Sob minha Pele

29 Capítulo Vinte e Oito


Notas iniciais
Olá, pessoas! Boa leitura ♥

— Capitulo Vinte e Oito —

— Bella —

Era estranho, a forma como meu coração naqueles últimos tempos deixou de servir como um mero órgão necessário para o funcionamento do meu corpo. Era estanho, como o coração podia se aliar as emoções. Era estranho, como a ideia de perder Edward causava-me uma profunda dor no órgão que por tanto tempo eu mantive em silêncio.

Porém, não podia calá-lo mais, não podia mais desconectá-lo da minha mente e fingir que ele não existia. Meu coração tinha vencido a batalha, ele era o dono do lugar mais alto do pódio e eu estava entregue as emoções, estava entregue aos sentimentos, estava entregue à dor que ver Edward indo embora causava em mim.

Eu tinha destruído tudo, para sempre. O nosso nós tinha chegado ao fim, em um curto período de tempo arruinei uma das melhores coisas que tinha acontecido em minha vida.

— Bella? — Alice chamou por mim, enquanto eu tentava não desabar ali, no meio daquela boate, depois de ver Edward Masen deixando-me para trás. A Fender em minhas mãos parecia pesar uma tonelada, um peso que não era nada comparado ao peso da minha culpa por ter colocado o nós em perigo.

— Eu estraguei tudo — sussurrei para Alice.

— Eu vou...Vou atrás de Edward, fica aqui com o Emm — ela pediu para mim, parecendo tão nervosa e confusa quanto eu estava com toda aquela merda.

Só tive tempo de assentir, deixando-a se afastar de mim, a perdendo de vista entre a multidão que enchia a Night Club naquela sexta-feira. Será que ela conseguiria consertar meu erro? Eu duvidava muito, nem eu mesma seria capaz daquilo.

— Eu disse. — Senti a respiração quente de Emmett bater contra a pele do meu pescoço, assim como o cheiro da cerveja que ele estava bebendo. — Não falei, Bonequinha? — Usou meu apelido, o apelido que Edward me deu desde o começo, antes mesmo de sermos um nós, com escárnio. — Edward e você tinham um prazo de validade, ai está ele. Você quer ir para o loft comigo agora? Ou quer aproveitar mais um pouco da boate antes de irmos fazer o que interessa?

Afastei-me de Emmett, que estava em pé atrás de mim. Seu sorriso malicioso me deu vontade de vomitar ali mesmo, mas talvez eu só estivesse nervosa com a coisa toda.

— Você é um filho da puta, Emmett — o xinguei, desejando quebrar a Fender de Edward, ou que até antes era dele, na cabeça do McCarty. Mas, uma briga com ele era tudo que não queria naquele momento, só queria que meu Garoto do Brooklyn aparecesse, só queria que ele dissesse que estava tudo bem entre a gente.

— E sou o único da banda que não está nem ai por você ter ligado para o Phill, estou do seu lado, gatinha. — Piscou para mim.

— Bella. — Arthur chegou até mim, fazendo com que eu não tivesse tempo de falar mais nada para Emmett. — Vem comigo, certo? Estamos indo atrás de Jasper, ele não atende o celular.

— O quê?

Que diabos Jasper tinha a ver com aquilo? Eu não estava nem ai para ele! Queria meu namorado, ou o meu ex namorado, de volta. Pensar naquela hipótese doeu, doeu muito.

— Bella, vamos — Art insistiu, segurando em meu braço. — Você pode falar com Edward depois.

Eu funguei, quase chorando ali mesmo.

— Cara, eu acho que ela não quer ir com você, cai fora e deixa que eu tomo conta da Bella — Emmett falou, dando um passo na minha direção, fazendo com que eu me retraísse.

— Por que você não toma conta da sua própria vida? — Art indagou irritado.

— Por que eu não quebro sua cara aqui mesmo, mauricinho? — Emmett encarou Arthur, apertando com força a garrafa de cerveja em sua mão.

— Art, vamos ir embora. — O empurrei para longe de Emmett, antes que aquela noite se tornasse um inferno completo com uma briga entre os dois.

— Quem esse idiota pensa que é? O que ele disse para você? — Arthur começou a me questionar, enquanto seguíamos para fora da boate. Não respondi, Emmett McCarty, o baixista da The Dragons era o último dos meus problemas, eu tinha coisas muito mais importantes povoando minha mente, que precisavam ser resolvidas o quanto antes.

— Arg, por que demoraram tanto? — Alice questionou, irada, quando nos encontramos com ela na saída da boate.

— Emmett estava nos atrasando, aquele cara é um idiota...

— Vocês sabem para onde Edward foi? — questionei.

Alice bufou.

— Se eu fosse você ficava fora do caminho de Edward agora, Bella.

As palavras dela doeram.

Tudo parecia doer aquela noite.

Eu queria chorar, eu queria me esconder entre os lençóis da minha cama e desabar, ou melhor, queria o colo de mamãe e poder chorar para ela toda minha dor.

— Alice, pega leve — Arthur exigiu, ganhando apenas uma careta da filha de seus padrinhos.

Alice aparentemente tinha pagado um dos seguranças da boate para conseguirem um táxi para a gente, pois um avisou que o carro estava ali e Arthur me fez entrar no veículo amarelo. Eu mal me dei conta de para onde estávamos indo, concentrada demais na Fender em minhas mãos e remoendo tudo que Edward tinha me dito antes de partir.

Não, não adianta se justificar. Você continua fazendo o que quer, quando quer, sem pensar nos outros, muito menos no que pode causar, deixe-me te dizer uma coisa, acabou de ferrar com tudo.

Eu sabia, sabia que ele não ia mais querer nada comigo. Edward nunca ia aceitar minhas desculpas, ele estava pondo um fim no nós, mas a culpada era eu.

Como vovô sabiamente tinha dito, eu era uma vadia ingrata.

— Bella, vamos sair. — A voz de Arthur fez com que eu despertasse, olhei para fora do táxi, vendo que estávamos na frente do prédio que Edward morava.

Sem esperar mais nada, eu pulei para fora do carro, aproveitando que estava sentada em uma das saídas. Coloquei a Fender em minhas costas e corri prédio acima, Edward estaria lá no seu apartamento, abriria a porta para mim e me desculparia por tudo, eu precisava crer nisso.

