João encarava o pacotinho adormecido em seus braços. Não sabia dizer ao certo tudo o que havia acontecido nas últimas horas, mas sabia que nunca havia experimentado tamanha alegria.

Quando chegaram ao hospital, o bebê já estava pronto. Ficou surpreso, lembrando que o médico havia dito que o parto poderia durar horas, especialmente sendo o primeiro. Ela foi levada para a sala de parto e ele foi se trocar; quando chegou, já estava coroando.

Antes que percebesse, ali estava ele. Pequeno, a pele vermelha de tanto chorar, o corpo inteiramente sujo. A enfermeira o chamou para cortar o cordão, e logo depois entregou o menino em seus braços trêmulos. Honestamente, não sabia o que estava fazendo, ia agindo no automático.

Só acordou quando seus braços e os de Bianca se tocaram, os dois envolvendo aquele pedacinho de vida que os estava salvando. Seus olhares se cruzaram em um sorriso, seus lábios se encontraram em um beijo cheio de alegria. Nos braços da mãe, Lucca se remexia inquieto, exigindo a atenção dos dois.

Uma dezena de pessoas entraram e saíram de sua visão depois disso. Gael veio abraçá-lo e lhe dar os parabéns, e aquele foi um dos momentos de maior surpresa que já teve em sua vida. Foi abraçado pela mãe, pelos meios-irmãos, os cunhados... Recebeu até mesmo um pedido de desculpas desajeitado de Alan, que mal se cabia de alegria em conhecer o sobrinho.

Agora, a noite já havia caído e todos haviam pego seu rumo. Bianca ressonava tranquila, exausta do parto e da maratona de visitas, e ele não queria soltar do filho dos dois.

“Eu sou pai.” Disse pela primeira vez em voz alta, os olhos brilhando. Só ali, naquele momento, foi como se tudo fizesse sentido. Era real, era palpável... Todo aquele amor absurdo que sentia pela coisinha na barriga de Bianca, agora tinha forma e podia ser tocado.

Sempre havia sido bastante racional, isso era verdade. A separação dos pais o fez assim, e só se tornou meio louco quando se apaixonou por Bianca; e mesmo naquela época, ainda era bastante racional.

“Você é muito quadrado, Johnny... Tem que deixar suas emoções virem à tona, acreditar nelas. Seu amor por mim é palpável?”

“Claro que é, Vicki, já olhou minhas cuecas?”

“Isso é desejo, João, até um animal selvagem tem. Sentimentos são outra coisa, e é isso que você precisa deixar fluir. E se nós tivéssemos que passar algum tempo afastados? Você deixaria de me amar?”

“Eu não sou perfeito, filho, mas eu prometo que vou ser cada vez melhor, vou me esforçar para isso. Eu vou deixar meus fantasmas para trás, e nós vamos ser felizes. Eu, você e a mamãe.” Prometeu, beijando a cabeça dele.

Caminhou até o bercinho ao lado da cama, o ajeitando com cuidado ali dentro. Após se certificar que ele estava bem colocado, puxou a cadeira acolchoada e se sentou ao lado, seu olhar alternando do menino para Bianca, um sorriso indiscreto em seu rosto.

Não percebeu quando pegou no sono, mas acordou assustado com o barulho da porta. Uma enfermeira entrou, sorrindo um pedido de desculpas.

“Tudo bem aqui?”

“Tudo... Ele dormiu logo depois de mamar, e ainda não acordou de novo.” A enfermeira checou o relógio de pulso.

“É melhor acordar os dois para mamar. Já fazem umas boas horas, e não é bom dar intervalos tão grandes. Aqui no hospital, o Lucca recebe um complemento, em casa vocês não terão isso. É bom se habituarem aos intervalos.” Ela explicou, indo para o bercinho. “Acorde sua mulher, por favor.”

Ele deu a volta na cama, parando ao lado de Bianca. Começou a beijar a testa dela com carinho, vendo-a se remexer.

“Bianquinha, acorda. Tá na hora do Lucca comer.” Ele cantarolou, vendo-a abrir os olhos. “Desculpa te acordar, mas por hora você é o buffet self-service dele.”

“Como você é bobo, João.” Ela riu, enquanto ele a ajudava a sentar na cama. O rapaz ergueu a cama para que ela pudesse se acomodar bem, ajeitou o travesseiro e pegou a almofada de amamentação.

