Notas iniciais
Em menos de 2 meses Snowstorm nasceu :) Estou tão feliz de ter podido terminá-la tão rápida, e ainda com o andamento de Mistakes a poucos dias de ser concluída. Essa é um One-short (fanfic de apenas um capítulo). Sempre gostei de histórias assim, e antes não aceitava muito ver que só tinha apenas um capítulo. Achava injusto, mas aqui estou eu postando fazendo a mesma coisa kk. Essa One-short tem referências de coisas que vivi recentemente, e de um canal que acompanho muito: Travel and Share. Um casal que viaja o mundo descobrindo coisas e lugares sensacionais. Espero que gostem e comentem bastaaaaaante!!! RECOMENDAÇÕES como sempre serão muito bem vindas ;) Vou adorar saber o que acharam *-*

Morar em Chicago, aos arredores de Ilinois nunca tinha sido tão difícil como estava sendo naquele momento. Principalmente porque eu tinha saído de casa sem a minha jaqueta, com apenas uma blusa de manga cumprida na cor vinho, daquelas que vendem na Target na sessão de esportes. Mas o pior não era isso, o pior era ver que a droga do aquecedor do carro não estava funcionando, e eu vim saber disso um pouco tarde demais.

Meu pai sempre dizia que um bom motorista sempre checava o seu carro e as condições do tempo antes de sair. No meu caso, considerando que eu era uma boa motorista, afinal nunca tinha recebido uma multa sequer desde que trocara sob ameaças a minha Chevy 89 por um Toyota Prius, eu não tinha feito nem uma coisa, nem outra.

— É isso aí Bells — eu tentou imitar a voz do meu pai, alta e grossa, mesmo sabendo que ele nunca seria capaz de dizer as palavras a seguir, mesmo que só por divertimento. Charlie Swan sabia ser sério quando queria. — Agora você vai congelar até a morte e nem será capaz de vir para o meu casamento.

Eu tossi de repente, colocando a mão na frente.

— Ótimo, mas antes você vai pegar uma pneumonia, tossir até não poder respirar mais e...

Alguém batia na porta do meu carro, mas os vidros, inclusive o do passageiro em que alguém batia, estavam todos coberto pela neve que caia lá fora. Estava aumentando cada vez mais desde a última meia hora que eu foi obrigada a parar porque era impossível seguir com o carro.

Seja lá quem estivesse do outro lado da porta era insistente e não devia sentir frio ou estava muito bem agasalhado. Podia ser uma daquelas pessoas que eram responsáveis por limpar as estradas e queria só me ajudar, afinal eu devia ser a única pessoa em toda Chicago que decidiu sair de casa enquanto uma nevasca podia cair lá fora a qualquer momento.

As batidas insistentes continuaram e eu olhei ao redor do meu carro procurando algo que pudesse usar como arma. Chicago era uma das cidades com um dos menores índices de violência dos EUA. Isso eu sabia e não precisava acompanhar nos noticiários assim como devia ter feito para me atualizar quanto a previsão do tempo antes de sair de casa, mas ainda assim todo o cuidado podia ser pouco.

Eu não encontrei nada, apenas a minha bolsa com a sua carteira e alguns papeis de balas, uma escova de cabelos, um ticket de um show que eu tinha ido na semana passada e um vale restaurante que já tinha vencido.

— Ei... — murmurei. — Eu estava procurando por isso há quase dois meses atrás — eu semicerrei meus olhos para o papel dourado do Joe's Seafood. Eu adorava frutos do mar, e aquilo fez a minha barriga vazia roncar em protesto. Era por isso que eu tinha saído de casa, do quentinho da minha casa. Porque não tinha comida na dispensa, a não ser um pão e um pote melado de peanut butter e uma garrafa de leite intocada.

— Eu sei, lamentável — murmurei, mas depois me repreendi. Essa mania de ficar falando sozinha, principalmente em momentos preocupantes como agora não era bom.

A pessoa ainda continuava batendo, e talvez se eu continuasse sem responder essa pessoa, homem ou mulher, iria embora. Mas então eu congelaria até morrer e...

Tossi novamente.

— Tosse do...

Eu quase engasguei com o ar que rompia do seus pulmões quando ouvi uma voz, a voz de um homem pedindo que eu abrisse a porta.

Considerei novamente minhas opções e percebi que não tinha muitas.

As minhas chances não eram boas. Eu estava no meio de uma nevasca, em um dos invernos mais rigorosos que assolava os Estados Unidos desde 1985, e de lá pra cá já se passaram 21 anos, e pelas minhas contas eu ainda tinha apenas dois anos e estava muito bem aquecida com a lareira ligada e me divertindo com os desenhos que fazia.

— Droga Bella — eu resmunguei.

Eu estava divagando novamente enquanto meu corpo começava a doer do frio que sentia, e do tremor que percorria todo o meu corpo me fazendo soltar lufadas de ar. O risco de pegar uma hipotermia era muito mais real do uma pneumonia.

Então era isso, ou eu me recusaria a abrir a porta e morreria dentro daquele carro, ou abriria a porta estando sujeita a uma morte menos dolorosa e rápida, eu esperava, quanto aquela que eu teria permanecendo ali.

Mas antes que o homem da neve decidisse por mim, eu destranquei a porta puxando o pino, e chutando-a com o minha perna, para o caso de agilizar a minha...

