Sob a chuva e o luar
3 Capítulo 3 - Final
Notas iniciais
Ela atravessou rapidamente a faixa de pedestres, completamente atônita.
— Adrien, eu não acredito que você…
— Eu também não. — Os dois começaram a rir e a azulada logo o colocou debaixo do guarda-chuva preto com ela.
— Espera, vai ficar tudo bem com o seu pai, né?
— Tecnicamente eu estou dormindo há duas horas, então…
— Adrien!
— Relaxa, vai ficar tudo bem. E, se não ficar, pelo menos eu vou ouvir o sermão dele feliz, porque tenho certeza que minha corrida na chuva vai valer a pena. — Marinette corou.
— E por que você fez isso? — Ela perguntou.
Adrien sorriu, mas não respondeu, ao invés disso pegou o celular que estava no bolso e começou a mexer nele. Marinette conseguiu ver que estava em um aplicativo de música e exibiu uma expressão confusa quando uma melodia começou a tocar.
— Que isso? — Adrien permaneceu em silêncio, aguardando que ela reconhecesse a música, o que levou apenas alguns segundos. — Espera, essa é… a música que dançamos em Nova Iorque?
— Aham, eu a escuto todo dia, até comecei a aprender a tocar no piano, quem sabe um dia toco pra você? — Adrien confessou, rindo levemente, enquanto Marinette se perguntava se ele podia ouvir seu coração disparado.
— N-nossa, que bom, é uma música muito bonita mesmo, você tem bom gosto. — Foi o que conseguiu dizer.
Eles ficaram em silêncio por um tempo, ouvindo a música que saía do celular do loiro. Marinette observava a chuva fraca que continuava a cair até que sentiu os olhos de Adrien sobre ela e voltou-se para o loiro.
— Me concede essa dança? — Adrien estendeu a mão e Marinette soltou uma risada nervosa.
— Aqui no meio da rua? E na chuva? — Ela não conseguia acreditar que tudo aquilo estava acontecendo. Adrien simplesmente tinha fugido de casa, corrido na chuva até a escola para encontrá-la, dito que escutava a música de Nova Iorque todos os dias e agora a chamava para dançar do nada?
— Você me disse que a gente devia aprender a dançar na chuva, não é? — Eles riram.
— Bom, não era literalmente, mas…
Ela sorriu e colocou o guarda-chuva preto apoiado em um dos degraus da entrada do colégio, sendo invadida por algumas lembranças.
Sentindo a chuva molhar um pouco seu rosto, estendeu a mão e começou a dançar com Adrien, que colocou o celular no bolso. Marinette envolveu o pescoço do loiro com os braços, que, por sua vez, segurou a cintura dela.
— Eu… simplesmente não consigo entender tudo isso. — Ela disse depois de um tempo, com a cabeça apoiada sobre o ombro dele, enquanto ainda dançavam. — O que foi que deu em você? — Perguntou, meio rindo.
— Vai me dizer que nunca correu na chuva por alguém?
Imediatamente, a lembrança de Nova Iorque invadiu Marinette. Naquela noite, correu atrás do carro de Adrien na chuva, tentando lhe dizer o que sentia antes que fosse tarde, mas não conseguiu. E agora se encontrava mais uma vez com ele na chuva, na porta do colégio, assim como no dia em que se apaixonou por ele, há tanto tempo, e ainda não havia dito nada. Até quando guardaria aquilo?
A música terminou, mas Marinette permaneceu abraçada ao loiro. Algumas lágrimas tinham começado a cair e não queria encará-lo. Não sabia o que dizer.
Adrien a abraçou mais forte quando sentiu os soluços, mesmo sem entender a razão de ela estar chorando.
— Desculpa. — Ela disse, sentindo a voz falhar.
O loiro desfez o abraço e a encarou.
— Eu… nem sei dizer por que estou chorando, eu só… — Suspirou — Acho que devia ir para casa e… acho melhor você ir também para evitar problemas com seu pai. Me desculpa, eu estraguei tudo, era pra ser um momento divertido entre amigos e eu só…
Adrien a interrompeu, tentando secar as lágrimas que se misturavam com a chuva no rosto da menina. Ela sentiu um sorriso involuntário formar-se em seus lábios.
— Não peça desculpas. — Ele beijou a testa dela. — Não sei o que houve, e não precisa me contar se não quiser, só não se desculpe por isso, você não estragou nada. — Marinette concordou com a cabeça, sentindo o nó em sua garganta diminuir.
