Notas iniciais
Finalmente, chegamos ao capítulo final. Boa leitura!

Finalmente, era véspera de Natal.

Cherry e Joe haviam montado uma decoração extremamente aconchegante dentro da suíte, com uma árvore razoavelmente grande e várias luzes piscantes. Carla tocava uma playlist natalina através de uma caixinha de som.

À mesa, havia vários pratos e sobremesas natalinos, combinando as tradições canadenses e japonesas. Langa não se segurou e comeu todo o poutine antes que qualquer um tivesse sequer a chance de vê-lo.

Todos usavam suéteres verdes e vermelhos, bem clichês. Sketchy também estava usando um mini suéter.

Adam e Tadashi também estavam ali. No fim das contas, Adam realmente tinha se reconciliado com todos do grupo. Além disso, Tadashi parecia ter se dado extremamente bem com Nanako, e até mesmo com Sketchy.

Langa e Reki sorriram quando o último convidado bateu à porta.

Tetora também estava usando um suéter natalino e seu braço direito estava engessado.

— Oi, pessoal.

Ele estendeu a mão esquerda para cumprimentá-los, ainda tímido. Para sua surpresa, os dois garotos o puxaram para um abraço apertado.

— Seja bem-vindo, cara!

Todos se sentaram à mesa, juntos. Tetora foi extremamente bem recebido por todos, principalmente por Miya e Adam.

De repente, Shadow surgiu fantasiado de Papai Noel, em cima de seu skate, carregando um enorme saco de presentes nas costas. Todos caíram na gargalhada.

— Eu odeio vocês!

Em todos os anos de sua vida, Langa sempre passou o Natal no Canadá com a sua família. Mas ele nunca havia se sentido tão em casa quanto naquela noite.

Ele observava atentamente cada uma das pessoas ali. Reki, sua mãe, seus amigos, e até mesmo Adam, Tadashi e, agora, Tetora. Aquela era a nova família que ele havia construído.

Claro, ele desejava que o pai estivesse ali. Com certeza, Oliver teria adorado conhecer cada um deles. Mas, agora, Langa se sentia mais próximo dele novamente. De alguma forma, o garoto sentia que seu pai estava, sim, com eles naquela noite.

O azulado sentiu o ruivo segurando sua mão, por baixo da mesa.

Olhando em sua direção, ele pode observar um belo sorriso, que ele logo retribuiu.

— Merry Christmas, Langa — o sotaque pesado do japonês era muito fofo.

Langa riu.

— Merry Christmas, my love.


***


Uma semana depois, era véspera de ano novo.

Não havia lugar melhor naquela cidade para assistir ao show de fogos de artifício do que do alto da montanha de turismo.

No auge da noite, aquela paisagem, que eles tantas vezes observaram, tinha um ar totalmente diferente. Tudo parecia muito mais pacífico, já que a montanha estava silenciosa e vazia. No horizonte, as luzes da cidade brilhavam à distância.

Reki e Langa se sentaram lado a lado. Langa passou o braço pelos ombros de Reki, que encostou a cabeça em seu peito.

Logo, os outros também se sentaram na neve, todos juntos. Tetora se sentou ao lado do casal.

— Obrigado por terem me recebido desse jeito, mesmo depois do modo como eu tratei vocês dois.

Reki se inclinou para dar um soquinho no peito dele.

— Estamos aqui pra isso, cara.

Ele observou a paisagem, sorrindo.

— Nos vemos aqui de novo no próximo inverno? Eu ainda quero poder praticar snowboard junto com vocês, algum dia.

Reki e Langa se entreolharam.

— Pode apostar que sim! — Langa sorriu.

— Ou, quem sabe, você pode visitar a gente no verão — o ruivo estava com seu olhar energético de sempre. — Eu posso ensinar outro snowboarder a andar de skate. Já tenho experiência nisso.

Tetora riu.

— Se for assim, então acho que vamos precisar aprender a surfar também. Ou, quem sabe, podemos aprender sandboard.

O ruivo deu de ombros.

— Acho que, se tivermos uma prancha, as possibilidades são infinitas.

— Mas o skate é o único que dá pra praticar a qualquer hora, em qualquer lugar e em qualquer situação — Langa repetiu a icônica frase.

— Vai ver é porque o skate é o único que tem rodas.

Os três riram.

— Talvez eu sinta falta de vocês dois — Tetora debochou.

Langa olhou para seu celular.

11:59 pm.

Carla deu início à contagem regressiva e todos acompanharam.

Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um…

Então, a bela paisagem montanhosa foi iluminada por um show de explosões coloridas no céu.

Langa se levantou, com um sorriso empolgado no rosto, e segurou a mão de Reki, o puxando.

Eles se afastaram dos outros, indo para um canto mais isolado.

Ali, o azulado passou os braços pela cintura do ruivo, o aproximando para um beijo apaixonado.

Assim como os fogos de artifício no céu, os sentimentos dos dois explodiam em várias cores, aquecendo seus corações naquela noite gelada.


***


Após a virada do ano, chegou o momento de voltarem para o Japão.

Quando entrou no aeroporto, Langa teve um déjà-vu. Afinal, era a segunda vez que estava indo embora do Canadá, em direção a Okinawa. Mas, dessa vez, ele não estava com pesar no coração.

Enquanto ainda estava no Japão, ele teve medo de retornar ao Canadá e ter que lidar com todos aqueles sentimentos ruins de novo. Ele teve medo de acabar estragando de uma vez por todas as memórias felizes que tinha da sua vida ali.

É claro que as coisas não seriam as mesmas de antes. Mas, agora, ele não apenas havia se sentido mais próximo de seu pai e da sua antiga vida, como havia criado ainda mais memórias incríveis naquele lugar.

