Notas iniciais
Olá meus amores.
Eu sei que demorei, mas estava muitooo ocupada nessa semana. Me desculpem e, por favor, não me condenem a uma hora com o Joffrey!
=D

Bom... esse será um Pov do Sandor e se passará durante os dois últimos capítulos, mas sob a perspectiva do nosso Cão de Caça.
Foi bem difícil escrever sob o ponto de vista do Sandor. Se não estiver legal podem falar, ok?

Eu quero a opinião de vocês...

Quero agradecer a Tathiane Rodrigues de Souza, minha linda divosa, que fez dois, DOIS, clipes da minha fic. Thati, você é uma fofa e minha parceira de besteiras no Nyah. =D

Links dos clipes:
http://www.youtube.com/watch?v=wEyTd7lQpDs
http://www.youtube.com/watch?v=96eyvbb713c&feature=youtu.be ( meu preferido!!! )

Sandor:

— Jory, você me acompanhará para fora de Ilha Silenciosa. Já está na hora de colocar em prática seus ensinamentos. Você irá com o rosto coberto. Depois dos assassinatos e violações que foram feitos e atribuídos ao Cão de caça, não é seguro mostrar-se.

Sandor olhou com desconfiança para septão Merribald. Já estava na Ilha há alguns meses, fez o voto de silêncio e convivia em harmonia com os outros homens. Mas algo dentro dele ainda vibrava, ansiava por viver. Sair daquele lugar sossegado lhe deixava inquieto. Tinha medo que voltasse a ser o que era antes. Mesmo com receio, Sandor decidiu menear a cabeça positivamente. Septão Merribald continuou com seu tom de voz sereno e calmo:

— Iremos daqui a 5 dias, meu filho. Somente eu e você. Vamos nos dirigir ao Vale do Arryn, um lugar intocado pela guerra. Nosso dever é levar a sabedoria e a fé dos Sete àquele lugar.

Ao ouvir septão Merribald dizer que iriam ao Vale, o coração de Sandor deu um pulo. O home já sabia o motivo:

“Quando capturei a irmã feroz do passarinho quis levá-la ao Vale. E quando propus de levar o passarinho de Porto Real, também queria levá-la ao Vale, para longe da guerra e das mãos de Joffrey. Parece que sempre estou me encaminhando ao Vale, mas nunca lá chego. Será que agora realmente irei?”

O septão deve ter percebido o olhar pensativo de Sandor, pois lhe disse com candura:

— É preciso deixar o que está no passado para trás. Colocar uma pedra e sepultá-lo bem longe do presente. Somente o que fazemos no presente definirá o nosso futuro. Entende isso, Jory?

Sandor assentiu.

— Fico feliz que você concorde, meu filho. Seu coração já viu muito sofrimento e dor. Deixá-los para trás lhe trará felicidade.

Sandor não sabia o que era felicidade. Desde novo foi marcado na alma e no rosto pela maldade de seu irmão. Ainda moço, matava e bebia desenfreado.

“E o que é a felicidade afinal? Quem haverá de ser feliz nesse mundo marcado por guerras, perdições e mortes? Eu fodo a felicidade. Ela nunca me procurou. E quando eu a desejei, ela simplesmente fugiu de mim.”

Sandor levantou os olhos e percebeu que septão Merribald lhe encarava com curiosidade. Mas o que o septão disse, lhe deixou surpreso:

— Eu sei, meu filho. Eu consigo enxergar o cão espreitando em seus olhos. Não o deixe tomar conta. O cão era atormentado por desejos de sangue e mortes. Mate o cão e deixe um novo Sandor nascer. Você entende isso, meu filho?

O homem ficou feliz por ouvir o seu verdadeiro nome. Escolheu o nome Jory, pois era o nome de seu pai, mas Sandor lhe agradava mais. Concordou com septão Merribald mais uma vez, deixando o velho feliz.

