Sob minha Pele

20 Capítulo Dezenove


Notas iniciais
Capítulo dedicado a Nah Cullen Carvalho e Mandy Schalfer, muito obrigada por recomendarem, meninas :D O atraso de duas semanas em SmP foi por conta de um somativo de problemas, não vou ficar me estendendo aqui, mas eu sempre aviso quando não terá capítulos no grupo do Facebook, quem quiser entrar aqui o link: https://www.facebook.com/groups/1118626184823257/ Boa leitura ♥

— Capítulo Dezenove —

— Bella —

Aquele beijo poderia ser definido em uma única palavra: intenso.

Intenso não apenas por ter sido rápido, mas por ter mexido comigo muito mais do que imaginei que seria capaz de mexer. Eu tinha passado dias pensando como seria beijar Edward Masen, até mesmo transar com ele, mas ali percebi que nada que fantasiei chegava perto da realidade. Então, foi intenso, pois aquele beijo superou cada uma de minhas expectativas.

Em um segundo eu estava apenas comemorando o fato de que minha mãe estava se recuperando, no outro já estava nos braços de Edward, o beijando. Eu dei inicio ao beijo, sentindo-o pela primeira vez completamente junto a mim, por um instante pensei que Edward não retribuiria, estava sentindo-me pronta para suportá-lo deixando-me de lado outra vez, mas não foi o que aconteceu.

Uma de suas mãos permaneceu em minhas costas, puxando-me ainda mais para perto de si, enquanto a outra ia até a parte de trás da minha cabeça, seus dedos infiltrando-se em meus cabelos. Eu tinha minhas mãos em seu pescoço, meu corpo moldado ao de Edward permitindo-me sentir o calor emanando dele, permitindo-me sentir até mesmo o coração em seu peito batendo.

Seus lábios eram macios contra os meus, sua língua explorava minha boca e ele tinha um quente e ardente gosto de menta, provavelmente proveniente de pasta de dente. Eu adorei tudo aquilo, a forma como mesmo em tão pouco tempo Edward me proporcionou um dos melhores beijos de toda minha existência.

Entretanto, tão rápido começou, rápido acabou. Ele afastou nossas bocas, sua testa repousando sobre a minha, enquanto suas mãos e as minhas permaneciam nos mesmos locais de antes, enquanto nós dois normalizávamos nossas respirações desreguladas graças ao beijo.

Eu sabia que tinha de ir chamar por alguma enfermeira, ou por Carlisle, Esme, qualquer um da equipe cuidando da minha mãe para que pudessem a avaliar depois do curto tempo que ela esteve desperta. Mas, a ideia de me afastar de Edward e voltar para o pesadelo que estava sendo minha vida naquela última semana era assustador.

Só queria continuar ali, em seus braços, o beijando e sentindo mais e mais dele. Aquilo parecia tão bom, tão tranquilo e tão perfeito. Foi, talvez, a primeira vez que me senti totalmente em paz em estar com outra pessoa. Eu sempre estava irritada, ou estressada com Jacob. E, quando acabava me envolvendo com outros caras, no fundo sempre me sentia inquieta demais, buscando por algo que não encontrava.

No entanto, minha fuga foi atrapalhada quando ouvimos a porta do quarto se abrir. Edward e eu parecemos abrir nossos olhos ao mesmo instante e, seus olhos verdes não tinham brilho algum, ele estava visivelmente sério, nem mesmo irritado com o que tinha acabado de fazer, somente sério.

Suas mãos saíram de mim rapidamente, fazendo com que eu me sentisse deixada de lado como também imaginei que ele acabaria fazendo. Aquele ainda era Edward Masen, o cara do Brooklyn que no começo tratei como apenas mais um que devia ajoelhar-se a minha frente e me louvar, mas ele não era aquilo e provavelmente estava arrependido de ter cedido a mim, ainda que por um único instante.

— Tudo bem por aqui? — A voz de Esme, soando muito curiosa de uma forma próxima a que a de Alice soava, chegou até mim. Tirei meus olhos de Edward, que continuava me avaliando com o mesmo olhar sério de antes, voltando-me para Esme na entrada do quarto. O olhar dela, no entanto, era cheio de curiosidade e ela mal podia esconder um sorrisinho.