— Nossa moça, achei que você tinha morrido congelada aí dentro.

O homem parecia assustado e ao mesmo tempo aliviado, com a mão esquerda sobre o peito depois que a porta se abriu. Ele estava meio agachado e se segurava na porta do meu carro.

Eu o encarava e de repente era difícil associar o homem preocupado que estava parado do lado de fora, segurando a porta do meu carro aberta ao fato desse mesmo homem estar com um machado na mão. Isso não ajudava em nada, definitivamente.

— Oh, desculpe — o homem tão logo viu a minha expressão assustada deixou cair o machado e ergueu as mãos.

Talvez ele só quisesse ganhar a minha confiança antes de me esquartejar e deixar os meus restos mortais espalhados pela neve até que o tempo melhorasse e derretesse tudo.

Ele parecia ler os meus pensamentos e rapidamente se explicou, ainda com o machado caído na neve.

— É necessário um desses principalmente quando se vive na estrada, não acha? — ele perguntou, sorrindo, meio sem jeito, meio tentador e absolutamente...

— Irresistível.

— O que foi que a senhorita disse? — ele perguntou, e uma linha de expressão se formou entre suas sobrancelhas bagunçadas. Na verdade não era só as sobrancelhas, mas seus cabelos também pareciam desalinhados, como se não pudessem se decidir em que lado permanecer. Eram de um tom de bronze, não loiro, mas acobreado e estava úmido por causa da neve que caia sobre eles, derretendo pouco tempo depois que tocavam seus cabelos.

— Nada — eu balancei minha cabeça.

Eu tinha me esquecido por alguns segundos do frio que estava sentindo, e ainda mais agora que a porta estava aberta devia ser mais difícil de esconder o meu tremor, me fazendo encolher ainda mais sobre o banco do motorista, com a minha perna direita ainda esticada, passando os braços sobre o meu corpo por instinto.

— Me desculpe — ele repetiu, percebendo o meu comportamento. — Por favor, eu sei que não nos conhecemos, mas eu posso pelo menos te oferecer um café e um lugar quente para você se aquecer? — A sua pergunta era tentadora, e era isso o que os psicopatas faziam, não era? — Eu só quero ajudar — ele sorriu novamente, daquela forma tentadoramente agradável que me fazia se esquecer por um momento que estava prestes a morrer congelada ou esquartejada por um Deus.

— Eu não tenho opção mesmo — falei, jogando a minha outra perna dormente para o lado do banco do passageiro enquanto me arrastava para sair do carro, com a minha bolsa na minha mão, me lembrando de tirar a chave da ignição e guardando-a.

Se ele realmente fosse um maluco psicopata assassino ele teria gostado de eu ter tirado a chave da ignição, aquilo não despertaria suspeitas, mas a verdade é que eu estava muito mais preocupada e, confesso, curiosa com o fato dele ter café e um local quente que eu pudesse me aquecer.

Aquilo me fez se sentir ainda mais envergonhada.

O quê? As pessoas saiam assim de casa tão preparadas?

Quando eu consegui com muito esforço sair do carro, o homem tinha se afastado um pouco, mantendo a porta aberta para que eu saísse, e então, quando eu achei que não pudesse existir mais arrependimentos naquele dia, eu enfiei os meus pés na neve que deveria ter pelo menos uns dois palmos de altura.

— Ai droga — eu gemi. — Você devia ter colocado as suas botas de neve Bella, aquela que você sempre deixa perto da porta de entrada, aquela que você achou que não precisaria usá-las hoje.

De repente eu parei, percebendo a loucura que estava fazendo, falando sozinha na frente de outra pessoa, de um estranho.

Eu fechei meus olhos com força, e então aconteceu o que eu devia ter temido no segundo que cogitei a ideia de sair do meu carro e ir para neve enfrentar o desconhecido: me desequilibrei com o peso da neve sobre meus pés quando eu tentei me mover rápido demais, sentindo meus pés congelarem.

— Opa — o homem que eu ainda não sabia o nome, mas que não faria muita diferença uma vez que... passou os braços ao redor do meu corpo, me impedindo de cair sobre aquela neve,me segurou.

— Obrigada — eu agradeci, sem jeito, querendo ser capaz de dar um passo sem correr o risco de cair quando as pessoas, ele até, fazia isso sem problema algum. Mas eu tinha o crédito da neve.

Ele era bonito, e a quem eu queria enganar? Não parecia ter cara de assassino. Mas todos os assassinos não tinham cara.

— Se me permite, eu poderia levá-la até o meu Motorhome, você não está com um calçado adequado, e eu não teria nenhum para te emprestar quando toda essa neve passar.

Então uma parte estava explicado, a parte do café e do lugar quentinho. E outra ainda, porque existia uma possibilidade de um depois da neve, aonde eu poderia voltar para o meu carro e fazer o que tinha vindo fazer antes de tudo aquilo: compras no Wallmart.

Até então eu não tinha entendido o que ele queria dizendo aquilo, mas quando ele me pegou nos braços e nossos rostos, tão próximos, eu paralisei e contive a minha respiração pela surpresa. Ele tinha me pego desprevenida pela segunda vez em menos de 10 minutos.

Aquele deveria ser um recorde se eu não fosse tão fácil de ser pega de surpresa, afinal eu estava no meio de uma nevasca, impedida de seguir o meu caminho, e tinha um homem disposto a me ajudar e me dar um abrigo em seu Motorhome que deveria estar em algum lugar ali perto, enquanto ele caminhava sem nenhuma dificuldade de me carregar pela neve.

