Smooth Criminal
1 Capítulo 1: Smooth Criminal
Notas iniciais
“Você não acha que deveríamos parar de nos encontrar pelo menos por um tempo?” dizia Miguel a Annie. “Não confio nem um pouco no Ian”
“O que você acha que ele pode fazer? Não sou mais namorada dele.” Annie respondeu tranqüila. “Sei que quando me apaixonei por você ainda estava com ele, mas isso é passado, acabou.”
“Temo que ele queira vingança”
“Eu discordo. Acho que ele entendeu como tudo aconteceu e que eu não me sentia bem com ele.”
“Será?”
“E claro que sim. Sabe o que eu acho que você deveria fazer? Procurar um psicólogo e deixar de paranóia. Estamos livres agora.”
“Tem razão, não tenho nada a temer” Miguel concordou, mas eram só palavras. Ele continuava desconfiado.
Miguel e Ian eram grandes amigos desde a adolescência, sempre inseparáveis. Ian era um grande chefe de cozinha, e seus restaurantes eram famosos no mundo inteiro. Referência em boa comida. Miguel era adorado em todo o mundo também, e vivia viajando a trabalho. Dois gênios, cada um com suas particularidades.
Eles eram respeitados pelo seu maravilhoso trabalho, e foi ele que os separou. Passaram anos sem se ver, sempre com a lembrança do amigo distante. Era linda a amizade dos dois. Se não fosse o detalhe do sangue, poderia-se dizer que eram irmãos. E era assim que consideravam um ao outro.
Até que um dia, o mesmo trabalho de Miguel que o levou para longe, trouxe ele de volta para seu amigo.
Ian tentou dar o seu melhor para agradar o amigo, lhe comprou presentes, foi lhe buscar no aeroporto, o convidou para comer em seu restaurante sempre que quisesse e também para ir a sua casa.
Mas há uma coisa que ainda não contei: Ian tinha uma namorada, e Annie era o nome dela. Seus olhos e cabelos eram de um castanho intenso, pele de cor clara, meio amarelada, e belas curvas. Miguel havia se encantado por ela. Viu que havia algo especial quando ela andava, sorria e mexia seus cabelos enrolados.
E Annie também havia gostado dele. Seus olhos escuros despertaram nela o maior calor que ela já havia sentido na vida.
“Miguel, esta é a minha namorada, Annie.” Ian sorriu satisfeito.
“Então você é o amigo de que tanto Ian fala.” Annie disse sem tirar os olhos dos de Miguel. “É um prazer!”
“O prazer é todo meu. Você não imagina o quanto” Miguel também não tirava os olhos dos dela. Aquela tinha sido uma conexão muito poderosa.
Annie não gostava realmente de Ian. Ele era bonito, tinha que admitir, mas ela não o amava. Na realidade, seus olhos azuis eram tão gelados que lhe causava arrepios. Totalmente o oposto do que sentiu com Miguel. Ela não sabia o motivo de ainda estar com Ian. Talvez estivesse acomodada, ou apenas tivesse medo de magoar o coração de Ian. Afinal, ele a amava, e ela amava os cuidados que ele tinha com ela.
Annie não tirou mais Miguel da cabeça depois daquele dia. Ele estava presente em cada pensamento dela, em cada sonho, fosse ele dormindo ou acordada. Annie descobriu o amor.
Algumas semanas depois, Annie decidiu procurar Miguel para falar como se sentia. Ela estava disposta a terminar tudo com Ian só pra ficar com seu amigo. Aquilo não seria justo com Ian, mas mais injusto seria enganá-lo, ficando com ele e dizendo que o amava quando na realidade gostava de outro.
Miguel estava fechando a porta da sua casa quando Annie apareceu e o beijou de surpresa.
“Como você entrou aqui? Está ficando maluca?” Miguel disse assustado, apesar de ter gostado do que ela fez.
“Sei que já deve ter ouvido isso, mas sou louca de amor por você”
“Mas e Ian?”
“Deixo ele se você quiser ficar comigo. Eu não o amo. O único que amei em toda minha vida foi você.”
“Como você sabe? Nos vimos poucas vezes e...”
“A gente sabe quando é a pessoa certa. E não venha me dizer que não sente o mesmo por mim, eu vi nos seus olhos.”
“Eu admito que sinta alguma coisa por você, mas isso não muda nada. Ian é meu amigo, eu não posso e não vou trair a confiança dele”
“Eu não estou pedindo para sermos amantes. Vou terminar com ele.”
“Está bem, você venceu. Quero muito ficar contigo, mas me prometa que terminará com Ian antes, e que ele não será enganado.”
“Eu prometo. A minha intenção nunca foi enganá-lo.”
“Não vejo à hora estarmos livres.” Miguel a abraçou
“Eu também”
Annie conversou honestamente com Ian, que entendeu tudo. Ou pelo menos era o que parecia. Após a conversa, Annie foi feliz contar a Miguel, que desconfiou da atitude de Ian.
“Não se preocupe, amigo, eu entendo o que aconteceu.” Ian disse a Miguel quando se encontraram. “Sem mágoas ou ressentimentos.”
Miguel lhe deu a mão, mas não viu sinceridade em suas palavras. Não era da sua natureza perdoar assim tão fácil.
E após alguns dias lá estavam eles, Miguel e Annie, em um domingo no parque, ele temia que Ian quisesse vingança, e ela dizia a ele que não se preocupasse.
Mas essa parte vocês já viram. Vamos à próxima.
Miguel deixou Annie em casa, recomendando-lhe que tomasse cuidado e lhe dando beijinhos de boa noite.
