O que é respirar? Me explique sem usar termos médicos. Pra você qual é o sentindo de se manter respirando. Você acha que tem total controle sobre isso? Me diga o que você controla no seu corpo, as funções, os movimentos, as ideias. Vai em frente! Me conta, me ensina, juro que estou precisando saber...

Callie: — Essa roupa ficou boa?

Sofia: — Perfeita mamãe

Callie: — Não vale mentir, perguntar essas coisas pra você e sua mãe nunca é seguro

Sofia: — É, mamãe Arizona adora falar de como você ficava linda nas roupas do hospital

Callie: — Como é? Que história é essa

Sofia: — Nada mãe, vamos logo

Callie: — Eu não me sinto pronta

Sofia: — Ela vai acordar e você aqui enrolando

Callie: — Ok, ok! Vamos

Mãe e filha saem de casa em direção ao hospital. Uma semana depois da “quase morte” de Arizona chegou a hora que todos esperavam, Grey está otimista sobre o estado da paciente.

Meredith: — Pensei que vocês chegariam somente a noite

Callie: — Eu estava meio ocupada

Sofia: — Ela queria ficar bonita pra mamãe Arizona

Callie: — Sofia Robbins!!

Meredith: — Eu acho que ela ficou zangada Sof

Grey pisca para a garota, que começa a rir.

Sofia: — Percebi tia Mer

Callie: — Vamos parando as duas, estou ficando mais nervosa a cada minuto e vocês não estão me ajudando

Meredith: — Ok. Eu reduzi a medicação e estamos confiantes que Arizona acorde a qualquer momento

Sofia: — Oba! Vou falar com minha mãe de novo

Callie: — Vai sim meu amor, tudo vai ficar bem

Meredith: — Confie, vai sim

Torres sente que tudo parece em câmera lenta. Do corredor do hospital até o quarto de Arizona se passou uma eternidade. Grey segura na mão de Sofia

Meredith: — Vamos esperar um pouco aqui, elas precisam conversar

Sofia: — Tá certo tia, eu espero

Callie dá o último retoque no figurino, respira fundo e entra no quarto. Devagar ela passa a ponta de seu dedo nos lábios macios de Arizona, que com um reflexo se contraem. Callie sorri.

Callie: — Arizona? Você consegue me ouvir, sou eu

A pediatra com dificuldades mexe os dedos, tentando segurar na mão de Torres, que não se segura de emoção.

Callie: — Ai ela acordou! Meredith a Arizona está acordando!

Arizona: — Calliope

Callie: — Sim, sim. Estou aqui. O que você quer?

Arizona: — Sofia, onde ela está?

Callie: — Está ótima graças a você. Você salvou a vida dela

Robbins abre lentamente os olhos e sorri.

Arizona: — Eu daria minha vida pela vida da nossa filha

Callie: — Disso eu não tenho duvidas

Arizona: — A quanto tempo estou aqui

Callie: — Isso não importa, o que interessa é que acordou e que voltou para nós

Arizona: — Nós?

Torres morde os lábios. E tenta não demonstrar nada.

Callie: — É. Você sabe, nós, quero dizer... Todo mundo! Estamos felizes que tenha retornado

Arizona: — Ah... Desculpa, eu ainda estou meio tonta e imaginando coisas

Callie: — Hoje você pode imaginar o que quiser! Não tem nada de errado nisso

Arizona: — Então posso imaginar que agora você vai aproximar seu rosto do meu e me beijar, em seguida dizer que me ama e que voltou pra ficar

Callie: — Acho que a medicação está afetando suas ideias, não exagere

Arizona: — Vai parecer loucura se eu disser que sonhei com isso antes de acordar

A ortopedista engole seco e desvia o olhar.

Callie: — Acho que vou pedir para trocarem sua medicação com urgência, pois isso nunca aconteceu e nem aconteceria

Arizona: — Tudo bem. Quero ver a Sofia

Callie: — Claro, vou chamar daqui a pouco

Arizona: — Seria pedir muito que fosse agora, quero ficar perto de alguém que seja capaz de dizer que me ama e está realmente feliz em ver

Callie: — Uau! Eu acho que não merecia ouvir isso, eu me importo com você

Arizona: — Isso não é o bastante, o hospital está cheio de pessoas que se importam, eu quero alguém que me ame

O rosto de Callie fica rígido. Ela solta a mão de Arizona. Essa por sua vez vira o rosto e fecha os olhos.

