Notas iniciais
Alguns dias atrás postei no Tumblr uma ideia de AU que havia me vindo a cabeça, e, no mesmo dia, rabisquei isso. Somente hoje tomei coragem para postar, já que é uma historinha bem boba e curta. Espero que gostem mesmo assim :3

“Você... Você quer sair comigo?”

Havia sido a decisão mais louca de minha vida. Depois de quase um semestre apenas observando meu veterano de longe, resolvi dar minha cara a tapa e tentar. Constantemente passava por ele nos corredores da universidade e o via sozinho, sempre com sua expressão séria e de poucos amigos. Mesmo com sua aura hostil, não consegui evitar sentir-me atraído quase que a primeira vista.

“Onde quer me levar?” Ele responde, arqueando uma sobrancelha e não aparentando nenhum sinal de surpresa. Ele provavelmente já havia notado que eu costumava observá-lo.

Não estava pronto para uma pergunta como essa; apenas aguardava uma resposta como sim ou não. Para ser franco, aguardava a última e já planejava uma forma de evitá-lo pelo resto dos meus anos como universitário.

“E-Eu...” Gaguejo, arregalando meus olhos. Odiava quando eu fazia isso, mas não conseguia evitar fazê-lo quando ficava tenso. “Não sei.”

Seus olhos pequenos e perfeitamente delineados com lápis preto me encaram com um olhar tão julgador que sinto um arrepio na espinha. Talvez eu devesse dizer algo.

“Q-Quero dizer... Podemos ir tomar um café, ou ir ao cinema—“ Babulcio, gesticulando. “Você quem sabe.”

Ele desce seu olhar ao chão, ajeitando seu cabelo por trás da orelha, e eu aguardo. Nossa, como ele é lindo. E ainda mais assim, tão perto.

“Eu gosto de café.” Ele finalmente diz, tornando a encarar-me.

“E-Então...” Sinto minhas bochechas esquentarem. “P-Podemos ir após as aulas de h-hoje?”

“Acho que sim.”

Após marcarmos de nos encontrar na cafeteria perto da universidade e seguirmos cada um para sua respectiva sala de aula, não escondo um sorriso enorme em meu rosto.

Depois da aula, chego à cafeteria um tanto cedo e sento-me em uma das mesas perto da janela. Havia saído correndo e mal me despedi de meus colegas, tamanha ansiedade que estava. Falando neles, eles me chamaram de louco quando revelei que finalmente havia chamado meu amor platônico para sair. Nem me importei, minha loucura havia dado certo, afinal.

Permaneço longos vinte minutos aguardando, até que ouço a porta de entrada ser aberta e vejo o corpo pequeno de Levi adentrar o local. Ele olha em volta até que seu olhar cai sobre mim, e assim caminha até minha mesa com o barulho emborrachado de seu coturno atritando contra o chão.

“Oi.” Sorrio, nervoso, enquanto ele se senta à minha frente.

“Oi.” Ele diz, inexpressivo, removendo seu suéter cinza e colocando-o ao seu lado.

Hesito um pouco antes de dizer algo mais, e ele me encara em expectativa. Não fazia idéia do que poderíamos conversar; não sabia nada sobre ele.

“Você já pediu?” Ele fala antes de mim, pegando um dos cardápios sobre a mesa. Suas unhas estavam pintadas de preto.

“N-Não...” Pego outro cardápio.

Tento focar no que está escrito e tomar uma decisão, mas meu nervosismo faz com que meu estômago se embrulhe e me deixe completamente sem apetite. Entretanto, não poderia simplesmente não pedir nada, então opto por um chá gelado. Levi chama um garçom com a mão, e, assim que ele chega a nossa mesa, ele faz seu pedido.

“Quero um café expresso.” Ele diz simplesmente.

“E eu... eu quero um chá gelado. De pêssego.”

Assim que o garçom se afasta, Levi se ajeita em seu lugar e me encara. O encaro de volta, inseguro, e tento formular um assunto em minha cabeça.

“E-Então, Levi...” Começo, colocando meus braços cruzados sobre a mesa.

“Como sabe meu nome?”

Quase me engasgo.

“E-Eu... Perguntei a um amigo meu...”

“Tsc.” Ele dá de ombros.

“Desculpe-me.” Encolho-me em meu lugar, envergonhado. “Creio que tenha notado que eu ficava te observando... Desculpe por isso. Pareço um stalker.

“Você pede desculpas demais.” Ele suspira.

Quase peço novamente, mas controlo minhas palavras e mordisco meu lábio inferior.

“Eu me chamo Eren.” Resolvo me apresentar. “Estou no segundo período.”

