Notas iniciais
Olá meus lindos! Primeiro eu quero me desculpar pelo atraso, mas pensem em uma menina ferrada no final do semestre, agora acrescentem isso na enésima potência e estará perto de onde estou... =( Terei que mudar as postagens da fic. Postarei nas segundas ou terças-feiras. Estou trabalhando na sexta agora... =/ Bom, mais um capítulo da Sansinha e o encontro dela com Sandor. Quero dizer que realmente chorei numa parte que escrevi. Por isso o nome do capítulo é família, em homenagem à essa parte. Capítulo dedicado para Tathi, Létys, Alex, Nanda e Aline Martell que estão sempre presentes por aqui e me incentivando com seus comentários. Boa leitura!

SANSA

O dia amanheceu chuvoso no Vale. Nuvens escuras e densas sobrevoavam pelas montanhas. O vento assolava com força a janela da sacada de Sansa, causando assovios pelas frestas do vidro. Num desses assovios a menina acordou sobressaltada.

“Que barulho foi esse? Parece alguém forçando a minha janela... mas ele disse que viria somente a noite...”

Sansa ainda estava assustada com a sua determinação em ir a tal encontro. Cão de caça foi um dos homens mais odiosos que conheceu, mas também o mais sincero. A menina sabia que todas as palavras ásperas que ele lhe dirigia em Porto Real era para tirá-la de seus sonhos bobos e transportá-la para a realidade: maldade. E isso a menina conheceu bem de perto estando sob a custódia dos Lannisters. Ainda guarda as marcas das várias surras que tomou dos cavaleiros da guarda real, mas sempre achou interessante o fato de Sandor Clegane nunca lhe levantar a mão.

“Ele nunca me bateu. Tentou ao máximo me proteger das maldades de Joffrey, mas no final ele era um homem atormentado. Um bêbado. O que quer comigo hoje à noite? O que tem de tão importante para me contar? Será uma armadilha?”

Pensar que estava caindo em uma armadilha a deixava ansiosa. Mas o fruto de sua maior ansiedade nos últimos dias tinha sido Petyr. Desde que o homem se esgueirou pela sua porta a duas noites não tinha tido oportunidade de vê-lo. Sor Lothor Brune lhe trouxe a notícia que seu pai tinha ordenado que não saísse do quarto até suas ordens. Sansa chorou e até mesmo gritou com o pobre cavaleiro, mas ele a olhou como que se desculpando e disse:

— Minha senhora, algum dia seu pai lhe fez algo que não fosse para o seu bem?

Sansa ficou envergonhada pelo seu comportamento digno de Arya. Ela tinha sido criada para ser uma lady e não uma selvagem qualquer. Retratou-se:

— Desculpe Sor. Eu entendo as razões de meu pai.

Sor Lothor lhe sorriu:

— Isso é o que uma senhora responderia. Mas Alayne, minha senhora, quero que me escute. — Ele ficou muito sério — Se qualquer coisa de diferente acontecer com a senhora ou alguém estranho a procurar jura que irá me procurar? Estamos em tempos difíceis no Vale...

— Irei lhe procurar. Prometo!

Sansa sentiu em seu íntimo que precisava encontrar Sandor. Mentir para Sor Lothor foi penoso, mas era o certo a fazer. Contente em confiar na menina, Lothor lhe fez uma reverência e saiu pela porta, trancando-a e levando a chave.

“Que legal... agora sou prisioneira em meu próprio quarto. Petyr... por que não veio me ver depois de tudo que fizemos? Eu disse que o amava!”

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Sansa já estava deitada em sua cama. Olhou para o relógio. Era onze e quarenta. Mais vinte minutos e seu encontro seria uma realidade. A chuva e o vento que castigaram o Vale pela manhã resolveram parar de noite, como um anúncio de bom agouro. A menina estava ansiosa em saber as intenções de Sandor, mas receosa por fazer algo escondido. Mas a menina estava um tanto quanto rebelde nesses últimos dias. Ficar trancafiada em seu próprio quarto a enraiveceu. Por mais que odiasse mentir para Petyr, em seu íntimo achava que o próprio o merecia.

