So Far Away

14 Vou pensar em você para a arrumação.


NOTA INICIAL:

Bem, eu tinha feito uma enorme nota inicial e o Nyah sumiu com ela, mas tentarei fazer outra. Então como podem ver, tive que colocar ela aqui no cap.

Bem, eu não ia postar esse cap hoje, o motivo? Bem, hoje eu fui fazer um vestibular e cheguei a pouco, minha cabeça ainda está meio fora do lugar sabe?

E para avisar também que semana que vem provavelmente eu NÃO postarei, pois como muitas sabem semana que tem o ENEM, e são dois dias de prova, então acho que depois dela eu não vou ter condições psicológicas nem emocionais para postar o cap. Mas, talvez eu poste.

E dizer que os cap vão começar a aumentar pois como eu disse em alguns caps anteriores eu pretendo terminar a fic em 25 caps, já que eu não estou tendo a participação de mais da metade das leitoras, já que isso pode se visto nos comentários do cap anterior. Eu estou muito chateada e desanimada, pois eu deixo de lado muitas coisas para conseguir tempo para escrever e eu não estou tendo retorno aqui.

Peço Mil desculpas para as pouquissimas leitoras que ainda estão aqui e sempre comentam, sei que é chato ter de ler essas coisas. Então, mais uma vez desculpa.

Tacou a bolsa de lado e andou de um lado para o outro no quarto. A conversa com Tony mais cedo ainda estava em sua cabeça, o dia não havia sido um dos melhores. Graças a Jason as lembranças que ela fugia durante meses a pegaram novamente, ela agora intendia que não havia como escapar da terrivel realidade que já vivera.

Se livrou do uniforme e vestiu apenas uma blusa, uma regata preta, sentou de frente a janela e ficou observando o céu, as poucas estrelas que apareciam, e a chuva fina e gélida que despencava dele. Um vento frio entrou pela janela e a fez agarrar o corpo, mas aquilo quase não era sentido por ela, ela nem mesmo tinha visto, mas Bob estava dentro do quarto e dormia pesadamente ao pé da cama. Caminhou até o cachorro e lhe acariciou a cabeça, deitou na cama, mas não dormiu, escutou os passos fora do quarto, ouviu as vozes, mas não prestou atenção no que eles falavam, não queria pensar em nada, mas era inevitável, já que o dia havia sido tão cheio de lembranças que ela queria esquecer. Foi com esses pensamentos que se deixou escorregar para o mundo dos sonhos.

Mas assim que abriu os olhos atordoada, pensou que havia sido melhor que não tivesse dormido. Tivera um pesadelo com a mãe e o pai de Clint. Do dia em que tudo aconteceu, das mortes, dela perdendo o controle e por fim a casa incendiada.

Levantou da cama, o corpo pingava de suor, vestiu uma bermuda qualquer e saiu do quarto em silêncio, Clint dormia no sofá, e Marie no quarto dele. Pegou rapidamente um copo de água gelada e foi novamente para o quarto, mas desta vez não trancou a porta, sentou no canto do quarto escuro e ali se manteve, não dormiu. Bob levantou da cama que estava deitado agora e andou até a morena, deitando e adormecendo com um piscar de olhos do lado dela que deu um sorriso choroso e acariciou a cabeça do "filhote" dela.

Desta vez a porta estava aberta, assim que entrou no quarto ele a viu, estava no canto do quarto escuro e Bob dormia ao lado dela que tinha o rosto contra os joelhos, mas ele sabia que ela não dormia. Caminhou lentamente até ela. Sentou ao lado dela e a puxou para um abraços, ela não disse nada, apenas o abraçou novamente. Ele sabia que não era por ter visto ele e Marie que ela estava assim.

–O que aconteceu?-perguntou acariciando os cabelos dela que fez negativo e logo o olhou secando os olhos.-Foi ele?

–Não me trate como uma criança Clint.-disse frustrada.-Eu sei me cuidar.

–Me desculpe, mas eu pensei que...

–Não pense, não fale nada.-encarou o irmão que a olhava com estranheza.-Desculpa, delculpa.-pediu segurando o rosto do mesmo.-Eu preciso te contar.

–Contar o que?

–Como eu o matei, como tudo aconteceu.-suspirou de forma pesada encarando os olhos de Clint.