“Eu sei.” Ele levanta sua mão e começa a observar suas unhas. “Quanto a você estar no segundo período, eu digo.”

“Também perguntou a algum amigo seu?” Não resisto perguntar, animando-me um pouco. Talvez ele já estivesse interessado em mim também, por isso aceitou meu convite tão facilmente.

“Não. Apenas te vi entrando na sala do segundo período.” Ele responde, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Por sorte meu desânimo é camuflado pelo garçom, que chega com nossos pedidos. Aproveito a brecha para pensar em algum outro assunto, que inicio assim que ele se afasta outra vez.

“Do que você gosta?”

“Relacionado a quê?” Ele retruca, pegando sua xícara e assoprando o café

“Uh...” Ele sabia como não deixar alguém relaxado. “Música? Ou... lugares que costuma ir? Qualquer coisa, na verdade.”

Ele deixa a xícara sobre a mesa novamente e pensa.

“Não saio muito. Gosto de muitos estilos de música.”

“Mas... tem que haver alguma coisa favorita, que te faz feliz.” Insisto, incomodado com sua resposta geral que não me dava brecha para continuar o assunto.

“Feliz?” Sua testa se enruga levemente. “Dias como hoje me deixam feliz.”

“Dias nublados?” Olho pela janela para o céu, observando como as nuvens aparentam que uma chuva estava prestes a vir.

“Também.” Ele mexe em sua xícara.

Não entendo o que ele quer dizer com sua resposta e me viro para encará-lo. Ele me encara de volta com um olhar um tanto diferente, mas ainda bastante sério.

“Não entendi o que quer dizer, mas se está feliz, porque está tão sério?”

“Eu sou discreto.” Ele rola os olhos.

“Tão discreto que mantém sempre a mesma expressão.” Rio suavemente. “Mas diga, o que no dia de hoje está te deixando feliz também?”

Ele se remexe em seu lugar após minha pergunta, parecendo estar levemente sem jeito de responder.

“Cheguei a achar que você só me olhava porque me achava esquisito.” Ele murmura, quase inaudível, e eu tenho que me esforçar para entender sua frase inteira. “Achei que nunca viria falar comigo.”

“V-Você... Ficou feliz que te chamei pra sair?”

Ele deixa de me encarar e torna sua atenção para sua xícara. Creio que o deixei nervoso com minha pergunta, e isso me deixa feliz.

Tento começar algum outro assunto para deixar o clima mais leve, e, apesar de Levi sempre responder tudo com respostas curtas, conseguimos ter uma conversa.

Saímos da cafeteria e ofereço-me para caminhar com ele até onde morava. Ele tenta recusar, mas acabo por insistir e ele aceita, dizendo que morava em uma moradia para estudantes a poucas quadras dali. Caminhamos lado a lado sem falar nada em particular, até que, repentinamente, começamos a sentir algumas gotas de chuva caindo.

“Droga...” Levi ajeita o capuz de seu suéter sobre sua cabeça.

“E-Eu—“ Lembro-me que tenho um guarda-chuva e tiro minha mochila de um dos ombros para pegá-lo. “Espere um momento.”

Enquanto me embolo com o zíper, a chuva começa. Consigo abrir a mochila e enfio minha mão no fundo para agarrar o guarda-chuva, levando um tempinho para encontrá-lo em meio as minhas tralhas.

“Achei!” Retiro-o rapidamente da mochila.

Noto que Levi me observa enquanto o tiro de sua capa protetora e puxo o cabo para abri-lo. Entretanto, ele emperra no meio do caminho, e começo a me irritar.

“Agora não, maldito...” Reclamo, tentando abri-lo novamente.

Decido por apertar o botão de abertura e ele enfim se abre, quase batendo em meu rosto no processo.

“Pronto.” Coloco o guarda-chuva sobre nós e viro-me para encarar Levi, que me olhava torto.

De repente, ele solta uma risada, escondendo o sorriso por trás de sua mão.

“Desajeitado.” Ele tenta cessar o riso, mas acaba ainda rindo levemente. “Vamos logo, antes que a chuva engrosse.”

Vê-lo rindo era empolgante. Ele não é do tipo de pessoa que expressa seus sentimentos de forma direta, e ver uma reação assim, tão espontânea, me dá borboletas no estômago. Entretanto, não deixo de notar o fato de que ele escondeu o sorriso com sua mão. Ele era tão tímido assim?

Caminhamos por mais uma quadra até que chegamos de frente à moradia no qual ele vivia. Paramos debaixo da marquise na entrada e fecho o guarda-chuva.

“Então...” Ele ajeita a alça de sua mochila sobre o ombro. “Tchau?”

“Tchau.” Levanto a mão para acenar, de repente sentindo-me nervoso.

