Sob a luz das estrelas

14 Capítulo 14: Verdades inevitáveis


Notas iniciais
N/A: Oi oi gente! Desculpem a demora! Desculpem mesmo. Achei que não ia me enrolar, mas badunts! Me enrolei! Sei lá o que me acontece. To tentando postar mais rápido. Tentando. Bem, não se preocupem, a fic será finalizada, já está completa, só preciso organizar meus horários durante o dia pra não me enrolar. Aí vou conseguir postar. Espero que gostem do cap. Eu estou de coração na mão com ele hehehe. A esse tá sem betagem, mas relido e feito com carinho! Espero que gostem! Bejus e aproveitem!!! P.S: Esse trecho da música que coloquei aí no começinho do cap. Quem puder ouça. A música é linda!

Meu coração fica mais frio, minha alma vazia e escura, é hora de desenhar um lençol, sobre as minhas expectativas. Eu vou chorar, vou gritar- Aurea- The star

–Bem!- O médico encarou o casal com animação- Grávida como nunca!- Sorriu largamente ao analisá-los- Adoro dar esse tipo de notícia. Uma nova vida a caminho. Tão emocionante.- Rapunzel levantou da cama e Eugene suspirou resignado- Todos os sintomas estão aí. A partir das próximas semanas você ficará mais sonolenta. Só me espanta não estar enjoada. Não sentiu nenhuma tontura?- A loira negou enquanto colocava as botas- Forte feito um cavalo!- Eugene lançou um olhar irritado ao médico gordo e ruivo. – Pelos meus cálculos o bebê nasce em julho! Se tudo correr bem até lá. Vocês viajam quando?

–No fim do mês.

–Procurem um médico assim que aportarem. Mulheres grávidas precisam de cuidados especiais. Conselho de amigo? Se casem antes que sua sogra fique escandalizada.- Sorriu largamente. Eugene revirou os olhos.

–Onde pago a consulta?

–Na recepção.- Acompanhou-os até a porta.

–Então...-Eugene murmurou quando saiam do consultório- É oficial?

–Acho que sim.- Ela murmurou insegura. Entrelaçaram as mãos e ele a olhou com carinho- Em alguns meses...Em julho.- Suspirou- Oh nossa! Isso torna tudo muito real. Não é?

–Sim.

–Podemos passar na livraria? Quero comprar alguns livros sobre costura para bebês.

–Claro.- Ela sorriu largamente e passaram por lá. Mais tarde Eugene e Pascal deixaram Rapunzel no castelo.

–Boa tarde Joe.- Rapunzel sorriu quando viu a porta abrir, mas ao invés de Joe uma figura masculina se aproximou:

–Desculpe.- Pediu ao vê-la. Rapunzel deixou a boca abrir ao observar a pessoa a sua frente- Estava procurando por Lady Joanne.

–V-você...Vo-vo...- Piscou confusa. O homem a sua frente era muito parecido com Eugene, tão parecido que a loira ficou atordoada, a diferença era que ele tinha cabelos ruivos e a pele num tom mais claro — Ela ainda não chegou. Rapunzel Flynnigan.- Esticou a mão:

–Sinto muito pelos meus modos. Edward Sach.- Beijou a mão dela- Muito prazer senhorita Flynnigan.- Rapunzel era boa com imagens e traços e quanto mais olhava para Edward, mais se espantava com a semelhança entre ele e Eugene. O ruivo caminhou por entre as telas- Quais são as da Joe?

–As em tons mais sóbrios.- O homem observou atentamente e depois olhou as telas de Rapunzel- Ela progrediu do primeiro em diante.

–Ela tem um dom natural.- Murmurou empolgada- Gostaria de tentar? Acredito que Lady Joanne chegue em breve.

–Ela sempre se atrasa.- Ele murmurou entretido com as pinturas de Rapunzel- Senhorita Flynnigan, seu talento é admirável.

–Obrigada senhor. Gostaria de tentar?

–Não obrigado, sou um desastre com tinta, mas não se sinta mal. Pode começar se quiser. Gostaria de ver seus talentos.- Rapunzel sorriu e assentiu — Você é de onde senhorita Flynnigan?

–Corona.- Respondeu lentamente enquanto pintava.

–Rapunzel?- Joe entrou na sala no mesmo instante. A loira virou a tempo de ver o casal trocar um olhar intenso — O que está fazendo aqui?

