Sob a Aurora

24 Enfrentamento


Os Nottikins olhavam admirados os dois bebês dragões, para a surpresa deles que esperavam dragões maduros. Mas não se importaram, mesmo pequenos eles tinham um poder imenso e além do mais seria fácil domá-los. Eles tinham uma coloração de escama verde escura.

Os dois estavam presos em uma jaula e acorrentados, não diferente das crianças. Os dois estavam presos em uma cela no meio da sala dos nottikins. Era uma cela especial, detinha uma magia negra e tinha como principal função, tirar a essência dos dois.

Satsuki e Sarada já tinham chorado o bastante e agora estavam adormecidos, mal percebiam que estavam sendo sugados. Uma enorme bolha roxa era formada acima dela, era a junção dos poderes dos dois.

— Essência dos deuses. — brincou o nottikin satisfeito com o resultado.

Chõjuro estava ao lado de Mei, seus olhos não desgrudaram da enorme bolha roxa que era formada.

Mei tinha recebido as honras, foi elogiada por ter conseguido capturar os gêmeos. Foi um brilhante trabalho. A Nottikin estava radiante.

— Com licença. — Chõjuru pigarreou chamando a atenção dos presentes. — Posso fazer uma pergunta?

O líder deles concordou.

O jovem foi para o meio do salão, analisou aquela bolha roxa. — A essência deles, vão sugá-la para sempre? Ou isso já é o suficiente?

— Boa pergunta. — o líder deu um passo a frente. — Temos que encher essa bolha e dar aos dragões. — disse olhando a bolha que ainda estava pela metade. — Esses dois seres pequenos, assim como os dragões, são poderosos.

— O que vão fazer com eles?

— São poderosos e futuramente, podem controlar esses dragões, o melhor é eliminá-los agora. O respondi?

— Perfeitamente. — agradeceu.

Mei caminhou até Chõjuro, viu as crianças que um dia cuidou adormecidas. — Só assim eles dão trégua. — disse fria. — São irritantes.

— Não sei como você conseguiu tanto tempo.

Ela suspirou e negou com a cabeça, nem ela sabia como tinha alcançado esse prodígio, aqueles dois eram impossíveis.

— São horríveis, se não fosse por esse propósito, eu mesma tinha os matados. — disse por fim, dando as costas para os dois inocentes que dormiam já fatigados.

**

Naquela região, as montanhas Kirkjubæjarklaustur faziam parte da paisagem de norte a sul, enchendo os olhares por quem atravessava aquele local, eram contemplados com duas longas cordilheiras cheias de picos.

O exército dos vikings passava por ali até chegar ao clã da Terra, liderado pela família Sabaku. Era um longo percurso, desceram colinas, atravessaram rios, desertos congelados e nem tinham chegado à metade do caminho.

Sasuke estava à frente montado em Aoda e na companhia de Sakura, bem a sua frente.

Os dois não trocaram conversas pelo caminho, não porque não queriam. O orgulho de Sakura agora era visto no urso, ainda magoado pela atitude de sua amada. Foram anos longe dele, ele não conseguia perdoá-la, não naquele momento. Contudo, sua mente estava focada em encontrar os dois filhos, seus dois ursinhos fruto do seu amor com Sakura. Estava curioso para ver como eram eles e de como eles iriam reagir ao vê-lo.

Boa parte do trajeto ele imaginou se encontrando com eles. Passaram dúvidas em sua cabeça e a principal: será que seria um bom pai?

Fugaku tinha sido um bom pai para ele, ensinou-o tudo que ele sabia. Sasuke queria seguir a linha dele. Iria ensinar a pescar, a usar a espada. Bom, ele também tinha uma menina, sua dúvida era de como iria ensiná-la. Ele achou que até encontrá-los iria resolver isso.

Sakura por outro lado, queria falar com ele, mas sentia o peso da culpa e sabia o quanto ele estava furioso com ela. Ela compreendia, e era o direito dele.

— Vamos parar ali. — ele anunciou. A sua frente tinha uma imensa cachoeira, a água caia no rio de corredeiras tortuosas. — Aproveitem para reabastecer os cantis e estocar algum alimento. Teremos mais algumas horas de jornada até chegarmos a Kirkjubæjarklaustur.

A ordem dele foi ouvida, os vikings desceram dos cavalos, muitos estavam exaustos também, descansar alguns minutos era uma boa.

Sasuke apoiou sua cabeça na bruxa e sussurrou. — Pode descer?

Sakura esquivou-se, aquela ação dele lhe trouxe arrepios. — Irei. — respondeu arisca. Ela saltou do cavalo com maestria.

Do outro lado, vikings observavam curiosos a dama ursa, assim apelidada.

— Parece que esses cavalos se cansam. — Naruto falou, estava nas costas do Ainevi. — São velozes também, criaturas curiosas.

— Praticamente uma arma de guerra. — Sasuke respondeu.

Naruto assentiu e passou a observar o equino, até achou que eles não eram feios, eram bonitos.

Sakura andou até a margem do rio, junto com os outros vikings contemplou um belo arco-íris que era formado devido à queda d’água. Era uma bela vista.

Ela sentou-se na grama, a grama mais verde que viu na vida e repleta de flores de tulipas ao lado de cores variadas. Era um lugar maravilhoso, perfeito para descansar.

Observou os vikings que entraram na água gelada para pescar, aquilo levaria um tempo e assim resolveu ajudá-los.

Conjurou um feitiço, para surpresa dos vikings os peixes saíram flutuando da água.

Os guerreiros fizeram uma festa para pegar o alimento.

— Obrigada dona ursa. — um agradeceu e Sakura sorriu retribuindo.

Tsunade se aproximou da irmã e sentou-se ao lado dela. Sakura gostou de rever a irmã, deu um abraço forte nela, tinham tantos assuntos para conversar, afinal foram quase sete anos afastadas.

— Você está ótima, — elogiou.

— Igualmente. — as duas assistiam os vikings pegando os peixes. — Então naquele tempo em que você desapareceu você estava aqui com ele?

— Sim. — agora fitava o arco-íris. — Estive com Sasuke e acabamos nos envolvendo.

— Difícil de resistir? — a irmã lhe cutucou com o cotovelo rindo.

