Sob O Signo Do Código.

2 Vá doutor, apenas vá...


A universidade estava particularmente agitada essa manha, os estudantes estavam reunidos em grupos individuais, cada um deles carregava uma espécie de símbolo ostentando numa bandeira. A frente deles, o mais renomado simbolista da história, o doutor Robert Lagdon. Ele estava a uma distancia razoável dos estudantes, os observava com minúcia. Qualquer um deles poderia vir a substituí-lo num futuro próximo, eram todos muito inteligentes e curiosos, requisitos mais que necessários para a profissão a qual escolheram. Aquele dia era incomum, Langdon resolvera, como uma maneira lúdica de ensinar aos seus alunos, promover um campeonato de decifração de símbolos. Cada grupo que ali estava,era responsável por decifrar um símbolo de grande importância para a humanidade.O prêmio!? Nada mais nada menos, que a aprovação do mestre. Parece um premio medíocre para alguns, mas para eles, era a consagração máxima de suas vidas.Todos estavam empenhadíssimos, inclusive Langdon, que apesar de parecer distante, estava totalmente atento aos estudantes.Sua concentração era tamanha, que mal percebeu a movimentação estranha em torno dele.

-Senhor Langdon!-Um homem jovem aproximou-se de Langdon, tocando-lhe levemente o ombro.

-Sim!?-Langdon saiu da concentração em que se encontrava e virou-se, dando de cara com um dos secretários da reitoria.

-O diretor manda chamá-lo em sua sala!-O jovem falou suavemente, porém, com uma exatidão assustadora, como se impusesse uma sentença.

-A respeito...-Langdon se interrompeu ao notar o gesto desaprovador do jovem, não deveria falar, deveria apenas,segui-lo.

Os dois homens seguiram pelo corredor que dava acesso ao grande escritório do diretor, uma sala, que segundo Langdon, lembrava a câmara de gás nazista, não pela sua arquitetura fria e sem cor, mas pela aura de mistério e temor sempre presente.O jovem aproximou-se da porta, abrindo-a com as duas mãos, entrou na frente e deixou que Langdon viesse logo atrás. O diretor estava com seu ar de dureza de sempre, sentado em sua poltrona do final do século XIX, rodeado por livros que Langdon afirmava com veemência, que jamais havia tocado, nem mesmo para limpá-los.

-Queira sentar-se senhor Langdon!

-Estou bem assim!-Lagdon não imaginava o que o esperava, mas pela suavidade na voz do homem, podia prever que não era nada muito agradável.

-A conversa será longa!-O homem olhou o jovem que ainda estava parado na porta.-Pode sair, eu me entendo com o senhor Langdon.-O jovem obedeceu e saiu pela porta, Langdon não gostou do ar solene da situação.

-Senhor Langdon, parece-me tenso!-O homem juntou as mãos e coloco-as sobre a mesa.

-Porque estou aqui!?

-Não imagina!?-As sobrancelhas grisalhas do diretor arquearam-se levemente.

-Não!-Langdon tentava compreender o porque de tanto mistério.

-Senhor Langdon, a caso o nome Sophie Neveu, lhe parece familiar.

-Sophie....!?-Langdon acabou por sentar-se, aquele nome o fez se lembrar de uma parte da sua vida que ele gostaria muito de poder esquecer.

-Exatamente, Sophie...Pela sua expressão, devo presumir, que o senhor a conhece.

-Sim, a conheço!

-Pois bem, doutor...É sobre ela que quero falar.-O homem recostou-se levemente a sua poltrona.

-Por que!?-Langdon parecia desconfortável e inquieto.

-Porque ela precisa do senhor!

-E porque ela não me procurou pessoalmente, porque é o senhor que está me falando isso, e não ela!?-Langdon olho-o nos olhos.

-Ela não o procurou,senhor Langdon, porque ela não pode!-O homem ajeitou o cabelo grisalho.

-E porque não!?

-Porque ela corre perigo, e também....-O homem hesitou.

-E também!?-Langdon arqueou a sobrancelha

-Senhor Langdon, há coisas na vida, que são melhor entendidas, quando vistas.- O diretor se dirigiu a um armário no outro lado da sala, suas mãos hábeis buscaram em meio a alguns papeis,uma passagem.-Aqui doutor.

-O que...!?-Langdon leu o seu nome na passagem.-Brasil!?-Seus olhos ainda não podiam crer no que lia.

-Sim, Sophie está no Brasil!

- O que diabos...!?

-Não senhor Langdon, como eu disse, há coisas que são melhor entendidas, quando vistas.-O homem recostou-se confortavelmente na cadeira.-Seu voo sai em duas horas.