Smile

1 Trouble


Notas iniciais
Parabéns LIPY!
Espero que goste! Fiz do fundo do meu coração ^w^
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U_U
Õ//

Um pequeno garotinho, escondido atrás da pilastra de mármore, olhava timidamente para um grupo de meninas. Claro, não pensava em coisas comprometedoras, mas sim de olhar uma menina especial para ele, segurar a sua mão e caminhar pelo pátio do colégio.

As crianças menores se sujavam e precisavam da ajuda das superiores para ajuda-los a pegar, grupinhos com crianças se esnobando eram os mais frequentes numa escola dessas. Era um local não muito simples, com paredes pintadas a laranja, dando um toque alegre ao refeitório infantil. Elas não paravam, gastavam energia e faziam brincadeiras como pega-pega, isso quando o lado de fora estava chovendo e o parquinho era fechado, com algum risco de algum espertinho se machucar ou se sujar com a lama.

Diante de toda barulheira, uma menina de cabelos castanhos chama sua amiga que estava no meio da roda, cutucando pelos ombros. Interrompendo toda a conversa, ela olhou para a amiga.

-Olha! É aquele menino!

Ela olhou curiosa para trás, mas ele não estava mais lá.

* * *

-ME SOLTA!

-HAHAHA! A garotinha resolveu falar?

-Me solta!

O loiro movia sus braços e pernas, na tentativa de se soltar do garoto maior. Ele só não era maior, como mais forte e mais cruel. E também o mais popular da escola.

Ele empurrou Ezreal no armário e sem dó, levantou o menino pela gola da blusa do colégio, deixando seus pés tocarem o ar.

-Você estava olhando pra ela, não estava?!

Ele virou o rosto, escondendo seus olhos úmidos.

-Não...

-MENTIROSO!

E o garoto maior voltou a bater no armário com o corpo magro dele. Sentia dores e estava ficando sem ar.

-Se você falar com ela, olhar para ela, e então pensar nela, você morre!

Ele estava acostumado a tais ameaças. Mas não era sempre que o garoto maior agredia ele desse jeito. Costumava ser apenas paradas e palavras feias quando eles se encontravam, e Ezreal sempre ficava calado.

-Você entendeu?

Perguntou ele com os olhos brilhando de raiva e aumentando o tom da voz.

-Entendi. –Disse balbuciando.

Brian deslizou as mãos para o bolso e se virou.

Ezreal ajeitou as roupas vermelhas do uniforme, enquanto andava para a classe.

Então o valentão estava prestes a andar pelo corredor, provavelmente arranjando mais encrencas, quando ouviu o som de uma risada abafada.

-Está pensando nela não está?

Ele ficou parado, ainda de costas quando ele se virou para olha-lo.

-Eu e você, atrás da escola. As 1 e 30!

Os amigos dele fizeram um coro atrás dele, incentivando ainda mais Brian, o mais popular da escola.

* * *

Na saída, Ezreal suspirou.

Era sempre a mesma rotina, toda a semana, todo dia. O nerd contra o valentão-popular.

As crianças fizeram uma roda, cercando eles e barrando qualquer um que se aproximasse. Elas gritavam entusiasmadas “ BRIGA! BRIGA, BRIGA!”.

-Vai lá Ez! Morde, chuta, tira sangue!- Grita pulando Thomas.

Os garotos ficaram quietos, encarando o amigo do desafiado. Ele foi empurrado para trás, e não conseguiu ver mais nada.

-Vai se arrepender moleque!- Bradou Brian, andando pela roda em movimentos circulares, pronto para atacar a qualquer instante.

-Eu jáme arrependendo...

- O que disse?!

O loiro decidiu se calar de uma vez. E foi ai que aconteceu.

O ruivo desferiu um golpe com o pulso, mas foi surpreendido com a evasiva do oponente. Um outro coro como “UUHHHUUUUUU”, elevou ainda mais a fúria dele.