Sakura sorriu e olhou para trás procurando Sasuke, assim que pousou o olhar sobre ele respondeu — Ele é lindo, mas não foi isso. A convivência que tivemos e os momentos. Ele foi persuasivo.

— Jiraiya tinha me contado sobre o amor do Urso negro, algo divino, ele sofreu muito por não te ter nesses anos. Ele realmente te ama.

— É. — disse ressentida. — Fui muito orgulhosa e esse foi o meu erro.

— Reunião das bruxas? — Konan chegou. — Duas bruxas maravilhosas. Posso me sentar? — as duas concordaram. — Estou ansiosa para conhecer os ursinhos.

Sakura sorriu ao lembrar-se dos dois.

— Eu sinto falta deles. — uma tristeza lhe abateu. — Bom, me conte, quer encontrar a sua família? — ela mudou de assunto.

— Quando tudo isso acabar, quero ir a Akureyri e descobrir sobre minha família. Me ajudará?

— Claro. Será um prazer.

— Olha quanto peixe! E nem precisamos entrar na água. — Shisui disse animado estacando uns peixes na vara para assar.

— Nada como a dona ursa. — um outro falou sorridente.

Sasuke estava sentado em uma rocha em companhia de Obito, Jiraiya e Naruto.

— Acha que o filho de Loki irá aceitar ir à luta conosco? — Naruto perguntou, ele comia um peixe.

— Iremos selar acordos com eles, mas acho que não será preciso. São os velhos dragões, eles não vão nem pensar.

O viking as vezes observava a mulher e pairava seus olhos sobre Sakura. Recordava dos momentos que viveu ao lado dela. De como a noite costumava falar sobre construírem uma família e agora ele tinha uma. Dois ursos.

Naruto notou o olhar do viking, sentiu que o amigo ainda tinha sentimentos pela bruxa.

Não só Naruto, mas todos perceberam. Ele não conseguia tirar os olhos dela.

— Ela não vai sumir. — brincou Naruto.

Sasuke deu de ombro e Naruto riu com os outros.

— Me responde uma coisa, ao vê-la o coração do urso negro amoleceu?

Jiraiya riu da pergunta do sobrinho. Obito preferiu ficar calado, mas tinha certeza que ele tinha amolecido.

— Os dois estavam juntinhos, a mão dele passava por ela. Sentia o perfume do cabelo dela. — os três sorriram. — Te entendo porque se apaixonou por ela, bruxas são encantadoras. — falou e pôs o olhar sobre Tsunade. — Acho que elas enfeitiçam pobres homens de corações bons e lançam sobre eles alguns feitiços. Sem falar que são complicadas. — Jiraiya deu uma mordida no peixe e lembrou-se de sua trajetória com Tsunade, aquela era difícil. — E animadas. — riu malicioso. — Com a irmã da sua bruxa foi como um novelo de lã de tão complicado. Essas bruxas são orgulhosas. — Sasuke concordou de imediato. — Ainda não está por completo, mas ela me deixa brincar com as bolas dela agora.

Sasuke achou engraçado o modo que ele falou.

Bruxas eram realmente complicadas e principalmente a que ele escolheu. Sakura parecia uma égua teimosa e não era de agora, sempre foi.

— Acho que já está bom, estão conversando demais. Melhor tomarmos nosso caminho para o clã da Terra.

— Ora Sasuke, mais alguns minutos, nem comi meu peixe ainda. — Naruto reclamou. — O tio nem contou de quando a senhorita Tsunade congelou as partes dele.

Obito e Shisui ficaram curiosos. Sasuke agradeceu mentalmente por Sakura nunca ter feito isso.

— Estava falando demais Naruto, falando demais. — levantou-se e bagunçou o cabelo do loiro. — Vamos nos organizando, é hora de partir.

— Depois eu quero saber disso. — avisou Obito.

Sakura tinha terminado sua refeição e levantou-se. Lavou as mãos nas águas frias e o rosto. Pensou no que os filhos estavam fazendo naquele momento, se os Nottikins os tinham machucado ou se tinham prendido os dois.

Seu coração apertou um pouco.

— Vamos. — a voz do Uchiha ecoou atrás dela.

Sasuke notou que ela estava preocupada com o algo, não foi difícil deduzir que era sobre os filhos. — Iremos encontrá-los.

Aquelas palavras a confortaram.

Ela enxugou o rosto e disfarçou a lágrima que teimava em vir.

— Eu quero um cavalo para mim. — pediu. Sasuke estreitou os olhos estranhando o pedido, logo se prontificou em negar.

— Não sabe montar um cavalo. — ele virou de costas.

— Eu aprendo. Não é difícil. Quero o meu próprio cavalo.

Novamente ele vetou.

— Uchiha. — ela foi enfática. Sasuke viu um raio azul passar por ele. Foi o suficiente para chamar atenção da tropa. — O que foi, não quer que eu saia do seu lado? — ela provocou.

— Sonhe sua abelhuda. Se quer um cavalo, terá um. Shisui, — chamou o viking. — Dê um cavalo a ela.

Shisui viu o quão Sasuke estava irritado, a veia dele se mostrava exuberante. Ele decidiu não falar nada e acatar o pedido do viking.

— O que estão olhando? — ele perguntou em voz alta e os presentes logo começaram a refazer suas atividades. Só Sakura para fazê-lo perder as estribeiras.

Shisui e Konan explicavam a Sakura sobre como domar um cavalo, ela pegou uma bela égua branca. Sakura prestava atenção à explicação dos dois e logo foi pegando o jeito. Shisui selou a égua e Sakura montou.

— Não é tão complicado. — ela falou e tentava memorizar o que Konan tinha falado.

— Aos poucos vai pegando o jeito e não se esqueça das rédeas. — Konan explicou outra vez. A bruxa foi se ajeitando na sela.

Sasuke se aproximou com Aoda, não proferiu nenhuma palavra e apenas observou.

Sakura ajeitou o seu vestido, rasgou a barra dele, assim ele subiu e agora exibia suas coxas salientes. Totalmente reprovado pelo Uchiha que se mostrava incomodado e torcendo para ninguém enxergar aquilo.

— Acho que estou pronta.

Ela puxou as rédeas do animal, Não iria demorar a tomar jeito. Era uma mulher esperta.

— Vamos! — ela exclamou animada dando o comando para as tropas. Sasuke bufou.

