Sob minha Pele
30 Capítulo Vinte e Nove
Notas iniciais
— Capitulo Vinte e Nove —
— Bella —
Nós continuamos no loft depois da confusão entre os garotos, enquanto Rosalie, Edward e eu explicávamos a situação para Jasper, que continuava bem confuso com tudo aquilo, aproveitei para limpar o corte na boca do meu namorado. Eu queria matar Emmett por tê-lo ferido, odiando vê-lo machucado.
— Não entendo como você pode ter se apaixonado por Emmett, Rosalie — Jasper murmurou, ainda digerindo aquela informação.
— Ai, droga — Edward xingou quando passei a solução cicatrizante em sua boca, por sorte Jasper tinha um kit primeiros socorros ali e o corte não era tão profundo a ponto de precisar de pontos.
— Foi mal — pedi, tentando ser o mais gentil possível.
— Não é sua culpa — falou, tocando em meu braço gentilmente.
— Da mesma forma que eu não entendo como você se apaixonou por Alice, ou como Edward se apaixonou por Bella — Rosalie falou, encarando sua a bateria no canto do loft, ela já tinha parado de chorar, o que era ótimo. — Sem ofensas — disse para Edward e eu.
— Tudo bem — respondemos juntos.
— Deus, Rose. — Jasper entornou um grande gole de água da garrafinha em sua mão. — Emmett? Sério mesmo? Com tanto cara por ai justo o Emmett?
Rosalie bufou, cruzando os braços na frente do corpo.
— Sim, eu sou uma idiota que caiu de amores por um babaca, não sou a primeira nem a última, Jazz, supere isso — ela resmungou.
— É, ficar falando isso sem parar não vai mudar que ela se apaixonou por ele — reforcei. — Dispensado, soldado. — Terminei de limpar o lábio de Edward.
— Está doendo — reclamou, levando uma mão ao rosto, sua boca estava começando a inchar onde o filho da puta do Emmett tinha o acertado. — Isso é injusto pra caralho, ele levou três socos e saiu daqui muito bem, eu levei um e parece que fui nocauteado.
— Claro, você já viu o tamanho daquele cara? Ele literalmente trabalha com os músculos, Edward — Jasper reclamou.
— O que você vai fazer agora? — perguntei para Jasper, devolvendo a ele sua caixinha de primeiros socorros e sentando no colo de Edward, massageando sua mão que também estava vermelha por conta dos socos em Emmett. Eu queria ter forças suficientes para socar o McCarty também.
Jasper suspirou.
— Emmett já pagou a parte dele no aluguel do mês que vem, eu não posso fazer nada quanto a isso até lá, vou ter de aturá-lo por aqui e depois procurar por outro colega de quarto, por sorte é meu nome no contrato.
— Ótimo, isso quer dizer que nem vamos poder ensaiar enquanto aquele filho da puta continuar por aqui — Edward reclamou, ainda com a mão no rosto.
— Estamos continuando com a banda, então? — Jasper perguntou, enquanto Rose se levantava e ia até a cozinha, pegar algo na geladeira. — Vocês sabem, depois do que aconteceu ontem. — Ele não pode evitar me lançar um olhar irritado.
— Por mim sim, eu só acho que precisamos de um tempo — Edward respondeu, pegando o pacote de comida congelada que Rosalie trouxe para ele da cozinha. — Valeu, Barbie. — Ela fez uma careta a menção do apelido.
— E você? — Jasper perguntou a irmã. — Está continuando na banda? Ou Edward e eu estamos perdendo nossa baterista também?
Rosalie suspirou, sentando no sofá junto de Edward e eu.
— Eu estou continuando, mas com bem menos entusiasmo, estejam avisados — declarou de forma enfática.
— Como vocês vão fazer? — Os três me olharam quando falei, fazendo até com que eu me sentisse intimidada com a atenção de todos voltada para mim. — Sem o baixista, quero dizer. Tem como continuar sem o baixo nas músicas? Ou sei lá, vão abrir audições para um novo cara? Ou garota. — Apontei para Rosalie, ela também não pareceu nada contente com aquilo.
— Posso assumir o baixo — Jasper se voluntariou. — Edward é muito melhor do que eu na guitarra mesmo, não faria sentido fazê-lo largá-la. E eu realmente não acho que no momento trazer um novo integrante a banda seja algo recomendável, não quando nem estamos de cabeça nisso.
— Tem certeza? Você adora tocar guitarra — Edward falou, ainda apoiando a comida congelada em seu rosto. — Eu posso me virar com o baixo.
— Não, seria um erro, você é um guitarrista muito melhor do que eu — Jasper afirmou. — Eu só quero poder tocar, se o último instrumento restante for um pandeiro, estarei nessa. — Ele deu um sorriso sincero. — Sei que vocês dois estão pra baixo com o que ouviram do Phill — falou para a irmã e Edward. — Mas, eu ainda quero continuar mantendo o sonho da música vivo em mim. Nós não agradamos o produtor ontem, só que eu senti que fizemos um grande show, não quero perder aquela energia que senti em cima do palco.
— Você está andando muito com Alice, soa tão piegas como ela — Rosalie falou, fazendo com que Jasper e eu ríssemos daquilo em reconhecimento, o que me fez pensar que eu deveria falar com Alice o quanto antes, ela também não tinha ficado nada contente comigo tendo chamado Phill para assistir ao show.
— Se nada der certo você pode escrever livros de autoajuda — Edward completou para o amigo, apoiando a cabeça no encosto do sofá, fechando os olhos. — Emmett é um grande filho da puta, eu sinto dor em todo meu rosto.
— Pobrezinho, você precisa de um médico? — perguntei a ele, beijando sua testa.
— Eu gosto da ideia de você usando um jaleco, Bonequinha — respondeu maliciosamente. — Pode praticar seus estudos de anatomia comigo quando quiser, sem problemas, adorarei ser sua cobaia exclusiva.
Eu ri, mas Jasper e Rosalie soltaram resmungos semelhantes de nojo.
— Parem com essas conversas sexuais todas, é repulsivo! — Rosalie socou o ombro de Edward.
— Ai, eu fui nocauteado, não termine de me jogar na lona, Barbie — Edward protestou, afaguei o lugar que ela tinha batido.
— Preciso ir para o trabalho, caiam fora da minha casa — Jasper ordenou.
— Preciso ir para Manhattan também, vou pegar um táxi, você quer uma carona até lá? — sugeri ao loiro.
— É, pode ser — Jasper concordou. — Já estou atrasado mesmo, será melhor do que ter de pegar o metrô.
— Okay, só preciso ir pegar algumas coisas no apartamento do Edward.
— E da Rose — ela completou se levantando.
Edward e eu logo nos levantamos também, ele se livrou da comida congelada e seguimos os gêmeos para fora do loft.
— Quer que eu vá para Manhattan com você? — Edward perguntou, enquanto andávamos atrás de Rose e Jasper, que conversavam baixinho, eu podia apostar que o assunto tinha voltado a Emmett.