Ele se virou e por pouco não acertou a orelha dele, mas o golpe foi um sucesso em acertar os óculos presos. Aquilo fez a lente rachar e ouviu-se um “crec”.

Assustado mais do que já estava, ele se atrapalhou e foi atingido na cabeça e no rosto consecutivamente com os socos fortes do inimigo.

Começou a girar com a pancada, e ficou zonzo. Ouvia zunidos e viu o sorriso vitorioso do rival.

Tudo começou a girar e ficar embasado.

Ele abriu passagem entre as crianças e quando se deu conta, já estava correndo pelas ruas da cidade. O grupo de amigos do garoto chamado Brian vinha atrás dele, enchendo ainda mais seu coração de medo e desespero.

Ele não queria isso, nunca quis. Aquela escola era estúpida, e as pessoas ainda mais. O professores não se empenhavam tanto e deixavam na maioria das vezes os alunos livres. Ezreal sempre tirava boas notas e com aqueles óculos de explorador, era apelidado como nerd. Seu amigo, Thomas, não era muito diferente dele.

Mas Thomas sempre o deixava sozinho quando mais precisava, tão amedrontado quanto ele. Quando foram numa exposição no museu, as criancinhas ficaram com medos dos fósseis de dinossauros gigantes. Ezreal ousou tocar num deles, mas foi detido pelo monitor. Thomas o achou corajoso e começou a andar com ele.

Ele nem se quer se toucou quando esbarrou num galho de uma árvore que atravessava um portão e tropeçou, ralando o joelho. Mais a frente um aparador de grama ficou frustrado, mas nada podia fazer enquanto o segurança já avançava na calçada.

-FERRO! VAZA, VAZA, VAZA!

Eles começaram a correr e sumiram quando viraram o quarteirão.

O segurança mal encarado o olhou e bufou na cara dele.

-Quem você pensa que é pra trazer seus amiguinhos prá cá? Sabe aonde está pisando menino?

Ele olhou para o chão, mas apenas com a visão de um olho, pois o outro estava roxo.

-Me desculpe. Não quis pisar no asfalto do senhor.

Ele afastou a cabeça e o olhou de baixo. Ergueu as sobrancelhas ao ver que estava machucado.

-Você estava brigando?

-Eles me machucaram senhor.

-Estou vendo.

-Eu não quis sujar o seu asfalto, ou então sequer pisar nele ou trazer confusão na frente de sua casa.

-Isso. Agora dê meia volta e vá voltando por onde veio.

-Sim senhor.

Ele deu meia volta, já pensando que, ao virar a esquina, eles estariam lá para começarem a correr de novo. Não deixou as lagrimas quentes preencherem seu rosto. Cabisbaixo, voltou a andar.

-HEY! Você com cabelo loiro!

Ele se virou, e senti finalmente a dor do joelho ralado.

-Ai...

Ela era uma menina, da mesma idade que ele. Seus cabelos loiros estavam presos numa fita vermelha e caiam até a cintura. Vestia um vestido vermelho também, e só de olhar para ele, já percebia que aquela casa era da família dela.

-Você está bem?

E o encarou com aquelas orbitas brilhantes azuis.

-Você é um anjo...

-Mas ein?

-Cuidado quando você se dirige a senhorita Lux pirralho!

“Lux...combina com o seu nome...Ela é tão bonita.”

-Você está machucado!-Disse incrédula, olhando para a perna dele.

-Não é nada...eu tenho que ir e...

-NÃO! Você fica! Rafael! Como deixa ele assim? Seja mais gentil na próxima vez!

-Sim, senhorita Lux.

Já calma, estendeu a mão para ele.

-Como você se chama?

-Ezreal.

-Olá Ez! Venha vamos cuidar dos seus machucados!

-Não precisa, eu vou indo pra casa e...

Ela não permitiu que ele terminasse a frase.

-Rafa!

-Ao seu serviço senhorita!

-Leve o Ezreal comigo até o meu quarto.

“Ao quarto dela?”

-Ao seu quarto senhorita?

