Sob minha Pele

46 Capítulo Quarenta e Cinco


Notas iniciais
Capítulo dedicado a Buverlita que recomendou, muito obrigada por isso, flor ♥ Esse é o último capítulo, ok? Mas, amanhã ainda teremos um epílogo. Agora, boa leitura ♥ *tem música especial no capítulo https://www.youtube.com/watch?v=xFq6CgF7pwU

— Capítulo Quarenta e Cinco —

— Bella —

Por uma vida inteira não quis acreditar no amor, aquilo mudou quando encontrei minha mãe morrendo. O amor existia, com toda certeza do mundo e sofrer por amor era terrível, pois você se importava muito com aquela pessoa e a ideia de perdê-la te enlouquecia.

Quando vi Edward baleado eu enlouqueci, o amava, não poderia perder o amor da minha vida. Nós tínhamos planos, sonhos, uma vida inteira pela frente, eu não poderia o perder de forma alguma.

Aquele virou o pior dia da minha vida, começando pela aparição do meu avô. Eu realmente fui pega de surpresa quando o vi diante de mim.

Não soube o que fazer, parte de mim queria gritar e fugir dele, a outra o abraçar. No fundo eu ainda o amava, sabia muito bem disso e mesmo que não devesse, senti sua falta naqueles últimos meses.

O avô que me criou, que eu continuava a amar, mostrou totalmente sua verdadeira face para mim. Ele era um monstro, não havia dúvidas, o pior monstro de todos.

Tudo que ele disse, tudo que ele fez. Marcus Higginbotham era o homem mais cruel que já tinha pisado na face da Terra.

Então, ele atirou no amor da minha vida. Primeiro na perna, levando Edward ao chão, levando a mim aos gritos desesperados. O segundo tiro no braço, fazendo com que o Garoto do Brooklyn parecesse ainda mais distante de mim.

Não sei de onde consegui forças para me soltar de Marcus, talvez ele tivesse se dado conta do que tinha feito e ficou em choque suficiente para me libertar. A questão era, eu corri até Edward.

Corri uma porção de vezes para Edward, ele era um refúgio seguro que eu gostava de me abrigar. Tudo nele me bagunçava e me remontava, eu era uma nova pessoa ao lado dele, alguém melhor.

— Não, não! — gritei, me jogando ao chão junto de Edward, tocando em seu rosto pálido. O seu sangue manchava o piso do apartamento, ele estava ferido, não era um simples pesadelo.

Clary estava em pé junto a mim e ao seu irmão, ela chorava baixinho, chamando por ele. Era o inferno em nossas vidas, nós não precisamos nem sair de casa para passarmos por tudo aquilo.

— Garoto do Brooklyn! — O olhar verde de Edward se encontrou com o meu, eu não via o seu característico olhar intenso, apenas via um brilho fraco. Sem esperanças. — Fique comigo, por favor, amor — comecei a implorar, as grossas lágrimas rolando por meu rosto, enquanto eu continuava tocando em sua face. — Não me deixe, não... — O choro me interrompeu por um segundo. — Edward! — gritei quando vi seus olhos começarem a fechar.

Ele não podia partir, Edward tinha prometido ficar comigo!

— Isabella — escutei meu nome ao longe, bem baixo, sabia quem era falando, mas não tive coragem de dizer nada para ele.

O que aconteceria a seguir?

Um novo disparo aconteceu.

Eu me curvei diante o corpo de Edward ao ouvir o tiro, gritando sem saber realmente o que falava, queria o proteger de qualquer outro perigo. Teria preferido levar aqueles tiros no lugar dele, levaria mil outros se fosse possível só para que ele não tivesse levado nenhum.

Aquilo tudo foi tão rápido, que quando me dei conta de que o tiro não tinha acertado em mim, ou em Edward, voltei-me rapidamente para Clarisse. A garota ainda estava olhando para o irmão, mas encolhida e aterrorizada, com certeza graças ao disparo que ouvimos.

— Clary, algo pegou em você? — consegui perguntar, ela negou com um aceno de cabeça.

Em seguida ouvi os novos gritos, vozes estranhas preenchendo o apartamento. Consegui olhar para trás, deparando-me com policiais adentrando nossa casa. Eles tinham chegado tarde demais, estavam deselegantemente atrasados.

Meus olhos repousaram sobre meu avô, fazendo com que um novo grito escapasse por meus lábios. Em um segundo me coloquei de pé, tentei chegar até ele, mas um policial me segurou, impedindo-me de ir até vovô.

— Vocês o mataram, vocês o mataram! — gritei enlouquecida, vendo o corpo dele sem vida jogado ao chão.

Nada, nem respiração ou movimento. O sangue saindo de sua cabeça, pela perfuração da bala me dizia o suficiente para saber que ele tinha tomado um tiro que lhe foi fatal.

Eles não deviam ter o matado, deveriam ter o detido, mas não o assassinado. Não devia ter acontecido daquela forma, ele não podia morrer daquele jeito.

— Não foi um homicídio, foi um suicídio — algum policial comentou.

— Não, não — sussurrei.

— Edward! — Olhei para a entrada da sala, vendo uma apavorada Rosalie vindo dos quartos. — Salvem ele, por favor! — ela pediu aos prantos, correndo até o amigo, mas um policial não deixou com que tocasse nele, então Rose puxou Clarisse para si.

— Ele está perdendo muito sangue — o policial que impediu Rose falou, chamando uma ambulância por seu rádio.

— Edward, acorde! — Rosalie gritou com ele, apertando Clary em seu abraço. — Porra, seu idiota, acorda!

O policial continuava me segurando, enquanto eu olhava em estado de choque para o banho de sangue no apartamento. Meu avô estava morto, meu noivo baleado e perdendo sangue, em risco.

Acorde, Isabella, acorde!

Repetia em minha mente, querendo que aquilo fosse sim um pesadelo, eu vinha sendo aterrorizada por eles, era só mais um.

Fechei os olhos com força, quando os reabrisse Edward estaria junto de mim em nossa cama. Ele me colocaria em seus braços, cantaria para mim e eu voltaria a dormir tranquilamente.

Acorde, Isabella, acorde!

— Por que vocês demoraram tanto? — o grito de acusação de Rosalie me levou de volta a realidade. — Eu chamei pela polícia no momento que esse verme entrou aqui — ela falou, apontando para o corpo sem vida do meu avô, ao mesmo tempo em que uma equipe de paramédicos entrava no apartamento, indo direto para Edward.

Acorde, Edward, acorde!

— Edward? — chamei por ele, recuperando minha voz, vendo os paramédicos começando a prepará-lo para o tirar dali. — Amor, fique comigo, vamos, não me deixe só.

— Bella — Rose murmurou meu nome, chorando.

Não consegui olhar para ela, meus olhos estavam fixos em Edward. Um paramédico tentou falar comigo, perguntando se eu estava ferida, mas o afastei.

— Edward, acorde, agora! — continuei gritando. — Vamos, acorde. Você não vai me deixar, vai? Garoto do Brooklyn...

Eles começaram a levar Edward para fora do apartamento, ele ainda estava desacordado e sangrando. Eu o perderia? Não, não era possível que acabaria daquela forma para a gente, era injusto demais.

— Nós precisamos ir agora, moça — o policial que me segurava falou, me fazendo andar em direção a saída do apartamento, um escoltou Rose e Clary também.

