Smile
20 Contradictory.
Notas iniciais
Meguri a abraçou repentinamente, mas com carinho demasiado.
— Você mesma está dizendo isso erroneamente, Lucy. – Largou-a e segurou sua mão. – Ter um enjoo por causa de um barco não te torna ruim. Não sei quem disse isso para você, aliás.
Por algum motivo, a Princesa estava chorando. Mas ela não estava realmente triste com a situação.
— Desculpa. Eu... Não sei o que estou falando. – Apertou a mão dele.
— Foi só a tontura, não têm problema. – Apertou de volta. – Quando se sentir melhor, continuamos, já que não acho que vá querer voltar de barco e enjoar outra vez. – Riu.
— Apesar de saber que vamos ter que voltar de barco, acho que se eu me cansar, vou dormir. E vai ser melhor.
— Então, assim que quiser, podemos começar.
Ela se apoiou em Meguri, segurando sua mão.
— Bem, você é meu Príncipe, huh? Que nem nas histórias, me mostre um lugar legal.
— Como desejar, Princesa. – Sorriu, fazendo leve reverência. – Vou te mostrar lugares inesquecíveis.
Lucy passou a caminhar perto dele.
Estava com uma sensação alegre.
A primeira coisa que visitaram foi um pequeno laguinho, dentro da ilha. Meguri se preocupou se ela não enjoaria outra vez, mas sendo que foi Lucy quem pediu para pararem ali, já que seu destino era outro, talvez não houvesse problema.
Ela se sentou na beira do laguinho e colocou os pés na água, fazendo careta.
— Está gelada. – Fechou os olhos, rindo.
Meguri fez a mesma coisa, e também fez careta.
— Verdade. – Colocou as mãos na areia.
Quem diria.
Dois membros da realeza, sentados na areia, com os pés em um lago frio, sem nenhum parente, guarda ou empregado por perto.
Pareciam até mais comuns do que grande parte das pessoas que visitavam a ilha.
Alguns nobres se achavam... Superiores demais em relação ao resto das pessoas.
— Ei, Lu... Acho que consegui ver um peixe. Tente jogar um pouco daquele ração, se ainda a tiver.
Ela concordou com a cabeça, e jogou alguns grãozinhos na água.
Meguri ficou olhando-a, os olhos dela eram verdes, todos sabiam. Mas só ele sabia, naquele momento, como eles eram quando ela estava feliz.
E dessa vez deu certo.
Algumas bolhas e peixinhos apareceram timidamente, sugando os grãozinhos.
— Será que posso tocá-los?
— Provavelmente vai acabar espantando eles. Mas não custa tentar. – Meguri estendeu a mão para perto dos peixes.
— São bonitinhos!
Lucy colocou a mão na água junto de Meguri e os peixes nadaram alguns centímetros para o lado.
— Acho que eles não são muito sociáveis.
Meguri segurou o pulso dela e guiou sua mão, para que entrasse na água.
Juntos, pegaram uma flor pequena, branca, que já estava morrendo
— Essa flor é tão bonitinha, mesmo murcha assim. Deveria ser encantadora enquanto viva.
Meguri concordou com a cabeça.
— Você acha que Sean gostou de visitar uma ilha, Lucy? – Acariciou o cabelo dela, seus dedos deslizaram pela rosa branca que estava em seu cabelo.
— Tenho certeza que ele está gostando tanto quanto eu.
— Isso me alegra, Princesa.
— Sean sempre saiu mais do castelo do que eu. Provavelmente porque era mais velho que eu, e por ser um homem... – Devolvou a flor branca para a água. – Mas ele sempre me trazia coisas dos lugares que ele visitava. Livros novos, na maioria das vezes. Mas eu ficava tão feliz! Quer dizer... Ele se lembrava de mim mesmo quando eu não estava perto dele, Meguri. Meu irmão era uma pessoa ótima. Nossos pais tinham orgulho dele. E... Ele queria uma esposa para fazê-la feliz. Não apenas para se casar.
Ela secou as mãos em um lenço.
