Sob minha Pele
10 Capítulo Nove
Notas iniciais
— Capítulo Nove —
— Bella —
Como Edward podia não querer nada comigo? Quem ele pensava que era para me deixar de lado daquela forma? Deveria estar sentindo-se honrado por eu querer algo com ele, isso sim!
E o que tinha dado em mim para contar sobre Renée para um completo desconhecido? Eu estava ficando maluca, insana como a alcoólatra da minha mãe, os genes ruins que ela carregava consigo e passaram para mim estavam finalmente afetando-me. Eu devia ter esperado por aquilo, ter previsto que um dia acabaria como Renée, descontrolada, louca, estúpida.
— Bella? — Eu pisquei, recobrando a consciência, tomando conhecimento de Alice na porta da sala de música de sua mãe. — O que aconteceu? — ela indagou hesitante, entrando no cômodo, seu rosto possuía uma expressão tensa.
— Ao que se refere? — questionei, forçando um sorriso. Eu nunca contaria a ela que Edward Masen, que sequer era um nome e sobrenome conhecidos em qualquer lugar da cidade, tinha me dado um fora. Isabella Higginbotham não era dispensada, muito menos por um cara que estava muito abaixo dela na escala social. Talvez, o louco de genes ruins fosse Edward, não eu.
— Edward saiu daqui rapidamente, então disse que ia embora e Jasper foi com ele — ela murmurou. — Aconteceu algo? Está tudo certo? Nós estávamos indo bem, não? Eu não queria que Jazzy já tivesse ido.
— Oh, desculpe-me por seu namoradinho ter ido embora — falei, notando a alta dose de sarcasmo em minha voz, o que fez Alice até então preocupada, ficar furiosa.
— Isabella, se você continuar assim eu lhe expulsarei daqui mais uma vez! — ela exclamou. — E não haverá uma segunda chance, se eu te mandar embora da minha vida de novo, nunca mais deixarei com que volte. Sou sua melhor amiga, provavelmente a única amiga real que você tem no meio dessa sua vidinha fútil e vazia que leva, se me perder ficará sozinha e será tarde demais para perceber o quanto erra com as pessoas ao seu redor que realmente se importam com você.
Eu a encarei, sem conseguir dizer nada sobre sua fala, chocada demais com cada uma de suas palavras direcionadas a mim. De onde aquela Alice tão confiante tinha surgido? Ela por anos foi apenas uma garotinha tímida que se escondia atrás de mim, vivendo a minha sombra. Quando ela deixou minha proteção e assumiu um lugar de destaque sobre os holofotes?
— Eu quero continuar sendo sua amiga, Isabella — ela prosseguiu. — Mas, entre nós duas, a única que irá perder muito se essa amizade chegar ao fim, será você. Então, repense seu modo de agir, principalmente comigo, pois eu não continuarei ao seu lado se insistir em ser uma vadia.
Dito isso, ela deixou a sala. Outra pessoa que me deixava de lado aquele dia. Quando aquilo se tornou muito fácil? Eu sempre acreditei que as pessoas precisavam de mim, não o contrário.
Edward estava certo? Eu não tinha todos aos meus pés como sempre imaginei? Mas, meu avô sempre falava que nós Higginbotham, estávamos no topo, que qualquer um devia estar a baixo de nós e servir a gente, isso era a verdade absoluta, não? Minhas vontades deviam ser prioridades máximas.
Voltei a sentar ao piano, pensando em Edward e eu ali mais cedo tocando juntos. Ele era mesmo bom com música, tinha um ouvido excelente e captava tudo rapidamente. Talvez se ele não estivesse preso ao Brooklyn com sua bandinha de garagem, fizesse um sucesso real no mundo da música. Entretanto, ele não faria se continuasse ali, era apenas mais um garoto com sonho de ser um músico que nunca chegaria ao estrelato, o topo não lhe pertencia.
