Sob a luz da lua cheia:Confissôes de Luna Lovegood
1 Meu querido diário!
Querido Diário,
Hoje, enquanto escrevo sob a luz pálida de uma lua cheia que entra pela janela do dormitório da Corvinal, sinto-me estranhamente compelida a colocar meus pensamentos em palavras. Sempre fui vista como a "estranha" ou a "excêntrica" por muitos, mas você, Diário, conhece meu verdadeiro eu, aquele que escondo sob uma fachada de desinteresse.
Desde o meu primeiro ano em Hogwarts, fui atraída por Harry Potter. Lembro-me de quando o vi pela primeira vez no trem, ele com seus óculos redondos e cicatriz distinta. Havia algo nele, algo além da fama e do mistério que o cercavam. Ele tinha uma bondade intrínseca, uma coragem que parecia brotar de uma fonte infinita. E foi essa bondade que capturou meu coração.
No entanto, meus sentimentos por Harry sempre foram um segredo bem guardado. Tinha consciência dos sentimentos de Ginny por ele, uma amiga que me foi tão querida. Ginny, com seus cabelos flamejantes e seu espírito ardente, parecia a companheira perfeita para Harry. Eu, por outro lado, sempre me senti deslocada, como se não pertencesse totalmente a este mundo.
Mas, querido Diário, deixe-me contar sobre um dos momentos que mais marcou minha vida em Hogwarts. Era nosso quinto ano, o ano da Armada de Dumbledore. Decidi me juntar ao grupo não apenas para aprender a me defender, mas também para ficar mais próxima de Harry. Lembro-me de cada sessão de treinamento como se fosse ontem. A maneira como ele nos guiava, como acreditava em cada um de nós, fez com que eu me apaixonasse ainda mais.
Durante uma dessas reuniões, tivemos que praticar o feitiço do Patrono. Meu Patrono, uma lebre, saltava alegremente ao redor, enquanto Harry observava com um sorriso de aprovação. Queria tanto que ele soubesse o quanto aquele sorriso significava para mim, mas as palavras nunca saíam. Sempre me escondi atrás da minha própria timidez e excentricidade, usando-os como um escudo para proteger meu coração.
Mas houve um momento em que quase me revelei. Foi após a batalha no Ministério da Magia, onde enfrentamos os Comensais da Morte e vimos Sirius Black cair pelo véu. Harry estava devastado, e eu o encontrei sozinho, sentado à beira do Lago Negro. Sentei-me ao seu lado, sentindo a dor em seu silêncio.
"Harry," disse eu, tentando encontrar as palavras certas. "Às vezes, aqueles que amamos nunca realmente nos deixam. Eles ainda estão conosco, nas sombras, nos sussurros do vento..."
Ele olhou para mim, seus olhos verdes cheios de tristeza, mas também de gratidão. Queria tanto lhe dizer que ele não estava sozinho, que eu estava ali por ele, sempre estive e sempre estaria. Mas, mais uma vez, as palavras ficaram presas na minha garganta. Em vez disso, apenas segurei sua mão por um breve momento, tentando transmitir tudo o que sentia através daquele simples toque.
Os anos passaram, e vi Harry e Ginny ficarem cada vez mais próximos. Cada sorriso que ele dava a ela, cada olhar trocado, era como uma facada no meu coração. Mas nunca fui capaz de invejá-los. Ginny era minha amiga, e eu sabia que ela o amava profundamente. E Harry merecia ser feliz, mesmo que não fosse ao meu lado.
Durante a batalha final em Hogwarts, lutei com todas as minhas forças, não apenas pelo bem do mundo mágico, mas também por Harry. Queria proteger aquele que tanto amava, mesmo que ele nunca soubesse dos meus sentimentos. Vi a determinação nos olhos dele, a vontade de vencer a qualquer custo. E, quando finalmente tudo acabou, quando Voldemort foi derrotado e a paz começou a se restabelecer, senti uma mistura de alívio e tristeza.
Alívio por saber que Harry estava seguro, mas tristeza por saber que meu amor por ele nunca seria correspondido. Então, aqui estou eu, escrevendo estas palavras na esperança de encontrar algum consolo. Talvez, ao confessar meus sentimentos a você, Diário, eu possa finalmente encontrar a paz que tanto procuro.
Sei que a vida é cheia de surpresas, e que o futuro é incerto. Mas uma coisa é certa: sempre terei um carinho especial por Harry, um lugar em meu coração que será eternamente dele. E, apesar de tudo, sou grata por tê-lo conhecido, por ter compartilhado momentos tão preciosos ao seu lado.
Talvez um dia, eu encontre alguém que me veja da mesma maneira que vejo Harry. Alguém que aprecie minhas excentricidades, que veja a beleza no que os outros consideram estranho. Até lá, continuarei a ser a Luna Lovegood que todos conhecem, mas com um coração um pouco mais leve, agora que meus segredos foram revelados a você, meu querido Diário.
Com carinho e esperança,
Luna.
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