Qual era a probabilidade daquilo realmente estar acontecendo?

— Ok — eu falei, de repente quebrando o silêncio que tinha se formado, talvez eu tivesse deixado ele um pouco desconcertado também. — Você não acha que eu preciso saber o seu nome?

— Edward — ele sorriu, eu percebi pelo tom descontraído da sua voz, diferente de alguns minutos atrás quando eu o encarei. — Edward Cullen.

O seu rosto pairava sobre o meu, me dando uma visão perfeita do seu queixo e da sua barba lisa.

— Edward — eu experimentei o som que saia dos meus lábios. — Eu sou Bella, Bella Swan. Isabella — eu me corregi apressadamente sem motivo algum. — É Isabella Swan, mas eu prefiro Bella.

— Ok Bella — ele sorriu.

O calor do seu corpo contra o meu me fazia esquecer aonde eu estava, e que ele era um estranho. Deus, eu juro que meus pais sempre me alertaram do perigo que um estranho poderia me trazer, mas... Agora ele não era mais um estranho, certo? Ele tinha um nome, e pronunciava o meu com um sotaque que eu não conseguiria reconhecer nem se vivesse com ele por um milhão de anos, porque era algo só dele, assim como aquele cheiro, aquele cheiro de água, de banho, de barba feita.

Não que eu realmente soubesse qual era o cheiro, mas era algo único, algo que só poderia vir dele.

— Chegamos — ele anunciou, me despertando mais uma vez dos meus pensamentos irreais.

Eu olhei o modelo do Motorhome e só pude ver uma parte da lateral, todo branco com algumas listras que o contornavam, com uma porta ao lado da cabine do motorista. Simples, algo que eu conseguiria ter me lembrado de ver tantas vezes estacionados em algum hiper mercado como aquele que eu estava indo mais cedo antes de tudo aquilo acontecer.

Ver aqueles Motorhomes, até mesmo parados no trânsitos ao lado de meu carro enquanto eu fazia o meu caminho até o trabalho nunca antes tinha despertado a minha atenção. Mas ver aquele veículo, alto, tão grande que eu não conseguia acompanhar com os olhos, me fez perguntar o que tinha levado Edward a morar em um.

— Eu preciso te colocar sobre seus dois pés novamente para que eu possa abrir a porta — ele disse tranquilamente quando eu me voltei para ele.

— Claro — eu concordei rápido demais.

***

— Me desculpe se passei a impressão errada — Edward colocou as mãos dentro do bolso da calça que usava. Ele tinha tirado a jaqueta e as luvas, e agora estava perfeitamente confortável com a sua camiseta, com seu próprio aquecedor... enquanto eu ainda tentava me esquentar sob o cobertor que ele tinha me passado. Meus tênis estavam perto da porta, assim como as botas próprias para a neve dele e outras coisas estavam.

Ver aquilo foi capaz de me aquecer um pouquinho mais, e eu não sabia muito bem por quê. Eram só calçados. Calçados de desconhecidos que foram deixados juntos.

— Impressão errada? — eu repeti, observando-o novamente.

— Sim, sobre o café — ele respondeu. — Na verdade ele não está pronto, e eu nem tenho pó de café, teria comprado hoje no próximo supermercado que seria aqui perto, mas... Você já sabe.

Vê-lo se justificar sobre o pó do café me fez sorrir.

— Tudo bem, não tem problema, eu nem gosto muito de café — sorri, satisfeita que ele não era um assassino. Não poderia ser, afinal, quem morava em um Motorhome como aquele, tão... desorganizado, com algumas panelas sobre a pequena pia na cozinha, mas que era tão iluminado como aquele era? Com um sofá, uma mesa de jantar com um mapa, uma caneta bastão aonde seria marcado a próxima trajetória.

A mesa estava fixa ao assoalho com cintos de seguranças para passageiros, um banheiro, limpo e seco por sinal, aonde ele me deixou tomar um banho quente e me entregou toalhas brancas, uma calça de moletom que por sorte tinha um cordão que eu poderia ajustá-lo a minha cintura pelo menos e enquanto as minhas pernas eu não poderia dizer o mesmo, deveria estar bem engraça com aquela blusa de frio de verdade que ele também tinha me emprestado, e não aquela coisa que eu estava usando mais cedo.

Tentaria me lembrar fazendo uma nota mental, sobre ir até a Target assim que possível e reclamar sobre o tipo de produto que eles ofereciam para seus clientes. Se bem que aquelas roupas que eu estava usando tinham uma etiqueta parecida com as que eu via na loja mesma loja de departamento.

Era bom fazer uma nova nota mental sobre não começar discussões.

Check.

— Então eu posso te oferecer um chá... não...chocolate quente e biscoitos, eu tenho biscoitos... — ele se apressou, pegando uma caneca pelo o que parecia ser a décima vez enquanto se decidia sobre o que seria melhor servir para a uma visitante inesperada em meio a uma nevasca quando ele também precisava, assim como ela, fazer compras.

Aquilo seria hilário, se não fosse comovente.

Será que eles teriam se encontrado de qualquer forma se não fosse aquela nevasca?

Eu não acreditava em coisas do destino, mas eu não era boba também para não pensar que aquilo poderia sim ser possível, mas que talvez fosse diferente de como estava sendo agora.

