So pra bea

1 Capítulo 1 BEA


Notas iniciais
eu sei que encho o saco mas vlw msm bea

[Narrador Pdv]

Lauren estava com a visão embaçada, seus olhos entreabertos apertavam assim como sua cabeça que doía como se uma pedra fosse jogada contra ela. Seu corpo não se movia e parecia apertado, seu peito ardia como fogo e ela com certeza faria uma careta se pudesse. Sua garganta parecia fechada e o ar faltava nos pulmões, como um vazio dentro de si, porém a esmagando dolorosamente. Suas pernas estavam pesadas, se é que estavam ali, os dedos da garota mexiam quase que por instinto, lentos, como se acordassem de um sono profundo. Um zumbido incessante incomodava os ouvidos sensíveis enquanto maquinas ao seu redor faziam um barulho que Lauren poderia julgar ser chato, ela não sabia onde estava, talvez tivesse uma vaga ideia, mas como chegara ali ainda era mistério na mente conturbada que estava cansada e lerda demais para formar qualquer pensamento que fizesse sentido.

"Concentre-se, Lauren." Sua mente gritava consigo mesma. "Eu estava... Merda."

Barulho, muito barulho. Era só o que Lauren conseguia lembrar, ou relembrar, ou só passava por sua mente. Seus olhos já estavam quase abertos e fitavam o azul sem graça do teto de um quarto gelado, só percebia alguns murmurinhos de pessoas que ela não reconhecia a voz. Seu corpo pedia para se mover mas a dor falou mais forte e a decisão de ficar quieta pareceu sábia num momento tão estranho. A cabeça ainda latejando tentou se concentrar em qualquer coisa que acontecesse ao seu redor, ela queria uma explicação, seu corpo parecia morto e sua mente apesar de falhar ainda tentava lutar contra um peso.

— Eu não vou sair daqui, queira você ou não. – Uma voz feminina que a garota não reconheceu ecoou com um tom autoritário.

— Ela não precisa de você. – Outra voz, também feminina rebateu e Lauren sentiu o estômago embrulhar.

— E de você ela precisa? – Soou um tanto grossa.

— Desculpa, mas quem ficou do lado dela quando 'alguém' foi egoísta?

— As pessoas erram. Ela vai me perdoar, eu sei que vai. – Lauren fazia força para ouvir mas era claro que falavam dela.

— Lauren é doce, Camila, não idiota. – A mulher soltou com rispidez.

"Camila?" A mente de Lauren tentava associar o nome a pessoa e repetia diversas vezes. "Camila, Camila, Camila." Nada. Nenhum momento, nenhuma lembrança. Um vazio constante que preencheu o corpo de Lauren causando um cansaço repentino. Os olhos sonolentos se deixaram fechar com calma, talvez entender o que estaria acontecendo fosse mais difícil do que parecia.

[Alguns dias mais tarde]

Lauren sentiu a garganta arder, doía, queimava e era angustiante. Sua cabeça erguida para trás dava espaço para que duas mãos ágeis fossem capazes de tirar o tubo que atravessava o esôfago da garota levando o oxigênio que antes mantinha viva e agora já era desnecessário. A mulher tossiu algumas vezes sentindo a boca seca, a cama pouco inclinada a deixavam mais sentada, porém a dor ainda era constante e o querer deitar se fez presente. Uma luz forte passou por seus olhos que por instinto sentiram vontade de segui-la, para um lado e para o outro. Lauren tinha certeza que algo apertava sua cabeça, além da forte dor que sentia nela, uma gaze parecia contorna-la. Sem que pudesse pedir, mas agradecendo mentalmente por te-lo, um copo de água se apertou contra sua boca e o liquido gelado correu rasgando pela garganta sensível e molhou os lábios rachados.