— Muito bem Jory. Você está no caminho certo. Gostaria de saber notícias do Vale? Não podemos chegar sem saber onde estamos nos enfiando, não é mesmo?

Sandor somente balançou a cabeça.

— Pois vamos aos fatos, meu filho. O senhor Petyr Baelish governa como protetor do território, depois da morte prematura e um pouco misteriosa de sua esposa Lysa. Ele reconheceu, há alguns meses, uma filha bastarda que todos concordam ser uma moça dotada de grande beleza e doçura. Uma donzela de 14 anos. Robert Arryn também está aos cuidados do senhor Baelish. Tudo que lhe contei nos foi passado pelos septões do Vale.

“Peraí. Petyr tem uma filha bastarda? Mas todos sabem que ele nunca tocou em nenhuma das suas prostitutas, e nunca ninguém soube dele ter com nenhuma mulher. Somente as ensinava a foder, mas nunca as fodia. Do time do Renly e de Loras ele não é, pois eu via muito bem que ele espichava os olhos para o passarinho... estou curioso para saber em quem Mindinho meteu o seu mindinho!”

Merribald lançou um olhar penetrante para Sandor:

— Está mesmo preparado, meu filho?

“Eu não perco isso por nada.”

Sandor assentiu.

— Muito bem Jory. Partiremos daqui há 5 dias. O senhor pode ir.

Sandor saiu dos aposentos do septão e encaminhou-se ao seu quarto na Ilha Silenciosa. Ele não era grande ou luxuoso como o da Fortaleza Vermelha, mas era muito mais agradável.

Mas uma coisa estava incomodando Sandor:

“Como Petyr, o menor dos lordes, conseguiu casar-se com Lysa Arryn? O homem é astuto, e sempre o vi como o mais dissimulado e malvado do conselho de Joffrey. Septão Merribald disse que Lysa morreu de uma maneira misteriosa... não duvido que Petyr a matou. Aquele ali faz qualquer coisa por poder. Tenho pena daquele menino Robert, será o próximo da fila. Sua bastarda não deve ter nada de doce, deve ser odiosa igual ao pai.”

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“Foda-se o não poder matar. Como septão Merribald espera sobreviver numa luta se eu não puder matar meu oponente?”

Sandor pensava bravo. Ele e o septão foram atacados a caminho do Vale, por um pequeno grupo dos Clãs das montanhas, mas graças às habilidades de Sandor com a espada, os dois sobreviveram. Septão Merribald não deixou Sandor matar nenhum dos seus oponentes:

— Por favor, Jory. Somos pessoas à serviço da Fé. Não somos mercenários, nem vagabundos. Temos um juramento de proteger os mais fracos. E esses pobres coitados...olhe para eles.

Sandor percebeu que o grupo estava faminto. Suas roupas eram rotas e seus ossos estavam aparentes no corpo.

— Jory. Eles merecem a misericórdia da Mãe.

Septão Merribald foi até os quatro e ofereceu o seu cantil de água. Eles aceitaram sedentos.

— Veja bem Jory. A misericórdia é sempre superior à vingança. Você terá que aprender isso para o seu bem.

O septão lançou um último olhar misericordioso para o bando e disse:

— Acabamos nosso assunto aqui. Vamos Jory?

Sandor assentiu contrariado.

“Por mim o sangue desses desgraçados estaria na ponta da minha espada. Se eu não fosse um bom espadachim, eles teriam nos matado sem nenhuma misericórdia. Foda-se a misericórdia. Por que o septão pensa que eu sou uma pessoa como ele? Eu fiquei no mosteiro depois que ele salvou minha vida. Sou grato por ele. Mas a verdade é que eu não tinha mais nenhum lugar para ir. Eu não tenho ninguém. Joffrey está morto, graças aos Sete e não voltarei para Porto Real. Minha cabeça ficaria numa lança. E meu passarinho... a deram para aquele anão desgraçado! E agora ela está perdida no mundo, sozinha ou tendo alguém a se aproveitar de sua posição. Ela é frágil e gentil... se eu soubesse de um rastro de seu paradeiro, por menor que fosse, eu iria atrás dela e a manteria à salvo... até mesmo de mim!”

