So Far Away
4 Confusão - Saber sobre você.
Notas iniciais
"Quero saber tudo sobre você, ei, deixa
Nossas palavras às vezes perdem o sentido e deixam marcas
E só me resta chorar de arrependimento
Meus sentimentos são complicados e se entrelaçam com as batidas do meu coração."
Sekai wa koi ni ochite iru (openning Ao Haru Ride) — Tradução
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Eu não acreditei ao ouvir aquela voz. Olhei para trás com receio, torcendo para não ser aquela cabeleira azul bagunçada, porém ele estava lá. Com aquele mesmo sorriso sarcástico que vi aquele dia.
“O que ele fazia aqui?” -- Pensei comigo, mesma. --“Como ele pode vir aqui depois de tudo?” – Me levantei tão rapidamente pasma com a situação, fazendo com que minha cabeça girasse de tontura, dando alguns passos para trás. – “Eu não consigo entender esse garoto!” – Repetia várias vezes, para mim mesma. Mas tudo foi interrompido, quando tropecei em uma maldita pedra, escorreguei e rolei morro abaixo, caindo sentada na água.
Lá estava eu, toda molhada, pagando o maior mico, ou melhor, King Kong da vida? E para ajudar, Jellal estava se contorcendo de rir.
Ah, que sorriso lindo...
Não!
No que eu estou pensando? Ele pode até estar sexy, lindo e irresistível, mas é de mim que está rindo!
Você realmente deve estar um pouco acima do peso, Scarlet. – Ele disse, começando a me ridicularizar. – Nem consegue aguentar seu próprio peso. – Ele até iria prosseguir se eu não fizesse uma expressão de “Se continuar morre”, mudando seu sorriso, de radiante, para um sorriso totalmente desconcertado.
Jellal desceu o morro, caminhou em minha direção, tentando não voltar a rir. E, quando chegou à beira do rio, se curvou e estendeu sua mão para mim.
— Antes de você me matar, resolvi garantir minha boa ação. – Eu já comentei do seu grande senso de humor?
Aceitei a ajuda e segurei sua mão, mas certas coisas se pagam na mesma moeda. E assim o fiz.
Puxei-o para baixo, fazendo com que o azulado caísse de cara na água, que por sinal estava fria.
— Se com sua boa ação você garantiu uma entrada no céu, eu garanti uma no inferno. – Olhei para ele sorrindo.
Ele me olhou de um modo curioso, mas deu uma leve balançada na cabeça, espantando seja lá o que estivesse pensando. Ele se levantou e começou a jogar água em mim.
— Isso não é muita criancice, Jellal?
— E me puxar para dentro da água é muito maduro de sua parte, não é mesmo, Erza? – Ele arqueou as sobrancelhas me olhando com deboche.
Comecei a rir feito uma boba, não apenas por estarmos nos divertindo, mas por ele ter me chamado de Erza...
Contudo, enquanto eu ria, ele me deu um empurrãozinho, e eu caí de costas na água, agora foi a vez dele cair no riso. Mas não iria durar por muito tempo. Apoiei-me sobre os meus joelhos, e levantei lentamente. Olhei para o azulado risonho e perguntei, também sorrindo:
— Está querendo guerra, geléia? – Ele fez a mesma reação quando o chamei de geléia pela primeira vez, o que era estranho, ele, normalmente diria “ Hahaha, muito engraçado, ruiva”, coisa que passou a fazer, depois de se conformar com o apelido, não conseguindo pensar em nada para me responder.
—Talvez, Scarlet. – Retrucou, afrouxando sua própria gravata e sorrindo de forma maliciosa.
— Ok então, é o que terá! – Gritei, dando-lhe uma rasteira, vendo aquele sorrisinho de criança marota, mudar para o de uma criança que havia perdido uma sacola cheia de doces.