Um rapaz alto apalpou sua barriga ganhando uma careta de dor como resposta, ele olhava atentamente para alguns monitores cheios de números e informações sobre o estado clínico de Lauren que no momento estava estável. Uma enfermeira colocava alguma coisa em seu braço e a mulher pôde sentir o cheiro do álcool que molhava sua pele, uma agulha perfurou seu braço e o sangue vivo encheu a seringa em segundos, como uma picada, tão rápido que não deu tempo de processar a dor. No segundo seguinte uma mulher negra e esbelta entrou no quarto com um sorriso no rosto e as mãos mergulhadas no jaleco, o salto que usava fez um eco alto em contato com o chão e o barulho incomodou Lauren que apesar de lesada e quieta, estava atenta a tudo. A mulher se aproximou da maca e do rosto de Lauren passando uma confiança fora do comum. Colocou uma das mãos ao lado de cada orelha de sua paciente estralando os dedos com suavidade para testar a audição de Lauren que apenas reagiu aos sons.

— Olá, eu sou a doutora Kordei, pode seguir meu dedo com os olhos por favor? – Cumprimentou pedindo educada e Lauren apenas fez como mandou. – Ótimo. Pode apertar minha mão?

Lauren fazia tudo que era pedido e encarava a mulher negra que a examinava minuciosamente. A medica checava taxas de plaquetas, vitaminas, antibióticos e tudo o que sua paciente recebia por tubos ligados as suas veias, tudo que a mantinha viva e saudável.

— Bom, minha parte acabou, quero saber de você, como se sente? – A mulher perguntou preocupada e apreensiva.

— Confusa. E com dor. – Lauren respondeu com a voz mais arrastada do que esperava.

— Vamos cuidar da sua dor, não se preocupe. – Sorriu passando conforto. – Pode me dizer alguma informação pessoal sua? Como seu nome completo, idade.

— Lauren Michelle Jauregui Morgado, tenho vinte e um anos, nasci e moro em Miami.

— Ótimo. Vou lhe fazer algumas perguntas, certo? – Lauren apenas assentiu um tanto cansada. – Sabe em que ano estamos?

— Dois mil e dezesseis. – A médica apenas assentiu.

— Sabe onde está? – Perguntou mais uma vez esperando a resposta que parecia ser óbvia.

— Tenho quase certeza que é um hospital. – Respondeu com humor sorrindo fraco.

— Pode ter certeza que sim. – Confirmou também com um sorriso. – Sabe por que está aqui? – Trocou o sorriso por uma expressão mais séria e Lauren percebeu.

— Não. Eu não faço ideia. – O peso foi visível na sua voz.

— Lauren, eu não vou enrolar muito, você está confusa e me deram permissão para lhe contar tudo quando acordasse.

— Acordar? – Lauren estava mais do que confusa e a doutora se aproximou preparando-se para contar o que acontecera.

— Você sofreu um acidente de carro alguns meses atrás e entrou em um coma induzido para que seus ferimentos se curassem por completo. – Jogou de uma vez e Lauren ficou tonta. – Seu veiculo capotou algumas vezes e você bateu a cabeça com força. A senhorita estava sem cinto e atravessou o vidro. Alguns cacos perfuraram seu estômago e sua artéria femoral, o que gerou a perda de muito sangue. – Dra. Kordei falava o mais clara possível. – Você passou por três cirurgias complicadas e sofreu duas paradas cardíacas pelo estresse causado no seu coração. Não sabemos ao certo mas você pode ter perdido parte da memória. Você é um milagre, Lauren, sua recuperação é quase completa apesar das inúmeras contusões.

Ela não pôde digerir a ideia, sua pele alva ficou ficou ainda mais branca, sua mão gelou e o embrulho no estômago aumentou, sua cabeça doía tanto que poderia explodir a qualquer segundo. Acidente. Coma. Cirurgia. Quase morrer. Era muito pra absorver em poucos minutos.

— Lauren? – A doutora perguntou preocupada.

