Sob O Farol E A Lua
5 Mortellement Profond
Notas iniciais
A frigideira chia conforme Stiles fritava o bacon. Em outra mexia os ovos. E em outra panela uma panqueca sendo feita, massa misturada a morangos.
Sendo multitarefas. E Stiles não estava prestando atenção, distraído na própria cabeça.
Ele acordou cedo, muito cedo (tipo, algo entre 4 e 5 horas da manhã) e não conseguiu voltar a dormir. Ainda reprisando os acontecimentos do dia anterior.
E como ele não poderia? Ver seus colegas de classe serem sequestrados em plena vista com câmeras de segurança tira o sono de qualquer um.
Stiles gostaria de dizer que estava acostumado. Que Beacon Hills, cidade bizarra como era, é o esperado. Coisas estranhas acontecem. Supere isso. Adolescentes desaparecerem no meio da noite não se compara com o de pior que já aconteceu aqui.
Sim, ele já ouviu alguém dizer isso. E, assim como ele nunca se acostumaria com o anormal, ele nunca se acostumaria com a comunidade conformada com as coisas como estão.
Não pela primeira vez ele se pergunta se a cidade realmente estava amaldiçoada. Porém, sendo justo, nem tudo era ruim.
Como, por exemplo... Ele não ligar de ouvir Derek rindo de novo. Foi uma risada curta, mas boa. Algo tão raro de ver no alfa, que Stiles não se recorda se ele já ouviu o lobo soltar uma risada genuína antes. Talvez não.
Para um cara com um estilo de vida tão espartano, Derek tem um certo senso de humor. Por de baixo de toda aquela fachada de “Eu sou o Alfa”, de agir feito um velho rabugento, Derek era uma pessoa um tanto quanto... normal.
Stiles não sabe porque ele se sentia impressionado com isso. Mas era interessante de se pensar que Derek na verdade não era tão diferente das outras pessoas.
Stiles pisca. Café da manhã estava praticamente pronto. Huh.
Mas faltava mais panquecas. Stiles morde o interior da bochecha, desliga o fogão e prepara a mesa.
Ele deveria fazer mais comida. O lobo devia buscá-lo cedo para irem ao posto, mas Stiles se pergunta se Derek se alimentou antes de sair de casa. Afinal, estava muito cedo.
Ele decide cozinhar mais.
Ele ouve sons de passos pesados descendo as escadas. Não muito tempo depois seu pai aparece, bocejando, coçando os olhos. Cabelo parece ter tido uma briga com o travesseiro. Estava de pijama hoje, felizmente.
— Meio cedo para fazer o café, garoto. Bem que senti cheiro de bacon. — ele senta-se a mesa, puxando um prato vazio para si — Bom dia.
— Bom dia. — Stiles mostra a frigideira com o bacon. — Servido?
O xerife faz um som de um hm apreciativo, acenando com a cabeça. Stiles coloca apenas dois pedaços no prato, para a infelicidade do Stilinski mais velho.
Ele apenas encara, incrédulo, os dois míseros e pequenos pedaços de bacon a sua frente. Solta um pequeno som de indignação.
— Isso é sério? — diz meio exasperado, enquanto enchia um copo com café.
— Nada de muita gordura para você. Da última vez você teve taquicardia.
Xerife Stilinski apenas revira os olhos.
— Isso faz três anos, Stiles.
O garoto estava virando mais panquecas.
— Não significa que você deve comer o que bem quiser. Tu já não tem idade para essas coisas, pai.
John solta um som de engasgo.
— Eu não tô tão velho assim!
— Diz isso para o médico!
O Stilinski mais velho resolve não argumentar. Apenas balança a cabeça, garfando as panquecas e ovos.
Satisfeito, Stiles volta ao fogão. Dessa vez fritando mais bacon.
E é claro que o xerife repara. Ele suspende um garfo com um pedaço de bacon no ar, olhos se estreitando.
— É muita comida. — diz, voltando a mastigar. — Scott vem em casa?
Stiles congela. Claro que ele não considerou a possibilidade que seu pai pudesse questionar a quantidade de comida. Geralmente os cafés das manhãs ficavam a seu encargo mas Stiles normalmente cozinhava o bastante somente para duas pessoas. Afinal, não havia desperdício na casa Stilinski.
Rápido, pensa em alguma coisa! Antes que ele fique desconfiado.
— Vou sair de novo para procurar trampo. — diz rápido, esperando que soe casual. Com um leve revirar de olhos, gira uma panqueca e continua. — Não sei se vou ficar o resto do dia fora, mas é bem provável que chegue tarde em casa. Então pensei em levar porções.
Seu pai o considera levemente antes de voltar a atenção a comida. Ele não diz nada.
Não sabe dizer se isso é uma coisa ruim ou não.
Eventualmente Stiles finaliza. Ele senta-se a mesa, em frente ao xerife e começa a se alimentar.
Nenhum dos dois diz nada.
O ambiente não era desconfortável, não exatamente, mas o silêncio em quanto se alimentavam era... estranho. Stiles entende que isso era o fato de quase nunca ver seu pai em casa, não nestes últimos meses, mas também tem aquela parcela que envolvia suas constantes mentiras.
