Snuff
3 Capitulo 3- Falling Apart
9 de outubro (Falling Apart)
I'll follow you out of the dark
I tried it my way but I keep falling apart!
DUAS SEMANAS! Há duas semanas que tento descobrir quem é Temari! Há duas semanas que estou a ponderar se leio ou não sobre a intimidade de uma pessoa para descobrir quem ela é! Há duas semanas que me desloco todos os dias há biblioteca para ver se a encontro! Há duas semanas que fiz as minhas primeiras redes sociais para ver se encontrava a garota e sem sucesso. Até quando vai durar esta caça á Temari? Não há rasto dela, é como se a garota tivesse desaparecido do mapa! Questionei a bibliotecária ao qual ela me respondeu que nunca tivera visto uma garota com tais características e acrescentou ainda que eu provavelmente estaria a alucinar. Contudo e infelizmente eu tenho a prova que não estou louca! Este maldito diário que tenho em mãos não é só a prova de que não estou maluca, mas é também a prova das minhas insónias.
Eu tinha que tomar uma decisão: ou desistia de encontrá-la ou continuava a ser uma boa samaritana e continuar á sua procura para lhe devolver o que lhe pertence.
Fez-se então luz na minha cabeça: O prazo! Eu perguntei se existia alguma Temari, mas não perguntei se alguém devolveu o livro de Haruno Sakura. Está decidido! Vou continuar a ser uma boa samaritana.
O meu foco voltou-se para a aula de filosofia que até então não me tinha cativado a atenção. Há três aulas que estamos a falar no mesmo assunto e mesmo assim o meu cérebro parece não querer processar o porque da importância de Immanuel Kant e da sua teoria de três juízos. Ele devia ter era juízo na cabeça, isso sim! Juízo analítico, sintético e estético? Que porra é essa? Eu queria estar a ter história, geografia ou até mesmo inglês.
All that I see, is the wickedness around me
I refuse to believe
Da parte da tarde, como sempre, fiz uma refeição leve, tomei banho e pus a mochila pronta para a piscina. Porém, desta vez, coloquei também o diário e deitei-me no sofá á espera que chegasse perto da hora de ir para o treino. Desta vez o programa a série escolhida foi nada mais nada menos do que O Mentalista. É uma série que eu já vi milhares de vezes e mesmo assim não me importo de repetir. Para além disso, Simon Baker é um dos meus atores preferidos.
Saí de casa um pouco mais cedo para primeiro ir à biblioteca! Fui novamente a pé para aquecer os músculos das pernas e não ter cãibras mais tarde. Na entrada do estabelecimento fiquei um pouco nervosa. Será que ela entregou o livro? Será que a bibliotecária do turno da tarde se lembra dela? Entrei e dirigi-me ao fundo da sala onde se encontrava a bibliotecária. Receosa aproximei-me.
—Boa tarde, Suzy! Gostaria de saber se devolveram o livro que estavam no nome de Haruno Sakura. – Questiono.
—Não posso dar esse tipo de informação! Só os funcionários da biblioteca e os usuários dos livros é que têm tal conhecimento. – Responde antipática.
—Esse é o problema! Eu sou a usuária do livro e sem querer acabei por trocar de livros com uma garota aqui na porta. Por isso, por favor, pode me dar essa informação? – Pedi e tentei sorrir para a moça antipática.
Ela virou-se para o ecrã do computador, pesquisou e depois voltou a olhar para mim.
—Haruno Sakura? – Assenti confirmando – Pelos vistos alguém entregou o livro.
—Que ótimo! – Sorri desta vez genuinamente e tirei de imediato o diário para fora da mochila. – Será que podem ficar com isto e quando ela tornar a vir cá lhe entregar?
—Obviamente que não, querida! Mas tem aqui uma anotação com um número. Deve ser o dela! – Entregou-me um papel com a informação e voltou ao trabalho.
Saí lá para fora e peguei no meu celular para fazer a chamada. Três toques alguém atende.
—Oi, gostaria de falar com a Temari. –Digo à espera de uma resposta.
—É a própria. Quem fala?
—É a Sakura! Não sei se te lembras, mas nós esbarramos no outro dia na entrada da biblioteca e trocámos de livros. – Cocei a cabeça nervosa porque desteto falar por celular – Gostava de saber quando podemos nos encontrar para eu te devolver o teu livro.- Omiti a parte de saber que é um diário. Não queria que ela pensasse que eu era uma cusca e que eu tinha lido o seu diário.