Porém, todos meus sonhos de reencontro perfeito foram por água abaixo quando vi Jasper parado frente a porta de Edward. Eu não podia ver seu rosto, já que ele estava recostado a porta, a testa grudada na madeira, parecendo muito vulnerável naquela posição.

— Jazzy?

Alice e Arthur tinham me alcançado, o irmão de Rosalie se voltou para sua namorada. Quando ele me olhou, não pareceu nada contente com minha presença ali.

— Edward me encontrou na saída da boate, ele disse que sabia onde Rosalie estava, foi atrás dela — Arthur explicou. — Ele vai falar com você depois.

— Não importa, eu vou ficar aqui e esperar por eles — Jasper resmungou.

— Jazzy, melhor ir para o loft, foi uma noite longa — Alice se aproximou dele, tocando no braço do namorado, ganhando um pequeno sorriso dele.

— Eu preciso ver minha irmã, Alice, você entenderia se tivesse uma — ele disse suavemente, Alice me olhou por um segundo, mas continuava visivelmente descontente comigo.

— Vou esperar um pouco lá embaixo, certo? Preciso respirar um pouco. Venha até mim se quiser ir embora, eu posso ir passar a noite com você no loft se estiver tudo bem para você. — Ela beijou a bochecha dele, afastando-se até a escada sem falar uma palavra que fosse comigo.

Eu estava a perdendo também? Na verdade, a pergunta certa a se fazer, quem era que eu não perdia? Todos acabavam se afastando de mim uma hora ou outra, essa era a grande verdade da minha vida.

— Bella? — Art indicou a escada. — Eu posso te levar para casa.

— Não, eu não vou até Edward aparecer — declarei.

Jasper bufou, sentando no chão do corredor, apoiando a cabeça na parede.

— Bella, talvez seja melhor vocês conversarem amanhã com mais calma, ou...

— Art, obrigada por se preocupar, mas eu ficarei — afirmei com certeza.

Ele suspirou, olhando rapidamente para Jasper que encarava seus próprios coturnos.

— Eu ficarei lá embaixo com Alice, qualquer coisa é só chamar.

— Certo — concordei, o deixando descer as escadas.

Ainda com a Fender em minhas costas, eu acabei sentando no chão também. Não me importei em ficar ao lado de Jasper, esperando que ele também não se importasse. Mas, ele não perdeu tempo em falar.

— Eu não gosto de você, Isabella — Jasper disse com frieza em sua voz. — Também não acho que Edward deveria estar perdendo tempo com uma garota como você, ele conseguiria uma pessoa muito melhor, ele merece alguém melhor.

Engoli em seco, cada uma de suas palavras parecendo afiadas demais contra mim.

— Mas.

Tinha um mas? Olhei para Jasper, que olhava para mim também.

— O meu amigo parece gostar mesmo de você — continuou, eu realmente fiquei surpresa com sua fala, já que sabia muito bem que mesmo de antes de tudo daquela noite, o namorado de Alice já me odiava. — Eu espero que vocês possam superar essa bagunça toda que aconteceu hoje, espero que se acertem, pois Edward parece feliz demais com você e odiaria vê-lo triste por não tê-la por perto.

Sério? Jasper estava me aceitando? Ou, pelo menos tentando? Foda-se, eu tinha sido muito idiota com ele antes.

— Eu sinto muito, Jasper — pedi, era difícil demais pedir desculpas, mas sabia que era necessário fazer aquilo naquele momento, ou nunca mais teria coragem. — Não só por hoje, mas por ter te tratado tão estupidamente desde que te conheci lá no clube.

Ele deu de ombros.

— Continuo não gostando de você, Isabella — falou sinceramente. — Não trate isso como nós dois virando melhores amigos, não é o que está acontecendo.

— Sim, eu não estou esperando que você e eu frequentemos o salão juntos para pintar as unhas e hidratar os cabelos — brinquei tirando meus sapatos, Jasper abafou uma risada. — Edward está tão puto comigo. — Choraminguei, sentindo as primeiras lágrimas rolando por meu rosto. — Ele nunca vai me desculpar.

— Não seja tão enfática, Edward tem um bom coração do caralho, ele não vai te largar agora.

— Ele vai, eu tenho certeza. — O choro se tornou pior.

— Vai ficar tudo bem — Jasper murmurou, mas eu não conseguia acreditar em suas palavras, Edward não me perdoaria, eu tinha sido muito babaca, muito egoísta.

Nós dois ficamos em silêncio por um tempo, o único som que podia ser ouvido era proveniente do meu choro. Não queria perder Edward, em pouco tempo ele já estava fazendo tão bem para mim, perdê-lo seria um grande retrocesso.

— Porra, Rosalie! — Jasper exclamou ao mesmo tempo em que ouvi passos no andar, um deles reconheci imediatamente como os coturnos de Edward contra o chão. Eu já sabia até mesmo distinguir os passos dele, merda!

Jasper passou por cima de mim, indo até a irmã, eu continuei em meu lugar no chão, olhos fixos nos meus pés descalços. Sabia que Edward estava ali, mas estava apavorada com a ideia de encará-lo, de ver a mesma raiva em seus olhos que vi na Night Club.

— Nunca mais suma assim, você me assustou pra caralho! — Jasper disse para a irmã, sua voz era puro nervosismo.

— Desculpa, eu só perdi a cabeça e precisava de um momento na merda. — A voz da melhor amiga do meu namorado, ou ex aquela altura, era obviamente a voz de quem tinha acabado de chorar. — Vem, vamos conversar um pouco. — A porta do apartamento se abriu ao meu lado e pelo canto do olho vi Rose entrando ali, sendo seguida pelo irmão.

Notei Edward sentando diante de mim, o que fez com que eu soluçasse em meio ao meu choro. Ele estava tão perto, mas eu podia entender aquelas frases sobre estar tão perto e tão longe ao mesmo tempo.

— Nós precisamos conversar, Isabella.

Sério, completamente sério.

Eu sabia que aquele era o fim do nós. Talvez Emmett realmente estivesse certo, Edward cansaria de mim rapidamente, cansaria daquela bagunça que eu causava em sua cabeça, ele desistiria da gente, desistiria de mim e eu teria de sair de sua vida.