— Ia adorar — respondi, entrelaçando minha mão a de Edward. — Mas é seu dia de folga da boate hoje, não precisar ir tomar conta da Clary também, vou te dar um descanso, ficar no hospital é bem estressante.
— É, depois desse soco acho que preciso descansar um pouco — ele reclamou.
— Desculpe por isso — pedi em um sussurro.
— Por que esta se desculpando?
— Por ter feito você e Emmett brigarem, se eu não tivesse aparecido no caminho de vocês nada disso teria acontecido e bagunçado a amizade dos dois.
— Amizade? Bella, com certeza não — Edward resmungou. — Se Emmett fosse mesmo meu amigo ele não teria dado em cima da minha namorada, ele foi um grande traidor isso sim. Por mais que você tenha flertado com Emmett antes, isso não dava direito a ele a ficar te cercando agora, ele sabia muito bem que estávamos juntos e ignorou isso te fazendo propostas sexuais idiotas.
— Nem por um segundo cogitei aceitá-las.
— Eu sei, Bonequinha, sei disso. — Edward beijou a lateral da minha cabeça. — Não se preocupe sobre Emmett, certo? Ele é um grande babaca, devemos ficar felizes que ele está fora das nossas vidas agora, bem, o máximo possível considerando que ainda vai passar mais um tempo no loft.
Apenas assenti, mesmo que no fundo ainda me sentisse culpada por tudo aquilo. Emmett era sim um babaca, mas será que teria sido se eu não tivesse ficado entre ele e o Edward?
— Falei para você não se preocupar, Bonequinha — Edward disse como se pudesse ler minha mente, soltando minha mão e colocando seu braço por cima dos meus ombros, colocando-me junto a ele.
— Só estou pensando, não invada minha mente, é invasão de privacidade. — Ri, ele riu baixinho também, beijando mais uma vez minha cabeça.
— O que acha de sairmos em um encontro mais tarde? — Edward perguntou, seu braço ao redor de mim fazia com que eu me sentisse segura do mundo inteiro, como se ninguém pudesse fazer mal algum a mim.
— Um encontro? — perguntei de volta, em expectativa pelo o que faríamos. — Para onde irá me levar, Garoto do Brooklyn?
— É uma surpresa. — Vi Edward sorrir, um sorriso torto que era característico dele. — Porém, prometo que farei você se divertir, Bonequinha.
— Isso soa perigoso, eu gosto. — Pisquei para ele, fazendo Edward rir novamente.
— Encontre-me às quatro e meia na entrada leste do Central Park — Edward explicou. — Use sapatos baixos, é sério.
— Ah, o encontro será no Central Park? É meu lugar favorito do mundo inteiro! — exclamei empolgada, soltando-me de Edward e andando a frente dele, de ré. — Eu sou simplesmente fascinada pelo lugar, mesmo com todos aqueles turistas, um dia queria que o Central Park inteirinho fosse meu.
Edward pareceu se perder em seus pensamentos por um segundo, mas tinha um sorriso doce em seus lábios.
— Lamento, Bonequinha, o Park será só nosso ponto de encontro. — Ele parou de andar, segurando em minha cintura, fazendo com que eu parasse também, com a mão livre afagou meu rosto, o que fez um imenso sorriso surgir em meus lábios. — Sonhei com você algumas noites atrás, com nós dois lá no Central Park, ele era todo nosso.
— Você sonha demais, Edward Masen, sua mente é cheia de sonhos, não?
— E o maior deles no momento é beijá-la.
— Oh, esse sonho pode muito bem ser realizado, beije-me.
Ele beijou, era meu sonho também, mas que por sorte era real.
***
Depois que peguei alguns pertences necessários — como meu celular — no apartamento de Edward e Rosalie, Jasper e eu pudemos tomar um táxi para Manhattan. Não falamos nada a principio, era um tanto quanto estranho estar sozinha com ele ali, claro que tinha o taxista, mas ele não contava de verdade. Até que por fim, Jasper falou:
— Sinto muito pelo o que Emmett disse de você, ele foi absurdamente baixo.
— Tanto faz —– sussurrei, sem querer pensar muito nas palavras de Emmett dirigidas para mim aquela manhã.
— Foi um idiota total — Jasper continuou a falar. — Provavelmente teria arrebentado ele por completo se tivesse falado daquela forma com Alice.
Olhei para Jasper, lhe dando uma boa olhada.
— Você não é tão forte assim, Jazzy.
— Nem vem, eu detesto esse apelido. — Ele não pode deixar de rir. — Alice poluiu a mente de todos vocês com essa droga de apelido — reclamou, mas pude ouvir o carinho em sua voz ao falar da namorada.
— Eu também sinto muito, Jasper — falei, ele me olhou confuso. — Por ter feito você e Emmett brigarem também, vocês até moram juntos, isso mostra o quão próximos são. — Suspirei, passando minha mão pelos cabelos. — Eu já briguei sério com Alice antes, sei como é uma droga ser afastada da melhor amiga.
— Eu conheci Emmett no colegial — Jasper contou. — Nós tínhamos aulas de química juntos, odiávamos aquela droga, sabe? Matávamos muitas aulas para ir fazer merda por ai, se é que me entende. — Assenti, eu entendia. — Ele era um bom amigo, não sei se posso dizer que meu melhor amigo. — Jasper franziu o cenho. — Sei que Rose e Edward são mais próximos, mas também tenho Edward próximo de mim...Isso soou tão sensual. — Gargalhei, Jasper riu também. — O que quero dizer é que conheço Edward desde que éramos crianças, ele sempre será meu melhor amigo e se ele e Emmett estão em conflito, não vou hesitar em escolher o lado que acho correto e dessa vez é o do seu namorado.
— Eles já brigaram muito?
— Não com essas proporções, mas todos nós já brigamos sobre qualquer merda. Amigos brigam, é normal. Algumas vezes as amizades se rompem, também é normal.
— A de vocês com Emmett se rompeu?
— Ele não atacou só você, né? — Jasper revirou os olhos. — Falou do meu pai e de Rosalie também, hoje eu pouco me importo para isso, mas Rose ainda é atormentada por nosso pai ter caído fora de nossas vidas.
— Como ele se chama?
— John, ele está por ai vivendo e nunca nos procurou.
— Eu sei como é, meu pai também não me procura, não de verdade.
Jasper olhou atentamente para meu rosto.
— Já vi fotos dele, você pelo menos não se parece com o embaixador. Rosalie é muito parecida fisicamente com John, acho que isso a atormenta muito mais, ser tão semelhante ao homem que nos largou. — Jasper esfregou o rosto. — Ainda não consigo entender como minha irmã é apaixonada pelo Emmett, parece horrível, além de inexplicável.
— Qual é? Você ainda procura qualquer tipo de explicação para isso? Também não sei como terminei apaixonada por Edward, ou sei, mas não consigo por isso em palavras.
— Eu me apaixonei primeiro pela perseverança de Alice, ela fingir que não sabia jogar tênis para ter aulas comigo foi ironicamente uma boa jogada.
— Ela te contou isso?