—Sim, eu lembro-me! Bem, eu hoje estou na faculdade até as seis horas, portanto talvez seja melhor encontrarmo-nos amanhã.
—Eu posso entregar-te hoje mesmo porque eu estou na piscina da faculdade e tenho o livro comigo porque eu andei feita louca à tua procura!
—Ah que bom! Então fico à espera na entrada do departamento de letras.
—Tudo bem, até já! – Desliguei contente.
Voltei ao meu trajeto para a faculdade.
The apocalypse inside of me
I can't even trust myself
Eram precisamente cinco e meia da tarde e estava eu a sair sozinha do departamento de natação. Fui em direção ao departamento de letras e sentei-me no banco em frente a este. Como o espaço em frente ao grande prédio da faculdade de letras estava vazio e não há sinal de Temari, peguei nos fones de ouvido e coloquei música deixando-me envolver nas palavras gentis de Danny Worsnop e só acordei quando me tocaram no ombro. Olhei para cima e vi Temari!
—Oi, não reparei que já tinhas chegado! – Retirei os fones e enrolei-os em volta do celular.
—Deu para ver! Chamei por três vezes e não olhaste! – Riu – Espero que não te importes, mas como estávamos todos juntos eles vieram também. – Apontou para trás de si onde se encontravam dois rapazes e três garotas.
—Tudo bem, não há problema! – tirei o diário de dentro da mochila e entreguei-lhe. – Eu não li. Quer dizer, eu só li a primeira página, mas depois do que li eu fechei logo. – Desculpei-me apressada.
—Não tem problema! – Ela riu – Não é um diário a sério de qualquer das maneiras! É apenas um livro de anotações. Vês? – Abriu o livro para me mostrar. – Eu não gosto de desperdícios e como tinha lá este diário desde pequena intocado utilizei-o.
Então quer dizer que por duas semanas eu tive insónias e nem se quer era um diário? Que desilusão!
—Aposto que ficaste curiosa! – Riu outra vez e olhou para trás para responder ao seu aligo que a chamava – Já vou Neji! – Voltou-se outra vez para mim – Nós vamos ao Demon’s jantar. Queres vir connosco?
—Ah não obrigada. Acabei agora um treino e não quero comer coisas muito gordurosas.
—Vá lá é só uma vez. Tenho a certeza que não te faz mal. – pediu – Para além disso podemos nos conhecer melhor.
Não é uma má ideia. É verdade que as vezes me dou á gola e conhecer novas pessoas nunca é mau.
—Tudo bem! – Ela bateu palmas e já foi pondo um braço por cima do meu ombro.
No caminho para Demon’s Temari apresentou-me os seus amigos. Uma loira de olhos azuis tinha como nome de Ino. Uma morena de olhos castanhos chamava-se TenTen. Um loiro de olhos azuis que se chama Naruto. Um moreno de olhos azul cinza que se chama Neji. Por fim, uma ruiva de olhos castanhos que se chama Karin.
Quando chegamos pedimos uma mesa para sete e nos sentamos no local indicado. Fiquei à beira da Temari porque não conheço mais ninguém e parecem-me ser todos intimidadores.
—Então Sakura, estás a cursar o quê?
Não sabia o que responder! Tinha medo de eles me acharem uma falhada e, sinceramente, não era essa a impressão que eu queria passar. Contudo, o individuo coletivo gosta, em si, passar sempre a boa impressão e eu quero que as pessoas gostem de mim mas, quero que as pessoas gostem do meu verdadeiro Eu. Em toda a minha vida só houve uma única pessoa que me conhecia totalmente. Essa pessoa era Diana! Se ela gostou do meu verdadeiro Eu, então os outros também poderão apreciar quem eu realmente sou.
—Na verdade eu ainda ando no ensino médio porque ainda estou a repetir o último no ano. – Contei timidamente.
—A sério? – Indagou surpreendido e eu assenti – Bem, boa sorte!
—Ela deve ter os seus motivos, não é? – Olhou para mim e sorriu – Mas não vamos perguntar!
—E vocês, o que estão a cursar? – Indaguei para mudar o assunto de mim.