–Vim te procurar. Lady Fitzherbert Smith resolveu...

–Pode se retirar, por favor.

–Desculpe.- Ele murmurou e saiu. Joe sentou na cadeira de sempre e suspirou.

–Fitzherbert?- Rapunzel perguntou curiosa:

–É o sobrenome da família da minha mãe.- Deu de ombros- Nome bem comum.

–Sim.

–Quase todo mundo da Inglaterra é um Fitzherbert e nem são relacionados.- Riu- Nome de gente pobre.

–É que...- Ficou calada por alguns instantes- Meu noivo é um Fitzherbert.

–Bem. Estão indo pra Inglaterra, não é?- Rapunzel assentiu- Viu? Muito comum.

–Joe.- Chamou incerta- Tem certeza que o senhor Sach não sente nada por você?

–Absoluta.- Resmungou- Viu o jeito que me tratou? Mais formal que os guardas para a rainha!- Rapunzel deu de ombros:

–O achei muito parecido com Eugene.- Joe refletiu por uns instantes

–Tinha achado seu noivo familiar. Agora sei o motivo. Parece com o meu. Tem razão. Embora Eugene seja mais...Pretensioso.

–Ah! Pretensão ele tem de sobra. Até no jeito de andar.- As duas riram.

–Como você lida com aquele ego gigantesco?

–Eugene não é assim o tempo todo. Aquilo é o que ele exterioriza. Ele é muito doce...-Ela sorriu enquanto olhava para o nada- E tão carinhoso. Sem contar que...-Corou- Desculpe.

–Sem contar que?- Joe arqueou as duas sobrancelhas- É muito quente na privacidade?- Rapunzel abriu a boca chocada- Vamos. Pode me contar isso!- A loira soltou um sorriso travesso:

–Bem. É por aí.- As duas riram.

_______Tangled______

–Esperem um segundo.- A velha Gothel pediu e andou com dificuldade até uns arbustos:

–Qual é agora velha?- Ela lançou um olhar mortal a Peter e puxou a faca da bainha do vestido. Pegou um ramo cheio de espinhos. Um líquido escuro saia da ponta- Nossa vingança contra Rider começa agora.

–O que é isso velha?- Benjamin questionou irritado. Ainda estavam cismados com a mudança de aparência dela:

–Uma velha planta. Algumas gotas em sua comida e você fica grogue. Acaba dormindo. Um poderoso calmante. Vamos por Rider para dormir e entregá-lo aos guardas de Corona.

–Eles já estão a caminho. Vieram pelo canal. Pegando embarcações velozes. Devem estar chegando.- Benjamin murmurou com a boca quase salivando- Mas queremos pegá-lo antes.

–Nós vamos garotos. Nós vamos.

–Então, qual o plano?

–Precisamos de uma prostituta na cama com Rider, quando ele estiver apagado. Minha filha só precisa ver antes que os guardas cheguem. Vocês fazem o que quiserem com ele depois.

–Sua filha deve ser bem importante para ele.- Peter murmurou bolando algo em sua mente. Gothel o olhou desconfiada:

–Nem pense em machucá-la para atingi-lo.

–Jamais senhora.- Peter a olhou com deboche- Mas podemos encenar algo que o fará perder o rumo quando acordar. Vamos forjar a morte da sua queridinha.

–Destruam-no.- Ela ordenou sentindo ódio.

_____Tangled___

Depois de deixar Rapunzel na porta do castelo Eugene desceu a rua até o porto. A loira tinha combinado de se encontrar de manhã com Joe. Sentou-se no muro, com os pés pendendo uma boa distância da água, e suspirou. Estava absorvendo a ideia de ser pai. Não conseguia assimilar que em alguns meses teria uma vida em suas mãos:

–Rapunzel que essa criança seja igual a você.- Murmurou sentindo os flocos de neve caírem lentamente. Viu uma movimentação diferente no porto, mas estava tão absorto em seus pensamentos que só se deu conta do que era quando ouviu o tilintar familiar de uniformes. Levantou a cabeça alarmado e notou com horror a rainha de Arendelle abraçando a rainha de Corona e em torno das mulheres o capitães de guarda de ambos os reinos se cumprimentavam. Joshua,o capitão bigodudo de Corona, passava um extenso relatório ao enorme e loiro capitão de Arendelle:

–Como... Como eles souberam?- Sussurrou abismado. Sentiu o estomago afundar quando viu Max saltar do navio e parar orgulhosamente ao lado do capitão da guarda. Ele não podia acreditar. Eles não podiam estar ali por sua causa. Rei e rainha não podiam estar ali. Não era possível. Pascal chiou ao seu lado preocupado- Eu sei amigo.- Murmurou chocado- Precisamos sair daqui precisamos...Rapunzel está no castelo. Rapunzel está no castelo!- Arfou- Eles têm cartazes dela também. O merda! Merda! Pascal. Você precisa avisar Max. Ele precisa ficar esperto para quando os guardas encontrarem Rapunzel! Eu vou até o castelo tentar tirá-la de lá.- O camaleão assentiu e correu do ombro dele para a rua. Em poucos minutos estava subindo em Max. O moreno suspirou aliviado e saiu de fininho.

–Hey Eugene!- Alecto acenou quando viu o outro correndo- O que houve? Parece que viu um fantasma.

–Só um probleminha corriqueiro.- Murmurou apavorado. Quando chegou perto do castelo o estudou por alguns segundos- Ok. Telhados, fora de cogitação. Não há como chegar neles. Portões da frente nem pensar...Mas...- Se aproximou pela ponte e bateu no portão:

–Sim?

–Vim buscar minha noiva. A instrutora de pintura.- Implorou mentalmente que aquele truque desse certo.

–A sim. Aguarde do lado de fora, por favor.- O homem não questionou o horário. Ainda era cedo.

–Será que não posso ficar no pátio? Está congelando aqui amigo.

–Desculpe, são ordens...Ok tudo bem. Entre enquanto a chamo rapaz.- Eugene quase comemorou e adentrou o pátio- Mas fique aqui.- O velho senhor com cara assustada pediu e ele assentiu. Olhou em volta e encontrou uma porta quase fechando. Correu e se enfiou por lá- Agora é só achar a ala norte onde ela está...- Rodou por uns instantes e ouviu uma risada empolgada. Escondeu-se atrás de uma estatua e viu uma garota ruiva descer as escadas saltitando. Ela era tão vivaz quanto Rapunzel e ao observar melhor pode notar certa semelhança. Arqueou uma sobrancelha:

–Minha tia! Minha tia!- Ela gritou feliz com uma empregada que ria e a acompanhava- Elsa deveria descer para vê-la. Mas ela prefere se isolar naquele quarto.

–Que tipo de nome é esse?- Eugene sussurrou pra si com incredulidade e deboche. Revirou os olhos e saiu do esconderijo se esgueirando pelo castelo. Andou a esmo e se perdeu, ouviu o tilintar de armaduras e enfiou-se na primeira porta que viu. Era um escritório com um enorme vitral. Os passos e falatório se aproximavam de lá. Com horror viu a maçaneta girar e olhou para todo o canto. Abriu um armário cheio de prateleiras com muita papelada. Não podia se esconder lá. Então, de maneira milagrosa viu as cortinas pesadas. Eram cortinas muito grossas e ele podia ficar atrás delas. No cantinho do armário. Ninguém o veria ali. Afastou o armarinho um pouco e enfiou-se atrás da cortina. A porta abriu no exato momento em que ele se escondeu:

–Eleonor se acalme.- Ouviu a voz de uma mulher pedir. Pode ouvir soluços e uma voz familiar gritou entre o pranto:

–E-eu estou tentando me acalmar a dezoito anos Natália! Não me peça isso agora que estou tão próxima de...De vê-la!

–Foi uma denúncia Eleonor. Uma denúncia contra todos os outros rumores. Não podemos nos dar a esse luxo.- A voz forte de um homem pediu.

–Do que? De termos esperança? É isso que meu marido quer que eu faça? Não ter esperanças? É isso Frederic?

–Então se machucará novamente.- A voz de outra mulher pediu- Minha irmã! Seja razoável.

