Smile
16 Married.
Sua mãe estava lhe explicando novamente o que aconteceria, e o que ele teria que fazer.
Ouviu com atenção e concordou com a cabeça quando a mãe deu por terminado.
Foi até o altar e ficou lá, enquanto mais e mais pessoas chegavam e seu nervosismo aumentava.
Estava ansioso para ver Lucy, ela com certeza estaria linda... mais do que o normal.
Os minutos pareciam não passar. E aquelas pessoas não paravam de chegar também.
Quando é que veria Lucy? Estava ficando até impaciente.
Provavelmente mais alguns minutos se passaram, e as pernas dele já estavam doendo um pouco de tanto ficar em pé, e parado.
Uma música diferente começou a tocar.
As portas da igreja, agora, estavam fechadas e foram abrindo aos poucos.
Meguri encarou rigidamente a porta.
Lucy entrava por ali, de braços dados com o rei.
As bochechas dele ficaram completamente coradas quando a viu.
Lucy também estava corada, mas ela estava perfeita. Muito bonita, mesmo. O vestido que ela tinha escolhido... a rosa branca em seus cabelos... tudo parecia lhe cair tão bem!
Sentiu as pernas ficarem bambas a cada passo que Lucy dava em direção ao altar.
Ela estava perto de chegar até si.
Poucos passos e a cerimônia começaria de verdade.
Lucy estava sorrindo, mas, Meguri sabia que ela não estava exatamente feliz.
Ele, por outro lado, não conseguia esconder o sorriso, estava muito feliz mesmo, vendo sua noiva... tão... ele não tinha palavras para descrever.
Quando ela chegou até ali, e seu braço segurou no seu, o coração de Meguri dava pulos.
Lucy sorriu para ele, fechando os olhos, e virando-se para o Padre logo em seguida.
Meguri sentia o rosto queimando.
Mesmo o sorriso falso dela servia para lhe deixar todo corado e nervoso.
Pensando assim, Meguri até se sentia aqueles pirralhos de 13 anos se apaixonando pela primeira vez ao ver uma garota bonitinha.
Apesar de seu caso não ser tão diferente. Ele só era mais velho.
Lucy não era uma garota bonitinha, ela era uma Princesa bonitinha, e isso o deixava ainda mais nervoso.
O Padre pediu para eles se ajoelharem, as rezas começariam. Assim, soltaram as mãos e fecharam os olhos, para rezarem. Meguri abriu os olhos para espiar várias vezes, e não se arrependeu nem um pouco disso.
Com ninguém o observando, podia olhar para o rosto de Lucy, os olhos fechados, com maquiagem branca e leve e ninguém prestaria atenção se estivesse fazendo cara de bobo, ou não.
Ela também abriu os olhos, uma vez, e os olhares se cruzaram por alguns segundos.
Lucy se surpreendeu e fechou os olhos novamente, Meguri pode perceber que as bochechas dela coraram ainda mais.
Teve vontade de rir da vergonha dela, mas se segurou.
Quando finalmente puderam levantar, os joelhos de Meguri estavam começando a ficar doloridos.
Os de Lucy também, mas ela não se importou.
Casamentos são sempre bem parecidos, o Padre fala por horas enquanto os noivos ficam em pé, fazendo juramentos.
Meguri meio que estava com inveja dos convidados, por estarem sentados.
Ele não chegou a prestar muita atenção na cerimônia em si.
Talvez devesse, já que era o seu casamento.
Só começou a prestar atenção quando teve que falar as palavras comuns de casamento para então ouvir Lucy repetir.
Ele sentia vontade de desviar o olhar enquanto ela repetia as palavras, olhando para ele.
Ela... Agia com tanta naturalidade! Seus olhos verdes estavam brilhantes e ela parecia ainda mais bonita pelo fato de estar sorrindo.
Meguri também teve que repetir coisas, e ficou com medo de gaguejar.
No fim, conseguiu repetir sem gaguejar, e o padre disse a palavra final. Em que poderia beijar Lucy.
Se beijarem na frente de todo mundo... Meguri não sabia dizer qual dos dois estava mais constrangido.
Colocou as mãos nas bochechas dela, acariciou levemente e a beijou, por mais de alguns segundos.
Lucy não apresentou muita reação, enquanto suas bochechas ficaram vermelhas.
