So Cold
14 Assassinatos // Culpa
Notas iniciais
Leiam as notas finais :p
E comentem xDD
Como sempre,
Kiss ♥
Anteriormente em So Cold:
-Paixão? — perguntei e sorri.
-Não. Estou a falar de ligação, querida. Destino... — sussurrou ele e soltou-me.
Eu caminhei até à porta e espreitei antes de fecha-la.
-Descanse Gerard, não vá a morte chegar mais cedo! — exclamei.
Caminhei até o carro e entrei na parte detrás.
Tal como antes, nenhuma palavra foi trocada. E percebi que sou eu que não me devo meter, sou eu que estou a mais.
Eu quero que ela , a Allison, seja feliz, que ambos sejam. E como eles comigo não conseguem, então eu não quero ficar no caminho.É claro que vai custar afastar-me do meu melhor amigo.
E vai doer. Mas vou ter de aprender a aguentar.
Atualmente em So Cold:
-Então, até amanhã. — despediu-se Allison e arrancou o carro.
Chegamos rapidamente a casa, e dirigimo-nos para a cozinha, a tempo de jantar em familia.
-Onde andaram meninas? — perguntou a mãe, curiosa.
-Por aí. — respondeu Allison.
-Durante toda a tarde? — perguntou o pai, desconfiado.
-Sim, resolvemos comer um gelado. — respondi sorridente.
O jantar passou rápido e fomos para os nossos quartos sem trocar uma palavra entre irmãs.
Eu sei que estamos bem, mas acho... que preciso ter a certeza.
O meu telemóvel começou a tocar em cima da secretaria, então levantei-me lentamente da cama e peguei-o , lendo Lydia e atendi.
-Alô? — saudei.
-Ah... Alexia, temos um problema. — explicou.
-Que tipo de problema? — perguntei, preocupada.
-Um daqueles em que provavelmente há gente morta. — respondeu assustada.
Eu engoli em seco e ela disse-me onde estava. Chamei a Allison e disse-mos aos nossos pais que íamos ter com a Lydia o que não era de todo mentira...
Chegamos ao sitio que Lydia disse e saímos rapidamente do carro , caminhando até ela, que estava com cara de assustada.
-Lydia. — sussurrei no ouvido dela, enquanto a abraçava com força.
-Que se passa? — perguntou Allison, alarmada. Eu larguei Lydia e ela explicou:
-Não sei, foi como na piscina. Só sai para ir a um sitio e aqui estou eu. — eu e Allison olhamo-nos.
-Já ligas-te para o Stiles? — perguntei e ela assentiu.
Elas ficaram as duas ali e eu dirigi-me para o carro , sentando-me no capô. O que vem a tornar-se um habito. Observei o carro de Stiles e a mota de Scott. Desceram dos respetivos veículos e Stiles caminhou até mim.
-Onde ela está? — perguntou.
-Ali. — respondi e apontei. Caminhamos até ela.
-Lydia? — chamou Stiles.
-Igual ao que houve na piscina. — respondeu ela — E disseste para chamar-te se encontrasse algum corpo.
-E encontras-te? — perguntou Sty , alarmado.
-Ainda não. — respondeu ela e baixou a cabeça.
-Ainda não? Como assim? — perguntou ele, alterado.
-Calma... — sussurrei, posicionando-me ao lado de Lydia.
-Devias ligar depois de encontrares. — explicou ele.
-Não vou passar por isso outra vez.- explicou ela e eu sorri , quase como se tivesse piada — Vocês encontram-no a partir de agora!
-Como vamos fazer isso? — perguntou Scott.
Eu reparei em algo, e caminhei em sua direção, devagar... E depois percebi o que era.
-Pessoal! — chamei, fazendo todos se calarem- Eu encontrei!
Ligamos para o pai de Stiles que veio junto com a policia e disse que falávamos mais tarde.
Então fomos para casa, respetivamente. Eu e Scott não falamos uma única vez, assim como eu e Allison... quer dizer nós falamos sobre os sacrifícios. Nada mau!
Assim que me deitei na cama, adormeci. O peso na consciência pelo numero de mortes, pelas pessoas à minha volta, era demasiado grande para aguentar acordada.
~dia seguinte, quarta-feira~
Acordei com o barulho do despertador e abri os olhos sonolentos e desliguei o aparelho barulhento.
Lembrei-me do corpo de ontem e dos do dia anterior ... Senti sentarem-se na minha cama.
-Soube do recital de hoje à noite. Em homenagem às perdas da escola. — comentou o meu pai.
Eu continuei a ignorar, virada para o lado oposto.
-Foram assassinados, pai. Não perdas. — corrigi triste.
-Mas os vossos amigos estarão lá, certo? — perguntou ele.
