Sob a luz das estrelas
9 Um rosto familiar...
Já havia se passado duas semanas desde que Catherine havia estado no hospital. Ela não tivera uma única notícia do Detetive.
O turno estava quase acabando, Cath voltava da sala de analises pelo corredor deserto, quando o armário ao seu lado se abriu e uma mão a agarrou, puxando-a para dentro daquela escuridão. Ela tateou desesperadamente pelo interruptor e finalmente o acionou, revelando o doce rosto que estava trancado junto dela, dentro do armário pequeno de vassouras.
— Quer me matar do coração Grissom?
— Desculpe.
— Por que me puxou para dentro do armário de vassouras?
— Essa era a única maneira de poder chamar sua atenção. Há duas semanas você vem fugindo de mim.
— O que, eu não estou fugindo de você.
— Sim está, você está me evitando desde que eu lhe perguntei se sabia que o Detetive Vartann havia recebido alta e voltara a trabalhar no Departamento. – Catherine permaneceu em silencio evitando olha-lo. – Há duas semanas você vem dobrando seus turnos, sem poder parar uma única para descansar. Há quantos dias não dorme?
— Não sei por que você acha isso estranho, você também costuma fazer isso.
— Sim costumo, mas você não. Cath, eu conheço você a oito anos, e sei muito bem que algo naquele Detetive a perturba, o problema é... o que há nele que está lhe causando isso. – Ela novamente permaneceu hesitante.
— Gil... o Detetive Vartann é o vendedor de flores de New Orleans que lhe contei.
— O que disse?
— Louis Vartann é o homem do meu passado que eu venho tentando esquecer a muito tempo.
— Oh Cath, eu... eu não fazia ideia disso. Por que não me contou quando o salvamos do acidente?
— Sabe Gil, eu venho tentando ser forte durante todos esses anos e achei que ele já não importasse tanto assim, mas quando soube que o homem que eu havia salvado era ele... desejei mentalmente sumir desta cidade, por que depois de anos... após longos anos, eu percebi que ainda o amo. – Grissom a abraçou. – Mas não se preocupe, está tudo bem. Eu estou bem. Ele... ele seguiu a vida dele, e agora só me resta seguir a minha!
— Tem certeza?
— Tenho. – Respondeu abrindo seu lindo sorriso novamente. A porta logo ao lado deles se abriu.
— O que estão fazendo trancados aqui dentro? – Nick pareceu perplexo ao ver os dois. Catherine saiu do armário e logo foi acompanhada por Grissom.
— Oh Nick, eu não acredito que você descobriu o nosso caso secreto! – Exclamou a loira irônica, passando as mãos pelos ombros do cowboy. O rapaz pareceu ficar ainda mais surpreso.
— Pare com isso Cath, Nick pode pensar besteiras ao nosso respeito.
— Oh Gil, não seja tão frio quanto aos nossos encontros secretos, se continuar assim terei de contar a ele o que eu fiz com você lá dentro a alguns minutos atrás, que o fez subir pelas paredes! – Grissom deixou a cabeça cair em sinal de desapontamento e vergonha, fazendo a loira rir auto. – Estou brincando Nick, Grissom e eu estávamos apenas conversando. Mas e então conte-me como foi seu encontro com Nancy?
Os dois saíram de braços dados até a sala de descanso.
— Foi bom.
— Bom? – Ele assentiu. – Esse não é o Nick que eu conheço. O Nick que eu conheço diria: “Cath sua amiga é o máximo, ela é uma fera na cama”.
— Eu sei que dizer essas coisas é do meu feitio, mas sabe Cath, ultimamente eu estou cansado de todos esses encontros que acabam em sexo, quero me apaixonar, quero dividir momentos felizes e bobos com alguém.
— Eu não acho que você deva se apaixonar!
— Não?
— Só se ama alguém uma vez, e você já está apaixonado, só não consegue admitir esses seus sentimentos, por que está com medo! – Disse apontando para Sara que acabara de cruzar o corredor a frente.
— Então você percebeu?
— É eu percebi.
— Ah Cath, Sara é um dragão, ela nunca me olharia.