Callie: — É assim que vai ser?

O silêncio toma conta do quarto.

Callie: — Arizona eu...

Arizona: — A Sofia, por favor

Callie: — Quem decide é você

Minutos depois a filha do casal entra no quarto, Torres saiu sem pronunciar uma palavra.

Sofia: — Mamãe você está acordada?

Arizona: — Estou meu amor!

As duas ficam emocionadas e sorridentes.

Arizona: — Parece que você cresceu!

Sofia: — Sem exagerar mãe

Arizona: — Senti saudades de estar perto

Sofia: — Eu também, orei muito por você junto com a mamãe

Arizona: — Hmm. Acredito nas suas orações, já nas dela

Sofia: — Ela até chorou por você, não seja ingrata

Arizona: — Hey! Olha como fala comigo mocinha

Sofia: — Foi sem querer

A garota deita ao lado da mãe.

Sofia: — Estou tão feliz por ter você acordada de novo, eu fiquei com medo

Arizona: — Compartilho dos seus sentimentos e prometo não fazer mais isso contigo meu anjo

Sofia: — Quando vai voltar para casa?

Arizona: — Isso vai depender da sua tia Meredith

Grey aparece.

Meredith: — Logo irei liberar sua mãe

Sofia: — Preciso contar isso pra mamãe Callie, ela agora não tem mais a necessidade de conversar com sua foto, vai ter a chance de fazer isso pessoalmente

Meredith: — A Callie não gosta que contem os segredos dela Sof

Sofia: — Ah... Comigo é diferente, ela me perdoa

A garota enche a mãe de beijos e pula da cama. Arizona não consegue tirar o sorriso do rosto, porém ainda está fraca.

Meredith: — Alex vai ficar contente em saber que você acordou

Arizona: — Aham, ele é um bom amigo

Meredith: — Ele salvou sua vida

Arizona: — Ele sempre faz isso, bem a cara dele, mesmo eu não sendo um bebe tenho certeza que ele me acompanhou todos os dias

Meredith: — Verdade. Bom, vou indo e espero que descanse

Arizona: — Vou tentar, prometo

Torres perdida em seus pensamentos volta ao ser chamada por Sof.

Sofia: — Mãe temos que ter um papo

Callie: — Papo? Onde você aprendeu isso

Sofia: — Apenas me escuta

Callie: — Certo. Pode falar, te darei toda a atenção

Sofia: — Quero que cuide da minha outra mãe e fique em casa com a gente

Torres tem uma crise de riso. Balança a cabeça varias vezes de forma negativa.

Callie: — Que absurdo, não posso! Ela nem quer falar comigo

Sofia: — Mãe... É um pedido de filha e você não pode negar

Callie: — Eu posso, eu que sou a mãe nessa história e quem obedece aqui é a senhorita

Sofia: — Não confio em outra pessoa pra curar a mamãe Arizona

Callie: — Sua tia Mer que curou sua mãe

Sofia: — Não, foi o nosso amor que fez tudo acontecer

Callie: — Suas respostas estão muito afiadas, você passa tempo demais com a Arizona

Sofia: — Poderia ser nós três, bem juntinhas

Callie: — Filha não dá, infelizmente eu e sua mãe não temos mais nada, somos duas estranhas

Sofia: — Mãe tenta

Callie: — Já fiz isso e fui colocada pra fora do quarto

Sofia: — Mais uma vez e eu juro que não peço presente no natal esse ano

Callie: — Ah meu amor...

Elas se abraçam. A médica então decide tentar. Ela volta ao quarto de Arizona, porém se surpreende com Alex lá.

Callie: — Desculpa, eu não queria atrapalhar

Arizona: — Sem problemas, o Alex só estava me contando o que aconteceu enquanto eu dormia

Callie: — Contou tudo? Ah...

Alex: — Sim, tudinho

Arizona bate no braço de Karev. O médico se despede da amiga.

