So Close
1 So far we are so close.
Notas iniciais
A porta se abriu pouco a pouco. Um garoto entrava suspirando cansado.
Tsuna sentia sua cabeça latejar e a ideia de deitar na enorme cama de casal no meio do quarto era tentadora demais. Não conseguindo impedir, se jogou sobre a extensão macia.
Estava, definitivamente, exausto. Ainda podia escutar o som de vozes no andar de baixo. Não sabia se era porque o futuro décimo Vongola sumiu por entre os convidados, ou outra coisa.
Não suportava mais ficar entre tantas pessoas. Todos o observavam. Cada mínimo detalhe, cada palavra. Era desconcertante e constrangedor.
Tentava aceitar a ideia de ser o sucessor. Entrar na máfia, em um lugar onde não estava incluído nos seus planos de ‘o que farei quando crescer’, mas passar por tudo aquilo já era exageradamente demais. Porque fazer aquela pomposa festa? Só uma pequena reunião com seus amigos em sua própria casa já era o suficiente, não precisava convidar pessoas que não conhecia e tinha medo de conhecer.
Ainda havia Reborn que o obrigará a ficar andando por todo o salão, recendo os comprimentos.
Era horrível em conversar com quem não conhecia e seu professor particular sabia muito bem disso. Só de lembrar o sorriso divertido do mesmo o fez se revirar incomodado na cama.
Por um momento parou de bagunçar os lençóis e fechou os olhos. O pequeno segundo que se passou fora o suficiente para esquecer de tudo. De festa, mafiosos, um bebê que adora bater e todo o resto. Sua mente estava em completo branco. Porém esse pequeno momento se foi, assim como a paz em sua cabeça.
Um olhar bicolor. Um sorriso irônico. Uma verdade por detrás da mentira. A ilusão.
Ele penetrou em seus pensamentos com força. A voz aveludada. O riso debochado. Até seu cheiro inebriante levou a consciência do garoto quase se esvair.
Suas bochechas logo foram contornadas pela cor rubra. Tinha de parar de pensar naquilo. Não podia se deixar levar por alguém que não sabia se estava ao lado deles ou não.
Mas então porque tinha ímpetos de vê-lo quase desesperadamente?
Suspirou novamente. Se Reborn descobrisse o que passava em sua cabeça confusa – se já não havia feito – não teria coragem de olhar em sua cara. No final, ainda era um garoto, tendo uma estranha obsessão ao homem que tanto o queria para algo terrível.
E fazia semanas que essas ideias o atormentava. Não aguentava mais...
— Oya oya. – Aquela voz. – Porque o décimo está aqui, sozinho, nesse quarto ao invés de estar ao lado dos seus preciosos amigos?
Seus olhos instantaneamente abriram ao sentir sua presença. Correram rápidos por todo o local, procurando a origem daquelas palavras e qual foi sua surpresa em ter um olho vermelho e outro azul, lhe fitando debochados?
O que ele estava fazendo ali?
— R-Rokudo Mukuro? – Tsuna no mesmo instante se levantou apressado.
Seu rosto, já tendo a cor vermelha por motivos que não ousava relembrar, ficou mais intenso. O viu se aproximar felinamente. Cada passo de cada vez, deixando o mesmo sorriso de sempre dançar em seus tentadores lábios.
Balançou negativamente a cabeça. Ainda continuava a pensar em coisas estranhas? Definitivamente precisava ir embora.
No entanto seu corpo não se mexia. Ignorava irritantemente todas suas ordens de correr para o andar de baixo. O que faria se ele o atacasse? Do jeito que estava, iria ser acertado. Isso tinha certeza.
Respirou fundo quando o maior parou em sua frente. Os olhos se observavam incansavelmente. O silêncio se pendurou por mais alguns momentos, pesado e extremamente vergonhoso para Tsuna, até que um se mostrava disposto a quebrá-lo.
— Não devia abaixar a guarda desse jeito, sabia? – Curvou-se até estar no tamanho do menor. – Alguma pessoa malvada poderia atacá-lo e não teria ninguém que o salvasse.
Mukuro riu baixinho pela cara assustada. Tinha o diferente hobby de querer sempre vê-la. Achava a melhor expressão do menor e só ele podia causá-la.
— O-O que faz... Aqui? – Tinha a plena consciência que gaguejar naquela hora o faria parecer indefeso.
