aterrorizante e grandiosa da Excalibur, também possuíam características especiais. As espadas gêmeas do lago eram capazes de confundir os sentidos dos inimigos, criando pequenas distorções no tempo, atrasando ou acelerando seus ataques. Havia aqueles que diziam que elas haviam sido forjadas pelas mãos de fadas e temperadas com as águas do lago sagrado. Disso Lancelot não tinha certeza, mas sabia muito bem do que elas eram capazes.

Agora, via claramente o campo de batalha, e não demorou muito para chegar ao âmago do conflito. Seu treinamento de cavaleiro o permitia controlar o cavalo mesmo em meio a tanto alvoroço, ao mesmo tempo em que vencia todo o inimigo que se interpunha entre ele e seu objetivo... Encontrar o Grande Rei.

*****

Morgana estava totalmente envolta pelo manto da Deusa, e, com sua Visão, podia observar claramente a guerra sendo travada. Via Lancelot lutando com todas as forças, e, embora quisesse muito protegê-lo, deveria direcionar seus encantamentos a outra pessoa.

Ela encontrou Artur, que estava em meio a um embate com o líder das tribos nórdicas. O combate estava bastante equilibrado: o nórdico mostrava ser um tanto habilidoso ao evitar os ataques diretos da Excalibur, além de contra-atacar no momento certo, não acertando, por pouco, os pontos vitais do Grande Rei da Bretanha.

Morgana sabia exatamente o que fazer. Em uma prece, rogou à Deusa que enviasse ajuda ao seu protegido. Imediatamente, em meio ao círculo mágico, a figura do gamo-rei se formou, e, em átimos de segundo, fora enviada para Artur.

Morgana, agora, com o restante de força que ainda lhe restara invocou mais uma vez os poderes da Deusa a fim de proteger o exército bretão. O manto da Senhora se abriu sobre os soldados, melhorando seus sentidos e despertando-lhes uma intuição fora do comum.

A Dama do Lago sabia que um encanto dessa magnitude não iria durar para sempre, mas desejava apenas tornar a vitória possível.

*****

Artur estava exausto, mas não podia desistir, o destino da Bretanha estava em jogo. Os pensamentos do Grande Rei estavam focados na luta com o nórdico, quando uma força inigualável se apossou de seu corpo. Imediatamente, seu ânimo voltou, e seus sentidos se aguçaram tanto, que os movimentos do seu inimigo pareciam vagarosos demais.

Em um movimento rápido de esquiva, encerrou a Excalibur no peito do líder dos nórdicos. Seu sangue escorria para a terra enquanto Artur lhe retirava a sagrada regalia das entranhas. Depois disso, o Grande Rei sentiu todo seu corpo ficar pesado, como se estivesse sido cobrado em dobro toda a desenvoltura demonstrada a pouco.

Lancelot chegou próximo o suficiente do seu rei para vê-lo sendo apunhalado pelas costas por algum nórdico. O desespero tomou conta do cavaleiro, que cavalgava o mais rápido possível, chegando a tempo de impedir a morte iminente do seu senhor.

Depois de derrotar todos os nórdicos que se reuniam para atacá-lo, visando, claramente, o rei caído no chão, Lancelot desmontou, a fim de pegar Artur. Montou novamente dessa vez com o Rei desmaiado, sustentado apenas pelos seus braços à frente, e partiu para longe do campo de batalha.

*****

O encanto que estava sendo realizado em Avalon estava por acabar, e Morgana usou o último fragmento de sua Visão para ver o exército bretão derrotando os invasores, que fugiam de volta para seus barcos enquanto ainda eram alvejados pelas flechas bretãs.

A grande magia, maior mesmo que o encantamento que mantinha a ilha sagrada escondida por entre as brumas, se desfez, levando consigo a consciência da Grã-sacerdotisa, que foi acolhida por uma das outras que estavam mantendo o escudo mágico em pé.

As outras também quebraram sua concentração, indo direto para a morada da Dama do Lago. As donzelas da casa das Moças já estavam lá, prontas para administrar as infusões curativas que ajudariam as sacerdotisas a recuperar suas forças, evitando que ficassem doentes devido ao grande esforço mágico que fizeram.

Morgana foi posta na cama, seu corpo lavado com água do poço e ervas aromáticas.

Guínevere estava tão exausta quanto às outras, já que essa fora a primeira vez que executara um trabalho mágico desse nível fora do treinamento. Entretanto, sua ligação com o Rei e com àquele que o estava carregando a fez despertar a Visão, mesmo que involuntariamente.

Pôde ver, ainda que de forma difusa e embaçada, o Grande Rei caído e desarmado em meio a outros homens, que lhe pareciam mortos. Tentou, apesar do medo que sentia, aprofundar à Visão. As imagens que se formaram em seguida confortaram um pouco o coração. Lancelot aparecera e resgatara Artur, recuperando também a Excalibur. A Rainha tentava com todas as forças manter a Visão ativa, queria ter certeza do que estava acontecendo ao seu marido, mas ela se foi tão rápido quanto veio.

Ainda bastante tonta, Guínevere se levantou, e, quando arguida por outra sacerdotisa sobre o seu destino, simplesmente respondeu:

— O Grande Rei está ferido de morte, preciso ir até ele para curar-lhe as feridas!

— Guínevere, nenhuma de nós, no atual estado em que nos encontramos, temos forças para cuidar de ninguém, é melhor que mande uma das donzelas!

— Você não entende... O rei está sob os cuidados do seu duque, que também possui o sangue dos antigos, e sabe que a extensão dos ferimentos causados ao rei só pode ser curada por magia. Ele virá para cá e precisa de alguém que separe as brumas para que passe!

— Ainda assim... Você não está em condições de tratar de ninguém. Leve uma das donzelas para começar tratamento ainda na barca, a caminho da ilha!

— Os ferimentos de sua Majestade foram muito graves, magia comum não vai ser suficiente...

— Guínevere, o que você pretende fazer?!