Sob a Aurora

21 Predileções


Os Nottikins eram nômades, nunca ficavam em um lugar certo, estavam sempre em movimento. Porém, havia um lugar fixo, Norðurland Eystra era uma região remota, de difícil acesso e pouco conhecida. Um lugar escuro e coberto de neve, inóspito para qualquer pessoa ou criatura mágica, mas para eles era o local perfeito do quartel general.

Chõjurõ estava esperando o portão da sala de reuniões ser aberto. Ele estava curioso e ansioso, pela primeira vez na vida estava naquele lugar, era um privilégio já que poucos tinham a oportunidade de estarem ali. Ele iria participar de uma reunião com o líder dos Nottikins, nunca tinha conhecido pessoalmente quem era e só ouvia falar que era uma criatura amedrontadora. Durante sua vida, sempre recebia as mensagens dos insubordinados para realizar suas missões, sua reputação cresceu bastante quando ele entrou no corpo da jovem do clã das bruxas, teve um êxito que nem ele imaginou. Foi audacioso, mas deu certo. Agora ele colhia os seus feitos.

— Pode entrar.

Um sorriso nervoso foi notado em seu rosto. Mesmo ele querendo parecer o mais normal e relaxado, não conseguia.

Ele entrou na sala de reunião, o Nottikin principal estava conversando com outros, ele conhecia alguns dali de algumas batalhas. E tinha o líder.

Hõzuke era uma criatura misteriosa até para os próprios Nottikins, pouco se sabia daquela criatura milenar, os boatos que eram espalhados eram sobre ele ser o primeiro Nottikin. Presente em todas as batalhas, tinha o título de “pai de todos”.

Chõzurõ tremeu ante a presença dele e de seu olhar frio.

— O que iremos fazer? — Eiko perguntou, ele era o segundo na linha de sucessão.

— Acha mesmo que as crianças possuem o poder que procuramos? — Hõzuke perguntou.

— Sim, são eles. A magia que senti não tinha como descrever. Era fogo e gelo, eu senti algo extraordinário.

— Um viking e uma bruxa. — Hõzuke deu um sorriso diabólico. Era melhor do que ele poderia imaginar.

— Vamos pegar as crianças, esse é o momento. — Eiko sugeriu.

Ele negou com o dedo indicador.

— Do que duas crianças recém-nascidas iriam me servir? Eles não têm o poder desenvolvido ainda, o máximo que podem carregar é o princípio da essência ainda não desenvolvida. E a questão do desenvolvimento deles cabe aos bruxos. Só precisamos da essência desenvolvida, isso será fácil conseguir em uns cinco ou seis anos. A criança que tiver o poder do fogo não pode chegar até os vikings.

— Tem tanta certeza que o pai é um viking? — um outro perguntou.

Novamente ele sorriu maquiavelicamente.

— Existem olhos abertos em todos os lugares. Ele não pode chegar perto das crianças.

— A mãe irá atrás dele, ficará impossível.

— Nada é impossível. — ele disse e causou medo, principalmente em Chõzurõ quando ele apontou o dedo para o jovem Nottikin. — Tenho uma nova missão para você.

°•○●

Akureyri

A primavera chegou dando um colorido às ruas e bosques do clã dos bruxos. Era a estação do ano favorita dos bruxos e especialmente pelas flores do campo florescendo. Era uma ótima oportunidade para conhecer muitas espécies de flores para poções e para caçar pelas famosas terras de Hleuoufen, onde os bruxos faziam excursões para buscar as primeiras flores de Amábile, uma flor com alta capacidade no preparo de poções, bem rara.

Seis longos meses tinham se passado, o clã conseguiu reconstruir o básico, no entanto ainda tinham muitas obras pela frente. Como Hashirama costumava dizer: Tudo tinha o seu tempo debaixo do sol. Tinha um tempo para tudo e na hora certa iria acontecer.

Tempo era uma palavra que causava dor e agonia para outras pessoas, principalmente a caçula do clã, essa era a que mais sofria o efeito do tempo, para ela, o tempo não passava. Não adiantava o que fazia, todos os dias pareciam ser iguais. Ainda presa numa pequena cabana na floresta. Estar presa naquele local, não seria tão ruim se ela tivesse a companhia do seu filho. Seu pai sempre foi conhecido pelas severas punições que dava aos infratores, ela nunca pensou que uma delas cairia sobre ela. Foi uma das piores que o seu pai ordenou e contra sua própria filha.

Pelo menos ela agradeceu por não ter ficado presa no fundo do lago.