Dentro do avião, Langa observava a paisagem através da janela, enquanto se afastava novamente de sua cidade natal. Mas, dessa vez, ele sabia que não era um adeus. Em breve, ele teria a chance de voltar para lá e criar mais memórias novas.

E Reki estaria com ele outra vez.


***


Alguns dias depois, era a vez de Miya ir embora.

Todos o acompanharam até o aeroporto, para se despedir. Por mais que tivessem tido mais de um mês para se prepararem para esse momento, ninguém realmente estava pronto para essa despedida.

Shadow chorava, escandalosamente.

Miya ria.

— Ah, qual é! Não é como se eu estivesse indo embora para sempre! Eu volto para visitar vocês. Além disso, vocês também podem me visitar em Tóquio.

Joe bagunçou o cabelo do pequeno.

— Pode apostar que nós vamos, tampinha.

Cherry secou uma lágrima, discretamente.

— Tome cuidado na cidade grande, Miya.

— Pode deixar, mamãe!

O pequeno abraçou todos, um por um. Por fim, chegou a vez de Langa e Reki.

— Aí, pombinhos, cuidem do pessoal e do S por mim. E não aprontem enquanto eu estiver fora!

— Olha só quem fala! — Reki riu — Vamos sentir falta de você, nanico.

— Mostra para aqueles newbies como se anda de skate — Langa arrancou risadas de todos com sua imitação.

Os dois abraçaram o menor, juntos. Então, todos os outros se juntaram para um último abraço apertado em grupo.

Quando se separaram, Miya não conseguiu esconder suas lágrimas em meio ao seu sorriso.

Ele olhou uma última vez para cada um dos seus amigos. Secou as lágrimas e pegou suas malas.

O pequeno respirou fundo e foi embora, em direção ao seu futuro.


***


Reki e Langa caminhavam de volta para casa, a pé.

Mais uma vez, era estranho estar em janeiro e não ter mais aquela brisa tão gelada. O sol estava se pondo no horizonte, deixando o céu avermelhado. Como sempre, o azulado não podia deixar de notar como Reki parecia reluzir naquela iluminação.

Quando chegaram na casa de Reki, os dois garotos foram recebidos pelas gêmeas, que estavam a todo vapor.

As pequenas abraçaram as pernas do irmão com tanta força que quase o derrubaram.

— Calma aí, galera! Que agitação toda é essa?

Koyomi se aproximou, rindo. Ela entregou alguns pedaços quebrados de madeira para o irmão.

— Acho que você tem trabalho!

Reki riu.

— Esse durou bem menos que o último!

Ele se abaixou e abraçou as pequenas.

— Mas não tem problema! É claro que eu conserto!

O ruivo levou Langa até a garagem, ou sua oficina particular, como preferia.

Langa olhou ao seu redor, observando a bagunça costumeira da oficina do ruivo, com todos os seus shapes e rascunhos de projetos novos.

Por mais que amasse a calmaria do snowboard, nada nunca seria capaz de substituir o amor que ele tinha por toda essa energia incrível e caótica do skate.

Reki fechou o portão da garagem. Assim que garantiu que os dois estavam sozinhos lá dentro, puxou Langa para um beijo.

— Eu quero te mostrar uma coisa!

O ruivo foi em direção a um armário velho e começou a procurar alguma coisa lá dentro. Logo, ele tirou duas pranchas de madeira.

Langa observou as pranchas. Elas tinham os mesmos desenhos dos skates padrões dos dois garotos. Porém, o canadense percebeu que elas eram muito maiores e tinham fixadores para os pés. E, observando melhor, ele viu que elas também não tinham rodas.

— Reki, isso são pranchas de snowboard?

O japonês sorriu.

— Eu já fiz um milhão de shapes de skate. Eu quis testar se conseguia fazer pranchas de snowboard também.

Langa estava completamente maravilhado.

— Reki, isso é incrível!

O azulado puxou o ruivo para outro beijo. Em seguida, o abraçou carinhosamente.

— A gente pode usar da próxima vez que for ao Canadá — o ruivo já parecia estar fazendo planos. — Só é uma pena que nós vamos ter que esperar alguns meses para isso.

Langa riu.

— Enquanto isso, que tal se a gente andar de skate?

O ruivo retribuiu o sorriso.

Os dois pegaram seus skates e correram em direção à rua. Langa colocou seu skate no chão e subiu nele. Porém, antes que começasse a remar, olhou para trás e viu que Reki estava parado, de cabeça baixa.

— O que foi Reki?

Aqueles olhos cor de âmbar, apaixonados, encontraram os olhos cristalinos do canadense.

— Eu só queria te dizer uma coisa, Langa.

Ele demorou um pouco para dizer as próximas palavras, até que abriu um sorriso bobo.

— I love skateboarding with you!

Notas finais
E essa foi a minha história! Sabe, o que começou como um mero exercício de escrita acabou se tornando algo muito especial para mim. Entre muitas idas e vindas, esse projeto fez parte da minha vida durante três anos. E eu ainda não acredito que, depois de tanto tempo, eu realmente consegui concluí-lo. Mesmo na primeira versão dos capítulos iniciais, há três anos atrás, tive a honra de lindos comentários e alguns poucos seguidores que me apoiaram neste trabalho. Agradeço a cada pessoa que tirou um pouquinho do seu precioso tempo para ler a minha história, Vocês não fazem ideia do quanto isso é importante pra mim. Espero que vocês tenham gostado e quero ouvir as opiniões de vocês. Se tudo der certo, esse projeto é apenas um pequeno preparo para o início de um antigo sonho maior. Mais um vez, muito obrigado!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.