Sandor nunca tinha visto o Vale. Quando chegaram foram recebidos pelo cavaleiro do portão. — Um homem de Mindinho. — Foram direcionados para os portões da Lua, pois o cavaleiro explicou que com o inverno chegando ao Ninho, era impossível lá ficar.

“Do que adianta ter um castelo e ser senhor do Vale se quando chega o inverno tem que descer pra ficar no meio da plebe? Não é mais fácil ficar aqui embaixo?”

Sandor já estava entediado com o falatório do cavaleiro do portão. O homem achava que toda aquela cortesia era falsa.

“Cavaleiros... eu cuspo neles!! São todos mentirosos. Já estou ficando irritado de ficar nesse Vale!”

O cavaleiro do portão os levou até a porta principal e os apresentou para os guardas:

— Esses são Septão Merribald e senhor Jory. Eles estão à serviço da Fé. Eram esperados para amanhã, mas chegaram antes. O senhor Baelish pediu para que sejam tratados com muita cortesia. Pediu também para que fossem recepcionados pela senhora Alayne. — Falou o cavaleiro.

Os dois guardas olharam desconfiados para Sandor. Um deles disse:

— O senhor é grande!

Sandor lhe lançou um olhar de profundo desprezo e ódio. Septão disse rapidamente:

— O valor de um homem não se mede pelo seu tamanho, não é mesmo?

Os dois guardas tiveram a dignidade de corar. O outro disse:

— Vamos encaminhá-los à senhora Alayne.

“Por que ele disse o nome da menina com esse tom de idiota? No mínimo deve estar comendo ela! Sendo cria de Mindinho, dá para se esperar qualquer coisa!”

Estavam sendo conduzidos pelo guarda e Sandor deixou-se ficar para trás. Ele queria olhar cada detalhe daquele lugar. Sentiu um cheiro doce... bolo de limão.

“Eram os preferidos do passarinho.”

Sandor estava tão absorto em suas lembranças que esbarrou em alguém. Uma voz de menina disse:

— Desculpe, não foi minha intenção.

E Sandor a viu. Seu passarinho. Estava com os cabelos escuros, mas era ela mesma. Os olhos da cor do mar, a pele perfeita como a neve. Linda de morrer. A menina mais perfeita que poderia pisar no mundo.

“Caralho! O que faz o passarinho aqui?”

Ficaram os dois se encarando por um momento. Sandor percebeu que a menina estava assustada e curiosa por ele. Ele queria olhá-la por toda a vida e queria que ela reconhecesse seus olhos.

“Não posso me revelar para ela sem antes saber o que faz aqui.”

A menina lhe disse num sussuro:

— Desculpe, mas eu não o conheço. O que o senhor está fazendo no castelo? Irei chamar os guardas.

“Continua educada, como uma senhora deve ser. Mas tem algo a mais nela... uma força maior que antes ela não possuía. Ele ainda a queria, agora mais do que nunca.”

Ouviu a voz do seu passarinho falar mais alto agora:

— Eu perguntarei mais uma vez, se você não me responder eu irei gritar pelos guardas.

Sandor somente a olhou. Queria que a menina a reconhecesse. Mas foi septão Merribald quem lhe salvou:

— Desculpe meu companheiro, senhora. Ele fez um voto de silêncio para os Sete. Nós somos da Fé e acabamos de chegar ao seu castelo. És a senhora do local?

A menina olhou para Merribald e disse:

— Eu sou a filha do senhor Baelish. Esperávamos vocês para amanhã.

“Filha do Mindinho? Você é Stark demais para ser uma Baelish. Então foi assim que Petyr a apresentou ao Vale? Astuto como é, alguma coisa irá ganhar com o passarinho, mas eu não vou deixar!”

