Sob minha Pele
47 Epílogo
Notas iniciais
Epílogo
O cheiro de fumaça era sufocante, sempre era. Eu estava cercado pela nuvem negra causada por ela, mal conseguia respirar ou mesmo enxergar qualquer coisa.
Iria morrer?
— Garoto do Brooklyn? — A voz dela chegou até mim, parecia muito distante.
— Aqui! — gritei, querendo que ela me localizasse. Será que ela estava em uma situação pior do que a minha? Eu teria de ajudá-la a escapar, ela precisava escapar do fogo. — Bonequinha? — chamei por Bella, tossindo por conta da fumaça.
A vi surgir entre a fumaça, ela sorria, o que era bem estranho considerando nossa situação. Entretanto, o sorriso dela me deu paz, Bella estendeu sua mão para mim. Eu entrelacei nossas mãos, sentindo seu toque familiar e quente.
— Venha comigo — Bella falou suavemente.
Eu fui, claro que fui.
Bella me conduziu, ela parecia abrir caminho entre a fumaça, fazendo com que a nuvem negra se afastasse da gente. Aos poucos fui me sentindo menos sufocado, menos nervoso também.
Nós paramos diante uma porta, a fumaça toda tinha ficado para trás, longe de nós dois. Bella voltou seu olhar para mim, seus olhos castanhos tinham um brilho feliz. Ela tocou na maçaneta da porta, a girando, nós estávamos....
— Senhor, senhor. — Abri os olhos em um rompante, remexendo-me na poltrona, tentando entender o mundo a minha volta após ser acordado do nada.
Eu resmunguei baixinho quando percebi isso, estava sonhando. Nunca saberia para onde aquela porta que Bella abriu dava, talvez para o corredor do prédio que nosso apartamento ficava, mas quem sabe fosse algo mais bacana do que isso.
— Senhor — a voz que me acordou voltou a falar, olhei para o lado, deparando-me com a aeromoça que estava cobrindo nosso voo. — Estamos chegando a New York, você poderia colocar o cinto e reclinar sua poltrona para a posição inicial?
— Claro, posso sim — concordei, ela sorriu e se afastou.
Coloquei a poltrona na posição certa, prendendo-me ao cinto em seguida. Olhei pela janela do jatinho e vi o Sol brilhando, era um dia bonito de domingo.
Podia ouvir ao longe Jasper conversando com Liam, o empresário da The Dragons. Nós estávamos voltando de um show em Glastonbury, na Inglaterra. Tínhamos tocado em um festival que acontecia na cidade na noite passada, mas não pudemos esticar nosso tempo no país da rainha, pois teríamos compromissos com a gravadora na segunda.
Além do mais, eu já estava morrendo de saudades de casa, mesmo que tivesse passado a última semana inteira com minha família. Entretanto, antes disso, estávamos em turnê e era sempre uma merda quando tinha de deixá-los.
Eu amava quando Bella podia me acompanhar, mas com a galeria dela, Riley e tudo mais em New York, não era sempre que ela podia seguir em turnê com a gente. O bom era que o sexo de volta para casa certamente era um dos melhores, nós estávamos com tantas saudades um do outro que tudo ficava mais intenso.
Vi a aeromoça que me acordou antes, bater na porta do banheiro, pedindo que quem estivesse lá dentro saísse, eu tinha minhas suspeitas de quem era. Isso se concretizou quando vi Rose saindo do banheiro, seus cabelos estavam uma bagunça, assim como suas roupas, Arthur saiu atrás dela, terminando de colocar o cinto em sua calça.
Apenas ri, aqueles dois não tinham jeito. Apoiei minha cabeça na janela e fechei os olhos, querendo descansar um pouco mais do longo voo antes da aterrisagem. Mal via a hora de desabar na minha cama e dormir, tendo Bella ao meu lado, principalmente.