— Tudo — murmurei, desejando que ela não tivesse entrado no quarto naquele momento. Não por apenas atrapalhar meu momento com Edward, mas por ter nos visto juntos, ainda que tivesse perdido o beijo, o que ela viu foi o suficiente para tecer teorias muito próximas à realidade em sua mente e eu não queria aquilo. Sabia que Edward e eu nunca poderíamos estar juntos de verdade, por uma infinidade de motivos, não precisava de ninguém, nem mesmo Esme, sabendo que um dia nós dois estivemos perto de estarmos juntos pra valer.

— Renée acordou — ele murmurou também, sua voz era enrouquecida, mas Esme o escutou muito bem.

— Renée acordou? — ela indagou, arregalando os olhos, qualquer vestígio de curiosidade sendo varrido para longe de si ao focar-se no mais urgente ali. Esme cruzou o quarto até a cama onde minha mãe estava, novamente apagada.

— Não durou muito tempo, apenas abriu os olhos, parecia perdida e completamente confusa — contei, vendo a mãe de Alice em seu modo médica examinando Renée.

— Ela se moveu? Mãos, pés?

— Não — Edward respondeu por mim.

— Isso é ruim? — perguntei a Esme. — Ela teria falado caso não estivesse com a máscara de oxigênio, não é?

— Não podemos afirmar isso — Esme respondeu. — Você sabe, que ela pode ter sequelas, querida. E isso pode atingir a fala dela também.

Suspirei, sentindo meu coração parecer diminuir de tamanho. Só queria minha mãe bem de uma vez por todas, queria a tirar daquele hospital tão monocromático e frio, nós poderíamos ir para um lugar quente por algumas semanas para relaxar, ela amava praias e o Sol.

— Mas, ela acordou — Esme continuou a falar. — Isso já é um grande progresso, Isabella, acredite.

— Tudo bem — cedi, querendo acreditar naquilo. Alice vinha falando que eu devia ser mais otimista, mas era complicado, não era fácil ver minha mãe completamente incapacitada sobre aquela cama, mas me agarrei à fala de Esme, que com Renée acordada tudo a partir dali seria progresso.

— Eu devia ir embora — Edward sussurrou, enquanto Esme continuava a avaliar minha mãe.

— Não, por favor, não — pedi, tentando tocar em seu braço, mas Edward se afastou.

— Eu realmente devo ir embora, Bella — reforçou sua frase, caminhando até a porta. Quis ir atrás dele, mas não deixaria minha mãe, não quando ela estava voltando para mim.

— Talvez vocês devessem dar uma volta até a lanchonete — Esme sugeriu. — Enquanto chamo o resto da equipe para me ajudar com Renée. — Eu hesitei, com medo de que no instante que deixasse aquele quarto Renée corresse o risco de regredir em seu começo de melhoria. — Ela ficará bem, Bella. Agora, vá — Esme garantiu, gesticulando com a cabeça para onde Edward estava parado junto à porta.

Toquei na mão de Renée mais uma vez, antes de me voltar para a saída do quarto.

— Até mais — Edward murmurou para Esme, saindo antes de mim, caminhando a passos apressados até o elevador.

— Edward, por favor, me espera — pedi, tentando seguir seu ritmo.

Ele apertou o botão para descer, praticamente quebrando a peça por fazer aquilo com certa estupidez.

— Edward...

— Não foi para isso que vim aqui, Isabella! — exclamou, entrando no elevador no instante que ele chegou ao andar, mas não continuou a falar por ter algumas pessoas ali dentro.

Eu fiquei do outro lado do elevador, ao lado de dois médicos que comentavam sobre a parte nojenta de uma cirurgia estomacal que um deles tinha feito aquela manhã. Edward, em seu lado, parecia querer sair correndo do elevador o quanto antes.

— Por favor, me escute — implorei quando o elevador ficou vazio no térreo, agarrando o braço de Edward para que ele não saísse, logo entrelaçando nossas mãos.

— Isabella...

— Por favor — insisti mais uma vez, o puxando para a garagem do subsolo quando chegamos ali.

Sua mão a minha, um toque quente, só me dava mais vontade ainda de beijá-lo. Não tinha mais volta, eu podia me manter as cegas antes de tê-lo beijado, mas depois não. Não enquanto tinha total conhecimento de quanto aquilo era bom, só queria mais e mais.