Mas espera... Não era isso que estava? Completamente sem armas contra aquele olhar intenso, capaz de acordar as terríveis borboletas de seu estômago?
É... Sua situação era péssima.
Ficaram quietos por mais alguns momentos, até que Rokudo levantou-se e foi em direção a sacada. Via calmamente as estrelas no céu brilhante. A Lua, incrivelmente grande e formosa, compunha aquela espetacular cena.
Tsuna observava os movimentos do maior. Não era típico do mesmo estar em silêncio por tanto tempo e ainda ficar olhando o céu.
Algo de diferente o rondava. Podia sentir.
— Fui convidado para a festa do meu chefe, assim como todos os outros guardiões.– Sua voz o surpreenderá pela segunda vez aquela noite.
Realmente, por ele ser um dos guardiões, automaticamente tinha permissão de aparecer.
— Então porque não está lá embaixo com todos? – Deu margem a curiosidade.
Não importava se era uma situação ruim, não mudava e era aquilo que tanto agradava os outros. Assim como ao próprio Guardião da Névoa.
Mukuro se virou para trás. De repente Tsuna não viu o brilho vingativo que sempre o acompanhava, mas sim um diferente. Desconhecido, não menos que fascinante. A luz da grande bola branca e o vento nos fios azulados fazia o maior... Belo?
Chocou com o que pensava, porém não desmentiu. Ele ficava tão bonito com a face séria. Outra coisa que tanto o intrigou. Porque estava tão sério?
— Aceita dançar comigo? – Disse Rokudo. Sua voz tão baixa e convidativa, assim como o a mão estendida fez seus olhos se arregalarem.
Sério? Ele o chamou para dançar? Mas... Não tinha música.
Foi então que ouviu. Baixa, mas ainda estava lá. Violinos e um piano. Tão calma e suave.
Não soube qual fora o motivo. Das notas serem tão serenas ou do olhar ansioso contendo aquele brilho estranho, só sabia que havia se aproximado e pegado à mão coberta pela luva preta.
Sentiu ser puxado com delicadeza, ainda que com força. Seus corpos se colaram. O pequeno e o maior se encaixaram perfeitamente. Os olhos se mantinham presos um ao outro, enquanto uma leve dança formava.
Alguns passos para lá, outros para cá. Um rodopio e novamente os dois grudados.
Tsuna se perguntava como conseguia dançar sem tropeçar, mas a resposta era óbvia. Mukuro o guiava com mastreia. Ao fundo, a composição ia se seguindo, como se tocassem especialmente para os dois.
O calor que passava para o menor fazia o mesmo se sentir leve. Tinha a impressão de que se largasse aquela mão que o cobria, flutuaria e seria capaz de tocar as nuvens.
Seu coração batia acelerado. Duvidava se as paredes do mesmo aguentariam a força. Conseguia sentir nitidamente ele gritar para se aproximar mais, se levar por aquele momento e o fez.
Relaxou e posou a cabeça em seu peito. Ouvia seu coração bater tão forte quanto o seu. Era ali, onde encontrou de fato a música perfeita para aquela dança doce e silenciosa. Uma melodia que o aquecia por dentro, capaz de fazê-lo sorrir carinhoso.
Não havia mais ninguém para eles. O mundo que se explodisse e não se largariam por nada.
Afinal se sentia tão completo e simplesmente vivo ao tê-lo tão junto a si.
Tsuna pode sentir o queixo do maior repousar sobre sua cabeça e o aperto em sua mão se intensificar. E foi ali, naquele longo e prazeroso momento, que ele percebeu a calmaria. Confusão não mais embaralhava sua cabeça e de alguma forma se sentia grato ao próprio causador, por ter feito desaparecer.
Uma única certeza ficou. A certeza do que sentia.
A música algum tempo parou de tocar, mas eles não. Continuaram com a dança calma.
Porém Tsuna percebeu estar chegando à hora. Foi com pesar e olhos lacrimejantes que pararam.
— Meu tempo acabou. – Sussurrou.
Como poucas palavras são capazes de apertar seu peito de forma tão triste?
Tsuna levantou a cabeça e mirou Mukuro. Um sorriso. Não cínico, nem irônico. Muito menos brincalhão e debochado. Era pequeno, mas sincero. Havia amor. O décimo Vongola podia ver claramente.
De repente, se tornou tão difícil dizer adeus.