O septão disse de um modo doce:

— Desculpe, senhora. Eu sei que não estávamos sendo esperados, mas a senhora sabe como é perigoso o caminho até o Ninho da Águia. Tivemos que fugir de um grupo dos clãs das montanhas. Se meu parceiro, que é um excelente espadachim, não estivesse junto comigo acredito que não conseguiríamos chegar até aqui.

“E o senhor não me deixou matá-los!”

— Eu irei mandar preparar acomodações para vocês e os convido para jantar comigo.

“Eu realmente quero jantar com você, mas como irei comer sem tirar meu disfarce?”

O senhor mais velho deu uma olhada sugestiva para o companheiro coberto:

— Eu irei jantar com a senhora. Meu companheiro aprecia mais a solidão.

“Eu aprecio muitas coisas, e a solidão não é uma delas..”

— Se você o diz, senhor.

Sandor não pode deixar de fungar.

“Ela ainda é o passarinho educado de Porto Real? Mesmo depois de tudo que passou?”

A menina olhou ofendida para Sandor. Mas sua educação prevaleceu. Fez uma reverência para os dois e se retirou em direção às cozinhas, não sem antes ver Sandor balançando a cabeça em reprovação.

“Como pode ser tão educada? Mas também tão perfeita?”

Quando a menina já estava longe dos dois septão lhe disse:

— E então Jory? Chegou o momento de você quebrar seu voto de silêncio?

Sandor olhou abismado para Merribald:

— Eu sou um septão senhor Jory, não um cego. Eu vi como seus olhos gritavam para aquela menina. Bom, vamos aos nossos aposentos. A menina já mandou alguém para nos mostrar.

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Quando chegou ao seu quarto, Sandor não tinha outra coisa no pensamento que não fosse Sansa.

“Ela continua perfeita... mas agora é quase uma mulher. Com um corpo perfeito e o rosto de um anjo. Não me admira que aquele guarda idiota esteja apaixonado por ela. Quem pode ficar um minuto do lado dela sem se encantar?”

E uma coisa estalou na cabeça de Sandor:

“Mindinho! Se você encostou um dedo sequer no passarinho... eu juro que arranco o seu pau com minha espada e lhe dou outra cicatriz para se lembrar!”

Pensar em Mindinho irritou Sandor:

“Septão Merribald me quer longe da menina, mas eu irei a cozinha ouvir a conversa dos dois e saber um pouco mais das coisas que estão se passando.”

Sandor encaminhou-se com passos firmes às cozinhas. Quando chegou à porta do lugar ouviu septão Merribald perguntar:

— Você gosta bastante de seu pai, não é mesmo?

A menina respondeu:

— Eu amo meu pai de todo o coração.

A resposta da menina fez Sandor ficar muito irritado. Entrou na cozinha pisando duro. Septão Merribald lhe lançou um olhar astuto e disse:

— Alayne, eu ainda não tive tempo de apresentar meu companheiro de viagem. Ele pode parecer um homem bruto, mas, agora, tem um bom coração. Por favor senhor Jory dê seus comprimentos à senhora Alayne.

Sandor somente acenou a cabeça para a menina:

“Eu não quero chegar perto dela.”

Mas septão Merribald não ficou satisfeito:

— Por favor, Jory. A senhora poderá achar que somos pessoas mal educadas. Dê-lhe um comprimento digno de uma dama.

“Que se foda damas, lordes e cavaleiros. É minha chance de ficar mais perto do passarinho. Eu sei ser cortês quando quero.”

Sandor encaminhou-se à passos largos na direção da menina.

“Ela está assustada comigo. Eu nunca faria mal ao meu passarinho bonito.”

Ajoelhou-se aos pés de Sansa, tomou-lhe a mão que estava em seu colo e levou à sua boca tapada.

“O cheiro dela é tão doce...”