— Puta merda — Edward xingou quando disparei o alarme da minha Ferrari com as chaves que tinha em meu bolso, para que pudéssemos entrar ali e conversar com mais sossego, longe de qualquer curioso que pudesse aparecer. Os jornalistas já tinham oficialmente ido embora, mas nunca se sabia quando poderiam voltar na surdina. — Você tem a droga de uma Ferrari? — ele perguntou, seus olhos verdes olhavam para o carro com extrema admiração.

— Sim, que seja, entre. — Apontei para o banco do carona.

— Não, eu...Isso, que merda. — Passou a mão livre pelos cabelos, visivelmente ansioso e confuso.

— Vá para o banco do motorista, Masen. — O empurrei para lá, vendo que ele estava realmente deslumbrado com o carro. Edward hesitou por um instante, mas acabou seguindo até a Ferrari.

— Quando você o ganhou? Ainda tem cheiro de novo! — comentou, parecendo parcialmente esquecido do motivo que nos levou até ali.

— Em março, eu acho, não tenho muita certeza. — Dei de ombros, vendo Edward colocar suas mãos ao redor do volante.

Sorri para toda sua fascinação com o carro, eu não ligava muito para carros, mas ele parecia gostar bastante, principalmente se tratando de uma Ferrari. Ainda assim, qualquer carro, mesmo um dos mais caros, ficava em segundo plano com Edward ao lado.

— Você é lindo — eu disse as palavras, sem conseguir me conter.

As mãos de Edward se fecharam com força ao redor do volante, ele suspirou e por fim voltou o olhar para mim.

— O que você está querendo, Isabella?

— Como assim? – indaguei confusa.

— Comigo, o que diabos quer comigo? — questionou, esfregando o rosto com ambas as mãos, parecendo exausto.

— E-Eu — gaguejei, sem saber o que responder. Antes seria fácil, apenas diria que o queria rastejando aos meus pés, mas não era mais dessa forma.

— Eu disse que seria seu amigo, Isabella, estava cumprindo isso muito bem, ou ao menos o melhor que poderia — ele disse, seu olhar continuando sobre mim. — Não queria mais nada além disso com você, Bonequinha — sussurrou, fazendo com que eu engolisse em seco.

— Quer dizer que não gostou do beijo? — o confrontei, minha voz soando afiada e irritadiça, Edward riu, apoiando a cabeça no volante e ficando calado por um tempo, até que voltou a erguer o rosto na minha direção.

— Gostei — respondeu por fim. — Mas, não deveria ter acontecido.

— Por que não?

— Sério? Você precisa mesmo que eu te responda isso, Bella? — Ele revirou os olhos verdes. — Você tem um namorado, está lembrada? Na verdade, pelo que Alice disse, um noivo.

— Foda-se o Jacob — resmunguei, inclinando-me na direção de Edward, querendo mais dele, mas o ruivo prontamente me afastou empurrando meu ombro delicadamente.

— Não sei que tipo de relacionamento você e o tal Jacob tem, Isabella, mas não quero fazer parte disso, está bem? — falou com seriedade, como também com confiança em cada palavra proferida.

— Eu odeio Jacob — confessei, Edward franziu o cenho.

— Por que está noiva dele, então?

Porque era o certo a se fazer, mas Edward não entenderia isso, então apenas deixei a pergunta passar.

— Acho que isso é o fim de uma amizade estranha, Bella — ele murmurou, desviando o olhar para fora do carro.

— O quê? Como assim? — perguntei ficando desesperada, ele exalou alto.

— Sua mãe está acordando, Bella. Você tem um noivo, uma vida em Manhattan, terá muito com o que ocupar sua cabeça. — Ele olhou para mim rapidamente. — Sua mente deve estar uma bagunça total desde que Renée sofreu a overdose, eu entendo isso, você projetou em mim algum tipo de apoio e está confundindo as coisas.

— Edward, não, não — pedi. — Nós ainda podemos ser amigos.

— Bella, isso nunca foi uma amizade para você! — ele exclamou, encarando-me. — Eu te deixei irritada no primeiro momento que conversamos e você me quis como um prêmio para poder provar a si mesma que não estava sendo rejeitada.

Engoli em seco novamente, talvez ele estivesse certo, mas só no começo, não era mais assim. Eu gostava de Edward, da amizade dele, ele era inteligente e divertido, fora suas óbvias qualidades físicas, eu tinha passado a enxergá-lo melhor.

— Você disse que não me deixaria só — sussurrei, os ombros dele caíram ao ouvir aquilo, Edward pensou por um tempo e tomou minha mão na sua, depositando um beijo nos nós dos meus dedos.

