Ela ainda se lembrava de como tudo aquilo começou. Sentada no chão da sala de sua casa, observando as fotos de sua mãe na cristaleira, admirando a beleza e o encanto que ela transmitia ao encenar Julieta.

E como Bianca queria ser como sua mãe e deixar seu pai orgulhoso. Queria ser a Julieta e flutuar no palco, igual Bete dizia que sua mãe fazia. Queria que, aonde quer que estivesse, Ana sentisse orgulho dela.

E quando conseguiu, foi como se tudo se encaixasse.

De onde estivesse, sabia que Ana estava orgulhosa por ela ter conseguido realizar o sonho que era das duas. Mas sabia também que a mãe não iria querer que ela tivesse apenas esse sonho. E a própria Ana havia lhe dado o conselho, mesmo que sem querer, antes de morrer.

“A família vem em primeiro lugar.” Suspirou ela, parada à porta do quarto de Duca na noite em que a última apresentação de Romeu e Julieta aconteceu. “O amor vem em primeiro lugar.”

“Não me lembro dessa fala em Romeu e Julieta, e eu acho que assisti umas 20 vezes. Já está ensaiando outra peça de Shakespeare?” O rapaz estava de costas para ela, ainda magoado e ressentido.

“Essa fala não é da Julieta, é da Bianca. É minha, Duca. Cansei de ficar tentando ser outra pessoa, outras personagens... Eu quero ser só eu e viver a minha história... A nossa história, Duca.” Ela se aproximou e o puxou pelo braço, fazendo-o ficar de frente para ela.

“Eu já disse que não quero que você abra mão disso por mim. Eu não vou ser igual ao seu pai.” Suspirou o lutador, encarando-a com profundidade.

Eu quero isso, meu amor. Eu queria ser a Julieta para deixar minha mãe orgulhosa; e eu consegui, eu fui a Julieta. Foi meu sonho e se realizou. Agora, meu sonho é você, Duca. Minha mãe fez a escolha dela, agora eu estou fazendo a minha.” Ela segurou o rosto dele com firmeza, lágrimas escorrendo dos olhos de ambos. “Eu te amo.”

“Eu também te amo, minha princesa.” Ele sorriu, finalmente a beijando.

E daí se teve início um novo capítulo de uma linda história, que culminou em uma bela igreja com a atriz em um vestido branco e o lutador trajado em um smoking, com todos os seus amigos como testemunhas e a promessa de uma vida eterna juntos.

E agora, quase três anos já haviam se passado. Ela era professora de teatro para crianças em uma escola particular no Leblon enquanto o marido caminhava para se tornar mestre de Muay Thai obtendo o grau preto e branco.

Mas nem tudo eram flores naquele momento.

“Cusco, Duca? Ir para o Peru para quê?” Guinchou a morena, quando o homem chegou com a novidade.

“Eu vou fazer o exame de grau no final de janeiro, amor, eu preciso relaxar. E você sabe o quanto eu gosto de trilhas e acampar.”

“Então vá para a Pedro do Índio com o Alan, como você sempre faz.” Ela massageou as têmporas, irritada. “Não precisa sair do país para isso.”

“Bi, depois que a Agatha nasceu o Alan não vai mais para a Pedro do Índio, ele só vive para ela e a Nat. E eu quero uma aventura nova, quero me testar mais um pouco. Você sabe que para conseguir o grau preto e branco eu vou precisar ir além dos meus limites.” Ele a abraçou sorrindo. “Serão apenas sete dias, antes que você perceba eu vou estar de volta.”

“Espero mesmo, viu Carlos Eduardo?”

~B&J~

Ele havia passado a vida naquele apartamento, mas jamais fora tão feliz quanto era agora. Quando a mãe voltou a morar com Gael, após engravidar, René deu o apartamento de presente para ele, usando o dinheiro que havia ganhado com o trabalho na Amazônia.

E assim que ele completou seu 18º aniversário, ele foi viver a liberdade que tanto sonhou. E não apenas porque foi morar sozinho: mas porque conseguiu um emprego como assistente de direção no Projac.

É, ter um pai ator de sucesso às vezes tem suas vantagens.

