Sob a luz do luar

Era silenciosa a noite. Tão quieta que só me traz a tona lembranças de meu pior crime.

Deixem-me me apresentar. Sou Elisabeth. Tenho doze anos. Cometi um crime tão cruel que não mereço perdão. Vou contar, a ninguém em especial, a minha tragédia. Ao luar, talvez, a escuridão. A qualquer um que ousar me escutar.

Era três de outubro. Estava o dia todo na escola. Tinha de fazer um trabalho. Antes de voltar para casa, fui até a praia. Minha mãe amava conchas. Ela as colecionava. Resolvi pegar uma para ela.

Quando cheguei em casa, Christhian – meu padrasto – já não me recebeu bem: um tapa no meu rosto. Após isso, fui entregar a concha para minha mãe. Surpreendentemente, ela arrancou-a de minha mão e a quebrou em vários, talvez até mil, pedaços. Depois disso, outro tapa. Desta vez, pegou em meu olho. Eu desabei a chorar. Meu olho doía.

Raiva.

Era apenas isso que eu sentia. Sai correndo até a cozinha. Fui até a gaveta e peguei uma faca. Corri até meu quarto. Minha mãe, Lilian, e meu padrasto se assustaram de tal forma que vieram correndo. Ele na frente.

Christhian abriu a porta. Apontei-lhe a faca. A única coisa que ele fez foi berrar. Cortei-lhe no pescoço.

Minha mãe chegou apressada. Matei-a sem dó ou piedade. Depois, apontei a faca para mim. Não tive duvidas, enfiei-a em meu peito...

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