— Não, mas eu já sabia, era óbvio que Alice já sabia jogar, ninguém aprende tão rápido como ela fingiu aprender. — Ele sorriu. — O que quero dizer é que não consigo entender como Rose foi se apaixonar justamente por Emmett, ele era meu amigo, mas porra, ele com certeza não era o cara ideal para minha irmã. Fora que a mãe dele é uma mulher cheia de problemas, a Rose ia surtar em tê-la como sogra.
— O que tem a mãe dele?
— Problemas com álcool — Jasper contou.
— Familiar. — Engoli em seco.
— Não é como sua mãe. — Obviamente aquela altura Jasper já sabia sobre Renée, afinal os jornais até anunciaram a overdose dela.
— Qual seria a diferença? O fato da mãe do Emmett não ter grana e a minha sim? No final as duas possuem problemas com álcool da mesma forma, né? — Jasper ficou em silêncio, aparentemente sem saber o que falar. — E o pai do Emmett?
— Ainda casado com a mãe do Emmett, parece um casamento firme apesar de tudo, eles tem mais dois filhos. Aparentemente por ter o pai presente Emmett se achou no direito de falar aquelas besteiras sobre o pai do Edward e o meu e de Rose.
— Você o conheceu, né? O pai do Edward.
— Sim. — Jasper deu um sorriso saudoso. — Era um grande homem, Edward é a cópia física da mãe, mas ele é muito parecido com o pai em todo o resto. Você tem um bom partido em mãos — Jasper comentou em um tom divertido.
— Ele é sim. — Olhei pela janela, o táxi já cruzava a ponte do Brooklyn, ouvi o celular de Jasper tocar e o loiro atender, aparentemente era o chefe dele o cobrando por seu atraso.
Meu celular também tocou, em uma mensagem, eu a abri, vendo que era de Phill.
Phill Dwyer: Sinto muito por ontem, Bella. Eu só não podia apadrinhar a banda, mesmo por você e Renée. Espero que repense sobre eu ter acesso a Renée, avise-me caso isso mude de figura.
Ignorei a mensagem de Phill, não queria mais conversa alguma com ele. Mas, pensando na amizade quebrada entre Emmett, Edward e os outros, eu mandei uma mensagem para minha melhor amiga, sem querer que a nossa também continuasse em um clima ruim.
Bella: Estou indo para o hospital, será que pode me encontrar lá? Acho que precisamos conversar um pouco, Al.
A resposta dela não demorou a aparecer na tela do meu celular.
Alice: Te vejo lá, você precisa de um café?
Alice: Com canela, claro.
Bella: Sempre!
Alice: Eu sabia que responderia isso haha Até daqui a pouco.
Sorri vendo a mensagem dela, aparentemente nós não precisaríamos de muito para nos resolver e fiquei feliz por isso, eu queria minha melhor amiga por perto, não o contrário.
***
Renée estava dormindo quando cheguei ao hospital, o que me desanimou um pouco, mas pelo menos sabia que ela estava indo bem. Progredia mais a cada dia com a fisioterapia, a fonoaudiologia ainda era um caso sério, ela pouco emitia som qualquer, só que a equipe que cuidava dela me garantia que era normal, que aos poucos Renée conseguiria falar.
— Olá! — Alice colocou a cabeça para dentro do quarto.
— Hey, oi Al — falei com ela, animada por ela realmente ter ido até mim.
— Trouxe seu café. — Ela entrou no quarto, estendendo o copo para mim, enquanto ficava com outro. — Como ela está? — perguntou olhando para Renée.
— Bem, mas ainda não acordou hoje — respondi, bebendo um grande gole do meu café em seguida. — Obrigada por ter vindo.
— Eu viria de qualquer jeito, estava quase te ligando quando você me mandou a mensagem. — Alice sentou na beira da poltrona que eu estava. — Ontem foi uma confusão, né?
— É, foi bem confuso — concordei. — Eu sei que errei, que não devia ter ligado para o Phill sem o consentimento dos meninos da banda.
— Você e Edward se resolveram? — perguntou preocupada.
— Nós estamos bem — a assegurei, Alice assentiu, encarando seu próprio copo de café.
— Eu fui bem estúpida ontem com você, amiga, desculpa por isso — ela pediu.
— Não deveria estar me pedindo desculpas, sim o contrário — falei. — Eu arrastei todo mundo para aquela confusão, incluindo você, sempre sou a pessoa fazendo alguma besteira. Desculpe, por ter feito aquilo e te colocado no meio disso.
Alice me olhou, parecendo não acreditar nas minhas palavras.
— Você mudou muito, Isabella.
— O que quer dizer?
— Quero dizer que mesmo que você tenha errado em ligar para o Phill, está ai assumindo seu erro e pedindo desculpas. A Isabella de antes levaria muito tempo para isso, ou sequer pediria desculpas.
— É, eu acho que mudei — concordei.
— Mudou, pra melhor. — Alice afagou meu braço carinhosamente. — E eu reforço meu pedido de desculpas, eu devia ter sido mais empática ontem, você só estava ajudando a banda com a coisa toda do Phill.
— Mas, arruinei muitas coisas levando Phill até lá.
— Eles decidiram algo sobre a banda? Não falei com Jazzy ainda.
— A banda continua, mas eles não estão mais tão empolgados sobre ela, pelo menos Edward e Rose não estão.
Alice suspirou.
— Isso não é legal, mas tenho certeza de que Jazzy e Emmett vão conseguir trazer de volta o gás que a banda precisa e logo Edward e Rosalie estarão animados com tudo novamente.
— Há algo que você precisa saber sobre Emmett, algo bem sério aconteceu — murmurei, Alice ficou novamente preocupada.
— O quê?
Respirei fundo, então contei tudo para ela. Por sorte, Alice se manteve calada, apenas ouvindo, sem me interromper.
— Po-Por que não me disse antes que ele tinha falado aquilo para você no aniversário do Edward? — ela perguntou quando terminei de contar.
— Não queria causar problemas.
— Oh, Bella! — Alice me puxou para seus braços, apertando-me em um abraço. — Sou sua melhor amiga, ouviu? Pode me contar qualquer coisa, sério, qualquer coisa!
— No momento posso dizer que está me sufocando — consegui falar, Alice riu e me soltou.
— Foi mal, eu realmente fiquei mais forte desde que comecei a malhar, com Emmett. — Revirou os olhos. — Não acredito o quão idiota ele é, em pensar que eu fiquei idealizando ele e Rosalie se entendendo.
— Ele não merece nem um fio do cabelo loiro de Rosalie — proclamei.
— É um idiota, eu não acredito que não percebi isso antes.
— O que importa agora é que ele não chegue mais perto de Edward, se ele tocar um dedo no meu namorado eu furo o olho dele com meus saltos.
Alice riu alto.
— Ainda acho que você deveria usar coturnos.
— Nem de brincadeira, Alice, nem de brincadeira.
— Ei, mamãe disse que quer você e todos os outros lá em casa amanhã para o almoço — Alice falou, parecendo se lembrar daquilo naquele instante.
— O que ela está tramando?
— Você verá, mas tenho certeza de que irá gostar.
