So far away from where you are
9 Acreditar
Acreditar faz parte da vida, uns acreditam em coisas positivas e outros em coisas negativas. Os cirurgiões tendem acreditar na vida, na cura dos seus pacientes. O que nos faz crer em algo? Como saber que acreditamos na coisa certa?
Yang: — Seu quarto tem cheiro de creme para pentear
Meredith: — Não é meu, era do Derek. Você sabe, ele tinha aquele cabelo todo perfeito e cheiroso
Yang: — Seus filhos também tem! Já prestou atenção naquela franja poderosa do Bailey? Eu senti inveja
Meredith: — Já, ele parece muito com o pai
Yang: — Tem certeza do que estamos fazendo aqui? Quero dizer, sua vida vai virar de pernas pro ar
Meredith: — Tenho! No fundo eu sempre quis sair dessa casa, mas tinha medo
Yang: — Olhe para frente, faça como eu
Meredith: — Acho que você não acredita no que está dizendo, não completamente
Cristina ergue uma das sobrancelhas. Ela joga uma almofada em Grey.
Yang: — Qual é o seu problema? Eu já esqueci o Owen
Meredith: — Eu não toquei no nome dele
Yang: — Eu te odeio Meredith Grey!
As duas caem na gargalhada.
Meredith: — Você me ama, até sonhou comigo cantando
Yang: — Bobagem. Vamos logo terminar com isso e sair daqui
Meredith: — Isso, está na hora de começar uma nova fase
A médica tomou a decisão de sair da casa que Derek construiu depois de pensar bastante. Ela e os filhos vão voltar para sua antiga casa. Yang irá passar uns meses com a amiga até que tudo fique bem.
Callie: — Adorei esse plantão
Ela beija as costas de Robbins. A pediatra abre os olhos e sorri.
Arizona: — Eu também. As pessoas atrapalham menos aqui no hospital
Callie: — Verdade, não apareceu ninguém batendo na porta
Arizona: — Vamos nos mudar para a sala de repouso?
Callie: — Tentador, mas Sofia não ficaria confortável aqui
Arizona: — É. Melhor ficarmos em casa
Ela vira de frente para Torres. Elas se beijam apaixonadamente, a pediatra enfia suas mãos no cabelo da ortopedista. Torres sussurra entre um beijo e outro.
Callie: — Eu te amo muito
Alguns metros dali na sala da chefe de cirurgia uma pessoa indesejada chega.
Bailey: — Bom dia dra. Murphy. É um prazer revê-la
Murphy: — Acredite que o prazer é todo meu
Bailey: — Fico feliz que pense assim. Nosso hospital cresceu muito, teremos como lhe dar todo o suporte que precisar na sua pesquisa
Murphy: — Que ótima noticia, estou sentindo que passarei por boas coisas aqui no Grey Sloan
Bailey: — É o que espero. Sei que já conhece o hospital, todavia quer fazer um tour?
Murphy: — Com certeza
As médicas saem da sala da chefia e passam por todas as alas do hospital. Quando chegam na pediatria encontram com Karev.
Bailey: — Dr. Karev lembra da dra. Murphy?
Alex: — Sim, como lembro
Eles apertam as mãos.
Murphy: — Tudo bem dr. Karev? Estou aqui por causa da minha pesquisa e acho que nos veremos algumas vezes
Alex: — Legal. Espero ajudar no que for preciso
Bailey: — Cadê a dra. Robbins?
Alex: — Ela estava no repouso, mas deve voltar logo
Murphy: — Certas coisas não mudam por aqui, não é verdade dra. Bailey?
Bailey: — Hmm... Que tal continuar o nosso passeio?
Murphy: — Relaxe, eu só fiz uma brincadeira
Alex: — Entendemos, só não foi engraçada
Bailey: — Karev! Modos por favor
Murphy: — Tudo bem chefe Bailey, certas coisas não me atingem
Robbins vem radiante pelo corredor. Ela vê as médicas de costas e bate no ombro de Bailey.
Arizona: — Olá chefe! Veio nos visitar hoje?
Seu rosto fica pasmo quando Leah vira junto com Bailey.
Murphy: — Parece pálida dra. Robbins. Está se sentindo bem?
Arizona: — Eu... Eu estou ótima
Murphy estica a mão para cumprimentar a pediatra. Ela reluta, mas acaba dando a mão.
Arizona: — O que fez você voltar?
Murphy: — Minha pesquisa. Tenho trabalhado em algo grande
Arizona: — Em que área?
Murphy: — Pediatria, tenho muito interesse nisso
Robbins olha apavorada para Karev, que dá de ombros. Ela sorri forçado.
Arizona: — Que coisa maravilhosa
Bailey: — Vamos dra.?
Murphy: — Sim. Depois nos veremos novamente Arizona
Ela pisca e segue seu tour com a chefe Bailey.