Sua vida então deu uma guinada, começou a frequentar festas de celebridades e eventos badalados; Johnny B Good acabou se tornando sua realidade, mesmo sendo apenas João Spinelli.

E foi em uma dessas festas malucas que reencontrou uma velha conhecida.

“Ah, não... De novo essa de Johnny B Good?” Ouviu a voz aguda guinchar enquanto bebericava sua cerveja e virou-se, encontrando Vicki ali a observá-lo.

“É só João Spinelli, muito prazer.” Ele brindou com a cerveja no ar, dando um sorriso sem dentes.

“E o que o ‘João Spinelli’ está fazendo na festa de Caio Castro?” Questionou a morena, se aproximando dele e brincando com o copo de Martini.

“Eu estou trabalhando com um dos diretores do novo trabalho dele. Acabou que ele gosta dos mesmos jogos que eu e nós tivemos algumas partidas online.”

“Assistente de direção na Globo? Você?” Ela se espantou.

“Até pensei em tentar atuar, mas minha fase Romeu já se foi.” Ele deu uma piscadela, entornando um gole de bebida diante do olhar cobiçoso dela. “Você é muito interesseira, garota.”

“Que culpa tenho eu se você está tão... Interessante?”

Nenhuma. Nenhum dos dois tinha culpa algum do que aconteceria a seguir, quando o eterno desajustado João e a sempre vigarista Vicki iriam se apaixonar para valer. Que iriam viver juntos em um apartamento de classe média e ser tão felizes quanto algum dia poderiam imaginar.

Especialmente quando o nerd percebeu que os sentimentos da garota eram para valer, após ela ver o primeiro holerite dele e não abandoná-lo. Afinal, ele era assistente de direção no Projac mas seu salário dava apenas para viver.

“Se fosse há dois meses atrás, eu daria o fora daqui sem pensar duas vezes. Mas o que eu posso fazer se eu me apaixonei por você sem ligar para o seu salário?” Ela deu de ombros, sentando no colo dele.

“Qual é, Vicki... Seus pais são podres de rico, você sempre viveu na bonança.” Ele sentia receio ao dizer essas palavras, temendo que ela se tocasse e vazasse dali.

“Johnny, eu tenho roupas o bastante para me vestir bem e na moda por uns cinco anos. Até lá você já está ganhando melhor, tenho certeza.” Ele riu diante do tom brincalhão dela, lhe dando um caloroso beijo.

“Quem ia imaginar que estaríamos aqui, hein, Vicki?”

“Ah, meu querido... A vida é cheia dessas surpresas.”

Mas foi preciso apenas dois anos para que o dito salário tivesse um aumento significativo, quando João foi para uma novela das 21h, com a promessa de que, caso se saísse bem, conseguiria o posto de diretor em uma próxima produção.

“Victória, vem aqui.” Gritou o rapaz, entrando em casa eufórico.

“O que foi, homem? Parece que vai fazer xixi nas calças.” Ela observou o namorado, que quicava no lugar.

“Eu tenho um presente.” Ele estendeu o envelope para ela, que o apanhou confusa. “Abre, amor.”

Ela fez o que ele pediu e rasgou o lacre do envelope, puxando o conteúdo e arregalando os olhos.

“Nós vamos passar o ano novo na Inglaterra?” A voz saiu estrangulada pela surpresa. “Como?”

“Aumento de salário, décimo terceiro... O de sempre.” Ele deu de ombros, sorrindo. “Eu quero que comemoremos nosso segundo aniversário de namoro em um lugar especial, como Londres. Eu acho aquele relógio muito maneiro.”

“Eu te amo, seu bobo maluco.” Ela correu e se arremessou contra ele, enlaçando sua cintura com as pernas. “Esse é o melhor presente do mundo.”

“Você ainda não viu nada, meu amor, prometo.” E selou seus lábios em um beijo caloroso.

Notas finais
Heeeello gente, Mais uma fic da Waal, pois é. Espero que gostem, é a primeira vez que escrevo Joanca, queria isso faz tempo. A princípio temos Duanca e Jovicki, mas será apenas na primeira fase. Logo iremos para Joanca, tenham paciência. See you peanuts ;* PS: curtam a página no face: https://www.facebook.com/fanficswaalpomps