A menina somente olhava nos olhos de Sandor, com uma expressão esquisita. Quando Sansa falou, assustou Sandor:

— Desculpe, senhor. Mas já nos vimos antes?

“Sim... você é meu passarinho bonito. O passarinho que eu só posso olhar e desejar em silêncio, sem nunca realmente ter. Eu sou seu protetor.”

Mas foi o Marribald quem respondeu:

— Senhora, acho muito difícil os dois já terem se visto. Jory sempre esteve conosco em Ilha Silenciosa.

“E as mentiras começaram.”

A menina olhou novamente para Sandor, que já tinha se levantado, e lhe disse:

— Desculpe senhor. Não irei mais incomodá-los. Vou me retirar para meus aposentos.

— Iremos com a senhora.

“Meu passarinho quer fugir...está assustada.”

Todos arrastaram as cadeiras e se encaminharam aos quartos. A menina estava no meio dos dois homens. Ninguém falou nada até chegarem ao corredor dos quartos. Marribald foi o primeiro a despedir-se:

— Senhora, que os Sete ilumine seus sonhos. — O senhor olhou para Jory — Por favor Jory, acompanhe a senhora Alayne até os aposentos dela. Uma dama deve estar sempre acompanhada nesses tempos escuros.

“Como posso acompanhá-la? Se somente o cheiro doce dela me deixa com os Calções estourando?”

A menina falou, educada como sempre:

— Senhor Merribald, não tem necessidade de incomodar-se comigo. Eu posso ir sozinha até meu quarto, são só mais alguns corredores.

Mas Merribald replicou:

— De jeito nenhum, minha senhora. O dever da Fé é defender as mulheres de bom coração. — O senhor disse isso, fez uma reverência e saiu em direção ao seus aposentos.

“Desgraçado! Como pode fazer isso comigo e com ela?”

Um silêncio incômodo tomou o ar. Sandor não conseguia tirar os olhos de Sansa.

A menina disse tímida:

— Senhor Jory, meus aposentos são por ali. — A menina caminhou na frente de Sandor, mas ele, como num impulso de outrora, a alcançou, ficando bem ao seu lado.

“Eu fiz isso tantas vezes em Porto Real. Eu poderia mantê-la segura...”

Caminharam um tempo, lado a lado. Sandor sentia uma coisa a apertar seu coração. Estar ao lado do seu passarinho depois de tanto pensar em vê-la estava o deixando tonto. Quando chegaram em frente à uma porta muito bem trabalhada a menina lhe disse educadamente:

— Senhor Jory, eu agradeço que o senhor me trouxe em segurança até meus aposentos. Tenha uma boa noite. — A menina fez uma pequena reverência.

“Ela está aqui... tão perto. Sonhei com ela todos esses dias. Como seria beijar sua boca e possuir esse corpo perfeito, mas eu sou uma aberração... não os cavaleiros perfeitos que ela sonha. Mas foda-se tudo. Eu quero olhá-la uma última vez antes de ir embora. Ela parece feliz aqui... não quero estragar a sua vida.”

Sandor agarrou os dois braços magros da menina, com certa delicadeza. O homem queria encostar na pele perfeita da menina. Sentir a textura e a temperatura do seu corpo. O homem olhou bem fundo dentro dos olhos de Sansa. Cinzentos encarando o azul cor do mar. Ficaram daquele jeito por um longo tempo.

“Ela é a única coisa que eu sempre quis, mas que nunca vou ter... Ela é um lady e eu sou somente um cão sem dono.”

Ficaram os dois ali, alheios ao mundo ao redor, somente com os olhos fixos um no outro. A menina levou sua mão direita ao lado esquerdo do rosto do homem. Jory fechou os olhos:

“É como se estivesse se repetindo a cena no quarto dela, durante a batalha da Água Negra. Eu pedi para que fugisse comigo, mas somente lhe arranquei uma canção. E ela mesmo assim me tocou no rosto...”