Talvez nos esbarrássemos em um dos corredores do supermercado, na sessão de enlatados, pediríamos desculpas, eu me impressionaria com a sua beleza, talvez trocariamos sorrisos, aquele sorriso, mas... ainda assim, aquilo que estávamos compartilhando agora era ainda melhor.

Eu tinha escolhido a minha melhor interpretação do destino e estava feliz com isso.

— Deixa comigo — eu me levantei, deixando o cobertor sobre o sofá listrado com branco e azul clarinho. Na verdade boa parte da decoração, dos estofados tinham aquele tom. Os armários eram de madeira clara com portas brancas, e tudo era tão compacto que eu quase entenderia a confusão dele em preparar algo para comermos.

— O que você está fazendo? — Edward perguntou, me vendo ficar na ponta dos pés para abrir as portas dos armários da parte de cima.

Eu não respondi, apenas continuei o que estava fazendo, demorando um pouco para encontrar as coisas que precisaria e recebendo orientações de cordeadas de onde ficava a geladeira embutida, o açúcar que não tinha sido tirado do plástico, mas que já tinha sido usado e estava preso com um pregador de papeis. Eu ignorei aquilo, pensando que ele não precisava realmente de um supermercado — ok, precisava, mas o pior não era aquilo, mas sim o fato dele não ter potes para guardar alguns alimentos. As coisas deveriam se mexer conforme ele dirigia, e sempre seria uma nova batalha com a bagunça que aquilo deveria ficar, apesar de alguns suportes estarem presos dentro dos armários.

— Isso é muito bom — Edward disse algum tempo depois, saboreando o gosto do que eu tinha preparado, passando a língua sobre os lábios.

Eu ergui a caneca a minha frente, tomando um gole do meu chocolate quente especial também, tentando disfarçar a minha concentração nos movimentos dele.

— Você colocou o que aqui, ou é algum segredo?

— Você terá que me matar para descobrir.

A cara que ele tinha feito quando eu disse aquilo foi impagável, me fazendo rir muito, trazendo-o para aquela atmosfera contagiante também.

— Canela — eu respondi. Não era um segredo. — Tinha um pouco em um saquinho na geladeira.

— A sim, verdade — ele disse, como se aquilo respondesse as suas principais perguntas não ditas.

Há quanto tempo ele não encontrava aquela canela?

— Ok, agora você tem que me contar um segredo — eu o alertei, o deixando curioso. — Como você consegue sobreviver em um Motorhome viajando o mundo sem organização?

Aquilo parecia diverti-lo, então ele colocou na boca um dos biscoitos que antes de eu colocá-los em uma frigideira para aquecê-los parecia uma borracha. Agora estava melhor.

— Primeiro, não viajei o mundo, este é o meu primeiro país, mas é só um caminho até chegar ao meu destino — ele parou por um segundo. — Aonde realmente começarei essa viagem ao redor do mundo.

Então ele ergueu a sua caneca, me fazendo erguer a minha em um brinde.

Eu já sabia que ele era do Canadá, o que respondia o seu sotaque me fazendo se perguntar se antes já tinha conhecido algum canadense. Definitivamente nenhum como Edward. Sabia também que ele nasceu em Ontário, em uma província um pouco afastada da cidade e que seus país tinham uma fazenda de Sugar Maple — açúcar do bordo — que recebia turistas de toda a parte do mundo aos finais de semana e principalmente em feriados nacionais. Ele tinha crescido cercado de natureza enquanto eu tinha crescido cercada de prédios e de monumentos.

Ele parecia nostálgico quando falava da família, mas orgulhoso também, então ele deveria estar contente com a decisão que tinha tomado anos atrás quando decidiu comprar um Motorhome com as suas economias, surpreendendo a todos da sua família e da região: cidade pequena, foi o que ele disse.

Depois de tudo o que Edward tinha me dito, eu só conseguia ficar ainda mais curiosa com a sua história.

— Aonde está o seu destino então, Edward? — eu perguntei, pensando em destino pela segunda vez somente naquele dia.

Ele pareceu sentir o clima entre que se formava, então pigarreou pousando a caneca vazia sobre a mesa.

— Aqui — ele disse. — Quer dizer... eu estou cortando caminho pelos Estados Unidos até chegar a fronteira, e fazer o caminho pelas Américas, começando pelo Brasil, depois voltando para os Estados Unidos...

Ele continuava falando enquanto fazia um percurso imaginário, mas tão real, com os dedos sobre o mapa que ele tinha afastado um pouco quando nos sentamos para comer e tomar nosso chocolate quente.

— E como é isso? — eu perguntei, incapaz de olhá-lo nos olhos quando seus dedos fazia aqueles caminhos que com certeza seria difícil para qualquer um, para qualquer pessoa que veria aquela escolha como uma loucura, quando Bella só conseguia ver coragem e paixão.

— Como é isso o quê?

— Viajar pelo mundo.

— Para mim é como ter uma vizinhança diferente todos os dias — ele respondeu, e pareceu absorto, com certeza pensando em como aquilo devia ser importante para ele. — Esse é o meu quintal hoje, é o que eu costumo dizer quando chegamos em algum lugar.

— Chegamos?

— Sim, eu e Motorhome.

Eu ri, ri muito.

— O quê? — ele perguntou, indignado, mas divertido.