“Onde já se viu? Me deixar trancada sem nem ao menos vim me ver? E se ele vier hoje e me pegar no flagra conversando com Sandor? Petyr tem o hábito de aparecer em horas terríveis... primeiro Harry, depois Jory...”

Lembrar de Jory fez com que algo estalasse na cabeça da menina:

“Jory... não é possível! Jory só pode ser Sandor. O tamanho, estar com o rosto todo coberto e os olhos. Por isso ele me olhava como se me conhecesse e como se quisesse me dizer algo. Sandor, o que a vida fez de você? O que está fazendo junto da Fé? Você já me disse que não acreditava nos Deuses...”

Um barulho a despertou de seus pensamentos. A menina arregalou os olhos e ficou alerta para ouvir melhor. Mas não ouviu mais nada.

“Deve ter sido alguma rajada de vento...”

Com medo de Petyr entrar em seu quarto e vê-la com Sandor, resolveu colocar algo na porta para que, caso fosse aberta, um barulho fizesse. Rodou os olhos pelo quarto à procura de algo, mas nada encontrou.

“Não é possível que não tenho nada que me sirva...”

Uma coisa brilhando chamou sua atenção.

“Isso! Como posso ter me esquecido disso?”

O sino dos ventos que Harry a tinha lhe presenteado estava escondido em cima de seu guarda-roupa. Deixou-o ali para que Petyr não descobrisse que ganhara um presente que não fosse seu. A menina não fez por mal. Ficou com medo da reação de seu tutor. Mas também tinha gostado do seu presente. A fazia lembrar-se de Winterfell e dos sinos dos ventos que sua mãe gostava de colocar nas amplas varandas do castelo. Podia fechar os olhos e lembrar-se dela e de seus irmãos, até mesmo Jon, sentados ouvindo a linda música que os sinos tocavam nos ventos da primavera e contando histórias do passado.

“É como se fosse outra vida... mais feliz.”

Pegou seu presente com lágrimas nos olhos. Ele tinha cinco pedras vítreas de tamanhos diferentes. Começando com uma do tamanho de um ovo até terminar numa pequenina, do tamanho de uma pérola. Nunca tinha pensado nisso, mas decidiu que cada uma das pedras teria o nome de um de seus irmãos. A maior e mais escura seria Jon. Era o mais velho e de cabelos mais escuros.

“Eu nunca me aproximei muito de Jon. Não que eu não gostasse dele, mas me mantinha longe para não chatear minha mãe. É o único irmão que me resta. Se eu conseguir viver até poder ser Sansa Stark novamente irei visitá-lo na Muralha e compensar todos os anos que não fui legal com ele. Essa pedra é para você Jon, grande e forte como a sua honra e seu coração.”

A segunda maior era mais avermelhada e mais bonita que a outra.

“Essa será Robb. O menino mais bonito que já pisou em Westeros. O vermelho lembra seus cabelos ruivos, tão iguais aos meus. E me lembrará para sempre da vingança que procuro por você, meu irmão, meu protetor. Essa pedra é você Robb, linda de se ver como você uma dia foi.”

A terceira era a pedra mais diferente que Sansa tinha visto. Seu formato era retorcido, mas belo de se ver. Era acizentada.

“Essa só poderia ser Arya. Selvagem, mas bela de se ver. Tenho saudade dela. Era minha irmãzinha, eu deveria tê-la protegido aquele dia da briga dela e de Joffrey. Estava tão cega por querer ser rainha que não a defendi. Espero que ela esteja viva e que um dia possa me perdoar. Essa pedra é você Arya. Selvagem, mas leal comigo como nunca fui com você. ”

A quarta era azul, a cor preferida de Bran.

“Essa só poderia ser de Bran. Lembro de todas as vezes que mamãe corria atrás dele o repreendendo por escalar. Meu irmãozinho que um dia quis ser um cavaleiro e teria sido o melhor e mais gentil que um dia pisaria em terra. Ficou quebrado, mas tenho certeza que nunca desanimou em viver. Se não fosse Theon ele estaria vivo. Essa pedra é você Bran. Azul como a esperança de um mundo melhor.”