Sandor não sabia dizer quanto tempo ficaram daquele jeito. Em sua mente se passavam idéias libidinosas e seu membro já estava quase estourando seus calções. Quando o homem decidiu chegar mais perto da menina, uma voz o interrompeu:

— Boa noite, Alayne.

“Ah Mindinho! Como o odeio mais do que tudo nesse mundo! Minha vontade é estripá-lo aqui mesmo!”

Sansa tirou a mão do rosto de Sandor rapidamente. Este encarou Petyr com olhos frios.

“Que ódio que eu tenho de você, Mindinho.”

Numa voz fraca, a menina falou:

— Boa noite Pe...Pai!

Petyr a encarou com olhos frios como gelo:

— Quem é seu companheiro misterioso, Alayne?

Sandor conseguiu captar o ciúmes de Petyr.

— Pai, esse é Jory, um cavaleiro à serviço da Fé. Chegou essa tarde juntamente com Septão Merribald.

— É mesmo Alayne? — Petyr alisou o cavanhaque irônico — Pensei que você o conhecesse há bastante tempo, dado as circunstâncias que a achei...

“Eu soube que você não estava em casa, Mindinho. Astuto como é devia estar espreitando...”

O passarinho corou violentamente com o tom acusador de Petyr. Mindinho continuou, com seu tom dissimulado:

— Senhor Jory, que lugar o senhor e Septão Merribald vieram?

Mas foi a menina quem respondeu rapidamente:

— Pai, o senhor Jory e Septão Merribald vieram de um lugar chamado Ilha Silenciosa. O senhor Jory fez um voto de silêncio pela Fé...

“Ela fala com ele cheia de ternura! Não sabe com quem está lidando!”

— Interessante Alayne. Ilha Silenciosa você disse?

—Simmeu pai. Tenho certeza que é Ilha Silenciosa.

“Ele desconfia! Petyr é esperto, sabe somar dois mais dois.”

Petyr dirigiu seus olhos cinza-esverdeados carregados de desprezo à Sandor:

—Obrigado senhorJory por acompanhar aminhamenina até o quarto. Eu assumirei sua companhia daqui.

“Minha? Eu sei o que está fazendo Mindinho. E sei onde está querendo enfiar o seu mindinho... Se dependesse de mim, você ficaria sem seu pau agora mesmo! Nada me daria mais prazer que o seu sangue na minha espada... não deixarei você com meu passarinho!"

Sandor não saiu do lado da menina Essa atitude fez Petyr levantar as sobrancelhas para ele. Depois de algum tempo, Petyr disse:

— Entre Alayne. Agora! Já irei conversar com você. Feche a porta.

A menina obedeceu rapidamente. Arrastou-se lentamente para dentro de seu quarto efechou a portasem olhar para nenhum deles.

“Obediente como um passarinho... manipulada como só uma menina inocente poderia ser. Ela sabe quem você realmente é Mindinho?”

Petyr lançou um olhar avaliador e astuto para Sandor:

— Interessante o senhor vir de Ilha Silenciosa... não foi ali perto que o Cão de Caça andava assaltando e estuprando mulheres?

“Ele sabe!”

Sandor não podia falar nada, mas colocou a mão no cabo de sua espada.

“ Eu lhe mataria com prazer. Eu vejo o que você faz. Manipula o passarinho como quer. Ela sabe tudo que você fez para os Starks?”

— Fique longe dela, cão. — Falou a última palavra cheia de desprezo e nojo.

Sandor não se deixava enganar pelo tom baixo e tranqüilo de Petyr. Sabia que o homem de olhos cinza-esverdeados à sua frente era um dos mais perigosos de Westeros. Dotado de uma capacidade de convencimento e dissimulação além dos limites, que lhe levaram ao topo. Esse homem estava ameaçando, e Sandor sabia disso. Apertou ainda mais o cabo da espada. Mas um barulho tirou a atenção dos dois. Septão Merribald estava parado ao final do corredor olhando os dois. Petyr não se deu ao trabalho de comprimentá-lo. Virou a costas e abriu a maçaneta do quarto de Sansa. Mas antes disse num tom ácido para Sandor:

— Eu sei quem você é.