Mesmo agora, ele continuava mentindo.
E é claro que a culpa queria devorá-lo vivo. No momento não havia nada que ele pudesse fazer. Mas bem que ele queria que fosse o contrário.
Não pela primeira ele se pergunta se o xerife saber da verdade era a melhor opção. Apenas para descartar a ideia logo em seguida.
Sons de talheres e pratos sujos sendo deixados de lado.
Seu pai finaliza a refeição. O homem dá um leve tapa na barriga, satisfeito, o rosto ainda sonolento.
— Acho que vou voltar a dormir. Tá cedo demais... — um enorme bocejo. — Você fez o café da manhã. Deixa que eu lavo a louça quando acordar.
— Beleza. — diz Stiles, a boca cheia. — É melhor você descansar mesmo.
Seu pai só solta outro bocejo. Se levanta, saindo da cozinha em direção as escadas.
Ele solta um suspiro.
Ok. Agora, apenas esperar Derek entrar em contato. Ou reparar se o carro dele estaciona perto de casa.
Enquanto embalava as sobras do café da manhã, Stiles sente seu celular vibrando. Ele retira do bolso e verifica. O alfa tinha lhe enviado uma única mensagem:
Aqui.
E só. Apenas isso. Nem um bom dia, nem mais informações. Belas palavras, alfa, muito bem colocado e pontuado sua intenção. 10/10.
Stiles apenas segura as embalagens com as sobras e sai de casa.
________________________
Stiles verifica em volta, só para garantir. Olha para esquerda, olha para direita. Nada, nem ninguém.
Ótimo.
Sem vizinhas fofoqueiras para repararem em um camaro preto. Do jeito que é seu bairro, a notícia se espalharia por toda a cidade antes mesmo de ser meio dia. O escândalo que seria do ex-supeito Derek Hale buscando o filho do xerife na casa dele.
Felizmente estava cedo o bastante para isso. Ao menos a Sra. Williams não ia ficar de fofoquinha com seu pai sobre—
Um som de buzina alta. Impaciente.
Stiles pula com o susto. Derek está com uma cara de poucos amigos, fazendo gestos para ele vir logo ao veículo.
Stiles revira os olhos, com força. Ótimo. Se estavam dormindo, agora com certeza acordaram.
Outra buzina alta.
— Para com isso! — Stiles chia, chegando perto do carro. A janela do passageiro estava aberta — Quer acordar toda a vizinhança?
— Entra logo no carro.
Stiles obriga. Babaca. E pensar que ele foi considerativo o bastante para trazer café da manhã para o alfa.
— Bom dia para você também.
Derek não diz nada. Só arranca com o carro.
Jesus, esse cara realmente estava impaciente. Dirigia como se estivesse atrasado para algum evento importante.
... Stiles supõe que era o caso.
— Não sei se comeu alguma coisa, não que você mereça, mas se quiser comida tem aqui.
Stiles levanta a pequena pilha de embalagens no colo, mostrando ao Derek.
O alfa dá uma olhada de lado, parecia um pouco surpreso. Ele volta a atenção a estrada. Dá uma leve fungada no ar.
— Isso é bacon?
É. Parece que caninos sempre serão caninos. A primeira coisa que o olfato dele reparou foi no bacon.
Stiles não diz nada. Só retira um dos recipientes, abre a tampa e oferece ao lobo.
Ele hesita. Stiles não sabe o que o alfa estava pensando, talvez ele achasse que fosse algum tipo de pegadinha? Eventualmente, Derek aceita a comida com uma das mãos. Coloca no colo e vai retirando as tiras, mal olha a comida, comendo rápido. Não, devorando feito um lobo faminto.
Jesus.
— Meu Deus. Pelo menos mastigue.
Derek ainda não diz nada. Nem agradece.
Típico.
________________________
A viagem continua por mais 20 minutos. Derek comeu todas as sobras. Stiles não sabe se devia achar isso hilário ou simplesmente triste.
O alfa não devia passar fome, não com aquele corpo, mas talvez estes últimos dias devem ter sido estressantes o bastante para afetarem a alimentação do lobo. Ele ao menos comeu antes de sair de casa?
Ou... jantou ontem a noite?
A situação já estava ruim o bastante. Um alfa mal nutrido não era bom a ninguém, principalmente ao Derek.
Quando ele estava prestes a questionar a alimentação do lobo, Derek fala primeiro.
— Você nunca disse como conseguiu pegar as filmagens sem ser pego.
Ah. Isso. Stiles coça a cabeça, sentindo-se desconfortável.
— Ah, sabe como é. Furtivo feito um gato. Está olhando para um futuro espião. — ele sorri, tentando encerrar o assunto.
Derek só levanta uma sobrancelha.
— Você foi pego.
Não era uma pergunta. Stiles suspira, resignado.
Droga.
— Bem, sim. — faz uma leve careta de indignação — Mas consegui me safar. — levante um dedo, triunfante.
— Como?
Ah, cara. Por onde começar?
Para isso, Stiles precisava voltar um pouquinho no tempo.