Sakura partiu na frente ao lado dele cavalgando, realmente os cavalos davam uma sensação de liberdade. Ela adorou, sentir-se livre como se estivesse na água. Era maravilhoso.

— Parece que ela tomou gosto. — Naruto de fato adorava zangá-lo. — A ursa branca está fazendo sucesso. — Naruto voava sobre o Ainevi.

Sasuke observava-a de longe e seus cabelos voando, não gostou da ideia dela montar e muito menos o vestido que insistia em voar exibindo as coxas salientes de Sakura.

Ele partiu na direção dela, tentando quem sabe convencê-la a desfazer-se daquela ideia de cavalo.

Sakura lhe dava mais trabalho que um exército.

Akureyri

Ino tinha retornado para a vila. Para sua surpresa, encontrou uma vila deserta. Praticamente uma diáspora acontecia por ali, os bruxos estavam temerosos e com medo de um novo ataque e agora tinha o risco dos dragões. Era demais para eles. Os últimos anos não foram nada positivos, muitos resolveram se aventurar em novas terras e se manter o mais longe possível dali, acreditavam que seria questão de dias para os dragões retornarem e queimarem tudo.

Os poucos que ficaram estavam reforçando as casas e ajudavam a construir a muralha de gelo ao Norte. Camadas e mais camadas de gelo eterno com a esperança dos Nottikins não conseguirem atravessar.

Ino foi andando, assim que viu sua casa, os olhos azuis da mulher marejaram. Tinha sonhado tantas vezes com aquela casa, em retornar. Nem acreditava que estava ali novamente.

— Mamãe! — Inojin gritou alegre do outro lado quando avistou a mãe. Ino abraçou forte o menino. — Que bom te ver por aqui.

— Sim meu amor, é muito bom. — não desgrudava do pequeno, tamanha era a felicidade dentro de si.

Ela avistou Sai ao lado de seu pai. O bruxo sorriu para ela que acenou de volta.

Deu uns passos até o pai.

— É bom revê-lo.

— Eu não posso ver. — disse sisudo.

— Posso procurar meios de reverter sua cegueira. — sentiu menos intimidade e envergonhada, já que o seu pai estava cego. Ela não sentia mais a culpa do acontecido, porém quando viu sua vila nesse estado, sua mente pesou, aquilo era devido a sua impulsividade de anos atrás.

— É verdade que os dragões acordaram?

— Sim. Aconteceu uma série de coisas por aqui.

— Rin me contou. Espero que Sakura consiga encontrar os meus sobrinhos, quero abraçá-los.

Seu pai ficou em silêncio.

Ino entrou para o castelo, por ali nada tinha mudado.

— Dragões, temos que procurar alguma magia que consiga derrotá-los. — Rin pronunciou, ela era uma das mais preocupada com Sakura.

— Eu não me lembro de ter lido nada como derrubar dragões. — ela falou pensativa — Mas podemos inventar algo e principalmente para a muralha.

— Mamãe, você vai morar conosco? — o garoto perguntou contente.

— Eu… — ela foi cortada por Sai.

— Adoraríamos que viesse morar conosco. — Sai praticamente fez um convite a Ino. A bruxa ficou sem reação, foi um pedido inesperado. Enfim Sai estava correspondendo aos seus sentimentos? Ela tentou cortar seus pensamentos, por culpa deles já tinha se iludido demais. — Principalmente pelo Inojin. — ela riu, agradeceu por não ter criado nenhuma expectativa, era pelo filho deles.

— Temos que resolver a segurança de Akureyri primeiro, logo após conversaremos, por enquanto vamos focar na vila. — ela falou sorridente. Tinha tantas coisas para resolver por ali e especialmente sobre sua condição com seu pai, queria pedir o perdão de Hashirama, sabia que em seu íntimo ele ainda carregava uma mágoa sobre ela. Naquele momento, ela queria dar orgulho a ele, mostrar que era uma nova bruxa e capaz de proteger a sua vila.

Sai, de certo modo, ficou surpreso com a atitude da bruxa, Ino realmente era uma nova mulher e, sobretudo, consciente de seus atos.

— Sim, iremos focar na vila. Temos que defendê-la, afinal ela é o nosso lar.

**

Hashirama, mesmo sem poder enxergar, causava temor em qualquer um e em Kabuto não era diferente. O ancião tinha lhe perguntado onde estava Sakura e a pergunta principal, quem era o pai das crianças.

Kabuto tentou enrolar de todas as maneiras, mas não deu certo.

— É um viking, não é? — ele foi enfático.

— É. — ele não conseguiu negar.

Hashirama ficou em silêncio processando aquela informação. Quis criar para si a ideia de que Sakura foi covardemente abusada por um deles.

Nunca acreditaria na hipótese de Sakura ter mantido um romance com um viking.

— Ela está com ele agora? — ele perguntou.

— Estão juntos atrás dos Nottikings.

— E os dragões? — perguntou preocupado.

— Vão estar soltos.

Kirkjubæjarklaustur

A luz do dia ia se despedindo e anunciando o crepúsculo. A noite era um espetáculo por ali, além das estrelas criando um manto luminoso, as auroras roxas iam dançando pelo caminho. Não importava se já estavam acostumados com as luzes, todos ficavam maravilhados e contemplavam a exibição das auroras.

Sasuke avistou a vila do clã da Terra ao longe, pequenas tochas davam indícios da vila. Era uma aldeia grande e de importância para aquela região. O clã era considerado um dos melhores e mais poderosos. Eles tinham desavença com o clã do Ar, Naruto que o diga, pela história passaram anos guerreando, no final ambos saíram perdendo.

Gaara foi informado que tinha um exército se aproximando e era liderado pelo o Urso negro e Cia. Sem saber o que o Urso queria, ele armou os seus guerreiros e pediu para ficarem apostos. Poderia ser uma invasão.

Ele seguiu ao lado de alguns guerreiros para a entrada da vila esperando pelo viking, seu clã era inerte com o dos vikings, a última luta foi há centenas de anos e atualmente ele não via um motivo para uma invasão.

— O que será que eles querem? — Temari era sua irmã. Uma guerreira nata.