— Desculpe por isso, Bonequinha.

— Edward, não. — Meus olhos se encheram de lágrimas.

— Eu realmente não tenho sido bom com promessas. — Sua mão quente continuava na minha. — Mas, será melhor para nós dois dar um basta nisso antes que percamos o controle.

— E se eu não estivesse mais com Jacob, Edward? E se eu rompesse o noivado?

Não que eu fosse fazer aquilo, não podia. Porém, poderia ao menos fantasiar como seria.

— Você acha que nós dois realmente poderíamos ter qualquer coisa, Isabella? — questionou descrente. — Sinceramente? Acho que um já provou ao outro o suficiente sobre virmos de lugares totalmente diferentes, indo para direções ainda mais opostas. Não há lugar para mim em sua vida e definitivamente não há lugar para você na minha.

Aquilo me quebrou, eu colei minhas costas na porta do carona, absorvendo o que ele tinha dito.

— Você me odeia — murmurei.

— Bella, eu não te odeio.

— Então, por que não há lugar para mim na sua vida?

— Bella, por favor, seja mais perceptiva.

— Há lugar para você na minha vida — o contrariei, contrariei a mim mesma, pois sabia a verdade. Edward negou com um aceno de cabeça.

— Não, não há, Isabella. Com ou sem Jacob em sua vida, não importa, eu continuarei sendo uma peça que não se encaixa em seu mundo. — Ele apertou minha mão uma última vez antes de soltá-la. — Está tudo bem por isso, Bella.

— Não, não está nada bem, você disse que seria meu amigo, Edward.

— Não posso ser, Isabella — negou.

— Por que não?

Edward hesitou, mas respondeu:

— Porque eu não quero acabar apaixonado por você, Isabella, então tenho de cair fora enquanto há tempo, antes disso se tornar um caos.

Escondi meu rosto entre minhas mãos, tentando não surtar com as palavras dele. Claro que Edward não estava apaixonado por mim, claro que ele não gostava de mim daquela forma. O que tinha para gostar? Eu era um poço de arrogância, de futilidade e de tudo mais que o guitarrista desprezava.

— Preciso ir agora, Bella — Edward falou depois de um período de silêncio. — Espero que sua mãe se recupere bem, o quanto antes.

Tirei meu rosto das mãos, olhando para o Masen.

— Nós nunca mais nos veremos?

Edward passou a mão pelos cabelos outra vez.

— Eu não sei, Isabella. Se tem algo que aprendi com a vida é que essa droga de destino sempre é capaz de nos surpreender, eu não esperava perder meu pai quando era só uma criança, nunca pensei que estaria em uma Ferrari e... — Seus olhos encontraram-se com os meus. — Definitivamente nunca pensei que ia acabar beijando você.

— Desculpa — pedi. — Por ter te beijado.

— Eu não reclamei disso. — Ele bufou, seu celular tocou, Edward o pegou e pude ver que era sua mãe ligando.

— Você pode atender.

Ele me avaliou por um instante, mas aceitou a chamada, levando o aparelho até sua orelha.

— Hey, mãe — saudou Elizabeth. — Sim, eu estou bem. — Ele fechou os olhos, friccionando uma mão em sua testa. — Não, já deixei o cemitério. — Uma pausa. — Certo, falo com você outro dia. — Outra pausa. — Eu também te amo, mãe. — Ele desligou em seguida, apertando o celular em sua mão.

— Clary está bem? — Edward assentiu. — Sua mãe? — Um aceno negativo de cabeça.

— Não, mas espero que um dia ela fique, espero que um dia ela possa superar a tragédia que foi perder o papai. — Edward pigarreou, enfiando o celular em seu bolso novamente. — Eu preciso ir, Isabella.

Ele sequer voltou a me olhar antes de sair do carro, caminhando rapidamente em direção ao elevador da garagem.

Eu estava saindo da Ferrari, ainda tentando ordenar meus pensamentos, quando meu próprio celular tocou. O atendi, sem sequer me importar em checar quem era ligando.

— Isabella!

— Oi, vovô — murmurei, encostando-me ao carro.

— Acabaram de me ligar do hospital, é verdade que Renée acordou?

Eu sorri, mesmo depois de Edward rompendo qualquer tipo de ligação que tivemos, estava feliz por minha mãe.

— Sim, não é incrível? Eu estava com ela quando aconteceu, ainda parece um sonho! — comemorei.