Arizona: — Isso só pode ser brincadeira. Diz que eu estou vendo uma miragem e que ela não está aqui
Alex: — Calma, ela nem deve ficar muito tempo
Arizona: — A Callie não vai gostar disso
Alex: — Ela vai ficar trancada em uma sala de pesquisa, a Torres nem vai ter com o que se preocupar
Arizona: — Minha vida está perfeita e acaba de sofrer um baque!
Alex: — Não dê importância para essa mulher
Arizona: — Você tem razão, eu devo me tranquilizar. Vai ficar tudo bem
O tour chega na ortopedia.
Bailey: — Dra. Torres lembra da Murphy?
Callie cruza os braços e fica de cara feia.
Murphy: — Olá dra. Torres, que prazer te ver
Callie: — Estou ótima
Murphy: — Eu disse que voltaria
Callie: — E? Isso não muda em nada minha vida
Murphy: — Hmm... Veremos
Bailey: — Perdi alguma parte da conversa? Estou meio confusa
Callie: — Não, apenas eu tive o desprazer de cruzar com a dra. Leah em NY
Bailey: — Não fale com ela, vamos manter o profissionalismo
Murphy: — Ela não é tão gentil como a Arizona
Callie: — Dra. Robbins para você
Bailey: — Ok. Ok. Isso acaba aqui
Callie: — Também acho, tenho muito trabalho e preciso me concentrar
Murphy: — Não perca o foco, isso é perigoso
Torres dá um passo em direção de Murphy e Bailey fica entre as duas.
Bailey: — Estamos de saída
A ortopedista pega uma prótese e joga no chão.
Callie: — Eu vou quebrar o pescoço dela! Que vadia
O fim do plantão está próximo e Arizona vai arrumar suas coisas na sala dos médicos. Ao entrar fica frente a frente com Leah. A pediatra se sente incomodada.
Murphy: — Bom te ver novamente
Arizona: — Hmm...
Murphy: — Não precisa me ignorar, eu não estou aqui para ser vilã
Arizona: — Eu não disse nada, está tudo bem
Murphy: — Se isso fosse verdade você estaria olhando pra mim e não desviando o olhar para a parede
Arizona: — Podemos só manter distância? Eu não quero problemas
Murphy: — Sente o que ao me ver?
A loira levanta. Existe malícia no seu olhar.
Arizona: — Nada, eu só quero respeitar a minha mulher
Murphy: — Ou tem medo de sentir vontade de ficar comigo?
Arizona: — Não. Eu amo a Callie e estou satisfeita com o que ela me oferece
Murphy: — Eu posso te dar mais
Ela se aproxima de Arizona, que recua.
Arizona: — Não quero nada que venha de você
Murphy: — Olha... Você pode crer que sim
Arizona: — Para ok? Essa situação está desconfortável
Murphy: — Eu posso falar? É sério o que tenho para te oferecer
Ela cerca Arizona, deixando a pediatra sem saída. Ela sussurra.
Murphy: — Eu quero te dar um filho, te dar uma família de verdade
Robbins fecha os olhos e balança a cabeça negativamente.
Arizona: — Eu já tenho família
Murphy: — Uma mulher que te trocou e uma filha que é dela com o ex amante morto, que família linda
Arizona: — Não importa, é a família que eu escolhi
Callie escuta vozes e decide não entrar na sala, ela fica escutando do lado de fora a conversa.
Murphy: — Como você pode ser tão cega e idiota? Ela não te ama
Arizona: — Isso não é da sua conta, melhor essa conversa acabar aqui
Murphy: — Eu quero engravidar e te dar um filho seu! Já imaginou uma criança com seus olhos e seu sorriso lindo?
Arizona: — Terminou? Eu preciso ir
Leah insiste e tenta beijar Arizona. Ela é empurrada.
Arizona: — Qual é o seu problema? Ficou louca?
Murphy: — Eu te amo! Sou louca sim, mas é por você. Eu voltei para lutar por nós
Arizona: — Para! Não existe nós, nunca existiu
Murphy: — Vai negar que sente desejo ao olhar pra mim?
Ela tira a camisa e o sutiã.
Murphy: — Olha! Diz que isso não te atrai
Arizona: — Isso é patético. Você pode se vestir
Murphy: — Me queira Arizona, me deseje
Arizona: — Eu não sinto nada ao te ver assim
Callie está atrás da porta com o coração quase chegando na boca. Ela olha pela brecha da porta.
Murphy: — Me toque e isso vai mudar, eu lembro que te dei muito prazer
Arizona: — Não passou disso, não tinha sentimento
Murphy: — É a ultima vez que peço, me deseje
Arizona: — Não, eu não posso
Murphy: — Você me quer droga!
Ela pega as mãos de Arizona e esfrega contra seus seios, a pediatra apenas vira o rosto e escapa dela.
Arizona: — Eu estou indo embora, espero que não me dirija mais a palavra
Murphy: — Você tem que me amar!
A médica perde a paciência e grita.