Passamos algumas horas brincando de guerrinha, trocando risadas e piadas, aquilo estava sendo realmente divertido, principalmente para mim, aqueles sorrisos que eu tanto ansiava enquanto ele estava com Ultear, agora são direcionados para mim, era um calor indescritível que eu sentia no meu peito, cada vez mais leve eu me sentia, cada vez mais viva, aquele momento deveria durar para sempre. Porém, quando o Sol começou a tocar as águas, ele saiu daquele dourado que se transformará a água, e sentou-se no começo do morro, eu o segui, com grande receio, pensando se ele iria continuar sendo tão receptivo como estava sendo.
Todas aquelas perguntas que martelavam em minha cabeça vieram à tona, gritavam por respostas, mas decidi mantê-las comigo por enquanto, ou poderia criar um clima desagradável, então fiquei em silêncio.
— Há quanto tempo vem aqui, Erza? Nunca a tinha encontrado neste lugar antes.
— Como assim “Há quanto tempo”? – Não havia entendido a pergunta dele.
— Não entendi. – Disse ele confuso.
— Você sabe há quanto tempo e o porquê de eu vir aqui. – Eu já não estava entendendo mais nada.
— Er... Eu não estou entendendo. Não me lembro de tê-la visto aqui antes. – Jellal falou, começando a ficar pálido.
— Não brinque comigo, Jellal! – Gritei me levantando, pois já estava começando a me irritar.
— Ma- Mas eu não estou brincando... – Retrucou, olhando diretamente nos meus olhos, mas, ao mesmo tempo, parecia estar perdido.
— Você por acaso se esqueceu de tudo que falamos aqui? De todas as coisas que compartilhei com você? Pois eu me lembro de cada uma que você falou! Dês daquelas mais bestas, como você ter aprendido a dançar K-POP para impressionar uma garota que você gostou, mas que acabou te trocando por achar que você era gay, ou daquelas vezes que você pensou em fugir de casa, ir contra seu pai, arranjar brigas na escola, e você até já pensou em usar drogas, seu idiota! Eu me lembro de cada detalhe que passamos aqui, as coisas que compartilhei com você, e agora você me trata com uma total desconhecida na escol.. Je- Jellal? – Aquela raiva que estava me consumindo, se esvaiu ao notar que a expressão dele tinha mudado totalmente. Ele havia ficado pálido, extremamente pálido, os olhos dele transpiravam medo e só de olhar aquela cena, meu peito afundou, meu coração sumiu, um vazio o substituiu.
Com aquela expressão de terror, que eu nunca vi no roso do azulado, ele colocou as mãos sobre a cabeça, o que parecia uma tentativa falha de fazer com que sua cabeça para-se de doer, e retrucou coisas desconexas, as quais, não consegui assimilar.
De repente, ele desmaiou.
Você já sentiu medo? Não, medo não é a palavra correta. Acho que seria desespero. Se já sentiu, sabe o que é se sentir sem chão, foi assim que me senti ao vê-lo cair, eu não sabia o que fazer. O vazio que estava presente no meu peito se espalhou pelas minhas veias. Era algo frio e doloroso. Espalhava-se cada vez mais. Deixou-me sem reação, meus sentidos sumiram. Senti que seria a próxima a cair.
Contudo, minha mente clareou e meus sentidos foram devolvidos pela seguinte pergunta:
— Erza, novamente, vai deixar alguém que ama ir embora? – Perguntei inconscientemente. Após um momento de reflexão, lembrando-me de tudo o que perdi e, principalmente, de tudo que vivi com ele.
— Dessa vez não. – Disse a mim mesma – Mesmo sentindo raiva, mesmo tendo de domar minha mágoa, aquele garoto é especial para mim. Eu realmente não consigo mais viver sem ele, ele faz uma falta enorme na minha vida. E não quero perder mais ninguém.
Ao pensar nisso, consegui mover meu braço, com certa tremedeira, na direção do azulado.
–- Jellal! – Gritei, tentando reanimá-lo.