Se separou dela, e aos gritos de todos, começaram a sair de mãos dadas para a viagem que havia decidido com a mãe.
Meguri estava muito feliz, essa era a verdade.
Ele e Lucy acenaram para os convidados, antes de entrarem na carruagem, que era um pouco maior a que Meguri andou para vir ao Reino.
Ele simplesmente não conseguia esconder o sorriso.
Lucy desmanchou o sorriso quase forçado assim que entrou na carruagem.
Ela ainda parecia vermelha por conta de toda a atenção.
O homem que guiaria a carruagem, fechou a porta e iniciou a viagem.
Lucy se sentou no banco que ficava na frente de Meguri, encarando a aliança em seu dedo.
Meguri se perguntou o porque do olhar fixo na aliança.
Ela suspirou e olhou para Meguri.
— Está bonito. – Apontou para a rosa branca em seu terno. – Gostei desse detalhe.
— Obrigado. – Sorriu. – Está linda. Gostei de tudo.
Meguri deslizou o dedo pela aliança, enquanto olhava para o chão, seu rosto estava ainda corado.
— Obrigada. – Lucy se abaixou, tirando os sapatos. Ela sabia que a viagem iria demorar, mesmo.
— Como está se sentindo?
— Bem. Ainda não estou sentindo falta de liberdade, nem como se estivesse acorrentada, então está bem. E você, Meguri? Se sente como?
— Feliz. – Sorriu. – Mas seu que não se sente assim, Lucy.
Ela se deitou no banco e colocou os braços cruzados em cima do rosto.
— Lucy?
— Eu não estou triste como você pensa. Mas também não me sinto feliz.
Meguri suspirou baixinho.
— Me desculpe. – Também tirou os sapatos.
— Não é como se você pudesse impedir isso de acontecer, Meguri. É só um acordo comercial. – Deitou-se de costas para Meguri. – Nossa união não é nada além disso.
Por que ela estava agindo de uma maneira tão fria?
Suas palavras não condiziam com suas atitudes.
— E você, Meguri? Sente-se como? – Perguntou ainda virada de costas, com a voz sem apresentar emoção.
— ... – Seu olhar estava direcionado para ela. – Culpado.
Lucy se virou para ele, e ergueu uma das sobrancelhas em dúvida.
— Você não fez nada, já que também foi forçado a isso.
Meguri baixou os olhos, envergonhado.
Ele não foi forçado.
... Para ele, não foi algo forçado.
Lucy suspirou e colocou as mãos sob as coxas.
— Me desculpe... Eu não deveria falar assim com meu marido. – Provavelmente era algo assim que Mary pediria para a Princesa dizer.
— Não se preocupe com isso... – Murmurou, Meguri.
Lucy se levantou e foi em direção a ele, abraçando.
— Desculpe.
Sentou ao lado de Meguri, o abraçando.
Meguri correspondeu o abraço, colocando os braços nas costas de Lucy e fazendo pressão.
— Não precisa de desculpas. – Acariciou seus cabelos. – Vamos aproveitar nossa viagem e nosso tempo juntos como amigos, se preferir.
— Claro. – Ela acenou com a cabeça e se soltou de Meguri.
— Está cansada? – Questionou, com a mão na cabeça dela.
— Um pouco. – Murmurou encostando-se no ombro de Meguri. – Posso dormir um pouco até chegarmos lá?
— À vontade, Lucy.
De certa forma, ele se sentiu um pouco chateado com as coisas ditas por Lucy. Mas, não podia culpa-la, ele realmente estava vendo tudo com uma perfeição inexistente.
Mesmo que tivesse cochilado antes do cochilado antes do casamento, não tinha nada mais para fazer.
Encostou a cabeça na janela e tentou dormir também.
Suas mãos estavam entrelaçadas e o vestido de Lucy estava tocando as pernas dele.
Tê-la ali, lhe passava tranquilidade.
Conseguiu adormecer mais rápido e com mais tranquilidade.
Lucy não se afastou dele, mas não adormeceu com facilidade. Ela ficou olhando para a paisagem lá fora, em silêncio.
É...
Sua liberdade havia acabado. Definitivamente.
Estava casada com Meguri.
Não era de fato, sufocante como pensou ser que seria assim que a aliança entrasse em seu dedo.
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