Smile Danger

7 Kabe-don será sempre Kabe-don


Notas iniciais
O capítulo de hoje é pra passar um pano.

Amanhã de Nobume Imai estava muito tranquila desde que acordara para ir ao colégio, as aulas não estavam monótonas como todos os dias e até o ruivo estava no seu devido lugar. Mas isso mudou quando chegou o intervalo, quem iria imaginar que 40 minutos seria o suficiente para que tantas coisas pudessem acontecer com uma única pessoa, não é mesmo?

Ela, como de costume, levantou-se da sua cadeira indo em direção a porta, no entanto, o cachorrinho que adotou-a, persistia em continuar a seguindo. Kamui só estava quieto até então, porque ouvira sermão do seu primo barbudo e rabugento, Abuto, que comentou sobre o garoto tomar as rédeas e focar nos estudos. Contudo, agora que estava livre, poderia dar a devida atenção para a de cabelos azuis. Assim que Nobume abriu a porta de correr, o coala preguiçoso e seu parceiro estadista que estavam passando no momento, pararam em frente a eles. Como o professor de química tem a língua solta, não iria deixar passar a oportunidade de fazer comentários inconvenientes para os dois alunos.

Tossiu com o punho rente a boca e virou-se para eles com a cara mais cínica que possui.

— O que os dois pombinhos estavam fazendo sozinhos na sala com a porta fechada, hein? — perguntou.

Kamui mordeu os lábios, com o típico sorriso de olhos fechados e se pôs do lado da garota, malicioso.

— Então Gint— O ruivo sentiu um arrepio na espinha, ao perceber que ela tocou na ponta de sua trança.

— Se não quiser que seus “gêmeos siameses” não virem omeletes, é melhor não completar a frase — Imai ameaçou entre dentes, num murmúrio, interrompendo-o.

Ele engoliu em seco.

— Estamos indo para a cantina, e para questão de informação — Ela saiu da entrada, puxando o ruivo que estava atrapalhando a visão também. — O Yamazaki está puxando o ronco ali.

Os dois professores olharam para dentro da sala e viram o garoto dormindo quase caindo da cadeira. Gintoki tossiu novamente — talvez ele devesse tomar cuidado com o coronga, essa tosse não parece normal.

— Hm, bom, só queria me certificar se vocês não estavam fazendo coisas erradas. Mas… — Levantou um dedo. — Não estou decepcionado com você Kamui, acertou na garota dessa vez! — comentou com animação.

O Yato enrubesceu um pouco, mas ficou com medo dos amiguinhos virarem omeletes, e por isso apenas sorriu.

— Olha, poderia ter sido pior, se fosse a Sarutobi — disse, enquanto caminhavam para a cantina, aproveitando a oportunidade que um figurante os deram, após chamar Katsura de Zura e começarem a debater do porquê ser Katsura e não Zura.

— Não teria tanta certeza, os dois se igualam no nível de idiotice — retrucou.

Houve um silêncio, mas Kamui torcia para que ela comentasse algo a respeito do que o coala preguiçoso havia dito. Isso não aconteceu, Imai estava pensando que poderia estar conversando enquanto tocava o terror pelo colégio na companhia de Kyuubei, como aconteceu em um anime que assistiu, porém a Yagyuu tinha ido procurar Shinpachi para obter informações quanto a Otae.

— No que será que vai dar aquela conversa deles dois? — indagou Kamui, quebrando a monotonia entre eles, referindo-se ao estadista e o figurante.

— Sinceramente não sei, mas Katsura está certo. Eu também não iria gostar que me chamassem de algo que não gosto.

Um sorriso largo se fez presente no rosto de Kamui, era um sorriso malandro.

— Você tem algum nome que não goste que te chamem? — perguntou. Nobume o olhou desdenhosa de baixo para cima, quase entregando sua resposta.

— Mesmo se tivesse, não te contaria.

O Yato revirou os olhos. Imai percebeu que as lamúrias pelos corredores aumentaram e os olhares invejosos focaram neles, principalmente olhares das garotas que costumavam andar com Kamui. Ele nem se deu conta da situação, estava pensando em um nome para dar a colega. Ela continuou ignorando os murmúrios até o ponto de ouvir algo como: "Será que ela é a namorada dele?" e arrepiou-se dos pés à cabeça.

— Olhe para os lados e sorria, Kamui — resmungou a de cabelos azuis, tremendo, abominando o que ouvira.

— Ah, olá meninas, nunca mais vi vocês, estavam sumidas! — comentou carismático para algumas delas que passavam do seu lado. Para enfatizar, ele é o sumido da história.

Imai se afastou dele nesse momento para não dar uma impressão errada novamente.