— Você tem que ser um pouco mais criativo com o nome que dá para... ele...

— Pode ser ela também — ele cruzou os braços e se encostou às costas no encosto da sua cadeira giratória para me olhar. Ele podia virá-la e se sentar normalmente e depois utilizá-la como banco do carro que ele dirigia. Era tudo tão prático e funcional. Tudo funcionava, apesar da desorganização dele, eu pensei, sorrindo e o encarando.

O seu olhar divertido continuava desafiador.

— Ok, gênero indefinido Edward — eu propus, me rendendo antes que tivéssemos a nossa primeira discussão.

Eu me distraí, pensando no significado daquilo.

Edward era apenas um desconhecido, que a poucas horas atrás eu achava que pudesse me matar com o machado que, segundo ele, ele teria usado para arrancar a porta do carro e me tirar de lá quando ele não sabia se eu já estava morta. Pela tosse seca que ele ouviu e uma voz que vinha de dentro falando sozinha ele achava que não, mas que eu deveria estar a caminho disso.

A propósito ele ele tinha pego o machado depois, durante o meu banho, para não me assustar.

Continuando, ele era apenas um desconhecido que só estava querendo seguir a sua viagem, rumo as Américas. Não como um colonizador de séculos atrás, mas sim como alguém que queria conhecer o mundo e tudo o que ele poderia lhe reservar. Ele era alguém simples, que talvez não soubesse muito bem fazer listas, mesmo para quando fosse ao supermercado em busca de suprimentos para abastecer a sua pequena dispensa. Talvez ele gostasse de sentar em um café e apenas pensar em qual seria o seu próximo destino, com aquele mesmo mapa que eu olhava sobre a mesa como único guia.

E ainda assim... eu queria tudo o que aquele desconhecido poderia me dar, não importava se fosse uma ligação a cada m mês ou dois, a cada parada ou a cada país. Eu queria aquilo, só não sabia como e se ele, de alguma forma, queria também.

Nós ainda continuamos conversando sobre mais algumas coisas até que começou a escurecer lá fora. Não tinha muito o que fazer dentro de um trailer no meio de uma nevasca, mas o tempo tinha passado tão rápido e Edward me fazia se sentir tão confortável para contar tudo sobre mim, o que não era muito, que eu não me importava.

— Sabe — eu comecei. — Não sei se teria a sua coragem de deixar tudo para trás e seguir meus sonhos.

— Por que não? — ele parecia mesmo interessado na minha resposta, tanto que se inclinou um pouco mais sobre a mesa, e eu tive que me enrolar um pouco mais no cobertor para conter o impulso que senti de fazer o mesmo em sua direção.

— Não sei Edward... eu... sempre quis ser astronauta mas quando vi que para isso eu teria que viver no espaço por pelo menos 6 meses sem tomar banho isso me assustou um pouco.

Ele me olhou sério e semicerrou os olhos, depois relaxou quando viu pela minha cara que eu estava brincando. Não tinha como não rir com ele. Aquilo era muito bom.

— Você precisava ver a sua cara — eu ri. — Im-pa-gá-vel — eu murmurei pausadamente.

— Você é muito divertida Bella... e linda — ele completou.

— Você acha? — Eu ergui uma mão para o meu cabelo, colocando uma mecha atrás da orelha, tentando parecer sexy enquanto olhava para baixo, sentindo minhas bochechas queimarem levemente. Então a sua mão foi até a minha e a abaixou, e assim ficaram, juntas sobre a mesa e o mapa esquecido que continuava ali, sob elas.

— Falando sério... o que você não seria capaz de deixar para trás além do seu trabalho? — ele perguntou, me fazendo desviar os olhos das nossas mãos juntas e olhar para ele enquanto ele fazia movimentos circulares com o dedo nas costas da minha mão.

— Veja, eu gosto do que faço. Ensinar é uma das minhas paixões, mas sinto que ainda não vivi o suficiente disso, do que vivo hoje para realmente deixar tudo para trás.

Eu estava me confessando para um estranho, com Edward para ser mais exata. Filho de agricultores que com certeza não renegava as suas raízes e que gostava do que fazia, mas que queria mais.

Ele não parecia decepcionado com a minha resposta, mas talvez esperasse algo diferente.

— Às vezes tudo o que você precisa é de um empurrãozinho — ele piscou.

— Talvez — eu dei de ombros, ainda um pouco mexida com a última parte que tinha dito. É como se eu estivesse dizendo não para um convite que nem tinha sido feito, e que... tínhamos tão pouco tempo... talvez nunca seria.

O quão estranho seria considerar isso?

— Acho que mesmo se a neve parar em algum momento da noite, os limpadores de neve só chegarão pela manhã — Edward anunciou, quebrando o silêncio que tinha se formado.

Ele parecia um pouco desapontado com aquela ideia, e eu também.

— Então é isso... essa será a minha primeira noite em um Motorhome — soo mais como uma afirmativa do que um pergunta que era o que eu queria.

Eu não tinha escolhas, e mesmo se tivesse...

— Parece que sim, e só para a sua informação, eu ainda não tinha recebido visitas.

— Com certeza não tão longas como esta.

Ele apenas sorriu, mas aquele sorriso, como todos os outros, ainda eram únicos para mim.

***

— Acho que nunca fez tanto frio em Chicago desde que eu tinha dois anos.