–Não, não, não precisa, eu não quero saber, não vamos pensar nisso agora.-juntou as mãos no rosto dela e colando a testa dos dois.-Eu não quero saber o mal que ele te fazia, não mais.-sentiu Andressa segurar as mãos dele e curva a cabeça olhando para baixo.-Ei intendo...

–Não, não intende, ninguém consegue.

–Eu consigo, eu consigo entender, Andressa.-disse a abraçando. Ele realmente não queria escutar, não esses pormenores, não agora e talvez nem nunca. Isso era algo que deveria permanecer no passado, enterrado.

–Por favor Clint, me escuta.-pediu o olhando, ele deixou a face de dor transparecer e logo assentiu com a cabeça.-Eu preciso mesmo contar, isso... Eu sempre quis esconder, mas agora eu sei que preciso lhe contar, eu te devo isso.

–Não me deve nada.-passou a mão sobre o rosto dela rapidamente.-Mas se quer contar, se precisa.

Ficou silêncio, Andressa olhava para a porta aberta do quarto. Vendo a luz do sol que invadia os cômodos aos poucos, se perguntava se Marie já estava acordada. Mas gora precisava contar, contar o que tanto a afligia, um dos mais terríveis pesadelos que a atormentava.

–Acho que não preciso relembrar os estupros, o primeiro, você ainda lembra não é mesmo?-ela deu um sorriso triste e olhou para Clint que apenas assentiu com a cabeça.-Bem, foram muitos anos, os piores da minha vida. Só que agora eu começo a duvidar disso, há tanta coisa acontecendo, que... Mas eu não quero falar dos acontecimentos agora. Bem, eu fiz que os estupros pararem durante um tempo, até... Uma vez, com 15 anos, ele ia.-deu uma pausa, ainda podia sentir as mão repugnantes a segurando a apertando, e aquela respiração nojenta e descompassada, o cheiro imundo dele de graxa.-ele já estava abaixando o meu short.-Manteve os olhos fechados com força.-As mãos, ele me tocou Clint, eu ainda estava dolorida, nunca consegui me acostumar, e acho que era isso que me mantinha viva. Ele enfiou os dedos em mim, com força, eu o arranhei e tentei empurra-lo, mas foi em vão.-Clint não queria ouvir aquilo, não queria imaginar, como havia passado noites em claros com a voz dela na cabeça, porem era inevitável não imaginar tal fato, quando ela estava diante dele lhe contando tudo. Quando ela voltou a falar a voz era grave e fria, nem mesmo parecia ela.-Ele parecia perdido demais com a sensação de me estuprar, ele gemia como um animal, falava coisas sujas no meu ouvido. Quando ele pareceu perde os sentidos eu o empurrei, nós estávamos no segundo andar, o empurrei com todas as minhas forças.-ela riu um sorriso doentio que fez Clint se arrepiar.-Ele rolou a escada, eu queria que ele morresse, inventar que aquilo não passava de um acidente seria bem mais fácil do que ter que conviver novamente com os abusos, mas o maldito não morreu, ficou caído no chão, gritando de dor. Ele havia quebrado o braço, só o braço. Chorava como uma menininha, chegava a ser patético "Andressa, me ajude" ele gritava e chorava ao mesmo tempo, mas eu ri e desci o olhando, mas não fiz nada assim que cheguei até ele. Ele perguntou se eu não ia ajuda-lo, e eu disse que não, ele me xingou, mas antes mesmo dele conseguir pronunciar o segundo xingamentos eu lhe chutei a cara, com toda a força que tinha, arrancando na mesma hora um dente dele. Quando mamãe chegou ele estava no hospital, ela foi correndo até ele.-Clint percebeu o tom distante e até mesmo de ressentimento na voz dela.-Ele ficou sem me tocar durante meses.

Ela ouviu o barulho de passos fora do quarto, eram de Marie, ela passou sonolenta pelo corredor e entrou no banheiro, Andressa riu mas logo voltou a olhar para Clint que ainda estava paralisado com as coisas que havia escutado, quanto mais ela falava, mais ele ficava atormentado e se sentindo culpado por ter deixado ela para trás, se sentindo impotente.