Não demorou muito para que o jatinho pousasse no JFK, o aeroporto em New York. Bella estava certa, viajar de jatinho era muito mais fácil e menos estressante do que voar em um avião comercial, porém não era sempre que conseguíamos fretar um, mas aquele dia tinha sido um agrado da gravadora.
— Finalmente! — Jasper exclamou enquanto esperávamos a liberação do piloto para tirar os cintos e por fim deixar a aeronave.
Eu sabia que como eu, meu amigo estava ansioso para reencontrar sua esposa e suas filhas. Ele iria direto para o apartamento deles em Manhattan, onde Alice devia estar com Chloe e Ashley já esperando por Jazz. Alice tinha se formado e ingressado em uma empresa logo depois, ela trabalhava na parte financeira de tal e vivia ajudando Bella e eu com os melhores investimentos para nosso dinheiro.
— O que vocês vão fazer hoje? — perguntei para Art e Rose, que estavam sentados juntos do outro lado do corredor do avião.
— Vamos para uma festa em Hamptons — Rose respondeu, enquanto afagava os cabelos de Arthur.
— Só não se atrasa amanhã, Barbie — a lembrei, nós iriamos começar a pré produção do terceiro álbum da banda, eu estava ansioso.
O primeiro álbum tinha sido a realização de um sonho, eu passei uma hora com o disco em mãos quando ele ficou pronto, olhando encantado para a foto de capa que tinha sido tirada por Art. Com aquele álbum a banda cresceu muito, a The Dragons foi muito bem produzida por Phill e empresariada por Liam que veio depois.
Claro que o primeiro álbum não nos levou a um sucesso mundial, ainda éramos uma banda em fase de crescimento, mas já tínhamos boas críticas e as pessoas — em uma proporção inimaginável — começaram a ficar de olho na gente, esperando o que viria a seguir. Que foi o segundo álbum, lançado dois anos depois do primeiro e que sustentou a banda, os críticos o adoraram, os fãs que já tínhamos continuaram nos seguindo e nos tornamos mais conhecidos por ele, o que incluía ter mais reconhecimento fora dos Estados Unidos, o que nos levou a tocar em festivais de música e a termos nossas canções sendo cantadas por multidões.
Às vezes tudo aquilo ainda parecia um sonho muito bom, eu ficava nervoso antes de cada show como se fosse o primeiro. De alguma fora era, todo show tinha sua diferença, fosse pelo lugar, ou por nós mesmos. Eu apenas sabia que estávamos indo muito melhor do que sequer sonhei um dia.
— Não vou me atrasar — Rose garantiu.
— Ou vai, eu tenho grandes planos para essa noite, Anjo — Arthur falou maliciosamente para ela, fazendo Rosalie rir e o beijar em seguida.
Ela estava muito feliz, Arthur a enlouquecia às vezes, mas os dois já estavam namorando por anos e indo muito bem. Rose tinha sido pedida em casamento pelo Ex-Líder de Torcida durante nossa última turnê — o trabalho dele de fotógrafo permitia que ele sempre viajasse com ela —, mas os dois não faziam ideia de quando iriam casar. Eles também não pensavam em filhos, ao menos não por enquanto, ainda que mimassem Chloe, Ashley e Riley sempre que podiam. Entretanto, eles gostavam de viajar quando dava na telha — quando não estavam trabalhando, claro —, ou simplesmente se refugiarem em Aspen para esquiar.
Não sabia se um dia eles acabariam tendo filhos, só sabia que eles estavam aproveitando a vida como queriam e aquilo bastava para ambos. Arthur fazia suas fotos, tinha a sociedade na galeria de artes com Bella, Rose a banda, os cursos de curta duração que ela faziam em Juilliard. Então, sim, felizes para caralho com a vida que tinham escolhido.
No ano anterior, o pai de Jasper e Rosalie tinha ido atrás deles. Com os filhos fazendo sucesso o homem resolveu aparecer e se dizer arrependido por ter ido embora tantos anos antes, claro que aquilo era ele querendo um pouco do dinheiro dos filhos. Os gêmeos tiveram de ser muito fortes para o afastar, eles sabiam que o pai não levaria nada de bom para a vida deles, que era apenas um aproveitador barato.
