Sob luzes de natal
1 One-Shot
Notas iniciais
“Então, mãe, eu queria tanto que você estivesse aqui, não sabe o quanto estou me sentindo triste no momento, passei a semana toda me preparando para o dia de amanhã, comprando presentes, ajudando a montar a decoração de natal da guilda e logo na véspera do natal, eu fico doente! Isso não é justo, este seria meu primeiro natal na guilda, junto com meus amigos, como é que consigo ser tão azarada? Bom, espero que amanhã eu já esteja melhor para poder comemorar pelo menos um pouco com os meus amigos.
Bom, era tudo o que eu tinha pra dizer, te amo mãe, você não sabe o quanto sinto sua falta, tenha um feliz natal!
Com amor, Lucy”
Suspirei ao terminar a carta. Lacrei-a e a coloquei junto das outras na minha caixa.
É tão chato isso, primeiro o Hanami, agora o Natal! Definitivamente este não é o meu melhor ano, mas o que posso fazer? Nada, é esperar que esta gripe passe. E pior, não sei nem se estarei melhor amanhã pois Wendy saiu em um trabalho com Charlie e Gajeel, e não chegaram ainda, então não tive oportunidade para pedir para ela me curar, ou pelo menos aliviar a situação!
Bom, já está tarde, melhor dispensar o Plue e ir dormir mesmo, reclamar não vai mudar nada.
– Obrigada pela companhia, Plue, já pode ir.
Plue bateu continência e desapareceu.
[...]
– Será que ela está viva? – uma voz falou e senti algo cutucando meu nariz. Ué, tem alguém no meu quarto?
– Natsu! Pare de cutucar a Lucy! Não a incomode, não está vendo que ela está dormindo? – outra voz ordenou. Não conseguia distinguir as vozes, deve ser por causa da gripe. Bom, agora sei que Natsu está aqui, o que já não é nenhuma novidade.
– Ah, mas eu gosto, é engraçado ver as caras que ela faz! – falou Natsu risonho. FILHO DA MÃE!
– Natsu goxxxxxxxxta da Lucy! – falou outra voz. Happy?
– PARE DE DOBRAR A LÍNGUA!!!! EU NUNCA DISSE ISSO!!! – berrou Natsu com a voz tremula.
– Não berra, Fogo nas Calças! – berrou outra voz, deve ser o Gray, pelo modo como chamou Natsu.
– Você não manda em mim, Stripper congelado!! – Natsu berrou de volta.
– PAREM VOCÊS DOIS!!!!
– SIM ERZA!!!!
Ok, apesar de eu não ter visto esta cena, imagino que os dois estejam abraçados com medo da Erza, isso é tão cômico... Mas o que eles estão fazendo aqui? Não deviam estar na guilda comemorando o Natal? Bom, hora de abrir os olhos.
– Bom dia pessoal! – falei com a voz fraca devido à gripe e ao fato de ainda não ter me acostumado com a claridade.
– Vocês estão sempre brigando! Será que não percebem que é muito melhor se dar bem? – Erza que vestia uma estranha roupa vermelha com um gorro de natal continuava a bronca nos dois. OOOOOK, FUI IGNORADA!!!
– Bom dia gente! – tentei de novo.
– Natsu, estou com medo da Erza! – Happy voou para trás de Natsu. Fui ignorada de novo!
– BOM DIA PESSOAL!!! — berrei finalmente conseguindo a atenção dos meus amigos, mas me arrependi logo em seguida.
– FELIZ NATAL LUCY!! – berraram todos pulando em cima de mim ao mesmo tempo.
– SOCORRO, ESTOU SENDO ESMAGADA!! – berrei tentando respirar.
– Desculpe-nos. – falou Erza saindo de cima de mim e puxando Natsu e Gray junto. – Como está se sentindo, Lucy?
– Um pouco melhor, mas acho que ainda não consigo sair da cama... Desculpa gente, eu queria passar o natal com vocês na guilda... – me encolhi na cama e puxei o cobertor para cima da cabeça.
Me senti mal. Assim como eu, eles também estavam empolgados para o natal, por ser meu primeiro natal na guilda, eles queriam que este fosse especial.
– Não fique assim, Lucy, haverá outros natais. – Gray se manifestou.
– É provável que Wendy chegue ainda hoje, se isto acontecer, a mandaremos imediatamente para te curar, não se preocupe. – Erza me tranquilizou sentando em minha cama e acariciando meu cabelo.
– Viemos lhe dar a alegria da nossa presença agora de manhã, vou guardar um peixe pra você! Isso é, se eu conseguir. – Happy voava em círculos por cima da minha cabeça e pousou em meu colo.
– O-Obrigada Happy. – agradeci com uma gota na cabeça.
Mesmo com esta fala estranha de Happy, me senti bem. Eles não se esqueceram de mim. Na verdade, eles nunca se esqueceriam, não posso duvidar disto. Passamos por tantas coisas juntos, eles são o melhor presente que eu poderia ter ganho. Natsu, Gray, Erza, Happy, Wendy, Charlie, Levy-chan, todo o pessoal da guilda! Eu realmente escolhi a melhor guilda!
Mesmo com meu estado de saúde, todos me olhavam com carinho. Quer dizer, todos menos um. Natsu parecia incomodado com algo, sua mente parecia estar em outro lugar. Mas antes que eu tivesse a chance de perguntar a ele qual era o problema, Erza se pronunciou.