-Eu acho que sim. — respondi.
-Queres que vos leve? — perguntou o meu pai.
-Não acho que esteja bem para ir. — respondi , com os olhos marejados.
-Entendi , tudo bem. A Allison vai. — avisou ele, atencioso.
Ele foi em direção à porta e parou antes de sair, olhando-me com ar preocupado.
-Leva o tempo que for preciso, Alexia. A escola pode esperar. — disse ele e a minha mãe apareceu atrás dele.
-E filha... — disse a minha mãe, eu olhei-a — Nada disto é tua culpa!
O meu pai assentiu e puxou a minha mãe pela cintura e fechou a porta.
Eu finalmente ganhei coragem e preparei-me para descer.
-Sempre decidiste ir, Alexia? — perguntou a minha mãe e eu olhei-a.
-Sim...mãe. — respondi baixo e o meu pai interveio:
-Meninas eu sei que as coisas estão a ir muito mal, mas têm o apoio dos vossos amigos , certo? — eu baixei a cabeça, ao lembrar-me do que tinha decidido na outra noite: afastar-me do Scott.
-Claro que sim, pai. — respondeu a Allison e a minha mãe exclamou:
-Então... apoiem-se nesta altura difícil.... — e eu levantei-me, peguei na minha mala e sai — Alexia!
Pov. Allison
-Que se passa com a tua irmã, Allison? — pergunto o pai, preocupado.
-Não sei, pai. Não ando sempre com ela. — respondi seca.
Não sei o que se está a passar comigo, mas sei que não tenho sido correta com a Alexia. O Scott tinha razão: ela não tem culpa.
-Filha... — repreendeu a minha mãe.
-Eu sei. Desculpem . — respondi triste.
-Tudo bem. — afirmaram eles.
Pov. Alexia
Ouvi um barulho de motor e olhei, era a Allison, que caminhou até mim. Abraçou-me com força , como um pedido de desculpas mudo, e sorrimos.
Seguimos para a escola e avistamos o Scott e o Stiles. Eu engoli em seco e fomos até lá.
-Ei! — exclamou Allison baixo e eles retribuíram.
-Que se passa ali? — perguntei, apontando para o pai de Stiles que falava com outras pessoas.
-Estão a falar sobre o corpo, tenho a certeza. — respondeu Stiles, a observa-los como se não quisesse ser visto, assim como nós observávamos.
O pai de Stiles veio na nossa direção e nós viramos as costas, tendo a ideia de fugir.
-Parados! — mandou o pai dele. E nós os quatro viramo-nos lentamente, olhando-o com cara de inocente.
-Sei o que estão a pensar. — disse ele e olhou especialmente para Stiles — Principalmente tu! Sei que tens essas ideias sobre padrões e pessoas a morrer nas arvores...
-Pai, assassinadas certo? Sacrificadas, na verdade. — explicou Sty.
-Agora metade do estado, inclusive o FBI, cuidarão disso meninos! — avisou ele é nós arregalamos os olhos — Ele não se vão safar depois de matarem um oficial.
-Pai, mataram a Tara. Quantas vezes ela me ajudou... ? — perguntou Stiles e eu dei-lhe a mão, passando força.
-Só vão para a aula, está bem? — perguntou pai de Stiles e virou as costas, voltando para perto dos outros.
Stiles olhou para as nossas mãos e sorriu em agradecimento. Eu aproximei-me e passei os braços ao redor do seu pescoço e ele fez o mesmo na minha cintura.
-Obrigada, Lexi. — sussurrou ele. Nós separamo-nos.
-De nada. — sussurrei de volta.
Eu olhei para o lado e já não vi nem o Scott, nem a Allison. Baixei a cabeça, involuntariamente.
-E tu, como estás? — perguntou ele e eu olhei-o.
-Não é fácil saber que chegamos sempre tarde demais. — respondi.
-É horrível, não podermos fazer nada para parar as mortes! — exclamou Stiles, concordando.
O sinal tocou e seguimos para as aulas.
As primeiras horas passaram, relativamente, depressa. Não me cruzei nem com a Allison, a Lydia ou o Scott. Acho que quanto menos vezes nos virmos, menor é dor. Porque vemos diferentes tipos de dor na cara de um de nós, e isso faz-nos sentir pior, faz-nos sentir impotentes, inúteis. Eu sei e sinto isso todas as vezes que olho para a cara do Stiles.
-Então e tens falado com o Isaac? -perguntou ele, enquanto enchia mais uma vez o garfo.
-Não... — sussurrei ao lembrar-me do que nós "tinhamos", fosse o que fosse, eu gostava.
-Ele e a Allison estão próximos pelo que sei. — comentou ele. Então entendi o que ele queria dizer.
