Sob a Neve
4 Capítulo 4
─Se for para continuar incomodando a todos, devia se matar de verdade, e não se arrepender depois, fazendo com que garotas como ela, tenham que se preocupar com os seus probleminhas idiotas.
─Saia daqui. ─Falei interrompendo a mãe de Eliza. Uau, ela era mesmo uma bruxa. ─Quero falar, de verdade, com Eliza.
─Você não pode falar assim comigo, sua mãe nunca te ensinou a respeitar os mais velhos? E ainda mais você a fez viver, nem devia estar aqui.
─Minha mãe está morta, e eu nunca seria tão idiota de deixar alguém morrer, agora saia daqui. ─Ela levantou a cabeça e passou por mim.
Olhei para Eliza, com varias agulhas e soros presos ao seu corpo, seus pulsos enfaixados e a aparência fraca, ela ainda estava pálida, talvez isso fosse mesmo uma característica habitual dela. Lembrei-me de quando eu era menor e acordei com tudo isso me prendendo e como logo depois, de tanto eu me mexer, mesmo com a dor horrível que vinha de minhas costelas, acabei caindo e me desligando da maioria dos fios e com um corte novo na cabeça.
─Você não devia ter feito isso, e sabia disso, então por que o fez? Eu quase morri de susto quando percebi o que realmente estava acontecendo. Eu pareço ter sido a culpada disso. Eu chego e converso com você durante uma tarde de repente bum!, você está quase morrendo em um hospital. ─Limpei uma lagrima que escorria de meu rosto. ─ Eu só me pergunto se você pelo menos pensou nas pessoas ao seu redor, e se não pensou, como você conseguiu? Simplesmente os esquece e finge que não há mais ninguém no mundo além de você? Você é uma grande egoísta, Eliza, mas não merece ser tão julgado pelos outros, e é só por isso que ainda estou aqui, o.k.? Eu espero que você entenda isso.
Me sentei na poltrona ao lado de Eliza e tentei me manter acordada. Eu não havia notado o quanto estava cansada e só agora, sentada ali, pensei em como eu deveria estar: com o cabelo desarrumado e minhas roupas completas de sangue e algumas lágrimas, não havia saído do hospital desde a hora que eu havia chegado e ainda sentia o peso dela em meus ombros. Balancei minha cabeça e a joguei para trás, meus olhos estavam quase se fechando quando ouvi a mesma voz do médico que havia pegado Eliza quando eu havia chegado.
─Você deve ir para sua casa e se trocar, ela ficara bem, apenas perdeu muito sangue e precisa ficar em repouso por algum tempo. Mas, como eu já disse, ela ficara bem. ─Me levantei e acenei para ele com a cabeça saindo apressadamente. Me espantei ao ver como o céu já estava tão escuro, com certeza não haveria mais tempo de ir para a escola.
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─Chloe, podemos falar com você? ─ Kenny falou, tentando fazer sua melhor voz de pessoa “triste”.
─Olha, seria bom que não, porque daqui a pouco eu terei que sair. ─Ela segurou meu braço com força, apertando suas unhas compridas em meu pulso. ─Deixe-me sair logo Kenny.
─Eu não me importo se você já vai ter que sair para ver sua nova amiga esquisita. ─Congelei no lugar, com as minhas pernas quase vacilando e a minha boca entreaberta. ─Eu sei que você está se encontrando com Mãos de Navalha, e não tente desmentir isso, pois, caso você não se lembre, meu irmão trabalha no hospital e ele se lembra muito bem de você. ─Ela sorriu e logo depois tentou disfarçar o sorriso, sem muito sucesso. ─Mas eu estou aqui para ajudá-la com tudo isso e fazer com que você ainda continue na realeza colegial, talvez um pouco abaixo do seu nível atual, mas ainda na realeza.
─Tem certeza que você está me ajudando?
─Deixe-me terminar, por favor. A questão é que tudo que você tem que fazer é não se misturar com pessoas que estão níveis tão baixos assim. Principalmente com Eliza. É pedir demais em troca de toda a popularidade e o amor que podemos ter dos outros?
─As pessoas não te amam Kenny, elas te odeiam, sentem medo de você.
─E não é a mesma coisa?
─Não, não é a mesma coisa. ─Passei por ela e a ouvi protestando e gritando que eu nunca devia virar as costas para a “realeza”.
─Você se arrependerá muito por isso. ─A ignorei completamente e podia ter certeza que seu rosto estava completamente vermelho nesse momento. ─Eu já devia ter a expulsado de meu grupo há muito tempo.
─Não, você não poderia me expulsar desse grupinho idiota, pois eu era a líder dele, e a partir do momento em que eu não quis mais liderá-lo, ai sim, você pode tomar as decisões. ─Ela abriu a boca para protestar, mas não conseguia dizer nada. ─Então cale-se logo antes que eu decida voltar a liderar esse grupo, e caso você esteja pensando que eu não posso, acredite, eu posso em um piscar de olhos, então acho melhor você ficar na sua antes que eu vire uma vadia igual você foi por todo esse tempo e então acabe com todas as suas chances de ser alguém antes da faculdade. Espero que você tenha escutado muito bem o que eu falei, porque não vou explicar novamente.
─Você fala de mim, mas querendo ou não, é igual a mim, você tem toda essa maldade guardada dentro de seu coração.
─Eu nunca serei igual a você, Kenny, que isso fique bem claro.
Os seguintes momentos se ocuparam pelos xingamentos dela atrás de mim e com um sorriso me afastei dela, estava me sentindo tão bem por não ter mais que ficar com pessoas como ela que fiquei ansiosa para ir até o hospital e poder contar para Eliza o que eu havia acabado de fazer. Eu estava livre.
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