Estávamos arrumando a cama que dormiríamos. Edward tinha me ensinado como montar a cama que ficava no fundo do Motorhome que se resumia a puxar a extensão — que era como uma gaveta comprida — que ligaria as duas camas ao lado, tornando-a de casal. Eu não me importava, e aparentemente nem ele depois que eu disse que tudo bem.

— Vai por mim, no Canadá faz muito mais frio.

Tinha uma escadinha que eu usei para subir na cama e ajudar a puxar o lençol para forrar a cama. Era tudo tão normal para mim aquela altura que nem estava pensando que dormiria com um estranho aquela noite. Um estranho que tinha um machado.

Acho que ele não se divertiria tanto quanto eu se soubesse que eu estava fazendo piada daquilo, afinal aquilo realmente poderia acontecer, mas não com Edward ali para me proteger.

Ok, eu estava agindo agora como uma donzela indefesa.

— Nunca estive lá, não posso dizer, mas continuo achando que Chicago é um dos lugares mais frios — eu podia ser teimosa quando eu queria. — Dos Estados Unidos — eu completei em defesa, sorrindo, divertida. Não sabia quando aquilo acabaria, mas eu desejava que nunca.

Edward não tinha subido a escada que poucos degraus que ajudava a subir na cama, ficando no assoalho do Motorhome esticando os cobertores que dividiríamos. Era por isso que eu queria puxar a extensão da cama, tornando de casal, porque Edward não tinha cobertor o suficiente e, apesar dele oferecer, eu não queria deixá-lo passar frio. Afinal, eu era a intrusa ali.

— Você dorme de quê lado?

Só depois que eu fiz a pergunta eu percebi o quão idiota ela era.

— Desculpe, eu...

— Tudo bem — ele disse. — E eu durmo de qualquer lado.

Ele já estava com a sua roupa de dormir, na verdade só tinha trocado a camiseta por uma blusa daquelas de inverno. Ele tinha me emprestado mais algumas, mas continuavam me deixando muito engraçada, que no começo quando ele me viu saindo do banheiro achou tão engraçado que tinha que desviar os olhos de mim toda a vez que eles se arriscava a pousá-los em mim. Estava começando a achar que ele desviava sempre para conter o que ele realmente queria fazer.

A rotina da noite no Motorhome, Edward me contou, sempre se resumia aquilo, o que poderia soar bem solitário, quando realmente era, mas ele disse que gostava do silêncio e que fazer aquelas coisas podia ser tranquilizante.

De ambos os lados tínhamos janelas que estavam fechadas e com persianas próprias que Edward me disse que poderia parecer estranho nos primeiros dias, porque ele dificilmente se lembrava de ligar o despertador e assim ele só sabia que estava de dia porque não sentia mais sono.

Acima, no teto tinha uma claraboia que podia ser coberta também.

O aquecedor ficava ligado o que ajudava muito, porque já fazia mais de cinco horas que eu estava ali e não sentia mais frio.

Nós estávamos deitados em sentindo transversal ao Motorhome e Edward já tinha desligado as luzes antes de subir e se deitar ao meu lado. Eu mal pude senti-lo ao meu lado sob os cobertores que dividíamos, o que me fez pensar que dois estranhos dificilmente estariam ali, quanto mais juntos.

Mas eu não conseguia aceitar aquilo, então me virei de lado no colchão e encarei Edward que estava encarando o teto assim como eu estava, mas pela sua respiração eu podia dizer que ele ainda não tinha dormido.

Eu puxei minha mão debaixo de mim e procurei a dele não me importando se aquilo não seria atitude de estranhos que tinham se conhecido a poucas horas, porque, para mim, ele não era mais um desconhecido.

Eu encontrei a sua mão e foi tão fácil sentir nossos dedos se entrelaçarem como se sempre tivessem feito aquilo.

— Obrigada — eu sussurrei quando ele se virou para me olhar. Estava escuro, mas ele virou o rosto e eu ainda conseguia ver seus olhos verdes, o contorno da sua boca que estava entreaberta como se quisesse dizer alguma coisa ao mesmo tempo que queria fazer.

— Pelo o quê? — ele perguntou.

— Por ter vindo a meu socorro — eu disse. — É sério, se não fosse você eu poderia ter morrido de pneumonia, ou até mesmo entrado em hipotermia, e quem sabe perdido um dos meus membros enquanto tremia até...

— Bella, para — ele me interrompeu, e eu pude sentir que ele estava se aproximando mais de mim, levando nossas mãos unidas até o meu rosto, acariciando meus cabelos com nossos dedos ainda entrelaçados.

Eu só pude fechar os olhos e sentir a sua respiração se misturar a minha quando senti seus lábios serem colados aos meus.

Ele sussurrou meu nome, e então, o beijo que tinha começado calmo, tranquilo, apenas um roçar de lábios, se tornou algo mais intenso, com nossas línguas se conectando em uma dança um pouco sexy demais.

E então nossos lábios se desgrudaram rápido demais.

Ele encostou a testa na minha e respirando o mesmo ar que ele, eu não esperava pelas palavras que eu nunca seria capaz de me esquecer.

— Você foi a melhor surpresa que poderia ter me acontecido. Boa noite Bella.

Eu queria dizer que ele tinha sido a melhor surpresa que poderia ter me acontecido em tanto tempo.

— Boa noite Edward.

Nem tinha feito 24 horas desde que nos conhecemos, e tudo o que eu queria era Edward.

