Sob minha Pele

41 Capítulo Quarenta


Notas iniciais
Antes de qualquer coisa quero agradecer aos 1500 comentários na história, vocês são demais!!! Um agradecimento especial a Anne Cullen Volturi pela tag dos #1500 e a Amanda Clarke que deu os 3 comentários restantes. Muito obrigada ♥ Tem música especial nesse capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=0l1Zxcdk7OU Boa leitura! :D

— Capítulo Quarenta —

— Edward —

Fui o primeiro a acordar na sexta-feira, até porque eu não tinha dormido muito já que passei a noite no sofá, uma vez que concedi todo o espaço na cama para Bella e Clary. As duas ficaram acordadas até altas horas da noite, em uma festa do pijama que não fui convidado a participar, pude ouvi-las rindo por um bom tempo enquanto conversavam, mas foi ótimo saber que elas estavam se divertindo.

Os últimos dias não estavam sendo nada fáceis para Bella, e Clarisse tinha apenas oito anos e nunca teve uma vida realmente fácil. Eu queria tanto poder dar a elas uma vida melhor, com menos estresse, mas o que podia fazer sendo só a porra de um barmen e um músico fracassado?

— Qual é a do olhar assassino? — Rosalie perguntou ao entrar na cozinha, onde eu tomava uma xícara de café ruim que fiz.

— Só pensando em como eu sou um total fracasso — reclamei, Rose franziu o cenho.

— Você não costuma ser tão pessimista assim.

Suspirei, largando a xícara sobre o balcão.

— Eu sei lá, Rose — resmunguei. — Mas, tem sido tudo tão complicado e estressante, eu estou tão cansado.

— Vai ficar tudo bem, ok? — Ela roubou meu café. — Não se preocupa com o dinheiro, estamos com o aluguel e as contas mais urgentes pagas e Arthur insistiu em me dar um cachê pelas fotos.

— Você vai aceitar o dinheiro? — perguntei surpreso, ela deu de ombros.

— Eu sei que ele com certeza não pagou as outras garotas pelas fotos que fez ao redor do mundo, já que não eram modelos de verdade, mas aquele cara sabe ser insistente e irritante, melhor eu aceitar o dinheiro de uma vez.

— Isso não vai atrapalhar o relacionamento de vocês? — questionei, ela revirou os olhos.

— Não temos um relacionamento.

— Oh Rose, por favor! — reclamei. — Você o chamou de namorado!

Ela suspirou.

— Isso só assusta pra caralho, eu nunca tive um relacionamento realmente sério.

— Então, isso não tem nada sobre Emmett? — indaguei, ela negou rapidamente.

— Não!

— Isso sim é uma surpresa, você finalmente o superou? — Ela deu de ombros outra vez.

— Acredito que sim, no momento só sinto raiva por ter sentido algo por Emmett, um completo babaca.

— E você realmente gosta do Arthur?

Rose deu um sorriso pequeno, apoiando-se no balcão.

— Ele é um cara muito legal, sabe?

— Bom, imaginando as coisas que ele faz para você dizer que ele e um cara legal, eu prefiro não saber.

— Edward! — ela chamou minha atenção.

Eu ri.

— Não estou falando de sexo, apesar de ele ser muito bom nisso...

— Não, informação demais! — Tapei meus ouvidos, sem querer ouvir sobre a performance do ex-líder de torcida na cama.

— O que estou querendo dizer — Rose recomeçou a falar quando liberei meus ouvidos. — É que o Arthur é um cara muito legal, de verdade. Eu só tenho receio de me decepcionar, por mais legal que ele seja, ainda tenho medo disso tudo.

— Bom, eu só posso dizer que vale a pena arriscar.

— Você não se arrepende? — Rose perguntou, olhando rapidamente para trás checando se ninguém aparecia.

— De ter ficado com Bella? — Ela assentiu. — Nem por um minuto — garanti. — Eu a amo, sei que isso tudo tem sido estressante e esta me deixando maluco, mas seria pior viver com o questionamento de como teria sido se eu não tivesse seguido em frente.

Rosalie concordou com um aceno de cabeça, voltando a tomar seu café.

— Estou tão apaixonada por Arthur — Rosalie falou baixinho, mas deixou um gigantesco sorriso tomar conta do seu rosto, sorri de volta, era óbvio. — Na verdade, eu tenho pensado em algumas composições sobre ele, isso é revoltante, tão clichê!

— Bom, querida amiga, você precisa saber que também estou trabalhando numa música para Bella — contei, Rose pareceu animada em ouvir aquilo. — Talvez nossas paixões avassaladoras ainda nos leve ao grande estrelato — brinquei.

— E a um mundo que eu não precise aceitar dinheiro do meu namorado. — Ela bufou.

— Namorado, em? — provoquei.

— Corta essa! — Rosalie socou meu ombro. — Do jeito que você e Bella estão não ficaria surpresa se me aparecessem casados na próxima semana.

Apenas sorri novamente para ela, minha amiga mal sabia que estávamos perto de casar. Bom, não tão perto assim, mas pelo menos noivos.

Eu ainda precisava comprar aquele anel para Bella.

***

Clarisse e Bella acordaram bem tarde, mas isso não impediu a animação das duas, remanescente do dia anterior, prosseguir em alta. Ainda que minha namorada estivesse se adequando ao fato de ter de cuidar de uma tatuagem em cicatrização, ela parecia feliz.