— Assim como você está fazendo comigo. – Nos cantos de seus olhos, lágrimas pequenas brotaram. – Vocês seriam bons amigos...
Ela odiava ficar triste quando falava dele. Ela não estava se sentindo triste. Os pensamentos sobre ele não eram supostos de fazê-la ficar triste.
Eram boas lembranças.
Eram lembranças preciosas demais.
Eram coisas que ela não voltaria a ter.
Eram coisas que ela guardava com cuidado.
E que pretendia nunca se desfazer.
Meguri a abraçou.
— Não precisa chorar, Princesa
— Não são lágrimas de tristeza, Megu... Falar do Sean não me deixa triste. – Limpou as lágrimas com os dedos e sorriu levemente. – Não se preocupe.
— Entendo... eu só não gosto de ver suas lágrimas.
— Nem mesmo as felizes?
Ele beijou seu rosto, e encostou a testa em sua bochecha.
— Eu gosto do seu sorriso, mas tudo que você faz, me faz te amar, Lucy.
— Você é tão fofo, Megu. – Riu baixinho e acariciou os cabelos dele.
— Obrigado. – Olhou de um lado para o outro. – Posso te dizer um segredo?
Ela o olhou em dúvida mas concordou com a cabeça.
— As pessoas julgaram meus pais por estarem me criando da maneira que você me conhece hoje. Sabe? Gentil, não me preocupo com as roupas que minha esposa usa... Ou qualquer outra coisa assim. – Bufou. – Tanto machismo é irritante...
— Julgaram porque não conheciam o diferente, sabe. – Comentou. – As pessoas falam mal daquilo que desconhecem ou que acham que é muito diferente de sua crença e não percebem o quão ridículo é sua atitude. Mas sei que depois que verem o modo como você governará a todos, e a sua criação ter te tornado uma pessoa maravilhosa, elas mesmas vão querer criar filhos assim.
— Como você foi criada, Lucy? – Questionou, curioso, afinal, ela agia como uma suposta Dama daquela época, mas tinha idéias realmente diferentes.
— Hum... – Olhou para o lado. – Como alguém que só veio ao mundo para satisfazer o marido. Mas... Isso era o que meu pai queria que fizessem. Minha mãe e Sean sempre... Tentavam mostrar que eu era muito mais que isso.
— E então você se tornou as duas. Encantador. Gostaria de prosseguir viagem?
Lucy concordou com a cabeça, e se levantou primeiro que ele.
— Vamos.
Caminharam por algum tempo, e então, Meguri pôs as mãos sobre os olhos de Lucy.
— Quero te fazer uma surpresa, então feche os olhos e não abra até eu pedir.
— A-Ah... Ok... – Obedeceu-o e ficou de olhos fechados. – Aonde vamos?
— Confie em mim.
Meguri segurou a mão de Lucy e tentou seguir em linha reta, para não dificultar a caminhada de Lucy.
Em poucos minutos chegou num dos primeiros lugares naturais daquela ilha que iriam visitar.
O enorme campo de flores, em sua maior parte, girassóis, mas que continham milhares de flores coloridas e dentre elas, rosas brancas.
— Pode abrir. – Sussurrou em seu ouvido, beijando seu pescoço, em seguida. – Acho que vai gostar.
Lucy sentiu arrepio com aquele toque.
Abriu os olhos ansiosa.
— ... Megu! – Exclamou surpresa. – É... Tão...
— Gostou? Imaginei que pudesse gostar de visitar, é um ponto turístico bem famoso na ilha e como gosta de flores... – Falou um pouco envergonhado. E se ela não tivesse gostado e a surpresa fosse pela decepção?
— Eu adorei! Obrigada! É muito bonito! Desenhe esse lugar para que possamos nos recordar, tá? – Colocou as mãos em suas bochechas. – Obrigada por pensar em mim tanto assim.
Ele corou.
Muito mesmo.
Ele amava aquela garota.
E bem, quando se está apaixonado e feliz, você não pensa muito antes de fazer as coisas.