–Mas foram rápidos e mesmo assim porque eu me enfiava durante a noite toda no quarto. Quando tudo aconteceu era noite, mamãe havia saído no máximo há duas horas para o serviço, eu tive que descer não aguentava a fome que estava sentindo, não fiz barulhos, pisei nos lugares certos para que a escada não rangesse, havia treinado o dia todo, depois que cheguei da escola. Quando cheguei na sala estava tudo sujo e ele estava lá, dormindo como um porco no sofá velho, mas não pude parar ali, sabia que tinha de ser rápida para que ele não acorda-se, andei até a cozinha e procurei mais rápido por algo para comer, mas não tinha nada nos armários, nenhum biscoito, nenhum enlatado, nada. Abri a geladeira e lá encontrei uma maçã, ela já estava apodrecendo, mas me livrei da parte podre e me sentei no chão para comer a parte que havia sobrado, quando me dei conta já havia comido ela toda, não havia sobrado nada. Me levantei e bebi água, aquilo deveria bastar até que mamãe chegasse com comida, mas já era tarde demais, ele já respirava contra o meu pescoço, depois foram horas e mais horas seguidas de estupro, ele amarrou as minhas mãos e me estuprou, de novo, de novo e de novo, sempre que estava pronto novamente.-Clint tinha os olhos fechados, tentando não imaginar.-ele me espancou e me estuprou me lembro de desmaiar uma vez, quando acordei já estava de manhã, estava jogada no chão da cozinha, minhas roupas estavam rasgadas e o chão tinha meu sangue, eu estava completamente machucada. Tentei me mover mas ele apareceu e me estuprou novamente, eu gritava, doía demais, não queria chorar mas era inevitável. Me vi novamente prestes a desmaiar, quando escutei a voz da mãe, era como "Filha cheguei, desce que eu trouxe comida para você." Ela sabia Clint, sabia o que ele fazia comigo.

–O quê? Está dizendo que ela sabia que ele a estuprava? Não, não mesmo, mamãe seria incapaz de deixar isso acontecer.-Falou nervoso levantando do chão ao lado da irmã, andou de um lado para o outro enquanto ela se mantinha sentada no chão o olhando.

–Uma vez, quando eu tinha 14 anos ele quebrou o meu braço.-ela sentiu os pelos do braço se eriçarem pela lembrança, a dor, ainda podia escutar o osso do braço ser quebrado, ela ainda podia sentir, fora terrível, ainda podia ouvir o riso dele e ver o maldito sorriso que não sumia nunca enquanto a estuprava com o braço quebrado. Ela não conseguia saber qual dor era mais intensa, se era a do estupro ou a do braço quebrado.-Depois de me estuprar ele me levou para o hospital como se nada tivesse acontecido, e disse que se eu contasse algo para alguém ele me mataria e mataria a mamãe. Quando ela chegou no hospital eles haviam acabado de engessar o meu braço, ela perguntou o que eu havia aprontado, eu prometi que não havia feito nada, então ela perguntou como que havia acontecido para eu quebrar o braço.

Ela lembrava ainda claramente o dia, ela estava de cabeça baixa, pensando se contava ou não a mãe o que acontecia, sabia que ele estava lá fora esperando por elas, e por isso tinha medo de revelar a mãe o fato. Mas ela não podia viver mais com aquilo. Ainda podia escutar a mãe "Andressa, filha, me conta o que aconteceu" sentia o toque dela lhe acariciar a cabeça, ela levantou o rosto com o olhar choroso "Por favor minha pequena, me conta o que aconteceu" o nó na garganta só fazia aumentar, ela respirou fundo e sussurrou "Foi ele, foi ele. Ele quebrou o meu braço, ele que fez isso comigo. Ele... ele... me violenta quando a senhora não está em casa" ela podia ver a face da mãe como nunca, o olhar de surpresa e logo depois o sorriso "Andressa, pare de inventar mentiras, não pode falar essas coisas, não pode.

–Ela não queria acreditar, mesmo sabendo que era verdade, para ela estava tudo bem, desde que ela não visse a filha ser estuprada pelo marido.-jogou os cabelos para trás e viu Clint sentar na cama, parecia sem destino, ainda não conseguia digerir a ideia da mãe saber, logo a mãe que sempre amou os filhos, que era espancada pelo pai dele por protege-lo, não podia simplesmente saber de tudo isso e se manter neutra. Não quando se tratava da menina dela, ele sabia mais do que ninguém que a mãe amava Andressa mais que tudo.-Depois que você se foi ela nunca mais foi a mesma.

–Ela não podia saber.

–Ela sabia, sabia de tudo, mas fingia não ver.

–Ai meu Deus, como, como você pode suporta tudo isso?- ele perguntou em pânico, mas no fundo sabia a resposta, que era encontra-lo.