A última e menor era Rickon.

“Bebê Rickon. Eu gostava de cantar em seu berço até vê-lo adormecer. Era a criança mais linda que eu já tinha visto. Tenho certeza que seria ainda mais belo que Robb e se casaria com a donzela mais bela do mundo. Mas os deuses me tiraram ele também. Essa pedra é você, bebê Rickon. Branca e pura como a infância que lhe foi roubada.”

Pegou seu sino dos ventos e pendurou na maçaneta da porta. Se alguém a puxasse para abri-la ele faria barulho e poderia dar tempo para Sandor se esconder.

“Agora é só esperá-lo. Já é quase meia-noite.”

E Sansa o viu. Parado na varanda de seu quarto estava o homem que a protegeu das maldades de Joffrey. Vestia uma calça preta simples e uma camisa de linho da mesma cor que evidenciava os músculos de seu peito e braços fortes. Seu rosto era o mesmo que se lembrava, mas nunca deixaria de ficar impressionada com ele. Não era um rosto feio. A menina sabia que sem as queimaduras Sandor seria galante. O coração de Sansa estava martelando em seu peito. Teve medo que Sandor pudesse ouvi-lo. Os dois ficaram se olhando. Ninguém ousou quebrar o silêncio que se seguiu. Era somente os olhos acizentados dentro dos olhos azuis da cor do mar. Sandor foi quem disse:

— Está uma mulher, passarinho.

Sansa corou. Não esperava que essas fossem suas primeiras palavras, mas era educada e deveria responder algo:

— Senhor. Como me achou aqui?

Sandor riu. Sansa não sabia dizer se era de escárnio ou achava graça em algo:

— Disse algo engraçado, senhor?

— O passarinho sabe que não sou senhor nenhum e muito menos um sor. Também não sou mais um cão. Me chame apenas de Sandor.

— Como me achou aqui... Sandor?

Sansa ficou com vergonha de chamá-lo pelo primeiro nome. Chamava Petyr pelo primeiro nome, mas eles eram íntimos.

— A achei por acaso, passarinho. A procurei em muitos lugares. Desde que fugiu de Porto Real ando especulando para onde foi e o que andou fazendo. Sei que és muito inocente para conseguir viver sozinha, morreria com facilidade ou acabaria estuprada sendo quem é. Imaginei que alguém muito influente estava por trás de sua fuga, mas pelos sete infernos, nunca imaginei que seria Mindinho.

Sansa sentia-se cada vez mais a vontade em conversar com Sandor. Fizeram isso algumas vezes em Porto Real.

— O senhor Baelish me ajudou. Tirou-me daquele inferno que era Porto Real. Livrou-me de Joffrey e de suas maldades. Sou muito grata por tudo que ele fez por mim.

— Soube que a morte de Joff foi horrível. Talvez ele tenha merecido.

Sansa sorriu minimamente. Sandor nunca pereceu gostar muito de Joffrey.

— Foi horrível, mas nada que ele não merecesse.

Sandor lhe olhou bem sério:

— Está mais dura também, passarinho. Nunca imaginei que falaria uma coisa tão maldosa. Deve ter sido o casamento com o Duende.

Lembrar de Tyrion a deixou com um aperto no peito. Tinha sido uma boa pessoa para ela. Nunca a tinha maltratado, mas era um Lannister:

— Tyrion era diferente de Joffrey.

— Era mesmo, passarinho? O passarinho acha que ele não sabia de nenhuma tramóia dos Lannisters?

— Ele foi bom para mim — Corou, mas se obrigou a dizer — Nunca me tocou e me tratou com gentileza.

O rosto de Sandor tinha a expressão de quem tinha levado um tapa:

— Nunca a tocou? — Perguntou Sandor franzindo a testa.

— Nunca. Nós... nós não consumamos o casamento...

— Ele nunca a tocou?

— Nunca.

Sandor a analisou com aqueles seus olhos profundos. Era como se pudesse ver a alma das pessoas:

— E Mindinho? Ele nunca a tocou?