Enquanto eles se falavam entre si reparei o quão próximos eles eram! Provavelmente são amigos já à muitos anos. Naruto era bastante conservador pois poucas vezes o ouvi a falar e cursa medicina; Ino foi a que mais me surpreendeu! A garota parece ser uma patricinha por causa das roupas que veste, mas na verdade cursa desporto. Inclusive, ela contou que já me viu algumas vezes a entrar no prédio da piscina que se encontra á beira da quadra de desportos; Temari é alegre e bem sonhadora. Nas vezes que eu olhava na sua direção ela estava no mundo da lua e, para minha surpresa, cursa história; Tenten deu-me a impressão de ser bem focada e inteligente pelas palavras que usa. Faz advocacia; Neji não me deu grandes impressões e assim como Ino cursa desporto. Por fim, Karin. Esta última não pareceu gostar muito de mim por alguma razão e não disse o que cursava.
I'm burning in my skin
Standing at the gates of hell
But nobody will let me in
Senti-me estranha! No meio deles era exatamente isso que eu era; uma estranha que mesmo assim eles trataram tão bem. Então era isto que era ter mais que um amigo? De repente bateu-me uma saudade inexplicável de ver a minha única amiga de Boston. Estava num ambiente diferente e com pessoas diferentes e parecia que estava a sufocar com tantas mudanças no mesmo dia. Na verdade, não parecia, eu estava mesmo! Queria ir para casa e falar com a Diana para ela me dizer que tudo estava bem e que tudo iria correr bem!
—Sakura? Está tudo bem? Tu estás pálida. – Levantou-se vindo na minha direção.
Uma sensação não muito feliz invadiu o meu corpo e as lembranças e memórias de sentimentos que sinto quando estou sozinha invadem-me. As minhas mãos começam a tremelicar e a suar. Tento disfarçar à frente dos meus novos conhecidos e tento controlar a minha respiração.
—Sim, eu estou bem. Lembrei-me que tenho que ir andando. Peço desculpa! – Levanto-me e dirijo-me à caixa para pagar.
—Deixa isso, nós pagamos! – Entregou dinheiro na mão dela – Paga a minha parte e dela que eu vou levá-la a casa.
—Então também vou com vocês. – Entregou também dinheiro para Temari e veio connosco para fora do estabelecimento.
Já no exterior do café, Naruto pergunta-me a localização da minha casa. Pelo caminho fui-me sentindo mais e mais tonta. O aperto no meu coração continuava e as lagrimas queriam explodir dos meus olhos. Tento segurá-las com muita dificuldade. Começo a sentir o chão a rodar assim como todo o ambiente em volta de mim. O rosto de Naruto fica distorcido perante os meus olhos enquanto atravessamos a rua para o outro lado. Uma passada mal dada faz-me tropeçar no meio da passadeira para peões.
—Sakura! Estás bem? – Ajuda-me a levantar.
—Não. Doí-me nariz. – esfreguei o nariz e vi que estava a sangrar.
—Deixa-me ver.
—Não, tudo bem. Não precisas.
—Deixa-te disso. – sorriu gentil. – Sou estudante de medicina.
Tirei a mão do nariz e deixei-o ver.
—Isso é tudo muito bonito mas será que dá para saírem do meio da estrada?
Começamos a movimentar-nos para sair do caminho, mas no momento a seguir o meu corpo congelou com o som do pneu no asfalto. Move-te! Mexe-te! O desespero era tão grande que fechei os olhos e quando os abri já não estava no meio da estrada. Uns olhos azuis a olharem-me com atenção. Os seus lábios falavam qualquer coisa que eu não conseguia perceber. Ele saiu de cima de mim e a única coisa que eu via era a negridão da noite.
Ainda sem ouvir nada olhei para o lado e vi Karin a com o celular no ouvido e Naruto a correr em direção ao carro que bateu contra um poste de luz. Naruto abriu a porta do motorista e tirou para fora o passageiro. O carro podia incendiar-se a qualquer momento. Karin veio ao meu encontro e ajudou-me a levantar.
—Estás bem? – Olhou-me preocupada.
Mesmo que me quisesse pronunciar ou mover-me, as palavras não saíam da minha boca e os meus músculos pareciam pedra de tão pesados que estavam. Os meus olhos voltaram-se novamente para Naruto e reparei que o motorista era Tsuki, o porteiro da faculdade.
Novamente o meu coração apertou. O meu coração falhou uma batida e as únicas palavras que ouço antes do meu cérebro apagar foram:
Está Morto!
I'll follow you, with all of my heart
I’m tired of my ways
'Cause I keep falling, I'm falling apart!
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