Olhei uma última vez para meu avô antes de bloquearem minha visão. Marcus Higginbotham, morto. Suicídio.

Já fora do apartamento consegui me soltar do policial, passei correndo por Rosalie e Clarisse, chegando mais perto de Edward. Podia ver seu peito subindo e descendo, indicando sua respiração, me apeguei a isso.

Seu coração continuaria batendo, as engrenagens não iriam parar.

— Leve-o para o Hospital Grace Manhattan — ordenei para os paramédicos, enquanto descíamos as escadas do prédio.

— Senhorita...

— Leve-o para lá! — gritei, sem me importar em ser simpática.

Foda-se aquela merda, eu só queria que eles salvassem a vida do meu noivo. Manhattan era longe, mas Edward seria melhor atendido lá, Esme e Carlisle cuidariam dele, lhe colocariam em prioridade máxima.

Sair do prédio para a noite fria de outubro me fez tremer, eu estava com roupas finas e sem sapatos. Nada daquilo realmente importava, só que aquele frio me deu a sensação de vazio e sem Edward para me aquecer tudo se tornou pior.

— Meu filho, meu filho! — Vi a figura ruiva de Elizabeth cortar o bloqueio policial, enquanto Edward era colocado na parte de trás da ambulância.

— Me desculpa — pedi a Lizz, quando seu olhar se encontrou com o meu.

— Bella...

— Me perdoa — implorei, caindo de joelhos no chão, mantendo meu olhar fixo em Elizabeth. — Foi tudo minha culpa, eu devia ter me afastado de todos vocês enquanto era cedo.

— Precisamos ir agora, alguém vai o acompanhar? — um dos paramédicos inquiriu.

Lizz hesitou, ainda olhando para mim, antes de ir até a ambulância junto do seu filho. Se Edward morresse seria minha culpa, nunca me perdoaria, Elizabeth também não.

— Amiga. — Senti braços finos me envolverem, reconheci o abraço de Alice. — Ro-Rose nos ligou, para Jasper na verdade, ela estava tão apavorada se escondendo no quarto, queria falar com o irmão caso algo acontecesse e... Eu sinto muito. — Alice beijou minha bochecha. — Edward vai ficar bem, pode ter certeza disso.

— Ele está morto — murmurei, sentindo Alice me abraçar forte, sem conseguir retribuir o toque.

Eu ouvia os barulhos de sirene, conversas, choro. Olhava para um ponto fixo, mas sem realmente enxergar qualquer coisa a minha frente, era tudo um grande borrão.

— Não, Bella, Edward está vivo — Alice falou suavemente.

— Meu avô — a corrigi. — Ele se matou.

Queria chorar, gritar, brigar. Entretanto, tudo que fiz foi fechar os olhos e implorar para a dor parar.

***

Minha boca estava muito seca, parecia que eu não bebia água há horas. Aquilo era incomodo demais, provavelmente foi o que me fez acordar.

Eu me encontrava tão confusa, não sabia onde estava. Minha boca seca não estava desacompanhada, no entanto, eu tinha minha cabeça dolorida e sentia meu corpo pesado.

Tentei abrir os olhos, entretanto o feixe de luz me incomodou suficiente para os manter fechados. Aos poucos fui me readequando à situação, lembrando-me do que tinha acontecido.

As lembranças eram terríveis, fizeram com que em pouco tempo eu estivesse chorando baixinho. Meu avô tinha se matado, não antes de colocar a vida de Edward em perigo, não antes de ter se confessado um psicopata, ou sei lá, um doente de outra esfera.

— Você está bem agora, querida — ouvi a voz doce, era Esme, sempre reconheceria a voz dela.

Um toque quente em minha mão esquerda foi o suficiente para que abrisse meus olhos. A luz não incomodou mais, era algo mínimo perto do que tinha passado naquele apartamento.

Nunca mais voltaria aquele lugar, prometi a mim mesma.

— Esme — sussurrei quando a vi junto de mim.

Eu sabia que estava em um quarto de hospital, o cheiro, as luzes, tudo indicava isso.

— Não se canse muito — Esme pediu, apertando com mais firmeza sua mão na minha. — Volte a dormir, não descansou o suficiente.

— Edward — sussurrei, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas novamente ao pensar nele.

Esme sorriu, ela não disse uma palavra logo, mas seu sorriso me deu paz.

— Ele esta em observação agora, a cirurgia acabou a pouco, mas está bem também, garanto.

— Ele não vai morrer? — indaguei, forçando minha voz a sair, continuava com a boca seca.

— Não. — Esme usou sua outra mão para limpar meu rosto, eu já estava deixando as lágrimas correrem livremente. — Você o verá em breve, certo? — Assenti, já sem forças para falar. — Mas, precisa voltar a dormir agora, foi muito difícil para você, querida.

— Ele está mesmo morto? — questionei, Esme entendeu a quem eu me referia.

— Eu sinto muito, Bella, não devia ter acabado assim.

— Acabou. — Fechei meus olhos. — Acabou.

***

Quando acordei novamente, Charlie era a pessoa no quarto comigo. Ele deu um sorriso pequeno a me ver acordando, segurando em minha mão e beijando delicadamente minha testa.

— Oi, filha!

— Pai...

— Você me deixou muito preocupado, Bells.

— É o que filhas fazem — sussurrei, sorrindo brevemente. — Deixam os pais preocupados e de cabelos brancos. — Charlie riu. — Preciso de água.

Ele assentiu, se afastando até o outro lado do quarto, indo pegar água de uma garrafa que estava sobre uma mesinha. Quando voltou para perto de mim me ajudou a sentar, eu sentia meu corpo ainda pesado, como se tivesse presa debaixo da água sem conseguir voltar à superfície.

— Aqui, beba tudo. — Charlie me ajudou a ficar sentada.

— Por que fui internada? — indaguei, ao terminar de beber a água.

— Você desmaiou, te trouxeram para cá também. Carlisle e Esme acharam que seria melhor manterem você em observação por um tempo, para ter certeza de que estava tudo bem e por terem te dado alguns calmantes.

— Ou seja, eu surtei. — Revirei os olhos.

— Você ficou em choque, totalmente compreensível devido tudo que aconteceu. — Charlie encarou o copo em suas mãos. — Eu realmente sinto muito pelo o que aconteceu, Isabella. Você não deveria ter passado por aquilo, isso...

— O que acontece agora? — indaguei. — Praticamente falando — acrescentei.

— Os policiais já ouviram Rosalie e a pequena Clary, falta você e Edward.

— Como ele está?

— Ainda sedado, mas bem — Charlie falou a parte final antes que eu surtasse outra vez. — Eles vão te dar alta em breve, você irá ver seu noivo logo depois, certo? — Concordei com um aceno de cabeça, abaixando meu olhar para a tatuagem em meu pulso.

— Ele se matou — sussurrei. — A mamãe...

— Esme voltou para casa, está com sua mãe. Alice está lá também, ajudando com Clary.

— Quero saber como a mamãe reagiu. — Encarei seu rosto, Charlie suspirou, tocando em meus cabelos.

— Isso foi um choque para ela também, filha.

Assenti, tocando em meu pulso. Pensando em Edward, seu pai, Marcus, minha mãe. Todas aquelas pessoas que morreram, ou quase morreram.

— Bella. — Charlie começou a chorar, me pegando de surpresa.

— Papai?