Annie abriu as janelas do seu apartamento, tomou banho tranqüila e descansou. Quando a fome lhe atacou, resolveu ir até a cozinha, preparar algo para comer.
Assim que ele entrou pela janela
Ouviu-se um som crescente
“Miguel? Miguel é você meu amor?” Annie perguntava dirigindo-se a sala. Ela perguntava por Miguel, mas no fundo sabia que não era ele.
Ele entrou no apartamento dela
Annie viu uma figura de preto na sala. Seus olhos estavam perto da luz e ela o reconheceu.
‘Ian?” Perguntou. Quando viu que ela estava ali, Ian pegou um objeto e bateu na cabeça de Annie.
Ele deixou a mancha de sangue no tapete
Ela caiu no chão desorientada, mas ainda podia correr. Levantou-se rapidamente.
Ela correu para debaixo da mesa
E se encolheu ali bem quietinha.
Ele podia ver que ela estava incapacitada
Ian foi se aproximando devagar, mas Annie o viu.
Então ela correu para dentro do quarto
“Aqui pai, socorro!” Annie começou a gritar. Enquanto isso, Ian alcançou e acertou outro objeto, ainda mais pesado na cabeça dela.
A sua consciência gritava:
Você foi golpeada, era o seu fim.
Quando tudo clareou, havia cheiro de sangue.Sangue dela. Não conseguia abrir os olhos por causa da dor, e tudo o que ouvia era a voz de Miguel repetindo a mesma frase:
“Annie você está bem?
Então, Annie você está bem?
Você está bem, Annie?”
Seu rosto e suas mãos eram acariciados, ele estava tentando trazê-la de volta. Mas ela não conseguia falar, não conseguia acalmá-lo.
“Será que repetir o que aconteceu hoje faria ela recuperar a consciência?” Dizia a voz de seu pai.
“Faça isso, por favor.” Miguel respondeu.
“Annie você está bem?”
O pai de Annie começou.
“Você dirá para nós se você está bem?
Há um sinal na janela
Ele golpeou você — Uma Annie crescente
Ele veio para dentro do seu apartamento
Ele deixou a mancha de sangue no carpete
Você correu para o quarto
Voce foi golpeada
Era seu destino”
“Você foi atacada,
Você foi atacada por um criminoso ardiloso!” Miguel completou.
“A ambulância chegou” O pai disse “E a polícia também”
Então eles entraram pela saída
Era domingo — que dia negro
Os médicos correram até Annie com uma maca.
Respiração boca a boca
Checando as pulsações — intimidações
Miguel estava desesperado. Apesar de sua mente estar confusa e Annie não conseguir se mexer, até ela sentia a agonia em sua voz. Ficava sempre repetindo as mesmas palavras, como se somente um movimento dela pudesse tirar um grande fardo das suas costas.
“Annie você está bem?
Então, Annie você está bem?
Você está bem Annie?”
“Pare, agora é a minha vez” O pai pediu. Ele temia que o desespero de Miguel assustasse Annie.
"Annie você está bem?
Você contará para nós se você está bem?
Há um sinal na janela
Você foi golpeada
Ele entrou no apartamento
Deixou a mancha de sangue no carpete
Então você correu para o quarto
E foi golpeada
Foi o seu fim
Annie você está bem?
Então, Annie você está bem?
Você está bem Annie?
Você foi atacada
Você foi atacada por um criminoso ardiloso"
“Tudo bem, Eu quero todo mundo limpando
Esta área agora!”
Gritava o perito.
"Aaow!" Annie gemeu e foi abrindo seus olhos devagar.
“Annie você está bem?” Seu pai perguntava
"Eu não sei!" Ela respondeu impaciente. A dor era demais para que ela conseguisse falar mais que uma frase.
"Você contará para nós, se você está bem?"
"Eu não sei!"
"Há um sinal na janela"
"Eu não sei!" Ela continuava a repetir. Seus olhos estavam embaçados, sua cabeça doía e não havia muita coisa que ela se lembrasse daquele dia.
"Ele golpeou você"
"Eu não sei!"
"Deixe-me perguntar," Miguel disse “ela está muito confusa”
"Ele entrou no apartamento"
"Eu não sei!"
"Deixou a mancha de sangue no carpete"
"Eu não sei por que baby!"
"Você correu para o quarto"
"Eu não sei!"
"Você foi golpeada"
"Foi o seu fim — Annie!"
"Annie você está bem?"
"Papai veio, baby!"
"Você contará para nós se você está bem?"
"Papai veio, baby!"
"Há um sinal na janela"
"Papai veio — baby!"
"Ele golpeou você"
"Hoo! Hoo!" Annie gemia com a dor.
"Ele entrou no apartamento"
"Papai veio!"
"Deixou a mancha de sangue no carpete"
"Hoo! Hoo! Hoo!" Annie gemia e se contorcia, à medida que a memória retornava.
“Você correu para o quarto”
“Papai veio!”
“Ele te golpeou”
Era seu fim — Annie!”
"Aaow!!! " Annie gemeu novamente "tirem-me daqui, por favor" implorou. E os médicos atenderam o seu pedido.
É claro que Annie ficou boa, Miguel deu muito amor a ela, e a sua recuperação foi rápida. Ian continuou solto, ninguém nunca mais soube dele. Mas eles sabiam que ele voltaria, estava magoado e faria de tudo para separar os dois. Enquanto ele não vinha, Miguel e Annie cuidaram da sua felicidade e fizeram de cada dia especial.
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