— Eles estão vindo. — disse. Sentia a terra tremer, colocou a mão no chão e reconheceu que um grande exército estava vindo, milhares e milhares de homens. Ele ficou um pouco preocupado, já que conhecia a fúria dos vikings. — Vamos aguardar.

Não tardou para o Uchiha se aproximar da vila.

Deu ordens para todos pararem a alguns metros, assim que notou Gaara e alguns guerreiros esperando por eles.

— Venham comigo Naruto e Sakura. — ordenou. Não queria assustar o Sabaku com tamanho exército.

Os dois cavalos e o Aneivi se aproximaram do arco da entrada da vila.

Sasuke desceu do cavalo e esperou por Sakura pular, ela recusou a ajuda dele para sair. Ele revirou os olhos com a teimosia dela.

Ele observou que Naruto ainda estava montado em seu Ainevi e não tinha a intenção de sair dali.

— Naruto.

— Eu estou muito bem. — disse e bocejou em seguida, era uma afronta ao Sabaku.

— Vejo que trouxe companhia não grata Uchiha. — ele fixou o olhar em Naruto. — O que veio fazer em minhas terras?

Estava escuro e apenas as luzes das tochas e da lua iluminavam aquele lugar, ainda sob essas condições, Sasuke viu alguns arqueiros escondidos prontos para atirar.

— Preciso de sua ajuda. — ele pediu, retirou as luvas negras da mão. — Os Nottikins.

— Achei que os vikings sabiam como resolver suas pendências com os Nottikins sozinhos. — proferiu num tom esnobe.

Naruto rolou os olhos, os Sabakus eram detestáveis.

— Os Nottikins conseguiram magia pura e obtiveram poderes suficiente para reviver os dragões.

Gaara olhou para a irmã estranhando aquela conversa.

— Os principais clãs estão aqui reunidos para evitar que eles consigam o poder dos dragões.

— Sabe que eles não existem mais, Uchiha. — ele passou um olhar estreito para Naruto. No passado os dois clãs brigaram pelos dragões.

— Sim, eles existem e por isso estamos aqui. Acha que o Uzumaki viria aqui se não fosse algo sério? E uma bruxa?

Gaara sabia que os vikings e os bruxos se odiavam.

Fixou o olhar na bruxa, já tinha ouvido falar de Sakura, mas nunca teve o prazer de vê-la pessoalmente. Ela era lindíssima.

— O que querem de mim? — ele perguntou e agora se dirigia a Sakura.

— Seu elemento permite que rasteie poderes, queremos que descubra onde os Nottikins estão. — ele estava arisco ao pedido dos vikings.

— Sabemos que você e o seu clã são os únicos que podem nos ajudar e isso também é pelo seu clã, se eles conseguirem domar os dragões, o mundo em que vivemos não existirá mais. — Sakura interpelou.

Naruto foi o primeiro a notar o interesse do Sabaku na bruxa.

— Você explicando foi melhor que o viking, nada como uma bruxa e suas sutilezas. — expressou gentilmente.

— Grande coisa, então irá nos ajudar ou não? — Naruto se intrometeu. — Sabe que isso é importante, pois é o único motivo de eu vir aqui e pedir sua ajuda.

— Você é repulsivo. — Gaara pronunciou. — Irei ajudá-los, não graças a vocês dois.

Sasuke olhou para Naruto, o loiro tinha percebido que o viking ainda não tinha notado o clima que estava rolando, talvez por estar tão preocupado com os filhos dele, ele não notou o ruivo de flerte com Sakura.

— Só irei quando a luz do sol aparecer. O sol ajuda a fortalecer o poder do clã.

— Seremos gratos.

— No entanto, após isso, vamos negociar uma boa recompensa Uchiha.

Sasuke concordou.

**

Os vikings montavam o acampamento deles nos vastos campos de batatas e feno.

Fogueiras iam sendo feitas e trazendo um pouco de calor para acalentar o frio da noite.

Os líderes do clã estavam em um jantar de última hora oferecido pelo anfitrião.

Gaara estava discutindo e negociando termos em troca de sua boa-vontade, aquilo era inadmissível para Sasuke, no entanto eles precisavam da ajuda dele para encontrar os vikings, já que eles não tinham ideia de onde eles estariam.

Naruto nem quis escutar a conversa, se prontificou em comer um bom pedaço de frango e uma sopa. Ele conhecia como ninguém o caráter ambicioso dos Sabakus, só poderiam ser descendentes de Loki.

— Passagem livre ao seu porto e uma de suas terras que conquistou.

Sasuke estava com a expressão fechada e o olhar frio, nunca que negociaria dessa maneira, Gaara estava se aproveitando da situação e ele, rendido, olhou para Sakura, era pelos filhos.

— Tudo bem. — não falou amigável.

Gaara abriu um sorriso satisfeito assim como sua irmã.

O jantar ocorreu bem, menos as trocas de farpas entre Naruto e Gaara. Após o jantar, eles se retiraram para o acampamento e ali iriam esperar pela luz do sol.

Naruto saiu conversando com Sasuke sobre o acordo, o Uzumaki xingava até não aguentar mais. Detestava-os. No entanto, o que chamou a atenção foi a súbita aproximação do Sabaku na bruxa. Desta vez, o Uchiha tinha notado, sentiu o seu sangue ferver.

— Não vai fazer nada? — Naruto apareceu atrás do Uchiha. — Desde que chegamos ele estava flertando.

O Uchiha fechou o punho irritado. Naruto viu os olhos dele vermelhos.

— Vamos precisar dele. — Naruto avisou. — Depois você arranca a cabeça dele. Não, deixe para mim.

Os olhos dele voltaram a coloração normal e ele foi até o Sabaku.

— Quer vinho? — ele segurava uma taça.

— Obrigada. — Sakura negou, estava querendo se esquivar do ruivo, porém ele grudou no pé dela.

— Eu aceito uma. — Sasuke apareceu ao lado dela. Ele tentava esconder seu ciúme e controlar sua raiva.

Gaara olhou com desfeita, não era com Sasuke que ele queria beber.

— Não é boa ideia, temos que estar sóbrios ao amanhecer. — ele usou essa desculpa.

Sakura agradeceu internamente por aquilo.

— Com licença senhores, vou aos meus aposentos.

Gaara encarou aquilo como um convite. — Boa noite Uchiha.

Sasuke colocou a mão no peito de Gaara, ele sorriu.