A expressão de Sandor se alterou drasticamente, acendendo um alerta na mente de Sansa. Algo dentro daquele homem de face queimada e modos brutos despertava em Sansa uma simpatia demasiada. Ele não era tão bonito quanto Petyr, mas sua beleza era afetada pela sombra de sua alma. A menina tinha certeza que se Sandor fosse mais brando com suas atitudes, seria um homem mais bonito. A roz rouca de Sandor a surpreendeu:
— Passarinho... ele encostou em você? Lhe tirou seu sangue de donzela?
Sansa corou. Não queria conversar disso com Sandor:
— Ele nunca fez nada que eu não quisesse fazer também.

Uma ira passou pelo corpo de Sandor. Ele não tinha entrado em seu quarto em nenhum momento. Conversavam com ele na sacada e ela no quarto. Uma distância de quatro metros os separavam, mas que foi superada somente com três passos do homem. Sandor a agarrou com força nos dois braços e a sacudiu levemente:

— Não o deixe tocá-la, passarinho. Podes ser quase uma mulher por fora, mas ainda és uma menina inocente no coração.

O aperto de Sandor em seu braço ficou mais forte.

— Está me machucando.

Sandor a largou de repente e virou-se em direção a janela. Sansa pensou que ele iria embora, pois tocou em sua cintura e disse:

— Não vá... gostei que tenha vindo me ver. Lembrou-me dos momentos que me defendeu em Porto Real.

Sandor ainda continuou de costas, mas disse num tom mais brando:

— Gostou, passarinho?

— Gostei. É bom ter alguém com quem conversar. Alguém que é sincero comigo.

Por mais que Sansa gostasse de Petyr, sabia que o homem escondia muitos segredos. Era uma incógnita a ser desvendada. Sandor era odioso muitas vezes, mas nunca lhe mentiu:

— Por que quis me ver? Quando li seu bilhete achei que pudesse ser uma armadilha, mas ninguém poderia conhecer as palvras que um dia me disse...

— Que eu consigo farejar uma mentira melhor que você? Pois eu ainda continuo podendo, passarinho.

Antes que pudesse pensar, Sansa falou:

— O que está farejando aqui no Vale?

Arrependeu-se de ter sido ousada. Tinha medo de ouvir uma resposta desagradável. Sandor se virou. Encarou Sansa com atenção fazendo-a corar.

— O passarinho anda ficando ousado...

— Eu... me desculpe. — Falou Sansa baixando os olhos para o chão.

Quando percebeu não teve tempo de fazer nada. Sandor a tinha pego pelas laterais dos braços novamente, mas não a sacudiu. Envolveu-a num abraço desajeitado. Protetor. O calor do corpo de Sandor era reconfortante e despertava na menina sensações parecidas com que Petyr a fazia sentir. Fechou os olhos saboreando o momento. Nunca pensou que Sandor fosse um homem capaz de gestos carinhos. Não sabia se a melancolia que sentia era por reencontrar o homem que a abraçava ou por ter pensado em seus irmãos minutos atrás. Ou uma mistura dos dois. Mas lágrimas caíram dos olhos de Sansa fazendo-a apertar-se ainda mais em Sandor. Queria descarregar toda a tristeza que tinha reprimido nos últimos dois anos: a morte de seu pai, a perda de Arya, a morte de Bran e do bebê Rickon e a perda de sua mãe e Robb. Os braços do homem eram fortes e a amparavam com firmeza:

— Pode chorar passarinho. Um pássaro bonito não poderia agüentar tanta perda e dor.

E Sansa realmente chorou. A perda de sua família a atingia como uma flecha no coração. Uma dor que a queimava por dentro. Que a deixava vazia. Rever Sandor a fez relembrar dos Starks. A fez sentir-se bem. Limpou as lágrimas nas costas da mão e disse:

— Desculpe... eu sei que você não gosta de choradeira.

Sandor beijou o topo de sua cabeça carinhosamente:

— Ainda és um passarinho. Um bebê pássaro perdido e sozinho. Eu entendo isso. Realmente não gosto de choradeiras, mas acho que você pode chorar bastante. Tem motivos para isso.