Ele me tomou em um abraço.

— Eu pensei que iria te perder, quando as noticias começaram a chegar e estava tudo tão desencontrado. Uns diziam que você tinha sido baleada, outros que... Que estava morta.

— Estou bem. — Apertei ainda mais nosso abraço, sem querer pensar na hipótese de ter terminado aquela noite morta. — Vou ficar bem, isso tudo acabou, nós vamos superar.

Eu torcia muito por aquilo.

Minutos depois Carlisle apareceu, liberando-me da minha internação. Ele garantiu que eu estava fisicamente bem, mas comentou de que seria interessante — sabia que ele estava falando fundamental — que eu fosse visitar a ala psiquiátrica do hospital o mais cedo possível.

Um policial esperava por mim quando deixei o quarto, eu queria ir atrás de Edward, só que sabia que quanto antes desse meu depoimento seria melhor. Reviver tudo que tinha acontecido na noite anterior me fez chorar muito, entretanto me forcei a contar cada detalhe.

— Isso é tudo, nós te chamaremos se precisarmos de mais detalhes — o policial me dispensou, tínhamos ido para a sala de Carlisle para que eu tivesse um pouco de privacidade naquele momento, ao menos tive Charlie ao meu lado.

Saímos da sala e encontramos com Carlisle lá fora.

— Preciso ver Edward, Carlisle — falei para ele, que assentiu.

— Eu imagino que precise sim. Ele está com Lizz, mas vou dar um jeito de vocês duas conseguirem ficar no quarto com ele, vamos? — Concordei com um aceno de cabeça. — Charlie, talvez você devesse voltar para Renée, certificá-la de que Bella está bem.

— Vou fazer isso. — Charlie se despediu de mim com um abraço, antes de seguirmos direções opostas.

Carlisle me conduziu até o quarto que Edward estava, ele não falou sobre o estado do meu noivo e não tive coragem de perguntar. O pai de Alice me deixou no quarto, avisando que qualquer coisa era só chamar.

O mais silenciosamente que consegui, abri a porta do quarto. Era um quarto como o que Renée estava antes, o que me deixou imediatamente mal.

Lizz estava sentada em uma poltrona próxima a cama, olhos fechados e com as mãos unidas sobre seu colo, murmurando algo para si mesma, parecia estar rezando. Tomei coragem, olhando para a figura sedada de Edward sobre a cama.

Parecia que ele estava simplesmente dormindo, se eu não visse os curativos em seu braço e perna. Ele tinha fios ligados a si, de monitoramento de batimentos cardíacos, como remédios e soro.

Eu tinha feito aquilo a ele, sabia disso. Se Edward não tivesse ficado comigo meu avô não teria atirado nele, nada daquilo teria acontecido ao Garoto do Brooklyn. Ele estaria bem e saudável, inteiro, intacto.

— Não é sua culpa — a voz de Elizabeth me despertou, fazendo com que eu a olhasse.

Ela tinha aberto os olhos, que estavam vermelhos e marejados. Seu rosto estava muito abatido, estava encolhida na poltrona, parecendo mais vulnerável do que nunca.

— É sim — insisti. — Você sabe disso, se ele não tivesse ficado comigo...

— Se Edward não tivesse ficado com você ele teria se arrependido disso pelo resto da vida, Isabella. — Lizz se colocou de pé, olhando para o filho, então para mim. — Meu filho sempre foi justo, correto e honesto demais, ele sempre pensou muito nos outros. Nos amigos, em mim, em Clary. Edward foi egoísta quando ficou com você, eu agradeço por isso, pois ele precisava disso. Ele te ama, ele agarrou o sentimento e o perseguiu, nem todos tem coragem de fazer isso.

Solucei, me dando conta de que estava chorando.

— Edward teve uma vida difícil, você sabe. Perder o pai o quebrou de mil formas diferentes, mas ele tentou se manter o mais firme possível. O problema era que eu sei que meu filho não estava tão feliz quanto dizia que estava, isso mudou quando você e ele ficaram juntos. Então, não, não diga que vocês não deviam ter ficados juntos, pois isso devolveu a felicidade plena para Edward.

— E agora ele esta em uma cama de hospital, depois de levar dois tiros do avô da noiva dele — murmurei, continuando a chorar.

— Não foi você puxando o gatilho daquela arma, Isabella, foi?

— Claro que não!

— Então, por que está se culpando? Você não tem culpa, não deixe isso te dominar, por favor, querida.

Elizabeth caminhou até mim, segurando meu rosto entre suas mãos.

— Obrigada por ter feito Edward feliz, por ter o inspirado para buscar pelo sonho dele, por ter dado a ele paixão, amor, até mesmo raiva. O meu marido falava que esperava que um dia Edward encontrasse uma pessoa que o fizesse ficar bagunçado, pois isso significaria que ele estava perdidamente apaixonado e sei que você fez isso com meu filho. — Lizz sorriu. — Eu tentei os afastar, até mesmo te odiei por estar o colocando em perigo, mas percebi que estava errada, percebi o quanto você e ele faziam bem um ao outro, o quanto os sentimentos lhes ligando eram fortes, então muito obrigada por isso.

— Ele vai ficar bem?

— Eu sei que meu filho não cumpre todas as promessas que faz. — Lizz revirou os olhos, dando um sorrisinho. — Mas, eu sei que ele pediu uma garota em casamento, Edward não a deixaria sozinha.

***

Eu fiquei com Lizz no quarto, ela me deu um resumo básico sobre o estado de Edward. De hora em hora enfermeiras apareciam para ministrar medicações nele, que continuava sedado.

Clary ainda estava no apartamento dos Cullen, com Esme, meus pais e Alice. Elizabeth tinha dito que ela ainda estava muito chocada com tudo aquilo, eu podia entender perfeitamente, eu era uma adulta e também estava, Clary com certeza ficaria ainda mais impressionada sendo apenas uma criança.

Enquanto isso, Rosalie estava no loft do irmão. Ela também estava bem mal por tudo aquilo, o que só me fazia sentir pior. Soube que Arthur já estava voltando de Chicago, eu gostei de saber disso, pois Rose com certeza precisaria da ajuda dele.

Eu estava olhando para a aliança no dedo de Edward, que recoloquei ali já que tinham tirado para a cirurgia, enquanto Lizz falava sobre o dia do seu casamento com seu primeiro marido, quando ouvimos o chamado.

— Bella. — Desviei meu olhar para o rosto de Edward, seus olhos continuavam fechados, mas ele parecia sentir dor.

— Edward — falei, afagando sua face, sem saber se ele estava acordando de fato, ou apenas sonhando.

— Filho? — Lizz se aproximou dele também. — Você está bem, ok? — ela falou com ele, afagando seus cabelos. — Bella, Clarisse, Rose, todos estão bem. Descanse, tenha bons sonhos.

Beijou a testa de Edward.

Me inclinei até seu ouvido, sussurrando na orelha dele.

— Amo você, Garoto do Brooklyn.

***

Edward começou a acordar para valer no começo daquela noite, ele abriu seus olhos e os fechou repetidamente, até conseguir os manter abertos. Lizz e eu já estávamos ao lado dele, prontas para qualquer coisa.

— Olá! — Forcei um sorriso para ele, com medo de que ele me odiasse.

— Parece que bebi uma garrafa inteira de tequila — ele disse com a voz arrastada, eu ri, Lizz resmungou.