Levantei meu olhar para ele, sabendo que meus olhos estavam carregados de pavor naquele momento com a certeza de que era nosso fim. Edward estava sério, assim como sua voz, nenhum sorriso torto, muito menos seu olhar verde intenso cheio de esperança, apenas seriedade, apenas aquilo que eu sabia ser nosso fim.

Eu sempre acabava perdendo, tinha tudo que queria, mas sempre pedia no final. Por que ainda me surpreendia? Meu pai tinha me deixado para trás, minha mãe tentou se matar, meu ex noivo me largou, a única pessoa que sempre continuava ao meu lado era vovô.

— Você está me tirando da sua vida, Garoto do Brooklyn? — consegui externar meus pensamentos.

Edward suspirou, colocando seu rosto entre suas mãos por exatos cinco segundo, sim, eu contei. Então, ele voltou a me olhar, ainda sério.

— Odiei o que você fez, Isabella, muito.

Assenti, a explosão dele na boate já tinha sido clara sobre seus sentimentos a respeito do que eu tinha feito.

— Isso não era algo que você deveria ter feito — continuou a falar. — Eu agradeço que tenha disponibilizado o número de Phill para a gente, que tenha nos dado uma oportunidade de entrar em contato com um produtor musical. Mas, nós, a banda é quem deveríamos decidir quando ligar ou não. E, eu tinha te dito, eu disse mais de uma vez que não estávamos prontos. Não estava sendo modesto, Isabella, realmente sabia que Phill, ou qualquer outro produtor, não iria querer algo com a The Dragons agora.

— Eu queria ajudar — murmurei. — Queria que vocês pudessem fazer sucesso.

— Por quê? — Edward questionou, franzido o cenho. — Diz, Isabella, por que é tão importante para você que eu faça sucesso? É pela grana que viria com isso? Ou, é pelo meu sonho de me tornar um músico ser realizado? Responde, só seja sincera, por favor.

Eu recomecei a chorar, me encolhendo no chão daquele prédio antigo no Brooklyn.

— Isso responde minha questão? O que eu devo concluir pelas suas lágrimas, Isabella?

— Um pouco dos dois — confessei, era a verdade e ele queria sinceridade, era o que tinha a dizer.

O dia que liguei para Phill continuava vivo em minha mente, eu me lembrava de pensar em ter Edward como um rockstar fodão, famoso e...Rico. Porém, eu também me senti animada com a ideia de ter Edward viajando o mundo, tocando, realizando o sonho dele, comigo a tiracolo, sim, mas com ele fazendo o que queria.

— Isso...Você...Porra, Bella!

Edward não falou coisa com coisa, eu apenas o vi descer as escadas do prédio. Pensei em ir atrás dele, mas não consegui, só fiquei encolhida no mesmo lugar de antes continuando a chorar, sem saber o que fazer.

Talvez Jasper, quando deixasse o apartamento, se solidarizasse da minha situação de merda ali e fizesse algo para me ajudar. Enquanto isso, eu apenas continuaria ali chorando, colocando a Fender de lado, pois ela parecia zombar de mim. Edward em algum momento voltaria ao apartamento, mas não por mim, eu tinha estragado tudo entre nós dois.

— Ei. — Depois do que pareceram horas, mas eu sabia que tinha sido só minutos, ouvi a voz de Edward novamente.

Sem acreditar que ele estava de volta, eu lentamente desenterrei meu rosto do cerco que minhas mãos faziam. Vi o vocalista barra guitarrista, ajoelhando-se ao meu lado, carregando um hot dog em cada mão.

— Ed-Edward — gaguejei.

— Você está com fome, né? — Sua voz era suave, não mais séria e distante como antes. — Com certeza não deve ter comido nada antes de sair de Manhattan. — Ele me estendeu um dos hot dogs, eu o peguei relutante.

— Por quê?

— Por que o que, Bella? — perguntou de volta, seus olhos verdes encontrando-se com os meus.

— Por que voltou? Por que se preocupa comigo mesmo depois do que fiz? — Sinalizei a comida em minhas mãos.

Ele respirou fundo, beijando minha bochecha molhada por lágrimas, o que só fez o meu choro ressurgir.

— Porque eu gosto de você, Isabella. Porque eu estou puto com você, mas continuo me importando com seu bem estar — sussurrou como se me contasse o maior segredo do mundo. — Você se lembra que tive um pesadelo na primeira noite que dormiu comigo? — Assenti, seria impossível esquecer, Edward parecia aterrorizado depois daquele sonho ruim.

— Eu lembro, mas o que isso tem a ver com o agora?

— Mais do que imagina, Bonequinha.

Foi um conforto para meu coração ouvi-lo me chamar daquela forma, parecia tão certo.

— Eu menti, quando disse que não sabia o que aconteceu naquele pesadelo. — Edward sentou junto de mim. — Eu lembro, muito bem pra falar a verdade, o que aconteceu. Você só precisa saber que eu era um grande idiota que te deixava para trás, quando mais precisava da minha ajuda. — Olhou para mim, suspirando. — Não me arrependi, no sonho, de ter te deixado para trás, em perigo, sozinha, chamando por mim desesperadamente. E aquela merda nunca vai sair da minha cabeça, mas eu me arrependi de tê-la deixado quando acordei, sequer entendi como fui capaz de fazer isso no pesadelo.

Edward balançou a cabeça, como se pudesse recolocar seus pensamentos no lugar com o gesto.

— Respondendo sua pergunta anterior: não, eu não estou te tirando da minha vida, Bonequinha — falou, um pequeno sorriso surgiu em meu rosto ao ouvir aquilo, continuávamos sendo um nós, era incrível.

— Não, não mesmo? — Eu me contive de gritar, mas cheguei bem perto.

— Não, claro que não, eu não iria me perdoar se desistisse do nosso nós — Edward falou, beijando minha bochecha outra vez. — Falei que iriamos fazê-lo durar, não é? Quando te pedi em namoro pela segunda vez, é o que estou lutando para que dê certo. Mas, eu preciso que lute comigo, Bella.

— Eu sei, sei disso.

— Precisa se dar conta disso mais, Isabella, é sério — falou com seriedade novamente. — O que você fez sobre Phill foi uma coisa muito errada, eu sei que no meio de motivos errados tinha seus motivos certos para ligar e armar tudo isso, mas não posso deixá-la ficar armando nada nas minhas costas. Eu quero poder confiar em você, Bonequinha, cem por cento.