— O que foi, ela é uma bruxa. Não é para você.

— Ela é minha. — fez questão de demarcar o território. — E quero você longe dela, entendeu?

Gaara preferiu não dizer nada e assistiu o Uchiha dando as costas.

**

Sakura observava o céu e a aurora verde que aparecia acima de sua cabeça. Ela se movia como um dragão seguindo a direção do vento. Tão verde! Lembrou de quando criança seu pai falava que a cor de seus olhos foi presente de uma aurora, costumava se sentir especial com isso, olhos de aurora.

Sasuke deu alguns passos e sentou-se perto dela, estava taciturno e passou a observar a aurora. De imediato associou a cor dela aos olhos de Sakura, deu uma rápida conferida e os olhares dos dois se cruzaram.

Sakura percebeu que ele não iria ceder e se aproximou dele descansando seu pescoço sobre o ombro másculo dele.

— Ainda chateado comigo? — ela perguntou baixinho.

— Hn. — murmurou. Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos. Sakura reclamou do frio e ele acolheu-a em seus braços ajudando-a a se esquentar na capa preta do urso.

Aquecida nos braços dele.

— Costumávamos ficar assim depois dos banhos nas termas. — ela lembrou. — Era bom.

— Eu quero ver as lembranças deles. — ele solicitou. — Do momento que eles nasceram e até agora. Quero ver os meus filhos.

— Olhe nos meus olhos. — ela virou-se para ele e sentou-se no colo dele. Ela viu os olhos dele avermelhados. Sasuke conseguiu emergir nas lembranças dela.

Ele viu o momento do nascimento dos dois, o primeiro a sair, a menina e o menino. Aos poucos imagens dos dois iam aparecendo, eles pequenos e engatinhando, os dentes nascendo e uma Sakura chorosa tentando colocar os dois para dormir, sorriu dessa cena. O primeiro deles a falar foi Sarada, viu como sua pequena era traquina, passou para Satsuki e ficou bobo com ele correndo atrás dos coelhos e pegando-os pelas orelhas. Era um pequeno caçador.

As brigas dos dois, eles sempre implicando um com o outro, Sasuke achou engraçado.

Escutou a canção de ninar que Sakura cantava para eles.

O papai vai vir nos buscar? — Sarada perguntava.

Viu o sorriso de Sakura cheio de amor maternal. — Sim, ele vai vir buscar vocês.

— Ele gosta da gente? — o menino perguntou.

— Ele ama vocês.

Ele parou de vasculhar as memórias dela, preferiu não acordar Sakura e deixou-a adormecida em seus braços. Caminhou com ela nos braços até a sua tenda, deitou-a em um pano e deitou-se ao lado dela.

— Mamãe ursa. — disse carinhoso e beijou a testa dela.

Ele ainda a amava e era mais intenso do que antes.

**

Sakura acordou no acampamento, notou a capa do Uchiha a cobrindo. Sasuke não estava ali. Ela levantou-se, ajeitou a roupa e fez um coque no cabelo. Pegou a capa do urso e saiu do acampamento.

Observou que os vikings estavam no meio do campo da plantação de batata. Ela foi andando até eles, pediu licença para poder passar no meio da multidão. Gaara estava ajoelhando e segurava um punhado de terra em suas mãos.

Sakura chegou perto de Sasuke e devolveu-lhe a capa.

— O que ele está fazendo? — ela perguntou.

Sakura avistou Konan ao lado de Tsunade conversando do outro lado.

— Rastreando a essência dos Nottikins.

Gaara estava concentrado e tentando achar alguma pista do paradeiro dos malditos Nottikins. De repente, ele soltou o punhado de terra e levantou-se assustado.

— Por que não me disse sobre esse poder? Nunca senti esse tipo de magia. — ele estava admirado.

— Eu disse.

— Eles vão destruir tudo com isso. Temari! — chamou a irmã. — Precisamos de todos os guerreiros. Convoque-os imediatamente!

A mulher assentiu e foi espalhar a mensagem de seu irmão.

— Irá lutar por nós ou… — Sasuke sondou-o.

— Pelo meu clã principalmente. Eles vão nos destruir.

Sasuke esboçou um mínimo sorriso.

— Se eles vierem, meu clã será o primeiro — disse. — Eles estão perto daqui, na montanha Agulhada.

Sakura apertou a mão do Uchiha, seus olhos brilharam esperançosa. — Iremos salvá-los.

**

Quem estava na frente não conseguia enxergar onde terminavam as tropas, era grandioso.

Todos caminhavam para a montanha das Agulhas, um lugar do outro lado do rio Þjórsá, um grande rio que cortava as terras de todo a Terra do Fogo e do Gelo. Como estava no outono, o volume do rio estava baixo, já que o fluxo dele corria no verão devido o derretimento do gelo da mais alta montanha dali.

Os cavalos e homens foram atravessando pelo leito, as pedras estavam visíveis e facilitou a passagem. Seria um árduo caminho até a montanha, uma antiga lenda dizia que o lugar era amaldiçoado pelo próprio Odin.

A subida era inclinada, uma batalha ali seria mortal e sem mencionar nas armadilhas que poderiam ter por ali.

O lugar era coberto por pinheiros e dificultava a entrada da luz solar, tudo estava escuro. Eles entraram no aclive da montanha.

O esconderijo dos Nottikings naquela região era secreto. No alto, havia uma torre de observação e um deles, que estava observando, no momento em que viu o grande exército, saiu correndo para avisar aos principais do outro lado.

— Tão silencioso. — Naruto falou. — É como se fosse um presságio, algo ruim está vindo.

— Sinto o mesmo. — Sakura falou, seus olhos estavam atentos as árvores. — É melhor ficarmos em estado de ataque.

Sasuke concordou.

O gelo era visível na mão da bruxa e o elemento do Ar brincava na mão do Uzumaki. Sasuke passou a ordenar que os que vinham atrás assumissem a forma do fogo, quando Sakura olhou para trás viu exército de bolas de fogo.

— O que é isso? — perguntou Tsunade. Logo perceberam que estavam sendo atacados por flechas.

— Os Nottikins costumam usar flechas envenenadas, se protejam. — Jiraiya bradou do outro lado.

Kakashi cavalgava ao lado de Konan, abaixou-se quando viu o ataque.

