Sob a Neve

11 Capítulo 11


Notas iniciais
Sei que estou demorando, e demorando, para postar os novos capítulos, mas a falta de criatividade está horrível esses dias, enfim, espero que gostem

Paro em frente ao cemitério, já fazia um tempo que eu não ia ali, a última vez eu estava com Eliza, e essa é a razão mais provável para que eu tenha dirigido até aqui.

—Tudo está tão errado.— Falo ao me deitar ao lado do túmulo de minha irmã, talvez eu queira mesmo um conselho dela, e mesmo sabendo que é inútil procurar pelo seu conselho, eu não consigo parar. —Uma bagunça e eu estou perdendo o controle da situação, eu preciso ter o controle, por favor, me diga o que eu estou fazendo de errado. —A neve faz com que meu rosto fique cada vez mais dormente, mas logo não sinto nada, e está difícil de mais enxergar, as lágrimas escorrem pelo meu rosto antes que eu perceba e nem me dou ao trabalho de limpá-las, porque eu estou sozinha, eu nunca estive tão sozinha.

Quando meus olhos entram em foco novamente, tudo o que eu vejo são manchas vermelhas, a neve se torna vermelha escura e eu reconheço imediatamente o que tem essa cor. O sangue. Lembro-me do sangue de minha irmã na cama dela e logo depois o meu, lembro-me da minha visão falhar, mas, ainda assim, eu conseguir ver a cor do sangue de minha mãe. E o sangue de Eliza, escorrendo em seu quarto, em meu carro e sujando o curativo.

Há também corpos na neve, e tudo que escuto está abafado, quero gritar mas nada sai. Levanto-me para correr e eu realmente consigo correr alguns metros, mas antes que eu alcance o meu carro, algo agarra meu pé e sou arrastada para o lado do túmulo de minha irmã. E lá está a minha mãe, com uma faca na mão apontando-a para o meu corpo jogado no chão, e a faca cai e eu me mexo, fazendo-a passar de raspão.

Eu vou morrer.

Bip. Bip. Bip.

Nem preciso abrir os olhos para saber onde eu estou, novamente. Respiro fundo e sinto o cheiro hospitalar, e forço-me para não fazer uma careta. Abro os olhos com calma e vejo a garota ao meu lado. Eliza está segurando a minha mão e seu rosto está inchado e com olheiras profundas, quando percebe que eu acordei, solta a minha mão envergonhada e sorri.

—Quanto tempo? —Pergunto com a voz rouca.

—Apenas algumas horas, eu… encontrei você no cemitério e fiquei tão preocupada, e Chloe, se eu fiz algo que te magoou, eu sinto muito mesmo. —Fecho os olhos novamente sentindo as lágrimas se acumulando conforme ela fala. —Eu nunca quis…

—Você estava com ele, você parecia gostar dele. —Sinto as lagrimas começando a brotar de meus olhos, eu não posso chorar, não com Eliza olhando-me confusa. —Você gosta do Luke? Diga-me a verdade. —Ela solta uma risada curta. —Qual é a graça?

—Luke não gosta de mim, e eu não gosto dele. Na verdade, acho que nossos gostos vieram invertidos. —Dessa vez eu é que estou confusa. —Eu gosto de garotas, Chloe, garotas de cabelos loiros e olhos bem azuis, de mais ou menos 1,75 e com belas nádegas. —Não consigo para de olhá-la, mesmo que meus olhos estejam cheios de lágrimas, a visão dela ainda me parece bela e frágil demais. Limpo as lágrimas e a olho nos olhos. —E embora Luke já tenha pegado metade das meninas que você conheceu nesse final de semana, o lance dele é o Chris, mesmo.

—Eu sirvo o suficiente para você, Eliza? —E então eu sorrio, com uma onda de alegria, se espalhando por mim, fazendo que minhas bochechas latejam de tanto sorrir e meu estomago parece estar cheio de borboletas há muito tempo.

—Se você serve? Há! Você é a garota perfeita para mim, Chloe. —Quando seus olhos encontram os meus, ela não desvia, e finalmente posso ver o quão lindo são. Castanhos escuros e brilhantes. —Eu deveria mesmo perguntar se você aceita ser minha, ou você já deixou as coisas claras o suficiente?