— Me desculpa, por favor — pedi. — Pensei que estaria ajudando, eu realmente acreditei que vocês estavam prontos. — Suspirei. — Sou uma idiota, não entendo nada de música.

— Nós vamos passar por isso, espero que passemos. — Ele respirou fundo.

— Nunca mais vou fazer nada por suas costas, Edward, prometo — jurei.

Edward afastou uma mecha de cabelo do meu rosto.

— Desculpe...

— Por que está pedindo desculpas? — perguntei confusa, o interrompendo.

— Por ter gritado com você — ele respondeu. — Você pode ter feito o que fez, mas eu não tinha o direito de levantar a voz para você daquele jeito, não deveria ter explodido e te deixado lá sem te escutar dizer uma palavra. Foi idiota e infantil da minha parte, eu espero que me perdoe, nunca mais chego tão perto do limite como cheguei hoje, Bonequinha, desculpe-me.

— Você foi atrás da sua amiga, eu não quero que se desculpe por isso, Rosalie precisava de você — falei firme, Edward me olhou surpreso. — Não me olhe assim. — Abaixei o olhar para meu hot dog. — Não sou totalmente uma vadia sem coração.

— Por que continua se chamando desses nomes, Isabella? — Edward ergueu meu queixo, fazendo com que eu o olhasse.

— Por que é a verdade? Eu trai Jacob mais de uma vez, eu negligenciei minha mãe por anos, eu agi por suas costas ao ligar para Phi...

Edward me calou com um beijo, apenas pelo tempo suficiente para que eu perdesse o fio da meada.

— Não, Isabella, você não é uma vadia e eu repetirei isso quantas vezes for necessário até que se dê conta disso.

Eu toquei em seu peito, deslizando no chão para mais perto dele. Passei minhas pernas por cima das dele, enquanto apoiava meu rosto em seu ombro. Com o braço livre, Edward contornou meu corpo, mantendo-me junto a ele.

— É daquele lugar que eu gosto? — perguntei animada, olhando para os hot dogs.

Edward riu baixinho, beijando a ponta do meu nariz.

— Sim, fui comprá-los como um sinal de paz, você está me devendo sua parte. — Arregalei os olhos ao ouvir aquilo. — Estamos dividindo, não é o que queria? Então, vamos nessa. Um casal totalmente moderno que divide as despesas, Bonequinha. — Fez cosquinha em mim, eu ri com aquilo.

— Eu pagarei. — Dei a primeira mordida, sem conseguir evitar o gemido que escapou da minha boca.

— Sons de sexo. — Edward tirou seu braço que contornava meu corpo de trás de mim, para que pudesse usar as duas mãos para comer também.

— Como Rose está? — me atrevi a perguntar, a loira com certeza estava me odiando.

— Não muito bem — ele confessou, limpando o canto da minha boca suja de molho. — A recusa do Phill foi algo que realmente mexeu com ela.

— Não era minha intenção, Edward.

— É, eu sei. Acho que lá no fundo nós também nutríamos as esperanças de que seriamos idolatrados pelo primeiro cara ligado a música que nos visse, mas não é assim.

— Você não está desistindo da música, né?

Edward não respondeu prontamente, perdendo algum tempo com sua comida.

— Eu não quero desistir, mas acho que preciso de outras alternativas, não dá para ser um barmen para sempre.

Abri a boca para sugerir algo, mas me interrompi quando percebi que Edward nunca toparia que eu achasse algum trabalho para ele nos negócios da minha família. E, não poderia fingir que alguém de lá estava o contratando por acaso, eu tinha prometido parar de agir por suas costas.

Sendo assim, preferi falar:

— Vou te apoiar, Edward, no que quiser. — Ele sorriu para mim, um sorriso triste. — Eu não acho que você deva desistir da música, mas se quiser tirar um tempo para ir atrás de outro emprego sem ser na boate, estou te dando o apoio necessário nisso e se quiser minha ajuda para qualquer coisa, é só pedir também.

Ele sorriu, seus olhos passeando por meu rosto como se fosse a primeira vez que me visse e estivesse decorando minhas feições.

— Eu não poderia desistir de você, Bonequinha. — Me confundi com o retorno daquele assunto, mas o deixei continuar. — Não poderia desistir, pois eu estou perdidamente apaixonado por você e doeria muito tê-la longe de mim.

— Não faz ideia de como te entendo, Edward. — Suspirei. — Estive surtando sobre todo esse tempo pensando em você me tirando.

— O Garoto do Brooklyn não seria nada sem a Bonequinha — Edward falou, meu sorriso foi imenso ao ouvir aquilo.

— É reciproco, a Bonequinha precisa do Garoto do Brooklyn dela.

— Arg, vocês são muito melosos. — Levantamos o olhar para ver Jasper deixando o apartamento. — Rosalie dormiu, estava um caco, tentem não fazer muito barulho e acordá-la, ela com certeza vai ter um sono leve a noite inteira.

— Pode deixar, cuidaremos dela — Edward prometeu. — Você está bem? — perguntou ao amigo, eu pensei em contar naquele momento sobre Emmett para meu namorado, mas não queria destruir o que restava da nossa noite falando sobre o McCarty. Entretanto, contaria na manhã seguinte, ele precisava saber.

— Sim, eu só preciso ir para casa descansar um pouco — Jasper respondeu. — Vocês estão bem, certo?

— Sim, nós estamos. — Edward sorriu para mim.

Eu sabia que Jasper estava certo, que não merecia Edward, mas estava contente em tê-lo mesmo assim.

— Excelente. — Jasper se dirigiu até a escada. — Bella, te vejo por ai para que possamos pintar nossas unhas — brincou, fazendo com que eu risse.

— O quê? — Edward perguntou confuso, mas Jasper já estava longe. — O que foi isso? — perguntou para mim.

— Isso é Jasper me odiando, mas tentando me aceitar porque ele não quer te ver triste.

Edward sorriu.

— Eu fico feliz por isso, espero que ele pare de te odiar logo.

— Não vamos forçar a barra, sabemos que eu sou bem odiável quando quero — admiti, voltando para meu Hot Dog. — Eu realmente adoro essa coisa.