— Me dê cobertura, eu sei o que usar. — pediu para a mulher. Konan criou um enorme escudo d’água. Kakashi vasculhou dentro dos bolsos e encontrou algumas bolinhas negras. Riu extasiado só de pensar que iria usá-las.

— Obito! Pegue-as e jogue-as em direção das flechas.

— Pedras? — perguntou confuso.

— Pólvora, da minha terra. Esquente-as e jogue.

Obito cavalgou até o lado dos ataques das flechas e fez o que o “estranho” mandou, uma série de explosões foram ouvidas.

— Você e sua pólvora. — Konan brincou.

Um deslizamento de terra foi provocado no local onde as pólvoras atingiram.

Gaara e o restante do clã da Terra uniram-se e causaram um tremor de terra no lado direito da floresta de onde as flechas estavam vindo. Temari sentiu a presença de vários Nottikins ali e com a ajuda de Obito e outros vikings ajudou a queimá-los.

Sakura e Sasuke cavalgavam á frente abrindo caminho para o restante do exército.

A primeira fase eles tinham conseguido vencer facilmente, simples até demais. Pensou Sasuke.

Por entre as árvores que estavam atrás e abaixo deles via-se uma névoa, o que era estranho, já que o dia estava ensolarado.

Ele freou o cavalo e Sakura fez o mesmo.

— Outra armadilha.

— Névoa? — a bruxa perguntou.

— Fumaça.

— Tio! — Naruto chamou Jiraiya que montou em cima do Ainevi do sobrinho. — Que tal um pouco de vento?

Naruto equilibrou-se em cima do animal e com a ajuda do tio os dois criaram um pequeno ciclone de vento que ia crescendo, indo por cima das árvores e dissipando a fumaça.

Ás árvores voavam com o furacão dos Uzumakis, isso ajudou ao raios solares entrarem na floresta das Agulhas.

— É isso ai! — exclamou Jiraiya se divertindo.

— Eles são loucos! — Sakura falou admirada.

— Não viu nem a metade. Vamos. — por onde passaram viram que realmente a fumaça era uma armadilha, havia animais mortos no chão, provavelmente por terem inalado.

— Aquela luz. É o fim da floresta? — Sakura questionou. Eles avançaram e para a surpresa, encontraram a margem do rio. Tinha um imenso lago e uma construção no meio dele, semelhante a um castelo cravado em um rochedo.

— A montanha é dividida ao meio. — Sasuke disse atônito.

A montanha da Agulha ganhou a fama de lugar amaldiçoado há centenas de anos, ninguém nunca soube o porquê e também nunca quiseram entrar ali devido a maldição. Poucos conseguiam subir nela, já que suas rochas eram escorregadias e muitos que tentaram acabaram morrendo devido às quedas.

O rio a cortava ao meio, criando dois paredões de rocha encurvados cobertos com a cobertura das plantas. Havia um lago no meio de águas turvas. Era um paraíso oculto e um dos artifícios dos Nottikins.

Eles observaram uma enorme muralha de rocha bruta, a maior que viram em toda vida.

No castelo, o líder dos Nottikins tinha sido informado da invasão.

Hõzuke caminhou até a varanda do castelo e não viu nenhuma movimentação. Pensou na hipótese dos vikings terem morrido com a fumaça venenosa.

— De qualquer maneira, preparem o exército. Os Vikings não terão chances. Falta muito para poder alimentar os dragões com a essência?

— Algumas horas.

— Acelerem. — foi sua palavra final.

Satsuki e Sarada balançavam a jaula com a esperança de sair dali, porém era impossível.

Os dois estavam fracos e com fome, tudo piorava.

Mei foi avisada que eles estavam sob um repentino ataque.

— Parece que o papai e a mamãe vieram buscar vocês dois, suas pestes. — deu um balanço na jaula.

— Nos tire daqui Mei! — Sarada suplicou chorosa.

— Não mesmo. Vocês morrerão aqui, igual aos pais de vocês.

Ela olhou para a bolha, ainda não tinha enchido.

— Até nisso vocês não prestam, parece que está diminuindo. — ela saiu para avisar ao líder.

**

O lago de águas escuras e profundas era um trunfo para os Nottikins e seria um obstáculo encontrado pelas tropas. Caso as bruxas não estivesse com eles nunca iriam conseguir atravessar.

Sakura, com a ajuda de Tsunade e Konan, estava construindo um caminho congelado sobre as águas. As três caminhavam criando um chão de gelo espaçoso e firme, capaz de aguentar o exército.

— Por isso eles não esperavam. — Naruto disse orgulhoso.

— O que é aquilo? — Sasuke perguntou olhando um objeto enorme se deslocando do castelo.

— Parece uma cobra fantasmagórica. — Gaara falou admirado.

Sasuke puxou as rédeas do cavalo e galopou em velocidade rumo a Sakura e as bruxas, elas estavam sendo atacadas pela cobra de cor dourada, a água e o gelo não funcionavam já que as serpentes passavam por elas.

Naruto e Gaara vieram atrás com o exército.

— Amaterasu. — os olhos do Uchiha ficaram vermelhos e chamas roxas atingiram a cobra, queimando-a. Naruto veio em seguida.

— Rasengan. — ele usou de seu elemento para dissipar a cobra fantasmagórica.

— Estão vindo mais. — Konan avistou mais criaturas.

Sakura fazia escudos tentando bloquear aqueles monstros, Naruto e Sasuke intercalavam os poderes.

Da varanda do castelo Hõzuke assistia a luta no lago, estava furioso ao notar que os quatros elementos estavam unidos. Seria uma batalha complicada, eles estavam em desvantagem.

— E a bolha? — ele gritou para Mei.

— Está diminuindo. Tem algo estranho.

— Maldição. — xingou.

Gaara criou grandes monstros de barro, semelhantes a homens. Sakura revestiu-os de gelo e eles seguiram escalando as encostas do rochedo, davam socos nas rochas e o castelo estremecia. Os monstros de gelo conseguiram derrubar uma parede de rocha.

O choque das pedras com o lago criou ondas altas, molhando quem estava sobre a passarela de gelo. Essa tornou-se escorregadia.

— Conseguimos uma abertura! — exclamou Sakura, porém ainda era difícil de invadir.