— Bom saber que você sabe a sensação de beber uma garrafa inteira de tequila.

— Oi, mãe. — Ele sorriu para ela.

— Oi, filho. — Lizz beijou a bochecha dele.

— Olá, noiva! — Edward se voltou para mim, fazendo com que eu recomeçasse a chorar.

O abracei como pude, tomando cuidado para não o machucar mais, porém também querendo o sentir um pouco.

— Amo você, Bonequinha — Edward falou.

— Eu também te amo — murmurei, beijando seus lábios rapidamente. — Você está com dor? — Olhei em seus olhos verdes, ouvi Lizz dizer que iria chamar o médico, então ela saiu do quarto.

— Apenas cansado demais — Edward respondeu. — Você... Não foi atingida, né?

— Não, não fui! — respondi prontamente. — Clary e Rose também não. — Vi alívio em seus olhos.

— Ouvi um novo tiro, antes de apagar — falou confuso.

— Ele se matou — consegui dizer, Edward arregalou os olhos.

— Bella...

— Agora não — falei, no mesmo instante que Lizz voltou ao quarto, acompanhada do médico.

— Meu paciente favorito acordou? — Olhei para a entrada do quarto, vendo que o médico era Joe.

Durante o dia outro médico tinha ficado de olho em Edward, dizendo que o que tinha lhe operado foi para casa descansar após a cirurgia.

— Você o operou? — perguntei ao britânico.

— Operei sim. — Joe sorriu, enquanto lia o prontuário de Edward. — Sabe, quando eu disse que se você precisasse de um cirurgião era só chamar por mim, eu estava brincando — falou para meu noivo, Edward riu, mas aquilo parecia incomodo.

— Eu tive de levar ao pé da letra, foi mal.

— Você o operou direito, né? Sabe, você é só um conselheiro estudantil — brinquei com Joe, que riu.

— Dei meu melhor, espero não ter esquecido nada dentro do garoto.

— Isso não é engraçado — Lizz disse aflita.

— Desculpe-me — Joe pediu a ela rapidamente. — Eu garanto que Edward está bem.

— Então eu posso ir para casa? — meu noivo indagou.

— Em alguns dias — Joe respondeu, se aproximando da cama de Edward para o examinar. — Você não conseguiria sair daqui agora nem se quisesse, está chapado demais e logo vou te por para dormir de novo.

— Legal — Edward ironizou. — Escuta, eu vou conseguir andar, certo? — indagou tenso.

— Vai sim, mas se fosse você iria pedir para as pessoas te empurrarem em uma cadeira de rodas por uns dias, sabe, só pra se aproveitar um pouco da situação e ser mimado.

Edward sorriu, mas continuava tenso.

— E meu braço? É o esquerdo, mas ainda preciso dele para tocar guitarra e acabei de assinar um contrato com uma gravadora, não posso deixar essa merda foder tudo.

Encarei Joe, também preocupada com aquilo.

— O tiro no braço foi pior — Joe ficou sério. — O da perna foi mais superficial, você perdeu bastante sangue e tudo mais, só que por sorte foi socorrido a tempo. Talvez mais um pouco de demora e tivesse em más condições agora, só que não está, prometo. Vai passar por sessões de fisioterapia para sua perna e braço, vai ser uma droga no começo, confesso, mas quando se der conta já vai estar tudo ok, ou o mais perto disso. Não, você não vai ficar impossibilitado de tocar eternamente, por um tempo sim, claro, mas logo estará de volta a forma. É novo, isso ajuda bastante, seu corpo ainda se regenera rápido.

— Você promete? — indaguei Joe.

— Tem minha palavra.

— Valeu, cara! — Edward suspirou. — Agora eu aceito que você me dope mais um pouco, isso ainda dói.

Seu olhar se encontrou com o meu.

— Até depois, Bonequinha.

***

Os dois primeiros dias de Edward no hospital foram os mais tranquilos possíveis, eu me recusava a sair de perto dele — em partes por não querer encarar o mundo lá fora —, então era a pessoa vinte e quatro horas com ele. Enquanto Lizz se revezava entre o filho e a filha.

Meu noivo passava mais tempo dormindo, ainda nocauteado pelos remédios que tomava para sua cicatrização. No terceiro dia, quando ele acordou no comecinho da manhã e terminou seu café da manhã ruim, perguntou para mim.

— Você não devia estar trabalhando?

— A essa altura provavelmente já fui demitida. — Dei de ombros.

— Não quero que pare por mim.

— Tanto faz, Edward, você é a única coisa me preocupando agora — respondi honestamente.

Ele suspirou, esticando sua mão até mim. A peguei, depositando um beijo entre seus dedos.

— Um policial deve vir te ver hoje — contei, ele assentiu.

— Eu sinto muito, Bella.

Comecei a chorar, ainda agarrada a sua mão.

— E-Eu... Isso foi terrível, não queria que tivesse acontecido.

— Eu sei.

— Vem cá, deita comigo — ele pediu.

— Acompanhantes não podem...

— Sobe de uma vez nessa cama, Isabella — exigiu.

Eu fiz o que ele queria, deitando ao seu lado, com cuidado.

— Você não me odeia?

— Eu não tenho motivos para isso, Bonequinha. Além do mais, estou ocupado demais te amando, lembra? — Beijou meus lábios. — Por favor, não se sinta culpada e se continuar se sentindo assim me deixe saber, pois eu estou aqui para te ajudar a entender que não é algo verdadeiro.

— Você é bom demais para mim, Garoto do Brooklyn.

— Ou, talvez, você me deixe bom demais.

— Sabemos que não.

Edward revirou os olhos.

— Eu te amo, Bella, isso é tudo, ok? Vamos deixar o passado no passado, sei bem que não podemos o esquecer, mas podemos pensar no futuro.

— Quero casar em um mês de julho — falei, ele sorriu largamente.

— Estará quente demais em julho, Bonequinha.

— Oh, com certeza estará quente demais na nossa lua de mel — declarei, passando a mão por sua barriga coberta pela bata hospitalar.

— Estamos em um hospital, sua tarada.

— Sim, isso me desperta umas boas fantasias — falei, beijando seu rosto, fazendo com que nós dois rissemos, antes que eu voltasse a chorar.

Ainda doía, muito.

— Você faz desenhos novos para mim? Sabe, para fazer tatuagens novas com eles. Para que eu possa esconder as cicatrizes — Edward falou baixinho, ainda me mantendo junto de si.

— Eu faço sim — falei em meio ao meu choro. — O que tem em mente?

Ele começou a falar, me levando para o futuro. A dor estava ali, mas sabia que Edward me faria ser forte e suportá-la.

***

No quinto dia de internação de Edward fui expulsa do hospital, Esme apareceu me fazendo sair. Também deixando espaço para que Jasper e Rosalie pudessem enfim visitar o amigo, já que ainda não tinham recebido liberação para isso.

Entretanto, não era a única motivação de me tirar do hospital, tinha algo mais acontecendo. Eu só queria poder fugir um pouco mais. Esme levou a mim e Lizz ao apartamento dela, onde meu pai estava com Clary e Renée.

— Bella! — a baixinha gritou quando me viu, correndo para meus braços.

— Oi, Clary! — A abracei apertado.

Ela parecia abatida, mas seus olhos verdes tinham o brilho animado de sempre. O mesmo brilho que vi quando aquela garotinha no Central Park me deu uma pedrinha, que eu daria tudo para não ter jogado fora.