Quis ligar para casa, certificar-me de que Renée ainda estava viva, ou se ela tinha morrido depois de tanta ingestão de álcool, mas não me importava realmente. Seria muito mais fácil para todos nós se ela simplesmente desaparecesse para todo o sempre, ela nunca mais voltaria a ser a mulher que ensinou-me a pintar durante a minha infância, que dizia que eu era a coisa mais importante de sua vida e que ela me via como um presente especial. Ela tinha se tornado em uma bêbada idiota que destruía tudo, principalmente o nome da nossa família, eu a odiava, odiaria para todo o sempre.
***
Acordei desnorteada na manhã seguinte, levando tempo demais para me acostumar ao fato de que eu não estava em meu quarto, muito menos em minha cama, sim no quarto de hospedes que eu sempre ocupava quando ia para o apartamento dos Cullen. Eu tinha ido para lá no meio da madrugada, depois de passar o que pareceram horas sentada ao piano, tocando Clair De Lune incessantemente.
Ao chegar ao quarto, encontrei algumas roupas de Alice sobre a cama para que eu pudesse usar, assim como um roupão meu que eu mantinha no apartamento dela. Ela podia estar com raiva de mim, mas aquilo mostrou que ainda se importava comigo, ao menos um pouco, o que me fez sentir péssima por tê-la tratado mal antes.
Sai do quarto de hospedes logo depois de fazer uma visita ao banheiro, entrei no quarto de Alice, vendo-a ainda dormindo. Era cedo e ela tinha problemas em acordar antes das dez, principalmente aos fins de semana.
Joguei-me ao seu lado na cama, ela usava uma venda de olhos e um pijama com estampa de estrelas que tínhamos escolhido juntas na nossa última ida as compras, eu tinha um igual, mas o meu era azul enquanto o dela rosa. Eu tinha batido os olhos neles na loja e gritei por Alice, anunciando que nossa infância estava voltando, já que logo que nos conhecemos, por volta dos nossos nove anos de idade, Esme tinha nos presenteado com pijamas muito parecidos com aqueles quando fizemos nossa primeira festa do pijama.
— Ei, Al. — Cutuquei o nariz dela, Alice se remexeu, mas não acordou. — Al, acorde. — Afastei o cobertor dela, fazendo cócegas na lateral do seu corpo, ela riu baixinho, mais dormindo do que de fato acordada. — Acorde Raio de Sol, você está perdendo um dia muito bonito lá fora. — Continuei as cócegas, fazendo-a rir ainda mais, então levantar a venda de seus olhos. — Bom dia! — exclamei animada quando os olhos dela se abriram para mim.
— O que está fazendo aqui? — perguntou confusa, sentando-se. — Alías, o que deu em você para ser gentil com qualquer um?
Eu bufei, sentando-me também.
— Você não é qualquer um — sussurrei, vendo-a surpresa com minha frase, sua sobrancelha arqueando como se não confiasse em minhas palavras. — Estou falando sério, Al. — Suspirei alto, cruzando os braços na frente do meu corpo. — Você estava certa, é minha melhor amiga, nenhuma outra pessoa irá roubar esse lugar, eu não posso perder a única que sabe ocupá-lo tão bem quanto você sabe. Desculpe-me, de verdade, por ter sido grossa com você ontem depois que Edward e Jasper saíram. Desculpe-me por ter falado mal do seu namorado como falei outro dia. Desculpe-me por ser uma vadia com você, provavelmente a pessoa mais doce que existe no mundo. Eu prometo tentar ser uma amiga melhor, estou falando sério, só não me afaste de novo.
Alice encarou-me por um longo tempo, era como se ela pudesse ler minha mente e estivesse trabalhando em decifrar cada pedaço dessa para ter certeza de minhas palavras. Permaneci em silêncio enquanto ela fazia sua varredura, decidindo se podia ou não confiar em mim.
— Vem cá sua, idiota! — ela resmungou por fim, puxando-me para seus braços. Abri um grande sorriso, contente por Alice não estar expulsando-me mais uma vez de sua vida. Já bastava uma vez daquilo, além do mais eu ainda não tinha superado ter levado o primeiro fora de um cara, maldito Edward.
— Okay, pare de ser tão melosa. — Não demorei muito a afastá-la, Alice apenas riu, limpando uma lágrima solitária que escorreu por seu rosto.