Uma mãe longe do filho. Seu pequeno bruxinho de cabelos loiros e pele tão alva quanto a neve. Ele era tão lindo. Todas as noites ela sonhava com ele, acordava chorando inconformada.

Pela noite sempre havia uivos. Ela já tinha se acostumando com os uivos dos lobos altas horas da noite rondando sua cabana. Nos últimos dois dias ela resolveu fazer armadilhas para afastá-los. Estava funcionando, pelo menos algo na vida dela estava dando certo. Pobre Ino.

Ela terminou de cavar um buraco, jogou um rede cheia de buracos por cima e cobriu com folhas. Já havia pegado alguns lobos dessa maneira, aproveitava quando era apenas um e descia corajosamente para esfolar o lobo e assá-lo ou preparar um guisado, dependia da disposição do dia. Não era a melhor carne, tinha um gosto estranho e não havia tempero que salvasse, mas era o que tinha para hoje e todos os dias que restavam.

Seus dias eram enfadonhos, ficava basicamente deitada na cama o dia inteiro e em um determinado dia da semana, ia até à margem do rio para pescar e lavar a roupa. Era a sua vida detestável.

Antes de ir presa, ela pediu que Sakura pegasse pergaminhos para ela, a irmã protestou de início, mas cedeu. Ino todos os dias estudava os pergaminhos proibidos.

Pela noite fechava os olhos e em suas preces perguntava para Odin, até quando aquele sofrimento iria durar.

Sua alma angustiada não aguentava mais.

°•○●

Na vila e afastado da floresta, Sai aprendia que era mais fácil ser um guerreiro, empunhar a espada e golpear era bem menos complicado que ser pai, um pai solteiro que não tinha a mínima ideia de cuidar de um pequeno bebê que chorava um bocado. O pequeno já tinha sete meses, estava esperto e já começava a engatiar. Desses sete meses, conviveu com sua mãe apenas um, logo foi arrancado dos braços dela. Ordens superiores. Sai tentou intervir, no entanto, Hashirama estava irredutível. Sobrou para o Sai cuidar do bebê, ele se afastou de todas as obrigações que tinha como guerreiro. Rin foi seu braço direito, ajudava a cuidar do pequeno levado curioso. Sete meses e ele já era um traquino, tinha derrubado uma poção de Rin e tinha ficado todo azul. Foi impagável, mas Sai quase teve uma síncope ao ver o filho azul.

E na pequena casa, aquela era a vida que ele levava com o filho.

Sentia pena por Ino, ela era a mãe apesar de tudo, imaginava o quanto ela sofria longe de seu filho. Ela era uma menina, uma menina-mãe longe de sua cria. Injusto.

Sai tinha preparado um mingau de cereal fresco do campo. Nesse período ele ganhou habilidades na cozinha. O Primeiro mingau foi horrível, tão horrível que quando ele jogou fora a planta do quintal morreu.

— Inojin! — ele chamou o bebê, jurava que tinha deixado próximo da mesa. — Inojin!

Desde que ele começou a engatinhar andava a casa toda. — Onde o deixei? — começou a ficar preocupado.

Ele foi procurar o bebê e não o achou nos primeiros cômodos da casa. Começou a revirar os móveis e por fim achou-o embaixo da cama puxando a bainha da velha espada. Sorte que ela estava protegida.

Sai pegou o garoto pelos braços que imediatamente começou a chorar.

— Cheguei na hora certa!

— Por Odin, sim Rin! Pensando seriamente em colocar umas tiras no pé dele. Correntes, eu não sei o que fazer.

Rin sorriu.

— Onde ele estava hoje?

— Embaixo da cama.

— Melhor do que ontem. — ele tinha escapado pelo quintal e estava próximo de algumas rochas cobertas por ervas daninhas espinhosas. — O mingau está cheiroso.

Rin era a provadora oficial e aprovou aquele. Só bastava o levado do Inojin aprovar também.

— Os bruxos começaram a se organizar para a expedição aos campos de Hleuoufen. — Sai comentou, ele adorava ir nessas excursões. Da janela ele podia ver os bruxos indo.

— Um número reduzido. Estão com medo de deixar o clã sem proteção.

Sai entendeu.

Rin sentou-se numa cadeira, pegou a tigela do mingau e começou a dar ao pequeno fujão.

— Meus pais gostavam de ir. Íamos sempre, eles e minha irmã. Ela adorava as tulipas roxas, por causa da cor do cabelo dela. Eu não recordo muito, mas em sonhos sempre lembro-me dela se jogando nas flores.

— Quando o Inojin crescer já imagino você o levando.

Sai deu um sorriso.

— Sim, iremos explorar os bosques, procurar flores e pedras raras. Teremos muitas aventuras, ele mal pode aguardar.