Um aproveitador como Emmett, que quando ficamos mais famosos, tinha dado entrevistas falando da gente como se fossemos diabos. Ele estava tentando ganhar seus quinze minutos de fama, só que não foi além disso, a banda nova que ele criou não foi para frente e Emmett continuou como instrutor na academia.
Quando nossa saída foi liberada rapidamente deixamos o jatinho, eu precisava chegar ao Brooklyn o quanto antes. A saída do aeroporto não foi muito fácil, tínhamos fãs esperando pela gente lá, não era um número gritante, mas uma boa quantidade de pessoas e paramos um pouco para dar autógrafos e tirarmos fotos.
Por fim eu entrei no carro que me levaria para casa, Art e Rose tinham ido em outro e Jasper foi com Liam. Eu tentei ligar meu celular assim que sentei no carro, mas a bateria dele tinha morrido, não teria como falar antes com Bella e avisar que já tinha pousado.
Esperava que ela estivesse no apartamento com Riley, mas talvez tivesse ido passar algum tempo da manhã de domingo com Renée e Charlie, ou mesmo com minha mãe, Clarisse e Joe. Se ela estivesse com os três últimos seria um grande desencontro, pois o apartamento deles ficava em Manhattan.
Mamãe e Joe tinham casado, antes mesmo de Bella e eu. Um casamento simples e pequeno, realizado no cartório e com um jantar para comemorar.
Diferente de Richard, Joe tratava minha mãe muito bem e era como um pai para Clarisse. Dona Elizabeth amava Joe, ela tinha me dito isso, disse que nunca se esqueceria do meu pai e que ele sempre seria o amor da vida dela, mas Joseph era sua paixão que lhe devolveu muitas coisas.
Foi estranho no começo, ter meu médico chamando minha mãe para sair, mas aceitei por saber que ele era um cara bom. Além do mais, Clary também caiu de encantos por Joe e o fato de ele ser justamente um cara decente que a respeitava e cuidava dela, fez com que eu o aceitasse mais facilmente.
Minha irmã tinha passado por muita coisa, provavelmente mais do que eu e Isabella. Ela tinha treze, já era mais crescida e sabia melhor das coisas. Mamãe contou a ela um pouco mais da verdade sobre Marcus, Clary estava lidando com tudo aquilo a passos de bebê, só que ela tinha uma família inteira pronta para a apoiar e estava se apoiando.
Influenciada por Joe, Clarisse queria ser uma médica, não mais astronauta. Ela tinha o sonho de salvar as pessoas, de ajudá-las, como Richard, Marcus e meu próprio pai não puderam ser ajudados. Eu sabia que minha irmãzinha teria o espaço todinho para ela, como eu tinha prometido um dia, pois aquilo representava seus sonhos se realizando e se eu sabia de algo era que eles eram capazes demais de serem realizados.
Olhei pela janela do carro, vendo a Brooklyn Arts do outro lado da rua. Era a galeria de Bella e Arthur, onde minha mãe estava trabalhando junto a sua nora, depois de muita insistência. Renée vez ou outra ajudava com algo lá, mas ela preferia o sossego de seu loft e ficar pintando incansavelmente, Charlie mantinha-se em seu emprego de segurança, ele parecia gostar muito daquilo, sendo franco eu não o entendia.
Chegar ao meu apartamento foi bom e ruim. Bom, pois eu finalmente estava lá, mas ruim porque o silêncio que tomava conta do lugar me deu a certeza de que Riley e Bella não estavam em casa. Nosso filho não ficava em silêncio, ou parava quieto, às vezes nem mesmo quando estava dormindo.
Eu comecei a chamar por eles, só para ter certeza de que não estavam lá. Talvez estivessem planejando uma surpresa, não que fosse meu aniversário, aquilo já tinha sido na semana anterior, mas podia ser o caso.