Passei as mãos sob o rosto do mesmo, porém, estava extremamente frio. Fui à direção da mão direita, ainda mais gélida, para detectar se havia pulso. Aliviei-me um pouco ao saber que sim. Peguei minha bolsa e de lá retirei meu celular, liguei para o hospital mais próximo, pedindo por uma ambulância, enquanto isso revirava a minha e a bolsa dele, buscando algo que pudesse o ajudar naquele momento, mas não tive sucesso em ambas as coisas. Subi o morro, a procura de pessoas, carros, ou qualquer coisa que pudesse ajudar.
— Um taxi! – Avistei, a uns dez metros, próximo de um prédio enorme, parecia estar começando a sair do lugar. Desesperada, comecei a gritar, até que o carro parou, e deu meia volta.
Ao chegar a minha frente, o motorista abaixou o vidro. Era um senhor, tinha por volta de 40 ou 50 anos, possuía cabelos de um azul desbotado, usava óculos escuros, e possuía um “mustache” que chamaria atenção de qualquer ser vivo, além de ter um ralo cavanhaque.
— Para onde quer ir, querida? – Falou ele, tirando os olhos escuros do rosto e sorrindo, tentando parecer galante, porém, estava muito fora de mim, para notar o quanto àquela cena seria engraçada em outro momento.
— Para o hospital mais próximo! Meu amigo acabou de desmaiar, me ajude a trazê-lo para o carro, rápido!
— O-Ok, já estou indo! – Disse ele, com uma expressão de espanto, tirando seu cinto e saindo do carro...
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Chegamos a, mais ou menos, meia hora. O taxista continuava do meu lado, ele me ajudou a carregar Jellal, e disse que não devia ser algo muito sério, que a pressão do mesmo devia ter caído, porém, eu insisti para que fossemos para um hospital. Não demoramos muito para sermos atendidos, Jellal era uma figura conhecida, por causa de seu pai, então não mediram esforços para sermos atendidos logo. – Ele já tinha dito que odiava esse tipo de coisa. – Não fomos autorizados a acompanhá-lo, enfermeiros avisaram que só alguém da família poderia entrar com ele, isso, e a expressão dos médicos e enfermeiros, confirmaram as minhas suspeitas, sobre não ser uma “simples” queda de pressão.
— Por que estão demorando com essa coisa!? – Berrei, andando de um lado para o outro no hospital.
— Garota, você deveria se acalmar. Ficar assim, tão irritada, não vai fazer as coisas irem mais rápido. Vamos, sente-se. – Falou o taxista, de forma acolhedora.
— Hm... Acho que você tem razão. – Respondi com incerteza. – Obrigado senhor...
— Macao. Macao Combolt.
— Erza Scarlet.
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Passaram horas, e nenhuma notícia de Jellal fora dada. Em todo momento que eu perguntava sobre sua situação, eles desconversavam, a tensão só aumentava, eu mal conseguia me segurar para não entrar naquela sala e ver como ele estava! Macao, notando isso, me ofereceu carona para casa. Eu rejeitei, porém, com a insistência dele, sobre uma garota da minha idade não poder ficar tão tensa como eu estava, além de já ter passado da meia-noite, me fizeram ceder ao pedido daquele senhor.
Chegando a casa, tomei um banho de água fria, tentando me livrar de toda tensão, mas nada adiantou, nem dormir eu consegui. Quando peguei no sono, só faltavam quatro horas para ter que ir ao colégio, mas a gripe havia me pegado de jeito, fazendo com que não me aguenta-se em pé! Então, decidi não ir, contando com a sorte de não acontecer nada de importante. Fechei meus olhos pensando na situação do azulado, aquilo ainda martelava na minha cabeça, e após poucas horas, caí em um sono profundo.
Acordo com o barulho incessante da campainha, olho no relógio que fica em um criado mudo branco, e marcavam 1h20 da tarde. Não acreditei, então saltei imediatamente, gritando um "Já vai!", apenas lavei o rosto e caminhei até a porta. Abro-a, mas não deu nem tempo de perceber o quê ou quem havia me atingido, soltando várias noticias de uma vez.
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