Snowflakes
1 Capítulo 1
– Elsa! Elsa! Acorde Elsa!
– Anna, volte para cama.
– Eu não posso! O sol está acordado, logo eu estou acordada! — A garota ruiva ria enquanto pulava sobre a irmã.
– Mas ainda falta muito tempo... — Elsa disse, olhando para o relógio de cabeceira.
– Sim, mas é o nosso primeiro dia de aula! Você não quis me ajudar a escolher uma roupa ontem, então precisa me ajudar hoje.
– Ok. Só mais cinco minutinhos, eu juro. — Elsa pediu, cobrindo o rosto com o travesseiro e esperando que a irmã fosse embora.
– Psiu. — Anna chamou. — Você quer brincar na neve?
Elsa levantou a cabeça imediatamente, sorrindo travessamente. A garota esticou os braços em um gesto dramático e exagerado, congelando o piso do quarto.
– Eu sabia que funcionaria! Aqui estão suas botas!
Elsa calçou rapidamente as botas marrons e agitou os dedos, criando lâminas de gelo para ela e Anna.
As irmãs deslizaram pelo cômodo, desviando dos móveis e fazendo piruetas. Elas eram boas naquilo e os anos de prática mostravam seus resultados.
A porta do quarto se abriu no segundo em que Anna iria usá-la como barreira. A garota continuou deslizando para fora do quarto, em direção às escadas.
– Anna! Não! — Elsa esticou os braços para frente, congelando os degraus e permitindo que a irmã continuasse deslizando.
Por fim, ela criou uma montanha fofa de neve para aparar a queda da irmã.
Anna se levantou um pouco tonta, limpando a neve do pijama e rindo.
– Bom dia Olaf! — Ela gritou para o homem alto que abrira a porta. — Isso foi incrível, Elsa, seus reflexos estão ficando mais rápidos!
– Que bom. Vou precisar deles, pelo jeito. Bom dia Olaf, tudo certo?
– Com exceção da montanha de neve no meio da entrada, está tudo impecável, Princesa.
– Certo. Vou cuidar disso. — Ela disse, fazendo um gesto com as mãos e removendo a neve. — E Olaf, nós concordamos em te trazer porque você é como um pai para nós e é o melhor mordomo do mundo, mas por favor, não nos chame de princesas. Não aqui.
– Como quiser, Prin... Senhorita?
– Pode ser. Trabalharemos nisso mais tarde.
– Oh meus deuses! Elsa! Nós só temos uma hora e meia para nos arrumarmos! — Gritou Anna, do andar de baixo, arrancando as botas e correndo descalça pelo lado não congelado da escadaria.
– Olaf, por favor, me salve! — Implorou Elsa.
– Sinto muito, senhorita. Mas preciso ãh... Ir buscar os animais no porto.
– Olaf! Eles só chegam a tarde! Olaf! Volte aqui seu traidor! — A loira gritou, enquanto o mordomo corria porta a fora.
Anna usou cada segundo que tinha para provar roupas. Elsa já conhecia cada peça de roupa do closet delas e sabia que ela escolheria a saia branca rodada, a regata rosa, a jaqueta branca e as alpagatas brancas. E assim ela fez. Bem, quase.
– Anna, tem certeza? Esses sapatos?
– São lindos, não são?
– Com certeza. Mas para a escola? Não acha melhor pegar algo... Mais baixo?
– Não, esse ficou perfeito. Vou apenas trançar meu cabelo. Vai querer ajuda com as suas roupas?
– Não, valeu.
– Foi o que eu pensei.
Elsa assistiu Anna caminhar para o próprio quarto, tentando se equilibrar sobre os imensos saltos cor de rosa.
Foram necessários menos de dez minutos para Elsa vestir uma saia, meia calça, botas curtas e jaqueta preta, com um sweater vinho. Mais quinze minutos para trançar cabelo, se maquiar e achar a mochila sob as roupas da irmã.
– Ann! Vamos! Estou te esperando na garagem!
– Já estou indo! — A garota ruiva gritou, correndo em direção à porta de saída.
Anna entrou no carro ofegante, enquanto Elsa colocava calmamente o cinto.
– Volte e pegue sua jaqueta. Está frio.
– Não dá tempo! Anda logo?
– Cada segundo sem jaqueta é um segundo parada. Mas a escolha é sua.
– Ok. Ok. Você venceu.
Anna correu de volta para o quarto e pegou a jaqueta, quase caindo no processo. Talvez os saltos não fossem a melhor opção, no fim das contas.