— Eu perdi todos Sandor! Meus pais, Robb, Bran, Rickon e Arya. Eu nem mesmo me desculpei com Arya.

Sansa sentia-se a beira da loucura e exaustão. É como se a destruição de sua família só a atingisse nesse momento. Sandor comovido pelo desespero da menina a segurou pelos braços, afastando-a e olhando em seus olhos sussurou:

— Eu sei como é perder a família. Mas tenho algo bom para lhe contar. Mas promete que parará de chorar? Só conto se enxugar as lágrimas no rosto.

Sansa assentiu e enxugou as lágrimas:

— O que tem de bom para me contar? O que pode ser uma notícia boa para mim?

Sandor não falou por um momento, como se estivesse reunindo coragem:

— Eu me encontrei com sua irmã. Eu vi Arya enquanto estava caminhando sem rumo por aí.

Sansa arregalou os olhos e não conseguiu dizer nada. Estava em choque. Sandor ficou preocupado, pois lhe disse:

— Está bem passarinho? Ouviu o que te disse? Não chore novamente!

— Eu... eu não vou chorar mais. Viu Arya? Onde? Você a trouxe?

A menina olhou para os lados como se sua irmãzinha pudesse sair de trás da cortina e lhe dar um abraço, mas Sandor balançou a cabeça:

— Eu a vi passarinho. Estive com ela por um tempo. Quis levá-la para junto de sua mãe, como um dia quis fazer com você. Mas... quando chegamos às Gêmeas o casamento vermelho estava acontecendo. Não pude fazer muita coisa. Eu era um cão sem dono no meio de fuinhas e lacaios de leões. Queria poder ter salvado sua mãe e seu irmão, mas não fui capaz. Salvei sua irmã. É uma menina selvagem e quis de todo jeito vingar-se, mas a detive. Levei-a para longe dali.

Sansa processou as palavras por um momento.

— O casamento vermelho... é assim que o chamam não é mesmo? Freys e Boltons. Traidores! Mataram meu irmão e minha mãe. Pagarão por cada morte... — Sansa suspirou — Mas e Arya? Onde ficou? Ela estava bem? Conte-me , por favor...

— Aquela menina é selvagem. O oposto de você, passarinho. Eu mesmo disso isso a ela. Nem parecia uma menina do jeito que se portava. Levei-a para longe das Gêmeas e vagamos sem rumo e sem esperança por alguns dias. Até chegarmos a uma pequena estalagem... e ali nosso destino mudou.

— Mudou como? Arya ficou lá?

Sandor franziu os lábios, como se escolhesse as palavras:

— Não passarinho. Ela não está lá. Metemos-nos em confusão dentro da estalagem. Os homens de Gregor estavam lá e nos contaram as novidades de Porto Real, da morte de Joffrey e seu casamento com o Duende.

— Por que isso daria confusão? Eles só estavam contando as novidades?

— Quando descobri que os Lannisters — Ele cuspiu no chão assustando Sansa — Quando descobri que eles a casaram com aquela criaturinha deformada e malvada perdi o juízo e bebi mais do que deveria. Eles aproveitaram para me atacar. Arya salvou minha vida, mas fiquei muito ferido. Vi a morte de perto passarinho e digo que não é uma coisa bonita de se ver. Pedi para que Arya me desse o dom da misericórdia. Que me acertasse com um punhal bem no coração. Não queria mais viver. Não tinha mais esperanças e nem nada pelo o que lutar. — Olhou bem fundo nos olhos de Sansa — Os Starks estavam mortos e meu passarinho perdido. Por que eu viveria mais? Mas se pensa que Arya ficou comovida está enganada. Ela me abandonou e foi embora pelo mundo. Não a vi depois disso. Mas tenho certeza que está viva. Aquela ali não vai morrer fácil.

— Arya sempre foi a mais forte de nós duas. Uma verdadeira loba enquanto eu sou só um passarinho...

Sandor se aproximou mais do rosto de Sansa.

— Não és mais um passarinho. Não tens mais medo de me olhar no rosto?