Não insisti em saber o que era, no dia seguinte descobriria qual era a armação de Esme. Mas, vindo de uma Cullen sabia que era algo bom.
***
De tarde fui para meu apartamento, já que tinha de me aprontar para o encontro com Edward. Como eu não fazia ideia de para onde o Garoto do Brooklyn iria me levar, eu decidi primeiro tomar um banho antes de escolher quais roupas usar.
Estava deixando o banheiro da minha suíte, quando tive a pior das surpresas.
— Jacob? — paralisei quando o vi parado na entrada do quarto, ele carregava um buquê de rosas brancas e o que parecia ser uma caixa de bombons de chocolate.
— Oi, Bella. — Sorriu para mim. — Será que podemos conversar um pouco? — Estendeu as flores para mim. — Vim em missão de paz.
Queria gritar, queria o expulsar dali, mas estava muito nervosa com sua presença. Era a primeira vez que me encontrava com Jacob desde o nosso fim de namoro, ou melhor, noivado.
— Trouxe aqueles chocolates suíços que você tanto gosta. — Caminhou para o interior do quarto, andando em minha direção.
Eu me encolhi dentro do meu roupão, sentindo-me exposta só com ele.
— O qu-que est-está faz-fazendo aqui? — gaguejei.
— Conversar, eu disse. — Jacob continuava sorrindo, ele estendeu uma mão para tocar meu rosto, o que me fez andar rapidamente para trás, temendo qualquer contato físico vindo dele.
— Não temos nada para conversar, Jacob Black — falei, colocando o máximo de firmeza possível em minha voz.
— Bella...
— Vá embora! — Apontei para a porta do quarto, apertando o roupão contra mim com a outra mão, sem querer que ele visse um centímetro da pele que o tecido cobria.
— Eu sei que me exaltei naquele dia, mas agora que minha cabeça esfriou pude pensar melhor — ele continuou a falar, sem ligar para minha ordem. — Nós não precisamos colocar um ponto final na nossa história, ainda podemos nos entender, vamos voltar de onde paramos.
— Eu não quero mais nada com você, Jacob. — Passei por ele, indo até a porta do meu quarto.
— Por favor, Bella. — Foi atrás de mim, ainda carregando todos aqueles presentes estúpidos. — Ainda te amo, sei que ainda me ama também.
Foi impossível não rir debochadamente da sua fala.
— Jacob, eu nunca te amei — afirmei, vendo o sorriso que ele sustentava em seu rosto morrer naquele momento, sua face assumindo uma expressão revoltada. — Entendeu? Ou quer que eu desenhe?
— Você me ama, sim!
— Não, não amo. Por isso fodi com Paul, por isso não me importei em te trair, porque você é desprezível.
A mão dele, que segurava o buquê, se ergueu na direção do meu rosto. Eu me encolhi, mas não fugi.
— Bate, Jacob — falei, raiva saindo junto com minha voz. — Bate e hoje mesmo todos os jornais do país irão ficar sabendo disso, sabe o escândalo que seria, pode imaginar as manchetes? Filho do honrado senador Black bate na herdeira Higginbotham.
Jacob abaixou sua mão, parecendo recobrar a consciência.
— Vá embora, Jacob Black, não apenas do meu apartamento, mas da minha vida. — Apontei para fora do quarto, ele jogou as flores e a caixa de bombons no chão, saindo de perto de mim com passos pesados.
Pude ouvi-lo gritar qualquer coisa para Sue no andar debaixo, então uma porta batendo com muita força. Eu respirei aliviada, sabendo que ele tinha ido, tinha me mantido o mais forte possível, mas por um segundo realmente achei que ele bateria em mim.
— Bella, tudo bem? — Sue apareceu no corredor. — Jacob saiu daqui tão exaltado, eu fiquei preocupada.
— Estou ótima. — Recolhi as flores e a caixa de bombons. — Jogue as rosas no lixo, certo? Você pode comer os bombons, não quero nada disso.
— Tem certeza? — Ela pegou tudo de minhas mãos.
— Sim, eu tenho. — Sorri para ela. — E avise a segurança do prédio que não quero mais Jacob entrando, pode fazer isso? Diga que foram ordens minhas, que não quero que sejam desrespeitadas.
— Pode deixar, eu avisarei.
— Excelente, eu vou voltar a me arrumar agora.
— Vai se encontrar com a menina Cullen?
— Vou — menti. — Eu vou sair com Alice e passar a noite na casa dela outra vez, avise isso para meu avô se ele ligar para cá. Não se esqueça de se livrar dessas malditas flores, não quero vê-las nunca mais.
***
Cheguei dez minutos atrasada no ponto de encontro que Edward tinha marcado, eu tentei não me atrasar, mas foi muito difícil escolher uma roupa sem saber para onde estava indo e eu ainda estava nervosa com a coisa toda de Jacob, mas passou no instante que vi meu Garoto do Brooklyn esperando por mim na entrada do Central Park. Sorri ao vê-lo, sem conseguir me conter corri até ele, atirando-me em seus braços.
— Hey, Bonequinha. — Ele me abraçou.
— Oi. — Coloquei meu rosto em seu pescoço, Edward sempre era muito cheiroso, mas estava muito mais aquele dia. — Você cheira muito bem.
— Você também.
— É Chanel Nº 5. — Edward riu, afastando-me um pouco, olhando para meus pés.
— Qual parte dos sapatos baixos não entendeu?
— Eu entendi tudo, mas você não manda em mim e essas belezinhas estavam pedindo para serem usadas.
Soltei-me dele, lhe dando uma visão melhor dos meus saltos vermelhos da Prada, que combinavam com minha bolsa onde eu tinha enfiado mais alguns pertences necessários para sobreviver no apartamento de Edward. Junto com os itens da Prada eu usava uma calça jeans skinny azul escura, com uma blusa social preta, meus cabelos presos em um coque.
— Depois não reclame de dor nos pés. — Edward sorriu, plantando um beijo na ponta do meu nariz. — Garota teimosa.
— Sou mesmo — me gabei. — Para onde estamos indo?
— Para um lugar especial, espero que goste. — Segurou em minha mão, guiando-me para onde queria.
— Estou bem vestida para isso?
— Até demais. — Edward percorreu seu olhar por mim. — Mas, está gostosa pra caralho, permita-me dizer — sussurrou aquilo no meu ouvido, fazendo com que eu corasse. — Mal vejo a hora de tirar essa calça de você. — Mordiscou minha orelha.
— Hum, não me provoque, Edward, estamos no meio da rua.
Ele riu em meu ouvido, afastando seu rosto.
— Vamos pegar um táxi, ou o que?
— Vai sair uma nota, mas sim, podemos dividir um táxi — ele não pode deixar de resmungar sobre aquilo.
— Qual a outra opção? — perguntei, mesmo temendo a resposta dele.
— Metrô. — Justamente o que pensei. — Não se preocupa, seria uma experiência muito grande para você, vamos só pegar um táxi e...
— Eu quero. — Parei de andar, fazendo com que ele parasse também. — Andar de metrô.
— Tem certeza? — Edward perguntou incerto.