– Pronto. Toca para a escola!
– Cinto.
– Argggh!!! — Ela reclamou, puxando o cinto com força. — Pronto. Vamos!
Elsa deu partida no Jeep e saiu quase cantando pneu. As irmãs chegaram à escola em poucos minutos e entraram na primeira vaga que encontraram.
– Te encontro aqui no fim da aula certo?
– Com certeza. — Respondeu Anna. — E boa sorte.
– Para você também. Anna.
Com essas palavras, Elsa caminhou até sua sala, contando os segundos para aquele dia acabar. Ao contrário de Anna, ela não era uma grande fã da socialização.
Na verdade, ela passara anos isolada em seu próprio quarto, evitando até mesmo a irmã, com medo de machucá-la. Entretanto, há alguns anos ela simplesmente aprendera a controlar seus poderes e ninguém sabia como.
Ela já não era um perigo ambulante e podia caminhar livremente pelos corredores do castelo. Seus pais assistiam as filhas brincando pelo pátio e construindo bonecos de neve. Todos ficaram tão contentes e aliviados que ninguém questionou como ela aprendera.
Agora, em passos apressados, ela tentava encontrar sua sala. Elsa não notou quando a fina lâmina de gelo se formou sob seus pés. Ela viu o mundo virar de cabeça para baixo enquanto caía.
E então, olhos azuis. Azuis, quase brancos, como córregos de neve derretida. Azuis como os dela. Olhos tão familiares quanto se olhar no espelho. Tão familiares.
– Oh-Obrigada.
– Você deveria prestar mais atenção por onde anda. Quase me esmagou.
A semelhança entre os dois não acabava nos olhos. Elsa notou os cabelos bagunçados, quase brancos, do garoto, assim como sua jaqueta de couro e a camiseta vinho. Eles poderiam ser irmãos. Gêmeos.
– Desculpe. — Ela disse, se soltando dos braços do garoto.
Pegou sua mochila do chão e se lembrou das palavras que Anna lhe dissera no carro.
"Tente fazer amigos. Por favor. É só dizer o seu nome e sorrir. Eu sei que você consegue. É importante."
Se Anna dizia que era importante, Elsa não discutiria. Parecia um preço mínimo para deixar a irmã feliz. E a felicidade de Anna era tudo o que importava.
– Eu sou a Elsa. — Ela disse, sorrindo de forma forçada, completamente inatural.
– Você pode me chamar de Jackson. — Ele disse, sem nem tentar sorrir. — Preciso ir. Minha sala é do outro lado do campus.
– Certo. Ah, você sabe onde fica a C3?
– É minha sala. Eu te levo até lá...
O sinal tocou tão alto que Elsa imaginou se não tinha estourado seus tímpanos.
– Droga! — Jackson gritou. — Estamos atrasados! Me siga e, se não conseguir acompanhar o ritmo, vai ter que ficar para trás.
E saiu correndo, assim, do nada.
Elsa demorou um pouco para perceber que deveria correr. O garoto se movia como o vento, dobrando os corredores e saltando as muretas. Mas ela era rápida e se manteve em seu encalço. As escadas foram sua maior dificuldade. Três lances para chegar ao andar certo.
Ambos estavam ofegantes no instante em que cruzaram a porta, passando as mãos no cabelo e tentando parecer casuais.
Elsa ouviu um assobio do fundo da sala e corou, percebendo no mesmo instante com o que a cena deveria se parecer.
– Sr. Jackson e Srt... — O homem alto e barbado parou de falar ao perceber que não sabia o nome da garota.
– Elsa. — Ela complementou.
– Certo. Sr. Jackson e Srt. Elsa, sentem-se, por favor. Creio que há duas carteira no canto direito da sala. E espero mais pontualidade da próxima vez.
– Pode deixar, Nick. — Jackson disse, sem hesitar.
Elsa caminhou em silêncio até o fundo da sala, com a postura impecável que fora criada para ter.
– Muito bem, alunos, como eu dizia, a pessoa ao seu lado será sua dupla até o fim do ano. E nem pensem em mudar. Eu já memorizei as duplas e minha memória é perfeita.
Jack resmungou baixinho e Elsa se virou para encará-lo. O garoto não parecia nada contente. Ele não era como Anna, positivo e animado. Naquele momento, ele parecia exatamente o oposto disso.
Elsa sabia que esse seria um longo ano.
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