—Acho que isso merece um pedido oficial, e bem, não em um hospital. Afinal, quando eu vou ter alta?

—Eu vou chamar o médico.

Ela volta alguns minutos depois, com um garoto que parece ser o mais jovem daquele hospital, com cerca de 26 anos, e até mesmo familiar. Jeremy, é claro, o belo e prodígio irmão de Kenny. Que sorte.

—Senhorita Oliver, segundo recomendações, você terá que ficar mais alguns dias aqui, em observação. —Meu rosto fica corado, a raiva dominando-me. —É para o seu próprio…

—Bem? Qual é, Jer, você sabe que isso só vai piorar, mais ainda as coisas. Eu ainda vou perder as últimas semanas de aula, e aí sim eu estarei ferrada. —Ele me olha, e levanta uma sobrancelha. —Vamos lá, Jer. Eu vou ficar bem, olhe meu histórico, isso já aconteceu antes, e eu sempre me recupero, para falar a verdade, essa é uma das vezes que eu menos fiquei desmaiada. É uma recuperação.

—É senhor Carpenter, e é exatamente por já ter acontecido antes que eu devo lhe deixar em observação. Isso pode se tornar cada vez mais constante e você pode até não acordar mais, aconselho que você começa a visitar uma psicóloga assim que receber alta.

—Oh, querido Jer, —Ele cora levemente, doce e envergonhado, Jeremy. —Você me conhece o suficiente para saber que eu não irei, de jeito nenhum, em um psicólogo. —Ele me encara, e antes que comece a falar, levanto minha mão pedindo silêncio. —Mas é claro, tudo pode ser… negociado. Por exemplo, se você arranjar um jeitinho de me dar alta, eu posso mostrar mais interesse por procurar um psicólogo. E ai? O que você acha? Combinado? E eu não estou disposta a mudar o acordo.

—Vou ver o que eu posso fazer. —Sorrio para ele, mas Jeremy já está saindo do quarto, e só para quando já está na porta e fala, sem nem se preocupar se virar: —Sei que Kenny é uma vadia sem coração, mas eu gostava de quando vocês eram amigas, parecia que havia algo de bom nela, e infelizmente ela estragou isso também. E acho que sou muito sincero em dizer, que eu preferia ter você como irmã do que ela. Mas eu não posso desistir de Kenny, assim como eu acho que você também não deveria. Pois a algo dentro dela que é bom, e queria que você poderia tentar expor esse lado. Por mais difícil que possa ser. —E então ele foi embora.

***

Mesmo depois de ter saído do hospital, tomado banho e me trocado, as palavras de Jeremy continuavam em minha mente. Como pode uma pessoa tão legal ser irmão de uma vadia cruel como Kenny? E o pior de tudo era que ele ainda achava que eu deveria dar uma chance para ela. Bem fácil. A garota é ruim com todos que pode, fica falando de todo mundo e ainda nem se sente culpada por isso. Como eu poderia dar a ela mais uma chance? Jer estava errado sobre a sua irmã. Não havia nada de bom nela, nada que pudesse ser salvo, havia apenas maldade e escuridão, uma alma negra e corrompida. Mas a família devia sempre tentar ver o melhor de cada um, não é? Isso sim deve ser uma família.

É então que sinto inveja de Kenny. Ela tem um irmão que se importa com ela, pais que querem o seu melhor, e que lhe dão amor, talvéz não tanto quanto dão para Jer, mas, mesmo assim, isso não deve ser motivo para ser como ela é. Deve?

Eu também queria ter você como irmão, Jeremy. Pelo menos você está vivo.

E sinto lágrimas novamente, não consigo evitá-las, é difícil evitá-las. Me belisco tentando parar de chorar. É cansativo chorar sempre, e horrível também. Eu deveria é agradecer por estar viva, não ficar chorando por qualquer motivo.

—Chloe? Chloe? Você está me escutando? Por favor, Chloe, me responda? —Olho para Eliza, confusa.

—Desculpe-me, eu não escutei o que você estava falando. —Respondo a olhando, esperando sua resposta.

—Eu falei, que talvez pudéssemos dar uma volta, temos alguns assuntos para tratar, e um primeiro encontro para ter.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.