Smile
4 Arco 1: Aquela que vê o sol pela primeira vez
Notas iniciais
– Ah, sim… Juvia está bem. — Respondeu a azulada se recuperando e levantando.
– Que bom. — E mais uma vez um sorriso apareceu nos lábios dele. — A propósito me chamo Lyon Vastia. — Apresentou-se elevando sua mão direita para um cumprimento.
04. Aquela que vê o sol pela primeira vez
– Juvia Lockser. — Disse aceitando a mão estendida do outro.
A azulada ouviu Lyon sussurrar seu nome, com um –chan no final, maravilhado. Na verdade, ela estranhava um pouco ele, visto que desde o momento em que seus olhos se cruzaram um brilho no olhar do outro podia ser notado. Um sorriso radiante não saia de seu rosto, e ele não soltava sua mão.
– Hun… Minha mão… — Comentou Juvia tentando se soltar do aperto do jovem.
– Desculpa. — Pediu se soltando, ponderou um pouco antes de perguntar: — Será que Juvia-chan poderia me ajudar com uma informação?
Juvia manteve-se em silêncio, seu olhar curioso pela questão confirmou o pedido de Lyon.
– Juvia-chan, você saberia algo sobre a mulher chuva?
Os olhos da jovem se arregalaram imediatamente ao ouvir “mulher chuva”, suas mãos tremeram levemente e desviou o olhar para o lado. Juvia sentia o medo surgir dentro de si e se perguntava quem era Lyon e porquê ele queria saber mais sobre si. Mordeu o lábio inferior, num sinal de nervosismo, e depois voltou-se para o Vastia.
– Juvia não sabe de nada, desculpa. — Respondeu a jovem.
Lyon permaneceu quieto por alguns minutos analisando a mulher a sua frente. Ele tinha notado toda a inquietação da moça, as mãos e olhos trêmulos, a voz baixa e sem firmeza. Ela estava mentindo, Lyon sabia, mas sorriu.
– Entendo, assim é o melhor. — Falou o dos cabelos brancos deixando Juvia mais inquieta. — Afinal seria triste se a mulher que farei ser minha seja a mulher chuva.
– “Ser minha…?”– Repetiu a azulada em sua mente ficando chocada com a declaração. E mesmo não querendo, seu rosto atingiu uma coloração avermelhada. Entretanto quando Juvia foi tirar a limpo aquela história, Lyon já não se encontrava mais ali.
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Gray precisava se reabastecer novamente e comprar umas coisas para Juvia poder viajar. A viajem para Magnólia seria longa, provavelmente uns três dias. No momento, ele se encontrava num armazém comprando alguns lanches e bebidas, tinha acabado de entrar na loja, já que antes comprava um saco de dormir para a azulada. Seu foco estava totalmente voltado para sua tarefa, pois tentava o máximo possível ignorar todos os comentários das mulheres ali presentes. Suspirou pesadamente, odiava receber tanta atenção assim… Ele sabia que era um homem bonito — modéstia a parte — e que seu hábito estranho de começar a se despir ajudava com o aumento dos comentários. Mas o que ele poderia fazer? Gray era simplesmente assim.
O moreno já estava no caixa quando começava a perder a paciência. Era múrmuros demais para aguentar, mas quando se encontrava ao ponto de virar e gritar para que ficassem quietos… Uma voz conhecida se fez presente.
– Quanto tempo Gray. — Falou Lyon detrás do Fullbuster com um sorriso cínico nos lábios.
– Lyon. — Disse num ranger de dentes. Se antes o moreno estava irritado, agora ele sentia uma raiva lutando para sair de dentro de si. — O que faz aqui?
– Provavelmente o mesmo que você. — Respondeu.
Gray ficou tenso nesse momento, Lyon estava atrás de Juvia, mas manteve um olhar indiferente para a revelação. Não podia dar pistas que já havia encontrado a azulada, e o moreno sabia o quão bom Lyon era em estudar as feições dos outros. Voltou-se ao caixa para terminar sua compra, e sem dizer mais nada saiu da loja passando reto ignorando a todos, principalmente ao Vastia.
Os dos cabelos brancos sorriu vitorioso, já que a atitude silenciosa de Gray reafirmou suas suspeitas sobre a mulher na entrada da vila.
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– “Gray-sama está demorando”.– Pensava Juvia agora na mesma posição na qual se encontrava antes de Lyon aparecer.
A chuva tinha perdido sua intensidade e se transformado num pequeno sereno. Juvia pensou em ir atrás de Gray logo quando Lyon saíra dali, mas ficou com medo. A azulada tinha uma pequena suspeita que o Vastia podia ser um hunter assim como o moreno, e, por algum motivo, estava atrás de si.
Olhou para as pessoas de dentro da vila, algumas delas nem a tinham notado ali, mas outras sim. E elas a encaravam nocivamente sem medo de demonstrar suas opiniões negativas sobre Juvia. Murmuravam entre si, alguns davam mais voz ao seu preconceito para que a azulada ouvisse.
A jovem queria sair correndo dali e voltar para a segurança de sua casa, de seu quarto. Entretanto ela se lembrava que não estava sozinha ali, ela tinha Gray ao seu lado e tinha medo que se saísse dali, o moreno simplesmente pensaria que Juvia tinha desistido de viajar com o mesmo e iria embora sem ela. Só esperava que Gray não demorasse tanto e que Lyon não descobrisse sobre ela nesse tempo.
Enquanto ainda desenhava na lama, um suspiro exaurido saiu pelos lábios de Juvia antes de uma bola de barro acertasse seu rosto a assustando. Olhou para frente e viu um grupo de três crianças, a mão de uma delas estavam sujas com a terra lamacenta. Era notável a expressão de desprezo nos rostos infantis.