— Acho que vou vomitar. – Prontamente uma bacia foi colocada em seu colo e o enjôo se transformou em vômito rapidamente.

— Tudo bem? – Perguntou preocupada enquanto pegava papel e água para Lauren.

— Não. Como tudo isso aconteceu?

— Não sabemos ao certo, você foi encontrada desacordada minutos depois do acidente. Algumas testemunhas disseram que estava em alta velocidade.

Lauren sempre fora tão responsável, uma garota e mulher querida e amada, não se sabia o porque de estar correndo, algo ou alguém deveria te-la magoado ou estivesse com raiva.

— Eu tenho que ir, se precisar de alguma coisa me chame ou a uma enfermeira, okay?

— Dra. Kordei? – Lauren chamou com pesar na voz, tristeza talvez.

— Pode me chamar de Normani, Lauren. Vamos passar algum tempo juntas, é bom um relacionamento informal.

— Tudo bem, Normani. Eu vou recuperar a memória?

— Você está viva, Lauren, e isso é o que importa, ao longo do tempo talvez você melhore, talvez não. Suas amigas vão te ajudar.

Lauren apenas assentiu e Normani se retirou do quarto deixando a mulher com seus pensamentos. "Amigas?" Quem seriam suas amigas afinal? Talvez vendo seus rostos as reconheceria, ou talvez a voz ou em alguns dias tudo faria mais sentido. Muitos 'talvez'. Lauren estava com medo, como seria sua vida? Como lidaria com as pessoas? Quais memórias haviam sumida de sua mente? Parecia um sonho ruim, ela queria apenas acordar na sua casa, seja la onde fosse sua casa, queria acreditar que nada estava acontecendo.

"Por que eu estava correndo?" Lauren tentou com toda sua força, tanto que não foi capaz de segurar uma lágrima de dor. Quem dera pudesse desligar o mundo ou desfazer um erro.

.....

Lauren sentiu alguém apertando sua mão com força, sentiu-se tonta pelos remédios para dor que havia tomado horas antes. Abriu os olhos lentamente sem mexer um músculo se quer, girou o rosto em todo o ambiente e parou na figura de uma mulher sentada ao pé da cama enquanto a mão segurava seus dedos entrelaçados. Sua cabeça descansava na perna de Lauren e seu rosto estava coberto pelos cabelos castanho claros. Por mais sedada e fora de si que estava, além o rosto coberto, Lauren não demorou muito para reconhecer aquela que seria o bem mais precioso para si, molhou os lábios como pôde e tirou toda força para chamar atenção da figura feminina.

— Mãe?!

Lauren talvez não lembrasse da primeira vez que ela e sua mãe haviam compartilhado segredos, ou quando precisou de ajuda com uma tarefa de escola e muito menos de qualquer viagem que fizera com a família para, quem sabe, a Disney. Apesar de borrões e memórias que ela não sabia como começar a lembrar, aquela era sua mãe, e era a única certeza daquele momento. Suas pernas pareciam mais pesadas do que o normal e o tubo curto e fino mergulhados em seu nariz a fizeram fungar. Mais uma vez puxou com toda sua força e, agora sim, com mais certeza na voz.

— Mãe! – Soou confiante e a voz rouca preencheu todo o quarto.

Clara se moveu num pulo. O rosto cansado, tomado pelas lágrimas qua haviam secado, se alegrou, agora com um sorriso no rosto a mulher correu para o braços de Lauren que não se importou tanto com a dor que sentiu.

— Meu amor, eu senti tanta falta da sua voz, você me assustou! – Clara quase gritava, seus braços envolveram o corpo da filha como pôde e as lágrimas caíam quase sem querer de seus olhos, lágrimas agora de felicidade. Era tudo que mais queria, depois de meses vendo a filha passar por cirurgias e sendo submetida a procedimentos angustiantes, vê-las acordada era simplesmente um sonho.