Bella decidiu que ficaria no Brooklyn aquele dia, para que pudéssemos aproveitar o dia melhor com Clarisse e foi o que fizemos. O plano inicial era ficar no apartamento, com as duas desenhando e eu tentando ensinar Clary a tocar algo na minha guitarra, mas quando Arthur chegou e ele disse algo sobre Coney Island, foi impossível controlar as garotas de quererem ir até lá.

Então, nos três, Rosalie e seu namorado seguimos para Coney Island aquele dia e marcamos de nos encontrar com Alice depois no parque. Jasper estava no trabalho, sendo assim não faria parte do grupo de excursão.

— Eu pago! — Arthur se voluntariou quando fomos comprar ingressos para a montanha russa favorita de Bella, enquanto ela e Rose estavam com Clary, já esperando perto do brinquedo.

— Não, eu...

— Cara, relaxa! — Arthur mandou, já pagando pelos ingressos. — Eu convidei vocês, posso pagar.

— Isso não está certo — reclamei.

— Você paga na próxima, ok? — Arthur me entregou os ingressos. — Apenas aproveite o passeio.

— Ok — resmunguei, odiando a ideia de Arthur pagando qualquer coisa para mim, minha irmã e Bella.

Ele bateu em minhas costas, seguindo até as garotas.

— Tudo bem? — Bella perguntou para mim, deixando Clary ir para a montanha russa com Rose e Arthur.

— Não quando Arthur é o cara pagando por tudo isso.

Bella franziu o cenho.

— Ele é um amigo.

— Sim, seria justo se eu pudesse retribuir um dia, mas não...

Ela colocou a mão na minha boca, fazendo com que eu parasse de falar.

— Não surte agora, Garoto do Brooklyn — pediu, séria. — Vamos só nos divertir um pouco, acho que nós dois merecemos isso. No futuro, quando você tiver grana vai ser o cara pagando tudo.

Assenti, deixando com que ela tirasse a mão da minha boca.

— Eu vou encontrar um emprego logo mais — Bella emendou, abri a boca para falar que ela não precisava se importar com aquilo, mas ela voltou a tapar minha boca. — Não conteste, não vou deixar você surtando sozinho por dinheiro. Vamos fazer isso dar certo, eu espero que consigamos — murmurou o final com incerteza.

Segurei em sua mão, a afastando de meu rosto, podendo ver a tatuagem que ela tinha feito ali na noite anterior. Estava recoberta pela proteção, mas eu podia ver muito bem a caligrafia de Aro com a escrita sem medo, era idêntica a que tinha em meu próprio pulso e a que papai teve um dia.

— Eu amo você, Bonequinha — proclamei, antes de beijar seus lábios.

***

No fim da tarde Bella e eu deixamos Clary na casa da minha mãe, mesmo que eu tenha ficado do lado de fora do prédio, sem querer cruzar com Richard. Bella disse que ele não estava lá, mas mesmo assim eu continuava irritado demais por minha mãe não por um fim naquele casamento que não era benéfico de forma alguma para ela.

Depois de passar no meu próprio apartamento, onde Arthur e Rose estavam com Alice, que estava esperando seu namorado voltar do trabalho para ir até o loft dele, eu segui para o meu grande emprego que odiava e sem minha melhor amiga, pois ela estava de folga. Talvez quando Bella e eu fossemos sair para buscar um trabalho para ela, eu devesse buscar um para mim também, já que estava cada dia mais insatisfeito com servir naquela boate.

Quando cheguei do trabalho o apartamento estava silencioso, mas pelos sapatos de Arthur jogados no chão da sala soube que ele tinha ficado ali com Rose. Entrei no quarto, que agora era meu e de Bella, me deparando com ela acordada.

A garota estava deitada no chão, cercada por cadernos de desenhos, tintas e lápis — todo o material de artes que Alice também tinha colocado dentro das malas da amiga —, desenhando com extrema concentração. Eu não consegui chamar a atenção dela e fazer com que ela se dispersasse do desenho, Bella ficava tão linda toda voltada para sua arte.

Entretanto, sua concentração não durou muito, quando ela esticou a mão para pegar um copo — com o que parecia ser café dentro — e me viu parado junto à porta, soltou um grito assustado. Eu deixei uma expressão culpada tomar conta do meu rosto, terminando de entrar no quarto e fechando a porta atrás de mim.

— Desculpe, Bonequinha, eu não quis te assustar — falei sinceramente, vendo-a sentando no chão, deixando o copo de café de lado.

— Assustou muito — ela falou, com a mão sobre o peito. — Eu não te ouvi chegar.

— Posso ser bem silencioso — falei, tirando meus coturnos e os jogando para longe. O quarto pequeno estava uma verdadeira bagunça, não que eu fosse muito organizado, mas com o acréscimo dos pertences de Isabella o lugar estava cheio. — Como você está?

— Bem — respondeu, soando um pouco mais calma, pegando o copo que estava querendo antes, tomando um gole de seu café. — Apenas trabalhando um pouco — comentou. — Isso soou tão adulto!

Eu ri, olhando bem para os desenhos que a cercavam, tinha de tudo.

— São para o Aro?

— Sim. — Ela mordeu o lábio inferior, soando hesitante. — Eu tive um surto de criatividade e decidi me aproveitar disso, então estou começando a rabiscar algumas coisas para ele. Espero levar lá no estúdio em breve, mas não sei, eu acho que está tudo ficando terrível.

