Snow Flakes - Livro 1

1 Capítulo 1 - 7 Minutos no céu


AQUELE FATIDICO DIA DE VERÃO mudou a minha vida. A história de como um simples ‘não’ pode mudar o seu destino.

Era 24 de agosto de 2002, numa cidadezinha com menos de quatro mil habitantes, chamada Summersvile, no Condado de Nicholas, Estados Unidos, algumas pestinhas, com codinome de crianças, se achando muito adultos para apenas 11 e 12 anos, resolveram brincar de ‘7 minutos no céu’, típico para a idade que tínhamos na época? Não. Proibido pelos nossos pais? Sim. Mas quem se importava? Nós não!

Foi na casa de Fawn Robbins, cujos pais passavam temporadas fora de casa, em convenções médicas, apresentando palestras pelo mundo a fora. Havíamos planejado tudo no inicio do ano, como enganaríamos nossos pais, mestres e parentes próximos. Kelsey Malone, de 11 anos, Vanessa Tate de 12, e eu, ficamos encarregadas pela comida e pela bebida. Vanessa Tate é a pessoa mais insuportável, mimada e estúpida que eu já conheci! E naquela época, era bem pior. Vanessa Tate e eu meio que competíamos muito entre nós mesmas. Vanessa Tate era a primeira da classe nas áreas de exatas, humanas, orquestra e balé, enquanto eu ficava sempre em segundo. Foi nessa época que Vanessa Tate começou a montar seu exército de minions, que a seguiriam para todos os lugares que ela ia, não importa o quê. E Fawn sabia disso, sabia que nós competíamos e nos colocou juntas para me provocar, provavelmente à ordem da própria Vanessa Tate.

A mansão da Fawn era enorme, possuía um jardim enorme e uma piscina no fundo da casa. Lá tinha um porão, que mais parecia um quarto moderno com jogos, uma TV enorme, vários livros, e tudo o que a família da Fawn pudesse comprar. Nossa pequena festinha iria acontecer ali, e os meninos, Joey Weaver, 11 anos, Nate, Nathaniel Manning e Theo, Theodore Holland ficaram encarregados de organizar o lugar, colocar as coisas como comida, bebidas e alguns jogos no lugar.

Naquele dia, quase escurecendo, Vanessa Tate, Kelsey Malone e eu tínhamos chegado na casa da Fawn, Vanessa foi na nossa frente, pegou as sacolas de nossas mãos e as entregou para Fawn e os garotos, como se quem tivesse feito tudo tivesse sido ela e ela passasse uma boa impressão para os garotos.

Mais tarde, alguns garotos mais velhos começaram a chegar, inclusive meu irmão, Blake. Vanessa Tate e Fawn Robbins haviam chamado Blake por ele ser alguns anos mais velho e poder comprar bebida alcoólica, mesmo que fosse num bar de esquina e fosse a mais barata.

Quando Blake chegou, ele foi logo falar comigo e disse que não contaria ao meu pai, mas que se eu passasse do ponto ou contasse que ele também estava lá, eu estaria, tipo, muito ferrada. Eu concordei em não contar nada e ele se afastou. Eu fui me sentar perto de Kelsey Malone, que eu havia conversado mais cedo, e havíamos começado uma boa amizade, estávamos prometendo presentes uma para a outra e eu até fui convidada para passar um fim de semana na casa de inverno da Kelsey.

Lá pelas 21h, outras meninas, amigas de Vanessa Tate e Fawn Robbins, começaram a chegar para a festa. Todas elas eram muito lindas, nunca poderia negar isso. Havia uma em particular que na ocasião chamou muito minha atenção, ela me olhava como se não quisesse fazer parte do grupinho das minions da Vanessa Tate.