O bruxo ficou observando a amiga dando a comida ao filho.

— Rin! — ele a chamou atenção. — Eu tive uma ideia.

Rin viu que o amigo tinha olhos altivos e um brilho estranho neles.

— Como está Hashirama? O que ele anda fazendo?

— Além de implicar com os filhos da Sakura, ele está ocupado e principalmente arquitetando estratégias para proteger o clã. Por quê?

— É injusto o que ele fez com ela, sabe.

— Sei bem.

— Eu vou com o inojin ver a Ino.

— Sabe que é proibido.

— Óbvio, mas sei como ir lá e ele não vai perceber que estarei lá com o meu filho. Vou precisar de sua ajuda e da Sakura.

Rin franziu o cenho e já preocupada pensando em qual plano mirabolante iria entrar.

— Quero que informe ao Hashirama que irei aos campos de Hleuoufen. Ele sabe que sempre vou nessas excursões. Na verdade, eu irei visitar Ino e quando os bruxos retornarem, eu apareço como se tivesse ido à excursão.

— Esqueceu do detalhe que tem magia seladora ao redor da cabana. Hashirama saberá.

— Ai que você entra e a Sakura. Sei que ela sabe magia proibida e te ajudará na poção. Será o nosso segredo.

— Será que ela nos ajuda?

— Tenho certeza.

°•○●

Sakura nunca tinha pensando em maternidade antes, era uma bruxa guerreira, estrategista. Maternidade era algo que ela adiaria para o mais longe possível, seria assim, até encontrar aquele urso sacana que a engravidou e logo de duas crianças. Duas!

Da mesma maneira que Sai descobriu que ser um guerreiro era fácil perante as difíceis faces da paternidade, Sakura chegou á mesma conclusão. Ser mãe era difícil e ainda mais quando estava passando por uma fase turbulenta da vida.

Ela descobriu que manusear uma espada era mais fácil do que cuidar de gêmeos. Crianças eram complicadas e especialmente quando elas choravam. Uma tudo bem, no entanto duas era outra história. Segurar os dois ao mesmo tempo era complicado e quando choravam juntos. Que falta aquele urso estava fazendo, com certeza Sasuke cuidaria de suas crias com alegria.

Sakura nunca acertava o motivo do choro dos dois, não sabia quando eram cólicas ou fome.

Ela se considerava uma péssima mãe e estar fraca não ajudava muito.

No momento em que Sarada e Satsuki nasceram, seu pai lhe fez um interrogatório daqueles para saber quem era o pai das crianças. Ela manteve a informação de sempre, ele era um pescador, não mentiu. Ele era um pescador dos bons.

Seu pai torceu o nariz e principalmente pelas crianças não terem sangue puro. Mesmo sendo Sakura a herdeira, seus filhos não seriam. Eles eram Ylens.

E essa não era a única turbulência, tinha a principal: Sasuke. Ela não tinha notícias dele e aquilo causava uma aflição dentro dela. Sabia que o viking nunca a abandonaria, mas por que ele não vinha buscá-la?

Ela estava sem a varinha e fraca, ainda não tinha recuperado sua força desde o parto das crianças.

A amamentação dela era dolorosa, ela costumava brincar que as crianças sugavam todo o poder que ela tinha, não estava errada.

Naquela noite chuvosa, ela tinha terminado de fazer Sarada dormir, essa costumava acordar durante a madrugada chorando e custava a pegar no sono.

Sakura ainda não sabia qual dois era bruxo ou vikings, pelos negros cabelos ela acreditava que as crianças poderiam ter o elemento do pai. Nada eles tinham dela.

Já eram seis meses e não tinha recebido nenhuma notícia de Sasuke. Queria o urso ao seu lado.

Ela levantou-se da cama, estava fraca, mas mesmo diante da dificuldade se colocou de pé. Pegou uma lamparina acesa e caminhou pelos corredores do palácio. Sabia aonde tinha que ir.

Kabuto dormia tranquilamente até que acordou com as batidas apressadas na porta.

Ele levantou-se sonolento, quase não acertou a maçaneta da porta. Quem que poderia ser?

— Sakura! — ele exclamou.

— Preciso de um favor.

Kabuto coçou os olhos e bocejou um pouco.

— Entre em contato com o oráculo dos vikings. — ela invadiu o quarto. — Fale com ele.

Kabuto fechou a porta e já estava em condições de assimilar pensamentos.

— Com o oráculo deles, para quê? — ele bocejou outra vez. — Desculpa.

— Preciso saber de Sasuke.

— Ele não vem, eu te disse.