O silêncio confortável que se seguiu à fala de Adrien acabou encorajando a garota a falar o que guardava há tantos meses:
— Eu corri sim na chuva por alguém. Foi por você. — Ele a encarou com uma expressão confusa. — Em Nova Iorque, depois que você entrou no carro, eu… tentei de tudo para te alcançar, mas não consegui. Eu precisava muito te dizer uma coisa. Uma coisa que eu quero dizer há muito, muito tempo mesmo. — Marinette riu levemente, um pouco nervosa. — Eu estou apaixonada por você, Adrien. Desde o dia em que, naquela escada ali, você me entregou aquele guarda-chuva preto. — Ela apontou para a entrada do colégio e para o objeto que estava o chão. — Eu imagino que você não sinta o mesmo, e tudo bem, fico muito feliz em ser sua amiga, de verdade. Passamos por... tanta coisa juntos, e eu não queria que as coisas ficassem estranhas se eu te contasse o que sinto, só que eu realmente precisava falar, não estava aguentando mais.
Marinette tentou ler a expressão atônita dele. Pelo visto ele não sentia o mesmo, no fim ela seria apenas uma amiga. A franco-chinesa pegou o guarda-chuva no degrau.
— Como eu disse, acho melhor irmos para cas… — Ela foi interrompida por um abraço tão repentino que deixou o objeto cair no chão. Com a surpresa, demorou alguns instantes para que ela pudesse retribuir o abraço.
— Está sentindo meu coração? — O loiro perguntou.
— Esse é o seu? Achei que era o meu. — Ela riu, nervosa.
Adrien se afastou e pegou a mão dela, colocando-a sobre seu coração disparado.
— Como você acha que eu não sinto o mesmo, Marinette? Eu não consigo parar de pensar em você desde aquela dança. Tudo ao meu redor me lembra você e os momentos que passamos juntos. — A garota o encarava completamente atônita. — Quando eu estava no avião voltando de Nova Iorque, eu olhei para a lua cheia e não conseguia parar de pensar naquela dança, e depois você aparece com todo mundo me enviando uma mensagem que alegrou aquele meu retorno tão difícil. Você está sempre pensando e buscando formas de ajudar as pessoas e isso é… incrível. Eu comecei a aprender a tocar a música porque ela me lembra você, e isso me faz sorrir, por mais chato e complicado que meu dia esteja. E hoje, justamente quando estou observando a lua cheia, um pouco escondida pelas nuvens da chuva, tantas lembranças lindas me vieram à mente. Eu... simplesmente não consigo deixar de pensar em você. — Ele riu, um pouco nervoso pelo que tinha dito.
A reação de Marinette foi pegar a mão dele e colocar sobre o coração acelerado dela, fazendo os dois rirem.
— Quando você falou sobre dançar na chuva ao invés de esperar a tempestade passar, eu não consegui ficar preso no quarto, de braços cruzados, pensando em tudo o que vivemos juntos e tudo o que eu estava sentindo, e esperar meu pai me dizer que podia sair ou esperar um momento livre na minha agenda, ou esperar… sei lá, que a Ladybug e o Chat Noir derrotassem o Shadow Moth. — Continuou ele, fazendo-a rir. — Eu precisava vir literalmente dançar na chuva com você, Marinette. Eu também estou apaixonado por você.
Ela o surpreendeu com um beijo, que logo foi retribuído. Uma sensação de paz tomou conta de seus corações disparados ao mesmo tempo que sentiam a chuva ficar cada vez mais forte.
Quando se afastaram, ficaram perdidos nos olhos um do outro, sorrindo, até que um trovão os assustou, fazendo com que os dois gargalhassem.
— Acho que a chuva nos une, Adrien Agreste. — Ela comentou rindo.
— Você acha? Eu tenho certeza, Marinette Dupain-Cheng.
O loiro tocou o rosto dela e se aproximou para beijá-la novamente.
E ali, sob a luz da lua cheia e encharcados por conta da chuva, eles sorriram um para o outro, não conseguindo esconder a felicidade por finalmente estarem juntos. Isso não significava que os problemas tinham terminado, Shadow Moth continuaria enviando seus akumas e amoks, com planos cada vez mais elaborados, e os dois ainda precisariam conciliar suas vidas de super-heróis com a civil, Adrien ainda teria sua agenda cheia, assim como Marinette ainda sentiria o peso de ser Ladybug e a guardiã dos miraculous. Eles ainda teriam muitas tempestades para enfrentar, mas agora estavam dispostos a dançar na chuva. Juntos.
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