— Como você está, baixinha?

— Bem e você? E o Edward? Mamãe falou que ainda não posso ver ele.

— Ele irá sair do hospital em breve, você pode esperar mais um pouquinho?

— É, posso.

— E ele está muito bem, vive falando de você e está com saudades.

— Também estou com saudades — Clary afirmou.

— Bella?

Segui o som da voz, vendo Renée e meu pai na entrada da cozinha. Ela continuava na cadeira de rodas, seu olhar era choroso.

— Por que não conversam um pouco? Ainda temos tempo — Esme falou delicadamente para mim.

Concordei, indo até Renée. A abracei e beijei, murmurando que tinha sentido falta dela. A levei até a sala de musica, colocando a sua cadeira perto do piano, enquanto me sentava no banquinho ali.

— Conte-me tudo que ele disse — Renée pediu, segurando em minhas mãos.

Eu contei, precisava contar. Quanto mais falava, quanto mais chorávamos, mais eu me sentia leve.

***

Elizabeth ficou no apartamento com Clary, depois da minha conversa com Renée, enquanto mamãe e eu íamos com Esme e Charlie ate o cemitério. Aparentemente a imprensa não tinha descoberto sobre o enterro, já que o local estava livre e sem tumultos como imaginei que estaria.

— Por que você e Esme não ficam aqui no carro, Charlie? — mamãe perguntou para ele quando terminamos de colocá-la na cadeira de rodas.

— Mas...

— Acho que Bella e eu precisamos fazer isso sozinhas — mamãe disse, eu concordei.

— Certo. — Charlie concordou.

— Qualquer coisa e só chamar — Esme ressaltou.

Eu abracei os dois, assim como mamãe fez, então comecei a conduzir Renée pelo cemitério. Seguimos até o tumulo comprado de última hora, pois não quis que ele fosse enterrado no jazigo Higginbotham, apesar do pai dele estar lá, a mãe e sua esposa também estavam e não achei que aquilo seria adequado.

Nós chegamos ao local sem problemas, mesmo sendo New York, ele parecia ser o único sendo enterrado naquele momento no cemitério. Não tinha nenhum líder religioso, somente os funcionários do cemitério responsáveis por aquilo e um policial para garantir a segurança caso algum tumulto se instalasse ali.

O caixão era marrom, simples. Nada grandioso, ele não merecia. Não tinha morrido como um grande homem, muito longe disso.

Ainda assim, foi impossível não chorar enquanto eu via os homens colocando o caixão sob a terra. Era meu avô lá dentro, o homem que tinha feito mil atrocidades, mas ainda o homem que tinha me criado e me ensinado algumas coisas boas.

— Ele sabia tocar piano muito bem — Renée sussurrou, seu olhar fixo sobre o caixão.

— Tinha um ótimo gosto musical. — Ela sorriu com a minha fala.

— Me ensinou a dançar.

— A mim também. — Renée começou a chorar comigo.

— Eu o amei, Bella — confessou. — Parte de mim ainda o ama.

— Eu sei, mamãe. — Voltei a encarar o caixão, apesar de tudo o sentimento era persistente, mas diferente. Amar minha mãe não doía, amar Edward não doía. Porém, amar vovô doía, era a pior dor. Eu estava devastada.

Renée tomou minha mão na sua, olhei para ela, que olhava para mim. Sorrimos uma para a outra, em meio ao nosso choro.

— Vai ser tudo diferente agora, Bella — Renée prometeu.

Inspirei fundo, absorvendo o cheiro de flores e terra do cemitério.

— Mamãe?

— Sim, Bella?

— Você me perdoa?

— Você me perdoa? — ela retribuiu a pergunta.

— Já perdoei tem muito tempo. — Toquei em seu rosto, seus olhos claros brilharam. — Obrigada por ter lutado por mim, por nós, por ter resistido aquele dia.

Renée ficou de pé, tentei detê-la, mas não consegui. Então, ela me puxou para um abraço, um quente e seguro abraço.

— Eu te amo, filha.

— Amo você, mamãe.

Eu amava, sempre amei.

***

Alguns dias depois Edward recebeu alta, o que foi maravilhoso não só pelo fato daquilo indicar que ele estava melhorando, mas por dar a liberdade que ele tanto queria. Ficar trancafiado no hospital estava começando a deixá-lo impaciente e nervoso, mais um dia ali e ele enlouqueceria nós dois.

Como nenhum de nós queria voltar para a cena do crime, Lizz buscou por um novo apartamento no Brooklyn para a gente, com a ajuda de Alice. Não foi uma tarefa fácil conseguir tudo tão em cima da hora, mas elas conseguiram.

— Uau, isso é um apartamento decente! — foi a primeira coisa que Edward exclamou quando entramos no novo apartamento.

Ele tinha recusado a cadeira de rodas, estava usando muletas, Arthur e Jasper estavam um de cada lado dele, Rosalie atrás, prontos para o segurar caso ele caísse.

— Pelo preço que vamos pagar por ele, e bom que seja decente — comentei.

— Edward, você finalmente chegou! — Clary saiu correndo de um dos quartos, seguida pela mãe e Alice.

— Opa, ele não pode te carregar! — Detive a garotinha rapidamente.

A peguei no colo, a erguendo para que ela pudesse beijar a bochecha de Edward.

— Estava com tantas saudades, Baixinha! — Edward exclamou para ela.

— Eu também, você não vai mais para o hospital, né?

— Espero que nunca mais! — exclamei aflita, Edward sorriu para mim.

— Não, mas eu preciso ir sentar agora — Edward disse, fazendo uma careta de dor. Logo a escolta dele o ajudou a chegar ao sofá, era uma das primeiras vezes na vida que eu não via Art com sua inseparável câmera. — Alice, você não preparou uma festa de recepção para mim? — Edward perguntou chateado, enquanto Rose o deixava mais confortável possível no sofá.

— Eu pensei que você não fosse querer — Alice falou. — Você quer?

— Com certeza! — Edward piscou para ela.

— Ah, isso é maravilhoso! — Alice gritou, já começando a ditar ordens para todos a fim de que a festa saísse.

Deixei Clary ir participar de toda aquela confusão, indo até meu noivo.

— Quando vou conhecer nosso quarto novo? — ele perguntou, dando um sorriso malicioso para mim.

— Em breve, mas você ainda está proibido de fazer grandes esforços físicos — o lembrei daquele detalhe, sentando ao seu lado, Edward se inclinou e sussurrou no meu ouvido.

— Você sempre pode chupar meu pau, Bonequinha.

— Tão romântico — debochei, mas logo estava puxando seu rosto na direção do meu, lhe dando um grande beijo.

***

Eu estava fazendo alguns desenhos para Aro aquele dia, era o último emprego sobrando para mim, já que tinha sido despedida mesmo do clube depois de faltar tantos dias seguidos. Edward não tinha sido demitido da boate, por ter atestados médicos, mas Rosalie já tinha alertado que Alistair não o manteria na equipe por muito tempo.

Ao menos ele tinha o dinheiro da sua parte antecipada do álbum, estava nos ajudando a segurar as contas, fora que Lizz ainda tinha o trabalho dela. Mas, Phill com certeza estava sendo fantástico com a The Dragons, a gravadora também.