— Quero saber, mas o conhecendo eu sei que ele vem. Eu não irei suportar ficar aqui e nossos filhos, ele precisa conhecer os dois. — ela não quis admitir que estava sentindo a falta dele.

— Não é tarde? Pessoas dormem, até oráculos.

— Me desculpe, mas fale ao oráculo dos vikings e mande o meu pedido de socorro ao Sasuke. Eu não posso mais ficar aqui.

Ele sabia que Sakura não iria sair dali, ela era teimosa e quando cismava...

Kabuto virou e foi pegar a bola de cristal.

— Está tão tarde.

— Já está acordado. — ela retrucou e sentou na beirada da cama.

Sakura viu a bola de cristal ganhar uma tonalidade azul escura.

— Isso é uma exploração de oráculo, somos criaturas abençoadas por deuses.

— Pare de reclamar.

— Orochimaru. — ele entrou em contato.

— Espero que seja algo muito importante Kabuto.

— Precisa dizer ao Sasuke para vim me buscar! — Sakura pulou na frente da bola quase derrubando o Oráculo. — Lembra de mim, não é?

Orochimaru tinha terminado seus estudos sobre culturas antigas, sua vista estava exausta e ele agora tomava um chá para relaxar. Não era surpresa para ele Sakura entrar em contato.

Ele assentiu com a cabeça.

— Onde está o Sasuke? Diga que eu estou no clã e preciso que ele venha me buscar.

Orochimaru olhava a imagem dela na bola de cristal daquela forma espirituosa dele.

— Sasuke partiu com centenas e centenas de guerreiros.

Sakura estralava os dedos, estava nervosa.

— Ele não perguntou por mim?

— Sim. — ele disse e deu uma bebericada no chá.

— Então ele virá me buscar?

— Não.

A bruxa arregalou os olhos surpresa. — Mas como não?

— Kabuto, diga a verdade a ela.

— A... a... verdade? — ele gaguejou.

— Que verdade? — ela encarava Kabuto cética. — Vamos Kabuto, me conte!

— Odin amado!

— Conte!

— Sasuke soube de você Sakura, assim que você foi saiu do clã. No entanto, ele preferiu ir á luta.

— Mentira! Ele nunca faria isso. Está mentindo Kabuto, por que está mentindo?

— É a verdade.

— Não! Sasuke me amava, o seu amor era verdadeiro, ele nunca faria isso, nunca me abandonaria e mais quando souber que tem filhos, não!

As lágrimas escorriam pelo rosto dela. — Me conta, me conta! — ela exigia a verdade.

A bola de cristal novamente mudou de cor e logo trouxe uma imagem de um oceano, as águas estavam tranquilas e ela pôde ver dezenas de dracars.

— É o Sasuke. — ela disse e pegou a bola de cristal nas mãos.

— Será um ataque surpresa? — Shisui perguntou.

— Eles já estão de sobreaviso, com certeza estão esperando por nós. Creio que não será problema. É só aguardar o momento. Será a primeira de muitas.

A bola de cristal voltou ao normal, Sakura sacolejou a bola querendo mais imagens, mas tinha cessado.

— Ele vai lutar. — ela disse desconcertada. —Ele sabe sobre mim, não sabe?

— Sim. Ele soube.

Sakura negou com a cabeça, a bola deslizou de sua mão e quebrou-se em mil pedacinhos no chão.

— Dos bebês? Ele sabe, não sabe?

Kabuto ficou um pouco triste no momento, sentiu culpa por ver o sofrimento de Sakura. Nunca tinha visto a bruxa chorar na vida, ela sempre foi reservada e inabalável.

Ele apenas balançou a cabeça em positivo.

— Não, não é verdade! Tem algo errado, tem algo errado!

— Me desculpe Sakura. O clã dele estava em perigo, foi necessário.

— Não!

Kabuto a amparou, estava fraca. Ele não a culpou por isso.

°•○

Para Chõjorõ era fácil entrar despercebido no clã dos bruxos. Eles não usavam magia de detecção desde a primeira rebelião na qual Sakura sumiu. Um erro! Os bruxos tinham relaxado.

Ele entrou no palácio e foi vagando pelos os corredores, ele sabia muito bem de tudo ali, desde que estave preso no corpo de Ino. Procurou pelo quarto de Sakura, não recordava muito bem a localização dele. Após alguns minutos ele entrou no quarto de Sakura e dos bebês, a bruxa não estava e as crianças estavam dormindo.

Ele parou em frente do berço.