– Bruxa! Some daqui! — Gritava uma das crianças enquanto as outras duas confirmavam o desejo da primeira.
Juvia olhou para baixo para esconder as lágrimas brilhando em seus olhos, mas que não caiam. Tentou limpar o rosto, porém só se sujou ainda mais. Não aguentava mais toda aquela humilhação, a azulada só queria que a aceitassem do jeito como ela é com chuva ou sem. Mas isso nunca ia acontecer, continuaria sendo desprezada até chegar o momento em que desaparecesse. Sim, talvez se a jovem não existisse, o sol poderia brilhar, as pessoas poderiam sorrir e ela não iria sofrer tanto.
Deixou suas lágrimas descerem livres por seu rosto, e sem aviso prévio mais lama vinha de encontro a si. Encolheu-se abraçando a seus joelhos e abaixou o rosto ali para proteger-lo.
– “Parem, por favor, Juvia só quer desaparecer”.– Pedia a azulada aguentando toda a crueldade, afinal sempre foi assim… Ela só tinha que suportar.
– Mas o que diabos está acontecendo aqui? — Gritou uma voz poderosa vindo de trás da jovem, e ela conhecia o portador dela.
– Gray-sama… — Sussurrou Juvia virando o rosto para o moreno.
E a irritação se transformou em raiva ao ver aquilo. Gray sentiu todo seu corpo arder em fúria ao avistar Juvia naquele estado. Dos olhos azuis escuros caiam grandes lágrimas que tinham seu caminho interrompido por causa da lama no rosto alvo da jovem. Seu cabelo todo sujo e escorregadio por causa, também, da terra molhada. O moreno conseguia ver o sofrimento brilhar nos olhos da azulada, presos sem para onde escapar.
Seu rosto logo se contorceu, caminhou até Juvia enquanto tirava a camisa a qual usou para tentar limpar a jovem assim que se aproximou da mesma. Limpou as lágrimas dela com sua mão e depois se voltou para as crianças.
– Posso saber o que pensam que estão fazendo? — Perguntou Gray, sua voz estava controlada, mas era possível perceber seu esforço para manter-la assim.
– Quem é você? — Questionou uma das crianças. Essa tinha curtos cabelos pretos e olhos castanhos, estava entre as duas outras. As três se encontravam assustadas com o grito do moreno, visto que ninguém nunca tinham chamado a atenção delas por perturbarem a mulher chuva.
– Não importa quem sou eu, estou perguntando o que estavam fazendo. — Brandou Gray apavorando ainda mais os pequenos.
– Gray-sama se acalme, por favor. — Pediu Juvia segurando a mão do moreno.
– Estou calmo Juvia. — Disse entre dentes. — Aliás por que você está reagindo desse jeito?
– Porque é culpa da Juvia estar chovendo, Juvia é a culpada por todos estarem sofrendo. — A azulada falou abaixando novamente a cabeça e deixando mais algumas lágrimas caírem de seus olhos.
Gray sentiu um aperto no seu coração com a fala da jovem. E agora estavam cercados por mais pessoas, algumas delas tinham um olhar de confirmação para o que Juvia tinha dito e outras um olhar de desgosto. Juvia estava completamente sozinha ali. Suspirou e puxou a azulada pela mão para que a mesma ficasse em pé. Segurou seu rosto entre suas mãos e sorriu confortante.
– Juvia, essa chuva não é sua culpa. — Sussurrou calmamente. Seus olhos estavam vidrados um no outro.
– Quem é você para dizer que não é culpa disso? — Perguntou uma mulher que tinha a criança do meio atrás de si. A imagem da azulada refletia nos olhos da mulher com desprezo.
Olhou para trás e encarou a mulher alta e magricela, seus cabelos longos amarrados num rabo de cavalo alto e seus olhos castanhos fitavam Gray e Juvia com rigorosidade. Não somente ela, mas todos ali pareceram parar somente para observar a cena, também aparentavam estar com pedras nas mãos prontos para atacar.
O moreno ficou extremamente enraivecido com tal atitude dos moradores, visto que, numa maneira simples, ele odiava quem julgava alguém sem razão. Colocou-se na frente da azulada para proteger-la de qualquer possível ataque contra a mesma.
– Juvia, ouça. — Pediu Gray virando-se para a jovem, levou suas mãos até o rosto delicado deixando cada uma de um lado e obrigando a azulada olhar em seus olhos. — Essa chuva não é culpa sua, está me ouvindo? Não é tua culpa! Aliás, você verá logo mais essa chuva para e o sol vai aparecer. — Terminou o moreno com um enorme sorriso nos lábios.
E como se fosse um encantamento proferido por um mago, pequenos feixes de luz começaram a atravessar as nuvens cinzentas que cobriam o céu. Juvia estava encantada com o moreno a sua frente, a expressão que o mesmo fizera ao ser tocado pelos raios solares sem aviso e depois aquele sorriso, antes meio apagado, mas que agora brilhava como nunca, iluminando o coração obscuro da jovem.
As lágrimas, mais uma vez, começaram a descer pelo rosto de Juvia, entretanto dessa vez eram carregadas de alegria era a primeira vez que via aquele cenário. O sol já cobria todo o vilarejo com o seu calor, rostos de espanto logo se transformaram em de felicidade. Pessoas começaram a chorar e se abraçarem, agradecendo a Deus pela saída da chuva. Todos estavam felizes.
– Eu não te disse? — Falou Gray voltando-se para os olhos azulados da mulher a sua frente.
Naquele momento Juvia pensou que aquele homem foi colocada pelo destino na sua vida para salvar-la.
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