-Sim! Vamos indo!

A mansão era muito grande e rica nos mínimos detalhes. Escadas levavam até a entrada, e os jardins eram tão bonitos que, em meio a eles, você gostaria de ficar lá para sempre.

O balanço estava vazio, assim como todos os brinquedos de lá. Havia algumas fontes com estátuas de pessoas e elas pareciam cuspir agua pura, caindo suavemente ao redor delas. A grama era bem aparada e olhando a certo modo, elas formavam o símbolo conhecido.

“AH! Eles devem ser os Crownguard! Não é a toa que a mansão deles é tão bonita!”

No quarto, pediu que depositasse o menino numa confortável poltrona de veludo.

-Obrigada rafa, já pode ir.

Antes de fechar a porta, Ezreal jurou que tinha ouvido o segurança careca de óculos escuros rosnar para ele.

-Aqui...deixa eu ver...Hum não é grave. Isso doi?

E Cutocou o machucado com um pano úmido.

-AI!

-Como toda a reação, sempre a mesma. Deixe eu limpa-lo pra você. Enquanto isso...

Abriu a geladeira perto dali e pegou cubos de gelo e colocou numa meia limpa.

Ele nada disse.

-O saquinho está lá em baixo. Além disso, a meia é boa e não deixa o gelo escoer!

Existia uma meia dessas?!

-O que disse?

-Er-er, bem uma meia dessas é uma invenção incrível!

-Você fica muito fofo quando gagueja!

Ele ficou mais vermelho ainda e baixou a cabeça com a meia no rosto.

Quando ela por fim colocou um bandeide no machucado já bem cuidado, sentou-se ereto.

-Está melhor?-Perguntou curiosa.

-Sim! Bem melhor! Você é muito boa nisso!

-Ah obrigada. Eu quero saber cuidar de todo tipo de coisa quando as pessoas se machucam!

-Você quer ser médica?

-Sim! É o meu sonho! Qual é o seu?

-O meu...não acho que é grande coisa.

-Conte!

Ela parecia mais animada.

-Eu sempre quis ser explorador. Por isso o óculos.

Ele nunca contara isso a alguém, agora contara a uma estranha que cuidara dele.

Ezreal perdeu seus pais aos 4 anos, desde então o seu avó cuidara dele. Dai que vinha o desejo imenso de ser explorador. Seu avó era a maior inspiração que um garotinho como ele poderia ter.

A loira albina andou até a janela, e viu um grupo de meninos se afastarem da esquina. Provavelmente aqueles que machucaram Ezreal. Foram embora. Suspirou aliviada.

Ela iria falar alguma coisa, mas ele foi mais rápido.

-Obrigado Lux. Por cuidar de mim.

Ela ficou vermelha com a fala dele.

-Bom...está ficando tarde. Meu pai e irmão daqui a pouco estão aqui. Gostaria de uma carona?

Ela já estava sendo bondosa demais. Além disso, já ouviu boatos que, seu irmão sabia lutar muito bem, além de ser eximo no futebol e basquete. Definitivamente, não queria conhece-los, por hora.

-Não precisa! Meu vó já deve estar esperando! Tenho que ir.

Até chegarem na entrada, conversaram timidamente sobre vários assuntos. Ezreal nunca se sentiu tão constrangido e agradecido na vida.

O segurança a acompanhou, ficando atrás dela quando pisou no asfalto em frente da casa.

-Obrigado de novo Lux!

Estendeu a mão para ela.

Em certo ponto surpresa, estendeu a mão e apertou a dele, sentindo o um pequeno choque, e quente ao mesmo tempo. Não era sempre que demonstravam movimentos gentis a ela, vivia praticamente sozinha, cercada por empregados.

E saiu andando a passos largos. E quando virou a esquina, o olhar de ambos se encontraram e um sorriso na parte dele. E sumiu novamente.

Notas finais
eSe outros lerem e chegarem até aqui, comentem, favoritem e recomendem! Me deixem feliz :3
Õ//
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!