–Olhe esse cartaz. Olhe bem para esse retrato. São meus olhos. São meus olhos, a mesma curva do meu cabelo. As mesmas sardas que tínhamos quando mais jovens! Natália! Essa é minha menina! – Eugene, que estava tão inquieto e com medo de ser descoberto, sentiu o mundo parar. Sentiu como se tudo não passasse de um mero detalhe. Um mero detalhe além do frio e do peso que sentia no estomago. Nem percebeu sua boca abrir levemente ou a mão ir até a cortina e muito menos percebeu ter colocado os olhos ousadamente para fora. Então ele viu o quadro. Dois homens parecidos, um mais baixo e esguio, de cabelos ruivos, outro de cabelos castanhos, barba e sobrancelhas expressivas. Eram os reis. Os irmãos. Mas estavam estranhos sem suas coroas ou mantos. Depois analisou as mulheres. A rainha de Arendelle estava de perfil e a de Corona sentada na cadeira soluçando. Não estava em vestes formais e os cabelos estavam atados num coque alto. Eugene não podia acreditar no que via. Ele não era idiota. A rainha de Corona analisava o cartaz de procurada de Rapunzel. Então para completar, a cereja do bolo, o que podia dizer mais sobre a verdade irremediável, na nuca da rainha, a mesma marca, tom, e formato. No mesmo lugar onde Eugene mordeu, beijou e observou tantas vezes em Rapunzel. Era o sinal em formato de sol que sua garota tinha. A rainha levantou e ele pode ver o perfil dela encarando a irmã:

–Meu coração está apertado. Meu coração... Eu preciso vê-la. Eu preciso localizar minha filha.

–Eleonor.- A outra pediu:

–Natália. Você tem duas filhas, apesar dos problemas de sua mais velha ela está aqui. Com você. Cresceu com vocês, junto aos seus braços. Não me peça para esperar mais.- Soluçou entre a fala- Ela é minha filha.

–Não posso negar a semelhança entre nossa família. Mas precisamos averiguar a marca de nascença. Caso não tenha não poderá adotá-la Eleonor. Sabe que não pode. E tente não...

–Eu sei que é ela.- Interrompeu chorosa- Olhe essa menina, dezoito com certeza. Quando a encontrarmos ela dirá que o nome é Rapunzel e...

–Eleonor.- O rei de Corona segurou-lhe os ombros com carinho e ela o olhou, de baixo para cima e Eugene pode ver Rapunzel, pode vê-la perfeitamente em todos os trejeitos da rainha. Engoliu em seco- Mesmo que seja ela, mesmo que seja nossa menina. Quem garante que atenderá por Rapunzel? Que horrores ela sofreu? Que ela viveu? Mesmo que seja nossa filha precisaremos ir com calma! Para não assustá-la.

–Eu só quero minha menina de volta.- Fungou:

–Eleonor querida. Nosso reino é pequeno e todos na vila se conhecem. Nossos guardas vão sair e questionar sobre pessoas de fora. Não será difícil. Podemos checar no porto. Podemos checar em qualquer lugar. Se estiverem aqui vamos encontrá-los. Três dias é o suficiente para encontrá-los, ok? Agora vamos tomar um chá. Anna está ansiosa para revê-la. Alexandra está conosco, lembra? Também quer vê-la.- Eleonor assentiu e as senhoras deixaram os homens a sós. Eugene voltou para de trás da cortina e fechou os olhos. Seu peito começou a subir e descer rapidamente. Sua cabeça girava sem parar.

–Meu irmão! Isso é loucura!

–O que? A chance de rever minha filha?

–Apostar suas fichas num patife fanfarrão! Por deus Frederic! Pense nisso.

–É nossa única esperança.

–Ele foi cruel, roubou de vocês a única lembrança que tinham da menina. Não pensou em nenhum momento a dor que sentiram ao perderem o último fragmento da princesa.- Eugene sentiu como se uma faca tivesse lhe atingido- E se essa garota for mesmo sua filha, acabou com a reputação dela, que tipo de pessoas ela andou se metendo? Que tipo de pessoa ela se tornou andando com alguém como aquele ladrão?

–E o que quer que eu faça? Mate a única pessoa no mundo que nos deu a chance de encontrar nossa filha?

–Tudo depende de quem ela for. – Então os homens saíram do escritório, mas Eugene não se moveu. Continuou em seu esconderijo. Os olhos vidrados nos próprios pés, as sobrancelhas franzidas. Seu mundo ruindo, seu sonho ruindo, tudo se tornando preto e branco. Uma dor apertava seu coração. Tudo que ele seria, tudo que ele estava disposto a deixar para trás... Não o deixariam perto dela. Não o deixariam chegar perto de seu próprio filho. A afastariam e o mandariam para prisão. Na melhor das hipóteses limpariam sua ficha se ele aceitasse ir para longe. Um pânico o tomou. Uma urgência de encontrá-la e fugir dali. Como ele poderia? O que deveria fazer? A verdade era demais. Engoliu em seco e sentiu as lágrimas molharem seus olhos. Não podia, não deveria...Mas ele estava, agora mais do que nunca, arrasado. De uma maneira que nunca se sentiu em toda sua vida.