— Bom, eu discordo, eles estão ficando muito bons. — Sentei ao lado dela. — Você tem o dom, desenha bem pra caralho!

— Eu sei que sou uma excelente artista — se gabou, revirando os olhos como se não acreditasse realmente no que disse, o que era estranho partindo da rainha do convencimento. — Mas, são desenhos para estarem eternamente na pele das pessoas, eles tem de ficar realmente bons, não qualquer porcaria.

— Bonequinha, você já tem desenhos muito bons — insisti, apontando para a sereia no meu braço, ela deu um pequeno sorriso. — Eu tenho você na minha pele, isso com certeza não é qualquer porcaria, acredite.

Ela sorriu ainda mais, inclinando-se para beijar meus lábios. Sua língua tinha um gosto forte de café, mas eu também podia sentir o doce gosto da canela.

— Eu aprendi algo sobre tatuagens — ela disse quando nos afastamos.

— Sério, o que? — perguntei interessado, colocando uma mecha de cabelo dela que se soltou do coque que usava para trás de sua orelha.

— Que elas são bem incomodas durante a cicatrização — Bella afirmou. — Além, claro, de doerem demais para serem feitas. — Fez um biquinho, não resisti e voltei a beijá-la.

Afastei os desenhos dela, fazendo com que Bella e eu deitássemos no chão. Ela usava apenas uma regata e um short perigosamente curto, suas pernas nuas enlaçaram meu quadril, unindo nossos corpos.

— Você sabe, eu tomei muito café para ficar desenhando, agora estou com muita energia — ela disse quando eu deixei seus lábios para beijar seu pescoço, o cheiro dela era maravilhoso, o gosto dela então.

— Excelente, porque não estou nem um pouco cansado. — Eu estava, a noite inteira trabalhando foi desgastante, mas com certeza estava disposto para sexo. — Vamos para a cama — falei contra sua pele, quando Bella logo correu suas mãos para minha calça, começando a abrir.

— Já fodemos na praia, Garoto do Brooklyn, o chão do seu quarto... — O olhar de Bella se encontrou com o meu. — O chão do nosso quarto não parece um grande problema.

Segurei em seu queixo, fazendo com que ela continuasse olhando para mim.

— Repete.

Bella deu um sorrisinho malicioso, sua mão chegando ao meu pau por cima da cueca, ela parecia saber muito bem sobre o que eu estava me referindo.

— Nosso quarto — repetiu.

— Porra, Bella. — Voltei a unir nossas bocas, a beijando com mais vontade do que nunca.

Aquelas duas palavras eram tão certas saindo de seus lábios, eu com certeza não estava arrependido de ter nos tornado um nós, de ter me perdido no labirinto que Isabella era. Com certeza também não estava arrependido de tê-la pedido em casamento, eu queria casar com aquela garota um dia, fazer dela minha esposa, a amava e passaria o resto dos meus dias a amando.

Ela estava na minha pele, na minha mente e sem dúvidas no meu coração.

Relutantemente nos afastei para que pudéssemos terminar de tirar nossas roupas, antes que eu pudesse falar qualquer coisa Bella se mexeu até a mesinha perto da cama pegando uma camisinha de lá. Sim, ela com certeza estava mais responsável.

— Nada de bebês bonitos por enquanto, senhor Masen — falou, abrindo a embalagem, eu já estava tão duro por ela que Bella pode colocar a camisinha no meu pau logo. — Eu te amo — disse para mim, antes de voltar para o chão, puxando-me para cima dela.

Entrei dentro dela em uma única estocada, Bella apertou suas unhas em minhas costas, soltando um gritinho baixo.

— Eu te machuquei? — Me impedi de me mover, por mais que quisesse aquilo desesperadamente.

— Não mesmo. — Ela se moveu embaixo de mim. — Mas, já estávamos tempo demais sem sexo, eu estava com saudades.

— Eu também. — Sai de dentro dela, voltando a me afundar em seu interior molhado e quente. — Muitas saudades, Bonequinha.

Bella segurou em meu rosto, fazendo com que nos beijássemos.

— Ed-Edward. — Ela ofegou, segurando em meus ombros enquanto mantínhamos um ritmo rápido, nós dois muito perto.

— Eu não quero te perder — deixei a frase escapar por minha boca, pois apesar de tentar me manter forte por nós dois, não podia negar a sombra da condenação dela espreitando a gente. O olhar de Bella se encontrou com o meu, por trás do prazer vi a centelha de preocupação.

— Apenas me beije — Bella orientou, eu gemi, indo mais fundo. — Vamos, Garoto do Brooklyn.

Eu a beijei como se aquele fosse ser nosso último beijo.

***

Na segunda-feira, depois de um fim de semana que consistiu entre trabalhar, ficar com Clary e me dividir entre o hospital e nosso apartamento, Bella e eu fomos para a rua buscar um emprego para ela. A garota estava uma pilha de nervos — parte disso culpa da audiência preliminar que aconteceria aquela semana —, tinha acordado absurdamente cedo, vestido todas suas roupas, refeito a maquiagem e o penteado três vezes e ficou agarrada a pasta com seus currículos durante todo o caminho até Manhattan.

