Snow&Coffee
1 cold.
Notas iniciais
era pra ser uma oneshot, mas sei la
se quiserem que eu continue eu tenho umas ideias pra mais uns dois capitulos dfodahijkfjaf boa leitura !!
...Sorte.
Um suspiro escapa de seus lábios entreabertos e ele encolhe-se em seu canto, tentando ignorar o frio. Seu casaco não foi feito para aguentar um clima gelado como este, e os tênis escorregavam fácil pela neve.
Mas isso era seu menor problema –antes de um certo horário, não havia nenhuma maneira de entrar no campus, e voltar para casa agora seria perda de tempo. Então ele teve de olhar para o lado positivo das coisas, como costumava fazer, e como era tão bom fazendo... Porém não esperava encontrar ninguém ali, e ver um certo colega fumando encostado na parede o fez arregalar os olhos.
- Togami-kun?
Ele inclina a cabeça e o encara com aqueles belos olhos azuis. Byakuya era uma questão de classe, sempre favorecendo o lado neutro de suas roupas, com seu corpo magro sob um terno preto liso que parecia ser um pouco mais pesado do que os que ele costumava usar. O cabelo loiro, caindo de forma natural em volta de seu rosto e a suave vermelhidão sobre suas bochechas e nariz em contraste de sua pele clara lhe davam um ar diferente; o que Makoto notou quase de imediato.
- ..Naegi. – o tom ríspido de sempre. – O que está fazendo aqui?
- Meu, uh.. Meu despertador tocou mais cedo, e eu corri pensando que estava atrasado... – ele parou, e Togami dirigiu-lhe um sorriso de deboche.
- Não esperaria nada diferente de alguém com o título de SHSL Sorte – diz, ironicamente, e dá uma tragada.
Naegi tenta permanecer indiferente quanto à fumaça, especialmente por ele sequer suspeitar de que o outro fumava, o que provavelmente Togami mantinha em segredo. Mesmo assim, este parecia não muito preocupado em ser pego cometendo tal alto.
- E você? – pergunta, genuinamente curioso.
- Para obter uma vantagem inicial na minha educação, obviamente. – ele bateu um dos dedos sobre o cigarro e jogou as cinzas fora, observando-as queimar em contato com a neve. Houve um breve momento de silêncio, seguido por outra resposta entredentes: — Eu não conseguia dormir.
Ele balançou a cabeça distraidamente, compreendendo. Era comum acordar muito cedo ou dormir demais, especialmente quando se frequentava aquela escola.
- Onde está Fukawa-san? – Naegi questiona, inquieto. Ver Togami sem Touko era como vê-lo sem sua sombra.
- Como eu poderia saber? – a fumaça escapou do canto de sua boca quando falou. – Deve estar ocupada sendo uma decepção em algum lugar qualquer.
O último comentário o fez franzir a testa levemente, observando-o com olhos verdes suaves. O insulto era algo costumeiro vindo do herdeiro, então por que Naegi sentiu-se tão estranho naquele momento--?
- Mmnh, bem.. – ele chuta um pouco de neve e se arrepende no mesmo momento. – Você quer tomar um café? Por minha conta?
Togami levanta uma sobrancelha perfeitamente desenhada.
- Naegi – diz, — você realmente disse isso pra mim? Inacreditável.
- Seria rude se eu não dissesse – ele responde, rindo de forma parte doce, parte nervosa.
- Humpf – o loiro desencosta da parede, deixa cair o cigarro e pisa sobre ele. – Não preciso do seu dinheiro. Vamos logo.
Ele o seguiu mansamente, contente por apenas ter conseguido convencê-lo de acompanhá-lo.
Quando ambos se conheceram, Naegi não teve uma boa impressão da pessoa que era Byakuya Togami. Mas quando você passa tempo suficiente com alguém, a máscara começa a cair aos poucos, e ele não era mais o tão dolorosamente famoso e rico herdeiro, o estudante SHSL que ninguém ousava se aproximar—ele era apenas Togami-kun, o excessivamente rude colega de classe alta que era bom em quase tudo que fazia, que julgava todos os seres humanos e que conseguia farejar dinheiro e insegurança. Um pouco difícil de se amar, mas Naegi o fez mesmo assim. Já fazia alguns dias desde a última vez em que passaram um tempo juntos, e talvez aquela manhã não fosse mais um golpe de azar.
O café não era longe da escola. Na verdade, durantes as tardes frias de inverno, Naegi e alguns de seus amigos iam lá se aquecer. A rota ainda estava coberta de terra gelada, mas a caminhada passou rapidamente. Togami geralmente ficava irritado no meio de uma conversa, derramando ofensas... Mas não esta manhã. Ele ainda era naturalmente indelicado, mas sorria durantes suas provocações e mantinha um assunto. Apenas um pouco mais lento, um pouco menos silencioso.
Ele abriu a porta e deixou Naegi entrar primeiro, e ambos tiraram seus casacos por conta do ambiente climatizado. Estavam sozinhos no estabelecimento, com exceção dos funcionários. Pessoas com juízo estavam dormindo, afinal.
- Oh, wow – Makoto inspira o delicioso aroma presente no ar, abrindo um sorriso e erguendo o olhar para uma prateleira superior, com marcas de alta qualidade. – Earl Grey.
- Huh, esse chá? É isso o que você quer? – ele riu, cruzando os braços.
- Kirigiri-san gosta dele.