Ele foi visitar Edward mais cedo aquele dia — até reviu Renée e conheceu meu pai que estavam visitando meu noivo, eles tinham sido simpáticos um com o outro e Phill tinha adorado ver mamãe bem —, para garantir ao vocalista e guitarrista da The Dragons que o contrato continuava de pé. Toda a gravação do álbum poderia ser adiada, dando tempo para que Edward pudesse se recuperar e eles não perderiam dinheiro por isso.

— Oi. — Atendi a ligação de Jenks.

Edward e eu estávamos na nossa cama, no nosso quarto. Ele estava quase dormindo naquela tarde fria, ainda precisava repousar muito por conta de seus ferimentos.

— Bella, Jacob Black está na delegacia nesse exato instante — Jenks contou, deixando-me apreensiva. — Ele acabou de confessar o assassinato de Richard, o ex-padrasto de Edward. — Engoli em seco, sem crer naquilo, olhei angustiada para meu noivo, que logo entendeu que tinha algo de errado. — Ele, Jacob, pediu uma visita, quer te ver...Eu realmente...

— Quando?

— Amanhã.

— Estarei lá, preciso entender isso melhor.

— Ligo caso descubra algo mais — Jenks disse, desligando em seguida.

— O que foi? — Edward perguntou.

— Jacob foi o assassino de Richard, Edward.

— O quê? — ele gritou.

— Porra! — xinguei, largando os desenhos de lado. — Jacob, Edward, isso ainda me surpreende.

— Por que ele mataria Richard? Ele sequer o conhecia!

— Eu também não entendo, mas Jacob quer que eu o visite, farei isso amanhã.

Edward negou com um aceno de cabeça.

— Não tenho como te impedir de fazer isso, né?

— Não, que bom que sabe que não.

Na manhã seguinte eu fui até a delegacia que Jacob estava preso, uma do Brooklyn, pois era a zona onde Richard tinha sido assassinato. Conversei com o delegado, e ele me deixou visitar Jacob, sendo assim fui levada para uma sala de visitas.

Não muito depois ele apareceu, estava apático, aparentando até mesmo estar doente.

— Oi, Bella! — Sentou do outro lado da mesa da sala de visitas.

— Por que você fez isso, Jacob? — indaguei, indo direto ao ponto.

— Eu fui atrás de você naquele dia — ele contou, olhando para suas mãos algemadas. — Estava te seguindo. — Engoli em seco. — Queria... Sabe, queria que a gente pudesse conversar melhor, mas estava com medo de te parar no meio da rua e você me repelir, ia esperar você chegar a sua casa, ai entraria contigo e faria com que me escutasse. Só que vi aquele cara indo atrás de você também, ele estava saindo de um bar e começou a te seguir... Idiota! — Jacob bateu as mãos na mesa, fazendo com que eu me sobressaltasse, o policial na porta da sala ficou em alerta. — Ai, apareceu aquele outro cara tatuado gritando seu nome... Quem é aquele? Outro cara que você fodia por minhas costas?

— Jacob...

— Era né? Só sei que você e esse tatuado entraram no prédio, que eu não podia entrar junto, pois você me expulsaria por estar com ele. Fui atrás do outro cara, o que saiu do bar... Eu o encontrei não muito longe dali, caindo, bêbado pra caralho. O empurrei até um beco, fiz ele me contar de onde te conhecia, ele falou sobre ser padrasto daquele babaca do seu namoradinho. Mas, ele também falou que ia comer você, Bella. — Os olhos escuros de Jacob estavam cheios de fúria. — Falou que ele ia comer a sua boceta, seu...

— Jacob, para! — implorei, enojada com o relato.

— Eu só te defendi, Bella! — Jacob me olhou fixamente, além de fúria vi loucura em seu olhar.

— Você tinha uma arma?

— Sim! — Riu. — Minha mãe estava me obrigando a sair com uma, desde que ela voltou. Sabe, porque seu avô ainda estava solto e ele podia me pegar desprevenido. Bella, escuta, eu me entreguei porque isso estava me deixando maluco, não conseguia comer, dormir, todo tempo eu lembrava da imagem daquele cara morrendo aos meus pés. Mas, agora você pode depor ao meu favor no julgamento, não pode?

— Por que eu faria isso?

— Porque eu te defendi, esqueceu? Estava te salvando daquele cara.

— Não...

— Bella, eu roubei meu próprio pai quando entreguei aquelas provas para a polícia só para te salvar, chegou a sua vez de me salvar de volta. Sabe que te amo, apesar de tudo continuo te amando.

— Mas, eu nunca te amei, Jacob Black. — Me coloquei de pé. — Não vou depor ao seu favor, vou contar apenas o que sei para a polícia, sinto muito.

— Não, Bella! — ele começou a gritar em desespero, eu fui em direção à saída, sem olhar para trás, não iria assumir aquela responsabilidade, eu precisava seguir minha vida. — Bella, por favor, Bella!

***

Na segunda semana de novembro aconteceu algo que queria tinha muito tempo, eu não conseguia parar de sorrir. Acordei de manhã cedo demais, pois simplesmente não conseguia ficar muito tempo na cama.

Edward apenas ria da minha agitação, mas sabia que ele entendia perfeitamente o motivo de toda a animação. Infelizmente ele teve de ficar, ainda não podia sair batendo perna por ai. Eu o deixei com Rosalie e Arthur, que prometeram cuidar bem dele enquanto Lizz estava no trabalho, Clary na escola e eu iria resolver meu grande desejo do momento.

Assinei tudo com a mão tremendo, até mesmo tive receio de que aquilo invalidasse o documento. Entretanto, não foi o que aconteceu.

O juiz não viu problema na minha assinatura feia, o que me acalentou. Estava feito, sem voltas. Não que eu quisesse, não queria voltar de jeito nenhum.

Eu tinha tido uma vida boa por anos, mas ela era falsa e eu tentava não ver a realidade triste, escondendo-me por trás de dinheiro e poder. Então, dar aquele passo para o novo era muito bom, era uma segunda chance para mim, Isabella.

Não mais Sawyer, ou Higginbotham. Sim Swan, Isabella Swan.

— Pai! — Eu pulei para os braços de Charlie, que me aparou como se eu fosse somente uma criancinha leve demais. — Eu sou uma Swan agora! — gritei, beijando o rosto dele tomado por lágrimas, voltei-me para mamãe ao lado dele e a abracei também. — Obrigada pelo melhor pai, mamãe — agradeci a ela. — Ei, espera! — continuei falando em disparada.

— O que foi? — Renée perguntou, limpando as lágrimas do rosto de Charlie, enquanto ela mesma chorava.

— Você também tem de ser uma Swan, mãe.

Ela riu, Charlie não.

— Bella está certa, Renée.

— Charlie...

— Casa comigo?

Mamãe olhou para mim, eu acenei positivamente com a cabeça, mal contendo toda a energia no meu corpo.

— Caso, Charlie. Eu caso! — Ela o beijou.

Eu atrapalhei o beijo, eles me desculparam, mas eu precisava os abraçar. Tinha uma família, tinha pais que me amavam e que se importavam comigo, isso era um sonho virando realidade.

***

O cheiro de cigarro continuava impregnado no local, fazendo com que me sentisse sufocada por aquilo. Ao menos, não tinha muita gente lá como da primeira vez, apenas cinco pessoas contando comigo e Alice que tínhamos acabado de chegar à boate.