— Eu não... Precioso... – Lauren estava estranha, era sua mãe mas pareceu desconfortável na sua presença e a sensação não foi boa.

— Você se lembra de mim, meu amor? – Clara perguntou enquanto segurava o rosto de Lauren com as duas mãos, a mais nova analisava minuciosamente cada centímetro do rosto da mãe. Os olhos, os cabelos caindo atrás da orelha, o sorriso largo. Mas um rosto tão lindo ao seu ver esquecido por sua mente.

— Você é minha mãe, é só o que eu me lembro. – Os olhos verdes foram tomados por uma lágrima grossa que desceu rápida por sua bochecha.

Clara sorriu fraca e reconfortante se deitando ao lado de Lauren, que recostou a cabeça no peito da mãe. As mãos da mais velha encontraram os cabelos negros ainda cobertos pela gaze fazendo um carinho que Lauren poderia usufruir para sempre. Clara não estava com raiva por Lauren não se lembrar de muito, a felicidade de te-la viva pareceu, e era, mais importante.

— Não se preocupe, meu amor, vamos fazer de tudo pra que você recupere a memória. Não perca as esperanças. – Clara beijou o topo da cabeça de Lauren que sorriu com o conforto dos braços da mãe. – Eu te amo, filha, vai ficar tudo bem.

O corpo que parecia se cansar sempre com muita facilidade se deixou levar ao sono em meio ao cafuné que recebia.

....

Dizem que a conexão entre irmãs é sempre muito forte, e não poderia ser diferente com Lauren. Taylor gesticulava com as mãos enquanto contava histórias aleatórias, sorria de segundo em segundo contando casos e mais casos que Lauren obviamente não lembrava por completo mas não se intimidava em sorrir, a felicidade talvez fosse realmente o melhor remédio. Clara tentava deixar o ambiente o mais familiar possível, o local sem graça ganhava cor e objetos do quarto da garota. Ninguém havia realmente dito em palavras, mas Lauren sabia que ficaria ali por um bom tempo, e saber que sua família estava fazendo tudo para mate-la confortável a deixava mais do que contente.

— Você acredita que ninguém descobriu que a culpa tinha sido nossa? Chris levou a culpa, foi hilário. – Taylor comentou em meio a uma risada acompanhada de Lauren que acompanhou a história do começo ao fim.

— Como é, dona Taylor? – Clara semicerrou os olhos repreendendo a filha mais nova e a menina desconversou.

— Nada não, mãe. – Sorriu fingindo inocência voltando sua atenção para Lauren. – Como se sente?

— Dolorida. Mas é bom ter um rosto familiar por perto. – Comentou e Clara logo repreendeu.

— Lauren, não aumente o ego da sua irmã. – A mãe das meninas citou brincalhona enquanto colocava mais um travesseiro em suas costas. – Está bom assim? – Se referiu ao conforto e a filha assentiu.

— Ela só está com ciúmes porque você lembrou de mim, e dela não. – Taylor falou convencida.

— Ela vai se lembrar, com o tempo. – Clara sorriu para a filha mais velha deixando um beijo carinhoso em sua testa.

— Eu espero! – Suspirou em meio ao comentário.

Duas batidas na porta larga ecoaram for todo o quarto e a porta abriu logo em seguida. Normani sorriu largo, sempre muito simpática, mas Lauren se sentiu enjoada. Mais uma bateria longa e chata de exames? Mais agulhas que eram constantes e a enchiam o saco? Talvez mais remédios que iriam realmente deixa-la com o estômago embrulhado. A mulher havia acordado ha pouco tempo mas não se acostumou com a rotina agitada de estar em um hospital. Era sempre muita gente em seu quarto a testando ou monitorando, era incrível como o corpo humano se transformava e Lauren fazia questão de saber tudo que acontecera com o seu próprio, perguntava, questionava e com paciência os enfermeiros e a própria Dra. Kordei respondiam.