— Tenho, o que de pior pode acontecer no metrô? — Edward abriu a boca para responder, mas eu fui mais rápida. — Não, não, melhor eu não saber o que pode acontecer. — Ele conteve uma risada. — Vamos de uma vez.
— Deus, isso vai se interessante — Edward deu um sorrisinho travesso, beijou minha mão e piscou para mim. — Vamos lá, Bonequinha, estou honrado em fazer parte da sua primeira vez!
***
O metrô fedia, para quem tinha um namorado cheiroso e usava Chanel Nº 5, estar naquele lugar fedido era um tormento dos grandes. Eu pensei em desistir, dizer a Edward que pegaríamos um táxi, mas já estava ali, então iria em frente.
Edward me levou até umas máquinas logo na entrada do metrô.
— Você quer uma passagem única, ou um MetroCard?
— Desculpe? — perguntei de volta, apertando a minha bolsa contra mim, temendo que algum ladrão passasse e arrancasse minha preciosa Padra de mim. Fora que o lugar estava cheio, no que Edward chamou de horário de pico do metrô.
— É o cartão do metrô — Edward explicou.
— O que é melhor?
— Bom, depende, quem usa muito o metrô usa o MetroCard, sai mais em conta do que passagens avulsas.
— Você tem um?
— Claro. — Edward tirou o dito cartão de seu bolso, ele também estava muito gostoso com aquela calça jeans, camisa preta dos Beatles e eu tinha de admitir, ele era a única pessoa no mundo que ficava bem de coturnos, ou eu só estava apaixonada demais e achava isso. — O que acha? Provavelmente para você é melhor uma passagem avulsa, não acho que fará do metrô seu meio de transporte mais usado.
— Você não tem fé nenhuma em mim — brinquei. — Quero um cartão, vai que eu gosto da experiência.
— Okay, vamos fazer isso. — Ele me ensinou a mexer na máquina, comprei o tal cartão com minha grana, o recarregando com um valor de trinta dólares.
— E agora?
— E agora nós vamos esperar o trem. — Edward me levou até as catracas. — Passe o cartão assim. — Ele me mostrou, quando ultrapassou as catracas com seu cartão.
Tentei fazer como ele, mas a máquina não me aceitou.
— Ei, funcione sua máquina estúpida!
— Bella, é só passar de novo, sem problemas — Edward orientou, parecendo se controlar muito para não rir. Fiz aquilo, recebendo minha liberação daquela vez. — Viu? Você conseguiu! — Edward comemorou, soando como um palestrante de autoajuda.
— Cale-se, Masen.
Ele não pode deixar de rir naquele momento.
— Bella, não, não! — Edward quase gritou quando chegamos perto do lugar da estação para esperarmos o trem.
— O que foi? — perguntei confusa, com ele me puxando para junto de si.
— Você tem de esperar atrás da linha amarela — falou nervoso, apontando para o chão. — Depois disso fica perigoso demais.
— Ah, okay, atrás da linha. — Estremeci com a ideia do trem me acertando. — Não seria uma morte bonita...
— Bella! — Edward resmungou, parecendo odiar aquela ideia.
— Desculpa, desculpa — pedi rapidamente, o abraçando. — Esse lugar fede. — Enterrei meu rosto no seu peito, absorvendo o cheiro dele. — Pra onde estamos indo? — insisti.
— Vou manter o segredo por mais tempo. — Edward manteve-se firme naquilo. — Lá vem nossa limusine — falou quando o trem apareceu ali, Edward me colocou para entrar na sua frente, o que eu entendi que era ele me protegendo de ser esbarrada pelas outras tantas pessoas que lotaram o vagão.
Nós acabamos em pé, outros foram mais rápidos em sentar. Eu cogitei oferecer dinheiro as pessoas para se levantarem, mas Edward não gostaria nada daquilo.
— Viu? Estou andando no metrô, como uma perfeita nova-iorquina — disse, agarrada no suporte, com Edward a minha frente, ele se inclinou para depositar um beijo em minha testa.
— Você é incrível, Bonequinha.
— Como está seu rosto? Ainda dói? — perguntei, não estava inchado, mas o corte no lábio continuava ali.
— Não, Rosalie me deu remédios depois que você foi embora, ela não aguentava mais me ouvir reclamando sem parar.
— É, você pode ser bem chato quando está reclamando — provoquei.
— Olha quem fala. — Ele mal tinha acabado de falar e me puxava para um beijo.
Afaguei o rosto de Edward com a mão livre, sentindo o principio de barba crescendo ali. Ele continuava me abraçando como podia com nós dois em pé naquele lugar, com um monte de gente ao redor. Mesmo com todo o desconforto da situação, estar com Edward era tão bom que eu quase não ligava — era complicado se desprender totalmente — para todo o resto.
— O que está pensando, Bonequinha?
— O quanto gosto de você, de estar com você — respondi prontamente, continuando a afagar seu rosto.
— Também gosto, gosto muito. — Edward me beijou novamente.
Eu claramente detestei a viagem de quase uma hora no metrô, principalmente por ter passado a maior parte do tempo em pé — sentamos apenas dez minutos de distância do nosso destino —, mas Edward era um excelente companheiro de viagem. Fora todos os beijos, ele ficou cantando para mim — especialmente músicas do Arctic Monkeys, que queria que eu gostasse —, também teve o simples fato de estarmos ali conversando, sobre nada em especial, apenas falando sobre meus desenhos, a música dele, New York e qualquer outro assunto.
— Coney Island? — perguntei, realmente surpresa, quando o sistema de som anunciou onde estávamos, descemos na última parada do percurso.
— Nunca veio aqui, né? — Edward perguntou, nós dois andando para fora da estação.
— Não, claro que não — respondi. — Estamos indo para a praia?
Edward negou.
— Deixemos a praia para uma próxima ocasião, vamos hoje ao Luna Park.
— Oh, a Disney do Brooklyn? — brinquei.
— Não, Bonequinha, isso é muito melhor que a Disney, acredite em mim.
— Edward é a da Disney que estamos falando — reforcei.
— Tá bom, a Disney é boa pra você, mas quando experimentar a maravilha que é o Luna Park vai entender porque aqui é melhor.
— Eu acho que será difícil achar outro parque de diversões melhor que a Disney, mas tudo bem tentar. — Beijei seu rosto, ganhando um sorriso bonito dele. — Nós iremos à Disney qualquer dia, tem tempo que não vou lá, acho que tinha dezesseis da última vez.
— Como lidou com o calor da Flórida? Pelo que dizem é insuportável.
— Nunca foi pra lá?
— Não, eu nunca deixei New York, falando especificamente sobre a cidade — respondeu, quando alcançamos a saída da estação, sendo envolvidos pelos sons e cores vibrantes de Coney Island.
— Sério?
— Sim — confirmou, parecendo envergonhado disso.
Eu não conseguia aceitar aquilo, Edward merecia o mundo, não ficar limitado a New York. Parecia injusto, vê-lo preso, eu adoraria vê-lo ganhando o mundo, descobrindo novas coisas, ele com certeza iria amar isso.