Sansa sorriu para aquele rosto todo marcado. Era bom revê-lo depois de tanto tempo:

— Eu já vi muita maldade na minha vida. Aprendi a ver além das aparências. Sou uma sobrevivente.

Sandor gargalhou. O som era como o rosnar de um cão:

— Não és mais um passarinho, mas ainda és uma lobinha. — Tocou numa mecha dos cabelos da menina — uma lobinha bonita.

Sansa corou com o toque de Sandor. Ali tão próximos a fez relembrar do dia que ele foi procurá-la em seu quarto. Cheirava a vinho, mas quis levá-la de seu irferno. O Sandor de agora estava diferente. Mais sereno... mais calmo.

— Me arrependo de não ter ido embora com você aquele dia. Podia estar junto de Arya agora. Podia estar na Muralha junto de Jon. Ele nos protegeria. Jon é meu único irmão vivo.

Sandor aproximou-se ainda mais de Sansa. Seu rosto estava a centímetros do rosto dela. Sansa pensou que ele iria beijá-la, mas ele apenas disse:

— Eu posso protegê-la. Não sou um cavaleiro e nem mesmo bonito quanto Loras — Aproximou-se ainda mais da boca dela — Mas posso mantê-la segura e posso lhe contar a verdade. Não mentiria para você. Um cão só fala a verdade.

Sansa estava sem reação nos braços de Sandor. Sentia-se segura ali e o cheiro másculo que ele exalava a deixava tonta e estranha. Fechou os olhos para receber o beijo do homem. A primeira coisa que sentiu foi a barba dura e espessa de Sandor, mas ela a tocou na bochecha.

“Ele não me beijou...”

— Não farei isso com você, passarinho. Não encostarei em você se não me pedir. E se eu beijá-la pode ser que nunca consiga parar...

Sandor parou de falar abruptamente. Arregalou os olhos para a porta:

— Alguém está vindo. Contou...?

— Nunca contaria para ninguém. Pode ser Petyr...

Os olhos de Sandor queimaram em raiva:

— Mindinho! Não o deixe tocá-la passarinho. Ainda há coisas que precisa saber de Mindinho. Estarei em sua varanda...

O homem virou-se e estava saindo, mas Sansa, num impulso, pegou a enorme mão de Sandor e disse:

— Não me abandonará de novo? Diga-me... não irá embora né?

Ele tocou o rosto de Sansa com ternura:

— Nunca! Hei de morrer antes de deixá-la para Mindinho!

— Petyr não é mau. Gosto dele...

— O ama de todo o coração não é mesmo? Quando o ver novamente pergunte como foi que seu pai foi preso tão facilmente por Joffrey?

Arrancou a mão com força da pequenina mão de Sansa e como um turbilhão foi até a varanda, fechando a porta-janela depois de passar. Deixou Sansa envergonhada e desconfiada.

“Por que ele quer que eu faça essa pergunta para Petyr? Não vejo nada de ruim no Petyr... Pelos Setes! Eu queria que Sandor me beijasse! Eu amo Petyr... amo?”

Alguém estava na porta de seu quarto. Correu até a cama e cobriu-se com rapidez. Fingiu que estava dormindo. Ouviu a chave rodar na fechadura e com um clic destravar a entrada. O sino dos ventos caiu no chão fazendo um grande barulho na madrugada silenciosa.

“Esqueci de tirá-lo da porta!!”

A pessoa juntou-o do chão e colocou-o em cima da penteadeira de Sansa que ficava ao lado da porta. Fechou-a atrás de si passando a chave. A menina ouviu os passos suaves chegarem até o pé de sua cama. O cheiro de Petyr a atingiu. Poderia achá-lo numa multidão de pessoas. Ele fazia seu corpo receber pequenos choques. Cheirava a vinho, cravo e hortelã. Petyr passou as pontas dos dedos levemente sobre as cobertas de Sansa, fazendo-a ficar arrepiada. O homem ajoelhou-se na cabeceira da menina e plantou um beijo em sua bochecha. Sansa tentou soar sonolenta quando o viu:

— Oi...

— Oi, minha menina. Adoro vê-la acordar.