— Fica tranquila, Lauren, vim apenas ver como a senhorita está. – A Dra. afirmou tranquilizando a angustia visível de sua paciente.

— Tirando essa bolsa de xixi irritante, estou ótima e dolorida. – Lauren falou com humor e Taylor fez uma careta.

— O que já lhe disse sobre as dores? – Perguntou e a mulher respondeu como uma criança entediada.

— 'Se estiver medicada e ainda com dor, chame um enfermeira para vira-la.' – Repetiu as mesmas palavras de Normani antes de se explicar. – Eu não queria incomodar.

— Não incomoda, Lauren. Sua saúde é o que importa.

Lauren não sabia porque, mas se sentia confortável na presença de sua médica, fora a primeira pessoa que viu ao acordar, e naquele momento confuso, ter alguém por perto trazia segurança. Normani e Clara conversavam sobre o estado clínico de Lauren, a mãe da mulher se propunha a ajudar as enfermeiras com o que pudesse, banho, comida. Apesar do quadro estável e de estar interagindo de maneira aberta, cuidados especiais ainda eram necessários, parecia simples mas Lauren ainda precisaria de cirurgia e exames dolorosos.

— Normani?! – Lauren chamou e a médica atendeu. – Quando vou poder tirar essas faixas? – Se referiu a cabeça e o tórax.

— Assim que seus cortes de cirurgia cicatrizarem. Eu prometo.

— E andar? Por favor, diga que será logo.

— Algumas coisas levam tempo, Lauren, é preciso paciência. – Sorriu fraco enquanto Taylor a abraçava, reconfortando a irmã.

— As faixas não são tão ruins quanto a bolsa de xixi, né? – Taylor comentou e Lauren sorriu fraco.

— Obrigada, Tay.

Normani sorriu ao ver a interação das duas, seguida de Clara. A Dra. apenas interrompeu para dar o recado que estava ali para dar.

— Bom, o dia amanhã será cheio, eu mesma vou lhe acompanhar em uma bateria de exames, então descanse o máximo que conseguir.

Lauren apenas assentiu cansada de exames exaustivos.

— E, suas amigas estão la fora, devo permitir a entrada? Será rápido, o tempo de visitas acaba em pouco mais de uma hora.

Lauren não conseguiu raciocinar, seu estômago embrulhou. Parecia uma pergunta fácil, e realmente era, assim como a resposta, sim ou não. Seria errado negar? Na mente cansada da mulher, sim, mas seu coração palpitava, sempre que alguma enfermeira lhe informava sobre visitas seu corpo tremia, não sabia como se portar diante de pessoas conhecidas e esquecidas, pessoas que diziam 'eu te amo' mas Lauren não sabia responder.

— Tudo bem, Laur. Vou ficar ao seu lado.

Lauren sorriu e confirmou para Normani que deixou a sala logo em seguida. Clara fez o mesmo condenando estar faminta, e prometeu trazer algo para a filha se alimentar. Taylor ficou com a irmã contando como seria a visita, dizia coisas aleatórias que achava que as amigas comentariam, tentou adivinhar também quem apareceria, deixando a irmã mais calma. Logo em seguida algumas batidas na porta ecoaram pelo quarto, Taylor se prontificou a abri-la enquanto o coração falho de Lauren batia mais rápido, eram suas amigas, aquelas que compartilhava segredos, revelava sonhos e frustrações, a mulher, acima de tudo não queria decepciona-las.

Uma mulher alta de cabelos loiros e cumpridos foi a primeira a se aproximar com um sorriso largo e realmente muito bonito, talvez Lauren não se lembrasse do rosto por completo, mas o sorriso lhe era comum.

— Sua mãe me contou que você esqueceu algumas coisas. – Começou. – Talvez não se lembre, mas você é como uma irmã pra mim. – Sorriu tristonha.

— Sinto muito, eu não...