— E está o comendo sentada no chão de um prédio podre no Brooklyn. — Edward, que ainda tinha muito de seu Hot Dog, me deu uma mordida quando eu logo acabei o meu. — Bella, eu prometo que um dia vou sair desse lugar. — Gesticulou para o prédio. — E que vou te dar um...

— Não, não termine essa frase — exigi, tapando sua boca com uma mão. — Eu não quero que me dê uma cobertura, um avião, nem nada grandioso assim, se quiser me dar algo, me dê uma delicia dessas, eu aceito de bom grado. — Apontei para o Hot Dog. — De resto, não estou com você por status, ou interesse, Edward Masen, estou com você por estar apaixonada e isso é tudo.

— Bonequinha?

— Sim?

— Me beija — exigiu, eu ri, o beijando, sempre o beijaria.

Nós terminamos de comer, ou melhor, eu terminei de comer o Hot Dog de Edward que alegou não estar com muita fome e entramos no apartamento dele. Eu o deixei tomar um banho primeiro, ele tinha trabalhado, tocado, corrido atrás de Rosalie e tudo mais, merecia um pouco de água quente.

Depois, trocamos e fui a pessoa para o banheiro. Para minha sorte, eu tinha deixado ali alguns itens de higiene e roupas que levei para a última vez que estive no Brooklyn, então não precisaria assaltar o armário de Rosalie e o de Edward.

— Eu quase peguei o fim da água quente — resmunguei quando entrei no quarto de Edward, que terminava de secar seu cabelo com uma toalha, vestido apenas em um short.

Levando em conta o tempo que eu estava no banho poderia definir que ele era um bom procrastinador, a Fender sobre sua cama também era um indicativo do que ele esteve fazendo enquanto deveria estar cuidando do cabelo molhado para não adoecer.

— Está com frio? — Sorriu maliciosamente para mim. — Posso aquecê-la. — Jogou sua toalha para uma cadeira no canto do quarto, caminhando em minha direção, segurou em minha cintura sobre a toalha que eu usava, dando beijos na minha pele molhada pelo banho.

— Edward, eu nunca pensei que diria isso para você, mas não quero transar hoje — falei, eu não estava no clima. Não depois de tudo que tinha acontecido aquela noite, fora que todo o choro e o som alto da boate tinham me deixado com uma grande dor de cabeça.

Edward pareceu não me ouvir, pois tirou minha toalha.

— Edward, eu disse que não quero — reclamei, quase me afastando dele.

— Eu não te forçaria a nada, Isabella — falou com certeza, levando a toalha que antes estava enrolada ao redor de mim, a deslizar por meu corpo, secando a água resistente ali. — Não se preocupe, Bonequinha, eu nunca machucaria você. — Beijou a ponta do meu nariz, fazendo com que eu sorrisse.

— Obrigada — agradeci.

— Bella, não seja absurda. — Ele continuou o processo de me secar. — Me agradecer por não te forçar a sexo? Isso não é um favor que estou fazendo, isso é o certo a se fazer.

Olhou para mim, com seriedade voltando ao seu olhar.

— Jacob já te forçou a algo? Ou outro cara?

— Não.

Ele respirou, parecendo aliviado, mas não por muito tempo.

— Algum outro tipo de agressão sem ser sexual? É dai que você fica falando sem parar sobre ser uma vagabunda, uma vadia?

Paralisei por um instante, pensando no dia que vovô tinha me empurrado, quando falou tudo aquilo para mim. Mas, era idiotice minha, eu sabia que ele estava só passando por um momento dificil quando perdeu a cabeça comigo e eu merecia ser chamada daquele jeito, eu tinha mesmo agido como uma vagabunda.

— Bella? Você não me respondeu.

— Edward, está tudo bem, certo? Nenhum tipo de agressão.

Ele analisou meu rosto, eu coloquei um sorriso ali, querendo convencê-lo de que estava tudo muito bem obrigada.

— Vai ficar com a Fender? — o distrai, olhando para a guitarra sobre a cama, o que fez ele olhar também.

— É, eu vou. — Deu de ombros. — Uma garota especial disse que não deveria desistir da música, estou seguindo o conselho dela. — Olhou para mim, sorridente. — E eu preciso compor uma música para ela, se bem me lembro.

— Tenho certeza de que ela vai ficar muito honrada com isso. — Pisquei para Edward, tocando na tatuagem de microfone que ele tinha em um dos ombros. — Eu acho que quero fazer uma tatuagem.

Edward riu, negando com um aceno de cabeça.

— Você não aguentaria a dor, Bonequinha. — Ele voltou a me secar.

Eu aguentaria, tinha certeza. A dor de uma tatuagem não seria nada comparada a de quase perder mamãe e Edward, eu mal podia lidar com a ideia como seria a dor real de perder um deles, mas tirei aquilo da minha mente, mamãe estava melhorando e o Garoto do Brooklyn não me expulsou de sua vida.

Tudo estava bem.

***

Eu estava exausta, mas não conseguia dormir. Edward, por outro lado, apagou não muito depois que deitamos em sua cama, interrompendo-se de cantar Dream a Little Dream of Me para mim, já que dormiu no meio da canção.

Cansada de ficar revirando na cama e temendo acordar Edward, já que eu não parava quieta, decidi deixar seu quarto. Eu fui para a cozinha, beber um pouco de água, tentando manter minha mente apenas naquilo sem pensar em todo o caos que tinha acontecido mais cedo.

Estava indo bem, relativamente, até que ouvi Rosalie chorando em seu quarto. Eu pensei em ir até Edward, chamá-lo e dizer a ele que talvez sua melhor amiga não estivesse muito bem, que provavelmente precisasse de um minuto ou dois de conversa, mas acabei rumando eu mesma para o quarto de Rosalie.

Sabia que ela tinha ficado mal por tudo que eu acabei causando chamando Phill para assistir o show da The Dragons, então me vi no dever de ir pedir desculpas a ela. Só esperava que ela não me matasse antes de eu terminar de dizer a primeira silaba, mesmo entendendo que ela estaria em seu direito.

Bati na porta uma vez, sem esperar uma liberação coloquei minha cabeça para dentro do quarto. Rosalie estava sentada em sua cama, chorando como eu tinha escutado.