-Stiles! — exclamei como aviso — Eu e o Isaac somos SÓ amigos e a Allison é livre o quanto quiser para se relacionar com alguém.
-Como queiras. — sussurrou Stiles.
-Então e tu e a Lydia? — perguntei distraidamente e inocentemente.
-Eu e a Lydia!? — perguntou ele nervoso e eu ri.
-Sty só ela é que não vê que és completamente apaixonado por ela! — exclamei obviamente e ele riu, assim como eu.
O silêncio instalou-se e levantamo-nos da mesa, sincronizados. Fomos para a aula da Sr. Blake, onde tinhamos aulas todos juntos.
-Expressões idiomáticas, analogias, metáforas e símiles: ferramentas utilizadas por escritores, nas historias. — explicava ela, enquanto andava por entre as mesas, mas parou na secretaria da Lydia, ao meu lado — Lydia, não sabia que tinhas tantos talentos escondidos.
-Nem você , nem os rapazes com quem já namorei. — respondeu ela , enquanto continuava a desenhar.
-Bem, a propósito, foi uma expressão. — corrigiu a professora. Então voltou a andar.
-Lydia, que estás a desenhar? — perguntei espantada pelo lindo desenho.
-Uma arvore, acho. — respondeu e eu voltei a tomar atenção.
-Expressões são como segredos para as pessoas que conhecem a língua ou a cultura. — voltou a Sr. Blake a explicar. E olhou para mim, Scott e Stiles com um olhar significativo -Há frases que só fazem sentido, se conhecerem as palavras-chaves. Falar "queimar a largada", só faz sentido se souberem do tiro que dão no inicio de uma corrida. Ou frases como "ver todo o tabuleiro".
-Como xadrez! — exclamou Stiles .
-Isso mesmo, Stiles! — exclamou a professora de volta. E eu sei que há algo nela que não bate certo, ela é estranha... A energia, talvez? — Jogas?
-Não, o meu pai joga. — respondeu ele.
Ela assentiu e voltou a falar, mas eu já não tomei mais atenção... Algo está mal... eu consigo sentir.
Não tive muito mais tempo para pensar, porque acabou por tocar.
Saímos rapidamente e eu dirigi-me ao meu cacifo.
-Se o Deucalion pedisse tu o matavas? — perguntou o Aiden ao Ethan, que estavam ao meu lado. Eu engoli em seco e voltei a olhar para dentro do cacifo.
-Se Deucalion pedisse-te, matavas-me? — perguntou de volta Ethan.
-Para de falar com o Danny! — exclamou Aiden como ameaça — O vou arrancar a carne da cara dele... — e saiu do pé de Ethan. Eu aproximei-me.
-Ethan. — chamei e ele olhou.
-Que queres guardiã? Sempre te vais juntar ao nosso bando? Deucalion está ansioso e tem grandes planos. — contou Ethan e eu baixei a cabeça.
-Eu só estava a ... — virei as costas — Esquece. — e voltei a andar, sem entender o que me tinha dado. Acho que tive pena dele.
Fiquei sem direção, apenas a caminhar pela escola. A pensar e de repente a única pessoa que me veio à cabeça foi o Scott. Sinto que algo está a acontecer entre nós, mas está nos afastando, não nos aproximando. E isso me assusta. Eu entendo a lógica. As minhas muralhas estão a erguer-se de novo. Mas isso assusta-me mais do que qualquer coisa que já vivi.
Os meus pensamentos foram interrompidos por barulhos que vinham de dentro dos balneários. Eu entrei e vi a Cora a arranhar o Aiden, e a Lydia olhou-me alarmada.
-Para, Cora! Algo vai correr mal! — exclamei e tentei puxa-la, mas ela empurrou-me e bati contra a grades de divisão. A Lydia veio ajudar-me.
-Estás bem?- perguntou ela e eu assenti.
-Eles vão se matar! — gritei — Parem!
Aiden começou a apertar o pescoço de Cora e o seus olhos ficaram vermelhos. Eu temi, verdade. Mas aproximei-me, mas ele lançou-a contra os lavatórios. Eu corri até ela , para ajuda-la.
-Cora... para. Isto não se vai resolver assim. — sussurrei enquanto Aiden continuava a avançar — Por favor...
-Eles mataram o Boyd e... a Erica, Alexia! — exclamou ela acusatória.
-Eu sei, mas há outras formas. — respondi e vi Aiden a pegar num peso, levantei-me do chão — Aiden, para! Para!
Ele ignorou e eu coloquei-me na frente, mas ele continuou a avançar mais. Quando ficou perto o suficiente, a Cora levantou-se.
-SAI! gritou ele.
-Não! — gritei de volta, determinada — Matar não é opção, Aiden!