________________________
— O que você está fazendo aqui?
Fodeu.
Fodeu muito.
Coração disparado. Soando frio. Ok, reação normal ao ser pego. Não diminuía o que ele fez ser menos ilegal.
Stiles só consegue ficar boquiaberto. Durante a surpresa ele esqueceu de guardar o cartão no bolso. Felizmente ele teve reflexos o bastante para esconder entre as mangas da camisa. Valeu treinamento para o time de lacrosse! Mesmo que Stiles não jogasse.
Porém, isso significava ficar com a mão agarrando uma manga, em uma posição estranha.
E é claro que o policial repara.
— Parrish. E aí cara. — Stiles tenta um sorriso. Ele espera que não soa muito estranho — Que cê tá fazendo aqui?
Parrish só o encara. O rosto uma mistura de desconfiança e confusão.
— Stiles, você não devia estar aqui. É uma área restrita.
Não tão restrita assim se Stiles conseguiu entrar sem ninguém reparar. Foi que pensou, mas achou sábio não comentar nada.
Ao invés disso:
— Ah, sério? Eu não sabia. — um sorriso apologético.
Parrish só continua o encarando.
— Olha, que tal a gente esquecer que isso aconteceu e cada um for para seu canto? Não é uma boa ideia? Eu acho uma ótima ideia.
Stiles acena para Parrish, um sorriso sem dentes. Ele começa a andar, tentando parecer casual.
— Espera.
Stiles congela no mesmo instante. Lentamente se vira.
— O que você tem aí?
Merda.
— Uh...
Parrish se aproxima.
— Stiles. O que você tem escondido aí?
E... ok. Até agora mentir não está resolvendo nada. Na verdade está sendo exatamente o oposto.
Stiles sabe que é perigoso, mas resolve trocar de tática. Ele ia se ferrar de um jeito ou de outro. Pelo menos ele espera que essa nova estratégia faça com que ele saia daqui.
Ele solta uma exasperação, dramático.
— Tá, você me pegou.
Estende o braço.
— Aqui.
Entrega o cartão ao Parrish, que, obviamente, reconhece o objeto de cara.
— Stiles! — diz exasperado. Como se tivesse presenciado o pior crime possível. — Só o fato de você ter isso já se configura como crime!
Stiles revira os olhos.
— Olha, eu sei que parece ruim. — ele pausa um momento. — Tá bem, é ruim. Mas eu tenho um bom motivo para isso.
— E qual seria?
Stiles respira fundo.
— Nós dois sabemos que essa cidade é um inferno. E que esses últimos meses tem sido para lá de esquisitos até mesmo para esse lugar.
Faz uma pausa. E então continua.
— A polícia não conseguiu resolver nada até agora. — Stiles se sentia sujo em usar isso, mas tudo valia para conseguir sair daqui — Então eu mesmo resolvi investigar sozinho.
Parrish cruza os braços.
— Invadindo a área restrita do Departamento?
E... tá, ele tinha um ponto.
Mas Stiles já tinha pensado em uma resposta.
— De que outra forma eu encontraria meus colegas de classe?
Ele vê os olhos de Parrish se iluminando em reconhecimento. Sim, isso mesmo.
Bingo.
— Erica e Boyd sumiram e nenhum de vocês deu a mínima para isso.
E, uau, ele não sabe da onde isso veio. Porém... era a verdade, não? Dois jovens simplesmente sumiram. E ninguém, exceto o Derek, se importou com isso.
Stiles sentia... raiva. E decepção. E... ok, muitas emoções complexas agora. Ele nem sabia que tinha sentimentos reprimidas.
Parrish não encontra seus olhos. Claramente foi pego desprevenido. Ele não nega.
— Faz poucos dias que eles sumiram. O departamento já tá bem agendado tentando resolver todos os outros casos para priorizar dois adolescentes, que provavelmente fugiram de casa. Não temos pessoal o bastante para isso.
— Isso não é desculpa. — diz com tanto veneno na voz quanto podia.
Bem na ferida. Isso acerta Parrish em cheio, que não sabe o que responder a isso.
— É por isso que você tá aqui? Veio verificar as câmeras para saber para onde eles foram?
Stiles confirma com a cabeça. Tentando manter o rosto sério, com uma expressão de desespero e o que esperasse que fosse raiva.
Ao olhar para a cara do Parrish, parecia estar funcionando.
— E então... como vai ser? Vai me prender?
Parrish o considera por uns segundos. Por um instante Stiles sente pânico. Havia um real risco dele ser preso aqui. Sim, ele é menor de idade, mas as leis na Califórnia são diferentes do resto do país. No mínimo ele ficaria detido no departamento até seu pai chegar, o que ainda é o pior cenário possível.
O policial o considera por mais uns instantes, antes de soltar um suspiro de resignação.
— Não. — guarda o cartão no bolso. — Eu não te vi. Vai embora.
Stiles não questiona.
— Obrigado.
— Não me agradeça, não é um favor.
Uma mão na cintura, outra indo ao rosto. Parrish está com uma expressão de cansado.