— Rosalie? — Ela olhou para mim, não tinha me notado ali até aquele momento.

— Hum, o que você quer, Isabella? — Ela pigarreou, limpando rapidamente as lágrimas de seu rosto.

— Pedir desculpas. — Entrei no quarto, fechando a porta atrás de mim. — Por ter ligado para o Phill sem o consentimento de vocês, foi muito errado, eu não deveria ter passado por cima da decisão de vocês.

— Certo.

Ela não pareceu nada contente quando eu me sentei ao seu lado na cama, eu sabia que estava sendo invasiva, mas Edward estava dormindo e eu muito acordada e com muito na cabeça.

— Eu realmente sinto muito, Rose, espero que isso não nos leve de volta à estaca zero.

Rosalie suspirou, recomeçando a chorar.

— Sou a rainha da estaca zero, Isabella, sempre volto para lá.

— O que quer dizer?

— Fui admitida em Juilliard, quando me formei no colegial, era o sonho de uma vida e eu mal podia acreditar quando vi minha carta de aceitação. Mas, voltei para a estaca zero quando eu percebi que não teria como sustentar esse sonho, mesmo com uma bolsa e uma ajuda do governo, o valor ainda era alto demais e eu não teria como pagar, não sem me transformar numa prostituta para conseguir tanta grana.

Rosalie soluçou, encolhendo-se ainda mais. Peguei nós duas de surpresa quando a puxei para meus braços, deixando com que ela apoiasse a cabeça em minha coxa, enquanto eu percorria meus dedos por seus cabelos.

— Não sei se já te falaram, mas o meu pai caiu fora quando eu era uma criança, ele nos abandonou com mamãe — contou aquilo com ódio, mas também com tristeza.

— Eu sei como se sente sobre isso — falei com propriedade sobre o assunto, continuando a afagar seus cabelos dourados.

— Sabe?

— É, meu pai também caiu fora. Tudo bem que ele não fugiu, eu sei onde ele está e às vezes temos de nos comunicar, mas Caius Sawyer não é mesmo um pai presente.

Rosalie fungou, apertando a mão em seus cabelos.

— Sinto muito, Princesa de Manhattan, eu te julguei mal.

— Eu também, Princesa do Brooklyn. — Rosalie riu, ela se remexeu até estar sentada de novo.

— Você foi uma idiota ligando pro tal produtor, mas eu sei que ai no fundo fez isso por querer nos ajudar. — Ela respirou fundo. — Eu realmente te detestei muito, desde a primeira vez que te vi lá na Night Club com Alice, mas gosto de você agora.

— Gosta?

— Um pouquinho, não se gabe tanto. — Rose fez uma careta. – Eu vi quão pra baixo Edward ficou quando vocês se afastaram, não quero ver aquilo outra vez, estou torcendo que consigam sobreviver a essa dificuldade toda que é ser um casal.

— Rose, quanto a Emmett... — A expressão dela endureceu ao ouvir o nome.

— O que tem ele?

— Ele falou algumas coisas para mim, lá na boate depois que vocês foram embora e no dia do aniversário de Edward também. Eu sei que gosta dele, mas eu preciso contar a Edward o que Emmett falou, não quero criar uma briga entre eles, mas...

— O que ele disse, Isabella?

— No aniversário, falou que Edward e eu não duraríamos nada, que seria questão de tempo até ele me largar. Basicamente que eu era só sexo pro Masen, fez questão de dizer que estaria esperando por mim, disse que eu veria que estava perdendo tempo com o integrante errado da The Dragons.

Rosalie fechou os olhos, mais lágrimas correndo por seu rosto.

— E na boate? O que ele falou?

— Ele me chamou pro loft, não falou a palavra, mas o convite era claro, estava me chamando para sexo. — Rosalie assentiu, tentando limpar as lágrimas de seu rosto, mas continuava chorando. — Eu sinto muito, Rose. Sei que dei moral para o Emmett antes, mas isso foi antes. Eu não quero nada com ele, juro pra você, nunca trairia Edward, principalmente com um dos melhores amigos dele. Ou ficaria com ele, sabendo que gosta dele.

— Isso não é sua culpa. — Rose abriu os olhos, avermelhados por conta do choro. — Eu devo ter algum problema, sabe? Meu pai caiu fora e eu estou por ai apaixonada por um cara que exatamente como meu pai, não da a mínima para mim. Juilliard, a banda, Emmett, nada na minha vida é seguro.

— Você tem o Edward. — Lembrei, tocando em sua mão. — E seu irmão, tinha de ver como Jasper estava preocupado com você mais cedo. E, convenhamos, não demorará nada para Alice e Jasper se casarem, ai você será parte da família dela e Esme e Carlisle são pessoas maravilhosas, eu amaria fazer parte da família deles. — Foi minha vez de fungar.

— Ai, não começa a chorar, Bella, eu não sei lidar com o choro de outra garota — ela reclamou, puxando-me para seus braços daquela vez, dando palmadinhas em minhas costas. — Já que eu tenho Alice e os Cullen, acho que tenho você também.

Eu sorri, contente em ouvir aquilo.

— Você vai me deixar mudar seu visual?

— Não, fique longe de mim nesse sentido — ela ordenou, soltando-me rapidamente. — Eu vou te ajudar a contar pro Edward sobre Emmett — murmurou. — Ele merece saber, Emmett é amigo dele, mas amigo nenhum fica dando em cima da namorada alheia dessa forma.

— Isso vai ser terrível.

Rose assentiu.

— Vai, mas eu estou farta de Emmett sair por ai bancando o predador de garotas, achando-se o rei por ter um pau. Eu não vou deixar ele te cercar dessa forma, você e Edward já são complicados por si mesmos, não precisam de um Emmett complicando tudo ainda mais.

— E quanto ao que você sente por ele?

Rosalie não respondeu, jogando-se de cara no seu travesseiro, voltando a chorar. Deitei ao seu lado, afagando seus cabelos novamente, Alice era melhor naquelas coisas de consolar do que eu, sem duvida.

— Sei que isso não ajuda agora, já que você está ai ainda claramente sentindo algo pelo Emmett, mas quando conseguir enxergar outros caras melhor, eu sei que tem certo fotografo, que já foi um líder de torcida, que adoraria te conhecer melhor.

Em meio ao seu choro, Rosalie riu.