Um pouco mais tarde a encontrei no banheiro e conversamos um pouco, ela disse que Vanessa Tate humilhava muito ela por ela não ter dinheiro o suficiente como as outras meninas do grupo e disse que Vanessa Tate e Fawn Robbins estavam pensando em expulsá-la do grupo. Eu tinha só 11 anos naquela época, mas eu já tinha um pouco de noção do quão mesquinha e sem caráter era Vanessa Tate. Eu abracei a menina, que se chamava Sydney Bishop, e disse que ela sempre teria um lugar no meu grupo, que só tinha eu e Kelsey Malone, e que o meu grupo era sem regras, que todo mundo que quisesse fazer parte, era bem vindo e ela me agradeceu com um sorriso amarelo e voltou para ficar ao lado das minions.

“Estou tentando te ligando faz tempo. Me liga” – recebi uma mensagem da minha mãe e meu coração quase saiu pela boca. Será que nosso plano tinha dado errado? Será que alguém tinha dado com a língua nos dentes e nos dedurado? Naquela mesma hora, fui a procura de Blake.

Procurei pelos jardins, pelo andar de cima, e nenhum sinal. Voltei para o porão e vi um garoto muito bonito do lado de Blake. Cheguei mais perto e Blake me olhou com os olhos bem arregalados, contei sobre a mensagem e ele pegou meu celular e disse que ficaria com ele, apenas por precaução e depois me apresentou aos amigos mais velhos dele que estavam ali naquela hora.

Jamie Hart: loiro, olhos azuis, bem azuis mesmo, o cabelo estava preso para trás em várias camadas de gel e eu pude sentir um perfume muito bom vindo dele.

Theodore Holland: cabelos castanhos, magricela, me olhou feio e cochichou algo inaudível para Blake.

Kai Woods:

Ele. Meu coração bateu 100 vezes mais rápido que o normal quando Blake me apresentou à Kai e nossos olhares se cruzaram. Olhar para Kai Woods parecia que o minha vida toda estava ali bem na frente dos meus olhos e tudo o que eu precisava fazer era conseguir beijá-lo aquela noite. Tinha transformado isso em minha missão impossível da noite.

Mas você nunca se apaixonou ou teve um crush em toda a sua vida, Olivia? Claro que já tive! Vários crushs em garotos mais velhos, garotos da minha idade, crush no Harry Styles, no Paul Wesley e em vários outros. Mas esse aqui parecia MUITO especial e único. Fazia algumas semanas desde que eu fora rejeitada pelo meu crush da natação e eu estava me sentindo desolada e sem chão.

Blake me despertou e falou que só devolveria meu telefone amanhã, quando tudo acabasse, eu concordei e continuei ali babando sobre a beleza exuberante de Kai Woods, mas foi quando Jamie Hart- me chamou pelo meu nome, que eu despertei daquele devaneio com Kai Woods, onde ele me beijava na bochecha e me entregava uma rosa.

— Olivia? – Jamie Hart insistiu. – Liv?

— Ahn, oi? – respondi, depois de notar que Kai Woods fora embora e lá só estavam Jamie e Theodore, que olhava incansavelmente para Fawn e Vanessa Tate. – Perdão. Nossa, nem percebi que Blake não estava mais aqui.

— Seu irmão foi fumar um. – Jamie disse e eu arqueei a sobrancelha, naquela época eu não sabia o que significava aquela expressão para se referir a drogas e fiquei bem confusa. Jamie percebeu e disse: — Deixa pra lá. Eu só queria dizer que você está bem bonita hoje e eu pedi para a Fawn tentar parar a garrafa em você quando for a minha vez porque quero muito beijar você. – Jamie disse e saiu andando atrás de Theodore e Blake que o estava chamando. Pude perceber que Jamie ficou muito envergonhado e vermelho quando ele se virou para olhar para mim e acenou constrangido com a mão na nuca.

Eu não sabia onde enfiar a cara naquele momento. NUNCA nenhum garoto tinha vindo falar comigo diretamente sobre esse tipo de coisa, era sempre eu que tentava ir atrás, mas nunca seguia em frente por causa da timidez. Eu só me toquei que não era Jamie quem eu queria beijar naquela noite, quando já estávamos todos juntos na roda formada no porão da casa da Fawn. Eu tinha tomado umas duas latas de cerveja, que eu odiei muito e depois fui cuspir em algum vaso de flor por ali mesmo, e me sentei perto de Kelsey Malone.