— Olha, sei que sou novo na cidade, mas te garanto que estamos fazendo o possível por todo mundo. Incluindo seus amigos.
E Stiles acredita. Verdadeiramente acredita. Mas não havia nada que eles pudessem fazer para ajudar. Não realmente.
— Eu sei.
Parrish só assente com a cabeça. Stiles, então, resolve ir embora.
Foi por pouco.
________________________
— ... basicamente foi isso.
Stiles coça a cabeça, ainda desconfortável. Derek não estava falando nada, expressão neutra, séria, ainda de olho na estrada. Stiles não consegue compreender o que está passando na cabeça do alfa. Ele estaria... decepcionado? Que Stiles foi pego? Ou estava bravo que o garoto falou dos betas para Parrish?
E Stiles... não sabe o porquê, mas ele não gostava disso. Era uma sensação ruim no seu âmago, sentir que Derek estaria de alguma forma decepcionado ou chateado com o que aconteceu. Algo para se analisar mais tarde.
Antes que ele resolva questionar mais sobre isso, resolve perguntar algo que estava no fundo de sua mente desde que entrou no carro.
— Enfim. Sei que fui fodão e tals. Nada demais. — um dar de ombros — Mas não pude deixar de reparar: cadê o Isaac?
Derek ainda continuava de olho na estrada quando respondeu.
— O deixei na cidade. Para caso do ômega voltar a aparecer.
Stiles pisca.
— Ômega?
Derek o olha de lado.
— A “emergência” do outro dia?
As mãos dele estavam no volante, mas as aspas estavam implícitas no ar.
Stiles para. Analisa um pouco.
Ah. Mas é claro.
— Saquei. — balança a cabeça, resignado — Alguém morreu?
— Um dos policiais. Isaac foi quem encontrou o corpo.
O veículo permanece em silêncio por alguns segundos, ambos processando as informações compartilhadas.
Ele apoia um braço na porta do carro, sustentando a cabeça.
Stiles morde o lábio inferior. Se ele não estava sabendo disso, então a informação não vazou ao público ainda.
Ele supõe que faz sentido. Com a imagem da polícia em Beacon Hills defasada, eles não iam querer divulgar outro assassinato tão cedo. E provavelmente o legista irá determinar a causa da morte como outro ataque animal.
— Será que dá para essa cidade não ficar sem matar alguém por pelo menos um mês?
Derek nada diz. E nem precisa. Ambos sabem a resposta para essa pergunta.
Stiles odeia que essa é sua vida agora.
_______________________
Eles finalmente chegam ao posto de gasolina. Não parecia haver nada de incomum aqui. Ao menos, até onde Stiles conseguia reparar de dentro do carro.
Não havia outras pessoas por perto, nem outros veículos. Estava... deserto.
Loja de conveniência estava com as luzes acessas. O nome, “Gasolina & Cia”, exposto em letras grandes e velhas, ficava logo acima. As bombas de gasolina, antigas, com marcas do tempo nelas. A pintura de toda a construção estava desbotada.
Toda a aparência do local denunciava um posto de gasolina típico do século 20.
Stiles não sabe porquê, mas ele se sentia... inquieto. Uma sensação de um peso no seu peito. Como se tivesse algo lhe avisando que tem uma coisa incrivelmente de errado aqui. Como se cada instinto dentro de seu corpo estivesse gritando para ele correr.
De repente o ar parecia mais ensurdecedor do que nunca. Por algum motivo, falar alto não parecia ser sábio.
Ele abre a boca. Fica surpreso ao se encontrar soltando um sussurro.
— Derek—
— Stiles. Fica no carro.
Sai a ordem, rígida, sem espaço para argumentos. Os olhos brilhantes se destacam no veículo com a pouca luminosidade.
Ele olha o alfa. Ele também havia sussurrado. Os olhos dele estavam em cor carmesim, alertas. Claramente tinha algo de errado aqui. Muito errado.
— Você enlouqueceu? Eu ficar sozinho é uma péssima ideia! Nunca assistiu filmes de terror? — sussurra furioso. Como Derek pôde achar que ele ficaria mais seguro aqui? Sozinho?
Derek só o um encara, os olhos vermelhos uma visão perturbadora. Ele então balança a cabeça, murmura “merda” e faz um gesto com a cabeça.
Me siga.
— Não saia de vista.
Stiles assente. Deve ter algo de muito errado para o lobisomem estar tão em alerta e ainda estar sussurrando.
Lentamente, cuidadosamente, eles saem do carro. Caminham, alertas, até a loja de conveniência.
Derek faz uma careta, aperta a mandíbula. O nariz se contrai como se tivesse sentido um cheiro ruim.
E Stiles logo percebe o porque.
Eles não tinham entrando ainda, mas agora que se aproximaram da loja, eles puderem ver através das portas de vidro.
Sangue. Espalhado para todo lado.
Primeiro, ele repara nas paredes, pintadas em vermelho. E então, no rio de sangue no chão. Seu olhar cai nas prateleiras ensopadas, produtos pingando o líquido avermelhado. Litros de sangue que não deveria ser possível sair de uma pessoa.
E... pedaços.