Foi assim que dormimos, colados um no outro, sentindo a respiração quente dele sobre meus cabelos assim como eu podia sentir seu coração batendo sob a palma da minha mão.

***

O que eu estava pensando?

Definitivamente ter saído de casa e ignorado todos os alertas sobre a nevasca que poderia chegar a qualquer momento em Chicago foi uma burrice. Mas a verdade disso tudo era que eu não ligava.

Quando eu acordei naquela manhã, eu só conseguia pensar no dia de ontem, em como toda aquela loucura perigosa poderia ter se tornado tantas coisas diferentes, e nenhuma envolvia um machado me cortando em pedaço, mas envolvia um desconhecido que agora não era mais um desconhecido, que tinha me oferecido abrigo e o seu pequeno fogão de bancada para que eu pudesse fazer um chocolate quente decente para gente. Um desconhecido que deveria estar em alguma parte daquele Motorhome, enquanto eu continuava aqui, deitada, encarando o teto e tentando fixar na minha memória o seu cheiro que estava no travesseiro ao lado antes que fosse a hora de ir.

Eu respirei fundo, sabendo que aquilo seria difícil e me desenrolando do cobertor que tínhamos dividido eu desci da cama pela pequena escada. Ainda de costas eu parei e abri a porta, saindo do quarto. Era tudo realmente pequeno, mas muito mais funcional do que qualquer outro lugar para viver.

Edward não parecia precisar de luxo, de uma casa com lareira. Nada do que eu tinha poderia significar luxo também, mas eu sabia que não seria o suficiente para mantê-lo ali.

Eu queria ir ao banheiro antes de me encontrar com ele, mas não pude ignorar o cheiro de café e de algo mais, como se ele tivesse feito algo no forno.

Mas como aquilo poderia ser possível?

Então eu olhei pela pequena janela ao lado e foi quando a voz no rádio que Edward devia estar ouvindo disse:

— Como eu disse Phill, a Nevasca veio do Canadá, chegando ao Michigan muito antes do que prevíamos e se estabelecendo aqui em Chicago. Os trabalhos já foram iniciados desde a madrugada e as ruas e as principais estradas já foram liberadas e estão bem melhores do que estavam ontem. Podem sair de suas casas e recomeçarem os seus dias, meus amigos. Nenhum acidente registrado, e assim seguimos a vida.

Edward estava de costas, e ao que parecia ele estava arrumando a mesa. Para completar a cena ele continuava muito lindo, mesmo de costas. Tinha trocado de roupas e eu podia dizer que ele tinha saído, já que a sua bota, ao lado dos meus tênis estavam um pouco molhadas. Ele tinha um pano de prato no ombro e parecia saber o que estava fazendo.

— Você trouxe a nevasca — eu disse, me aproximando devagar.

Ele se virou e sorriu para mim, nem um pouco assustado com a minha presença.

— Na verdade parece que ela me seguiu até aqui — ele riu esticando a mão para pegar a minha.

Seu toque era quente e confortável quando ele me puxou para seus braços e beijou o topo da minha cabeça.

Meu cabelo devia estar horrível, minha cara devia estar amassada e aquilo não o incomodava.

— Bom dia — ele disse.

— Oi — eu disse o abraçando e querendo olhar atrás dele para saber o que ele estava aprontando. — Hmmm, isso parece torrada, mel... — tantas coisas que eu mal conseguia pensar e falar ao mesmo tempo. — O que é tudo isso Edward? — perguntei incapaz de esconder o sorriso nos meus lábios e voltando a minha atenção para ele, olhando para cima e percebendo pelo o que poderia ser a primeira vez que ele era mais alto do que eu.

— Tudo isso era o que deveria ter sido feito ontem — ele respondeu, um pouco sério, mas divertido. — O que me faz lembrar, me desculpe, foi imperdoável não ter nada nos armários e o que você deve ter pensando de mim...

Ele continuaria falando, então eu me ergui na ponta dos meus pés e dei um selinho nele e pegando em suas mãos, usando o seu momento de divagação como pretexto para beijá-lo.

— Fomos pegos de surpresa ontem, eu você e todos que estavam a caminho do supermercado em um dia que deveríamos ficar em casa, ou no seu caso em um estacionamento.

— É verdade — ele concordou e a covinha no canto de seus lábios se formou no mesmo segundo.

Eu voltei meus olhos para fora do Motorhome pensando no que eu tinha me esquecido de dizer depois que o vi parado arrumando a mesa do café da manhã.

— Nem parece que tudo isso aqui estava cheio de neve até ontem a noite.

— Sim.

— Faz muito tempo desde que os limpadores de neve passaram por aqui? Me lembro quando eu era pequena que eu gostava de vê-los limpando a neve na frente da minha casa.

— Se eu soubesse teria te acordado — ele disse e parecia chateado. — A verdade é que já tem um tempo, eu sei que devia ter te acordado, mas...

Eu me voltei para ele, com as nossas mãos ainda unidas.

— Por que você não me acordou Edward? — eu perguntei, um pouco hesitante.

Mas ele nem ao menos esperou para pensar no que diria.

— Porque eu sabia que teríamos muito menos tempo uma vez que você percebesse que poderia seguir o seu caminho.

— Assim como você.

— É — ele concordou, cabisbaixo.