— Não se preocupe, Laur, vamos começar tudo de novo, okay? – Lauren concordou rapidamente. – Ótimo. Muito prazer, meu nome é Dinah Jane e não ouse se esquecer de mim de novo. – Brincou e a mais velha sorriu.

— Prazer, Dinah. Eu sou Lauren e tenho quase certeza que me lembro do seu sorriso.

— Você sempre dizia isso, implicava tanto comigo por tentar esconde-lo. – Dinah comentou com certa melancolia na voz.

— Acho que isso não mudou afinal. – Sorriu de lado e um pequeno silêncio se vez presente entre elas.

— Posso te dar um abraço? – Pediu tímida e lhe foi concedido. Os braços da mais alta envolveram o corpo cansado num abraço carinhoso, Lauren não precisava da memória para saber o quão doce Dinah era, e sabia que a amizade delas era algo valioso.

...

Verônica e Lucy beijaram o topo da cabeça de Lauren que sorriu com o contato. Talvez o medo exagerado teria sido de fato mais do que necessário, a conversa fluiu e Lauren se sentiu mais uma vez confortável. Dinah não parava um segundo e a alegria de ter a amiga bem finalmente, contagiava o quarto inteiro. Apesar do ambiente ser agradável, uma forte dor de cabeça atingiu o humor da paciente. As meninas se despediram e Taylor prontamente se aproximou com um copo de água e um comprimido. Lauren engoliu com rapidez e o efeito placebo começou a dar sinais de melhora.

— Como foi conhece-las novamente? – Taylor perguntou curiosa.

— Não sei explicar, a mente é estranha.

— Então não se lembra delas? – Torceu o lábio pensativa.

— Me lembro um pouco de Dinah, alguns traços, mas nada muito concreto. – Lamentou.

— Vocês sempre foram grandes amigas, desde criança, vocês duas e...

~~~

Camila corria pelos corredores iluminados, poucas pessoas transitavam por ali, as portas largas de um lado e do outro condenavam grandiosidade, portas fáceis de manusear e cores neutras quase sem graça de se olhar. Um balcão alto no fim do corredor estava repleto de pessoas vestindo uniformes de cores parecidas, alguns trajando jalecos e outros apenas o material azul claro. A latina passou sem ser percebida, para seu alivio estavam ocupados demais para reparar nela. O horário de visitas havia acabado minutos antes e Camila esperava Dinah aparecer do lado de fora do hospital para tentar entrar no quarto de Lauren. Tentou até conseguir passar pela recepção e correu o mais rápido que pôde entre escadas de incêndio ate o quarto andar do hospital, o cheiro forte de remédios, seringas e álcool deixava a mulher tonta, tudo tinha um ar muito mórbido.

Camila finalmente chegou no corredor que precisava, contava as portas a lia em voz alta os números que estavam estampados nelas, todas tão parecidas, com um padrão angustiante.

— 415, 416, 417... 418!

As mãos encostaram na maçaneta gelada fazendo o corpo se arrepiar por inteiro, o ar faltou nos pulmões e um suspiro para enche-los novamente foi necessário. O ferro brilhante girou estalando e abrindo a porta com cautela. O corpo esguio passou por ela parando e encarando os olhos verdes que tanto amava. Lauren estava na sua frente, bem, viva, era só o que importava! Camila não sabia do que exatamente a mais velha lembrava, mas sabia que faria de tudo para mudar erros do passado.

— Camila. – A voz rouca de Lauren preencheu todo o quarto e Taylor que antes falava com a irmã, virou o rosto para encarar a latina.

— Se lembra de mim? – Camila franziu o cenho e se aproximou da maca.

— Não tenho certeza, mas eu sinto que sim.

Camila sorriu abertamente, de orelha a orelha, e Lauren se apaixonou no mesmo segundo por aquele sorriso tão sincero.

Notas finais
bea, ta bom ou ta levinho d mais e precisa d mais drama? Obregada