–Quando ela chegou eu estava no chão e ele ainda me estuprava, ela gritou bateu nele e arrancou ele de cima de mim, eu não conseguia ver muita coisa, minha visão estava embaçada, mas eles lutavam violentamente, "seu maldito, o que você estava fazendo com a minha menina?" "você a machucou" "ela é apenas uma menina" ela repetia as palavras enquanto eles lutavam, eu não vi muita coisa, só senti depois de alguns minutos ela me abraçando e dizendo que ia ficar tudo bem, que ele não ia mais me fazer mal algum, me pediu perdão inúmeras vezes, eu podia sentir as lágrimas dela caindo sobre mim, mas quando eu achei que estava tudo bem ele apareceu novamente, a agarrou e começou a espanca-la, ela nem mesmo teve tempo de reagir. Eu vi assim que ele deu a primeira facada nela, eu gritei e implorei para que ele parasse, mas ele não parou, continuou até ela não respirar mais, esfaqueou ela com aquele maldito sorriso na boca. Quando ele acabou olhou para mim, eu estava paralisada sem conseguir raciocinar, o chão estava repleto de sangue e ela, ela estava horrível, ainda posso sentir o cheiro do sangue vivo, ainda posso Clint.-deixo algumas lágrimas escapar dos olhos.-Ele ficou lá olhando para ela morta no chão, assim como eu, depois virou para mim e começou a gritar, que eu que o tinha feito fazer aquilo, eu não disse nada não conseguia. Quando eu percebi ele já estava em cima de mim, me batendo, me espancando como nunca antes, me jogando contra as paredes no chão, eu não conseguia ver nada direito. depois tudo parou, eu não tinha mais controle sobre mim, eu só escutei os gritos dele e vultos.

Era como um terrível pesadelo, a única coisa que ela via era sangue, sangue vivo com aquele cheiro de ferrugem que a enjoava, o aspecto do sangue mais que nojento.

–Quando eu voltei a enxergar nítido novamente já era tarde, ele já estava no chão, morto, não respirava mais, os olhos estavam abertos e arregalados, eram acusadores e me fitavam a todo momento, eu ainda tinha a faca nas mãos. A larguei e vomitei, não conseguia parar, o cheiro era forte demais. Quando consegui me acalmar um pouco fiquei sentada na sala paralisada, agora não havia mais gritos, nem os barulhos de socos, só o silêncio, o maldito silêncio que berrava em minha cabeça, berrava que eu era assassina, e que tudo que havia acontecido era por minha culpa.

–Não, isso não foi por sua culpa.-Clint abaixou até ela a abraçando.-Chega.

–Não.-ela sentiu como se a garganta fosse rasgada, mas tinha que continuar, faltava tão pouco, ela precisava se livrar de tudo.-Não, Clint, eu preciso. Eu estava sentada quando vi ele entrar na casa, era Kevin, eu não menti quando disse que nós estávamos namorando, ele havia me pedido no dia anterior, ele era doce e cuidou de tudo. A ultima lembrança que tenho da nossa casa é dela pegando fogo.

–Kevin fez isso?-ela assentiu, lembrava do mesmo dizendo que tudo ia ficar bem, a acolhendo nos braços e a levando embora para um novo recomeço, que depois de meses se tornou apenas mais um pesadelo.

–Fez, ele sempre foi um espião. Mantinha a família apenas como fachada, mas eu realmente achava que Rachel era irmã de sangue dele.

–O que ele fez com você?

–O mesmo que seu pai fazia, me estuprava e me espancava. Eu era obrigada a me manter quieta, mas depois de alguns anos tomei coragem para recomeçar e fugi. Tinha apenas 19 anos quando fui para o Brasil, lá conheci Marie, ela me disse o que fazia, fiz o mesmo durante algum tempo, mas depois fui novamente para o ramo de espionagem.-riu para o irmão.-Encontrei uma pequena empresa e me mantive lá, quando eu estava numa missão em Paris eu vi você na TV, eu fiquei radiante tanto que a primeira coisa que eu fiz foi pegar o primeiro Voo para NY, liguei do caminho para Marie e disse que tinha te encontrado, ela ficou feliz e me apoiou na ideia maluca, fiquei durante 2 semanas recolhendo dados sobre você, e depois finalmente fui até a Shield, e bem o resto da história você já sabe.-eles se olharam Clint ainda parecia horrorizado com tudo o que a irmã já havia passado, mas ao mesmo tempo orgulhoso por ver o quanto ela era forte.