Embora toda a atenção que recebe delas seja somente para manter seu ego, da mesma forma que Okita faz, ele não está interessado em tê-las; dificilmente pensou em se relacionar com ao menos uma das garotas que já se ofereceram para si. Kamui sabe jogar seu charme e fugir sem se comprometer com as coisas, consequentemente, isso também acontece com pessoas. Infelizmente, as dementadoras não estão só interessadas nele, aquilo já virou obsessão, e como o ruivo, diferente do Sougo, não sabe virar o jogo a favor dos outros, pode rolar algumas tretas, e claro, o traste não vai estar presente em nenhuma delas.

— O-oi, Kamui… — disseram que nem gatas no cio.

Uma delas, loira corpulenta, de maquiagem exagerada, justamente às 10h da manhã, empinou o nariz ao olhar para Nobume e jogou o cabelo para trás, estudando-a. É a Kimiko, sempre muito problemática. Mas eles não demoraram por ali, pois o próprio ruivo fez questão de sair daquele longo corredor, e finalmente compraram seus lanches. Para a alegria dele, Imai não resmungou, chiou ou disse "hm", quando ele sentou do seu lado em um dos bancos do pátio.

— Você deveria se alimentar melhor, comer muito doce faz mal — comentou Kamui, com pelo menos cinco donuts dentro da caixinha.

— Aham — Ela continuou comendo as suas rosquinhas recheadas.

— Acabei de pensar em um nome para você! — disse com empolgação, de repente.

— Eu já tenho um nome.

— Eu sei, meu bem. Mas acho que Mukuro combina muito mais com você… — A voz saia como uma bela melodia prestes a ser interrompida pelo disco arranhado.

Sem dizer nenhuma palavra, Imai inclinou o corpo em direção ao chão e pegou uma pequena pedra que jazia por ali, arremessando na cabeça dele. Razor teria inveja dela se estivesse em Hunter X Hunter. Kamui não saberia dizer o que a deixou violenta, o "meu bem" ou "Mukuro" que significa cadáver. Contudo, todo o ódio de Nobume Imai foi canalizado, logo que ele entregou a caixinha com o restante dos donuts na tentativa sucedida de acalmá-la.

— Então… — Se aproximou receoso, mas com o maldito sorriso na face. — Você e aquela garota… a Yagyuu, já fizeram as pazes?

— Sim.

— E por que vocês "brigaram"? — Ele fez aspas com os dedos, enquanto prolongava o tom da voz.

Ela estreitou os olhos, querendo apenas terminar de se alimentar, no fundo sabe no que essas perguntas vão dar.

— Já te disseram que a curiosidade matou o gato? — retrucou.

Kamui assentiu, não dando importância para a indireta mais que direta.

— Hm… o assunto é delicado, mas resumindo, brigamos porque menti muito mal para ela e acabei sendo um pouco idiota.

— Ainda bem que homens saem na porrada o tempo todo e todo mundo fica de boas depois — o ruivo sorriu, jogando o comentário no ar, o vento bateu em seus cabelos esvoaçantes, nesse momento.

E por mais ridículo que tenha sido o seu comentário, e embora ninguém deva sair nos tapas com os amiguinhos, não deixava de ser verdade. Após comerem, retornaram para os corredores movimentados, mas agora Nobume estava dispersa por causa do comentário do ruivo e uma dúvida pairava em sua mente. De chofre, Imai pegou no pulso dele, o guiando com pressa em seus passos.

— Kamui, vem comigo.

— Para onde? — Ele parecia espantado.

— Boa pergunta, ainda não sei para onde.

O ruivo estalou a língua no céu da boca e gargalhou ansioso. Ele percebeu certa pressa por parte dela, enquanto a garota procurava um local para ficarem a sós. Nobume pensou na 3-Z, mas haveriam alunos por lá, logo pensou no corredor à frente, porém já estava ocupado. A possibilidade de entrar em outra sala era abominável, considerando o comentário inconveniente que Gintoki soltou outrora. O Yato já estava suando frio. Para seu alívio, eles pararam no espaço entre uma escada e outra, que dá acesso ao segundo andar.

— É… Imai… — Kamui massageou as têmporas. Seus olhos se arregalaram surpresos com a aproximação inusitada da garota que o empurrou contra a parede, a mão direita ficou ao lado do rosto dele e a esquerda segurava seu braço. A típica "kabe-don" dos shoujos.

Aqueles olhos carmesim, versão William James Moriarty, fitavam inexpressivos os claros olhos azuis do Yato, que agora tremulavam ansiosos com a aproximação dos dois. Imai estava "fodastica" naquela pose, provando quem seria o passivo da relação, mesmo que os 1,70 dele para com os 1,66 dela não mudasse a diferença entre as alturas. O ruivo abriu um sorriso convencido, acalmando-se.