Retalhos de carne espalhados pelo chão, feito lixo. Stiles não sabe dizer se sequer era humano.
Era uma visão nojenta. De causar repúdio, bile se levantando a garganta.
Stiles faz um pequeno som. Ele coloca a mão na boca, sentindo-se enjoado.
Ó Deus. O cheiro deve ser ainda pior e eles nem entraram ainda.
Derek tentava manter o rosto impassível, mas mesmo o alfa estava afetado por isso.
Stiles não consegue imaginar o quão esmagador isso devia estar sendo para o lobisomem, com todos os seus sentidos aguçados.
O alfa faz um gesto. Levantando o dedo indicador aos lábios. Fique quieto.
Stiles se encontra concordando. Mesmo com sua personalidade espalhafatosa, ele sabe quando há momentos de silêncio. Este claramente era um deles. Derek nem precisava indicar nada para Stiles saber que ele deve fica quieto.
O lobisomem, então, abre a porta de vidro. Lentamente. A porta se arrasta, fazendo o típico barulho de plim.
Ambos ficam em defensiva.
Nada. Por enquanto.
Eles continuam avançando, não menos alertas. E, sim, o cheiro era tão horrível quando imaginava. Talvez até mesmo fosse pior.
Stiles mantinham uma mão tampando ambos boca e nariz. A outra se agarrou firmemente a um taco de beisebol próximo, em uma das prateleiras próximas da seção de esportes.
Derek analisava cada detalhe. Olhos vermelhos indo de um canto ao outro. Deus, parecia que um massacre aconteceu aqui. Tinha muito sangue.
Eventualmente eles param aos fundos da loja. Parecia dar acesso a sala dos fundos. Talvez um depósito ou um estoque. Um rastro de sangue logo abaixo, como se algo tivesse sido arrastado. A porra estava entreaberta.
Derek pausa. Faz um gesto (fique aqui). Stiles acena com a cabeça, desta vez ambas as mãos segurando firmemente o taco de beisebol.
Devagar, cauteloso, Derek abre a porta.
A visão... uma coisa que Stiles jamais iria esquecer.
No chão, a poucos metros de onde eles estavam, havia uma mulher agachada. De costas não tinha como reparar em uma muita coisa, mas sua estatura indicava que ela era relativamente alta (talvez mais de 1,80?), a pele clara, cabelos escuros.
A aparência desconcertante. Suja. Pedaços de graveto, sujeira e folhas se agarravam ao cabelo desgrenhado. Corpo magro, magro demais, costelas se destacando na pele. Suas mãos, encharcadas de sangue, seguravam alguma coisa.
Stiles então percebe. Sons de mastigo, de algo molhado, sendo arrancado das mãos dela. Ela estava comendo alguma coisa.
E, para seu horror, ele repara no que era.
Logo abaixo dela, havia um corpo. Pela aparência, devia ser um jovem, talvez adolescente. Estava uniformizado, nome do posto destacado na camisa. O corpo estava... totalmente brutalizado.
Uma perna faltando, antebraço esquerdo arrancado, o osso exposto, barriga um enorme e escuro buraco, em um emaranhado de entranhas. Parte do rosto dele estava faltando. Seu olhar em direção a porta, a boca aberta em um grito silencioso.
Mais sons de mastigo.
Stiles estava congelado na porta. Instintos gritando com ele para fugir o mais longe possível, vai embora! Por que você está ainda aí, seu idiota? VOCÊ VAI MORRER!
Mas Stiles permanece bem onde estava. Não conseguia se mexer.
Derek avançava lentamente em sua frente, aos poucos alcançando a mulher. Seu rosto... uma mistura de ódio e repulsa. Stiles repara que estava em estado de meia transformação. A testa protuberante, bochechas mais afinadas, boca com presas e orelhas pontudas. As mãos deles estavam com garras afiadas.
A mulher, então, para de mastigar. Vira-se. Lentamente. Os olhos dela brilhavam em um azul elétrico intenso.
Derek rosna. Ela também.
A mulher lentamente levanta, esquecendo a refeição para se focar no lobo a sua frente. Seu estado... Stiles descreveria como uma completo selvagem. Não havia consciência ali, apenas um animal seguindo instintos.
O que lhe causa um efeito parecido com entorse, quando, a mulher, farejando o ar, teve uma expressão de reconhecimento ao rosto. A expressão humana. Como se tivesse se recordado de algo (ou alguém) do fundo de sua mente.
Com uma voz roca e incrivelmente suave, diz:
— Alfa... Hale?
Parecia estar mais consciente do que estava fazendo.
Derek para por um momento. Fareja o ar e, por instante, parecia reconhecer a mulher. Porém permanece na mesma posição em alerta.
— Não te conheço. — diz entre grunhidos. Mas seu tom demonstrava incerteza — Mas seu cheiro... é familiar.
Ela solta um pequeno sorriso.
— Era da... — falar parecia difícil. Mesmo com o breve momento de consciência, a voz saí fraca e baixa.— alcateia mais ao norte... Notfae.
Derek enrijece. Ele parecia ter reconhecido o nome. Stiles apenas aguarda, sem dizer nada.