Aquela era uma verdade que ele ignorou por muito tempo, porque foi conveniente, porque ele não quis confrontar. Ele não achou nada sobre os pais de Rapunzel porque eles eram o rei e a rainha. Ela era a princesa perdida. E agora era a princesa desonrada, grávida antes do casamento, grávida do ladrão mais procurado de Corona, do inimigo número um do rei. Do patife sem alma que roubou a única lembrança de felicidade que o casal real tinha e tudo por causa de dinheiro. E agora os guardas estavam indo para a vila e Rapunzel tinha 70 pés de cabelo loiro. Rapunzel era a artista simpática que todos já conheciam. Eles os achariam em breve. Saiu do escritório desolado e achou a saída rapidamente. Era quase hora de Rapunzel sair. Estava tão desnorteado que esqueceu de esperá-la na saída. Completamente devastado com tudo o que ouviu rumou para a pensão com um peso tão grande nos ombros que quem o viu soube que algo estava muito errado.

__________Tangled_________

Rapunzel estranhou a ausência de Eugene nos portões e esperou por um tempo. Quando ele não apareceu foi para a pensão preocupada. Subiu sem ao menos cumprimentar Georgia e encontrou o moreno sentado na cama. Olhando para baixo:

–Eugene?- Ela logo notou que ele não estava nada bem- O que houve?- O homem levantou os olhos, eles estavam tão tristes que foi desesperador. A loira ajoelhou na frente dele- Hey. O que houve? Eugene?- Chamou carinhosamente:

–Eu descobri que...-Suspirou- Descobri uma coisa sobre você que...-Soluçou e com horror se viu chorando na frente dela. Não apenas chorando, mas se desmanchando em lágrimas. Rapunzel o abraçou e ele escondeu o rosto no pescoço dela enquanto chorava com mais força e desespero. Rapunzel ficou calada, sem reação, sem saber o que fazer ou falar. Cerca de meia hora depois ele foi se acalmando, mas recusava se afastar dela:

–Eugene.- Sussurrou fazendo um carinho nos cabelos dele- Você já sabe?

–Eu não quero te perder. Eu não quero...-Soluçou- Não quero que tudo isso desmorone. Nós dois...

–Eu não vou a lugar algum. Estarei ao seu lado quando for confrontar a verdade.

–Do que está falando?- Ele se levantou e começou a andar de um lado para o outro:

–Eugene...- Olhou-o preocupada- Alexandra Fitzherbert.- O homem a olhou confuso- Sua mãe.

–O que?- Perguntou num fio de voz e ainda olhava para Rapunzel como se algo estivesse muito errado:

–Eu acabei de descobrir...Eu sei que isso pode atrapalhar nossos planos, mas eu não vou a lugar nenhum se você decidir ficar e colocar essa história em dia.- Ele franziu o cenho e balançou a cabeça sem entender nada do que ela dizia- Joe é sua prima Eugene.

–O que?

–Joanne Fitzherbert Lambert. Sobrinha de Alexandra Fitzherbet Smith.- Ele arregalou os olhos e sentou, tentando processar aquela informação.

–Minha mãe?- Seu coração bateu mais fraco- C-como assim mi-minha m-mãe?

–Não foi o nome que achou nos registros?- Ele assentiu- Elas voltaram da Inglaterra tem cinco anos. Alexandra Fiztherbert, casou-se com um tal de Smith e depois que ficou viúva voltou.- Eugene balançou a cabeça confuso- Joe estava me contando o motivo da tia insistir no casamento dela com o conde. Harryson Eugene Sach é pai do noivo de Joe e foi o grande amor da vida de Alexandra.- As palavras de Rapunzel lhe atingiram feito uma faca- Eu conheci seu irmão há dois dias Eugene. E conheci sua mãe quando fiz a entrevista para ser professora da Joe.- O moreno sentou de novo e passou a mão pelos cabelos enquanto olhava para Rapunzel em choque. Seu peito subia e descia sem parar:

– Eu não tinha ligado às coisas antes de Joe me contar isso e quando ouvi não estava querendo acreditar, ignorando a verdade bem na minha frente e então... Quando estava saindo do castelo vi o tal do Harryson. Joe me puxou e sussurrou quem ele era.- Engoliu em seco- Nem precisava falar nada. Ele é você daqui alguns anos Eugene. O mesmo tom de cabelo, os mesmos olhos, o mesmo queixo, o mesmo jeito de sorrir. Ele é tão parecido com você que até Joe notou e ela percebeu na mesma hora. Então me confrontou e eu contei a verdade sobre você. A qualquer momento Alexandra poderá bater naquela porta e te confrontar.- Ele levou a mão a boca e ficou olhando para Rapunzel de maneira chocada- Seus pais estão naquele castelo Eugene.- Bateram na porta e o casal se olhou. Eugene levantou a passos largos, sendo agressivo no seu caminhar. Rapunzel arfou. Abriu a porta com força e encarou um menino com uma carta estendida:

–Senhor Fitzherbert?

–Sim?

–Carta urgente do porto.- Pegou bruscamente e fechou a porta na cara do menino. Era um comunicado.

–O que foi?

–Nosso navio. Chegou dois dias antes do previsto e vai zarpar hoje a noite. Já podemos embarcar.- E a tentação de não dizer nada a ela tomou o coração de Eugene. E aquela vontade foi alimentada pelo desespero:

–O que?- Rapunzel o olhou confusa- Assim? Nem me despedi...- Eugene começou a reunir as coisas com pressa dentro da mochila- O que está fazendo?

–Sendo rápido.

–Onde está Pascal?

–Com Max.

–Max? O que Max está fazendo aqui?

–Os guardas de Corona descobriram nossa localização e estão atrás de nós. Precisamos entrar naquele navio em menos de meia hora ou estarão aqui.

–Não vou a lugar nenhum sem Pascal.

–Se não for vamos morrer Rapunzel. Pelo menos eu.- Confessou afobado- Precisamos ir agora.

–Eugene. Você ouviu o que disse?- O moreno guardava as coisas na mala e Rapunzel tirava com raiva. Ele começou a ficar irritado- Seus pais estão naquele castelo. Seu pai é um conde! Eles podem fazer algo por você!- A loira falou aumentando o tom de voz.

–Legal Rapunzel, eu vou chegar naquele castelo, cheio de guardas, que por sinal estão atrás não só de mim, mas de você também. Dai digo- Os olhos de Eugene estavam cerrados de raiva e sarcasmo- Olá Conde Sach, tudo bem? Sabe, sou seu filho bastardo, aquele que você teve com uma vadia que provavelmente- Jogou uma roupa com força na mala- Você nem se lembra o nome. Essa alpinista social virou nobre por algum motivo que não sei já que ela me ABANDONOU no orfanato dias depois que nasci. Acontece...- A mochila ficou cheia e ele começou a socá-la para tentar fechar:

– Que...-Rosnou com raiva- Além de ser o filho bastardo indesejado dos dois eu sou um ladrão. Mas espere, não qualquer ladrão. O ladrão que roubou a coroa da sua prima. Sabe, aquela que perdeu a filha há 18 anos e que por sinal é a rainha. Então, roubei a única coisa que a fazia lembrar da filha perdida. Por dinheiro, sabe? A e mais, será que você pode aliviar a minha ficha suja? Por que hum, deixe-me ver, embora eu tenha feito muitos roubos a pessoas importantes e ser um patife arrogante.- Socou mais a mala e falava entre ofegos. Sentia tanta raiva, principalmente por se dar conta de que não seria capaz de mentir para Rapunzel, mesmo que a mentira fosse para poupá-los, para continuarem juntos. Não podia ser egoísta daquele jeito- Eu encontrei a princesa perdida! Olha que maravilha!- Socou mais a mala e começou a ficar vermelho.

– O único porém é que eu a engravidei, sabe? Ela está grávida desse bastardo que vocês não queriam ver há 26 anos e não querem ver agora muito menos. Eu deixo a princesa com a rainha e um neto para compensar a infância perdida da princesa. Aí eu vou embora, sem problema nenhum. Só alivia meu lado. Vem cá papai. Me dá um abraço! Afinal, tô deixando a mulher da minha vida e meu filho com vocês porque eu sou a porcaria de um bastardo indesejado. Vai mamãe um abracinho seu também pra compensar anos de desprezo e indiferença. — gritou por fim e sentou na cama. Socou a mochila que caiu no chão. Rapunzel o olhou com choque e confusão:

–Do que está falando? Como assim?