— Olá! — Esme surgiu na porta do quarto de Alice, nos olhando com curiosidade.
— Ei mãe.
— Oi senhora Cullen — murmurei, temendo o que Alice podia ter dito a ela para justificar minha ausência nas duas últimas semanas.
— Esme, Bella — ela falou, lançando-me um olhar sério, mas sorriu em seguida. — É bom vê-la por aqui novamente, estou feliz por isso, vocês se entenderam? Quer dizer, sobre sei lá o que lhes fez ficarem desentendidas pelos últimos dias.
— Sim, estamos bem agora. — Alice afagou meu braço gentilmente, eu assenti, sorrindo para ela e então para Esme.
— Ficaremos melhores ainda se você nos der um pouco de torta de chocolate, Esme.
Ela riu suavemente.
— Eu posso lhes dar panquecas, Carlisle e eu acabamos de voltar do hospital e ele está lá embaixo preparando nosso café da manhã.
— Eba! — Alice pulou para fora da cama. — As panquecas do papai são incríveis, ele é o melhor do mundo, sempre sabe o que fazer para me fazer feliz.
O sorriso em meu rosto morreu ao ouvir aquilo, por que Alice tinha de ter pais tão incríveis? Tudo que sobrava para mim era a alcoólatra, que certamente não era como Esme. E meu pai, um cara que sequer devia saber que eu gostava de panquecas, um homem que foi embora do país quando a filha tinha pouco mais de três anos e não se importou em perguntar se ela queria ir junto. Eu o odiava também, talvez um pouco menos do que odiava minha mãe, pois ele ao menos estava longe, ela estava ali diariamente causando-me fúria constante.
— Bella, vamos? — Alice chamou da porta do quarto, parada ao lado da mãe. Família perfeita, somando Carlisle a conta, eu nunca teria aquilo, mas não precisava, eu tinha meu avô, ele era o único familiar que realmente me importava. Nós dois éramos suficiente um para o outro, nós carregaríamos o nome dos Higginbotham com todo o zelo que ele merecia.
— Claro. — Voltei a sorrir, mas daquela vez não por ter feito as pazes com Alice, ou por estar ganhando panquecas no café da manhã, sim por saber que eu tinha muito sendo uma Higginbotham, o nome que sempre me encheria de orgulho.
***
Como eu já bem sabia, as panquecas de Carlisle Cullen eram as melhores. E, por um tempo, estar entre os Cullen novamente, tirou minha mente de todos os acontecimentos terríveis vividos por mim na noite passada entre Renée humilhando-me na frente de todos na casa de Carmen e Edward desprezando-me. Porém, não demorou muito para que o dia anterior viesse à tona.
— O que vocês fizeram ontem, garotas? — Carlisle perguntou, passando-me mais uma panqueca. Eu engordaria, mas pelo menos estava comendo algo bom, valia a pena.
— Ah. — Alice abriu um grande sorriso. — Jasper veio para cá junto de Edward, o melhor amigo dele, então nós duas. — Ela gesticulou de mim para si. — E eles dois fizemos uma sessão de cinema.
Agradeci por ela não mencionar nada sobre o estado que cheguei ali para aquela “sessão de cinema”.
— Jasper é um garoto de ouro — Esme disse, Carlisle assentiu em concordância. — Ele é muito bom para Al. — Ela afagou o rosto da filha. — Muito melhor do que James foi.
— Não, nem lembre-me daquele garoto — Carlisle pediu, revirando os olhos. — É só mais um filhinho de papai sem cérebro, estou feliz que você encontrou alguém decente, filha — falou para Alice, que continuava sorridente. — Jasper tem um trabalho, é inteligente e honesto, tudo que eu podia esperar para minha garota.
Mordi minha língua, sem querer causar mais caos. Mas, quem em sã consciência preferia um instrutor de tênis a um herdeiro como namorado de sua filha? Os Cullen estavam loucos, Alice devia chutar a bunda de Jasper e voltar correndo para James antes que fosse tarde demais para isso.