— O que aconteceu? Por que está tão longe de casa? — mesmo tendo reconhecido a mulher, o alfa ainda estava na defensiva.
Ela repentinamente ri.
Um som doentio, pequeno, vazio da graça de uma risada genuína. Soava errado.
Nem mesmo algo sarcástico, apenas algo verdadeiramente quase desprovido de emoção alguma.
— Todos... mortos. — outra risada, um pouco mais alto dessa vez. — Eles... vieram...
Foram caçados.
Ele só continuam encarando a mulher. Claramente ela estava insana.
— Fugir... e esconder... — continuava sussurrando, a voz em um tom maníaco— matou... nós...
Derek da um passo a frente.
— Quem?
— Fugir... fugir... fugir... — murmura, o corpo todo tremendo. — Achar... Alfa Hale...
Ela, então, olha o lobisomem. Diretamente nos olhos dele, nas íris vermelhas.
— Alcateia de alfas.
Derek e Stiles congelam. O adolescente encara Derek, mas o lobo permanecia a sua frente, a postura ainda rígida. Pronto.
— Rumores... rumores... — murmura entre os lábios, mordiscando uma garra entre os dedos afiados, olhos perdidos — terra reivindicada... Alfa Hale... P-proteção...
Ela treme. Colocou os braços em volta de si. A ação faz Stiles perceber: uma ferida, no abdômen. Um... buraco de bala?
Foi ela quem matou o policial?
Ele olha Derek. O alfa parecia perdido, sua expressão agora um misto de raiva, confusão e pena. Ambos momentaneamente não sabendo o que fazer.
Stiles tenta analisar o padrão quebrado de fala da mulher.
Obviamente ela fugiu de uma alcateia de alfas. Não havia dúvidas que eram os mesmos que sequestraram Erica e Boyd. A menos que exista mais de uma alcateia só de alfas, mas Stiles duvidava disso.
Ela veio atrás de proteção, ao saber de rumores que o território Hale foi reivindicado. Mas por quê?
Stiles desconfiava, mas era bem possível que os Hale no mundo sobrenatural eram bem respeitados. Se mesmo quando estavam vivos haviam os mais diversos rumores sobre eles, Stiles não imagina que fosse o contrário no outro mundo.
O que significa que os Hale era bem conhecidos e provavelmente respeitados por outras alcateias. Notfae sendo uma delas. Buscar proteção era o mais inteligente a se fazer ao ter sua própria alcateia feita em pedaços.
Mas... o estado psicológico da mulher. Estava muito afetado. A sanidade perdeu-se.
Era bem provável que no caminho até Beacon Hills ela veio matando e destruindo tudo. Até mesmo se alimentando pelo que parecia, a julgar pela forma dela.
Mas agora... O que eles vão fazer?
Ômegas eram bem imprevisíveis. Sozinhos não são ameaças para betas comuns. A reabilitação para alguns é até mesmo possível.
Porém Stiles duvidava que fosse o caso dessa mulher. Ela matou dois inocentes ao chegar na cidade, provavelmente não se alimentou só desse. Quantos mais morreram no caminho?
Com o taco de beisebol ainda firmemente em mãos, braços tremendo, diz ao lobisomem.
— Derek—
Repentinamente a mulher para de tremer. E fixa seus olhos gélidos e sem vida em Stiles. Como se não tivesse reparado que ele estava ali.
Começa a rosnar. Um som ameaçador, animalesco. Um som de um caçador pronto para abater a caça.
— Derek!
Disse mais alarmado, o corpo todo rígido, pronto para fugir ou lutar. Ele já não sabia mais qual era a opção.
— Stiles! Se afasta!
A mulher pula.
Briga se espalha, membros de dois predadores voando de um lado para outro. Stiles tenta ficar de fora do caminho.
Ele tinha se afastado, estava agora de volta as prateleiras das lojas. Ambos os lobos estavam se atacando viciosamente em sua frente, Derek estando na vantagem. Porém Stiles repara que ele não estava lutando com tudo. Socos, arranhadas e mordidas menos letais que o normal.
Seria possível que ele não quisesse matar essa mulher?
Stiles pisca. Algo não estava certo.
Derek deveria estar ganhando. Ele sempre ganha.
O alfa estava ofegante. Mais do que o normal. Não parecia que não estivesse usando tudo de si.
Oh não.
Sim, é claro. É claro que é isso! Stiles tinha reparado no carro, mas vendo agora estava mais do que óbvio.
O corpo do Derek não estava em condições para lutar. Provavelmente não dorme bem a dias, talvez semanas, julgando como ele praticamente engoliu toda aquela comida no carro, estava negligenciando a alimentação.
Estava mais fraco que o normal.
E então, contra todas as probabilidades, a mulher ganha vantagem. Consegue subjugar Derek e prensa-lo ao chão. Mãos com garras se enfiando na lateral do corpo do alfa.
Derek ruge.
Com um braço o distraindo com a dor, outro se afunda no ombro dele, o deixando efetivamente preso.
O corpo dela avança para a frente, dentes afiados em amostra, tentando se afundar na jugular do Derek. Com uma mão livre ele tenta afasta-la, segurando o corpo dela.