As bruxas se organizaram e criaram uma enorme escada de gelo dando caminho para invadir o castelo.

— Mas a todos chegará o dia de morrer e esse não será o nosso! — Sasuke bradou. — Ataquem! — apontou com a espada.

Os vikings abandonaram os cavalos e desembainharam as espadas de prata. Todos gritavam uma palavra de guerra antiga e foram subindo as escadas de gelo.

— Heillar!

Os arqueiros Nottikins mandavam uma saraivada de flechas na direção dos guerreiros que estavam subindo pelas as escadas.

Naruto e as bruxas iam criando escudos para protegê-los e assim eles conseguiram entrar no pátio. Não foi surpresa encontrar centenas de Nottikins ali, estavam armados com espadas de lâminas curtas e largas, foices e machados.

Os Nottikins vieram atacando e uma desmedida batalha iniciou-se. O tilintar das espadas era ecoado, os golpes deferidos. Golpe após golpe, eles iam avançando contra os Nottikins. Parecia uma dança mortal, os guerreiros continuavam dando golpes, saltando um sobre o outro, o sangue descia no chão.

Os Vikings cobriram os Nottikins de chamas, era um dos meios de destruí-los.

Sakura lutava ao lado de Sasuke, o viking notou que a espada que ela usava era a dele. A espada que tinha sumido. Deu um sorriso de lado orgulhoso da performance da ursa com a espada, Sakura era uma guerreira nata.

Da parte superior do castelo, outra saraivada de flechas era lançada, Naruto dispersava uma por uma com a ajuda de Jiraiya.

A luta não foi longa, os Nottikins não podiam suportar os quatros elementos. Foi fácil destruí-los.

Kakashi aproveitou o momento e cobriu a parte inferior do grande portão de ferro com pólvora, houve um estrondo destruidor. Um tronco de gelo foi criado, dois membros fortes do clã da Terra pegaram-nos e golpearam o portão de ferro, era estrondoso e o portão caiu.

**

No interior, tudo tremia. As crianças choravam apavoradas e os Nottikins corriam tentando montar defesas. Era questão de minutos para tudo ali ceder.

Hõzuke estava parado em frente à bolha, não compreendia porque a essência estava diminuindo. Ele não achou outra solução, tinha que ir lutar e impedir o avanço do exército, não iria desistir e não ia permitir que ninguém colocasse a mão nos preciosos dragões.

— Fique de olho neles. — ele vestiu sua armadura e assumiu sua forma fantasmagórica, era demoníaco.

Chõjurõ estava de olho na bolha e compreendeu o que acontecia ali ligeiramente, as crianças estavam alteradas e isso fazia a essência diminuir.

Do outro lado, os dragões estavam inquietos e querendo se livrar das algemas que acorrentam seus pés, tinham crescido um pouco devido a essência dos híbridos e isso só piorava.

Chõjurõ chamou por Mei e ela não escutou, estava do outro lado resolvendo algumas questões com Hõzuke.

Não tardou para Chõjurõ descobrir que os guerreiros fora do castelo estavam reunidos com os quatro elementos, estavam unidos, viu que seria uma batalha perdida para o lado dos Nottikins, ele pensou e concluiu que a única solução era fazer aquelas crianças ficarem paradas.

Pegou a chave da jaula e abriu. Os dois tentaram ir para cima dele, mas ele assumiu a sua forma natural os assustando, os dois se encolheram no fundo da jaula. O Nottikin trancou aquela prisão improvisada e notou que a chave caiu do lado de fora, uma burrice.

— Fiquem quietos seus monstrinhos.

As crianças olhavam apavoradas, ele seguiu para perto de Sarada e tentou segurá-la.

— Não mexe com a minha irmã! — Satsuki pulou em cima das costas dele. O poder do Nottikins fez o garoto ser jogado para o outro lado da jaula. Gelo saia do corpo dele e ele não conseguia controlar, e assim o gelo tomou conta congelando a jaula.

Chõjurõ estava furioso, era visível em seu rosto fantasmagórico e então passou um olhar cruel para o garoto, que tentava controlar o seu gelo.

Sarada viu que o irmão corria perigo e sem pensar correu para cima do Nottikin.

— Solta o meu irmão! — ela esbravejou e batia nas costas dele. Seus olhos ficaram vermelhos e a garota agora parecia uma tocha de fogo.

Causando admiração até no próprio irmão.

Chõjurõ urrou quando viu o seu corpo sendo queimado. Sarada pulou para trás, logo uma gritaria dos três tomou conta daquele ambiente apertado.

O Nottikin queimava.

Sarada brilhava pelas chamas e chorava aterrorizada, Satsuki tentou ajudar a irmã, mas quase se queimou.

A chama da garota se apagou e ela abraçou o irmão que do jeito dele tentava acalmá-la. Os olhos do menino viram o Nottikin queimando até virar cinza e por fim congelando.

O gelo do garoto foi congelando o chão e as paredes daquele local e não parou, foi se alastrando pelo o castelo.

E a bolha da essência estourou, um repentino tremor tomou conta.

**

A luta continuava por todo o castelo, por ser um lugar de pouco espaço, tudo era apertado e não podia se distinguir quem era Nottikin ou quem era do lados dos Vikings.

Ambos os lados sofriam perdas, mas os vikings estavam em vantagem e, sobretudo pela combinação dos quatros elementos.

O castelo de rochas escuras foi ganhando uma camada de gelo, o gelo foi tomando conta do espaço ali. Estava ficando frio.

— Por que está congelando o castelo? — Sasuke perguntou, os dois corriam em direção ao último andar do castelo.

Sasuke fez um Nottikin a sua frente virar cinzas apenas com o olhar.

— Não sou eu. — ela respondeu e entraram em um salão e para a surpresa da bruxa, com Mei.

Sasuke estava pronto para queimá-la, porém Sakura colocou a mão no peitoral de Sasuke.

— Essa aqui é minha. — ela disse com os olhos cheios de ódio fitado Mei e assumindo aquela luta. — Vá atrás do principal.

Sasuke concordou e saiu do local deixando as duas mulheres.

Mei prontamente assumiu a sua forma Nottikin, uma caveira dourada brilhante. Aterrorizante.

Sakura não se importou.

Ela iniciou uma conjuração.

— Andar forfeðranna koma til mín, gæta þess að þessi líkami sem tilheyrir þér.