— Ela disse algo? — ele perguntou, não parecia nada contente, sim sério, como se estivesse falando sobre negócios.

— Não, ela...

— Não? Okay! — me interrompeu. — Eu voltarei para New York quanto antes, deixe esse hospital e vá passar o dia com Jacob, não pode esquecer totalmente do seu noivo.

Ele desligou em seguida, sem qualquer tipo de despedida.

Suspirei, pensando em como vovô devia estar no limite de suas forças diante toda aquela confusão com Renée. Além de aquilo com certeza estar remetendo ao seu pai, ele ainda teve de lidar com a imprensa, os Black receosos e no meio disso tudo os negócios.

Vovô precisava de um tempo, eu tinha medo que ele acabasse doente por estar tendo de lidar com tanta coisa. E, tudo que me faltava naquele momento era perdê-lo, não poderia perder mais ninguém, não depois de Edward.

Quer dizer, não era como se um dia eu realmente tivesse o tido verdadeiramente para mim. Apenas um amigo, uma amizade que joguei para o ralo quando o beijei, quando não contive aquele sentimento gritante dentro do meu peito que queria tê-lo.

Antes que eu pudesse me frear, estava chorando, achando-me bem estúpida por isso. Nunca tinha chorado por cara nenhum, nunca, era estranho e assustador, mas incontrolável.

Meu peito doía, ou seria meu coração? Eu só sabia que doía pra valer e sequer sabia realmente o motivo de tanta dor.

Deslizei até o chão da garagem, usando o carro de apoio. Estava exausta de tudo aquilo, de não saber mais o que estava acontecendo em meu mundo, por ter quase perdido minha mãe, por ter afastado Edward, por estar noiva de Jacob.

— Ei, garota, tudo bem? — Ouvi alguém perguntar com um forte sotaque britânico.

Segui o som da voz, vendo um homem alto, de cabelos e olhos escuros, barba por fazer. Ele era bonito, muito, deveria ter por volta dos quarenta anos e, julgando a maleta e o jaleco em suas mãos deduzi de que ele era um médico ali do hospital.

— Tudo. — Sequei as lágrimas do meu rosto.

Ele assentiu, mas não pareceu estar convencido, aproximou-se de mim e agachou no chão ao meu lado.

— Como se chama?

— Bella — evitei dizer meu sobrenome, não pareceu importante naquele momento.

— Certo, Bella. — O homem assentiu uma segunda vez. — Sou Joseph Owen. — Esticou uma mão para mim, eu a apertei, sentindo o toque seguro. — Sou médico cirurgião, começando hoje aqui no hospital, há algo em que possa ajudá-la?

— Aposto que não. — Funguei, limpando a nova rodada de lágrimas que chegaram ao meu rosto.

— Você está doente? Ou está acompanhando alguém aqui no hospital?

— Acompanhando — respondi.

— Eu sei que isso pode ser difícil — Joseph falou. — Ver alguém próximo de nós em um hospital, eu mesmo já estive na condição de acompanhante e de paciente antes, mas quando somos acompanhantes precisamos nos manter fortes para dar suporte ao paciente.

— Minha mãe acordou do coma, mas eu não sei até onde as sequelas dela vão, não sei se ela vai voltar a ser ela mesma — contei, eu estava transbordando de felicidade por ela estar acordando, mas não podia ignorar os medos do que aconteceria dali para frente quanto a sua saúde. — E, eu acabei de fazer uma besteira, que fez um amigo se afastar de mim. — Nem sabia porque estava desabafando com um estranho, mas naquele momento pareceu algo que realmente era capaz de aliviar o estresse que estava sentindo. — Pode apostar, senhor Owen, tudo que eu não sou no momento é forte.

— Pode me chamar de Joe — ele disse. — E, deve ficar sabendo que somos mais fortes do que julgamos ser, Bella.

Eu neguei com um aceno de cabeça.

— Quem é você? Algum tipo de conselheiro do colegial?

— Não, eu não acho que isso serviria para mim. Até porque estive boa parte do colegial na sala do meu conselheiro reclamando da vida. — Ele sorriu amigavelmente, fazendo com que eu sorrisse também. — Acredite, quando achamos que nossas forças estão esgotando, Bella, é quando elas se renovam.

— Isso não vai fazer minha mãe melhorar milagrosamente, ou que eu consiga a amizade que perdi de volta.