Stiles estava paralisado de medo. O que ele fazia? Nada? Deixava Derek se virar sozinho?
Não. Se ele não fizesse nada o alfa ia morrer bem na sua frente. Ele precisava fazer alguma coisa.
Ele não pensa mais. Só avança.
O som de Stiles se aproximando distrai a mulher momentaneamente de Derek. Ela se vira em sua direção e ele balança o taco com tanta força quanto ele podia.
O impacto foi ensurdecedor.
Algo se estala.
Parte do taco de beisebol se rachou. Mas foi o suficiente. A mulher se afasta com o impacto, uivando em dor e segurando a cabeça.
Derek se levanta, ficando em sua frente. O rosto transformado em uma carranca, segurando a lateral do corpo onde as garras da mulher tinham se afundado.
Ela se recupera, balançando a cabeça. E rosna, alto. Avança novamente.
Ela se desvia de um corte com garras de Derek, o chutando bem onde ela o feriu. Um uivo de dor e ele estava sendo jogado do outro lado da loja.
Ela se vira e o encara.
Oh não.
Ela avança rápido, antes mesmo que Stiles pudesse balançar o taco de novo.
É jogado ao chão, taco deslizando, para longe dele.
Ela o subjuga, o prensando, não deixando espaço para ele conseguir fugir. Com as mãos ele tenta afasta-la de enfiar aqueles dente na sua jugular. Seus braços tremem do esforço. Para alguém muito magro, ela era surpreendentemente forte.
Lentamente a mulher avançava, Stiles já não aguentando mais por muito tempo.
Ele encara aqueles dentes, afiados, avermelhados, pedaços de carne ainda agarrados às gengivas. O hálito um cheiro podre.
Ele não conseguia se mexer.
E... era isso? Era assim que ele morria?
Stiles gostaria de dizer que ele sentiu sua vida passando por diante de seus olhos, que seus pecados finalmente foram cobrados. Imagens de momentos felizes, momentos tristes, momentos marcantes de sua vida. Todos aqueles clichês.
Mas não era caso. Não. Tudo o que ele sentia era o puro e inalterado terror. Do único fato universal de todo ser vivo.
Ele ia morrer.
Antes que a mulher pudesse enfim ceifar sua vida, uma sombra se move por cima dele. Ela é retirada, jogada para fora dele.
Era o Derek. Ele o salvou.
E antes que ela pudesse se levantar de novo, Derek, mais rápido, avança para cima dela. Enfiando suas presas na jugular da mulher, com força, rasgando carne e pele. Ele puxa a cabeça do lado, arrancando toda a tranqueia dela e boa parte do pescoço junto.
Ela para de mover. Pequenos espasmos pelo corpo e, então, fica imóvel. Sons de engasgo no próprio sangue. Então sem mais sons.
Ela morreu.
Derek cospe a carne, sangue descendo e encharcando de sua boca até o pescoço. Uma visão animalesca, combinada com aqueles olhos frios.
Ele se vira e encara Stiles. Avança até ele.
Stiles se afasta, de repente com medo. Instintivo. Mas do que, exatamente? Era o Derek. Ele não o machucaria... não é?
Era o que racionalizava na sua cabeça. Porém seu corpo pensava diferente. Estava de frente a um predador.
Ele vê o alfa hesitar, parando logo antes de chegar até ele.
Não, seu idiota. Ele não vai te machucar. Ele acabou de salvar sua vida.
Derek, então, se agacha com uma das pernas e lhe oferece uma mão.
Stiles nem pensa muito, apenas aceita, ficando de pé.
Ambos estavam encharcado de sangue. Stiles, de ter se arrastado no chão e Derek, da visceral luta. Stiles treme só de sentir a viscosidade do líquido em si.
Nenhum deles quebra o silêncio, apenas encarando o cenário em volta deles. Estava catastrófico.
Até Stiles dizer algo, porque ele nunca deixa de falar. Porém, com uma voz trêmula, diz:
— Temos que ligar para a policia.
Derek não diz nada, apenas assente com a cabeça em concordância.
________________________
Ambos estavam encostados na ambulância, um cobertor sendo compartilhado entre eles.
O sol estava raiando. Mostrando tudo em detalhes.
Stiles inicialmente achava melhor Derek ir embora, considerando todo o seu histórico com a polícia, mas o alfa insistiu em ficar. O que fez Stiles apreciar imensamente o gesto, mesmo que ele não tenha dito nada.
Atualmente estavam investigando a cena, faixas amarelas em volta do posto. Policiais aqui e ali.
Parrish foi quem pegou o testemunho. Eles combinaram uma história convincente.
Stiles e Derek vieram juntos. Stiles, porque pegou uma carona com o homem e Derek, que estava a caminho do posto abastecer o carro.
Stiles iria verificar se estavam contratando e talvez comprar alguma coisa. Derek deveria abastecer primeiro, mas resolveu ir junto.
Ao entrarem viram a cena macabra. Stiles viu o corpo, tentou ligar para a policia mas foi atacado por uma mulher psicótica, agressiva e insana.