O corpo da bruxa foi tomado por listas pretas e que cruzaram o seu rosto, o cabelo da bruxa tomou uma nova tonalidade, fios brancos apareciam.

— Eu vou te ensinar a nunca mais mexer com os meus filhos, entendeu? — a roupa que ela vestia foi congelada e o mesmo com a espada. Raios azuis apareceram como um escudo para a bruxa. Ela tinha invocado um feitiço oculto, o mais mortal que existia.

Mei avançou em direção a bruxa, porém Sakura, com uma das mãos, abriu uma espécie de portal brilhante.

A Nottikin viu um rancor cruel no olhar da bruxa, tentou desviar, mas não conseguia se mover, estava presa. Os raios azuis a prenderam no chão.

— Eu confiei em você e no final você era uma Nottikin infiltrada. Me enganou e teve a capacidade de tirar os meus filhos de mim.

Mei tentava se soltar, mas não conseguia, a magia da bruxa era intensa.

Sakura ergueu a espada, seu olhar estava frio e demoníaco.

— Eu deveria te torturar e te assistir implorando pela vida.

— Eu não irei. — ela disse tentando mostrar superioridade, porém estava morrendo de medo. Não queria morrer.

— Excelente. — ela deu um mínimo sorriso de canto. Antes que Mei pudesse piscar o olho Sakura fincou a espada na goela da Nottikin, o sangue dela espirrou no rosto de Sakura, a bruxa riu e passou a mão no rosto limpando-o. Sakura pensou que aquilo não poderia ser melhor.

Ela começou a tossir e perdeu a sua forma de Nottikin.

Os raios azuis soltaram Mei que levou as mãos ao pescoço. Sakura derrubou-a no chão, a mulher estava com os olhos arregalados se debatendo. A bruxa pousou a mão sobre o punho da espada e afundou mais ainda.

Um sorriso sádico se formou no rosto de Sakura.

— Avise a Hela, deusa dos mortos, que foi a Ursa Branca quem te enviou. — ela puxou a espada, a mulher estava morta.

**

A estrutura do castelo estava caindo aos poucos. Sasuke vasculhava quarto por quarto atrás dos gêmeos. Aquilo ali iria sucumbir. Mesmo no meio daquela batalha, sua cabeça pensava em encontrar os filhos, mal tinha dormido na noite passada pensando neles, não sabia qual seria a sua reação quando os encontrasse e principalmente, o que eles iriam dizer quando o encontrasse. Pensou em dezenas de frases, mas a mais sensata que encontrou foi: O papai voltou.

Mesmo assim ainda não estava gostando dela.

— O Urso Negro. — uma voz forte foi ouvida, Sasuke virou-se e deparou-se com Hõzuke com um olhar sisudo. — Enfim te encontrei.

Sasuke apenas atentou-se ao Nottikin, não temeu.

— Onde estão meus filhos? — perguntou sério.

— Os híbridos. Não sei se você estará vivo para vê-los. — disse extremamente confiante.

Hõzuke puxou uma corrente lançando-a contra o Uchiha que interceptou-a com a espada. A criatura fantasmagórica veio para cima de Sasuke, que desviava os golpes das correntes. Esse era o trunfo dele, correntes amaldiçoadas, elas possuíam espinhos de ferros que cortavam a pele chegando até o osso. Cortou o braço de Sasuke, o Urso sentiu de imediato a dor, mas não se importou, deu um golpe na armadura do inimigo, mas era de titânio, o contato causou um choque em seu braço, ele urrou. Foi doloroso.

Hõzuke aproveitou e socou o rosto do Uchiha e em seguida aplicou um golpe na barriga.

Sasuke no terceiro desviou e o atingiu com o cotovelo no rosto e uma rasteira. O Nottikin tentou levantar, mas foi em vão, usou de sua habilidade com a corrente e amarrou-a no pé do Urso que escorregou e caiu devido ao gelo que se instalara no chão.

A bota de couro no pé de Sasuke ia sendo perfurada, as pontas da corrente já perfuravam o seu calcanhar, ele não podia demorar. Aquilo estava machucando, era horrível.

O Nottikin subiu no viking e começou a espancá-lo com socos no rosto. Sasuke assumiu a forma natural do elemento, Hõzuke tentou atacar usando o seu poder, no entanto, ficou perplexo e imóvel pelo o olhar de Sasuke. Após o rápido efeito ele moveu-se, o Notikkin tentou puxar a corrente, mas foi surpreendido com a força de Sasuke que com a mão partiu ao meio um pedaço da corrente sem importar-se com os cortes. O Nottikin foi atacá-lo, porém Sasuke estava enredado em fúria, nem ligou para as correntes atingindo o seu corpo.

Sasuke deu passos largos em direção ao homem e pegou-o pelo pescoço.

— Amaterasu.

As chamas roxas o consumiram, era o fim do líder dos Nottikins.

Sasuke voltou ao seu estado normal, viu as feridas em seu braço e não se importou com elas. Em sua caminhada como urso negro teve muitas e sabia que no fim, elas sempre cicatrizavam.

Colocou sua espada na bainha, para ele só restava a vontade de agora encontrar os seus filhos e sair dali o mais depressa possível.

Ele encontrou Sakura em um dos corredores. A bruxa logo percebeu os machucados no braço dele, já que estavam sangrando.

— Está tudo bem Sakura. — disse amenizando a preocupação dela. — Vamos encontrar nossos filhos e sair daqui.

— Hey vocês dois! Eu acho que encontrei dois ursinhos. — Konan falou sorridente ao lado de Tsunade parada em frente a uma porta.

Sakura olhou para Sasuke radiante.

— Preparado para encontrar com os seus filhotes, urso?

Ele assentiu.

O rosto sério de Sasuke se desfez, Sakura viu o sorriso bobo no rosto dele. Aquele Sasuke que ela conheceu anos atrás. Era visível a emoção no rosto dele, não podia conter o sorriso.

— Depois disso tudo — ele riu. — É tudo o que eu quero.

Notas finais
Bom meus amores, esse foi o penúltimo capítulo da fanfic.( minha previsão é que seja) com epílogo Ah, vai ter encontro de ursinhos com o urso negro :) Espero que tenham gostado e obrigada por lerem :) bjus