Snowflakes
5 Capitulo 5
– Hey! — Elsa disse, cumprimentando-o animadamente.
– Shhh. Vai começar. — Ele respondeu secamente.
Elsa se virou para frente, sem demonstrar sua frustração. Os olhos do garoto lhe eram extremamente familiares, como os seus próprios. Córregos de neve derretida. Mas ele parecia frio e duro como um bloco de gelo.
– Alunos da Academia de Talentos, sejam bem vindos!
Elsa já conhecera o homem que falava ao microfone. Nick. Aparentemente ele era o diretor e dava algumas aulas.
– Todos vocês estão aqui porque possuem algum dom especial. E não estou falando de suas habilidades nas artes ou esportes. Cada um de vocês foi convocado por uma razão. Se sua escolha for manter esses talentos em segredo, respeitaremos isso. Mas, saibam que agora estão em um local seguro. Ninguém irá julgá-los ou prejudicá-los.
Elsa não sabia se ele estava se referindo a poderes como os seus. Provavelmente não. Anna não possuía poderes e seria impossível que existissem outras pessoas que os tivessem. Elsa sempre estaria sozinha nisso.
– Esse ano, faremos uma competição. — Agora quem falava era a Srt. Tooth que se apresentara como conselheira da escola. — Vocês serão divididos em times sorteados e competirão em diversas provas. Entretanto, serão avaliados individualmente, sendo que pessoas de times diferentes poderão vencer. Alguma dúvida?
Rapunzel ergueu a mão, praticamente acenando. Claro.
– Se nosso desempenho será avaliado individualmente, qual o sentido em fazer times? Afinal, estaremos competindo uns com os outros dentro de nosso próprio time.
Por mais que Elsa detestasse admitir, era uma excelente pergunta. Talvez a garota não fosse tão boba quanto parecia.
– Esse é o objetivo. Testaremos suas capacidades de fazer alianças e cumpri-las, além de outras coisas. Agora, o professor Bunnymund vai dizer quem está em qual time.
Elsa nunca adivinharia que ele era um professor. Aparentava ter vinte e poucos anos, definitivamente quase trinta. Seu cabelo negro era raspado dos lados e o moicano se alongava em um rabo de cavalo. A regata mostrava as tatuagens que desciam por seus antebraços. Era magro e mais alto do que Kristoff, o que era impressionante. Possuía um sorriso sacana e olhava para a folha de papel que trazia nas mãos.
– O primeiro grupo é "Áries" composto por Penélope, Hiro, Violeta...
E assim continuou, por uns vinte minutos. Elsa se arrependeu de não ter trago algo para comer. Definitivamente fora um erro.
– No grupo de "Libra" ficarão Flynn, Anna, Merida, Rapunzel, — Elsa ouviu Anna e Rapunzel baterem palmas em comemoração. — Jackson, Kristoff e Hiccup.
Elsa deixou seus ombros caírem, mostrando seu desanimo.
Srt. Tooth caminhou até Bunnymund e disse algo em seu ouvido.
– Ah sim, e Elsa. Agora, no grupo de "Escorpião" teremos Flashback, Hans, Mavis...
– Estamos juntas! — Anna disse, agarrando o pescoço da irmã. — Nós vamos arrasar!
Elsa estava aliviada. Pelo menos agora passaria mais tempo com Anna.
Ela continuou sentada, em silêncio por vários minutos.
– Muito bem, crianças. — Anunciou Nick. — Nós passaremos a primeira missão agora. Vocês devem descobrir uma forma de atravessar um lago cheio de piranhas carregando uma criança. O objetivo é proteger a criança e chegar ao outro lado. Vocês terão uma semana e, sexta feira, vocês demonstraram sua técnica. Estão dispensados agora.
Anna e Rapunzel decidiram que todos deveriam aproveitar a noite livre e ir jantar na cidade, aproveitando para discutir sobre a missão e os talentos que cada um tinha.