— Ik ben droevig. — ele conjurou um feitiço de magia oculta, do menino uma gota azul subiu, era a essência do elemento dele, porém ela tinha uma breve mancha vermelha. Da pequena menina a gota que subiu era vermelha com uma minúscula mancha azul. O Nottikin deu um passo para trás, a gota da essência dos dois agora brilhava um dourado intenso que iluminou o quarto e quase o cegou. Era intensa. — Eles...

Ele tentou pegar a essência, mas não conseguia, mal enxergava. Ele tentou uma outra vez, mas o poder da essência era tão grande que ele não podia segurar.

Não tinha como capturar a essência deles, pois era tão pequena.

Ele sentiu o chão ao seus pés tremendo, era um tremor de terra. Um forte tremor de terra.

O Nottikin saiu do quarto, sabia que alguém iria ali cuidar das crianças.

Aquelas crianças eram da primeira linhagem.

Madara era da primeira linhagem do seu clã, então as crianças tinham a magia pura dentro deles.

Assim que Chõjorõ saiu correndo, ele sentiu uma espada passando tocando a sua coluna. Ele parou.

— É um Nottikin, o que faz aqui? — era a voz de Hashirama.

Ele sentia a ponta da espada afiada entrando em seu corpo, era inútil aquilo. Era um fantasma que foi pego, um vacilo daqueles.

— Me responda!

— Ek novenrl emyri — Hashirama não conseguiu expelir o feitiço, ele caiu no chão ajoelhado. A missão de Chõjorõ ali era comprovar a essência das crianças, no entanto lhe foi imposta outra como fora dito na reunião, matar Hashirama. Fazia parte dos planos para atrapalhar que Sakura fosse atrás do viking.

Quando ele foi tentar atacar o ancião pela última vez, Hashirama levantou-se. O chão antes de madeira transformou-se em gelo e o Nottikin escorregou no chão.

— Como? Você está cego! — o feitiço que ele tinha conjurado deixava qualquer um cego. Ele aprendeu quando leu os pergaminhos ocultos. Isso exigia muito dele, já que as habilidades dos Nottikins em magia eram quase nulas, porém tinha um que sempre se sobressaia e conseguia o mínimo.

Um raio azul de gelo saiu em direção ao Nottikin, ele tentou desviar, mas foi certeiro.

Ele não poderia enfrentá-lo sozinho, mesmo cego ele ainda era poderoso, um dos bruxos mais poderosos.

Como ele não tinha saída, correu!

Sakura com todas suas forças tinha ido em direção ao quarto dos bebês, já os ouvia chorando, com certeza acordaram com o tremor de terra que tinha parado. Antes de chegar no quarto viu uma luz dourada vindo do mesmo, ela correu e por ela passou o Nottikin correndo. Ambos se encaram rapidamente e seguiram seus caminhos.

— Meus filhos! — ela esbravejou preocupada. No corredor ela viu o seu pai caído de joelhos. —Papai!

Seu coração acelerou ao pensar que algo tinha acontecido com seus filhos.

— Sakura! O quarto, agora!

Sakura não podia levantá-lo, ela estava fraca, mal podia andar.

— Tem um brilho dourado no quarto de seus filhos.

Sakura nem o deixou terminar a frase e foi até o quarto, o brilho ainda estava por lá. Não era tão ofuscante, mas ela não entendia. Aproximo-se do berço das crianças e eles choravam.

— Logo os dois!

Ela segurou Satsuki que estava chorando alto, Sarada chorava um pouco.

Hashirama apareceu na porta.

— O brilho, o brilho já se foi?

Sakura achou estranho. — Não está vendo o brilho, meu pai? — ela perguntou em um tom respeitoso. Começou a embalar Satsuke nunca canção de ninar.

— Eu estou cego Sakura! — ele falou.

— O quê?! — ela perguntou surpresa.

— O Nottikin usou magia oculta, ele me cegou.

— Papai! Como? Eu posso ajudar?

— Cuide de seus filhos, pela manhã conversaremos.

Skorradalsherppur

Os carneiros corriam assustados descendo a colina em direção ao lago. Chamas avermelhadas eram vistas ao longe e acompanhadas por fumaça subindo ao céu. Tinha acontecido ali mais uma batalha sangrenta. Centenas de homens que terminaram a batalha vivos eram um por um amarrados em uma fila. Os próprios imploraram por piedade diante da implacável força viking.

Já os vikings celebravam mais uma conquista para eles, pouco a pouco eles estavam montando um exército de incontáveis homens para poder guerrear com os doze reinos que queriam destruir Aicèuslis. Eles invadiam os clãs inimigos durante a madrugada, era um ataque rápido e mortal. Em algumas vilas, passavam dias ou semanas lutando para obter a vitória. O cenário que restava era apenas de desgraça e desolação para os perdedores.

