Notas iniciais
Ta..Atrasada eu sei >.
Mas... Pelo menos fiz uma ficlete hm? :3
Gostaria de oferecer essa coisinha a Alexpk1256 .. Acho que deve ser um presente bom... Nee...Divirtam-se :3

Naquela manha de véspera de Natal, L fizera algo que nunca havia feito ou sonhado em fazer... O garoto, em seus cinco anos de idade, fugiu do Wammy’s House.

Acordara mais cedo naquela fria e nevada manha, aliás, nem dormira direito na noite anterior... Pobre garoto, não havia dormido... Havia perdido oito horas de sua noite pensando em uma pequena e simples questão: “O que pedir de Natal?”

Não se sabe ao certo como ou quando esta questão invadiu a cabeça do pobre Lawliet... Mas, não conseguindo achar a resposta que procurava em seu orfanato, resolveu buscá-la em outro lugar... Resolvera na própria manha de 24/12 que iria achar algo para querer de Natal... Resolvera que, seria como as outras crianças... Que agiria como elas, pelo menos neste dia.

Motivado por isso, pulou a janela de seu quarto, caminhou cautelosamente pelo telhado coberto de neve e, usando uma árvore, logo alcançou o chão. Passou pelo parquinho, que as seis da manha estava explicavelmente vazio, disse ‘Bom dia’ ao Thommy, o boneco de neve, e logo pulou o portão.

Vestia-se adequado ao clima, uma linda criança de cabelos e olhos negros, cachecol que cobria o pescoço e os lábios, touca roxa, casaco marrom afofado com touca, que por hora não cobria sua cabeça. Calça de mesmo material da blusa e cor creme, um par de tênis brancos com meias pretas... Luvas azuis de lã.

Sabia que as ruas estariam relativamente vazias, aproveitaria, então, para observar vitrines... Quem sabe descobriria o que gostaria de ganhar?

Caminhava pelas calçadas, desviando de postes e hidrantes, vez ou outra, parava em vitrines e via as TVs e os carrinhos que passavam nela... Os jogos e as plataformas usadas... Os puzzles e as pelúcias... As roupas e os manequins... Tudo que poderia ser comprado e vendido facilmente ele viu... Viu também as coisas que não venderiam... Os pisca-piscas, os Papais Noel, as renas, os trenós, os viscos, as árvores... Tudo que eles guardariam para o próximo ano... Tudo que havia em sua casa...

Sorria involuntariamente vendo o apagar e acender das luzes, ao ouvir o ‘Hohoho’ dos Noels animados por baterias... Sem perceber, ficava longos minutos somente observando a ornamentação dos locais.. Admirado...

Ouviu o badalar do Big Bang... Sete horas... O tempo voa realmente...
Só havia andado alguns quarteirões, sabia que ainda precisava descobrir o que querer... Mesmo sabendo, continuava a observar... Estático.

As oito, viu as lojas se abrirem e as pessoas chegarem para comprar, presumiu que muitos não haviam comprado coisas para seus filhos ainda... Com certeza, agora seria mais fácil de pensar em algo para querer... Era só observar o que outras crianças queriam de seus pais oras!

E se ele acreditava em Papai Noel? Não... Não mais... Já estava bem grandinho pra isso...

Escolheu uma loja, com mais movimento, entrou e pôs-se a ver bonecas e carrinhos 'voando' das prateleiras... E se ele quisesse um carrinho? Por que quereria um carrinho?

Foi até um deles que estava em amostra pegou-o e analisou-o... Coisinha com menos de trinta centímetros de comprimento, feito basicamente de plástico...

Com portas que abrem e controle-remoto para dar ao usuário a sensação de estar dirigindo...

Por que quereria um carrinho? Por fim, não queria.

E se quisesse uma bola? Pelo menos com ela poderia jogar com os amiguinhos do orfanato... Poderia pelo menos... Tentar jogar algo... É... Uma bola era um presente bom... Talvez devesse pensar um pouco mais... Isso.. Talvez devesse...

Luzes piscavam em todos os locais da loja... E uma música conhecida alcançava seus ouvidos... A música que corais cantavam em Igrejas, praças e portas de casas... ‘Jingle Bell’...

Um trenzinho de brinquedo foi ativado e começou a andar sobre os trilhos posicionados no chão, o garotinho, sentou-se no chão e passou a observar...

Talvez quisesse ter um trenzinho... Talvez ouvir seu barulho e seu apito fosse ser legal de vez enquando... Mas, o que faria depois? Não sabia... Não queria um trenzinho então...