Estávamos indo para lá, pois era onde ficavam as melhores — ao menos na concepção de Isabella — galerias de arte da cidade. Ainda que ela já tivesse sido previamente recusada pelas galerias que Arthur tinha entrado em contato, queria tentar novamente em algumas delas.

— Bonequinha, você está respirando? — perguntei a ela quando deixamos a estação do metro, ela continuava agarrada a pasta, caminhando de cabeça baixa pela rua.

Sua super produção terminou com ela usando uma saia lápis e uma blusa social, como saltos bem altos e finos. Sua maquiagem era clara e seus cabelos ficaram presos em um justo rabo de cavalo, que ela conferiu umas cem vezes antes de deixamos o apartamento. Bella parecia um tanto quanto mais velha naquelas roupas, ou talvez fosse seu semblante tão sério que a fazia parecer ter mais do que simplesmente dezenove anos.

— Claro que estou respirando, Edward! — respondeu, com irritação em sua voz, parecendo muito com a garota que eu tinha conhecido.

Ela parou de andar, segurou meu braço, fazendo com que eu parasse também.

— Desculpe ter falado desse jeito com você.

— Sem problemas, sei que você está nervosa — falei, colocando as mãos no bolso da minha calça. — Eu também estava nervoso quando fui conseguir meu primeiro emprego, mas, fica tranquila, certo? Você já está ajudando o Arthur na exposição e tem os desenhos para o Aro, tem mais empregos do que eu.

Ela riu, encarando seus pés.

— Eu só quero algo mais consistente... — Continuou falando, olhando ao redor, as pessoas passavam pela gente xingando por estarmos atrapalhando a passagem. — Eu provavelmente nunca mais vou ter a fortuna que tinha antes, mas, sei lá. — Suspirou. — Sinto falta de Manhattan.

— Você quer deixar o Brooklyn? — indaguei receoso

— Não sem você! — Bella exclamou decidida, encarando-me. — Pode apostar que eu não viria morar novamente aqui sem você junto comigo. — Respirei aliviado. — O apartamento que a gente mora com certeza não é como meu antigo, Edward, mas é meu lar agora.

Ela encurtou a distância que nos mantinha afastados, tocando em meu rosto.

— Eu me sinto segura com você, me sinto amada. Então, não importa realmente onde eu esteja morando, só importa que você esteja comigo.

— E o que importa para mim também, Bonequinha. — Beijei a palma da sua mão. — Se você quiser a gente mora até no Texas. — Bella fez uma careta. — Não?

— Nem pensar. — Ela respirou fundo. — Vamos nessa, Masen, eu preciso arranjar um emprego.

— Vamos!

Voltamos a andar, seguindo para a galeria mais próxima. Bella falou com o gerente, entregou seu currículo e ele — com um grande sorriso falso no rosto — prometeu que entraria em contato quando alguma vaga surgisse. Isso se repetiu nas próximas galerias que fomos, eu sabia muito bem que ninguém ia ligar coisa alguma, o rosto de Bella estava estampado em cada jornal da cidade, e a TV falava sobre o caso de lavagem de dinheiro que ela estava envolvida sem parar.

— Eu desisto! — ela exclamou furiosa quando deixamos outra galeria, depois que a gerente de lá até disse que não precisava do currículo de Bella.

— Não desanime, Bonequinha. — Afaguei suas costas.

— Um pouco difícil, todas as portas estão se fechando para mim, quando antes era totalmente o contrário. Agora meu nome virou sinônimo de indesejada, quando antes eu o dizia e tinha o que queria. — Ela engoliu em seco, continuando a andar apressadamente pela calçada. — Estou farta das pessoas achando que roubei aquela merda de dinheiro, eu bem que queria ter roubado... — Bella explodiu em um choro alto, virando-se e agarrando-se a mim.

— Está tudo bem. — Beijei sua cabeça.

— E-Eu n-não que-queria — gaguejou enquanto chorava. — Ter roubado o dinheiro, juro que não queria — afirmou. — Devo ser uma das piores pessoas do mundo, mas nunca roubaria ninguém.

— Eu sei disso, Bonequinha. — A apertei contra mim. — Chega de procurar empregos por hoje, certo?

— Mas...

— Vamos para o Central Park. — A soltei, fazendo com que ela me olhasse. — Lá ainda é seu lugar favorito?

— Sim. — Bella sorriu contra as lágrimas que percorriam seu rosto. — Será ainda melhor com você lá, Garoto do Brooklyn.

Eu beijei sua testa, então limpei suas lágrimas e fiz com que ela apoiasse seu braço no meu.

— Vamos para o Park, lá também é meu lugar favorito com você ao meu lado.

***

Terça-feira foi o dia escolhido por Arthur para a sessão de fotos de Rosalie, até porque segundo o fotógrafo ele já estava com o tempo estourando para deixar tudo pronto para sua exposição que aconteceria no começo de agosto. Bella, como tinha sido contratada para ser assistente dele, acordou cedo e fez Rose acordar cedo também para começarem a preparar tudo.

Alice apareceu não muito depois, querendo ajudar com o figurino, cabelo e maquiagem de Rosalie. Minha amiga não estava curtindo muito aquilo, reclamando sem parar, mas depois de Bella e Alice a ameaçarem ela se calou.