— Estou muito ansiosa. – Kelsey comentou. Ela estava com um brilho no olhar que eu reconheceria há quilômetros. Era o mesmo brilho que eu também tinha naquela época. Nós nos olhamos e em seguida Vanessa Tate pegou uma garrafa e a girou no meio de todos nós. Senti uma pitada de aflição, medo e ansiedade. Vanessa Tate foi a primeira a ser sorteada e toda a minha raiva estava bem na ponta do meu nariz. Estava torcendo para ela cair com alguém muito feio, barrigudo, de aparelho e que de preferência tenha muito bafo. Era um pensamento horrível, eu entendo isso agora, mas não pude evitar.

Mas parece que o destino me odeia mesmo. De todos os garotos e garotas que estavam ali, a garrafa de Vanessa Tate poderia parar em qualquer um, menos em Kai Woods.

Meu coração ficou apertado, os garotos começaram a gritar loucamente para Kai Woods e as garotas ficaram extasiadas e felizes por Vanessa Tate. No porão da casa de Fawn Robbins havia um closet enorme, e era lá que aconteceria os eventos de ‘7 minutos no céu’.

Kai Woods se levantou e puxou Vanessa Tate de seu lugar, cada passo que Kai Woods e Vanessa Tate davam em direção ao closet, sentia que meu coração ficava apertado e diminuía de tamanho, naquele momento eu só queria ser uma mosquinha para ver o que estava acontecendo entre os dois ali dentro.

Minha mente começou a criar cenas deles, onde Kai Woods pegava na bunda de Vanessa Tate enquanto eles se beijavam enquanto Vanesa Tate puxava o cabelo macio e cheiroso de Kai Woods. Na minha cabeça o beijo deles demorava mais de uma hora.

Kai Woods e Vanessa Tate enfim saíram do closet, e Kelsey me despertou, falando que tinha sido rápido demais e Kai tinha saído com a cara muito fechada e Vanessa Tate subira chorando para a parte principal da casa. Não pude esconder minha felicidade, e Kelsey percebeu isso e riu comigo.

Ao voltarmos para a roda, era a vez de Kelsey Malone. Torci muito para que Kelsey caíra com Blake ou outra pessoa interessante. A garrafa que Kelsey girou caíra em Skye Fitzgerald, uma das minions mais recentes de Vanessa Tate. Ok, seria a primeira vez de Kelsey e seria com uma garota. Eu olhei para ela disse que estava tudo bem, que ninguém a julgaria. Skye se levantou rapidamente e puxou Kelsey a arrastando para o armário.

— Vamos ficar mais do que 7 minutos aqui dentro, ou pelo menos, 7 minutos, muito mais do que o primeiro casal. Beijos, vadias. – disse Skye, fechando o closet atrás dela e de minha amiga Kelsey.

Kai Woods tinha acabado de voltar para o porão e logo atrás dele veio Vanessa Tate, mais radiante do que nunca e se sentou próximo a suas amigas. Kai ainda mantinha uma postura fechada, mas acho que o ouvi dizendo que tinha resolvido as coisas com Vanessa Tate e que odiava ver uma garota chorando por causa dele para Blake e Theodore.

Foi angustiante esperar Kelsey e Skye Fitzgerald, e quando elas saíram de lá ofegantes e Kelsey tentando abotoar sua camisa, me senti um pouco melhor. Kelsey avisou que iria tomar um copo d`’agua no andar de cima e eu disse tudo bem.

O jogo recomeçou. Fawn Robbins e Jamie Hart se entreolharam, era minha vez de girar e aquela sensação do coração sair pela boca voltou. Me levantei, fiz o movimento de inspira e expira, e girei minha garrafa, cruzando os dedos para que a mesma caísse em Kai Woods.

Daí me lembrei do que Jamie Hart havia dito e vi Fawn Robbins tentando manipular a garrafa para que ela caíssem em Jamie.

— Você mexeu na garrafa. – eu disse

— Não mexi não. – Fawn disse meio brava. – Não quer beijar o Jamie? Ele tá doidinho pra beijar você! – vi Fawn e Vanessa piscarem uma para a outra e me enfureci mais ainda.