“Que papai prestativo, quem dera todos fossem assim.” Comentou a enfermeira, entregando Lucca para a mãe. “Muitos não passam a noite aqui; e quando passam, pedem para o bebê ficar no berçário, aos cuidados das enfermeiras. Acho que eles têm medo da responsabilidade ficar palpável, sabe? Uma coisa é o bebê na barriga, outra é ele aqui, dando trabalho e exigindo atenção.”

“Eu tenho muita sorte de ter o João.” Concordou Bianca, sorrindo para o namorado.

A enfermeira a ajudou a posicionar o bebê e dar o peito, e esperou um tempo. Como ela já havia feito aquilo uma vez, e se saído muito bem, a mulher saiu ver outra mãe, prometendo voltar dali um tempo.

João sentou na beirada da cama, observando mãe e filho entretidos. Seus lábios se curvaram em um sorriso incontrolável, e isso atraiu a atenção de Bianca.

“Você está feliz?”

“Muito.” Garantiu ele. “E você?”

“Meu coração parece estar flutuando, apesar de estar exausta e dolorida.” Eles riram juntos. “Eu to muito feliz por você estar aqui, João.”

“Mas no fundo você queria que fosse o Duca.” Ele observou o óbvio, e ela deu de ombros.

“Eu até agora não consegui sentir a falta dele aqui.” O rapaz franziu o cenho. “Ele nunca soube da gravidez, nós não partilhamos nenhum sentimento em relação a isso... O que é diferente com você! Você esteve comigo em cada passo da gestação, em cada decisão relativa ao Lucca, tudo. Você foi o pai dele desde o princípio, João, e está preenchendo esse momento completamente. Acho que é a primeira vez nos últimos meses que não sinto como se faltasse um pedaço.”

“Eu sei como é isso.” Ele concordou, observando Lucca piscar sonolento contra o peito da mãe. “Eu vou registrar ele amanhã, assim que a Karina chegar para ficar com você.”

“O Alan falou mais alguma coisa?”

“Não... Me pediu desculpas, na verdade. Não sei como as coisas vão ser quando ele ver que o Lucca, oficialmente, não vai ser Menezes, e sim Spinelli. Talvez ele tenha um ataque de pelancas, sei lá.” Bianca riu do termo usado pelo namorado.

“Lucca Duarte Spinelli... Fica bonito.” Bianca concordou.

“E que tal Bianca Duarte Spinelli?” Ela ergueu os olhos para ele, surpresa. Ele sorriu para ela, segurando algo entre os dedos. “Não me deixaram enterrar o anel da Vicki com ela, então eu vendi e coloquei todo o dinheiro em uma poupança para o Lucca. E comprei outro para você. Não é tão grande e extravagante, mas isso não significou nada da primeira vez. E acho que esse anel é a sua cara.”

“João, você tá me pedindo em casamento? Para valer?” Ela arregalou os olhos. “Isso é muito apressado, e aquela história de ir devagar?”

“Eu penso o seguinte, Bi: nós vamos ficar juntos de um jeito ou de outro, por amor ou comodidade. Prefiro me esforçar para que seja por amor.”

“Também prefiro. Você acha que vamos dar conta?”

“Nós dois tínhamos uma vida conjugal boa, e temos compartilhado de uma bastante agradável nos últimos meses. Acho que vai dar tudo certo, se deixarmos o medo de lado. E formos sempre sinceros um com o outro, o que é mais importante.”

“É, acho que podemos fazer isso.” Bianca concordou, sorrindo. “Você coloca o anel?”

“Claro que sim.” Ele pegou a mão dela e deslizou o anel, dando um beijo delicado. “Agora estamos noivos.”

“Gosto desse som. E queria que o momento continuasse romântico, mas o Lucca precisa arrotar.”

“Dá ele aqui.” Riu o rapaz, se levantando e apanhando o filho, começando a dar suaves tapinhas nas costas dele, esperando que arrotasse. Bianca se recostou no travesseiro, observando o anel brilhar em seu dedo.

Aquele era um lindo recomeço.

Notas finais
Olááá. Eu to beeem doente hoje, gente, então não vai rolar notas muito cheias de coisa. Espero que tenham gostado e comentem. Beijos ;*