— Olha ali. — Ele me tirou dos meus pensamentos, apontando para o que parecia ser um restaurante chamado Nathan’s. — Dizem que lá tem o melhor Hot Dog da região, sinceramente prefiro aquele que comemos no dia do meu aniversário e ontem, mas te levarei lá para dar sua opinião.
— Sim, porque eu sou a especialista em Hot Dog — falei rindo. — Nosso namoro vai acabar me engordando, eu tenho comido muito na última semana. Toda essa gordura está indo para minha bunda. — Edward olhou descaradamente para lá.
— Sua bunda é fantástica, não se preocupe com seu peso.
— Edward! — Bati em seu braço.
— Deixa de papo furado e vamos logo, temos muitos brinquedos para ir, Bonequinha. — Ele me puxou em direção ao Luna Park, que ficava de frente para a praia de Coney Island.
Decidimos começar pela montanha russa clássica do lugar, chamada Cyclone, Edward agradeceu por eu não ter medo de altura, já que isso estaria completamente arruinado se eu tivesse. Ainda assim, foi impossível não ficar um tanto quanto nervosa por entrar no brinquedo.
— Tem certeza de que ela é segura? — perguntei a Edward, enquanto o resto das pessoas ocupavam os carrinhos restantes, eu tinha caído no papo furado do meu namorado de ir no primeiro carrinho, então lá estávamos nós, bem na ponta.
— Tenho sim, não seja medrosa agora, até a Clary já veio aqui.
— Isso não parece seguro, ela é pequena, você devia ser mais cuidadoso. O quê? — perguntei quando ele ficou apenas me olhando.
— Gosto quando você fala tão gentilmente assim sobre a Clary. — Beijou minha bochecha. — Vai começar, segure minha mão se quiser, Bonequinha — falou, segurando na barra do carrinho, sem precisar de muito eu entrelacei minha mão a dele.
Eu sabia que qualquer queda naquela montanha russa não seria assustadora, não com Edward ao meu lado.
***
A montanha russa foi um máximo, por isso fiz Edward ir mais duas vezes nela comigo, teria tido uma quarta, mas ele se confessou enjoado e peguei leve com o Masen antes que meu namorado passasse mal. Só podia dizer que a adrenalina do brinquedo era fantástica, eu faria Edward me levar outras vezes ao Luna Park só para dar mais voltas e voltas na Cy, como carinhosamente apelidei o brinquedo.
— Você estava certo, eu estou bem vestida demais para esse local — reclamei, incomodada com a blusa que usava, o tecido social era quente demais para o calor de final de junho, principalmente depois de quase uma hora em pé e três voltas de montanha russa.
— Desculpe, devia ter falado para você usar roupas mais frescas — Edward falou, ele segurava minha bolsa — charmoso até usando Prada —, já que eu quase a tinha esquecido na última volta que demos na Cy.
— Eu não teria usado, obviamente. — Apontei para meus pés, que também estavam destruídos pelo tamanho dos saltos que usava, mas conseguia lidar com aquilo, não com a minha blusa calorenta e cheia de suor. — Nós passamos por umas lojinhas aqui perto, né? Será que encontro algo decente para comprar lá? Não vou aguentar essa blusa por muito tempo.
— Vamos ver se tem algo a sua altura.
Nós achamos uma loja que parecia decente por fora, mas que por dentro nada me agradava. Eu revirava tudo e a vendedora me ajudava, Edward já tinha se jogado em uma cadeira, depois de reclamar da minha demora e do fato de estarmos perdendo toda a diversão do parque.
— Aqui, essa é excelente! — Edward apareceu ao meu lado, carregando uma camiseta cinza, com uma estampa em azul escrita Brooklyn na frente.
— Ai, quer saber, me dá isso. — Peguei a roupa da mão dele, ganhando um olhar surpreso de Edward. — Não me olhe assim, também só estou cansada de perder tempo, quero voltar ao parque logo. — Me voltei para a vendedora. — Eu vou levar essa.
Paguei pela camisa e aproveitei o provador para fazer a troca ali mesmo, jogando minha outra blusa para o interior da minha bolsa.
— O quê? — perguntei para Edward, quando senti seu olhar sobre mim.
Ele engoliu em seco, andando até mim e sussurrando em meu ouvido.
— Vou mudar o que disse até hoje sobre o Jimmy Choo, você fica muito bem de saltos altos, principalmente acompanhada dessa maldita calça jeans justa e dessa camiseta que grudou no seu corpo como se tivesse sido costurada diretamente em sua pele.
Meu peito se encheu de ego com aquilo, mas precisei corrigi-lo.
— São sapatos da Prada, Garoto do Brooklyn.
— Foda-se, você está gostosa mesmo assim. — Ele olhou para meu busto. — Porra, seu peito está deixando o nome Brooklyn em completo destaque, vamos esquecer o parque e ir para meu apartamento, preciso te levar para a cama.
— Controle-se, homem, eu ainda quero aproveitar o parque.
Edward precisou respirar fundo antes de se afastar de mim, eu o entendia, nós não transavamos alguns dias já que não tínhamos tido nada aquela manhã ou na noite passada.
Deixamos a loja e fomos para o tal lugar com o dito melhor Hot Dog da região, pois eu já estava faminta e Edward também. Passamos um bom tempo na fila, mas por fim conseguimos pagar por nossa comida.
— Não — falei logo após a primeira mordida. — É uma propaganda enganosa, com certeza não é o melhor Hot Dog, não depois daquele de ontem — decretei, bebendo um pouco da Coca-Cola que tínhamos comprado.
— Obrigado por concordar comigo! — Edward agradeceu. — Eu falo pra todo mundo que o Hot Dog daqui é comum, mas todos o enaltecem como se fosse a porra da melhor comida do mundo. Jasper é uma dessas pessoas, ele surta pela droga desse Hot Dog sem graça.
— O nosso é muito melhor. — Edward sorriu.
— Temos um Hot Dog?
— Temos um Hot Dog — confirmei, bebendo mais um pouco de Coca.
— Gosto como isso soa.
Depois de comermos voltamos ao parque, fomos em alguns brinquedos menores, até irmos por fim para a roda gigante, apesar de legal, eu ainda preferia a adrenalina causada pela minha querida montanha russa Cy. Edward prometeu que me levaria lá de novo, mas não aquele dia, pois ele não aguentaria outra volta.
— Uma máquina de música — Edward comemorou quando topamos com uma no meio do parque. — Vamos ver, o que eu escolho? — falou consigo mesmo, enquanto via as opções ali. — Ah, essa é uma boa, tem Coney Island na letra, bem temática. — Colocou o dinheiro na máquina, escolhendo a música que queria.
Eu reconheci logo no começo, não sabia toda a letra, sequer o nome, ou de quem era, mas Renée costumava a ouvir e eu tinha o refrão em mente, pois ele era bem grudento. Sendo assim, quando o refrão chegou, eu me uni a Edward que a cantarolava.
— Oh, oh, I love her so.* — Cantei bem alto, balançando meus cabelos no ritmo da música, aproveitando que eles tinham caído do coque que eu tinha feito antes de sair de casa.