Entrei primeiro na sala que Bella e eu usávamos como sala de música/atelier, no primeiro andar do apartamento duplex. Tínhamos nos mudado para lá antes de Riley nascer, o lugar seria melhor para o bebê e para a mania espaçosa de Isabella. A mulher tinha até seu próprio banheiro, pois odiava dividir comigo.
Nós tínhamos um piano na sala de música, assim como a guitarra que eu tinha herdado de papai, a Fender que ganhei de Bella e naquela manhã uni a guitarra que eu estava usando para tocar nos shows. Do lado dela da sala, o atelier, eu podia ver vários quadros, ou cadernos de desenhos. Ela continuava desenhando para Aro, não recebia mais por isso, entretanto era um hobby que ela gostava de manter.
Bella tinha feito os desenhos que cobriram minhas cicatrizes daquela noite que ainda me causava pesadelos, eu tinha um leão na perna e uma guitarra — um desenho fiel da guitarra do meu pai –, no braço. Depois que Riley nasceu eu fiz mais duas tatuagens, a data de nascimento dele e a de Bella em meu pulso, junto à de Clary, em breve tatuaria mais uma data ali. Minha esposa não fazia ideia de como eu aguentava fazer tantas tatuagens, mas ela achava sexy que eu fosse tatuado.
Um pedaço de papel anexado na borda da moldura de um quadro de Bella, que tinha minha imagem pintada ali, em uma ilustração ao primeiro show meu que ela assistiu ainda na época da Night Club, chamou minha atenção. Fui até ele, vendo a letra dela no post it, era um bilhete informativo, ela sabia que aquele seria o primeiro lugar que eu iria parar na casa.
“Você sabe onde nos encontrar.”
Sorri para a mensagem, eu com certeza sabia.
***
Central Park.
Foi o lugar que Isabella e eu escolhemos para o nosso casamento, depois de pensarmos por dias qual seria o melhor local para o grande momento. A cerimônia — civil — aconteceria no Park, a festa no salão de um hotel perto, um luxuoso hotel. Só que não liguei para aquele detalhe, Bella queria uma grande festa e eu não negaria isso.
— Você está nervoso? — Arthur me perguntou, enquanto tirava fotos minhas, que estava andando de um lado para o outro.
Eu já estava a postos, esperando Isabella para casarmos. Os curiosos passavam por nós no Park e aquilo só me deixava mais agitado.
— Não, Arthur, ele está apenas testando a resistência do solo! — Rose debochou, Jasper gargalhou, enquanto embalava a bebê Chloe em seu colo.
— Credo, Anjo, não precisa ser agressiva! — Arthur resmungou, tirando uma foto dela.
— Edward, melhor você parar agora — mamãe pediu, tocando em meu braço, fazendo com que eu parasse. — Vocês decidiram casar no verão e já está quente suficiente, não procure mais motivos para ficar suado.
— É, nada de ficar fedendo hoje — Joe falou.
Suspirei, levando as mãos aos cabelos. Eu estava ansioso demais, não conseguia ficar parado, pelo menos não tinha passado gel, ou deixaria meus cabelos uma merda, sem eles apenas ficavam bagunçados como sempre.
Ao menos a cerimônia seria algo restrito aos nossos familiares e amigos mais próximos, todos os outros estariam na festa do hotel, mas aquele momento seria algo pequeno entre a gente. O que era ótimo, pois evitava que mais pessoas vissem meu nervosismo.
— Ai estão vocês! — exclamei quando vi Carlisle e Esme, que foi logo pegar a neta no colo, chegando até o local do Central Park que aconteceria o casamento.
Bella estava se arrumando na casa deles, isso queria dizer que se eles estavam ali, logo minha noiva também estaria. Eu precisava vê-la logo, casar logo, antes de desmaiar de ansiedade.
— Isabella está linda — Carlisle falou para mim, dando um tapinha em meu ombro. — Eu tenho uma garrafinha de uísque no bolso, você precisa? — perguntou baixinho.