Alex: — Volto mais tarde pra terminar as histórias

Ele passa encarando Torres.

Arizona: — Obrigada

Callie: — Pelo o que?

Arizona: — Primeiro pelas orações que fez com a Sofia e depois por salvar minha vida

Callie: — Eu não fiz nada, quer dizer, eu orei apenas

Arizona: — Alex me contou tudo, ela disse da sua decisão em lutar por mim e pela minha vida

Callie: — Ele te contou isso foi? Que coisa né

Robbins estende a mão e chama por sua amada.

Arizona: — Chega mais perto

Callie: — Eu não sei se isso é certo

Arizona: — Não vou fazer nada, só quero te agradecer

Callie: — Como? Isso não tem como agradecer

Arizona: — Você sabe que tem

Torres sente um frio na nuca, parece que corre pelas suas veias eletricidade. Seus batimentos estão altos. Ela senta na cama.

Arizona: — Sei que terminamos, que seguimos nossas vidas, mas temos uma filha. Eu não quero que volte porque eu sofri um acidente e quase morri. Callie eu só necessito de mais tempo do seu lado, sua presença me faz forte. Seu amor pode ter mudado, tenho consciência disso e por isso eu só te peço que fique perto até eu me sentir 100% e possa...

A loira é interrompida com um beijo intenso. Um beijo longo e cheio de paixão. As mãos de Torres passeiam pelo corpo de Arizona. Ela por sua vez crava suas unhas nas costas de Torres, que arrepia.

As duas se afastam rapidamente. Ficam sem jeito.

Callie: — Vamos... É...

Arizona: É... vamos e é...

Callie: — Tenho que tomar um pouco de ar, respirar sabe

Arizona: — Sei, eu faria o mesmo, mas não posso sair daqui

Callie: — Nada aconteceu certo? Foi só a adrenalina do momento

Arizona: — Se você prefere assim, por mim

Callie: — Somente mães da mesma filha, amigas, colegas

Arizona: — Ok. Pode se tranquilizar

Callie: — AAAAH! Não posso não

Ela se recompõe.

Callie: — Voltarei quando você receber alta e a Sofia ficará vindo te visitar

Arizona: — Callie antes de ir tenho uma coisa pra te dizer

Callie: — Oi, diga

Arizona: — Para de dormir no sofá, pode dormir na nossa cama. Sof disse que você dorme mal

Callie: — Sua cama Arizona, sua! Entendeu...

A morena sai nervosa do quarto, enquanto Robbins fica se sentindo no céu.

Callie: — Filha a mamãe já vai

Sofia: — Conversou com minha mãe?

Callie: — É... Quase isso

Sofia? — Han?

Callie: — Eu vou ficar até ela se recuperar totalmente. Tudo por você

Sofia: — Sabia que daria certo, eu te amo mãe!

Callie: — É só por um tempo, tenho minha vida em NY

Sofia: — Não ligo pra isso, estou feliz que ficaremos juntas

Callie: — Não crie ilusões Sof, eu não quero alimentar suas fantasias

Sofia: — Eu nem disse o que estou pensando

Callie: — Nem é preciso, eu consigo ler mentes

Os dias foram passando e Arizona recebeu alta. A pediatra foi liberada para retornar ao lar. Ela não escondia a ansiedade de chegar em casa e encontrar sua filha e sua ex esposa. Callie por sua vez já tinha arrumado tudo dezenas de vezes, sua ansiedade era multiplicada por cem!! Mãe e filha esperavam Arizona na porta da casa, estavam de mãos dadas e com largos sorrisos no rosto.

Sofia: — Lá vem a mamãe!

Callie: — Sim meu amor, lá vem ela

Arizona desceu do carro com ajuda de Alex. Aquele momento parecia surreal para a dra. Robbins.

Controle no dicionário significa ato ou efeito de controlar(-se). E nas minhas pesquisas poucas são as coisas que controlamos de verdade, se levarmos tudo ao pé da letra somos um bando de descontrolados, tentando desesperadamente segurar, reprimir e abafar o que somos e o que sentimos. Pra que mesmo serve o controle? As vezes eu faço questão de esquecer para ter a chance de fazer o que eu realmente quero...