— Você conhece Ramones? — Edward perguntou embasbacado, no meio do refrão.
— É o cara que canta? Eu sei só o refrão, mamãe costumava a ouvir.
— Por Deus, você canta Ramones! — Edward exclamou deslumbrado, puxando-me para um grande beijo, antes que ele começasse a me rodar, nós dois dançando ali como era possível no meio do parque de diversões cheio. — Oh, oh, I love her so. — Edward cantou quando o refrão voltou, por um segundo imaginei que ele estava falando aquilo sobre mim, desejei que ele dissesse que me amava, eu queria se amada por ele.
— Edward? — o chamei, quando a música acabou, com um brilho em seus olhos, ele me olhou.
— Sim, Bonequinha?
Não disse nada, me impedi de dizer que queria que ele me amasse, ou falar que eu provavelmente já o amava. Aquilo era grande e era cedo demais, não queria o assustar, no lugar disso eu disse:
— Talvez eu goste um pouquinho de rock.
Ele sorriu ainda mais, antes de segurar em minha cintura, indo me beijar com fervor. Edward me amaria, um dia ele me amaria, eu tinha certeza.
***
Na manhã seguinte, depois de uma noite maravilhosa no parque e depois tendo sexo, Edward e eu fomos acordados por uma mal humorada Rosalie.
— Se eu vou ter de ir para a casa dos Cullen em Manhattan, vocês também vão.
Eu já tinha até me esquecido daquele almoço, mas sabia que não poderia faltar com os Cullen, sendo assim eu me obriguei a sair da cama e obriguei Edward também. Ele estava completamente manhoso, querendo ficar ali para sexo, eu teria aceitado, mas tínhamos mesmo de ir almoçar com Alice e os pais dela.
— Espero que esse almoço não seja tão conturbado quanto o último jantar que tivemos aqui — Rosalie falou enquanto subíamos até o andar do apartamento dos Cullen, Jasper já tinha ido para lá desde cedo, o que fez Rose, Edward e eu pegarmos o metrô, aparentemente eu tinha me acostumado, sozinhos.
— Arg, nem me lembre. — Edward enterrou seu rosto em meus cabelos, ele me abraçava por trás, quando disse aquilo.
Sabia que os dois estavam se referindo a Jacob, mas não quis dizer nada sobre. Eu ainda teria de achar um bom momento para contar sobre a visita dele para Edward, ou apenas deixaria aquilo morrer, já que tinha sido algo que eu queria simplesmente esquecer.
— Olá, que bom que vieram! — Esme exclamou radiante ao abrir a porta para a gente, eu nem fiquei surpresa quando vi um empolgado Arthur surgir no hall de entrada atrás da madrinha. — Oi, lindinha! — Ela piscou para mim, antes de se voltar para meu namorado e a melhor amiga dele. — Oi, estou mesmo muito feliz que vieram. — Abraçou Edward e Rose, demorando o abraço com Rosalie. — Você está linda, Rose.
— Ob-Obrigada — a loira agradeceu em tom de constrangimento.
— Oi, Anjo! — Arthur falou diretamente com Rosalie quando entramos no apartamento.
— Aff, me erra, Líder de Torcida — Rosalie resmungou, Esme riu.
— Eu tenho fotos de Art nessa época.
— Você tem? — ele perguntou apavorado.
— Ah, eu adoraria ver isso, tenho certeza de que irá me garantir boas risadas! — Rosalie falou, juntando-se a Esme, deixando o hall junto com ela.
— Isso não é legal — Art reclamou. — Que bom que vocês estão bem — disse apontando para a minha mão entrelaçada a de Edward.
— Não seria louco de perder essa garota. — Edward beijou minha bochecha.
— Isso renderia uma boa foto, será que...
— Sem fotos, Arthur! — Edward e eu falamos juntos, o Davis resmungou, mas aceitou.
Nós três seguimos para a sala de estar do apartamento, onde Esme e Rosalie já estavam com Jasper, Alice e Carlisle. Nós cumprimentamos todos ali, então assumimos lugares em um dos sofás, eu apreciei a mudança, a última vez que estive naquele apartamento com Edward tínhamos muito nos separando, ali estávamos juntos.
— Vou direto ao ponto pelo o que chamei vocês aqui — Esme falou entusiasmada, ela e Alice tinham sorrisos parecidos de animação. — O que acham de irem para Hamptons no Quatro de Julho?
— Sim, por favor, sim! — Arthur exclamou rapidamente. — Pega, eu sabia que você ia salvar meu feriado de alguma forma, tia Esme.
— Eu compactuei com a ideia — Alice acrescentou, Jasper já parecia ter descoberto aquilo antes, pois não pareceu surpreso como Edward e Rose.
— Hamptons? Eu...
— Vocês iriam para nossa casa — Carlisle cortou Edward. — Nós vamos para lá todo ano, mas esse ano Esme e eu decidimos ficar de plantão, sendo assim não poderemos ir para a praia. Mas, Alice não perderia isso por nada já que é o feriado favorito dela e pensamos que seria uma boa ela ir acompanhada de todos vocês. Dessa forma, estamos liberando a casa.
— Não posso ir, eu tenho a minha mãe no hospital, Carlisle — lembrei.
— Nós estaremos no hospital, Bella — Esme lembrou de volta. — Não se preocupe com nada, Renée está muito bem assistida com Carlisle e eu no hospital, nós também te informaremos diariamente sobre ela.
— Eu não sei — hesitei.
— Vamos gente, por favor! — Alice clamou. — Vai ser muito legal, pensem na praia, na... — Olhou rapidamente para os pais, calando-se rapidamente. — Na diversão. — Sério? Esme e Carlisle não eram estúpidos, obviamente sabiam o que a diversão da filha queria dizer.
— Rose e eu não podemos ir, temos de trabalhar — Edward falou, com uma careta no rosto.
— E se conseguíssemos folga? — Até eu me surpreendi com a fala de Rosalie. — Eu posso falar com Alistair, usar um pouco de leis trabalhistas em cima dele, nunca tiramos férias mesmo.
— Excelente, Hamptons ai vamos nós! — Alice comemorou.
— Ainda não é certo, Al — falei. — Eu também preciso ver se meu avô está bem com isso.
— Okay, okay, nos digam o quanto antes a resposta sobre a viagem — Esme pediu. — Temos de pedir para alguns empregados irem cuidar da casa para recebê-los. Agora, vamos almoçar.
Todos se levantaram ao ouvir a menção a comida.
— Bella, querida, eu fiz aquela torta de chocolate que você ama — Esme falou para mim, sorri para ela, lhe dando um beijo no rosto em agradecimento.
— Obrigada.
— De nada, meu doce. — Afagou meus cabelos. — Pensa bem sobre a viagem, tá bom? Será bom para você ir descansar um pouco depois do estresse todo que vem tendo.
— Eu vou pensar, prometo. — Esme e eu olhamos para Carlisle e Edward quando ouvimos os dois, que conversavam a caminho da sala de jantar, rirem de algo.