–Eu te amo.-foi a única coisa que ele conseguiu dizer, a abraçou apertado e inspirou o cheiro dela.-Você sempre foi mais forte do que eu, estou muito orgulhoso mana.-disse sorrindo com lágrimas nos olhos.

–Isso eu tenho que concorda, sempre fui mais forte.-falou sorrindo e levantando estendendo a mão para o mesmo que a segurou e levantou, caminhou junto a ela para a sala aonde encontraram Marie sentada no sofá.-Estou com fome.-se tacou no sofá abraçando a mesma que riu.-Quero Café.-gritou olhando para Clint que assentiu.

Era bom ver que ela deixava tudo aquilo de lado tão facilmente. Mas difícil ver também que qualquer lembrança a destruía.

–Bem, eu comprei o apartamento, tenho que acertar os últimos documentos hoje, assim que eu sair do cartório podemos ir lá, o que acha?-Marie perguntou e viu os olhos de Andressa brilhar.

–Ai meu Deus, ele é bonito?

–Lindo, tem 4 quartos e lareira em todos eles.À, dois deles tem Closet, são perfeitos.

–É bem legal mesmo, bem, ainda acho que poderiam ficar no meu, mesmo ele sendo pequeno.-Clint disse andando para a cozinha e sendo seguido pelas duas que sentaram na banqueta.-O que as duas querem?-perguntou com um olhar desconfiado.

–Café da manhã.-reponderam em uníssono.

–Duas agora contra mim? Não vale.-falou e elas riram mais ainda olhando uma para a outra, ouviram a campainha tocar.

–Deixa, eu atendo. A e antes que eu me esqueça, Nick quer falar com você, creio que seja algo como agente secreta-Andressa falou para Marie e correu até a porta, o sorriso que tinha nos lábios, ficou maior assim que viu Thor.-Deus.-pulou nos braços do mesmo que a segurou sorrindo.

–Pensei que precisasse de mim, mas vejo que está ótima.-falou a olhando, ela o encarou durante alguns segundos.

–Você realmente sente não é? Quando tem algo errado comigo?-ele assentiu e a fez rir.-Mas agora já passou.

–Tem certeza?

–Tenho, você está aqui.-segurou nas mãos dele e o abraçou novamente.-Vamos sair?-ele aceitou.-Me espera, vou trocar de roupa rapidamente.

Eles saíram sem Clint e Marie perceber, levaram Bob junto, o dia estava frio, eles caminhavam em silêncio, as pessoas não paravam, caminhavam de um lado para o outro apressadas e estressadas, não satisfeitas com as vidas que levavam, ocupadas demais com seus afazeres deixando as coisas mais simples escapar pelas mãos, sem mesmo se darem conta. Eles foram para um park, estava vazio, nada de crianças nada de pessoas. Sentaram na grama bem verde e cuidada, em baixo de uma arvore ela deitou a cabeça no ombro de Thor que passou o braço pelos ombros dela. Bob deitou na grama e ficou se esfregando nela.

–Eu conversei com Clint.-fez uma pausa, olhando Bob e dando um pequeno sorriso.-Finalmente consegui falar tudo.

–Como se sente?

–Dessa vez eu me sinto realmente bem, leve sabe? No começo eu pensei que não iria conseguir, foi difícil demais falar, mas quando eu dei por mim já tinha posto tudo para fora, Clint ainda está meio aéreo com tudo isso, mas sei que ele vai se acostumar com tudo, afinal, não há escolhas.

Sentiu a mão do Deus lhe acariciando o braço, e sentiu um breve arrepio.

–Estou tendo mais uma chance de recomeçar novamente, e eu quero que dessa vez dê certo.-juntou a mão na dele e entrelaçou o dedo dos dois.-Obrigado por se importar Thor.

–Não agradeça. Ficar perto de você me faz bem.-falou e viu os olhos verdes dela o fitando, expressava algum sentimento, era como... amor. Ela respirou fundo assim que sentiu que podia chorar, Thor era bom demais com ela.

–Gosto de te fazer bem, pois é o mesmo que faz comigo.-passou as mãos sobre o rosto dele, ele a olhou nos olhos a medida que aproximava o rosto.-Você fica sumindo, por quê? Não te vejo faz algumas semanas.-perguntou e viu ele recuar o rosto e dá um pequeno sorriso sem graça, mas logo ficar sério, os lindos olhos azuis dele escureceram com ressentimento, ela pode perceber.