— Joe já fez isso — respondi. — E não adiantou — confessei, provavelmente nem todo o álcool do mundo me acalmaria naquele instante.
— Então, respire fundo — Carlisle orientou, foi o que fiz. — Lembra que está tudo bem, que você e Bella se amam e que não tem dúvidas sobre o casamento, ou você tem?
— Não, nenhuma! — respondi enfaticamente, Carlisle sorriu, dando outra batida em meu ombro.
— Bom garoto, porque aquela menina é importante para mim, se você decidisse dar o fora agora eu te daria uns bons socos — ameaçou, rindo em seguida, fazendo com que eu risse também e me sentisse melhor. — Viu? Você está bem!
Sorri em agradecimento para Carlisle, sabendo que seu meu pai estivesse ali ele seria a pessoa me acalmando, mas eu tinha bons amigos ao meu redor. Era grato por todos eles, eu sempre sentiria saudades do meu pai, mas naqueles últimos tempos tinha sido mais fácil lidar com sua ausência.
Renée foi a próxima chegando ali, com um sorriso de orelha a orelha. Eu quis falar com ela, mas não tive tempo, ela apenas nos mandou para nossos lugares, pois a noiva estava chegando.
Eu fui para perto do juiz, um cara baixinho e careca chamado Arnold. Rosalie se colocou ao meu lado, eu tinha uma madrinha no fim das contas, Jasper tinha ficado com ciúmes, mas sabia que sua irmã era minha melhor amiga e contribuiu muito para salvar minha vida quando fui baleado, se ela não estivesse ali e não tivesse ligado pelo resgate talvez eu não estivesse vivo para casar.
Minha mãe, Joe e Jasper, que tinha Chloe de novo em seus braços, ficaram próximos a Rose. Carlisle, Esme e Renée do lado que Bella logo mais ocuparia.
Então, eu vi Alice e Clary surgirem. A madrinha da noiva e a daminha de honra, minha irmãzinha jogava pétalas de rosa no chão, criando um caminho para Isabella que vinha atrás das duas com Charlie.
Abri um grande sorriso quando vi minha noiva, minha futura esposa. O vestido dela era digno de uma princesa, tinha um decote tomara que caia em formato de coração, justo até o quadril, então se abria em uma grande saia rodada. Os cabelos dela estavam presos em um coque, os fios bem cacheados, presos por uma tiara com detalhes em azul.
Quando ela se aproximou mais de mim, conduzida por seu pai, eu vi seus olhos castanhos marejados. Entretanto, como eu, Bella também sorria.
Ela e Charlie pararam diante de mim, Bella respirou fundo, contendo suas lágrimas. Eu sabia que ela não choraria, ela tinha prometido não chorar, pois não queria estragar sua maquiagem, talvez eu fosse chorar por nós dois.
— Você vai continuar cuidando bem dela? — Charlie me perguntou.
— Eu vou — jurei, ele assentiu, colocando a mão da filha na minha.
Eu beijei entre os dedos de Bella, sentindo-a tremer.
— Oi — murmurou para mim, sua voz indicava que ela estava mesmo se controlando para não chorar.
— Oi. — Pisquei para ela, muito mais calmo, pois finalmente estávamos juntos naquele dia.
— Prontos? — Arnold perguntou.
— Estamos — Bella respondeu, tocando no colar em seu pescoço. O colar que Charlie deu uma vida atrás para Renée, que minha sogra tinha dado a sua filha depois. Era a única joia que Bella usava, uma simples, mas que sabia ter um significado imenso para ela.
— Com certeza — respondi para o juiz também, colocando Bella e eu de frente para ele.
Arnold não enrolou muito, Bella e eu não queríamos que fosse algo demorado, para não se tornar maçante. Queríamos um momento especial, marcante.
— Seus votos, Edward.
Afaguei o rosto de Bella, que mordia seu lábio.