— Bom, eu estou morrendo de fome, mas gostaria de ir ao banheiro antes — falei, tentando não só distraí-lo daquele clima estranho que tinha se instaurado tão rápido entre nós, como a mim também.

Ele soltou minhas mãos e me deixou ir, voltando a sorrir.

Quando eu voltei, tomamos o nosso café, que por sinal estava delicioso.

Edward espalhou mel nas minhas torradas que ele mesmo tinha assado no forno, cortou alguns pedaços de bolo e serviu café para nós dois. Tudo estava tão perfeito, que era difícil pensar que ele estava mesmo certo sobre termos pouco tempo juntos uma vez que não tinha mais nada que me prendesse ali, assim como ele.

Talvez realmente fosse a neve que nos fez ficar juntos, mas a verdade era que uma vez que ela tinha passado, ele era o único responsável por ainda me prender ali. Acho que então estávamos enganados, e ferrados de tantas maneiras diferentes, porque não era só eu que teria que seguir o meu caminho, mas ele também.

Então tão rápido como a neve se acumulou nas ruas e nas estradas de Chicago ontem impedindo que as pessoas seguissem a suas vidas de forma normal, eu estava indo embora.

— Obrigada pelo café da manhã — eu comecei, sentindo a minha garganta apertar de um jeito estranho. — Saber que você sabe se virar sozinho me deixa um pouco menos preocupada.

Ele riu, colocando uma mexa do meu cabelo solto atrás da minha orelha. Nós estávamos assim, fora do Motorhome, ao que parecia vinte minutos.

— Você parece a minha mãe da última vez que ela ligou.

Eu semicerrei os olhos, sem saber se aquilo era um elogio.

A rua ainda estava molhada por causa da neve que começava a derreter, mas a situação ali fora estava muito melhor do que estava no dia anterior.

— Obrigada por se preocupar comigo, e preciso te dizer que diferente de mim — ele ficou sério — eu me preocupo só com se você vai mesmo poder sair daqui sem me dizer que a noite passada e hoje foi tão importante para você como foi para mim.

Ele me pegou de surpresa.

O que ele queria que eu dissesse?

Apenas a verdade.

— Você me salvou ontem Edward — eu comecei vendo que seu sorriso tinha morrido um pouco, como se ele pensasse que eu só poderia agradecê-lo e nada mais.

Eu aproximei nossos rostos ainda mais e apenas rocei nossos lábios:

— Ontem foi um dos dias mais sensacionais da minha vida.

Senti seus lábios se curvarem em um sorriso e suas mãos apertarem na base das minhas costas.

— Tirando a parte de te assustar com aquele machado e depois de não ter nada para te oferecer o que realmente foi algo imperdoável — ele pensou.

— Não, definitivamente morrer de frio é imperdoável — eu disse. — Obrigada — pisquei e foi assim que nos beijamos pela... não sabia, não era algo que eu realmente tivesse contado.

Aquele beijo era a nosso despedida, nele poderia estar traduzido nossos sentimentos que foram descobertos a menos de 24 horas, e que já eram tão intensos e reais, que eu não sabia o que fazer uma vez que estivesse dentro do meu carro, o carro que ele limpou de toda a neve que o tinha coberto. Uma parte de mim queria que o carro não pegasse, mas eu sei que ele não me daria aquela alegria — eu deveria ter continuado com a minha Chevy.

— Talvez nós devemos nos encontrar na sua próxima parada — eu sugeri, depois de mais alguns minutos quando eu me afastei dele ainda de frente para e incapaz de esconder o sorriso conspiratório dos meus lábios que ainda queimavam mesmo depois de estarem longe dos dele.

— Como você saberá aonde me encontrar? — ele me perguntou e eu podia jurar que ele tinha dado um passo a sua frente, em minha direção enquanto eu continuava de frente para ele também e me afastando de costas e propensa a escorregar no asfalto ainda um pouco congelado, ou de me chocar com algo antes.

Eu não imaginava que meu carro pudesse estar tão longe até que o alcancei.

— Nós daremos um jeito — eu falei um pouco mais alto e pisquei para Edward. Então abri a porta. — Até porque eu sei que você ainda tem muitos quilômetros até chegar a fronteira e fazer seu caminho pelas américas.

Eu sabia que essa última parte ele não ouviu, mas eu ainda esperava que ele pegasse o meu número deixado anotado sobre o travesseiro que tínhamos dividido na noite passada.

E sentando no banco do meu carro quando eu passei o sinto pelo meu corpo eu parei, e então sorri e bati os punhos no volante vendo o que parecia um pedaço de papelão rasgado no vidro do carro do meu lado do motorista.

Ele tinha feito um ótimo trabalho, não só em limpar toda aquela neve para mim, mas em deixar aquilo em um lugar onde eu pudesse ver.

Me liga.
Seu Edward.

Mais cedo ele tinha dito que pertencia a estrada, mas o que as suas palavras poderiam significar me fez sorrir até que meu rosto começasse a doer.

Eu não sabia muito bem o que o destino nos reservava, mas eu só poderia esperar o melhor dele, sempre.

Abaixo do que ele tinha escrito estava o seu número.

Notas finais
Adorei compartilhar com vocês Snowstorm - Nevasca em Chicago :) Saibam que tenho outras fanfics aqui no Nyah! esperando por vocês! Se você gostou, comenta aqui em baixo e se acha que merecemos uma Recomendação ficarei imensamente feliz em ler ;) Até a próxima! *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!