Bom, antiga boate.

— Ai estão vocês! — Arthur gritou quando nos viu, apontando sua câmera para Alice e eu, que paramos e fizemos pose para ele, nos deixando ser fotografadas. — O que acha, sócia? — Ele gesticulou ao redor, para a boate vazia e que era toda nossa desde que assinamos o contrato de compra naquela manhã.

Tinha se passado quase um ano desde... Bom, desde tudo aquilo. Estávamos em outubro de 2017, o último sábado do mês.

As coisas tinham mudado bastante naquele tempo, para nossa sorte, mudanças boas. Começando pelo fato de que parte dos bens dos Higginbotham foram liberados para as herdeiras — Renée e eu — dias depois de eu adquirir o sobrenome Swan, não era toda a fortuna que tínhamos antes, mas era uma parcela boa dessa, que deixaria minha mãe ter uma vida tranquila e me garantiria segurança financeira também.

Voltei a Columbia no instante que consegui acesso as minhas contas antigas, as contas limpas, eu queria terminar minha graduação em artes. Tinha feito cursos durante todo o inverno de 2016 e no verão de 2017, para que conseguisse me formar a tempo em 2018 como deveria ser.

Renée e eu investimos parte do dinheiro no hospital, era uma renda segura e nós podíamos viver com a grana que ganhávamos de lá. Ainda assim, eu mantinha um dos meus empregos, desenhar para Aro. Tinha criado gosto pela coisa, era fantástico ver que as pessoas realmente gostavam dos meus desenhos a ponto de os tatuar em seus corpos.

Mas, nunca mais faria uma tatuagem. Eu estava bem com apenas uma, ótima.

Meus pais estavam vivendo em um loft no Brooklyn, eles diziam gostar da praticidade do local. Renée pintava todo dia, Charlie mantinha seu emprego de segurança no hospital, pois não queria depender dela. Eles estavam muito felizes, eu ficava feliz por tabela.

— Há muito o que ser feito, mas estará tudo pronto até dezembro — garanti para Arthur, enquanto eu olhava ao redor.

A Night Club faliu, quando soube disso Arthur surgiu com a ideia de comprar o espaço. Ele me queria como sócia, mas não para uma boate, sim para uma galeria de artes.

Sabe, todas aquelas galerias te recusaram quando você estava sendo julgada, se eu fosse você entraria nessa comigo e esfregaria na cara de todo mundo que pode ter sua própria galeria.

Obviamente aquilo me conquistou, no fundo eu ainda tinha a essência da garotinha mimada que queria tudo. Entretanto, o negócio de montar uma galeria de artes com Arthur era algo que realmente estava me fazendo bem. Nossa sociedade era meio a meio, ambos seriamos donos e estávamos com o mesmo nível de animação sobre o local.

— Ei, como você está? — Jasper checou com Alice.

— Eu estou bem, Jazzy. — Ela sorriu para ele, afagando sua barriga de sete meses de grávida.

Não tinha sido planejado, Carlisle quase enfartou quando soube que sua filha estava grávida. Mas, o susto já tinha passado e todos estavam felizes, aquele dia Alice e eu tínhamos ido comprar roupas novas — mais — para seu bebê. Era uma menina, ela se chamaria Chloe.

Eles ainda não sabiam quando se casariam, a vida estava corrida demais. E, claro, que Alice não ia casar de uma hora para a outra sem uma grande festa.

— Você está gorda, cunhada! — Rosalie exclamou, pendurando-se no braço de Arthur, que beijou a testa dela. Os dois estavam indo muito bem, eles se completavam de uma forma incrível. Se alguém citasse Emmett, que ninguém sabia por onde andava, Rosalie seria capaz de nem se lembrar de quem era, de tanto que ela estava apaixonada por Arthur.

— Rose! — Alice exclamou ofendida.

Eu apenas ri, me afastando do grupinho para dar mais uma olhada na boate. Minha cabeça já fervilhava de ideias para o local, o espaço era fantástico para uma galeria de artes, poderíamos fazer exposições, shows e muito mais.

Sorri olhando para o palco, lembrando-me com perfeição da primeira vez que estive ali diante ao centro de destaque da boate. Lá em cima, cantando e me seduzindo sem realmente querer, esteve Edward.

A primeira música que o ouvi cantar foi uma do Joy Division, ele estava tão sexy, eu tinha desejado tê-lo desde aquele primeiro momento. Era um jogo naquela época, eu o queria apenas para saciar meus caprichos.

Eu tinha mudado, ele me fez mudar. A vida me fez mudar também, com certeza.

Tudo aquilo com meu avô, com Caius e os Black. Não sentia falta daqueles tempos difíceis, eu sentia falta do meu avô — estava aprendendo a lidar com tudo aquilo indo semanalmente a um terapeuta, como Renée e Clary também iam —, mas com certeza sabia que a maior parte da minha vida com ele foi forjada e errada. Ele tinha se matado por fim, arrancado sua própria vida como o pai dele fez, mas o resto da linhagem Higginbotham seguiria em frente, sem deixar o passado nos jogar para baixo.

Definitivamente não sentia falta alguma dos Black, ou de Caius, era excelente que todos estivessem presos. Billy e Caius receberam penas altas por seus crimes, o que lhes deixariam preso até o fim dos seus dias, Sarah ficaria presa por bons anos até conseguir sua liberdade e já estaria velha demais quando acontecesse. Jacob... Ele tinha sido condenado à prisão perpetua por conta do assassinato de Richard, eu tinha sido testemunha no julgamento dele, mas não o defendi em nenhum instante.

— Um beijo por seus pensamentos. — Ouvi a voz soando atrás de mim, fazendo com que me arrepiasse.

— Apenas um beijo? — provoquei, ainda de costas para ele.

— O que tem em sua mente, Bonequinha?

— Muito sexo — respondi, ele riu, jogou meus cabelos por cima dos meus ombros, deixando sua boca deslizar por meu pescoço.

— Edward — gemi, enquanto ele levava uma mão a minha barriga, puxando-me para si e me beijando com mais vontade, deixando-me louca para o atacar ali mesmo.

— Você é tão gostosa, amor — ele disse, tirando seus lábios de mim, causando-me uma sensação de abandono. Entretanto, Edward logo me fez ficar de frente para ele.

Seu sorriso torto estava estampado em seu rosto perfeito, eu ainda tinha uma obsessão pelo maxilar dele, por falar nisso. Ele me beijou, capturando meus lábios em um beijo cheio de vontade.

Me empurrou gentilmente contra a base do palco, fazendo com que eu gemesse em sua boca enquanto ele me beijava e grudava nossos corpos. Agarrei seus cabelos, enquanto Edward levava suas mãos até meus seios sobre a camiseta do Brooklyn que eu usava.

— Procurem um quarto, seus indecentes! — Alguém gritou, cortando nosso clima.

Edward se afastou de mim, rindo, lambendo seus lábios. Eu gemi com a visão, principalmente com o olhar intenso que ele me lançou.

— Tudo bem, Bonequinha?

— Não, meu coração está acelerado demais, é culpa sua — acusei, ele apenas riu mais, afagando meu rosto com a ponta dos dedos.

— Como foi seu dia?

— Fui a todas as lojas de bebês da cidade com Alice, Edward! — exclamei aterrorizada. — A bebê Chloe tem mais roupas do que eu, não é um exagero.