— Isabella, antes de te conhecer eu via você em revistas, jornais e aqui mesmo pelo Central Park — comecei a falar. — Eu tinha muitos preconceitos sobre você, muitos se confirmaram. — Ela não pode deixar de rir. — Mas, quando eu te conheci de verdade, vi que você era muito maior do que aquilo. Eu vi você vulnerável, forte, apaixonada, raivosa. Te conheci por inteiro, isso me fez ficar apaixonado por você e te amar por inteiro também. Tive medo disso, confesso. — Nós dois olhamos para as tatuagens em nossos pulsos. — Só que. — Voltamos a nos olhar. — Um cara muito sábio dizia que eu não devia ter medo, foi por isso que eu decidi me perder no labirinto que você era. — Bella afagou meu rosto, uma lágrima correu pela face dela. — Para falar a verdade, você ainda é meu labirinto particular e sei que vai continuar sendo, porque mesmo que você tenha mudado muito, ainda é a menina que bagunçou minha cabeça e isso é o que importa. Eu continuo apaixonado por você, sei que o sentimento nunca vai se perder, porque somos um nós, Bonequinha. Sempre seremos um nós.
Bella tornou a respirar fundo, antes que chorasse mais.
— Isabella, seu votos.
— Ok, eu consigo — ela sussurrou, eu ri, beijando a testa dela delicadamente. — Eu não planejava me apaixonar por você, sabe disso, era um jogo para mim no começo. Te ter era algo que eu queria para poder provar a mim que podia ter tudo, então, eu te conheci melhor, como você me conheceu. E você esteve lá quando o mundo desmoronou sobre minha cabeça. — Mais uma lágrima cruzou sua face. — Você cuidou de mim, me fez pensar além do meu próprio eu e me fez perceber que tinha coisas mais importantes na vida. Eu sou grata por isso, você sabe que foi fundamental para que eu me tornasse menos egoísta, mesmo que ainda seja muito egoísta, mas não importa, porque você me ama mesmo assim. — Ri novamente. — O que quero dizer é, você estava sob minha pele antes mesmo de eu me dar conta disso, Edward. Você com certeza também bagunçou minha cabeça e minha vida. Então, meu amor, pode apostar que não é um jogo. Não é um jogo desde o momento que entendi o que sentia por você, não é um jogo quando digo que te amo, ou quando eu olho para você e imagino nosso futuro, ou quando simplesmente estou lá para te acordar de um pesadelo.
— Obrigado por isso — agradeci em um sussurro.
— Pode contar comigo para tudo, Garoto do Brooklyn. — Ela já não podia conter suas lágrimas. — Eu vou espantar todos seus pesadelos, vou lhe dar sonhos bons e vou garantir que o nós continue pelo resto da eternidade. Porque, eu sei que você vai fazer tudo isso de volta para mim, pois nós dois somos fodas para caralho juntos! — Bella exclamou, fazendo com que todos rissem.
Olhamos para Arnold em expectativa, esperando que ele terminasse sua parte.
— As alianças?
Uma saltitante Clary se aproximou da gente, nos entregando as alianças. Eram as mesmas que usávamos desde o noivado, Bella não viu motivo para trocá-las, mas tínhamos gravado Bonequinha na minha e Garoto do Brooklyn na dela.
— Edward Anthony Masen, você aceita Isabella Marie Swan como sua legitima esposa? — Arnold voltou a falar.
— Sim! — respondi, olhando para os olhos castanhos dela, colocando a aliança em seu dedo.
— Isabella Marie Swan, você aceita Edward Anthony Masen como seu legitimo esposo?
— Sim! — Bella colocou a aliança em mim também.
— Você pode beijar a noiva agora!
— Amo você! — falamos juntos, um para o outro, antes de nos beijarmos.
Eu a apertei contra mim, enquanto ouvia todos baterem palmas e gritarem em comemoração. Entretanto, tudo parecia muito longe, o mundo naquele momento parecia se resumir a Bella e eu.