-AINDA NÃO ÉS A MINHA GUARDIÃ! — gritou novamente e eu dei um passo para trás. Cor, agarrou no meu braço e tirou-me da frente.
Então ele acertou-lhe com aquilo e ela caiu no chão. Lydia correu até ela e ficou de ajuda-la, eu coloquei-me novamente na frente dele.
-Para! — exclamou Lydia.
-NÃO DIGO OUTRA VEZ! SAAAAAIIII! — gritou ele com toda a força.
Eu não me movi. Eu iria protege-la, custe o que custar. Ele levantou o peso no ar e eu fechei os olhos esperando o impacto, mas ele não chegou. Abri os olhos e suspirei aliviada. O Ethan e o Scott seguravam as mãos deles, então o peso caiu no chão.
-Não podes fazer isto! — exclamou o irmão.
-Ela veio para cima de mim e esta estava armada em guardiã! — gritou Aiden.
-Não importa! — corrigiu o Ethan — Kali deu ao Derek até à próxima Lua Cheia. Não podes tocar na nela ou a Alexia. — ele acalmou-se e saiu do balneário junto com o irmão.
Eu fui ajudar a Cora a levantar-se, com o Stiles e a Lydia. Mas não conseguimos.
-Acho que ela está mesmo ferida! — exclamei, preocupada, mas conseguimos levanta-la e ela começou a limpar a ferida — Deixa, eu ajudo!
E ajudei a limpar a ferida.
-Estás bem? -perguntou Stiles preocupado.
-Vou-me curar.- respondeu ela, que quando ía a andar quase caiu mas o Stiles amparou-a — Eu disse que estou bem!
-Sabes que jogada suicida foi aquela? — perguntou Stiles.
-Sim, o que estavas apensar ao ir atrás dele? — perguntou Scott, completando Stiles.
-Fiz pelo Boyd! Todos vocês estão a fazer nada. — acusou ela e eu baixei a cabeça.
-Estamos a tentar. — corrigiu Scott.
-Estão a falhar. — disse ela — São apenas um bando de adolescentes idiotas. Que andam por aí a pensar que conseguem impedir alguém de ser assassinado.
-Cora... — avisou Stiles.
-Mas vocês só chegam tarde demais. — acusou ela e eu senti os meus olhos marejados — O que realmente fazem é... encontrar os corpos. — virou-nos costas, mas olhou-me por cima do ombro — Impediste-me de mata-lo. De honrar o Boyd, só porque não fizeste o mesmo com a Erica.
Scott, Stiles e Lydia olharam-me com expressões aflitas. Como se estivessem preparados para que eu caísse a qualquer altura. Lydia colocou os braços ao redor do meu pescoço e eu entrelacei os meus na sua cintura.
-Que tal... uma tarde de meninas? — perguntou ela.
A minha melhor amiga estava morta e ninguém compreendia que nem toda maquiagem, ar fresco e compras do mundo preencheriam o vazio em meu coração, ou a inutilidade com que me sentia. O medo do que Cora tivesse dito fosse certo ... Mas afinal... Matar nunca foi uma opção, pois não? ... Ou foi?
-Ela é mesmo uma Hale! — exclamou Sty — Vou acompanha-la. — beijou a minha testa e saiu do balneário.
-Obrigada Lydia. Mas eu fico bem. — respondi e sai do balneário.
Fui diretamente para casa, deitei-me na minha cama e deixei , finalmente,uma lagrima descer no mesmo momento em que Allison entrou no meu quarto.
-Alexia, que se passou? — perguntou ela, e sentou-se ao meu lado.
-Não foi nada. Deu saudade, só isso. De repente, me deu tanta saudade. — respondi e olhei-a.
-De quem? — perguntou compreensiva.
-Dos meus pais. Da Erica. Do Boyd. De todos Allison. — respondi, enquanto mais lagrimas rolavam. — Será que ninguém vê que todos ao nosso redor estão a cair como peças de domino, Allison?
E ela abraçou-me com força, como só uma irmã me poderia abraçar.
E porque apesar de tudo o que se está a passar entre nós, ela continua aqui.
Não sou forte o tempo inteiro e não gosto de admitir isso, então só espero que não se espalhe. Eu sou fraca, às vezes. Muitas vezes.
E então eu chorei, sentindo o frio dentro de mim se alastrar, naquele quarto, chorei de dor, de raiva e de medo, chorei com a segurança de saber que ninguém ia entrar e me ver sem ser Allison, que ninguém ia gozar comigo por eu estar chorando, do jeito que gozavam de qualquer garoto na minha escola que fosse idiota o suficiente para se render às lágrimas.
Notas finais
Que estão a achar do triangulo amoroso? Ou do quadradro amoroso? ahahahah ;)
Comenteeeeem :p
Como sempre,
Kiss ♥
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