“Eu sei que você sabe e estarei esperando o momento do nosso acerto de contas.”

Petyr entrou no quarto da menina. Sandor estava muito irritado:

“Como ele ousa ficar a sós com o passarinho no seu quarto? Eu vou esmurrar essa porta até arrancá-la do lugar. Ele não vai tocar nela!”

— Sandor. Acho que está na hora de me contar o que está acontecendo aqui. Mas não nesse corredor. Vamos ao seu quarto.

O tom de septão Merribald não deixava escolha. Sandor decidiu ir com ele.

“Eu não posso me expor desse jeito. Merribald é mais sábio que eu.”

Seguiu Merribald até os seus aposentos e fechou a porta atrás dele. O septão começou:

— Eu sabia que um dia o passado viria lhe cobrar, mas não sabia que ele viria como uma bela donzela. Acho que já está na hora de seguir seu destino, Sandor. Você quer seguir seu destino ou quer voltar à Ilha Silenciosa e esquecer tudo que aconteceu aqui?

A voz rouca e grave de Sandor ressoou pelo quarto:

— Eu não posso deixar meu passarinho.

Septão Merribald lhe sorriu e disse:

— Pois não a deixe. Mas eu acho que ela não é mais um passarinho. Aquela menina tem uma força dentro dela. Ela é delicada por fora, mas é dotada de uma grande coragem... e ainda temos o seu poderoso pai. — Merribald pensou por um tempo antes de falar — A menina iria com você?

Sandor pensou por um tempo:

“Por que haveria de querer ir comigo? Ela vive bem aqui. Tem conforto e boa comida. Não trocaria tudo isso para viver como uma fugitiva ao meu lado. Alem do mais...”

Sandor se viu respondendo:

— Eu sou uma aberração. Alguém como ela não poderia gostar de mim.

Septão Merribald lhe lançou um olhar astuto e disse:

— É mesmo Jory? Então porque o pai dela se sentiu tão ameaçado por você?

“Quando você esteve aqui antes

Nem pude te olhar nos olhos

Você é como um anjo

Sua pele me faz chorar

Você flutua como pluma

Num mundo perfeito

Eu queria ser especial

Você é tão especial

Mas eu sou uma aberração, um esquisito

Que diabos é que eu estou fazendo aqui

Este não é meu lugar

Não me importa se vai doer

Quero ter o controle (da situação)

Quero um corpo perfeito

Uma alma perfeita

Quero que você perceba

Quando eu não estou por perto

Você é tão especial

Eu queria ser especial

Mas eu sou uma aberração, um esquisito

Que diabos é que eu estou fazendo aqui

Este não é meu lugar

Ela está indo embora de novo

Esta fugindo

Ela se vai, se vai

O que você quiser para te fazer feliz

O que você quiser

Você é tão especial

Eu queria ser especial

Mas eu sou uma aberração, um esquisito

Que diabos é que eu estou fazendo aqui

Este não é meu lugar

Este não é meu lugar”

Creep — Radiohead

Notas finais
Eu adoro essa música!! Tem tudo a ver com Sansan!!

A Tathi divosa fez um vídeo com essa Música e Sansan!
Ficou maravilhoso. Eu ouço essa música todos os dias depois do vídeo dela. Vejam, pois vocês irão amar:

http://www.youtube.com/watch?v=_laB6DcgyfU&feature=youtu.be

Agora o link da fic da Tathi, A rainha dourada. Uma fic maravilhosa e super criativa:
http://www.youtube.com/watch?v=I9zvJKFhfyU&list=HL1383082431&feature=mh_lolz

Obrigada por comentarem!! Amo vocês muitoooo =D