— Você sempre pode me encontrar no Central Park, Garoto do Brooklyn — Bella sussurrou para mim quando paramos o beijo, mas continuamos agarrados um no outro.
— Em Manhattan? Você é do Brooklyn agora! — provoquei.
— Uma garota deve preservar suas origens. — Ela gargalhou, afastando-se de mim, levantando a barra de seu vestido e me mostrando seus sapatos.
— Jimmy Choo?
— Sempre, meu amor.
***
Eu caminhava de cabeça baixa pelo Central Park, estava usando óculos de Sol e boné. Talvez topasse com algum fã e não queria ter meu caminho até Bella e Riley interrompido, estava com saudades demais para isso.
O Sol de fim de junho aquecia meu corpo, uma sensação agradável. Eu adorava aquela época do ano, no começo daquele mês tinha sido aniversário de morte do meu pai, porém dias antes foi meu aniversário e em breve Bella e eu estaríamos completando mais um ano de casados.
Além do mais, foi naquela época do ano que ficamos juntos pela primeira vez. Aquilo marcava nosso começo, marcava o nós.
Ergui a cabeça quando cheguei perto do lugar do Park que sabia que encontraria minha família, eu os avistei de longe, os reconheceria em qualquer multidão. Bella sentada no chão, com Riley entre suas pernas, diante os dois uma grande tela de pintura.
Com um sorriso bobo no rosto caminhei em direção aos dois, vendo que tanto meu filho, quanto minha esposa manchavam suas mãos nas tintas e espalhavam pela tela. Bella falava que Riley seria um pintor e desenhista como ela, eu dizia que ele seria um músico como eu, no fundo só queríamos que ele fosse feliz.
Riley era fantástico, eu amava aquele garoto mais do que imaginei ser possível. Ele me fez entender porque papai dizia tanto que me amava, pois era real.
Meu menino tinha nascido em 29 de fevereiro do ano anterior, ele queria ser um bebê diferente, minha mãe tinha dito. Nascendo naquele dia de ano bissexto, Bella e eu nem sabíamos como comemorar o primeiro aniversário dele naquele começo de ano, optamos por fazer no dia 28, mas estávamos contando os dias para o próximo ano bissexto com a data real do nascimento de Riley.
Porra, sim, com certeza amávamos aquele menino. Ele tinha os olhos de Bella, castanhos, cor de chocolate. Seus cabelos eram uma bagunça como os meus, em um castanho claro entre o castanho de Bella e meu ruivo. Ele tinha a boca da mãe, o meu nariz, a testa de Charlie, era uma completa mistura de todos.
— Eu estive procurando por vocês! — exclamei quando parei junto deles, Bella e Riley olharam para mim.
Dois pares de olhos castanhos que eu amava profundamente.
— Papai! — Riley gritou em sua fala de bebês, esticando seus braços para mim.
Fui para o chão com eles, o pegando no colo. Lhe beijei e o abracei apertado, então lhe fiz cócegas e o ouvi gargalhar alto.
— Senti a falta de vocês — anunciei, olhando para Bella, que afagava sua barriga de quatro meses com a mão limpa.
Renesmee estava a caminho, nossa menina. Tínhamos concebido ela no dia dos namorados, em Vancouver onde eu toquei aquela noite, no quarto do hotel depois de Bella e eu pudermos comemorar a data.
Descobrimos o sexo do bebê aquela semana, antes de eu ir tocar em Glastonbury. O nome já estava escolhido desde antes, Bella queria homenagear Renée e Esme, as duas mães que ela tinha. Prometemos a mamãe que se um dia tivéssemos um terceiro filho, se fosse uma garota, ela definitivamente se chamaria Elizabeth em homenagem a ela.
— Sentimos sua falta também, Garoto do Brooklyn — Bella falou, antes de me beijar.
Eu não podia saber para onde aquela porta que ela abriu em meu pesadelo me levaria, mas sabia que na vida real Bella me levava aos meus sonhos.
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