Sem uma única palavra, se soltaram a contragosto. O maior caminhou calmamente até a noite fria, olhou novamente para o céu e esperou Sawada se aproximar.
— Tem mesmo que ir? – O moreno falou tão baixo que se não estivesse apenas alguns passos de distância, Rokudo duvidava se iria conseguir escutar.
Inclinou o corpo um pouco para trás e encontrou fios rebeldes sobre os olhos, impedindo de vê-los. Os ombros estavam caídos. Tão encantador.
Andou até o seu pequeno e tocou em seu rosto. Com aquele movimento, Tsuna o olhou suplicante. Tão difícil.
— Nunca se esqueça dessa noite Tsunayoshi. – Acariciou sua face por alguns instantes e como para selar a promessa feita pelos dois, beijou sua testa.
O contato fora rápido, mas com sentimentos. Os que iriam trancar em seus corações.
Nada dali em diante iria mudar. Irá ter batalhas, a sucessão e todos os outros problemas que envolvem um assunto tão delicado. O relacionamento com seus guardiões, e amigos, continuará da mesma forma. Isso inclui o dono de olhos tão diferentes.
Quando o dia amanhecer, serão apenas o tímido e desajeitado Décimo Vongola e o misterioso Guardião da Névoa.
A dor por aquele fato levou a força do moreno, junto com suas lágrimas. Logo agora que finalmente tinha entendido. Descoberto que o... Amava, iriam se separar e seguiram o curso que um destino frio e cruel lhe impõe.
Mas o que poderia fazer? Era o melhor, tanto para si, quanto para o homem que agora dava as costas e sumia entre a escuridão.
Ainda o podia senti-lo bem ao seu lado.
Por ainda estar mergulhado em pensamentos, não percebeu alguém entrar receoso no recinto.
— Judaime? Está tudo bem? – A voz do Guardião da Tempestade invadiu seus ouvidos, fazendo com que respirasse fundo, enxugasse as pequenas lágrimas e olhasse para trás no mesmo instante.
Gokudera o encarava preocupado. Sabia que Tsuna havia subido para o segundo andar e descansar nos milhares de quartos. Mas não pensou que demoraria tanto a ponto de fazer Reborn pedir para que o chamasse.
Sentia um clima tenso pairando sobre seu precioso décimo.
No entanto Tsuna apenas sorriu para seu amigo, tentando soar convincente.
— Hn. Está tudo bem. – Gokudera ainda parecia estar desconfiado, por isso tratou de mudar de assunto. Tinha ainda o final de uma festa para aguentar. – O Reborn que te mandou vim me buscar não é? Ele não muda mesmo. Bem... Vamos logo.
Não deu chances para o dono de fios prateados responder. Já andava em direção a saída, sendo seguido prontamente pelo seu braço direito.
Porém antes de fechar a porta, fitou por mais alguns segundos o local onde dançaram. Mesmo sabendo que ele não poderia ouvir, fez sua promessa. Que iria cumprir até finalmente estarem juntos novamente.
“Eu nunca esquecerei... Mukuro”
E assim a porta se fechou, guardando dentro dela todos aqueles sentimentos e sensações. Ainda que estivessem tão perto, tão longe estavam.
Você está em meus braços
E o mundo todo está calmo
A música está tocando apenas para nós dois
Tão perto juntos
Tão perto
Tão perto...
E ainda assim tão longe.
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Notas finais
Mas até que gostei de fazer algo suave. É shonen-ai, por isso nada de muito pesado. Gosto de variar um pouco. Ultimamente estou puxada mais para o lado romântico e não tão pervertida. [*O* chocante eu sei. qq]
Estou no momento de experimentar casais também, então talvez logo logo aparecerei com uma 1827 O: [doujinshis deles andam me fazendo a cabeça, sorry. e_ê] Só não se desesperem. Forever os originais, mas às vezes é bom mudar dá uma apimentada sacas? /prolemas-oi
ps. Música final é So Close do Jon McLaughlin. Tema da parte do baile do filme Encantada. *-*
Sou super apaixonada por essa música e aquela parte, por isso tanto o título da fic como as cenas dos dois dançando [o motivo principal de toda a fic] foi inspirada nessa música LINDA e as cenas MAIS LINDAS AINDAS. :D
Só esperam que não tenha ficado de todo ruim ne? ;__;
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