— Você pensa negativo de mais. Por debaixo de toda essa camada rigorosa que há sobre a dura Sara Sidle, existe uma mulher que está esperando a pessoa certa, a pessoa que será a única a conhecer seu lado gentil.
— Acha mesmo que eu tenho chances?
— Acho, então que tal começar convidando-a para sair?
— E se ela não aceitar.
— Nunca iremos saber se não tentar.
— Tem razão, eu irei chama-la para sair. Obrigada Catherine, vejo você mais tarde. – Quando Nick se retirou os olhos de Catherine recaíram sobre um rosto familiar parado na recepção, fazendo-a caminhar em sua direção. Ele estava lá, sentado em uma das cadeiras na recepção, e quando a viu ele se levantou imediatamente.
— Cath?
— Como vai Cory? – Respondeu com um sorriso.
— Meu Deus a quanto tempo, nossa como você mudou, não sabia que havia se tornado policial.
— Na verdade eu não sou policial, sou cientista forense.
— Quem diria que nos encontraríamos depois de anos aqui.
— Tem razão, mas e então, conte-me, o que o traz aqui?
— Vim ver o Lou.
— Era de se esperar. – Murmurou.
— O que disse?
— Não foi nada.
— Você tem o visto?
— Na verdade não, evito fazer isso. Ei que tal irmos tomar um café agora?
— Por mim tudo bem.
Catherine apanhou seu carro na garagem e rumou até um café no centro da cidade.
— Então quer dizer que foi você quem o salvou do acidente! – Ela assentiu. – Como o destino é irônico, unir vocês desse jeito depois de quatorze anos. Ele sabe que foi você quem o salvou? – Ela assentiu.
— Depois que ele acordou, tivemos uma breve conversa. – Ela sorveu um grande gole do liquido negro e quente da sua xicara. – Conheci o filho dele.
— Alex é um garoto adorável não é?
— Sim, devo concordar que sim.
— Poucas pessoas diriam que o garoto é adotado. Alex tem uma personalidade e tanto quando se conhece bem, eu diria que ele se parece com você. Não só na aparência, mas na forma determinada e carinhosa de agir. – Ela se remexeu na cadeira desconfortável com o assunto. – Sabe Catherine, tudo teria sido tão fácil se vocês tivessem se encontrado um pouco antes. Talvez se o Lou tivesse voltado um pouco antes de você partir, ou...
— O que disse? Louis voltou a New Orleans depois de dois anos?
— Sim voltou, ele voltou por você, no entanto já era tarde demais, já fazia um mês desde que você e seus pais haviam partido sem dizer para onde iam.
— Ele... ele não me contou isso. Eu... achei que ele nunca havia voltado por mim, que ele não passava de um egoísta e aproveitar.
— Louis nunca foi egoísta Catherine, pelo contrário, ele fez isso por você, não podia pedir-lhe que deixasse seus pais, aqueles que depositavam tanta confiança e amor em você, para fugir com um rapaz pobre como ele. Eles estariam fadados a sofrer por todas as suas vidas pela perda da única filha. E se existe uma única mulher que meu melhor amigo amou em toda a sua vida, essa mulher foi você, e foi por isso que ele voltou. Tuck havia conseguido reabrir a loja em uma cidade vizinha, então ele trabalhou duro por dois longos anos para conseguir dinheiro o suficiente para voltar a New Orleans, pedir a sua mão aos seus pais de forma direita e respeitável e lhe dar uma vida digna ao lado dele, mas...
— Mas eu não estava mais lá! – Exclamou com a voz embargada.
— Não, não estava. Sei que você chorou pela partida do Louis durante muito tempo, mas você não faz ideia o quanto ele também sofreu por não encontra-la mais, sem saber uma única pista para onde você havia ido. Cath, se você continuar ouvindo a versão da chapeuzinho vermelho, o lobo sempre será mal. De mais uma chance para vocês. – A loira lutava determinadamente para segurar as lagrimas. – Bem eu preciso ir, ainda tenho que ver o Lou, foi bom rever você!
— Cory espere. – Ela agarrou a manga de sua camisa o fazendo parar. – Eu peço que não mencione ao Louis sobre nossa conversa.
— Não se preocupe, não direi nada.
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