Levantou-se e olhou, involuntariamente, para o teto da loja... Helicópteros e aviõezinhos voavam por entre estrelas douradas penduradas por fios de nylon, de lá de baixo, ainda podia ver o fim da árvore de natal que fazia parte da ornamentação.

E se quisesse um aviãozinho? Também era controlado por controle remoto não? Que diferença fazia ele do carrinho antes visto? Bem...Este voava... Podia tocar as estrelas...E se um dia subisse, subisse e nunca mais voltasse? E se a bateria acabasse e levasse com ela a diversão? Um aviãozinho não queria então...

Muitos entravam... Muitos saiam... Via grandes pessoas, com grandes pacotes embrulhados por papeis de presente com estampas diferentes... Via alguns que entravam e saiam sem levar nada... Talvez, como ele, não sabiam o que querer...

Observando o movimento pensou em sair e procurar, em outros lugares , algo para querer. "Vou seguir os adultos!" -pensou. E foi isso que fez.
Viu um casal entrar, driblar o trenzinho e os carrinhos soltos pelo chão, vasculhar as bonecas, admirar a árvore de natal e sair sem levar nada, seguiu-os a uma boa distancia... Viu-os entrar em outr loja, entrou também... Viu-os fazer a mesma coisa, mas, desta vez, escolheram um brinquedo, que, com certeza, L se lembrava de ter visto na outra loja... então por que caminhar tanto?

Ora... Não foi difícil responder essa pergunta: O preço. Nessa loja os produtos, com certeza, eram mais baratos... Estava ai outra coisa para se pensar antes de querer algo: Quanto ela iria custar...

Aproveitou o novo ambiente para procurar outras coisas... Quem sabe acharia algo para querer?

Caminhando por entre as prateleiras, viu miniaturas de personagens de desenhos animados que via pela TV... viu o pernalonga, o piu-piu e outros clássicos... Não se conteve e alcançou uma pelúcia do Pikachu, abraçou-a... Como era macia... E cheirava bem... Cheirava a ... Um cheiro que ninguém nunca soube explicar de que ou como era composto... Cheirava a 'coisa nova'...

Alcançou a etiqueta de preço, havia aprendido rápido com os adultos como querer algo... Não era tão caro, mas, como criança, não possuia dinheiro... Talvez pudesse se lembrar e pedir à Watari a pelúcia...

Mas... Por que pediria uma pelúcia? Ela ficaria somente no quarto, sobre a cama, correndo o risco de se sujar, ou de ser descosturada... quando isso acontecesse, perderia toda a magia... E não haveria mais motivos para guardá-la ou dormir ao lado dela... Era assim não era? Era assim que acontecia... Ela estragaria e ninguém a quereria mais... Pensava que era assim... Quem sabe seria mesmo...

Colocou o pikachu de volta no lugar... Pensou novamente em algo para querer, mas, sabia agora havia se tornado mais difícil... Algo que: queresse, não fosse caro e não estragasse...

Decidiu não querer brinquedos então... algum dia iriam estragar: os bonecos se quebrariam, perderiam as pernas, os braços e posteriormente a cabeça... A pelúcia rasgaria...Os carrinhos perderiam as rodas e as portinhas... talvez, até perdessem os vidros!... o helicóptero perderia as hélices... E tudo que fosse movido a bateria, logicamente, se esgotaria...

O que quereria então? Decidiu andar um pouco mais..

A neve começou a cair, fina. E ele continuava a caminhar... Dessa vez, não buscava outra loja para entrar ou vitrines para ver... Dessa vez, observava por janelas famílias preparando as ceias. Não pensava em que horas eram... Isso importava no momento...

Lembrou-se que deveria ir para casa, deveriam estar preocupados... Teria realizado este feito e chegado em poucos minutos se não fossem dois fatores que descreverei a seguir.

O primeiro deles, foi uma janela ainda aberta, iluminada com pisca-piscas e botinhas vermelhas de veludo, além daqueles 'doces' artificiais vermelho e branco, chamava atenção pelo barulho que saia desta.

L ficou na pontinha dos pés e apoiou-se ao beiral da janela para ver o que ocorria lá dentro, viu uma lareira acesa, uma árvore de natal, um sofá branco de três lugares e outras duas ou três poltronas espalhadas sobre um tapete que cobria quase todo o chão da sala, e ainda mais que isso: Viu pessoas, todas alegres com pratos de comida nas mãos sentadas nos sofás e poltronas, viu uma senhora chegar e se assentar também, e de repente, todos começaram a trocar presentes entre si, numa espécie de amigo oculto que L nunca imaginou que acontecesse no natal... Sorriu involuntáriamente quando viu crianças como ele, do tamanho dele e ainda menores tentando falar do seu amigo secreto e dos adultos fingindo que ainda não sabiam quem eram... Tudo num clima tão agradável que ele não se importou de continuar a assistir tudo como se fosse uma cena de um filme ou anime, que ele não se cansasse de assistir... Abraços, risos e discursos familiares por toda parte...