Derek a afastou, tentou dialogar, mas ela não ouvia. Fizerem de tudo, mas acabou culminando na morte dela sob as mãos dele.
Sendo um posto de gasolina velho, o dono provavelmente não viu necessidade de um sistema de vigilância. O que significa que a única câmera que eles poderiam puxar como provas era a da estrada, que apenas mostrava eles chegando juntos. Colaborando com a história.
Teria algumas inconsistências, claro, mas alegar legítima defesa era a melhor opção no momento. E a polícia não teria como provar o contrário.
Parrish havia anotado tudo, agradeceu e se afastou.
Derek e Stiles ainda permaneciam sentados, juntos. Braços e pernas encostados. O calor do corpo do alfa estranhamente agradável. Um bom conforto, mesmo que ele jamais diria isso em volta alta.
A ferida na lateral dele ainda não tinha se curado, mas não estava mais sangrando. O que significa que o corpo do lobo está ficando melhor.
— Você está bem?
A pergunta veio do alfa. Seu olhar, geralmente frio e sério, o olhava preocupado.
Stiles ainda dava leves tremores. Fisicamente ele estava bem, considerando tudo. Mas mentalmente... levaria um tempo.
Ele acena com a cabeça, lentamente.
— Sim... sim, estou bem. Eu... — ele olho o lobo, estranhamente sem fôlego — você... salvou minha vida.
Derek só continua o encarando com a mesma expressão.
— Você também. Se você não estivesse lá...
Stiles entende. O lobo não precisava dizer.
— Stiles, eu... — enrijece a mandíbula, faz um som frustrado.
Stiles fecha os olhos. Sente a leve brisa do verão, os raios de sol penetrando sua pele. O dia estranhamente pacífico para uma brutalidade de momentos atrás.
— Apenas vai ficar mais perigoso de agora adiante. — resolve dizer o alfa — Sugiro que não se envolva. Seja... um adolescente normal.
Stiles ri, sem emoção. Ainda estava de olhos fechados.
— Meio tarde para isso agora.
Abre os olhos e encara o lobo. Estavam próximos, olhando intensamente um ao outro. Stiles sente um estranho apego ao lobisomem agora, como se a situação que quase matou os dois tivesse criado um laço invisível.
— E agora, alfa? O que vai fazer?
Não diz como uma zoação ou tirando com a cara dele. Stiles estava reconhecendo o lobo neste exato momento.
Derek só o encara, olhos ficando em vermelho por um leve segundo. Estranhamente Stiles sente um conforto nisso. Como se olhar naqueles olhos fosse o mesmo que dizer “ficará tudo bem”.
— Agora iremos nos preparar.
Para a alcateia de alfas. Para encontrar Erica e Boyd. Para mais problemas que encontrassem nessa cidade. Todas as coisas que não foram ditas, mas que Stiles entende.
Ele dá uma assento curto de cabeça.
A distância, a viatura de seu pai aparece. O homem, frenético, saí do veículo. Estava vindo a passos rápidos até eles.
Stiles se levanta e suporta o peso de seu pai. O abraço de urso esmagador. O xerife tremia.
— Stiles. Stiles. — diz, voz trêmula a frágil. — Você... você tá bem. Você está bem.
Talvez fosse para ser uma pergunta, porém também podia ser o xerife se auto afirmando isso. Stiles não liga. Só de estar abraçado com seu pai valia a pena.
— Pai, tá tudo bem. Tá tudo bem. Eu tô bem.
O xerife ainda não o solta, mas se afasta para o olhar nos seus olhos. Os do Stilinski mais velho cheio de lágrimas não derramadas.
— Parrish me resumiu tudo.
Stiles imaginava que fosse o caso.
— Pai, Derek... salvou minha vida.
Foi então que John reconhece a presença do homem ao lado de seu filho. Ele apenas o encara, um olhar indecifrável no rosto.
Ele resolve apenas dizer:
— Hale... — um aceno de cabeça. E então um pequeno sorriso — Obrigado... Obrigado por salvar meu filho.
Derek parecia surpreso, olhos levemente arregalados. Por um momento ele parecia não saber o que fazer. Ele resolve reconhecer o agradecimento com um curto aceno de cabeça.
Xerife volta sua atenção ao filho.
— Stiles, preciso ver a cena do crime. Eu já volto, tá? Quando eu voltar iremos para casa.
Ele esfrega os seus braços, como se para reconforta-lo. Stiles só assente com a cabeça, no momento sem palavras a dizer.
Seu pai lhe dá um último abraço e se afasta. Em direção a loja e aos outros policiais.
Stiles volta a se sentar do lado de Derek, voltando a sentir o reconfortante calor do lobo.
Nenhum deles diz nada.
Não precisavam. Essa manhã foi mais do que o bastante para tirar palavras dos dois.
Tinham de se preparar para a chegada dos alfas. O sequestro dos betas foi só o começo. E Stiles não dúvida que mais coisas estranhas ocorram durante esse período.
Mas eles estariam prontos. Todos eles.
Cidade maldita ou não, eles estariam prontos.
Fale com o autor