— Ela está gostosa pra caralho! — Arthur, que estava ao meu lado na cozinha mexendo em todo seu aparato fotográfico, exclamou quando Rosalie apareceu na sala pronta para sair, usando uma camisa preta de banda justa e um short jeans desfiado, meia calça e coturnos. Os cabelos estavam soltos, pendendo em cachos dourados em suas costas, a maquiagem era menos exagerada do que costumava usar.

— Hey, mais respeito! — exigi.

— Vamos, vamos, vamos! — Bella praticamente correu até a cozinha, segurando uma maleta de maquiagem em mãos. — Rosalie está gostosa, a propósito — falou para Arthur, que assentiu.

— Eu disse!

Ele pegou suas coisas.

— Vamos nessa, Anjo!

Rosalie suspirou, parecendo nervosa demais com aquilo.

— Você vem? — perguntou para mim.

— Ver você sendo fotografada no meio do Brooklyn e envergonhada por isso? Não perderia por nada, Barbie! — Ela tinha uma de suas baquetas em mãos e jogou na minha direção, por sorte consegui desviar antes que acertasse minha testa.

— Ei, nada de matar meu no...namorado! — Bella chamou a atenção de Rosalie, corrigindo-se rapidamente antes de me chamar de noivo, mas ninguém pareceu perceber o erro.

Ainda queríamos manter aquilo apenas entre nós dois, iria nos poupar de mais dor de cabeça.

Nós quatro saímos do apartamento, Arthur já tinha lugares em mente para suas fotos e queria ter a sessão completa ainda aquele dia. No começo Rosalie parecia que estava indo para um campo de guerra, mas Art começou a fazer rir e ela foi relaxando.

— Eu estou entediada! — Alice reclamou apoiando-se em mim, enquanto nos movíamos para mais uma locação das fotos, uma quadra de basquete do Brooklyn.

— Eu também — fiz coro.

— Tão fracos! — Bella exclamou para a gente, conferindo as fotos na câmera de Arthur, ela parecia bem animada com tudo aquilo, nem estava reclamando por estar andando de um lado para o outro com seus saltos altos.

Alguns caras estavam jogando na quadra quando chegamos lá, foi fácil reconhecer Emmett entre um deles. Bella xingou baixinho quando o viu também, indo para meu outro lado.

— Não arranje confusão — pediu para mim.

— Não vou — prometi. — Mas, se ele arranjar eu não vou ficar quieto — afirmei.

— Só não seja preso — Alice implorou, Bella riu, o que me surpreendeu.

— Ela está certa, Garoto do Brooklyn.

— Ah que saco, a gente vai ter de esperar o jogo acabar — Arthur reclamou quando ele e Rose, que ficaram um pouco para trás, chegaram a quadra.

— Ou não, será muito melhor as fotos com o jogo rolando. Prepare a câmera, Líder de Torcida! — Rose proclamou, já caminhando até a entrada da quadra. — Ei, garotos! — chamou pelos caras jogando, eles rapidamente pararam de jogar, voltando-se para ela, quando Emmett a viu franziu a testa, olhou para onde estávamos e rapidamente ficou irritadiço. — Será que posso jogar um pouquinho com vocês? Meu namorado também adoraria tirar umas fotos! — Ela olhou para Arthur, piscando para ele, o fotógrafo sorriu largamente, já preparando a câmera que Bella lhe devolveu.

— Claro, gata, você com certeza pode jogar com a gente! — O cara com posse de bola a jogou para Rosalie, que a pegou facilmente, ouvi o clique da câmera de Arthur capturar aquele momento.

Ela jogou por uns cinco minutos, era melhor em basquete do que eu, precisava admitir aquilo. Arthur parecia estar adorando, a cada foto tirada elogiando o fato da câmera amar Rosalie, Bella estava em meus braços e Alice resmungava sobre a maquiagem de Rose estar se desfazendo por conta do exercício físico.

— Foi um prazer jogar com vocês, garotos! — Rosalie exclamou quando teve tudo que queria, largando a bola.

— Ei, Rosalie! — Emmett chamou por ela quando minha amiga estava deixando a quadra, Arthur fechou a cara imediatamente.

— Sim? — Rosalie se voltou para ele, com uma sobrancelha arqueada.

— Será que a gente pode conversar um pouco? — Emmett se aproximou dela.

Rosalie sorriu, jogando seus cabelos por cima do ombro.

— Não temos nada para conversar, Emmett.

— Mas...

— Nada! — ela frisou. — Adeus!

Ela se afastou dele, seguindo para Arthur e deixando Emmett para trás.

***

Na noite anterior a audiência preliminar que Bella enfrentaria, eu estava com insônia. Nada me fazia dormir e cansei de ficar me remexendo na cama, até por receio de acabar acordando Isabella.

Ela já teria de enfrentar um juiz e a promotoria no dia seguinte, que julgariam preliminarmente por meio de provas se o caso dela seria mesmo julgado, não precisaria passar a noite acordada comigo. Jenks, o advogado dela contratado pelos Cullen, tinha se reunido com ela no nosso apartamento aquela tarde, sem nada animador sobre o caso para ajudar Bella, o julgamento já era algo praticamente certo.

A condenação não parecia algo tão distante, o que nos apavorava, mas não voltamos a conversar sobre aquilo.

Eu estava na sala, tentando continuar a composição sobre Bella, aquela noite. Porém, não estava sendo nada produtivo, ela pelo menos tinha levado aquela manhã para Aro dez desenhos, recebendo por eles. Não era uma quantia a qual Bella estava acostumada, mas ela parecia bem orgulhosa de ter sido a pessoa pagando por nosso almoço, recusando que eu pagasse minha parte.