Sasuke estava subindo a montanha com o seu fiel escudeiro Floki, onipresente em todas as batalhas do viking. A cada passo, o ar ficava mais rarefeito e causava uma sensação de cansaço. O viking não se importou. O topo da montanha tinha algumas rochas negras e ali ele foi subindo uma por uma até encontrar a maior e sentar-se nela. Retirou a sua capa negra de pele de urso negro. Dois meses atrás em uma batalha ele cruzou com um urso negro, foi o urso mais magnífico que ele viu em sua vida, um animal extraordinário. Sasuke o provocou e saiu em uma luta com o grande animal de mais de dois metros de altura. Ambos lutaram e Sasuke saiu ferido, porém conseguiu esfolar a garganta do urso que caiu aos pés do Uchiha. Sasuke passou dias de cama com uma ferida exposta na barriga, a pata do bicho era como uma lâmina. Após ter se recuperado, seu tio o entregou a pele do urso e assim Sasuke fez uma capa negra. Seu novo manto.

Ali nasceu o urso negro, o cruel sanguinário.

Foi lutando com o urso que Sasuke percebeu que não temia mais a morte. Deixou de acreditar nos deuses, eles nada podiam ao ajudar, ao contrário, causaram a mágoa dele. Odin tirou o amor de sua vida. Agora era um homem frio que não temia a morte.

As batalhas agora eram a sua vida, a sua religião. Algo que ele acreditava.

Ele olhava o céu carregado de nimbos, não iria tardar para cair uma chuva por ali.

Ele fez de sua capa um travesseiro e deitou-se ali, estava cansado de mais uma luta e nem era a principal. Retirou de dentro de sua camisa um colar com um pingente, ele tinha desidratado a flor de cerejeira e colocado dentro de um pingente de ouro. Um ourives tinha feito para ele. E ali ele carregava a flor de cerejeira, como se estivesse perto dela.

— Te encontrei! — Shisui chegou até ele. Sasuke abriu um dos olhos, estava com sono. — Os prisioneiros aceitaram lutar conosco.

— Não tinham escolha.

— Isso é verdade. Em algumas horas vamos retornar.

— Certo.

Shisui tinha acompanhado a transformação de Sasuke, viu que outrora o viking desinteressado de lutas e cujo sonho era ser um pescador pacato foi transformado, agora era um homem temível com uma fama hedionda. Seu rosto era duro e cruel, os olhos tão frios que causavam arrepios no mais bravo homem. Os clãs temiam o Urso negro e toda destruição que ele trazia pelo caminho.

Sasuke caminhou de volta com Shisui para a vila. Os vikings estavam terminando de arrumar as embarcações necessárias. Assim que notaram que o urso negro estava passando por eles, alguns homens abaixaram o rosto ou olharam para outros lugares.

— Já temos homens o suficiente? — perguntou Baru.

Sasuke deu uma breve olhada e anuiu com a cabeça.

— Quando voltarmos para Hafnarfjörðu quero que aproveitem os dois dias restantes antes de partirmos, bebam, comam e divirtam-se com suas mulheres. Iremos para a batalha de nossas vidas e não sei quantas semanas, meses ou anos ela irá durar. Sem demora adianto, muitos de vocês não irão retornar para casa, por isso divirtam-se! Quem não quiser ir ou achar que essa luta é sem necessidade, pode ficar, não o julgarei. — ele pausou, tinha uma multidão olhando-o e escutando atentamente aquele discurso. — Aos que forem, iremos lutar como guerreiros, nós mesmo seremos quem irá nos defender e porventura fazer história diante dos reinos que irão sucumbir aos nossos pés. Para os vencedores terá um banquete e esse será para nós.

Os presentes ali bradaram alto e empolgados recitavam palavras de guerras antigas.

°•○●

A volta para casa foi tranquila, os vikings foram recepcionados na baía com alegria. Familiares aguardavam um por um, eles sabiam que teriam pouco tempo por ali e iriam aproveitar com seus entes queridos.

Sasuke desceu da dracar rapidamente e Floki pulou ao seu lado. Era bom para os dois estar em casa.

Sasuke foi recebido por um abraço de seu avô.

— Bom te ver novamente. — Madara disse.

— Não precisava ter vindo até aqui, se esforçando.

— Oras, eu não sou um velho inútil. Partirá em breve que eu sei e quis ter a certeza que iria te ver.

— É preciso, você sabe.

Madara anuiu, em seu íntimo sabia que toda aquela batalha que ele enfrentaria pela frente não seria preciso, mas Sasuke gostava daquilo, tornou-se fechado e sangrento. Ele entendia que o neto fazia aquilo para suprir a dor que sentia por ter perdido alguém especial.