Elsa acabou dando carona para as garotas, enquanto Flynn levou os meninos. Todos concordaram com uma lanchonete, embora Jackson não parecesse tão animado quanto os outros.
– Certo. Eu sou uma pintora, então provavelmente serei inutil na primeira prova. Anna, qual o seu talento?
– Ãh... Oi?
– Seu talento. Todo mundo na escola tem um.
– Ah tá. Eu escrevo.
Elsa sabia que Anna as vezes sentia vergonha de seu talento. Não exatamente dele, mas sim do que escrevia. Romances adoráveis, mas um pouco exagerados.
– E você Elsa?
Ah, agora isso seria uma vergonha.
– Eu... Canto.
Até mesmo Kristoff pareceu repentinamente interessado na conversa.
– Não me diga! Uma cantora? Nunca teria adivinhado. — Flynn disse.
– Certo. Certo. Tanto faz. E o seu? — Elsa perguntou ao rapaz.
– Eu sou bonito! É o melhor talento de todos.
– Ela falou sério, Flynn. — Merida acotovelou o primo nas costelas.
– Ai! Ok. Eu tenho dedos ágeis.
– Hum... Um ladrão? — Anna deduziu.
– Acertou em cheio. À propósito, aqui está seu celular. — Flynn respondeu.
Anna pegou o aperelho, tentando disfarçar o rubor de suas bochechas.
– E você, Merida? Qual o seu talento? — Elsa perguntou, tentando tirar a atenção da irmã envergonhada.
– Sou uma arqueira. Aliás, andei pesando nisso. Eu posso acabar com as piranhas. Levaria segundos. DaÍ o Jack poderia passar com a criança.
– Claro. Faça o corredor fazer todo o trabalho. — Jackson disse.
– Esse é o seu talento, correr? Isso explica muita coisa. — Elsa disse, tentando puxar assunto.
– Pois é. E o Kristoff é um escultor, não é cara? — Jackson respondeu, olhando para o amigo, mas não para Elsa.
– Eu me esforço. Mas Hiccup tem, de longe, o melhor talento. Ele é um inventor. Pode criar qualquer coisa.
– Bem, isso seria útil. De qualquer forma acho que precisamos de planos reservas. — Elsa disse. — Alguém tem alguma sugestão?
– Posso fazer um barco. Algo que resista às piranhas. — Hiccup se manifestou, pela primeira vez. — Mas vou precisar do material certo. Kristoff, você consegue arranjar madeira?
– Com certeza. É só me passar o tipo e a quantidade.
– E se isso não der certo, Merida arrasa com as flechas. — Rapunzel concluiu. — Mas tem certeza de que elas vão funcionar, mesmo na água?
– Piranhas são destrambelhadas. Elas pulam para fora. — Merida respondeu. — E, caso não pulem, eu consigo atingi-las dentro d'água tambem não se preocupe. – Senhoritas e senhores, parece que temos um plano! — Flynn anunciou, enquanto Kristoff pedia a maior porção de batata frita possível.
Elsa chegou tarde ao quarto naquela noite. Anna pedira para a irmã mais velha cantar uma canção de ninar e ela o fizera de bom grado, cinco ou seis vezes.
Merida já estava dormindo, com seus cachos ruivos espalhados pelo travesseiro. Elsa fechou as janelas e vestiu o pijama o mais silenciosamente possível e subiu as escadas da beliche.
Sobre seu travesseiro, havia um envelope. O papel era branco e o único enfeite era o floco de neve, usado para mantê-lo fechado.
Curiosa, Elsa abriu o envelope cuidadosamente, apenas para ver um coelhinho de neve sair de lá. O animal correu pelo ar, dando três voltas ao redor da garota e explodindo em diversos fragmentos brilhantes, que sumiram antes de atingir qualquer superfície.
Elsa não sabia quem deixara o envelope, mas duas coisas eram certas: fosse quem fosse, essa pessoa sabia de seu segredo. E possuía poderes similares aos seus.
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