— Sinto muito, foi um dia puxado, eu prometo cuidar de você quando formos para casa.

— Eu vou cobrar. — Apoiei minha mão em seu peito, sentindo seu coração bater, aquilo era tão bom.

Eu tinha ficado tão mal quando Edward foi baleado, pensei mesmo que o perderia. Mas, tudo tinha acabado bem. Ele passou meses sofridos durante sua recuperação, principalmente por conta do seu braço, entretanto conseguiu recuperar em quase cem por cento a mobilidade dele e estava tocando melhor do que nunca.

A The Dragons estava na fase final da produção do seu primeiro álbum, o lançamento seria em dezembro daquele ano. Todos nós estávamos animado com aquilo, principalmente por Jasper, Rose e Edward estarem apostando todas suas fichas naquilo.

Quando Edward acabou demitido da boate, não muito depois de voltar ao trabalho, ele conseguiu um emprego de meio período como garçom na lanchonete que Lizz trabalhava. O garoto era cabeça dura demais, não queria aceitar que eu tinha recuperado dinheiro suficiente para nós dois.

Entretanto, ele tinha largado o emprego não muito depois, pois precisavam focar no álbum. Rose também tinha largado o seu na falecida Night Club e Jasper o seu de instrutor de tênis.

Os três ficaram hesitantes no começo, mas Phill lhes deu garantias, ele também estava apostando muito no álbum. Eu tinha de concordar com Edward, Phill era um excelente produtor musical.

— E sua mãe?

— Nesse momento está viajando para Londres com Joe e Clary — Edward respondeu. — Foi tudo bem no aeroporto, elas estavam bem animadas.

Sorri ao ouvir aquilo.

Lizz tinha sido chamada para um encontro por Joe, algum tempo depois do britânico operar Edward. No começo minha sogra esteve hesitante, mas eu a convenci a aceitar e foi uma das melhores escolhas da vida dela.

O relacionamento dos dois era saudável, fazia muito bem a Lizz e Joe era excelente com Clarisse e com Edward, o melhor padrasto para ambos. Estavam morando juntos em um apartamento em Manhattan desde o verão daquele ano, e estavam indo passar a semana em Londres, para o aniversário de casamento dos pais de Joe, se Edward e eu não tivéssemos tanto o que fazer em New York, teríamos ido junto.

— Vamos para um bar, vocês querem ir com a gente? — Alice se uniu a Edward e eu.

— Você não está gravida demais para isso? — Edward questionou.

— Claro que não, além do mais alguém tem de ser o motorista para os outros — Alice falou. — Vocês vem ou não? — Edward e eu nos entreolhamos.

— Dispensamos! — respondemos em sincronia.

— Aff, ninguém merece vocês dois — Alice reclamou, apenas rimos.

Arthur me entregou as chaves antes de irem embora, mandando que fechássemos tudo.

— Sente falta de trabalhar aqui? — perguntei a Edward, enquanto andávamos pela antiga boate para que eu lhes contasse minhas ideias para o show de lançamento do álbum da banda.

Aconteceria ali, era algo que tive a ideia antes mesmo de comprarmos o local e todos curtiram. Seria algo menor de público, mas ainda assim seria um grande show para a história da banda.

— Não, nem um pouco — Edward respondeu, fazendo uma careta quando me soltei dele e fui subir no palco. — O que está fazendo, Bonequinha?

— Queria ver como era daqui de cima — comentei, tendo uma boa visão da boate, principalmente de Edward. — Sabe, eu estava pensando no casamento do papai e da mamãe hoje — disse, me lembrando do casamento dos dois, tinha acontecido em agosto, na praia em Coney Island.

— E pensou no nosso? — Edward sorriu, cruzando os braços por cima do peito.

— Não. — Sorri. — Mas, mal vejo a hora de ser nossa vez ano que vem. O que queria dizer era, que estive pensando naquela música que dançamos, a última, antes da festa acabar.

— Eu bebi champanhe demais aquele dia, seja mais especifica.

All You Need Is Love dos Beatles — falei, lembrando-me do ritmo da música para começar a cantar.

Eu certamente não era uma cantora, mas fiquei em cima daquele palco cantando. Edward olhava atentamente para mim, com um sorriso bobo no rosto.

There’s nothing you can make that can’t be made. No one you can save that can’t be saved*. — Continuei a cantar, vendo Edward subindo ao palco comigo, segurando em minha cintura, olhando diretamente em meus olhos enquanto eu cantava. — Nothing you can do but you can learn how to be you in time. It’s easy*.

All you need is love* — Edward começou a cantar comigo, antes de completarmos o refrão já estávamos nos beijando. — Vamos para casa?

— Já estou em casa, Garoto do Brooklyn. — Toquei em seu rosto. — Mas, eu deixo você me levar para nossa cama.

Ele não precisou ouvir mais nada, entre risos e provocações, fechamos toda a boate, saindo para a noite de sábado no Brooklyn. Andamos sem pressa pelas ruas, de mãos dadas, cantando a música baixinho entre a gente.

— Hot Dog? — Edward perguntou quando avistamos a nossa barraquinha predileta.

— Nem precisa perguntar, amor.

Paramos para fazer um lanche, enquanto víamos outro casal comendo também. Eles pareciam estar brigados, mas o garoto fez a garota rir em determinado momento e se beijaram logo depois.

Amor.

No instante que cruzamos a porta do nosso apartamento Edward e eu já estávamos nos livrando de nossas roupas, as jogando pela sala e corredor. Chegamos ao quarto já nus, ele me jogou sobre a cama, fazendo meu corpo quicar contra o colchão, então deitou sobre mim, beijando-me com extrema vontade, enquanto eu o acomodava entre minhas pernas, deixando com que ele fosse fundo dentro de mim em uma única estocada.

Sem mais camisinha para nós, só porque eu tinha começado a tomar anticoncepcional. O que era muito bom, pois adorava sentir Edward totalmente.

— Porra, eu te amo — gritei para Edward, enquanto ele me tomava para si.

— Eu te amo também, Bonequinha. — Seu olhar se encontrou com o meu no escuro do quarto. — Amo tanto. — Ele diminuiu o ritmo, o que eu teria odiado, mas ainda daquela forma foi maravilhoso para nós dois.

Nós.

— Edward? — Segurei em seu rosto, sentindo-o deslizar para fora de mim e voltar ao meu interior. — Somos um nós.

— Um incrível nós, Bonequinha.

Sorri, me agarrando ainda mais a ele.

O amor com certeza existia, era aquilo que eu sentia por Edward. O amor me salvou, o amor me deu uma vida nova e feliz.

— Amor — gemi, puxando seus cabelos.

— Isabella — ele gemeu meu nome, tocando seus lábios em minha pele quente.

Edward tinha bagunçado minha cabeça e meu coração, como fiz com ele. O Garoto do Brooklyn tinha se infiltrado sob minha pele, eu estava sob a dele. Éramos um nós, como a música que ele terminou de compor aquela noite dizia. Com certeza não era um jogo, apenas amor.

Notas finais
*Nada que você possa fazer que não possa ser feito/Ninguém que você possa salvar que não possa ser salvo; *Nada que você possa fazer, mas pode aprender a ser você a tempo/É fácil; *Tudo que você precisa é amor. Eu vou deixar para me despedir e chorar amanhã, hoje só quero dizer um muito obrigada. Beijos! Lola Royal. 28.10.17