— O urso negro. Soube que esse nome traz terror aos inimigos.

— É o que sou meu avô. Levarei o nome dos vikings pelo mundo, trarei orgulho para você.

— Só volte vivo, é tudo o que peço.

Sasuke não falou sobre isso. Madara sabia o quanto seu neto estava amargurado com a perda da bruxa. Mesmo de início achando algo amaldiçoado, mudou de idéia. Maldição Sasuke estava vivendo sem ela. Tinham sentimentos bonitos.

— Eu tenho que descansar um pouco.

Madara deu espaço para ele. — De noite teremos carneiro assado e cerva.

— Comparecerei.

O avô sabia que ele não iria aparecer.

Sasuke seguiu caminhando com o cachorro ao lado. Sua cabeça estava focada na batalha que iria enfrentar pela frente. As grandes batalhas e em seu desejo, não voltar vivo seria uma honra. Ele realmente não esperava voltar.

Entrou em sua casa vazia e escura. Escutou um rosnado de Floki, ele estava com fome.

Ele colocou fogo em uma lamparina que passou a iluminar a casa e seguiu para a cozinha.

Sempre ficava pouco tempo em casa desde que ela se foi.

Ele foi até a cozinha e procurou algo para dar a floki, um belo tutano de carne que fizeram os olhos do cachorro brilhar.

— Sua janta.

Abriu o armário e pegou uma botilha de cerva e deu uns goles.

Depois caminhou até o quarto, um passo antes da porta, seus olhos ficaram vermelhos, o sharigan tinha sido despertado.

Abriu a porta e lá tinha Sakura, fruto de sua ilusão óptica. Sua ilusão favorita.

— Onde esteve? — a bruxa perguntou. Ela estava sentada na cama e penteava o cabelo.

Ele sempre fazia isso quando estava em casa sozinho, era o seu segredo relembrar as memórias que teve com ela.

— Seus pés estão sujos Sasuke, seu porco!

— Por ai…

Ele tirou as botas, a capa e a roupa e procurou algo leve.

— Eu fiquei o dia todinho na casa, humpft! Limpei e cozinhei, isso não é para mim, eu sou uma guerreira. — sua ilusão era tão real para ele.

Ele deitou-se na cama.

— Você é uma guerreira. — ele disse e bocejou em seguida.

— Vai aumentar a casa quando a primavera chegar? — ele concordou. — Já imagino os seus filhos correndo por aí, serão traquinas como você e eu vejo que eles vão consumir a minha cabeça.

Sasuke sorriu, essa era uma das últimas lembranças que tinha dela.

Pensou como seriam seus filhos com ela, queria ter muitos. E já imaginava uma Sakura brava colocando medo nas crianças. Ele seria o bom pai e sempre cederia, provavelmente os seus filhos iam gostar mais dele. Filhos que nunca mais teria, já que seu grande amor se foi.

Ele afundou a cabeça no travesseiro, seus olhos já fechavam devido ao sono.

Akureyri

Mesmo Hashirama pedindo total restrição sobre o seu estado atual, ele não conseguiu evitar que os boatos fossem espalhado. Os aldeões de Akureyri já viviam atemorizados com os últimos acontecimentos e agora com a notícia do líder deles cego, eles estavam de cabelo em pé.

Seriam alvos fáceis.

Sakura tinha deixado de amamentar as crianças tinha algumas semanas, ela já estava se recuperando da fraqueza.

Nesse curto período ela tinha decidido que iria contratar alguém para ajudar a cuidar dos gêmeos.

— Seu pai está lhe chamando. — Rin a informou.

A bruxa deu uma rápida olhada no espelho, suas bochechas estavam rosadas e redondas. Sua aparência tinha melhorado.

Ela foi até o berço e viu que seus pequenos estavam dormindo. Amava seus dois filhos, mas prometeu a si mesma que nunca mais passaria pela experiência da gravidez.

Preferia mil vezes ir a uma guerra.

— Até daqui a pouco ursinhos.

Rin estava na porta olhando. — Se eu não estivesse ajudando o Sai com o Inojin, eu cuidaria dos dois.

— Eu sei. Faz bem cuidar do meu sobrinho. Vamos, papai odeia atrasos.

As duas caminharam pelo corredor principal. Sakura passou pelo jardim branco, ela aparentava estar um pouco ansiosa e estralava os dedos. Ela não acreditava no oráculo, ela sabia que Sasuke nunca iria trocá-la para ir numa batalha, ele viria antes para buscá-la. Contudo duas semanas tinham se passado e nada. Ele não deu sinal. Ela sentia falta daquele urso, Sasuke poderia não ter uma aparência civilizada, mas no fundo tinha um coração generoso e era um homem sensível, tão emocional que conseguiu mexer com o coração dela, um gelo.