–Você é a princesa perdida.- Sussurrou no meio de um suspiro sofrido.

–Como?

–Você é a princesa perdida!- gritou encarando-a com tristeza e raiva- Você é loira, dezoito anos, olhos verdes e grandes, marca de sol na nuca. Igual a rainha. Sua história. Presa numa torre, aquela psicopata que chama de mãe te impedindo de ver as lanternas. Lanternas que eles lançam para princesa perdida todo ano no dia do nascimento dela. Que é o dia do seu aniversário!- Ela o olhou com os olhos marejados:

–Não pode ser. Deve ser coincidência.

–Rapunzel!- Gritou com a voz chorosa-Pare de negar o óbvio. Acha que chorei daquele jeito por qual motivo? Por que eu estou nostálgico?- Ela encostou na parede perto da lareira e se abraçou. Os olhos verdes não deixavam os seus. Ela estava chocada, mas ele podia ver a verdade chegando para ela do mesmo jeito que chegou para si. De maneira devastadora:

–Não.- Sussurrou num tom de voz tão triste que Eugene sentiu o coração bater mais fraco- Não pode ser. Eugene...-Sussurrou- Como eu nunca percebi?- Suspirou- Esse tempo todo... Se isso for verdade, minha mãe nunca me amou.- Olhou-o com dor- Entende por que isso não pode ser verdade?

–Rapunzel.- Ele finalmente levantou e se aproximou dela. Segurou sua garota pelos braços e a olhou com carinho- Muitas vezes nos deparamos com uma realidade tão...Tão difícil.- Ele tinha dificuldade para falar devido a carga de emoção que levava no peito- Que queremos de todo o coração acreditar no que nos é seguro e conhecido. Pense nisso Goldie.- Ela assentiu e o moreno viu lágrimas escorrendo:

–Eu não sei se consigo acreditar nisso...Mas seria muita coincidência. Eu estou confusa.- Ele assentiu. Rapunzel andou até a cama e levou as mãos ao ventre:

–Se...Se eu for mesmo a princesa perdida...Por que isso significa que não podemos ficar juntos?- Ele suspirou- Acha realmente que não vão lhe deixar perto de mim mesmo sabendo que esperamos um filho?- Eugene sentou ao lado dela e passou o braço pelos ombros:

–Eu não sei Rapunzel. Não sei o que esperar, não sei o que eles esperam de você. Não sei qual seria a reação...Eu n-não sei se eu quero isso. Realeza, deveres, obrigações, cuidados que não precisamos ter sendo pessoas comuns.

–Entendo.- Ela suspirou:

–Mas eu vou para onde você for. Seja na Inglaterra ou no castelo de Corona.- Um arrepio passou por sua espinha. Tudo que ele sempre quis foi ficar rico e ter seu próprio castelo. Igual Flynnigan Rider. Mas agora, após abandonar seu alterego por tanto tempo, era até estranho pensar. Não queria perdê-la ou poderia se perder novamente:

–Eu posso dar uma volta? Preciso pensar.- Murmurou sentindo-se oprimida dentro daquele quarto- É muita informação.

–Ainda quer embarcar?

–Eu não sei. E se eu não for a princesa?

–Você É a princesa.- Eugene afirmou com tanta segurança que ela sentiu o mundo ruir mais um pouquinho- Não demore Goldie.- Murmurou num fio de voz- Tente não ser vista. Estamos prestes a ser descobertos.- Sabia que era imprudente deixá-la ir, mas sabia que ela precisava:

–O-ok.- Rapunzel saiu e nem cinco minutos depois dela ter ido Eugene sentiu uma sensação estranha. Como se nunca mais fosse vê-la caso não saísse naquele exato momento para encontrá-la.

Notas finais
N/A: Aí aí! E aí? O que acharam? Que vocês acham que vai rolar em? Hehehe. Gothel está chegando em Arendelle bem quando uma bomba dessas explode na mão do nosso casal. Aí aí! O que vai acontecerrrr? Comentem para eu ficar feliz e postar logo. Hehehe.