Acabou gargalhando e sorrindo de felicidade, então, segurou na cintura de Lucy com as duas mãos e a ergueu do chão, rodopiando alegremente.
— Ainda bem! – E em dessa vez, num ato mais impensado ainda, a beijou.
Seu coração bateu rápido e ele sentiu calor.
Lucy era leve e seu corpo era pequeno, poderia segurá-la nos braços por horas.
Continuou abraçado por alguns segundos e a soltou, vermelho.
— Lucy, ahn... Desculpe... Eu fiz sem pedir...
— Sem problema. – Riu. – Foi... Carinhoso.
O Príncipe de surpreendeu com o ato da Princesa.
Com as mãos em suas bochechas, ela ficou na ponta dos pés e encostou os lábios nos dele.
Corou de leve e retribuiu, segurando a cintura de Lucy outra vez.
Se sentiu diferente naquele momento.
Tinha sido retribuído.
Sentiu vontade de tocar seu corpo novamente, mas, ela não queria isso, certo?
Apenas tocou sua bochecha.
Foi surpreendido outra vez.
Lucy pôs os braços ao redor de seu pescoço, timidamente.
Sorriu e beijou a ponta de seu nariz.
— ...Você... Me retribuiu.
— Sim. – Corou e concordou.
— Parece que a Princesa do tipo dificil, tem um coração.
— Ei! – Reclamou, rindo um pouco. – O coração da princesa é só um pouco tímido.
Meguri manteve o sorriso.
— ...Entendo. – Afagou seu cabelo. – Então, você tem certeza do que sente?
— Não. – Negou. – Claro, eu gosto de você, Megu. Mas... Quando conversamos hoje no barco, eu não tinha certeza. E agora, ainda não tenho. Mas não sinto o incomodo ou sentimento de prisão ao estar casada.
— Entendo... Obrigado. Você me deixa muito feliz, Princesa. Eu estava procurando por isso há algum tempo...
— Procurando?
— Sabe... Meu pai e minha mãe, eles não são como os seus. Não são como os de qualquer um daqui. Eles se amam tanto. A voz da minha mãe é a mais alta do Castelo. Meu pai não redige ordens a ela. Mas, eles se amam. Todo mundo vê. Isso é tão incomum. Achava que o amor só estava nos livros de romance.
— De certa forma, eu achava isso também. – Ajeitou os fios que quase entraram na sua boca pela brisa que batia neles. – Parecia tão fantasioso, tão impossível de acontecer. Impossível de ver alguém amando.
— E agora, você está aqui. E eu percebo como o impossível é algo vago.
— Tudo que desconhecemos parece ser algo impossível de realizar.
Meguri percebeu que ela não estava olhando em seus olhos durante aquela conversa.
Ela desviada o olhar entre o lado e o sol se pondo.
Como ela conseguia ser tão determinada mas tão tímida?
Contraditória.
A provável palavra para descrever como Lucy conseguia.
Que mundo pequeno.
Como ele ia poder esperar que um dia, por um casamento arranjado, poderia encontrar alguém que o fizesse se sentir bem, só por estar perto.
Na sua concepção, casamentos arranjados pareciam sempre tão infelizes, com casais que tentavam se suportar e pareciam uma família perfeita, porém toda cheia de falhas e defeitos.
Meguri se sentia sortudo.
Poderia ficar olhando para Lucy por horas, e não reclamaria de nada. Ela era cheia de qualidades que ele amava.
Sua beleza não importava tanto assim. Mas, mesmo sem tanta importância dada, até mesmo por fora, Lucy chamava sua atenção.
Ah, sabia a cada segundo que passava ao lado de Lucy, e mesmo que conhecesse ela pessoalmente há pouco tempo, que queria estar por muito, muito tempo com ela.
Governar seu reino com ela.
Ter filhos com ela.
Simplesmente estar ao lado dela.
Estava se sentindo plenamente feliz, o sorriso no canto de seus lábios, simplesmente não desaparecia.
Queria que ela se sentisse assim também.
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