Sob as estrelas
1 Capítulo Único
Notas iniciais
— Você se sente triste e eu não entendo os porquês dessa tristeza. Não sei se é recente ou vem te acompanhando a tempos, não conheço sua raiz, nem te conheço todo ainda. Fico desesperado em te ver assim, me sinto completamente impotente, sem saber o que fazer, como fazer! Eu só quero ver essa tristeza deixar seu coração.
— Me desculpe.
— Não tem o que desculpar, príncipe.
— Eu só... – Ariel o interrompe.
— Não precisa me dizer. Você nunca precisa dizer algo que não quer que seja dito, não estou o forçando a nada; Mas Matt, quero que veja que estou aqui.
— Eu vejo, eu sinto, só que... Eu não sei... Não sei.
— Olha pra mim – Matt encara Ariel, seu rosto arde – Se eu fosse a tristeza, não me atreveria a invadir um ser tão cheio de luz como você.
— Para de ser bobo – O moreno sorri.
— É sério! Olha você, Matt! – Ariel levanta e puxa seu amante consigo – Olha o quanto tu é foda, cara, vê dentro e fora de si mesmo: incrível com as palavras, mesmo as que saem atrapalhadas, inteligente, carinhoso, determinado... E olha que nem falei do quão sexy você é!
Matt ri e, envergonhado, senta-se novamente.
— Você é muito idiota, Ariel! Pare de me constranger – O ruivo sorri.
— Me desculpe, não consigo conter as palavras, elas só saem.
O silêncio se instala, Matteus admirava o céu, enquanto Ariel não tirava os olhos daquele rapaz.
— Cara, olha esse céu! – Ariel finalmente senta ao seu lado, e olhando na mesma direção que o moreno, acaba concordando – As vezes eu só queria subir até lá, voar perto daquelas estrelas, deixar essas... Coisas de lado e só... Só voar.
— É, seria incrível.
Um vento forte chega aos dois garotos que estavam ao alto de uma colina, por baixo de um céu repleto de estrelas, iluminados apenas pela luz da lua. Matt treme e Ariel chega mais perto, o aconchegando em seus braços.
— Um dia ainda te tocarei de verdade – Diz após um longo silêncio.
— Você vai.
— E quando isto acontecer, não estará mais triste assim – Matt agora muda sua atenção para o rapaz que o abraçava e o olha nos olhos, fazendo com que Ariel sinta-se despido, como se aquele homem fosse capaz de ver dentro da sua alma. Talvez fosse.
— Obrigado.
— Não me agradeça ainda – Sorri – É incrível como conseguimos nos conectar, como conseguimos construir este mundo, nos teletransportando para cá, mesmo que por alguns míseros minutos. Só que nada vai superar o dia em que te encontrar de verdade. Nada nesse mundo será tão emocionante.
— Você só está tentando me conquistar, seu bobão – Sorri
— Bom, em partes sim – Ariel o abraça forte – Porém, em outras partes estou sendo sincero.
Ariel e Matteus eram amantes, mas nunca se quer se viram. No entanto, seus sentimentos se tornaram tão forte que ambos conseguiram se conectar, através de suas energias e desde então, os encontros espirituais acontecem e com a frequência dos encontros, vieram a criação do monte das estrelas, o ponto de aproximação do casal.
Porém, Matt começou a ser tomado por uma tristeza da qual Ariel não tinha conhecimento e isto acabou dificultando seus encontros: a cada vez, o monte era tomado pela escuridão, como numa pintura que fora coberta por outra e se ambos não encontrassem uma saída, seu mundo seria tomado por aquela escuridão.
— O monte está quase coberto, talvez esta seja a última vez...
— Estou vendo.
Matteus sucumbe pela tristeza de perder seu mundo criado com seu amante, sente-se culpado por isso, seus medos o cercam e por isso, a escuridão volta a avançar, só que mais rápida, para perto dos dois e em pouco tempo, tudo sumiria.
— Você é meu príncipe – Diz o ruivo por fim – Não deixaria que nada de ruim te acontecesse, e eu sei que estou longe fisicamente de ti, sei que daqui, não sou muito útil mas se a única coisa que posso fazer é falar então... Eu o amo, você é incrível em todas as suas formas, não se deixe levar por esse sentimento ruim, você é bem mais que isso, Matt! Muito mais – A sombra negra já havia chegado a seus pés e começava a tomar seus corpos – E olha, você tem a mim, mesmo que não me veja ao seu lado, acredite, estou lá, mesmo que não consigamos mais nos encontrar neste mundo, eu estarei lá. Estarei lá por você!
A sombra finalmente os engole e tudo se torna negro. Matteus abre os olhos, está de volta a seu quarto e tudo parece confuso. Não conseguiu responde-lo a tempo e agora... As coisas pareciam ruim.
— Filho? – Sua Mãe surge de súbito, o retirando do transe – Está tudo bem?
— Está sim – Disfarça.
— Tem alguém na porta querendo vê-lo. É um amigo seu, só que eu nunca vi esse garoto.
— Apenas diga que não estou disposto.
— Não seja mal educado, menino! – A senhora o força a sair da cama e ir atender a tal visita.
O jovem reúne todas as suas forças e acompanha a mãe, não queria que ela percebesse o que estava acontecendo, aquilo só o desrespeitava. A luz da casa o deixa tonto e Matt acaba precisando fechar os olhos até poder acostumar-se com a claridade, caminha até a sala, tocando nos móveis para não tropeçar.
— Oi. Desculpa, deveria ter avisado que viria... – A voz que invade seus ouvidos era conhecida, e o moreno toma um susto. Seu coração acelera e negava-se a acreditar que era realmente quem estava pensando. Ao abrir os olhos, ainda com a visão meio turva, consegue enxergar a cor do cabelo do visitante: ruivo. Ele pisca e os coça e quando finalmente consegue enxergar, reconhece quem estava a sua frente – Finalmente estou aqui, Matt.
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