Small obsession
18 Capítulo 18 - Acerto de contas
Notas iniciais
— Ichigo —
Era hilário como em apenas alguns instantes tudo parecia desmoronar diante de meus olhos.
Tão hilário que se eu não estivesse tão surpreso estaria gargalhando da grande ironia do destino.
Quando tudo parecia estar entrando nos eixos o passado batia em minha porta, trazendo átona todos os meus pecados. Mostrando que o acerto de contas estava próximo.
E o meu carrasco estava sentado a mesa junto de minha família, olhando-me com desprezo.
Sentia o ar fugir de meus pulmões. Não sabia nem o que falar e muito menos, como agir.
— O que houve Ichigo? Parece que viu um fantasma. — Diz sarcasticamente arrancando risadas de minhas irmãs.
Não respondi de imediato, apenas olhei para meu pai, que nos observava estranhamente sério.
Ele parecia desconfiar de algo. Tudo o que eu menos queria naquele momento era responder perguntas desnecessárias.
— Claro que não, Kaien. Só não esperava vê-lo aqui. — Respondo rapidamente tentando demonstra indiferença.
— Ah claro. — Diz sorrindo forçadamente.
— Estávamos falando de você, onee-chan. — Diz Yuzu sorridente.
— É filho desnaturado. Estávamos falando de seu namoro com a Rukia-chan. — Diz meu velho lançando-me um olhar sugestivo. — Estávamos dizendo que seus esforços finalmente deram frutos. — Completa gargalhando logo em seguida.
A conversa ao longo dali foi totalmente ignorada por mim que não tirava os olhos de Kaien, que ria e comentava todas as piadas sem graça de meu pai.
Eu sabia que tudo aquilo não passava de fingimento. Ele só estava esperando o momento certo para me confrontar. Sabia que aquela hora poderia chegar a qualquer momento e eu já estava preparado.
Finalmente estávamos cara a cara. Todos já haviam ido para cama deixando-nos a sós na confortável sala.
— Como ela está? — Perguntou firme surpreendo-me.
— Bem. — Respondo curto e grosso. — Vá direito ao assunto, por favor. — Digo impaciente.
— É. Vamos direto ao assunto. — Concordou sério. — Você mentiu para mim naquela noite? — Perguntou.
— Eu menti... — Fui interrompido violentamente ao ser atingido por um potente soco.
— Como você pode?! — Exclamou raivoso. — Você disse que ela havia me usado. Que ela me humilharia e tudo isso por você. — cuspiu tudo aquilo indignado. — Eu a amava. — Confessou baixo.
— Não, você não a amava. Se amasse teria acreditado em mim tão facilmente. — Digo encarando — o seriamente.
— Eu não a amava?! — Questiona indignado. — Ah e você a ama? — Pergunta sarcasticamente.
— Sim. — Respondo sem pestanejar.
Ficamos encarando um ao outro. O clima estava tenso. Ele olhava-me de uma maneira que parecia desprezo misturado a pena, aquilo me irritou profundamente.
— Você não sabe amar Ichigo. — Afirma surpreendo-me mais uma vez aquela noite. — É por não saber ama-la que você irá perde-la. — Finaliza dando me as costas.
— Isso foi uma ameaça, Kaien? — Perguntei friamente.
— Não. Isso foi um aviso. — Responde sem nem deter seus passos.
Minha vontade era de socar aquela face debochada, mas contive meus impulsos lembrando-me de suas palavras.
Minha mente gritava dizendo que ele tinha razão, mas meu coração não queria acreditar que de fato poderia perde-la.
Já não tinha mais certeza se poderia viver sem aquela baixinha briguenta.
Não fazia nem uma semana que namorávamos e eu já corria o risco de perde-la.
— Ei Ichigo? — Ouso a voz grave de meu pai ressoar pelo cômodo.
— Você ouviu tudo? — Questionei franzindo o cenho.
— Sim. — Confessa seriamente. — Eu não vim aqui para te julgar. — Declara sentando-se ao meu lado.
Ficamos em silêncio encarrando a sala vazia.
— O que eu devo fazer? — Perguntei aflito. Não era muito normal a pedir conselho a meu pai, mas naquele momento parecia o certo a se fazer.
— Sinceramente? — Perguntou sem nem esperar resposta. — Eu acho que você deve ser sincero. — Declaro calmamente.
— Mas e se ela me deixar? — Perguntei desesperado.
— Ao menos você vai poder olhar nos olhos dela e saber que fez o certo. — Falou em um tom manso me acalmando. — E se no final de tudo ela ainda permanecer ao seu lado, você não terá nenhum arrependimento e tudo sera verdadeiro. Sem meias verdades. — Completou enfim saindo de meu lado. — Boa noite filhão. — Disse sorrindo zombeteiro.
— Boa noite velho. — Respondi retribuindo ao sorriso.
— Pense e reflita sobre tudo o que aconteceu hoje. Faça suas escolhas como um homem e arque com as conseqüências. Eu não criei você para ser um covarde. — Completa deixando-me sozinho para refletir com aquelas sábias palavras.
Então foi ali jogado no sofá de minha antiga casa que tomei uma das maiores decisões de minha vida.
— Vou dizer toda a verdade a ela! — Exclamei confiante. — E se ela não me quiser, farei com que mude de idéia mais uma vez. — Completei sorrindo.
Eu sabia que ao tomar aquela decisão nada mais seria fácil, mas nada nem ninguém iriam me fazer desistir de minha pequena obsessão.
Definitivamente eu não seria mais um covarde.
Pulei do sofá apressado. Precisava vê-la naquele momento. Senti-la nem que fosse pela ultima vez.
Sim, já havia tomado minha decisão. Mas precisava dela. Precisava fazer amor com ela mais uma vez.
Dirigi apressado, e de certo modo imprudente, pelas silenciosas estradas que nos separavam.
Já eram mais de dez horas da noite, mas nada me importava naquele momento.
Ansiava por tê-la em meus braços. Ouvir sua voz pedindo por mim. Ansiando por mim do mesmo modo que eu ansiava por ela.
"Você não sabe amar Ichigo." Aquela maldita frase ecoava em meus pensamentos, mas de certo modo sabia que talvez ele estivesse certo.
Eu realmente não sabia ama-la, mas não seria esse o motivo que me faria desistir de ao menos tentar aprender a tão bela arte de amar ao lado de minha pequena. Aquela que sem ao menos saber, era minha razão de viver.
Enfim, depois de quase uma hora ali estava eu admirando a frente do majestoso prédio onde ela morava.
Caminhei apressado tentando conter minha ansiedade. Irônico com me sentia tendo um Déjà Vu. O elevador subia lentamente. Tudo parecia se repetir.
Mas eu sabia que ao final de tudo os resultados seriam desfavoráveis.
Suspirei ao parar em frente aquela tão conhecida porta branca e sem pensar apertei a campainha.
" E que o acerto de contas comece!"
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