— Conte-nos sobre Edward, ele trabalha no clube com Jasper? — Esme perguntou a Alice, mordi minha língua ainda mais forte ao ouvir falar sobre aquele cara.
— Hum, não. Edward e Rosalie, a irmã do Jazz, trabalham em uma boate, no bar. Eles também estão na banda do Jasper, Edward é o vocalista — Alice contou.
Bufei, irritada demais por estarmos falando de Edward, aquilo estava estragando meu café da manhã.
— Tudo bem, Bella? — Carlisle me perguntou.
— Claro — menti, Alice riu baixinho.
— Edward é realmente legal, Jasper sempre falou muito bem dele — ela completou.
— Ele é tão convencido — falei entre dentes.
— Você também é! — Alice rebateu.
— Bom, assim que possível seria ótimo conhecer não só Edward, como a irmã de Jasper também — Esme disse.
Claro, por que aquela garota era muito melhor do que Edward. Eles se mereciam.
— Jasper vai me encontrar no clube hoje para jogarmos um pouco, você vem comigo? — Alice perguntou-me, eu pensei em recusar, mas a ideia de voltar para meu apartamento e ter de lidar com Renée era muito pior do que a de aturar o instrutor, além do mais eu aparentemente tinha firmado o compromisso com Alice de ser educada com ele.
— Claro.
Mais tarde naquela manhã, Alice e eu chegávamos ao clube que frequentávamos. Ela logo nos conduziu em direção as quadras de tênis, já vestida a caráter para o jogo com seu namoradinho, eu tinha assaltado seu closet e pego um vestido seu para usar, sabendo muito bem que não ia querer jogar aquele dia.
Jasper já estava na quadra, aquecendo-se. Ele sorriu ao ver Alice, então saiu correndo em direção a ela, tomando-a nos braços e lhe dando um beijo.
— Oi Jazzy! — ela cantarolou quando o beijo acabou, sorrindo de forma travessa para o namorado.
— Arg Alice, sabe que odeio esse apelido — ele reclamou. — Oi Bella — falou comigo, seu sorriso para mim era claramente forçado, ótimo, nós dois sabíamos que nunca estaríamos na mesma página.
— Oi. — Fui sentar no banco próximo a quadra, carregando comigo a bolsa de Alice, jogando-a junto a do seu namoradinho que estava ali.
Os dois começaram a jogar imediatamente, Alice já era muito boa em tênis antes de conhecer Jasper. Entretanto, assim que o viu pela primeira vez no clube, dando aulas para algumas crianças, ela milagrosamente desaprendeu a jogar para que ele pudesse ensiná-la, o resto era história.
Eu não era a maior fã de esportes, mas jogava tênis muito bem. Joguei com Jasper algumas vezes e ganhei todas, ou perdi por muito pouco. Talvez fosse por isso que ele também não ia com a minha cara, eu conseguia ser tão boa quanto ele que ganhava para aquilo.
Ouvi uma música próxima a mim, o que tirou minha concentração do jogo, onde Jasper já ganhava da namorada. Segui o som, vendo o celular em cima da mochila de Jasper, a música era um rock gritado qualquer, mas o que me chamou a atenção foi o nome ali.
Edward.
Sem pensar muito naquilo, tomei o celular em mãos, o atendendo.
— Jasper. — A voz de Edward soou por meus ouvidos, em uma relação involuntária do meu corpo, senti meu coração bater mais forte. Provavelmente por eu estar atendendo o celular de Jasper.
— Olá, Edward! — exclamei quase cantando, ouvi algo cair do outro lado da linha.
— Porra! — ele xingou. — Isabella? O que diabos está fazendo com o celular de Jasper? — indagou irritado.
— Ele e Alice estão jogando, eu vi seu nome e atendi, pensei que podia ser algo sério — falei, levantando-me do banco, deixando a área da quadra de tênis. — Tudo bem, Edward? — Ele não era estúpido, certamente estava notando a ironia em minha voz.
— Não lhe ensinaram que não pode atender ao telefone dos outros, senhorita Higginbotham? — ele perguntou, eu também não pude deixar de notar certa diversão em sua voz.