–Problemas em Asgard. Loki, sabe?-Ela riu assim que percebeu o quanto ele estava falando humanamente.-Ele nos ajudou contra os Elfos negros e Odin prometeu que diminuiria a sentença dele. Esta, que está prestes a acabar.-olhando em frente .- Não confio mais em meu irmão, Andressa.-declarou.- Não depois do que ele fez, depois que tentou dominar a terra.-fechou os olhos e suspirou.-Pensei mesmo que não iriamos conseguir, mas no final das contas conseguimos.-se referiu a batalha em NY e aos amigos vingadores.-Mas agora parece que tudo vai por água abaixo novamente, parece que no fim os nossos esforços não vão valer de nada.

Eles ficaram calados, Andressa escutou tudo atentamente, sentiram uma brisa lhe tocarem a pele. Ele sentiu o cheiro doce que ela exalava, sentiu quando ela apertou a mão dele como que se tentasse reconforta-lo, logo o olhou, com aqueles olhos verdes grandes e lindos.

–Isso não vai acontecer, Thor, não novamente.-deu um pequeno sorriso e deitou novamente a cabeça no ombro do deus que riu pequeno.-Vamos caminhar.-disse dando um pulo, quando ele percebeu ela já estava de pé. Pegou na mão que ela lhe estendia e levantou, ela e puxou para perto e andaram abraçados.

...

Os gritos podiam ser ouvidos por todo o andar, insultas e acusações eram lançadas de um lado para o outro dentro do quarto, nem mesmo o choro do bebê recém-nascido era capaz de calados. Tony ouviu calado por bastante tempo as reclamações de Pepper, ele realmente não queria brigar, nem discutir, mas agora era só olhar para eles e ver que ele fracassara mais uma vez. Ele havia chegado á menos de duas horas. Essa era apenas mais uma das vezes que ele passava fora, ainda lembrava do dia em que acordou com o celular tocando, do outro lado da linha era o amigo Rhodes, avisando a ele que Pepper havia entrado em trabalho de parto. Não se lembrava como, mas chegou ao hospital a tempo de ver o filho nascer. E esse ainda era o único motivo para está ao lado de Pepper. Howard.

–Você me culpa, me culpa por estar sem ela, sabe o quanto é doloroso para mim? Sabe...

–CHEGA.-berrou com a mulher que abraçou o corpo e logo esfregou o nariz vermelho por tanto chorar.-Eu não aguento mais escutar a sua voz.-sabia que estava sendo insensível, mas essa realmente era a verdade.

–Como isso pode está acontecendo com a gente? Como deixamos chegar a tal ponto?

–Eu...- se calou ao se dar conta do choro do bebê, caminhou até o berço e pegou o pequeno nos braços, o acalmando, acariciou a cabeça do filho, ajeitou os fios negros e não pode deixar de dá um sorriso assim que viu os olhos dele o fitando com estranheza. Caminhando para fora do quarto viu Pepper se sentar na cama bagunçada e acolher a cabeça com as mãos.

–Você vai fazer isso? Virar as costas como sempre faz?-olhou para ele com os olhos escorrendo. Eles não pareciam nada com o que um dia foram.

–O que quer que eu faça? O que quer que eu diga?-perguntou baixo segurando o filho contra o corpo que agora se mantinha quieto, mas mesmo assim estava acordado, olhando o quarto com atenção.

–Quero que intenda que isso tudo não é apenas por minha culpa.

–Eu nunca disse isso.

Se retirou do quarto e foi para a sala, ainda com o bebê no colo.

E ele sabia realmente que as coisas não eram apenas por culpa dela, pois ele, principalmente, havia errado errado feio com Andressa, mas de uma coisa ele não se arrependia nem um pouco, e essa coisa estava no colo dele, quase dormindo. O filho, pelo menos em meio a isso tudo algo de bom viria a acontecer. Falou para si mesmo enquanto ninava o pequeno. Ele se parecia tanto com ele, poucas coisas havia puxado da mãe, tão poucos que nem mesmo era possível de se notar sem que prestasse atenção, mas ele pedia todos os dias que pelo menos a personalidade fosse da mãe, e que de forma alguma o filho fosse igual a ele.