— Ora, não creio que você vai se declarar para mim. Não esperava isso de você, Nobume Imai. Desde quando tem um crush secreto por mim, hein? — indagou sarcástico, sem medo da morte, afinal, já havia ganhado o dia com a atitude dela.

— Meu crush é o Kenpachi e não você — respondeu silabicamente. — Quero saber porquê estava agindo que nem um louco naquele dia. O que realmente aconteceu?

— Ah, então é isso. — Seu sorriso sumiu. — Já te disseram que a curiosidade matou o gato?

Uma veia saltou na testa de Imai. Ele literalmente usou o argumento dela contra ela.

— Kamui… — sibilou entre dentes. O ruivo voltou a sorrir.

— Calminha dona, Imai. Irei te contar — suspirou ganhando tempo. Kamui queria enrolar o máximo para poder continuar daquele jeito com a garota. — Então… — Engoliu em seco. — Aquele cara é de outro colégio e é membro de uma gangue por lá. Arrumei briga com ele quando voltava da aula no final da tarde, um dia antes do que aconteceu entre eu e você.

— Não fale com duplo sentido, por favor — ressaltou e ele gargalhou desanimadamente.

— Enfim, ele estava seguindo uma garota, provavelmente para fazer algo com ela, então me envolvi na situação e ele apareceu no outro dia por aqui para se vingar. — Houve um silêncio entre eles, mas Kamui queria continuar, precisava continuar. — Eu sou um péssimo cara, admito. Lhe mostrei meu pior lado e fui extremamente babaca com você naquele dia…

O ruivo estava com um semblante sério e evasivo pela primeira vez desde que se conheceram. Kamui sentia-se nervoso e receoso, não queria voltar a olhar para aqueles olhos vermelhos que tanto o julgavam. Desesperou-se ao sentir ela soltar seu braço esquerdo e com medo que Imai fosse embora, pegou no braço dela para mantê-la por perto. Nobume estava tão calma, diferente dele, que buscava por ar para continuar ali.

— Ouvir essas coisas me deixa constrangida — murmurou.

— Mas eu preciso continuar. Eu realmente estou arrependido e só queria que você entendesse isso — sorriu como sempre faz e tocou na cintura dela. Nobume pressionou o antebraço dele, para impedi-lo de prosseguir.

— Não continue — resmungou.

— Certo, certo! Estava brincando — Soltou uma risada nervosa.

Imai suspirou com pesar.

— Porque não tentou se justificar pacificamente naquele dia?

— Eu não sei me acalmar quando estou daquele jeito. Então tudo que faço é pura emoção, as consequências vêm depois.

— Então por que me ameaçou no outro dia?

Ele chiou balançando a cabeça.

— É interrogatório agora? As respostas vão para o seu TCC? — Ele nunca perde uma oportunidade de fazer gracinhas. — Okay… Estava com raiva de você, mas não era exatamente de você. Estava frustrado com o que havia acontecido, estava frustrado pelo meu comportamento. — Havia algo por trás da "ameaça" mencionada que Nobume talvez nunca soubesse, devido o modo que as coisas estão fluindo entre eles.

— Ah, entendo — retrucou com os pensamentos em outro lugar. Nobume estava relembrando os acontecimentos para respondê-lo à altura.

Kamui riu falsamente, ele parecia tão distante quanto ela.

— Imai… — murmurou.

Levou uma de suas mãos até o rosto dela para que pudesse olhar aqueles olhos rubis tão misteriosos. Coitado, realmente pede para apanhar de mulher. Mas ela não o agrediu, estava imersa em outras coisas, não conseguia reagir ao toque da mão dele acariciando sua bochecha.

— Podemos ser amigos? — indagou, mas no fundo, não queria dizer aquelas palavras. Kamui queria ser mais que amigo dela, só que sabia que a rejeição seria direta, ríspida e dolorosa.

Nobume enrubesceu surpresa com essa pergunta, embora não seja a primeira vez que ele a faça. Provavelmente seria uma das poucas vezes que veria uma reação como essa advindo dela.

— N-não… N-não podemos! — A voz saiu esganiçada e ela afastou rapidamente a mão dele de seu rosto, tentando fazê-lo soltar seu braço que ele ainda segurava. — V-você é muito insistente, sabia?

— Ah, claro! E irei insistir até conseguir o que quero.

Ela iria se arrepender dessa pergunta, mas a vontade e o impulso de fazê-la foi maior que a sua razão.

— E o que você quer, afinal?

— Você — respondeu, soltando o braço dela, da mesma forma que alguém para de correr atrás de uma borboleta para deixá-la pousar naturalmente em si.

Notas finais
O crush da Nobume é o Zaraki Kenpachi de Bleach, gente! Vocês aceitariam o pedido de desculpas do Kamui depois de saberem disso, estando no lugar dela? ️
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.