— Não, mas deixar a fraqueza te dominar não te levará para frente, no entanto. Ou ficaria estancada no lugar que está, ou regrediria.

— Obrigada, eu acho.

— Se nos cruzarmos novamente no hospital deixe-me saber como sua mãe está, Bella. — Ele apoiou uma mão no meu ombro, de uma forma que me lembrou de Carlisle quando ele estava dando algum tipo de apoio à Alice, uma forma paternal.

— Tudo bem, Joe. Mas, eu ainda acho que você é um conselheiro estudantil disfarçado — brinquei, ele riu, colocando-se de pé. Estendeu uma mão para mim, ajudando-me a levantar também.

— Viu? Você até parou de chorar, resultado de que meu disfarce funcionou e agora posso voltar para meu escritório na escola mais próxima.

— Claro, mas prepare-se para os adolescentes idiotas debochando sobre seu sotaque. — Abracei meu próprio corpo, olhando para a Ferrari que Edward tanto tinha adorado. — Alguma dica de como reconquistar um amigo?

— Vale a pena?

Eu não precisei pensar para ter minha resposta.

— Vale, ele é maravilhoso e estava me fazendo muito bem. O problema é em mim, Joe, no que eu sou, nas pessoas me cercando. — Pensei em Jacob, em todos os Black, em Paul, um dos melhores amigos do meu noivo, com quem eu tinha o traído. Paul era detestável, em pensar que quase coloquei Edward naquele mesmo patamar.

— Então, talvez seja necessário reparar tudo isso antes de reconquistar o seu amigo...

— Edward — lhe dei o nome.

— Isso, Edward. — Joe consultou a hora em seu relógio de pulso. — Tenho de ir para o trabalho agora, Bella. Fique bem e lembre-se do papo de conselheiro sobre buscar forças, tenho certeza de que você ficará bem.

— Você tem filhos? — Não consegui deixar de perguntar, aquele homem parecia um pai. Lembrava-me Carlisle, lembrava-me de como vovô era comigo, era como eu imaginava que o pai de Edward tinha sido e também me fazia lembrar de tudo que meu próprio pai não era comigo.

— Não — Joe negou. — Mas, me disseram que New York tem mulheres interessantes, então espero que minha conta no site de relacionamento me leve a uma boa com quem eu possa ter uma família — disse brincalhão, eu gargalhei.

— Cuidado com golpistas, Joe — alertei.

— E você, Bella, espero que se acerte com seu namorado.

— Meu namorado?

— Edward.

— Oh não, ele é só um amigo mesmo — me apressei em dizer, Joe já estava um pouco longe, então gritou para mim.

— Bom, você claramente está apaixonada pelo seu amigo, Bella.

Eu o que?

Não, com certeza não, Joe era algum pirado, isso sim. Eu não podia estar apaixonada por Edward, nunca estive apaixonada por ninguém e...Isso explicaria a dor no meu coração quando ele se foi?

Peguei meu celular, pronta para ligar para Alice, querendo que ela fosse até ali para ajudar a colocar minha mente no lugar. Então, voltei a pensar no meu pai, em minha mãe na UTI acordando e de como o casamento deles tinha acabado.

Eles um dia tinham sido apaixonados um dia, não? Por isso casaram e me tiveram, como eu podia confiar naquele sentimento quando tinha visto o casamento dos meus pais acabar? Quando vi meu pai embarcar para o outro lado do mundo sem hesitação alguma? Quando vi ano após ano ele se distanciar ainda mais de sua única filha?

Aquilo nunca tinha feito sentido para mim, paixão, amor, nunca. Mas, desde que vi minha mãe naquele chão do banheiro passei a querer o entender melhor. Entender aquele sentimento que até então eu escondia de mim mesma, por temer me machucar mais do que podia suportar.

Mas, não era isso que Joe tinha dito? Sobre ser forte e buscar forças mais e mais? Bom, talvez ele estivesse certo.

Liguei para o número do meu pai, ele demorou um pouco para atender, mas atendeu.

— O que foi, Isabella? — Sua voz era ríspida.

— Oi p... — Não, eu não conseguia chamá-lo de pai em voz alta. Talvez um dia, se nós trabalhássemos em resgatar aquela relação que para mim nunca existiu de fato. — Oi, Caius, nós podemos conversar por um minuto?

Notas finais
Joe mal chegou e já o amo :3 Beijos! Lola Royal. 08.04.17