Sob O Mesmo Céu Azul
1 Capítulo 1
Meu nome é Jhon. Moro com minha mãe. Meu pai faleceu quando eu era pequeno. Minha mãe sempre foi o tipo de pessoa fraca. Ela era sincera comigo. Ela desmoronava.
Na minha infância conheci uma menina de nome Vitória. Como minha mãe e o pai dela namoravam na infância, a minha amizade com a Vitória foi passada pela geração dos nossos pais. Diferente dos dois nós nos amavámos. Só havia um problema. A Vitória podia morrer a qualquer momento.
Vitória era diferente.
—Vitória: Sabe.... sei que não vou viver por muito tempo. Sei que não terei a oportunidade de chegar a maioridade. Nem de completar meus estudos. Nem fazer uma faculdade. Nem uma prós graduação. Nem uma universidade. Nem um cursinho. Nunca casarei nem terei filhos. Nunca poderei ficar ao seu lado, Jhon!
Ela era sincera comigo. Chorava quando dava vontade. Me corrigia quando eu tava errado. Me contrariava mas também me apoiava. Eu amava muito ela, por isso, não queria ver ela chorar comigo. Não queria ver sua dor quando eu chorasse. Tenho uma amiga de nome Ranya que acompamha nossa desde sempre. Conto tudo que sinto pra ela. Ela me dá bronca e me aconselha.
Desde ssmpre eu e a Vitória estamos juntos. Todo ano no aniversário dela nós íamos a praia as 18:00 pra ficarmos a sós e só voltavámos as 00:00.
No seu aniversário de 15 anos, fizemos como todos os anos. Fomos a praia as 18:00. Chegamos e sentamos a beira do mar. Ela deitou no meu colo olhando pra mim.
—Vitória: Vamos fazer um jogo?
—Qual?
—Vitória: Só diga que sim.
—Não. Eu quero saber qual é primeiro.
—Vitória: Vai só hoje que é meu aniversário.
Ela fez aquela cara de gatinha abandonada.
—Tá bom.
Ela se animou toda.
—Vitória: O nome do jogo é VERDADE.
—Por que verdade?
—Vitória: Hoje você não pode esconder nada de mim. Tem que ser sincero com seus sentimentos. Tem que me dizer como se senti e chorar se der vontade.
Me abati com as palavras dela.
—Só hoje.
Ela sorri.
—Toda vez que você fala sobre sua morte é horrível pra mim. Se eu pudesse seria sua cura. Nunca te contei como eu me sentia porque eu não queria ver você chorar comigo. Não queria ver seu sofrimento diante dos meus olhos.
Ela sentou e eu encostei minha cabeça em seu ombro.
—Só viva comigo... só fique comigo... eu... não aguento mais...
Chorei muito. Cheguei a soluçar. Me afastei do ombro dela e ela olhou nos meus olhos.
—Vitória: Eu te amo.
Ela chorava. Só que era um choro diferente. Foi de alegria.
—Eu também te amo.
Ela sorria em meio aquelas lagrimas. Estava linda.
—Vitória: Obrigada por compartilhar seus sentimentos comigo.
—Obrigada por mim ouvir.
Deitamos na areia e olhamos pro céu.
—Qual seu medo?
—Vitória: Tenho medo de ser esquecida como se nunca tivesse existido. E o seu?
—Tenho medo de perder você.
O céu estava lindo. Mais que nunca.
—Vitória: Fico feliz em estarmos aqui.
—Como assim?
—Vitória: Sob o mesmo céu azul.
—De todos os anos nunca vi tão bonito.
—Vitória: Nem eu.
Ela levantou e me beijou.
—Vitória: Eu te amo.
Depois deitou no peito.
—Eu te amo, Vitória.
Ela não me respondeu.
—Vitória?
Nada.
—Vitória???
Levantei e o corpo dela já tava mole.
—Vitória?!
Balancei ela.
—VITÓRIA?!
Eu já sabia o significado daquilo. Abracei o corpo dela.
—Não pode ser. Eu... eu... Vitória...
Deitei ainda abraçado com ela.
—Sob o mesmo céu azul.
Deixei aquela dor me invadir. A Vitória havia partido. Na noite mais bela da minha vida. Na noite que nunca haverá novamente.
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