Arizona: — Eu nem percebi quando você foi embora desse hospital! Como eu vou te amar? Que droga, estou tentando ser uma pessoa legal e você forçando a barra
Murphy: — Sua aleijada infeliz
Arizona: — Infeliz é você que não tem amor próprio
Robbins junta a blusa de Leah e joga em cima dela.
Arizona: — Se ame e ai vai encontrar quem possa fazer isso junto com você
Murphy: — Eu vou te infernizar, eu vou acabar com você! Eu juro
Arizona: — Adeus Leah
A pediatra abre a porta e vê Callie chorando. Ela tenta falar, mas as palavras faltam.
Arizona: — Callie... É...
A ortopedista puxa sua amada e lhe beija. É um beijo apaixonado e intenso. Arizona fica sem ar.
Callie: — Eu te amo, eu te amo muito
Arizona: — Você estava ai a quanto tempo?
Callie: — O tempo suficiente para saber que acertei em voltar contigo
Leah bate palmas e sorri.
Murphy: — Ridículas, vocês se merecem
Arizona: — Vamos embora amor
Callie: — Eu quero quebrar a cara dela
Arizona: — Não vale a pena
Murphy: — Vem! Eu duvido
Arizona: — Não provoca! Vem Callie
A médica tem dificuldade para tirar sua amada da sala, mas com muito esforço consegue.
Callie: — Eu ia dar só uns tapas nela
Arizona: — Sou contra violência e você sabe
Callie: — Ela tentou transar com você
Arizona: — E eu disse não, é o suficiente
Callie: — Você está feliz mesmo? Eu e Sofia somos o bastante?
Arizona: — Sim e nunca duvide disso, eu escolhi vocês
Callie: — Eu tive receio de você cair na tentação, aquela vadia tem peitos bonitos
Elas riem.
Arizona: — Prefiro a fartura dos seus
Torres morde os lábios. Ela respira fundo e desabotoa alguns botões de sua camisa.
Callie: — Gosta deles assim?
Arizona: — Demais! Gosto tudo em você. Vamos pra casa? Quero fazer uma coisa com você
Callie: — Só uma?
Arizona: — Safadinha
Bailey está organizando alguns papeis quando Leah entra na sala toda machucada.
Murphy: — Dra. Bailey me ajude
Bailey: — Meu Deus do céu! O que houve?
Ela está espantada com os machucados de Leah.
Murphy: — Foi a dra. Torres, ela me atacou
Bailey: — Como? Eu não posso acreditar
Murphy: — Ela enlouqueceu dizendo que eu estava paquerando a esposa dela, você viu hoje cedo como ela veio na minha direção
Bailey: — Vamos cuidar desses ferimentos, depois eu tomarei as providencias necessárias
Murphy: — Obrigada, essa mulher tem que ser internada
Karev vê aquela cena e fica por perto para descobrir o que houve. Ao escutar a história de Leah imediatamente ele liga para sua mentora.
Callie: — Amor... Seu celular, pode ser do hospital
Arizona: — Estou com a boca ocupada agora
Torres gemi e aperta os lençóis.
Arizona: — Mas se quiser eu paro e vou atender
Callie: — Nada disso! Continua
Karev insiste.
Alex: — Que porcaria, atende logo Robbins
Callie: — Eu estou quase lá, não para amor
Ela revira os olhos, seu corpo estremece.
Arizona: — Que delicia
Callie: — Eu afirmo que é delicia demais
A pediatra olha para o celular.
Arizona: — Eles não dão folga mesmo
Callie: — Atende logo e volta pra fazer mais coisinhas comigo
Arizona: — Alô. O que foi?
Alex: — Cadê a Torres?
Arizona: — Na cama, aconteceu alguma coisa?
Alex: — Ela bateu na Murphy? Ela é maluca ou o que
Arizona: — Que? Claro que não, de onde você tirou isso
Alex: — Sério? Porque ela está aqui toda quebrada e disse que foi a Torres
Arizona: — Que mentira, isso não aconteceu
Alex: — A Torres vai ter que explicar o que houve então
Arizona: — Só pode ser piada
Callie: — Que demora, desliga logo e vem aqui
Arizona: — Alex obrigada por avisar, qualquer novidade me liga
Ela desliga e senta na cama.
Arizona: — Temos que volta para o hospital
Callie: — É algum acidente grave?
Arizona: — Murphy está te acusando de agressão
Callie: — Eles estão acreditando nela? Que absurdo
Arizona: — Você precisa falar seu lado da história para eles terem a opção de acreditar em você ou nela
Somos enganados constantemente, somos levados a acreditar em teorias, em teses, em coisas que nem chegamos a ver, tocar. E quando saber que é verdade ou mentira? Quem consegue destingir essa questão? Muitos não precisam de nada, apenas confiam no seu instinto e outros precisam de provas para chegar a uma conclusão, agora saber quem são os acreditam ou deixam de acreditar é uma tarefa difícil...
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