– Viemos apenas para lhe desejar um feliz natal e ver como está. Mira quer nossa ajuda pra preparar o almoço. Deixamos seus presentes embaixo de sua árvore, abra-os quando se sentir melhor, mas agora tempos que ir. Desejo-lhe melhoras.
– Melhoras Lucy, e feliz natal. – Gray a acompanhou.
– Feliz Natal Lucy! – Happy se levantou e voou para a cabeça de Natsu.
– Obrigada minna, feliz natal pra vocês também!
– Temos que ir agora, até mais. Vamos meninos.
Eles já se dirigiam à saída de meu apartamento, menos Natsu, que nem havia se mexido. Continuava com uma expressão incomodada e me encarava pensativo.
– Está tudo bem, Natsu? – perguntei, mas ele me ignorou.
– Você não vem? – Gray o chamou. Desta vez ele parecia ter despertado.
– Já estou indo. – Disse com um tom distante que chegava a parecer meio... frio? – Melhoras Lucy, feliz natal. – E ainda pensativo, juntou-se aos outros, o que me surpreendeu, já que ele sempre usa a janela.
Bom, apesar desta atitude estranha de Natsu, eu estava feliz. É bom saber que sempre posso contar com eles. É uma pena que mesmo assim eu tenha que perder a festa de natal da guilda... Bom, é melhor eu dormir logo para melhorar de vez desta gripe, quem sabe amanhã eu já não esteja melhor?
[...]
Acordei com um barulho estranho por volta das oito e meia da noite. Olhei em volta mas não vi nada de diferente, ai meu deus, será que tem um assaltante aqui em casa? Mesmo ainda meio debilitada, já me sentia melhor, alcancei minhas chaves e me preparei para o caso de encontrar um estranho.
Então ouvi o barulho novamente. Este vinha da minha janela. Algo havia se chocado contra ela, algo grande e pesado, pelo barulho, e como qualquer pessoa curiosa, abri a janela para ver o que era. Grande erro. No mesmo instante em que abri a janela, o que estava se chocando contra ela me atingiu. E feio.
– AAAAAAAAAAH! – gritei, juntamente com o que, ou melhor, quem me atingiu.
– Natsu? O que você tá fazendo aqui? E por que pulou em mim desse jeito? – gritei ao reconhecer a criatura.
Confesso que só o reconheci pelo cabelo rosado, porque o mesmo estava usando uma roupa de Papai Noel, com direito a gorro, barba falsa e saco de presentes.
– Lucy! Por que trancou a janela? Você nunca faz isso! Estava quase pensando em entrar pela porta!
– E por que não fez isso, seu maluco?
– Porque não teria graça! – sorriu.
Vê-lo sorrir desta maneira me fez esquecer a possível raiva que eu estava dele por ele ter me acertado. Na verdade, isto me lembrou de algo.
– Natsu, por que estava estranho hoje de manhã?
– Eu estava pensando no que faria pro seu natal. O Hanami não teve muita graça sem você, e você estava ansiosa pra isso, então pensei em fazer uma surpresa pra alegrar o seu natal.
Ri com sua animação. Ele é mesmo um fofo, quando não está destruindo nada, é claro.
– Você é o primeiro Papai Noel que vejo que entra pela janela.
– Entrar pela chaminé é muito clichê.
O abracei com toda a força que eu tinha. Não era muita devido à gripe, mas eu tentei.
– Seu presente está embaixo da árvore. Pode ligar o pisca-pisca por favor? – comentei apontando com a cabeça para a árvore no canto do quarto. A árvore que Natsu, juntamente com Happy, me ajudou a montar.
– Claro.
É um presente realmente simples. Um cachecol tricotado por mim, acompanhado de um suéter com um dragão estampado. Não sei o que brilhou mais, a luz dos pisca-piscas ou seus olhos ao abrir o presente.
– Obrigado Lucy! Agora é a minha vez!
Ele começou a revirar o saco que trouxe consigo.
– Ahá, feliz natal Lucy!
– NATSU, ESTA É A COROA DO REI!
– Ah, presente errado.
E ele enfiou a coroa novamente no saco e tirou um pequeno embrulho do mesmo.
– Pronto, agora sim, feliz natal Lucy! Espero que goste.
Dentro do embrulho havia uma pequena e delicada corrente de ouro com um pingente de estrela. Totalmente lindo e delicado.
– Eu adorei Natsu, muito obrigada!
Mas ele não me respondeu. Na verdade, nem me olhava, estava olhando para o lado com um rubor perceptível em seu rosto. Será que ele está bem? Mas antes que eu pudesse perguntar, ele se pronunciou.
– Nee Lucy... Eu tenho mais um presente pra você.
– Mais um presente?
– Sim.
O rubor de seu rosto aumentou e ele começou a se aproximar de mim. De repente meu coração começou a acelerar. Muito. Ele estava chegando perto. Perto demais.
– Natsu...?
– Feliz Natal Luce.
E antes que eu percebesse, ele segurou meu rosto e me beijou. Um beijo calmo e doce, ao mesmo tempo que quente e intenso, e este parecia se tornar mais intenso pelas luzes dos pisca-piscas. Eu não podia acreditar no que estava acontecendo. Natsu estava me beijando! O Natsu! Meu melhor amigo! Se bem que... Desde que Mira-san disse que formaríamos um belo casal, tenho olhado ele com outros olhos. É Natsu, acho que gosto mesmo de você. Realmente, adorei o presente.
– Feliz Natal, Natsu.
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