Togami revira os olhos, e o encara como se fosse um idiota.
- É claro que gosta. E ainda dá ouvidos à ela. Francamente, Naegi, imaginei que você tivesse bom gosto. Quer embalar uma xícara e levar um pra sua namorada? – diz, tão casualmente que o garoto leva alguns segundos para compreender.
- E-Eu.. Nós não somos namorados..! – as maçãs do rosto colorem-se em vermelho, surpreendido pela afirmação súbita.
O herdeiro diverte-se com o pobre envergonhado Naegi, e senta-se em uma das poltronas, cruzando as pernas e apontando para um saco de café sobre a prateleira e o mandando pegá-lo. Bem, mais fácil dizer do que fazer—em passos incertos, ficou na ponta dos pés e esticou o braço, mas não o alcançou.
- O quão baixo você é, Naegi?! – bufando, Togami levanta e aproxima-se por trás. – Está mesmo com sorte. Eu estou aqui pra pegar isto por você.
Ele apóia uma de suas mãos sobre o ombro de Makoto e ergue a outra, e a manga de seu casaco desliza para baixo ao revelar manchas rosadas e roxas por seu pulso e braço; e Togami pegou o saco da prateleira e escondeu sua pele tão rápido quanto em um piscar de olhos. Olhos verdes preocupados encontraram seus azuis brilhantes aflitos—ele sabia que ele viu, e ele sabia que ele sabia—e Togami rapidamente voltou à sua carranca de sempre.
- Então, o que você quer? – a questão era apenas um pouco apressada, um pouco forte demais. Makoto desvia o olhar, tendo o menu como desculpa.
- Ah, uh.. A-Acho que o café espresso comum está bom – ele gagueja, e Togami varre em direção ao balcão, recitando a ordem chata e normal e algo ridiculamente caro e cheio de exigências para ele, certamente—e então esperaram. Makoto esperou pacientemente, enquanto Byakuya permanecia de braços cruzados, dado um momento em que até virou-se e gritou para o funcionário, fazendo-o estremecer. Assim que ficou pronto, eles pegaram as bebidas e atravessaram a porta.
Caminharam calmamente bebendo através da calçada. A neve abafava todos os sons, e ainda era tão cedo que as estradas estavam abandonadas e parecia que os dois eram as únicas pessoas do mundo.
Naegi normalmente teria achado esse tipo de situação desagradável e embaraçosa, só que desta vez sentia-se muito mais confortável e serene do que provavelmente já sentiu na presença de Togami, e não sabia o que dizer.
- Ei, Togami-kun... – começou, lento e macio, mas o herdeiro rapidamente o cortou.
- Você não acha o seu talento ridículo? – ele o olhou de soslaio. – SHSL Sorte, e então começa a frequentar esta escola. Mas vamos ser honestos, a sua sorte é..? Absolutamente terrível, e como se os seus problemas estúpidos normais não bastassem você ainda tem que lidar com eles. Em uma escola normal, você só seria mais um comum sem futuro, mas aqui você tem Ishimaru respirando no seu pescoço gritando ordens e você tem que competir com Kuwata no ginásio, o que é absurdo. – sua respiração tornou-se superficial, mas ele continuou: — E as garotas. Kirigiri é um maldito robô, Celestia é uma lunática e Fujisaki sequer é uma menina. Você tem que conviver comigo e com eles, acima de todas as pessoas, e te chamam de sortudo, não é ridículo?
Togami interrompeu-se e ficou alguns segundos calado.
- Não é ridículo? – repetiu, e ainda tinha a expressão de escárnio no rosto, mas seu tom diferenciado e a dor em seus olhos foi o suficiente para alertar Naegi, que virou-se e o envolveu entre seus braços. Era desajeitado, e a diferença de alturas atrapalhava um pouco, mas não havia nada mais que ele pudesse fazer.
Togami grunhiu e o empurrou, mas congelou quando notou que Makoto havia colado-se à ele firmemente. Houve um momento desconfortável de silêncio, um amassado contra o outro, Naegi escondido entre as camadas de roupa e Byakuya tentando ao máximo manter-se longe dele. Mas depois, no último momento, baixou o rosto e tocou o topo da cabeça de Naegi com sua testa, bufando.
- Solte-me – disse, cortante.
- Eu poderia ter sorte – respondeu Naegi, — mas assim eu não teria vocês como meus amigos. – muito hesitante, ele acariciou suas costas com dedos suaves. – Togami-kun, você também é importante pra mim, ok? E... Eu não gostaria de ter ido à qualquer outro lugar.
Ele afastou o rosto e Byakuya fez o mesmo, observando-o de cima.
- Você é um tolo, Naegi – um insulto, é claro, ou não seria Byakuya Togami – E está preso conosco, comigo. – contorceu-se para longe dele, e limpou a roupa como se o garoto fosse algo sujo. – Muito ruim pra mim, porque você é um perdedor.
Desta vez, Naegi riu, sentindo-se mais quente e leve mesmo no clima frio e com lufadas de ar quente saindo de sua boca. Pelo menos, voltou a ser o Togami normal com seu tom superior normal. Virando-se, eles passaram a caminhar lado a lado novamente, e houve um breve momento de silêncio antes de Togami se pronunciar novamente.
- Tch.. É, tanto faz.. Obrigado.
Naegi deu os ombros, e sorriu.
- De nada. É por isso que estou aqui.
Fale com o autor