— Edward? — parei de dedilhar a melodia, que estava tentando encaixar ao que já tinha da letra da composição, na Fender que ganhei de Bella.

Olhei para a entrada da sala, vendo-a ali.

— Oi? — Fechei rapidamente o caderno onde as folhas estavam com o rascunho da composição.

— O que está fazendo? — perguntou desconfiada.

— Insônia, não consegui dormir — respondi.

— E o que tem no caderno? — indagou, andando até o sofá. — Está escondendo o que de mim, Garoto do Brooklyn? — Percorreu seus dedos por meus cabelos.

— Se eu contar perde a graça — assegurei. — Não toque no caderno, é serio!

— Você está compondo para mim, não está? — Bella sorriu largamente, inclinando-se sobre o sofá e beijando meu rosto.

— Não estrague tudo — pedi, ela riu. — O que está fazendo acordada? — A expressão divertida sumiu do rosto dela, seus olhos encheram-se de lágrimas.

— Eu tive um pesadelo — contou.

— Sobre a audiência?

Ela negou com um aceno de cabeça.

— Sonhei que você... — Ela respirou fundo. — Você sabe.

— Que eu morria? — Ela suspirou ao ouvir minha pergunta, assentindo. — Não se preocupe, eu ainda vou viver bons anos para te atormentar — prometi, Bella deu um sorriso triste.

— Eu acho que também estou com insônia agora.

— Bem vinda ao clube. — Me coloquei de pé, contornando o sofá e a puxando para meus braços.

— O que tem em sua mente, Garoto do Brooklyn? — perguntou quando comecei a nos mover pelo piso, em uma dança lenta.

— Treinando para nossa primeira dança, sabe, para quando formos casar — falei, Bella se esticou em seus pés, beijando meus lábios por um segundo.

— Precisamos de uma música para isso. — Ela tentou se soltar de mim, mas a mantive com o corpo colado ao meu.

— Esqueceu que seu namorado é um cantor? Eu posso cantar para a gente!

— Claro, não poderia me esquecer disso. — Bella colocou seu rosto em meu peito, deixando com que eu continuasse a conduzindo pela sala.

Comecei a cantar I’ve got you under my skin, que com certeza já tinha se tornado nossa música. Bella se agarrou ainda mais a mim, distribuindo beijos por meu peito nu, já que eu não usava uma camisa.

— Cante outra — Bella clamou quando terminei a nossa música. — Na verdade, tenho um pedido em especial.

— Você tem?

— Sim, eu gostei muito daquela do Arctic Monkeys, Mad Sounds, ouvimos a caminho de Hamptons, lembra?

— Lembro muito bem.

— O vocalista é um gato.

— Bella!

A Bonequinha riu, erguendo o rosto para me beijar. Quando nosso beijo acabou logo iniciei a música, Bella deu um sorriso preguiçoso ao ouvir a primeira estrofe. Continuamos a dançar, eu nos girava pela sala, vendo minha garota dançando e sorrindo, a amando como nunca.

You got those mad sounds in yout ears. They make you get up and dance* — sussurrei no seu ouvido.

Mad sounds in your ears. They make you get up and dance* — Bella cantou de volta.

— Bonequinha! — falei contra minha respiração, a erguendo do chão e a girando, a beijando em seguida.

— Vamos para a cama?

— Eu quero continuar trabalhando em sua música.

Os olhos dela brilharam ao ouvir aquilo.

— Você pode continuar depois, acho que precisa de um pouquinho mais de inspiração — falou contra meus lábios, antes de me beijar, fazendo com que minha pele esquentasse graças ao fato de tê-la junto de mim.

Isabella, o meu labirinto particular, onde eu amava me perder.

***

Isabella e eu fomos cedo para o tribunal na manhã seguinte, na companhia de Charlie e dos Cullen. Rosalie e Arthur iriam ficar com Clarisse, enquanto minha mãe foi para o hospital ficar com Renée.

Todos estavam bem ansiosos, mas o fato de não termos chegado em cima da hora nos garantiria mais um tempo de espera. Bella tinha ido para uma sala junto de Jenks, para que eles pudessem conversar melhor sobre a audiência, Alice e Esme foram comer algo na cafeteria e Carlisle tinha parado para conversar com um amigo advogado que encontrou por lá, o que fez com que Charlie e eu ficássemos sozinhos esperando pelo começo da audiência.

— Eu me demiti — ele contou, fazendo com que eu o encarasse.

— Como?

— O cara para quem eu trabalhava em Forks ligou e disse que deveria estar de volta ao trabalho na segunda, eu disse que não poderia deixar New York agora, então me demiti.

Meus ombros caíram ao ouvir aquilo.

— E agora? — indaguei.

Charlie suspirou, esfregando o rosto.

— Não sei, eu ainda tenho algum dinheiro guardado, posso me segurar por mais um tempo. Só não posso voltar para Forks, não posso deixar Renée, com certeza não posso deixar Bella agora que a conheci.

Assenti, entendendo seu ponto de vista.

— Se precisar de ajuda com dinheiro...