— Eu devo ter faltado a essa aula, senhor Masen — respondi.
— Bom, talvez você devesse voltar a sua escola de etiqueta em Upper East Side e tomar algumas aulas novas.
— Por que você não me beijou? — questionei, ouvindo-o suspirar.
— Você sabe que tem um namorado, não? É o que todos ao menos sabem.
Eu ri, como se trair Jacob fosse algo que eu nunca tivesse feito antes.
— Você então me beijaria se eu não tivesse um namorado, não? — Ótimo, aquilo justificava o fora do dia anterior, ele não era imune a mim, apenas estava pensando no idiota do Black.
— Não — Edward respondeu sério, fazendo com que eu parasse de andar. — Deixa eu lhe contar algo, Isabella, pode ter vários caras correndo atrás de você, mas não te acho atraente. — Apertei o celular de Jasper em minha mão, querendo que fosse o pescoço de Edward, eu era linda, como ele podia não me achar atraente? — Talvez por sua personalidade terrível, quem sabe. A questão é, você e eu, isso não funcionaria nem mesmo por uma noite. Se nós nos vermos uma próxima vez, não se jogue de novo para mim como fez ontem, irá apenas ficar mais brava por ser recusada outra vez. Devolva o celular de Jasper agora, senhorita Higginbotham, isso até pode ser considerado roubo. — Ele desligou, sem me dar tempo de falar qualquer coisa.
Irritada, voltei a quadra de tênis. Coloquei o celular de Jasper no lugar, interrompi o jogo e avisei a Alice que precisava ir para casa, revoltada demais para ficar ali.
Assim que cheguei ao meu apartamento, segui para meu atelier de pintura, querendo lidar um pouco com algo fora do real e tirar Edward da minha cabeça. Eu nem mesmo sabia porque estava pensando tanto nele, o cara nem era tudo isso para querer o tanto.
Abri a porta do atelier, deparando-me com Renée lá dentro, o que me surpreendeu. Ela não estava pintando, nem nada, ela não fazia aquilo tinha muito anos. Porém, observava um quadro que tinha pintado durante minha infância, onde podia-se ver o retrato dos meus olhos castanhos, o que ali me fez perceber que desde o dia anterior eu estava andando por ai sem qualquer lente de contato.
— O que está fazendo aqui, Renée? — Ela girou para me olhar, seu rosto estava cheio de lágrimas e ela parecia tão magra como se a qualquer momento fosse quebrar.
— Desculpe-me, Isabella — pediu baixinho. — Por tudo, filha, desde sempre errei muito.
Como se ela pudesse consertar a vergonha que me fez passar, uma entre várias outras, com simples palavras tolas.
— Odeio você — murmurei, sentindo o nó na minha garganta.
— Isabella, eu te... — ela começou a falar, mas calou-se abruptamente, encarando algo atrás de mim.
Eu segui seu olhar, vendo-o ali. Alto, cabelos grisalhos, óculos de grau, terno Armani e um sorriso no rosto. Era meu avô, Marcus Higginbotham estava de volta à cidade.
— Vovô! — gritei, pulando em seus braços.
— Senti sua falta. — Ele retribuiu o abraço, então segurou em meu rosto, seus olhos claros como os de Renée focados nos meus. Eu sabia que ele estava estranhando a cor castanha ali, anotei mentalmente em logo comprar lentes novas.
— Eu também senti sua falta — falei sorridente. — Mas, não pensava que voltaria tão cedo.
— Algumas coisas precisam ser resolvidas por aqui. — Ele olhou para Renée. — Você se comportou em minha ausência?
— Sim — ela mentiu a voz vacilante e assustada, eu quis contar sobre o acontecido no jantar, mas decidi deixar aquilo de lado. — Sim, eu me comportei, papai — ela frisou, encolhendo-se ao dizer aquilo.
— Boa garota. — Ele balançou a cabeça de forma positiva para ela, voltando-se para mim. — Mas, você é quem sempre será minha garota preferida, Bella.
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