Antes que ele se virasse para entrar no prédio, entretanto, religo meu cérebro e percebo que não quero deixá-lo ir ainda.

“N-Não, espera!” Digo, e ele me encara. “P-Podemos... Sair de novo depois?”

Ele continua me encarando, piscando algumas vezes.

“Acho que sim.” Ele murmura, voltando seu olhar ao chão.

Abro um sorriso, e ele apenas o retorna com um meio sorriso com o canto da boca, ainda evitando me olhar.

Acreditando ser um bom momento, dou um passo em sua direção e, com minha mão direita, levemente levanto seu queixo. Ele me encara, um tanto confuso, e fecha os olhos assim que me aproximo para beijá-lo. Tudo teria sido perfeito se eu não tivesse ido com muita força e feito nossos dentes se chocarem no caminho.

Encerro minha tentativa falha de beijo e o encaro com meus olhos arregalados. Ele me encara de volta, com as sobrancelhas franzidas, e começamos a rir.

“Desculpe...” Digo, entre o riso.

Noto que ele ainda ria, escondendo-se por trás de sua mão.

“Deixe-me ver seu sorriso.” Peço, e ele me encara.

Ele cessa o riso em seguida e desce sua mão, mexendo sem jeito na alça de sua mochila.

“Odeio meu sorriso.” Ele murmura.

“Por quê?” Pergunto.

“Você já deve ter percebido o porquê.” Ele vira o rosto. “Melhor eu ir.”

Fico confuso com suas palavras e seguro seu braço, evitando que ele se afaste.

“Espere...” Suspiro, e ele me olha de lado. “E-Eu... deixe-me tentar de novo.”

Ele se mantém no mesmo lugar, então solto seu braço e me posiciono a sua frente. Lentamente levanto seu rosto, agora usando as duas mãos, e ele me encara com uma expressão insegura. Já que eu provavelmente estava com uma expressão até mais insegura, decido continuar, e aproximo nossos lábios. Ele abre um pouco sua boca para corresponder, e movemos nossos lábios um contra o outro de forma que quase me deixa sem ar. Tão suaves, tão perfeitos. Poderia beijá-lo para sempre.

Nos separamos brevemente para recuperarmos o fôlego e aproveito para pegar seus pulsos e colocar seus braços ao redor de meu pescoço. Ele nada diz quanto a isso e apenas fica na ponta dos pés para outro beijo, enquanto o seguro pela cintura. Dessa vez, o beijo se torna naturalmente mais intenso e roçamos nossas línguas juntas. Tenho que me controlar para não ficar excitado demais com apenas isso. Assim que interrompemos o beijo, sigo beijando o canto de sua cabeça até sua orelha, e, quando desço para seu pescoço, noto que ele ri.

“Melhor parar.” Ele murmura em meu ouvido, ainda rindo.

“Sente cócegas aqui?” Beijo novamente o mesmo lugar, ganhando mais risadinhas. Queria que esse som nunca parasse.

“Eren, melhor não...” Ele desce suas mãos para meu peito, me afastando de leve.

Logo que o encaro, pego de relance o fim de seu sorriso, mas ele logo o esconde com sua mão. Entretanto, o que vi é suficiente para que a imagem dele sorrindo ficasse em minha mente. Era lindo. Acabo por puxá-lo para outro beijo, sentindo-me ainda mais apaixonado.

“Calma, Eren.” Ele logo interrompe, rindo.

“Você é lindo.” Acabo por dizer, e ele me encara. “Sorrindo ainda mais.”

“Meu sorriso é feio, Eren.” Ele abaixa o rosto de leve. “Malditos dentes tortos.”

Acabo por enfim entender sua insegurança, mas não deixo de franzir minhas sobrancelhas por sua razão. Era tão fútil e boba, sendo que era tão lindo. E a raridade que ele expressava tais reações o tornava ainda mais.

“Seu sorriso é perfeito. Nunca o esconda de mim.” Seguro seu rosto e o digo, encarando em seus olhos.

Ele continua me encarando por um instante, até que sua expressão relaxa.

“Você tem um gosto estranho.” Ele ri de leve.

O beijo novamente e novamente, até que começa a escurecer e eu acho melhor ir.

No dia seguinte, na universidade, passo pelos corredores ansiando ver Levi. Assim que o vejo de longe, aceno para ele com um largo sorriso em meu rosto, e ele timidamente sorri de volta, sem usar suas mãos para escondê-lo.

Farei de tudo para vê-lo sorrindo para sempre.

Notas finais
Provavelmente usarei a ideia do Levi ter os dentes da frente tortinhos em outra fic mais complexa, já que imaginei ele uma fofura assim :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!