Em pouco tempo separados, já reconhecia a falta de acordar ao lado dele e de se aconchegar nos braços musculosos dele. Sem dúvidas, a pior parte.

— O que vai fazer em relação a sua irmã?

— Me desculpe, eu não escutei.

— O que irá fazer com a Ino?

Sakura suspirou e coçou a bochecha esquerda. — Tenho que falar com o papai, tentar uma nova abordagem. Não sei.

— Ah, contratei uma ajudante para você, se chama Mei. Meu Termo é uma aldeã que mora próximo a mim. Nunca conseguiu um casamento.

— Ela tem habilidades com crianças? Sabe que sou péssima nisso.

— Não se preocupe, ela é muito boa nisso.

As duas entraram na sala do trono, Hashirama estava sentado e um dos novos líderes dos guerreiros falava a ele sobre algum assunto.

— Vários clãs a oeste foram atacados e tiveram seus homens feitos de reféns para um novo exército.

— Por que os bárbaros estão recrutando tantos homens?

— Do que estão falando? — Sakura entrou no meio da conversa.

— Os bárbaros estão recrutando um exército.

— Um novo bárbaro assumiu o comando, autointitulado de Urso negro.

— Urso?

— É o neto de Madara, líder deles. O mais novo assumiu o comando.

Sakura não esboçou nenhuma expressão, mas em seu interior sentiu uma pontada. Seu coração apertou. Kabuto estava certo, ele realmente tinha escolhido as batalhas.

Mesmo que ela não quisesse acreditar, a verdade estava perante ela e machucava.

— Temos que ficar atentos. Vikings são traiçoeiros e podem vir nos atacar. Eu estou cego, não tenho mais serventia.

— Papai! — Sakura se compadeceu.

— É a pura verdade Sakura, sei o que o povo fala. Eles estão certos, eu não confiaria em um líder cego e já de idade. Madara passou o seu posto, e se aquele orgulhoso reconheceu que era chegada a sua hora. O clã passará ao seu controle Sakura.

— O senhor sabe que não é assim. Tem que haver uma luta e decidir o melhor bruxo.

— Em toda Akureyri não há bruxo tão forte quanto você.

— E o próprio povo pede por você, Sakura. — Yamato falou. — Você é a única que pode nos ajudar no momento, o povo confia em você.

— Isso não seria mais por mérito. — ela falou.

— Alguns lugares chamam de monarquia. Você seria como uma rainha, a rainha do gelo.

Sakura deu um breve sorriso do seu título.

Hashirama levantou-se e Yamato o ajudou a descer os degraus, ele guiou-o até Sakura. Hashirama estava odiando a sua nova condição. Um feitiço de magia oculta só poderia ser desfeito por quem o conjurou ou quando quem fez morresse. Era a sua única esperança.

— Eu confio em você. O povo confia em você.

Para surpresa de Sakura, seu pai entregou a varinha em suas mãos.

— Não me decepcione.

Sakura segurou sua varinha novamente. Olhou o objeto de seu desejo nos últimos dias. O seu passe livre para reencontrar Sasuke.

De imediato o seu coração falou, seu primeiro pensamento era ir correndo até o quarto de seus dois filhos e usar o teletransporte para onde ele estava. Ela queria tanto, seu coração clamava.

No entanto, ela teria que usar a razão que aparentemente Sasuke usou para proteger o seu povo. Ele escolheu proteger o seu clã, abrindo mão dela. Dentro da bruxa habitava a esperança que aquilo seria momentâneo, Sasuke estava lutando para proteger seus filhos e que em algum momento ele iria buscá-la de volta quando a guerra acabasse.

Ela não tinha escolha, os Nottikins estavam tramando algo contra o clã. Ela tinha a intuição que aquilo não era um caso isolado, ela tinha que proteger seu filhos e seu clã. Eles só tinham a ela.

— Não, eu não irei decepcioná-lo. Eu serei a rainha. A rainha do gelo.

Notas finais
Bom, esse é o fim desse arco. Sim, a Sakura escolheu confiar que o Sasuke viria lhe buscar e claro proteger o seu clã e seus filhos. Provavelmente terá uma curta passagem de tempo na fic no próximo, sim! Mas não se preocupem, não será tão longo e será preciso para resolver as pendências, sei que vocês todos querem o casal juntos, eu também quero mais que tudo, mas calma que eles irão, podem confiar na tia!