Um cão também se uniu a farra pulando sobre colos e crianças, brincando e sendo 'apertado' e puxado por todos... Logo, ficou quieto e deixou que os outros continuassem a revelação que tentavam fazer. A idosa contava anedotas de seu tempo e ria acompanhada por outros membros da familia... L não as ouvia por inteiro, portanto não sabia se eram de fato engraçadas, se riam para agradá-la ou se a risada dela os contagiava.

Talvez não fosse embora até que todos fossem se deitar, mas, o destino não desejava isso... E com um "Mamãe.. Quem é o garoto na janela?"- expulsou o nosso pequeno inglês de seu lugar de observador.

Ele correu, e suas pernas o levaram ao seu lugar preferido da cidade M&M's, uma loja com três andares dedicados ao seu chocolate preferido, sorriu. Mas... estava fechada.. Que horas eram mesmo?! Quantas badaladas dera o relógio da última vez que ele se lembrava de ouví-lo tocar?

Olhou para o alto buscando ver o relógio, sem sucesso... a neve — que agora se tornara mais densa- impedia-o de ver algo muito distante...sabia que estava tarde... Já estava escuro... Precisava voltar.

Já seguia seu caminho para o orfanato, quando ouviu uma voz conhecida chamar por ele "L! Graças a Deus!" -disse a voz, aproximando-se e abraçando o garoto — "Sabia que estaria proximo a sua loja de doces favorita!" -o homem abraçava forte o garoto, que correspondeu a seu abraço.

"Vamos para casa" -e então o homem grisalho que atendia pelo pseudonimo de Watari, pegou o pequeno Lawliet em seu colo e caminhou para casa.

~

"Por que fugiu?" -agora o mesmo homem estava agaixado de frente para a criança, que balançava as pernas e evitava encará-lo — "Ficamos preocupados L... Onde foi? Poderia ter se machucado!" -fez com que o mais jovem o encarasse.

"Eu...Fui procurar um presente de Natal" -ainda de cabeça baixa continuou -"Desculpe..."

O homem respirou fundo... Talvez tivesse pensado que seu melhor aluno não gostava mais de onde estava e por isso tentou fugir... Talvez tivesse pensado que daí pra frente o moreno se tornaria um problema, quando na verdade.. ele só queria um presente... respirou fundo e agradeçeu aos céus por estar errado.

"E então...Já sabe o que quer ?"Não, não sabia... Não queria nada que os outros queriam... Queria o que muitos outros tinham e achavam ser banal... A única coisa que o fez sorrir involuntáriamente, que o fez admirar e rir como a criança que era... A única coisa que o fez conhecer o passado e o presente ao mesmo tempo... A única coisa que podia fazer os adultos e crianças parecerem irmãos e somente isso... Queria um Natal, com uma família que durasse para sempre...

Levantou-se... as palavras estavam em sua mente.. mas, como dizê-las? Como interpretá-las? Caminhou calmamente pelo escritório de Watari, e , ainda pensativo, olhou pela janela... Viu crianças diferentes comendo da mesma comida no refeitório... Brincando juntas, sorrindo juntas... Viu Roger, lutando para que todos pegassem dos doces comprados, quase sendo jogado ao chão pela euforia das crianças...Viu garotas com laços no cabelo... Garotos com boinas e todos eles corriam de um lado para outro... Todos eles falavam e queriam ser ouvidos...
Sorriu involuntariamente... Colocou a mão na vidraça e continuou a observar.

Todos eles, certamente, pediriam algo ao Papai Noel... Uma bola... Uma pelúcia... Carrinhos ou bicicletas... Todos eles iriam querer algo... Mas... Será que queriam a mesma coisa que ele?

"Eu...Quero..." -respirou fundo... -"Ir pra lá" -apontou para o refeitório -"Quero um Feliz Natal com a minha família..." -olhou para o velho e sorriu.Sim, família, era isso que todas aquelas crianças eram... Uma família. Tinha irmãos... Muitos irmãos e dois pais... Do que mais precisava? Tinha motivos pra sorrir, para brincar... Nunca estava sozinho...

E naquele momento percebeu que não tinha nada para querer, simplesmente por já ter tudo que queria.

Notas finais
Bem... É isso.. ta meio grandinha mas, espero que tenham gostado!
Feliz Natal atrasado! :3
Beeijo :*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!