Kelsey já tinha voltado e olhava para mim com um olhar ‘o que está fazend?’, e então o tempo parou para mim. Eles ficaram congelados e eu comecei a olhar um por um até chegar em Jamie. Realmente a garrafa não havia sido muito manipulada, ela estava no meio entre Jamie Hart e Kai Woods, mas analisando o cenário, estava mais para o lado de Jamie Hart. Então decidi. Puxei Jamie Hart e o arrastei para o closet.

— Não nos esperem. – eu falei enquanto fechava o closet na minha frente. Todos ficaram espantados, talvez com a minha coragem, que estivera há tanto tempo escondida. Blake passou a mão na nuca e deu uma risada. Kelsey Malone olhou como se fosse aquilo que eu deveria ter feito há muito tempo atrás. Vanessa Tate e Fawn Robbins se cumprimentaram, porque afinal, a minha garrafa não tinha caído em Kai Woods e isso fazia dela a melhor.

O closet era enorme, havia sapatos velhos, bolsas de grife e muitas caixas.

Jamie Hart colocou um fio de cabelo meu atrás da orelha e disse:

— Podemos apenas conversar se quiser. Não quero te forçar a nada.

Nem parecia o carinha sério e duro de agora pouco, Jamie estava leve e solto ali comigo, quase se como pudéssemos flutuar juntos.

— Tudo bem. Eu estou pronta.

Jamie Hart aproximou seu rosto do meu, nossos lábios se tocaram levemente, depois avançamos para um beijo mais demorado e Jamie pegou em minha cintura, nossos olhos fechados, lábios colados e estávamos começando um a esquentar o corpo do outro quando o alarme do relógio dele despertou.

Jamie Hart me olhou por inteira, e eu sorri. Ele pegou na minha mão e enquanto saíamos do closet ele disse que nosso beijo teria uma continuação, eu corei.

Sentei ao lado de Kelsey e ela deu uma risadinha.

Depois de beijar Jamie Hart, o resto da noite passou como um vento forte e rápido para mim. Logo meu meio irmão veio me chamar para me levar até em casa.

Na caminhonete de Blake, fomos eu, Kelsey, Jamie Hart e Kai Woods. DROGA! Havia me esquecido que Blake prometeu levar ambos Jamie e Kai para casa naquela noite. Ok. Acho que aguentaria o olhar dos meninos por cinco minutos, mas nada mais que isso.

Jamie Hart e Kai Woods dividiram a poltrona de trás comigo! E tudo poderia ficar ainda pior!

Jamie pegou em minha mão, mas eu recuei. Kai Woods percebeu meu movimento e pude ver o começo de um pequeno sorriso vindo de seus lábios.

Blake então puxou assunto. Falou sobre futebol e a temporada de verão e perguntou se eles queriam ir treinar na nossa casa de campo, fora da cidade. E daí o papo deles começou a ficar super desinteressante e eu me senti aliviada.

Primeiro, Blake deixou Jamie Hart em sua fabulosíssima mansão. Jamie me olhou com muita vontade antes de sair da caminhonete.

— Te vejo em breve? – disse ele.

Eu concordei com a cabeça e sorri. Jamie Hart tinha belas bundas e costas bem largas.

A próxima parada seria na casa de Kelsey. Kelsey disse que pegaria um metro ali no centro, pois seu pai ainda não estava em casa, e ele trabalhava ali perto. Blake insistiu em leva-la para casa, mas Kelsey foi teimosa e saiu correndo no primeiro sinal fechado que encontrou.

Blake berrou muito, disse não querer ser responsável se acontecer alguma coisa com ela e disse que depois de levar Kai para casa, que iria procurar Kelsey pelo centro.

Kai Woods se aproximou de mim, nossos corpos estavam grudados com o balançar da caminhonete. Eu podia sentir o hálito de cachorro quente vindo da boca dele. Desconcentrei-me um momento e fiquei imaginando como teria sido se nós tivéssemos nossos 7 minutos no céu.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.