— Ele é um garoto maravilhoso, estou feliz por vê-los juntos. — Ela me puxou para um abraço. — Amo você, Bella, sabe que é como uma filha para mim.
Não respondi, não consegui, apenas devolvi o abraço com força, beijando o rosto dela novamente. Isso pareceu o suficiente para Esme, mas eu me faria dizer que a amava também, assim que as palavras não me assustassem mais.
***
Nós passamos a tarde toda com os Cullen, ambos estavam de folga do hospital aquele dia, então puderam ficar conosco. Carlisle aproveitou para ensinar Edward e Rosalie a jogar xadrez, quando os dois se mostraram interessados nisso, eu me afundei na torta de chocolate de Esme pela tarde inteira, enquanto Jasper e Alice ficavam trocando juras de amor escondidos na sala de música e Arthur e a madrinha falavam sobre o projeto dele.
Arthur continuava tentando convencer Rosalie a ser a modelo para suas fotos, mas não teve sucesso com aquilo, mesmo depois de monopolizar boa parte do almoço falando sobre o assunto. O que foi até bom, muito melhor do que falar sobre assuntos sérios como a ausência de Emmett — Alice provavelmente tinha explicado o acontecido aos pais, que não perguntaram nada sobre ele —, ou falar sobre a última vez que estivemos ali com a confusão feita por Jacob.
No fim da tarde, Edward e Rosalie voltaram para o Brooklyn, Rose não trabalharia aquele dia, mas ela ia tentar convencer o chefe deles a liberá-los por alguns dias para o feriado de Quatro de Julho. Foi um saco deixar Edward ir, mas sabia que ele precisaria trabalhar e eu tinha de ir para casa, onde sabia que vovô já devia estar depois de voltar de sua viagem para Boston.
Alice e Jasper até chamaram a mim e Arthur para o cinema, mas declinei rapidamente e o Davis também sem querer os acompanhar para servir de vela. Eu o fiz me dar uma carona, no entanto, sem querer pegar um táxi depois de duas viagens de metrô.
— Vovô! — gritei animada quando o vi na sala, ele ouvia música clássica, o que combinava muito com ele.
— Ah, minha garota preferida, como senti sua falta! — Ele levantou-se do sofá, pegando-me em um abraço apertado. — Como está? Onde estava?
— Estou ótima, eu estava com os Cullen — menti para ele, mas convencendo a mim mesma que estava tudo bem, não era uma mentira completa.
— Trouxe presentes de Paris para você, estão no seu...
— Paris? — perguntei confusa. — Você disse que tinha ido para Boston, vovô.
Ele parou por um instante, franzido o cenho.
— Você ouviu errado, Isabella, eu disse que ia para Paris.
— Não, vovô, me lembro bem quando...
— Eu devo ter dito errado, tanto faz. — Ele riu, beijando meu rosto. — Senti sua falta, isso é o que importa e que te trouxe uma montanha de presentes de Paris. Suba e vá vê-los, estarei com você em um minuto.
— Claro, eu mal vejo a hora de saber o que me trouxe — comemorei, subindo rapidamente para meu quarto.
Como prometido, o chão do meu quarto estava cheio de caixas, vovô tinha mesmo me comprado uma montanha de presentes. Comecei a abri-los, deparando-me com roupas, joias e tudo mais, tinha até alguns materiais para pintura.
— Vovô, o senhor é o melhor! — exclamei quando o vi aparecer ali, ele sorria carinhosamente para mim.
— Eu sabia que ia gostar, tem alguns sapatos do Jimmy Choo, sei que é uma das suas marcas favoritas.
— É sim. — Sorri mais ao pensar em Edward por aquilo.
— Fui ver sua mãe assim que cheguei a cidade — ele comentou, aproximando-se de mim. — Ela estava acordada, parece muito bem.
— Você a pegou acordada?! — perguntei morrendo de felicidade sobre aquilo. — Ah, vovô, que bom que ela te viu! — Eu pulei do chão, dando mais um abraço nele.
— Eu a amo tanto, a deixei saber disso — ele disse, afagando meus cabelos. — Prometi que nós iremos passar um tempo viajando, só nós três, quando ela deixar aquele lugar.
— Isso parece ótimo. — Em minha mente eu acrescentei Edward à viagem, aquela altura ele já conheceria vovô e eu acreditava que todas as pontas estariam alinhadas. — Falando sobre viagens, Alice e Arthur Davis, o afilhado dos Cullen, irão para Hamptons no feriado de Quatro de Julho. Algum problema se eu for com eles?
Vovô desfez nosso abraço, olhando para mim atentamente.
— Arthur Davis? Filho daqueles médicos amigos do casal Cullen, não é?
— Sim — confirmei.
— Hum. – Vovô assentiu. — Você está com ele?
— Não, vovô, não! — respondi rapidamente. — Arthur é só um amigo.
— Certo. — Vovô colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. — Alguma noticia de Jacob?
— Na verdade, sim. — Revirei os olhos. — Ele esteve aqui ontem, querendo se entender comigo, mas não tolero sequer olhá-lo, vovô. Eu proibi a entrada dele no prédio, espero que entenda minha decisão.
— Entendo, minha garota preferida, claro que entendo. — Afagou meu rosto. — Se quer Jacob longe de você, eu concordarei com isso, ele não te merecia.
— Obrigada por entender — agradeci aliviada. — E quanto a viagem? Tudo bem se eu for?
— Tudo ótimo. — Ele voltou a sorrir. — Vá e se divirta, você merece. Volte aos seus presentes agora, há muito o que desembrulhar. Vou buscar algo e já volto.
— Okay. — Voltei a mergulhar entre meus presentes, não muito depois que saiu do quarto, vovô retornou.
— Preciso que assine alguns documentos, minha garota preferida — ele me estendeu uma pasta, eu resmunguei por ter meu momento de adoração com os presentes interrompido, mas logo peguei os documentos dentro da pasta e a caneta ali, dando minhas assinaturas nos lugares necessários. — Obrigado.
— De nada, vovô. — Sorri para ele. — Eu amei todos meus presentes e olha que ainda nem vi todos. — Ri, abrindo mais uma caixa. Vovô riu também, ele me desejou boa noite, beijou minha cabeça e disse que iria dormir para descansar da viagem.
Ainda estava perdida entre meus presentes, quando meu celular tocou, nem prestei atenção no nome na tela, o atendendo de uma vez.
— Alô.
— Bonequinha?
— Ei, você! — Eu me derreti ao ouvir a voz de Edward, jogando a caixa do Jimmy Choo que tinha em mãos de lado.
— Oi, tenho que ser rápido, estou fugindo do bar por um minuto — falou, eu realmente podia ouvir o barulho infernal da boate. — Rosalie conseguiu, nosso chefe nos liberou, temos alguns dias de folga para viajar.
— Isso é ótimo, eu também vou! — declamei. — Tenho uma porção de presentes que irão servir muito bem para a temporada — falei, olhando para tudo na minha frente.
— O quê? — Edward perguntou sem entender.
— Nada não. — Ri. — O importante é que Hamptons, ai vamos nós!
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