— Não começa, Edward. — Charlie revirou os olhos, tão parecidos com os da filha. — Sei que você não tem muito, e era eu quem devia estar te ajudando, quando seu pai me convidou para ser seu padrinho eu prometi a ele e a Lizz que iria cuidar de você como se fosse meu próprio filho. Não foi o que fiz, seu pai literalmente salvou minha vida e eu nem te vi crescer.

— Eu estou bem — garanti. — Sua filha está cuidando de mim, cuidando muito bem — brinquei, Charlie me encarou com seriedade. — É uma brincadeira! — acrescentei. — Quer dizer, ela cuida de mim, mas...

— Melhor parar por aqui, Edward — Charlie exigiu. — Não quero detalhes íntimos do seu relacionamento com a minha filha.

— Pode deixar, nada de detalhes! — Me remexi desconfortável na cadeira que estava sentado.

— Por que está emburrado, Charlie? — Ouvi a voz de Bella, segui a direção do som, vendo que ela estava perto da gente.

— Seu namorado estava contando coisas que eu não queria mesmo escutar — Charlie reclamou. — Já está na hora da audiência?

— Sim — Bella sussurrou.

Charlie se levantou, a abraçando e beijando o rosto dela.

— Eles vão ver que não tem porque te julgar, filha — Charlie falou confiante para ela. Bella apenas assentiu, mesmo não parecendo convencida daquilo.

— Garoto do Brooklyn? — chamou por mim, estendendo sua mão, entrelacei nossos dedos, ficando de pé. — Obrigada — ela agradeceu, apenas beijei sua mão, sem saber o que falar para tentar a reconfortar.

Jenks logo apareceu, então entramos na sala do tribunal. Alice e seus pais chegaram em seguida. Eu sentei entre Charlie e ela, Bella estava lá na frente em seu lugar, junto de Jenks.

O promotor e todo o resto necessário para a audiência já se encontravam ali, o juiz tinha proibido a imprensa ali dentro, mas eles estavam aos montes do lado de fora do prédio. Bella tinha tremido e muito quando passamos por eles, eu pensei que ela seria capaz de desmaiar por aquilo.

Não demorou muito para o juiz ser anunciado, era um homem velho e com uma carranca irritada. Passado os procedimentos iniciais ele pediu ao promotor pelas provas de acusação, recebendo todos os documentos que ligavam Bella ao esquema de corrupção do avô dela e dos Black.

— Senhor Jenks. — O juiz se voltou para o advogado de Bella.

— Meritíssimo, nós temos aqui provas de que Isabella Sawyer não tinha conhecimento das ações do avô, Marcus Higginbotham, ou de William Black. — Jenks pegou uma pasta, entregando ao juiz. — Minha cliente estava em Hamptons quando o senhor Higginbotham fugiu, após descobrir de alguma forma que estavam sendo expedidos mandatos de prisão contra ele. Minha cliente chegou a sua casa na véspera da prisão e foi abordada por Sarah, William e Jacob Black, mais seguranças, que reviraram seu apartamento procurando por dinheiro e joias, na ocasião ela foi agredida por Wiliam e Sarah Black.

Vi Bella lá na frente se encolhendo ao ouvir aquilo.

— Isabella Sawyer também não tinha ligação direta com os negócios da Organização Higginbotham, ela raramente aparecia na sede da empresa e não conversava sobre os negócios com seu avô. A senhorita Sawyer se dedicou exclusivamente a mãe, Renée Higginbotham que sofreu uma overdose, nas últimas semanas. Renée na ocasião deixou um bilhete para a filha informando que ela não deveria confiar em Marcus Higginbotham...

— Marcus Higginbotham também deixou um bilhete para a neta antes de fugir — o promotor interrompeu Jenks. — Afirmando que voltaria para busca-la. Meritíssimo, pedimos que a ré volte a prisão, para que não fuja e prejudique o julgamento.

Bella olhou para trás, angustiada, eu quis ir até ela, mas Alice agarrou meu braço, me impedindo.

— Não precisa acontecer um julgamento, minha cliente se declara inocente de todas as acusações.

O juiz parou para pensar um pouco, revirando as provas que tinha recebido de ambas as partes.

— Haverá um julgamento — ele decretou, Esme começou a chorar ao ouvir aquilo, eu tinha minhas próprias lágrimas acumulando-se em meus olhos. — Mas, eu não vejo a necessidade da senhorita Sawyer voltar à prisão, ela poderá aguardar o julgamento em liberdade, desde que se comprometa não deixar a cidade sem uma permissão judicial. — O juiz bateu o martelo. — Estamos encerrados por hoje. — Ele se levantou para sair.

Bella rapidamente deixou seu lugar, correndo até a gente. Charlie a alcançou primeiro, a abraçando com força.

O olhar dela se encontrou com o meu, algum tempo atrás — quando Jacob terminou o relacionamento deles dois — Bella tinha olhado para mim com um misto de sentimentos incluindo esperança. Naquele dia, naquele tribunal sufocante, ela não tinha uma centelha de esperança no seu olhar.

***

Bella não estava indo muito bem depois daquela audiência, ela tinha passado o resto da quinta-feira no hospital com a mãe, inclusive dormindo lá, assim como a sexta-feira. Eu sabia que era a forma dela de tentar aproveitar o máximo de tempo que tinha com Renée, mas também sabia que ela estava querendo fugir dos problemas fora daquele hospital e provavelmente de mim.