Ele nem mesmo percebeu quando ela entrou na sala, abraçava o corpo como se tivesse frio, parou a uns cinco metros e o observou com o filho nos braços. O viu dá um sorriso bobo, bem, aquele não era o primeiro, mas toda vez que ele o fazia, parecia como uma incrível novidade.

–Tony.-murmurou o nome dele, de modo abafado e cheio de dor.

–Pepper,eu não quero mais brigas.-falou virando para ela e a viu assentir.

–Nem eu, nem eu.-repetiu as palavras como um pedido para que ele intendesse de uma vez por todas. Ela nunca quis brigas, a verdade era que ela sempre as tentava evitar, mas uma vez que ela viu que só era daquela forma que Tony a levava a sério, era a unica maneira que tinha de se impor. Caminhou até ele e viu o filho dormi tranquilo nos braços do pai, Howard nunca se acalmava com ela daquela forma, e naquele momento ela percebeu que precisava de Tony mais do que nunca, porque Howard precisava dele.

–Odeio ter de brigar com você.-passou o braço que tinha livre sobre os ombros dela e a puxou para mas perto a abraçando e lhe dando um beijo na cabeça.

...

–Era Marie. Ela me avisou de que daqui a meia hora me espera no novo apartamento.-falou enquanto andava em cima de um muro, Thor segurava a mão dela com firmeza e Bob vinha atrás dos dois que riam. Ela guardou o celular novamente dentro do bolso do casaco que vestia e continuou a andar pelo muro, naquela parte do parque começava a ter mais movimentação, algumas crianças corriam de um lado para o outro enquanto outras se mantinham sentadas ao lado de seus pais ou responsáveis com medo de levar bronca, nem mesmo se dando conta de que ali era o lugar feito para que brincassem.

–Não sabia que não iria mais morar no apartamento de Clint.-Thor falou ainda com a mão junto na dela que a apertou e gargalhou assim que se desequilibrou, mas que logo voltou a se equilibrar.

–Bem, eu diria que saberia se não tivesse sumido, mas como as coisas não estão... Fáceis em Asgard, não posso lhe cobrar isso. Não quando eu vejo que está preocupado.-virou de frente para ele, que a segurou pela cintura e a ajudou a descer. Ele a soltou lentamente mantendo os olhos nos dela e os corpos próximos demais para que ambos sentissem o calor um do outo irradiar, a excitação do momento, era mais que óbvio que não era apenas amizade, de ambas as partes.-Você vai comigo?

–Não posso.-olhou para o céu nublado e fechou os olhos rapidamente, mas logo voltou a atenção para ela.-Tenho que ir para Asgard.

–Que pena, queria que conhece-se minha nova casa.-fez uma pausa olhando além dos ombros de Thor, aonde viu uma menina sentada em baixo da arvore, em que ela e Thor estavam a minutos atrás, lendo um livro.-Bem, meu apartamento e de Marie.-riu para ele.-Então nada de ajuda com a arrumação?

–Claro que sim, é só me chamar, pensar em mim, como faz.

–Não pensei em você hoje.-cruzou os braços.-Bem, não conscientemente.-os dois riram e ela sentiu o coração acelerar assim que ele aproximou mais e lhe deu um beijo na testa. Ele deu um passo para trás se preparando para sumir, mas ele não podia ir simplesmente embora, não daquela forma, um beijo na testa não bastaria apenas.

Sem dá tempo dela raciocinar ele a agarrou e lhe cobriu a boca, aquele beijo com certeza não era como os outros, mas parecia ainda melhor, e senti-la tão vulnerável e até mesmo perdida era sem dúvidas a melhor parte. Thor deu um pequeno sorriso assim que sentiu as mãos dela subir pelos braços e o corpo vacilar com uma pequena tremedeira da excitação que se alastrava pelo corpo.

–Você... Você...-tentou reformular uma pergunta ainda com a testa grudada na dele, mas não conseguiu. Deixou um pequeno sorriso e o viu se distanciar um passo.-Vou pensar em você para a arrumação.-falou ainda perdida, quando se deu conta ele já havia sumido.-Meu Deus.-disse se sentindo agitada. Esperou se segurando no muro, ainda tinha as pernas tremulas e o coração acelerado.-Vamos Bob.-ainda estava sem folego, mas começou a andar até o meio fio, fez sinal aonde um táxi parou e ela foi junto a Bob para o novo apartamento.