Sansa sorriu. Mas ainda estava demasiada assustada pelas palavras de Sandor:

“O ama de todo o coração não é mesmo? Quando o ver novamente pergunte como foi que seu pai foi preso tão facilmente por Joffrey?”

— O que foi minha menina? Por que está com essa cara triste?

— Estava sonhando com meu pai — Baixou o tom de voz — Meu verdadeiro pai.

A expressão de Petyr não se alterou nenhum momento. Era como se fosse esculpido em pedra. Finalmente disse:

— Temos que deixar os mortos descansarem, não é mesmo Alayne?

Sansa assentiu.

— Está brava comigo, Alayne?

Sansa olhou bem dentro dos olhos cinza-esverdeados de Petyr. A verdade é que estava rebelde hoje.

— Não estou brava. Só chateada...

— Hum — Petyr alisou o cavanhaque pensativo — Chateada? Está dormindo a muito tempo, Alayne?

“Ele não tem como saber. Tem?”

— Não. Deitei-me agora...

— Então posso deitar-me com você?

“Sandor... voe foi embora né?!”

— Poderia? Não veio me ver nesses dois dias...

— Só não vim antes pois estava ocupado. A Fé está no Vale. Esqueceu?

Os olhos de Petyr eram avaliadores.

— Não, pai. Fico feliz que tenha vindo.

— Se estivesse tão feliz já estaria sem essas cobertas a lhe cobrir.

Sansa teve que rir do tom reprovador de Petyr.

— Está rindo de mim, Alayne? Sabes que não sou muito engraçado...

— Meu pai é o homem mais engraçado de Westeros.

Petyr gargalhou com sua resposta e disse:

— Pois então vamos tirar todas essas cobertas...

Sansa não sabia como se livrar de Petyr. Queria ouvir as coisas que Sandor tinha para lhe dizer. Se viu falando:

— Não posso... estou nos meus dias vermelhos...

A expressão de Petyr, mais uma vez, não se alterou. Enfim disse:

— Entendo. E como fico? Um homem tão sozinho... tão cheio de saudades de sua menina? — O sorriso de Petyr era sedutor e convidativo. Sansa não conseguiu resistir ao seu charme e sorriu para ele. Petyr a beijou nos lábios. Ele tinha o mesmo gosto de sempre: hortelã e o desconhecido. Sansa tentou resistir ao beijo, mas uma energia poderosa a prendia ao homem que estava a sua frente. Sempre queria mais quando estava próxima de Petyr. Ele parou o beijo e sussurou em seu ouvido, causando arrepios em partes inimagináveis:

— Então minha menina? Não pode satisfazer-me?

“Onde eu estou com a cabeça? Sandor pode estar atrás daquela porta agora mesmo, mas Petyr... Petyr me deixa louca.”

Sansa beijou o pescoço de Petyr. Distribuiu pequenas mordidas por ali, fazendo-o arfar baixinho. Com destreza Petyr arrancou as cobertas de sua cama e a agarrou com força:

— Então quer jogar, Alayne?

A verdade é que amava jogar com Petyr. Ele a puxou levantando-a. Colocou-a de joelhos da cama, deixando-a de frente para a porta-janela. Posicionou-se atrás dela e começou a desabotoar botão por botão de seu vestido. Sansa não conseguia ver nenhum sinal de Sandor pelas cortinas.

“Ele deve ter ido embora...”

Petyr a mordeu com força no ombro, sobressaltando-a. Deslizou o vestido de Sansa pelo corpo da menina, deixando-o cair como uma pluma a sua volta. Massageou os seios de Sansa por trás enquanto beijava seu pescoço. Mas as palavras de Sandor ainda martelavam em sua mente:

“O ama de todo o coração não é mesmo? Quando o ver novamente pergunte como foi que seu pai foi preso tão facilmente por Joffrey?”

Mas o toque de Petyr era suave e prazeroso. Quando percebeu já estava perdida entre as mãos habilidosas do homem.

Notas finais
Sansinha, Sansinha... ela ainda vai surpreender! =X Próximo Pov do Sandor. Quero agradecer meus leitores lindos. Adoro vocês! Até o próximo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.