— Ele beija bem? — ela me perguntou, movendo seu rosto para mim.

— Como você sabe que eu já beijei ele?

— Ouvi Edward resmungando algo assim outro dia — contou. — E ai? Ele beija bem?

— Para seu bem eu espero que ele tenha melhorado, desde a vez que nos beijamos — confidenciei, Rose revirou os olhos.

— Ou você só está apaixonada demais pelo cara ruivo do quarto ao lado para admitir que Arthur beija bem?

— Edward com certeza beija muito bem. — Mordi meu lábio, Rosalie fez uma careta de nojo. — Fico muito feliz que não pegou Edward, Rosalie, seria difícil concorrer com alguém tão bonita quanto você.

Ela não escondeu o espanto.

— Você me acha bonita?

— Acho, mas só quando você não está se escondendo atrás daquela maquiagem mal feita de gótica.

Rose deu um tapa na minha testa, o que realmente doeu.

— Ai, sua vaca loira! — Bati de volta, Rosalie guinchou, massageando o local, afastando-se de mim.

— Ele é bonitinho — ela murmurou depois de um tempo de silêncio. — Arthur, quero dizer. Edward é feio, você tinha de tê-lo visto na pré adolescência antes de ter músculos, era tão magro e a cabeça desproporcional ao corpo.

— Arthur não fica muito atrás, não.

— Ele foi mesmo um líder de torcida?

— Foi, acho que Alice pode conseguir umas fotos disso. Melhor do que ser o mascote do time, o que ele foi antes de ir pra equipe de torcida.

— Oh, Deus! — Ela riu alto. — Qual era o mascote da escola?

— Um tigre, com dancinha e tudo.

— Eu preciso ver um vídeo disso.

— Talvez a senhora Davis tenha gravado.

— Eles são legais, os pais do Arthur? — Rose me perguntou apreensiva.

— Eles vão adorá-la, Rosalie.

— Nã-Não foi o que perguntei — gaguejei.

— Eu sei, mas o importante é que eles vão te adorar. Eu já te adoro.

Ela revirou os olhos.

— Você só está dizendo isso por estar fodendo com meu melhor amigo.

— Ele fode muito bem, caso você tenha curiosidade.

— Não, não, eu não tenho! — Rosalie tapou seus ouvidos agilmente.

— Ótimo, isso foi um teste, está aprovada para circular perto de Edward.

— Você que precisa de uma autorização para andar perto dele.

— Eu consegui quando você me convidou para o aniversário dele, Barbie. — Cutuquei seu braço.

— Ah, não, até você não.

— Barbie Brooklyn — cantarolei, soando desafinada demais.

— Você é uma péssima cantora, deixe isso para seu namoradinho.

— E você deixará as fotos para seu futuro namoradinho?

Rosalie não teve pena em me chutar para fora da sua cama.

— Isso doeu! — gritei quando me levantei, por sorte o impacto não tinha sido muito forte. — Vou pra cama do Edward, ele pelo menos não me chuta, só chupa. — Rose me tirou um travesseiro, mas consegui desviar.

— Hey, Higginbotham? — Rosalie chamou para mim quando cheguei a porta do quarto. — Obrigada, por ter vindo até aqui me feito rir um pouco.

— De nada. Somos amigas, né?

— Não nos rotule!

— Tarde demais, já estou mandando fazer nossos anéis de compromisso, não se verá longe de mim tão cedo, amiga — provoquei, saindo do quarto dela e a ouvindo me xingar, mas não liguei, sabia que estávamos indo bem.

A noite tinha sido um caos, mas terminaria muito melhor.

***

Rosalie já tinha feito café da manhã para a gente quando acordamos, Edward e eu estávamos preguiçosos aquela manhã, sendo assim nem ligamos de tomarmos banho juntos. Então, nos reunimos a loira na cozinha, para tomar o café que ela tinha feito, adicionando canela e comendo os waffles que Rose preparou.

— Você está de folga hoje, né? Bem que podíamos fazer algo — falei para Edward, enquanto comíamos.

— Parece uma boa para mim — ele concordou, falando de boca cheia. — Mamãe está de folga também, então não preciso tomar conta da Clary. Rosalie vai estar na boate, nós podemos transar sem parar no sofá da sala.

— Eca, Edward! — Rosalie socou o ombro dele, eu apenas ri, sabendo que ele estava brincando, mas não reclamaria se fosse uma verdade.

— Seja mais romântico — falei para ele.

— Isabella Higginbotham, você gostaria de passar a noite inteira fazendo sexo selvagem comigo no sofá da sala?

Suspirei apaixonadamente, dando um beijinho no rosto dele.

— Edward Masen, eu adoraria passar a noite toda fodendo com você no sofá da sala — respondi no mesmo nível de dramatização dele.

— Vocês se merecem — Rosalie anunciou. — Já terminaram, né? — Ela recolheu nossa louça.

— Sim, eu adoro quando você arranca o prato da minha mão.

— Nós precisamos ter aquela conversa com Edward agora, Bella — Rosalie falou para mim, ignorando a fala anterior do amigo.

— Que conversa? — Edward nos encarou confuso.

Suspirei, afagando as costas dele.

— É algo sobre Emmett — murmurei.

— Ele está bem? Ficou muito irritado ontem e desapareceu também?

— Edward, Emmett tem dado em cima da Bella.

Eu fuzilei Rosalie com o olhar, odiando a forma como ela tinha sido tão direta.

— Ele o que? — Edward perguntou irritadiço.

— Está dando em cima da Bella — Rosalie repetiu. — No seu aniversário falou que quando vocês acabassem, ela devia procurá-lo para que fodessem, ontem quis a levar para o loft...

Edward não se importou de esperar Rosalie terminar de falar, antes que nós duas pudéssemos fazer qualquer coisa, ele já caminhava para fora do apartamento. Tudo que nos restou foi segui-lo.

— Ei, o que você vai fazer, Masen? — gritei com ele, enquanto via Edward descer as escadas.

— Me resolver com Emmett, fique aqui.

— Nem pensar.

— É, nem pensar! — Rosalie fez coro. — Edward, vocês vão brigar, isso não vai resolver nada.

— Ah, vai sim, quem ele pensa que é para ficar chamando minha namorada para sexo? — Edward ultrapassou as portas do prédio. — O que mais ele disse, Bonequinha?