Eu com certeza não queria que ela fugisse, só que entendia que a cabeça dela estava uma confusão e que minha noiva precisava de um tempo para deglutir o fato de que iria a julgamento em algumas semanas, com fortes indícios de que seria condenada. Mal conseguia pensar naquilo sem surtar, ela que era a protagonista da situação deveria estar bem pior.

Por saber que ela queria um tempo, eu me surpreendi quando recebi uma mensagem sua, no sábado de tarde, confirmando que iria para o almoço que os Cullen estavam oferecendo no domingo. Eles tinham convidado até mesmo Clarisse e minha mãe, que tentou recusar a todo custo, mas acabou cedendo aos convites de Esme. Charlie foi convidado também, mas com a confirmação de que Bella estaria fora do hospital, seria ele quem ficaria com Renée.

Rosalie e eu buscamos minha irmã e mamãe, então seguimos para Manhattan no domingo de manhã para o almoço. Jasper já tinha ido antes, provavelmente sem conseguir passar muito tempo longe da namorada e Arthur não tinha dormido no nosso apartamento — o que acontecia quase que dia sim e dia não — no sábado de noite.

— Olá, que bom que vieram! — Esme abriu a porta para a gente, ela sorria, mas sua felicidade não era plena.

Todos estávamos abalados pelo fantasma do julgamento de Bella.

Esme cumprimentou a mim e Rose, voltando-se para Clary e nossa mãe.

— Edward é muito parecido com você! — a mãe de Alice afirmou para mamãe. — Você também, lindinha — acrescentou para Clary, que sorriu para ela. — Vocês três são lindos! — Esme sorriu para mim e afagou meu braço. — Bella está na sala de música.

— Certo — concordei, sem saber se eu devia ir até lá.

— Melhor ir conversar com ela — Esme disse, parecendo que tinha lido meus pensamentos.

— Ok, ok — concordei.

— Vamos, entrem todos! — Esme indicou o corredor de entrada, segurando numa mão de Clary.

Cumprimentei rapidamente Carlisle, Arthur, Alice e Jasper na sala, já querendo ir atrás de Bella. Minha mãe e Clary pareciam bem, então eu podia me afastar delas sem problemas.

Como dito por Esme, Isabella estava na sala de música. Sentada ao piano, a garota tocava Clair de Lune, errando notas, que não combinavam com o fato de ela saber tocar o instrumento bem, principalmente aquela música.

— Posso ficar aqui? – perguntei, ela não olhou para mim ao responder.

— Pode.

Eu me aproximei do piano, me lembrando da primeira vez que estivemos ali, então quando dançamos naquela mesma sala um tempo depois. Naquela noite, ao voltar para seu apartamento, Bella tinha sido agredida pelo avô, se eu tivesse ficado com ela ali as coisas poderiam ter sido diferentes.

Sentei ao seu lado, olhando para seu rosto. Ela estava séria, sem nenhuma lágrima em seus olhos, mas pelas olheiras sabia que ela não estava dormindo muito bem, eu também não estava. Além dos pesadelos me assombrando como sempre, não ter mais Bella ao meu lado na cama era torturante.

— Você vai voltar para o Brooklyn comigo, Bonequinha? — perguntei, sem conseguir me conter.

Ela parou de tocar rapidamente, olhando para mim por fim.

— Eu sinto sua falta em casa — acrescentei.

Bella engoliu em seco.

— Eu vou entender se você não quiser voltar, juro.

— Será por pouco tempo — murmurou, com a voz enrouquecida. — Depois do julgamento... — Ela uniu suas mãos as minhas. — Também senti sua falta.

— Então, volta para casa comigo, Bonequinha.

Beijei suas mãos, vendo que a tatuagem dela estava cada dia melhor.

— Eu pensei em fugir.

— Você...

— Fugir de verdade — contou. — Como meu avô, Caius e os Black fizeram, sumir da policia e evitar o julgamento, pois sei como isso irá acabar para mim.

— Bella, isso... — Me calei, suspirando, olhando para a tatuagem dela novamente. — Eu fujo com você! — exclamei, mesmo odiando a ideia, mesmo sabendo que pouco tempo antes recusei a ideia de fuga com minha própria mãe.

— Não, você não fugiria comigo — ela disse.

— Estou falando sério, Bonequinha, se essa é a forma de continuarmos juntos, vamos fazer. — Beijei suas mãos novamente. — Só não posso te perder, eu não posso. — Comecei a chorar.

— Não fugiria com você, Edward!

— Está pensando em ir sozinha?

— Estou dizendo que pensei em fugir, mas quando me dei conta que eu teria de deixar minha mãe e você para trás, percebi que não seria capaz de fazer isso. — Bella me soltou, afagando meu rosto. — Vou voltar para casa com você, Garoto do Brooklyn, lá é meu lar, lembra?

Ela se aproximou, beijando as lágrimas correndo por meu rosto.

— E eu serei presa em breve, mas não vou ser como eles. — Uniu nossas testas, voltando a unir nossas mãos também. — Não vou fugir, eu vou ficar.

Notas finais
* Você tem esses sons loucos em seus ouvidos. Eles farão você levantar e dançar; * Sons loucos em seus ouvidos. Eles farão você levantar e dançar; Bom, como disse antes estamos na reta final de Sob minha Pele, ela deve acabar entre o capítulo 45 e 50, mas ao menos por enquanto não tenho um número exato para dar a vocês. Semana que vem tem mais, beijos! Lola Royal. 08.10.17