— Não importa, volte para casa.

Nem mesmo com Rosalie, fui capaz de levar Edward de volta para o apartamento. Ele andava rápido sobre seus coturnos, mal conseguia acompanhar seu ritmo nas sapatilhas que usava, mas pelo menos não eram saltos.

O caminho até o loft pareceu muito curto aquela manhã, quando me dava conta Edward já estava socando a porta do lugar. Então, Jasper a abriu, usando seu uniforme de instrutor do clube, deveria estar quase indo para o trabalho quando aparecemos lá.

— Cadê o Emmett? — Edward questionou, passando por Jasper, que parecia bem confuso com a comitiva na sua porta aquele horário.

— Lá em cima, o que está acontecendo?

Edward foi até a escada do loft, já chamando por Emmett, com Jasper parando no meio dos degraus, provavelmente prevendo o clima tenso.

— O que você quer, Masen? — Emmett apareceu ali, também pronto para sair para a academia. Seu olhar parou em mim por um segundo.

— O que eu quero? Quebrar sua cara, seu filho da puta! — Edward explodiu, se Jasper não estivesse por perto ele teria partido para cima de Emmett ali mesmo.

Eu tentei ir até ele, mas Rosalie me segurou no mesmo lugar, seu olhar era frio para Emmett, parado no meio da escada, junto do seu irmão gêmeo.

— O que foi, Edward? Sua namoradinha contou que quer foder comigo e você não gostou? — Emmett provocou.

— Há, nem morta eu foderia com você! — gritei.

— Jasper, me solta! — Edward exigiu, tentando furar o bloquei do loiro para alcançar Emmett.

— Você sabe a verdade sobre ela, não é, Edward? — Emmett se voltou para ele. — Só mais uma garota que ambos vamos foder, ai iremos dizer o quão gostosa e boa de cama ela é e partiremos para a próxima. Não fique por ai bancando o príncipe encantado apaixonado, você não passa de um cretino, assim como eu. E Isabella é só mais uma putinha na sua cama.

Foi quando um punho acertou o queixo de Emmett, surpreendentemente não o de Edward, sim o de Jasper. Rosalie soltou um gritinho alto demais ao meu lado, correndo até o irmão, enquanto eu arrastava Edward para o mais longe que conseguia da confusão.

— Que merda deu na sua cabeça para fazer isso, Jasper? — Emmett indagou surpreso, massageando o lugar atingido.

— Não vou deixar você continuar provocando o Edward assim, muito menos falar com a Bella dessa forma.

Emmett gargalhou.

— O quê? Agora a boceta de ouro ai conquistou você também? — Apontou para mim, Edward tentou soltar-se de meu aperto, mas usei toda minha força para mantê-lo junto de mim. — Vocês vão quebrar a cara, ela é o que é, só mais uma riquinha que veio até o Brooklyn ter um pouco de curtição. — Ele desceu a escada, passando por Jasper e Rosalie com facilidade, então por Edward e eu, falando com ele. — Boa sorte, amigo, não dou nem um mês para sua putinha te trocar por outro riquinho de Manhattan.

Eu larguei Edward, cansada de ouvir Emmett falar tudo aquilo de mim. Pego de surpresa, o McCarty não teve tempo de se defender do primeiro soco de Edward, nem no segundo, mas revidou antes que ele pudesse lhe atingir com o terceiro, aquela altura Rosalie e Jasper conseguiram o afastar de Emmett.

Edward tinha um corte no lábio que sangrava, Emmett tinha um corte também, mas não estava destruído como eu amaria ver depois de tudo aquilo.

— Fique longe da minha namorada! — Edward gritou para ele.

— E da banda, você está fora da The Dragons — Rosalie se pronunciou, chamando a atenção de Emmett para ela.

— Vocês não podem...

— Três contra um, Emmett, você está fora da banda — Jasper proclamou, olhando para mim. — E fique longe de Isabella também, ou eu não vou mais impedir Edward de quebrar sua cara.

Emmett riu com deboche, indo até a porta do loft.

— Será um prazer cair fora da bandinha de merda de vocês, essa merda não vai a lugar algum mesmo, vocês três são grandes fracassados. Os gêmeos abandonados pelo pai, o cara sofredor que teve o papai morto no incêndio, que se fodam vocês três, eu consigo algo muito melhor.

Dito isso ele saiu do loft, fazendo muito barulho com isso.

Eu quis ir até Edward, mas quando me dei conta estava junto de Rosalie, a abraçando. Ela se agarrou em mim, chorando em meu colo compulsivamente, logo com Edward e Jasper rondando nós duas, perguntando como estávamos.

— Isso dói — ela disse para que só eu ouvisse. — Ele é muito idiota.

— Eu sei. — Afaguei suas costas. — Você vai ficar bem, Rose — garanti. — É muito melhor do que ele, merece alguém muito melhor.

— Rose? O que está acontecendo? — Jasper perguntou, ela chorou mais um pouco, passando para os braços do irmão, que continuava a questioná-la, sem ter ideia dos sentimentos que Rosalie nutria por Emmett.

— Você está bem? — Me voltei para Edward, vendo o estrago na sua boca perfeita.

Ele me ignorou, segurando meu rosto entre suas mãos.

— Eu não vou deixar ninguém ofender você, Bella, não vou deixar ninguém tirar você de mim. Você é incrível, uma garota maravilhosa, eu sei que somos de mundos diferentes, mas eu lutarei por nós.

— Também vou — concordei rapidamente. — Eu irei lutar por nós, Edward.

Notas finais
Antes que os surtos comecem, leiam isso aqui: O Emmett não era esse grande babaca, eu não o planejei assim. Porém, há coisas no processo de escrita de uma história que mudam, alguns personagens estão ai sofrendo o risco de mudarem também. Sei que é muito ruim ver o Emmett agindo assim, eu mesma odeio esse Emmett e não o enxergo como o Emmett que conhecemos. Porém, o personagem ficou assim, a história pediu que ele ficasse assim, o próprio também. Entendo a chateação que isso possa causar, mas entendam que mesmo sendo uma fanfic, a história não segue os livros, ou cem por cento de cada personagem. Pensem sobre isso antes de me atacarem nos comentários. Beijos! Lola Royal. 18.06.17